segunda-feira, 18 de maio de 2015

Oneshot: True Love Ways (Série What If)

Boa noite! Temos outra What If protagonizada por Fanny Fitzwilliam e Mike Nesmith sendo postada. Espero que gostem. 










    Bob certamente iria dizer a Fanny que aquilo era perda de tempo. Mas o que ela poderia fazer se Mike Nesmith não saía de seus pensamentos?
      Ela queria procurar o Monkee. Perguntar-lhe o porquê da traição para com Alice. O casal parecia tão unido... Pelo menos Alice estava feliz com Bob. Fanny ficava contente pelo amigo. Ela gostava de Alice. Mas tinha que admitir a si mesma: não gostava de saber que não era mais o objeto do amor de Bob. Estaria ela... Apaixonada por ele? Deu de ombros e tomou uma decisão. Pegou o telefone. Discou o número do hotel em que ela sabia que os Monkees sempre se hospedavam em Londres. Ser amiga pessoal da banda tinha suas vantagens.

- Alô? – disse o recepcionista.

- Olá. – respondeu Fanny. – Meu nome é Fanny Fitzwilliam e eu gostaria de falar com Mike Nesmith. Poderia passar a ligação para o quarto dos Monkees, por gentileza?

- Você com certeza é apenas uma fã que descobriu onde eles estão.

- Sim, sou uma fã, mas também amiga da banda! Passe a ligação, por favor! É urgente!

- Está bem, está bem. – disse o recepcionista, um pouco de má vontade.

                Fanny esperou um pouco. E então uma voz grave falou:

- Alô?

- Nez? Sou eu, Fanny.

- Olá, Fanny! – disse ele. – Como você está?

- Eu estou bem, obrigada. E você?

- Também.

                     Houve um silêncio de alguns minutos. Até que Fanny quebrou o gelo.

- Nez...

- Sim?

- Preciso falar com você sobre um assunto importante.

                        A garota quase podia ver as sobrancelhas de Mike franzirem.                 

- Que assunto?

- Tem a ver com a Alice. É tudo que você precisa saber por enquanto.

- Ok... Onde nos encontraremos?

- Que tal meu quarto de hotel?

- Está bem. – disse Mike. – Onde fica?

                           Fanny passou o endereço a ele e ficou combinado que Mike iria até lá no dia seguinte às 15h. Conforme combinado, Fanny ouviu uma batida na porta às 15h do dia seguinte. Ela se levantou de sua poltrona e abriu a porta. Viu o rapaz alto, e como sempre, sentiu-se intimidada. Fanny, por ser baixa, se sentia intimidada diante de pessoas muito mais altas do que ela.

- Hã... Oi, Mike. – disse ela.

- Oi, Fanny. – ele deu um pequeno sorriso para ela.

- Entre. – disse ela, acenando num gesto convidativo.

- Com licença. – disse ele, entrando. Já ia se sentar numa das duas poltronas, quando viu uma coisa preta e peluda em cima da poltrona. – Opa! Quase me sento em cima do seu gato, Fanny! Acho que não fomos apresentados.

- Este é o Voltaire, Nez. – disse Fanny, pegando o gato das mãos de Mike. – Voltaire, este é o Nez.

                           O gato deu um pequeno miado e pulou do colo de Fanny, indo se enrolar para cochilar em cima da cama da jovem.


- Ele me lembra o Galahad. – disse Mike.

- Quem é Galahad? – Fanny perguntou.

- O gato da Alice. – respondeu o Monkee com um suspiro. – Foi meu último presente antes de... Bem... Você sabe.

- Era sobre isso que eu queria falar com você, Nez.

- Sobre eu ter traído a Alice?

- Sim.  Eu não entendo porque fez isso. Errar é humano, mas cometer o mesmo erro duas vezes é burrice!

- Eu sei. Marie Greyhound me disse isso.

- Desculpe, Mike, mas realmente não consigo compreender como foi capaz de trair uma garota de quem você realmente gosta.

- E você acha que sou capaz de compreender isso, Fanny? Quem me dera!

- Bem... Não posso culpá-lo. Todos nós fazemos coisas tão estúpidas...

