domingo, 22 de setembro de 2013

See My Way - Capítulo 4

A turma de Mary ganhou da reitoria da universidade uma viagem para Stratford-upon-Avon, a cidade natal de Shakespeare. Iriam visitar um museu onde havia rascunhos do dramaturgo.
Ela esperava que a mudança de ares tirasse Roger de seus pensamentos. No museu, ela olhava fascinada para aqueles velhos papéis e ouvia atentamente as explicações do professor e do guia.
Uma de suas colegas cochichou:
– Mary, um bilhete para você.
– De quem? - ela sussurrou de volta.
– Nem imagino... - a colega respondeu.
Mary abriu o bilhete disfarçadamente e leu:
" Você é muito linda, Mary, quer sair comigo?
Henry".
A garota não se arriscou a olhar para o rapaz. Não sentia simpatia nenhuma por Henry. Ela se sentia como um ímã de homens indesejáveis.
Fingiu estar calma. Depois de algum tempo, o grupo saiu do museu e voltou para o hotel onde estava hospedado.
Após um banho, Mary decidiu descer e ir ao salão de jogos. Encontrou uma máquina de pinball, colocou uma ficha e começou a jogar.
Achou que, no fim das contas, quiseram apenas pregar uma peça nela, pois Henry nem sequer se aproximara dela depois que a turma de alunos retornara ao hotel.
– Ei, Rainha do Pinball! - ela ouviu a voz de Henry, e pensou que talvez não fosse uma peça.
– O que você quer? - ela perguntou, sem tirar os olhos do mostrador do jogo.
– Saber se você aceitou meu convite.
– Não, não aceitei. Nem pretendo aceitar os próximos que você me fizer.
– Escuta, bonitinha, todas as garotas da Universidade de Oxford querem sair com Henry Aldrin.
– Então eu devia ir para Cambridge, porque eu não quero sair com você. - Mary falou, virando-se para encará-lo.
– E por quê, hein? - ele perguntou, aproximando-se dela e pegando seu braço.
– Porque eu... - ela pensava no que dizer a ele para colocá-lo para correr, quando...
– Porque ela tem um namorado, que sou eu! - Roger apareceu.
– Roger?! - ela nunca imaginou que ficaria tão contente por vê-lo.
– Tudo bem com você, meu amor? - ele perguntou.
– Agora está tudo bem, querido. - ela falou, decidida a cooperar com Roger para se livrar de Henry. Foi até Roger e deixou que ele a envolvesse nos braços. Henry estava pasmo.
– O que você está esperando para cair fora? - Roger falou, olhando feio para Henry.
– Hã... - Até mais, Mary. - Henry falou, saindo de fininho.
Mary esperou que Henry se afastasse o suficiente, e falou para Roger:
– Bem, obrigada por me ajudar.
– De nada. - ele sorriu.
– E nunca mais diga que é meu namorado!
– Você gostou de fingir que somos namorados, confesse.
– Não gostei, não.
– Você fica linda se fazendo de difícil. - Roger falou, erguendo o queixo de Mary.
– Sabe por que não suporto o Henry? Porque ele age da mesma forma que você!
– Com a diferença que você gosta de mim.
– Não gosto, caramba! Você é um mentiroso! Aproveita-se das garotas tolas que se apaixonam por você! Mas eu não caio mais nessa, não caio...
Roger calou Mary com um beijo. Ela ficou arrepiada.
– Eu não sou tão safado desse jeito. Eu gosto de você, Mary.
– Oh... Pare, Roger, não vou me meter com você.
– Mary, se você me detestasse, não teria se arrepiado como agora.
– Vou ser franca, está bem? Eu gosto de você, seu estúpido! Estou apaixonada por você! Mas não sou boba. Sei muito bem que você gosta de farra, de pegar várias garotas...
– Eu reconheço, não sou um cara que se deixa amarrar... Mas isso não significa que não posso mudar.
– Um cara como você não muda nunca...
– Você duvida?
– Duvido. Mas me diga uma coisa... O que está fazendo aqui em Stratford-upon-Avon?
– Vim ver um tio... Mas na casa dele não há quarto de hóspedes, então tive que ficar aqui no hotel.
– Ah, entendi.
– Já que você acha que nunca vou mudar, vou te propôr um desafio.
– Que desafio?
– Vamos namorar. Você vai ver que posso ser o melhor namorado do mundo.
– É ruim, hein? Esse namoro será um em que somente uma das partes está apaixonada.
– Mas, Mary, o que eu sinto por você é o sentimento mais forte que já tive por uma garota em toda a minha vida!
– É o que vamos ver. Está bem, eu aceito o "desafio".
– Posso ganhar um beijo para selar o acordo?
– Tá bom...
Mary o beijou. Ela não podia negar a si mesma que estava feliz com aquilo.

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