- Posso supor que esteja se referindo a um dos seus namorados?

- Sim. Ray Davies me traiu com a Nora.

- Com a Nora? – os olhos de Mike se arregalaram. – Mas vocês não são amigas?

- Sim, nós somos. Não houve animosidade entre nós por isso pelo motivo de que nós duas nos sentimos enganadas.

- Puxa... – Mike olhou para baixo. – Coitada da Nora... Eu já fiz isso com ela, agora o Davies... Ela não merece isso.

- Ninguém merece. – disse Fanny. – Bem... Sabe... Tenho que confessar uma coisa.

- O quê?

- Eu... Eu acho que gosto do Bob, Nez. Mais do que simplesmente como amigo.

- E agora ele está com a Alice.

- Isso aí.

- Frances, posso presumir que quer saber se tenho planos de tentar reconquistar a Alice?

- Você é espertinho, Michael.

                                                                * * *

- Onde esteve a tarde toda, Mike? – perguntou Davy a Mike quando ele finalmente voltou ao hotel dos Monkees. – Bob e Bert já iam mandar a cavalaria atrás de você!

- Estive com a Fanny.

- A Fanny? – Micky sorriu maliciosamente para Mike. – Eu achava que quem gostava dela era o Peter.

- Eu só a acho muito bonita, Micky, você sabe disso! E além do mais, já tenho a Erin. E ela é perfeita. – Peter deu um pequeno suspiro ao falar da namorada, que ele precisou deixar em Los Angeles.

- Só que eu não fui visitá-la com as intenções que você está pensando, Micky. – disse Mike. – Ela quer minha ajuda para recuperar o Dylan.

- O Dylan? – Davy indagou. – Mas ela teve mesmo um rolo com ele?

- Não. Mas todo mundo sabe que ela gosta dele mais do que como amigo. Ela me confessou isso. E ela quer que eu recupere a Alice para que ela possa ficar com Dylan.

- Unindo o útil ao agradável. – disse Peter.

- Exatamente. – concordou Mike.

- E você vai ajudá-la? – quis saber Davy.

- Vou. – afirmou o Monkee do gorrinho.

- Só uma perguntinha a mais... – começou Micky. – Você acha mesmo que a Alice vai aceitá-lo de volta depois da sua canalhice sem tamanho?

- Não sei. Mas a esperança é a última que morre, meu amigo.

                                                               * * *

- Você resolveu pedir ajuda ao Mike Nesmith para fazer o Dylan voltar a gostar de você, é isso? – perguntou Elinor à irmã mais nova.

- Sim. – confirmou Fanny.

- Maninha, eu não quero ser chata nem nada, mas... Isso não vai rolar.

- Por quê, Elinor?

- Ora, Fanny, porque tem absolutamente tudo para dar errado! Você acha que Alice vai querer o Nesmith de volta depois do que ele fez? Eu não iria querê-lo!

- Bem, eu... – Fanny esfregava o braço, nervosa. – Estou apostando que Alice ainda gosta do Nez. Elinor... Ele está arrependido. Isso é visível nos olhos dele. Você sabe que sempre fui boa em perceber as coisas “no ar”, por assim dizer.

- Sim, eu sei. E Fanny, eu posso estar errada, mas estou sentindo que os planos não vão ter os resultados que você e o Nesmith estão esperando.

- E que resultados você acha que terão?

- Não faço ideia. Mas uma coisa afirmo: você não vai ter Dylan e ele não vai ter Alice.

                     Fanny mordeu o lábio. Esperava que a irmã estivesse errada.

                                                              * * *


                     Mike estava nervoso. Iria à casa de Alice naquela tarde para tentar conversar com ela. Se ela ao menos o recepcionasse, seria uma vitória. Respirou fundo e tocou a campainha. Ela abriu a porta, e assim que o viu gritou:

- Vá embora!

- Alice, por favor... – ele tentou segurar a porta. – Eu estou arrependido, não sei o que deu em mim...

- Não sabe, é? – ela ironizou. – Pois eu sei muito bem o que deu em você! Ca-na-lhi-ce! Vá embora já! Ou você vai me obrigar a chamar o Bob?

- Eu acabo com o Dylan em segundos.

- Claro, claro. – Alice resmungou. – Vou dizer uma última vez: vá embora, Robert Michael Nesmith! Eu te odeio!

                     Entristecido, Mike decidiu ir embora. Contudo, ainda tentaria mais uma ou duas vezes. Enquanto isso, Fanny conversava com Bob:

- Bob, eu sei que você gosta muito da Alice, mas você não acha que ela ainda sente algo pelo Mike?

- Hum...  Por que acha isso, Fanny?

- Sei lá... Ela o amava demais até saber do que ele fez...

- Bem, isso é fato. Mas creio que o amor que ela sentia se transformou em ódio.

- Não podemos excluir essa possibilidade. – Fanny reprimiu um suspiro resignado. Fazer Bob voltar a ser apaixonado por ela seria mais difícil do que imaginava.

                        Naquela tarde, Mike foi até o apartamento dela.

- Nada feito, Fanny. Alice não quer me ver, nem mesmo pintado de ouro. Ela me odeia do fundo da alma. Sabe, há uma coisa que me intriga.

- O quê? – Fanny perguntou.

- Por que você não me despreza? Era o que eu merecia, visto o grande erro que cometi.

- Bem, eu... Não sei, Mike. Eu acredito quando você diz que está arrependido. Posso ver o sentimento de culpa nos seus olhos. Eu sou muito... Intuitiva. Você está totalmente corroído pela vergonha que sente de si mesmo.

- Sim. – ele abaixou a cabeça. – Eu não mereço ter o amor de mais nenhuma mulher, depois da minha canalhice.

- Você foi mesmo um canalha, Nez... Mas todo mundo merece uma segunda chance. Bem, no seu caso uma terceira. – ela deu uma risadinha, arrancando um sorriso do Monkee.

- Você é muito legal, Fanny. – ele disse.

- Obrigada. Eu faço o meu melhor.

                             Fanny levantou-se, ligou o rádio e mexeu no botão das estações, até que reconheceu os primeiros acordes de True Love Ways, de Buddy Holly.

- Venha, Nez, vamos dançar. – ela estendeu sua mão para ele.

- Eu não danço. – disse ele. – Você acha que um cara alto e desengonçado como eu consegue dançar?

- Eu também não sou nenhuma pé-de-valsa, Nesmith.

- Tudo bem. – ele tomou a mão dela.

Just you know why
Why you and I
Will by and by
Know true love ways

Sometimes we’ll sigh
Sometimes we’ll cry
And we’ll know why
Just you and I
Know true love ways

Throughout the days
Our true love ways
Will bring us joys to share
With those who really care

Sometimes we’ll sigh
Sometimes we’ll cry
And we’ll know why
Just you and I
Know true love ways

Throughout the days
Our true love ways
Will bring us joys to share
With those who really care

Sometimes we’ll sigh
Sometimes we’ll cry
And we’ll know why
Just you and I
Know true love ways
                             

                Ao fim da música, Fanny disse:

- Sabe, até que você não dança mal, Mike.

- Você também. – ele sorriu.

- Eu... Queria achar um cara que me mostrasse o verdadeiro jeito de amar.

- Você vai achar. Já eu... Acho difícil que eu encontre a garota que vai me mostrar isso.

- Será mesmo? Eu tenho certeza que você achará. – Fanny ficou na ponta dos pés e conseguiu dar um beijo no rosto de Mike.

                               Para ambos, aquele beijinho foi algo especial.

                                                                      * * *


                                  Os Monkees precisaram voltar aos Estados Unidos. Mike, desde aquele dia em que dançara com Fanny e ganhara dela um beijo no rosto, não parava de pensar nela. Ela era uma garota adorável. Comentou isso com os amigos.

- Mike está apaixonado, ora, ora. – Micky riu.

- Xi, Peter, ele vai roubar a Fanny de você. – Davy disse.

- Não tem problema. Já estou bem feliz com a minha Erin. – Peter sorriu.

- Eu não sei bem se estou apaixonado... – Mike estava um pouco duvidoso.

- Ah, está sim. – Davy falou, autoridade que era no assunto. – Você tem bom gosto, Fanny é uma bela pequena... Não deixem Di saber que eu disse isso. Ou ela vai me matar.

                                      Davy e seus amigos caíram na gargalhada. Enquanto isso, na Inglaterra, Fanny também não parava de pensar em Mike. Chegou à conclusão de que havia aceitado que ela e Bob eram apenas amigos. Decidiu que iria aos Estados Unidos atrás dele. Mas antes, ligou para ele.

- Você vai vir aos Estados Unidos, Fanny? Bem... Se quiser, pode vir nos ver em Hollywood Hills.

- Hollywood Hills?

- A casa do Davy e da Dianna. Vamos passar a semana aqui, escrevendo o roteiro para o nosso filme.

- Que legal! Mas não vou atrapalhar vocês, Nez?

- Claro que não! Você é nossa amiga, é bem-vinda.

                                Encorajada assim por Mike, Fanny arrumou as malas e partiu para os Estados Unidos. Chegando a Los Angeles, ligou para a casa de Davy, cujo número Mike havia lhe passado. Pegou com o dono da casa o endereço e um táxi a levou até lá. Tocou a campainha. Foi atendida por Dianna.

- Olá, Fanny. – a namorada de Davy sorriu.

- Oi, Dianna. – Fanny devolveu o sorriso. Então sentiu duas coisas peludas roçarem suas pernas. Olhou para baixo. – Não sabia que vocês tinham gatos, Di.

- Pois é, nós temos. Estes são o Odisseu, meu gato, e a Penélope, a gata do Davy.

- Quando eles derem cria vocês vão chamar um dos filhotes de Telêmaco? – Fanny perguntou, em meio em uma risada.

- Provavelmente sim. – Dianna respondeu, também rindo. – Mas, entre, Fanny! Sinta-se à vontade.
                            

                               A dona da casa conduziu Fanny pelos corredores. A decoração tinha um estilo inglês, o que era de se esperar, visto que tanto Dianna quanto Davy eram ingleses. Os gatinhos seguiam sua dona e a visitante. Até que Dianna abriu a porta de uma saleta. Fanny viu os Monkees sentados no chão, em meio a lápis, papel e vários cigarros. Escreviam e liam atentamente. O primeiro a erguer os olhos do caderno onde rascunhava algumas cenas para o filme foi Micky.

- Vejam só quem chegou! – exclamou ele, animado. – Olá, Fanny!

- Oi, Micky. – Fanny devolveu o cumprimento entusiasmado do Monkee maluquinho.

                            Mike levantou a cabeça, e ao ver Fanny não pôde impedir um sorriso de se formar em seus lábios.

- Oi, Fanny. – ele disse, ficando um pouco corado.

- Oi, Mike. – ela o cumprimentou, também enrubescendo.

                               Davy e Peter a saudaram, e Fanny retribuiu as saudações deles. Estava ansiosa para ficar a sós com Mike. Precisava dizer a ele o que sentia. Passou o dia com Dianna e os Monkees, conversando e rindo. Trocava alguns olhares com Mike timidamente. Num certo momento, todos os outros saíram da saleta, deixando os dois sozinhos, como se houvessem entendido que eles precisavam de alguns instantes a sós.

- Fanny, eu queria dizer algo a você.

- Eu também gostaria de te dizer algo, Nez.

- Você primeiro. – disse ele, com um sorriso.

- Não, diga você.

- Fanny... – Mike pegou a mão dela e beijou. – Eu estou apaixonado por você. Eu entendo perfeitamente que você não me corresponda, mas...

                                 Fanny não o deixou completar a frase. Beijou-o ardentemente. Dianna e os outros Monkees observavam tudo por uma fresta da porta, e sorriam. Mike e Fanny haviam descoberto o verdadeiro jeito de amar.





domingo, 17 de maio de 2015

Poema: Always On My Mind (Série What If)

Boa noite! Hoje venho postar um poema que Davy Jones teria escrito na minissérie What If Hittin' The High Seas, para exprimir a imensa saudade que ele sente da esposa, Dianna Mackenzie. Ao fim da postagem, a música do Elvis que inspirou o poema. Boa leitura! 






Minha amada, sinto tua falta

Enormemente. Tudo me faz lembrar de ti. 

Sonho com teus lábios, teus cabelos...

Tua voz, tuas carícias...


Cada nova chance de rever-te me exalta,

E novamente me vejo preso aqui. 

Penso que ouço teus apelos, 

Mas são apenas o Destino e suas malícias.


Há tanto tempo que, forçado,

Deixei-te, e os frutos do nosso amor...

Mas no dia em que eu houver regressado,


Ficará esquecida a dor. 

Em teus braços ficarei descansado. 

Minha senhora, tão suave como uma flor. 






sexta-feira, 15 de maio de 2015

Hittin' The High Seas - Episódio 2 (Minissérie)

Boa tarde! Aí vai mais um episódio dessa minissérie inspirada na Odisseia de Homero! 



Episódio 2


- Nós partimos da Inglaterra há vinte anos, em uma expedição a mando do rei da Inglaterra para pilhar um navio mercante espanhol. Ficamos seis meses no encalço do galeão, conseguimos pegá-lo nos arredores das Índias Orientais e saqueá-lo. Íamos de volta à Inglaterra quando...

- O que houve? – perguntou Mary Anne, após a pausa dramática que Davy fizera de propósito.

- Bem, numa certa vez, navegávamos na rota de volta ao nosso país de origem, quando meus três amigos e eu, que estávamos no convés, analisando as estrelas e consultando os instrumentos de navegação, fomos engolidos, por assim dizer, por uma grande massa de água.

- Uma grande massa de água? – espantou-se George.

- Sim. Essa massa de água nos envolveu e nos levou para as profundezas do oceano... Mais exatamente para o palácio do próprio deus dos mares, Poseidon.

- O palácio de Poseidon? – Paul ficou boquiaberto.

- Sim. Fomos introduzidos no salão do trono. Que lugar maravilhoso! Tudo era feito de coral, pérolas e conchas, nos mais variados matizes.  Vimo-nos então diante de dois majestosos tronos de nácar. Neles estavam sentados um homem jovem, de cabelos pretos e olhos azuis, alto e magro, segurando um tridente, e uma bela moça, alta, de cabelos e olhos castanhos, com conchinhas enfeitando seus cabelos. Ambos usavam vestes de tecido fluido, em tons de azul e verde.

- Poseidon e Anfitrite. – adivinhou Ringo.

- Os próprios.  Poseidon nos estudou minuciosamente, e disse: “Bem-vindos! Há muito que desejo conhecer os quatro mais famosos corsários que já singraram meus domínios!”. Devo dizer que me senti um pouco intimidado perante o deus, com aqueles olhos faiscantes como uma tempestade marítima e aquele nariz enorme.  Olhei para meus amigos. Mike e Peter estavam tão espantados diante do casal de deuses quanto eu. Já Micky parecia fascinado pela beleza da rainha Anfitrite.

- Se o amor por minha esposa não falasse mais alto... – murmurou Micky, lembrando-se da esposa do rei dos mares.

- Na verdade, ela recusou você terminantemente! – corrigiu-o Peter. Micky ficou corado e nada respondeu.

- Continue, Davy. – pediu Mike.

- Onde eu estava? Ah, sim! O deus do mar disse: “Proponho aos senhores que passem uma noite em meu palácio. Será oferecido um banquete em sua honra”. Como poderíamos recusar uma proposta do próprio Poseidon? Alguns seres marinhos, criados da divindade, instalaram-nos em belos quartos.  À noite, juntamo-nos a Poseidon e Anfitrite no festim. Nunca tinha me visto antes diante de tanta fartura, e já tive lautas refeições algumas vezes. Comemos e bebemos à vontade. Bem, bebemos além da conta, é verdade, tão delicioso era o vinho.

- Bebemos tanto que tivemos problemas. – Mike resmungou.

- Sim... – Davy ficou um pouco ruborizado. – O efeito do álcool sobre mim me levou a dizer ao deus: “Como um deus pode ter um nariz tão absurdamente grande?”. O rei do mar olhou-me furioso... Entretanto, Micky conseguiu deixá-lo ainda mais irritado, dizendo: “Pode ser absurdamente narigudo, mas pôde desposar uma belíssima deusa, a mais bela criatura que já vi em minha vida”.

- E como Poseidon reagiu a essa afirmação? – quis saber John.

- Ele lançou a Micky um olhar ainda mais furibundo. Anfitrite fitou Micky, chocada e ofendida, esbravejando: “Como ousa?”.  E Poseidon gritou, seu grito soando como o rugido do mar agitado: “CAPITÃO DAVID JONES! Pela sua ousadia e de seu amigo, banirei os quatro do meu reino! E cuidarei para que nunca regressem à Inglaterra! Nunca mais verão suas mulheres e seus filhos!” . Outra massa de água nos envolveu, e nos levou de volta para a superfície, jogando-nos com violência de volta no convés, para assombro da tripulação. Mal conseguimos retomar nossos postos, teve início uma das chuvas mais violentas que eu havia visto até então.

- Enviada por Poseidon, decerto. – disse Mary Anne.

- Certamente.  – confirmou Davy. - O navio quase foi tragado pelas águas bravias. Perdi muitos dos meus homens. A embarcação navegou sem rumo por um longo, longo tempo... Mas agora está tarde. Devemos nos recolher, não? Amanhã darei continuidade à narrativa.

                Os anfitriões de Davy e seus amigos não gostaram da interrupção no relato do famigerado corsário, contudo, arrumaram camas confortáveis para os hóspedes, ansiosos para saber mais de suas aventuras no dia seguinte.

                                                                          * * *


                      Dianna estava em seu quarto, costurando uma tapeçaria. Havia cerca de dezenove anos que ela trabalhava na tapeçaria, sempre a desmanchando à noite. Aquela havia sido a artimanha que havia criado para não ter que ceder a Peter Noone.
                       Ele era um homem ganancioso e inescrupuloso, que ainda na juventude havia decidido que tornaria Dianna sua esposa. Ela não gostava dele, e o recusou em favor de seu amado Davy. Noone por um tempo engoliu a desfeita. Todavia, desde que se passou um ano da partida de Davy e ele ainda não havia retornado para casa, o salafrário passou a tentar convencer a esposa do corsário de que ele estava morto.
                      Ela se recusava terminantemente a crer nisso, e havia dito a Noone que quando terminasse de confeccionar a tapeçaria, se tornaria sua esposa. No entanto, ela jamais terminaria. Uma criada entrou no quarto de Dianna e disse-lhe:


- Sra. Jones, o sr. Noone está na sala de visitas. Deseja vê-la.
                             

                         Dianna deu um suspiro de profunda irritação.


- Está bem. Diga-lhe que já vou.

                           Ela deixou a tapeçaria sobre a banqueta em que estava sentada e foi até a sala.


- O que você quer, Noone? – depois de dezenove anos aturando as visitas dele, Dianna não se preocupava mais em ser cordial.

- Apenas vê-la, minha querida.  Tem 42 anos, mas ainda continua bela como se tivesse vinte anos a menos.

- Bajular-me não o tornará mais agradável a meus olhos, Noone. Sabe que eu ainda tenho esperança de rever meu marido.

- Seu marido está morto há anos!

- Não, eu sei que ele não está! Mas, se ficar claro que você está certo... Vou desposá-lo quando terminar a confecção daquela tapeçaria.

- Você está trabalhando nela há dezenove anos! Já deveria tê-la terminado!

- É uma peça delicada, de desenhos intrincados.

- Por que não pede às suas filhas que a terminem?

- Cecilia e Rebecca não sabem costurar. Isso nunca lhes foi ensinado. – Dianna respondeu prontamente. Quando suas filhas estavam se aproximando da idade de aprender a costurar, ela decidiu que isso não lhes seria ensinado, pois previa que Noone faria aquela sugestão.

- Você as criou mal, Dianna. Elas já cresceram sem um pai, e você arremata as criando da forma mais... Inadequada.

- Inadequada por quê? Por que as criei para ser independentes de um homem? Por que não as ensinei coisas que as colocam numa posição servil em relação aos seus futuros maridos? Por que permiti a elas que fossem livres? Eu acho que não cometi nenhum erro criando minhas meninas desse modo, Noone. E agora saia já da minha casa! Não sei por que ainda o recebo! Criatura impertinente! – ordenou ela.

                                  
                                        Ele obedeceu. A “viúva” seria sua, custasse o que custasse.

                                                                          


                                                                         * * *


- Desejam ouvir mais sobre nossas aventuras? – perguntou Davy a Mary Anne, George, John, Paul e Ringo.

- Certamente! – exclamaram os cinco anfitriões.

                                
                                  Davy limpou a garganta e deu continuidade ao seu relato.


- Bem, a tempestade enviada por Poseidon fez o navio por muito tempo seguir um caminho incerto. Quando digo “muito tempo”, quero dizer de fato muito tempo, cerca de cinco anos.  Até que um dos marujos, no cesto da gávea, disse-me que havia avistado sereias nas pedras adiante. O caminho entre as pedras era largo, e o único que parecia nos permitir sair do estado de rumo incerto. Eu sabia que não podia atravessar por ali. Todos que ouvem o canto das sereias ficam tão encantados que se atiram ao mar, e ali morrem afogados. Não podia permitir que isso acontecesse à minha tripulação. Eu também tinha o desejo de ouvir o canto delas, mas sabia que isso era impossível. Então, enquanto pensava em minha cabine, ouvi uma voz suave me dizer: “Você tem uma saída. Amarre-se ao mastro e encha os ouvidos de seus marujos com chumaços de algodão”. Virei-me e vi uma jovem loira, baixa e de inteligentes olhos azuis.

- Quem era ela? – perguntou John.

- Foi o que lhe indaguei. Respondeu-me: “Eu sou Atena, meu bravo e astucioso herói. Protegê-lo-ei e auxiliá-lo-ei em tudo, pois já me deu amostras suficientes de que merece meus préstimos”. Disse à deusa que eu não era digno de receber sua proteção e seu auxílio, mas ela insistiu, e repetiu-me o que disse no momento em que surgiu perante mim. E sumiu. Eu ainda estava um tanto receoso. Contudo, decidi pôr em prática as recomendações de Atena. Pedi aos homens que me amarrassem ao mastro, e que enchessem seus ouvidos de chumaços de algodão, a fim de que atravessássemos sem sucumbir aos cantos das sereias.

- E conseguiram realizar esse intento? – inquiriu Paul.

- Sim. Mas foi penoso. O canto melodioso das sereias me seduzia, pois as temíveis criaturas soavam como minha esposa aos meus ouvidos. Esqueci-me de que o que ouvia vinha das gargantas das sereias, e não de minha Dianna. Eu implorava, aos gritos, que a tripulação me soltasse, para que eu pudesse me juntar à minha mulher, já que eu julgava que a ouvia. Como eles estavam com os ouvidos cheios de algodão, não me ouviram. E assim atravessamos sem que ninguém se rendesse àqueles cantos fatais. Até que, já fora do alcance das sereias, nos vimos diante de Caríbdis e Cila, duas criaturas monstruosas, que tentaram destruir o navio e devorar os tripulantes. Tentando derrotá-las, perdi novamente muitos dos meus homens. Mas já está ficando tarde, não acham?

- Por que insiste em nos deixar curiosos, capitão Jones? – perguntou George.


- É assim que deve ser uma boa história, não é? Deve prender a atenção de quem a lê ou ouve.  – o corsário sorriu. 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Hittin' The High Seas - Episódio 1 (Minissérie)

Bom dia porque eu ainda não almocei! kkkk.  Hoje vou postar o primeiro episódio da minha nova minissérie. Calma que eu ainda vou continuar as outras duas! Essa minissérie surgiu graças à Inara, que disse que imaginava Davy Jones como Odisseu... Ele é meu herói grego favorito desde sempre, então não pude resistir à tentação de adaptar a Odisseia para um contexto de corsários no século XVII, hehe. 


Episódio 1

       David Jones, mais conhecido como Davy Jones, era um jovem corsário inglês, temido por todos os navios mercantes europeus. Ser perseguido por ele implicava, quase sempre, perder todo o carregamento de metais e pedras preciosos. O rei tinha Davy na mais alta conta, e o enviava frequentemente em missões para roubar os tesouros dos países inimigos da Inglaterra.
        Contudo, naquele dia o corsário não tinha planos de voltar ao mar tão cedo. Fazia pouco mais de um mês que sua amada esposa, Dianna, havia dado à luz duas lindas meninas, gêmeas idênticas. Elas haviam recebido os nomes de Cecilia e Rebecca. Davy estava orgulhoso e feliz. Sua felicidade durou até a chegada de um emissário de Sua Majestade à sua casa em Manchester.

- Sr. David Jones? O corsário? – perguntou o mensageiro ao se ver diante do dono da casa.

- O próprio. – respondeu Davy.

- Sr. Jones, Sua Majestade, o rei da Inglaterra, ordena que parta em expedição para obter uma quantidade fabulosa de ouro e prata de um certo navio mercante espanhol, denominado Santa Rosa.

- Mas... Há pouco tempo que aportei! Estou em terra firme há apenas dois meses e meio!

- Ordens de Sua Majestade, sr. Jones.

                O corsário deu um suspiro resignado. O que diria a Dianna? Ela certamente não gostaria nada daquilo.

- Você precisa mesmo ir, querido? – indagou ela, olhando para ele suplicante. O casal passava a maior parte do tempo separado. Toda vez que Davy precisava voltar ao mar era uma tortura.

- Di, meu bem, isso dói em mim tanto quanto em você. Não quero deixá-la, nem nossas filhas. Porém... É meu dever.

- Por que escolheu ser corsário? – lamentou-se Dianna. – Poderia ser qualquer outra coisa, para que não precisássemos nos separar.

- Se eu não fosse um corsário, querida, nunca teríamos nos conhecido. – disse ele, piscando para ela.

- Você e seus argumentos astuciosos. – ela riu. – Vá. Faça seu trabalho.  Mas me prometa que vai voltar logo, está bem?

- Eu prometo. – Davy beijou a esposa.



Vinte anos depois...


- Que belo mentiroso eu sou. – pensava Davy, no convés de seu navio, consultando a bússola. – Dianna deve já ter perdido as esperanças... E eu também estou quase as perdendo. E Cecilia e Rebecca? Como minhas garotinhas ficaram esses anos todos sem pai?

                   
                  Maldito dia em que havia aceitado partir naquela expedição para o rei! Se houvesse desobedecido, teria permanecido ao lado delas. Quase morria de saudades da esposa, e desejava profundamente ver as filhas. Teriam ficado parecidas com ele ou com a mãe?

                                                                        * * *

  - Mamãe, Becky e eu temos que dizer algo à senhora. – disse Cecilia, entrando no quarto da mãe, entretida em costurar, como sempre.

  - O quê, Cece?

  - Nós queremos procurar nosso pai. – disse Rebecca, antes que a irmã pudesse abrir a boca.

                      Dianna sentiu seu coração quase sair pela boca só de pensar naquela possibilidade.

- Não! Eu proíbo! – exclamou ela. – Eu já perdi seu pai para as águas traiçoeiras do oceano, não deixarei que o mesmo aconteça a vocês! Vocês são tudo que me resta.

- Mas, mamãe, e se papai ainda estiver em algum lugar por aí? – insistiu Cecilia.

- Você é teimosa como ele, Cece. – Dianna beijou a filha. – E tem os olhos dele.

- Eu me pareço com ele em algo, mãe? – quis saber Rebecca.

- Além dos olhos? É amorosa como ele, Becky. – Dianna beijou a outra filha. – Sabem, meninas, eu ainda tenho esperanças de que seu pai voltará. Mas prefiro que vocês fiquem aqui, e esperem por ele comigo.

- Mas, mamãe... – começou Cecilia.

- Temos vontade de ver o mar! – completou Rebecca. – É tão fascinante!

- Não, não e não! Dei muitas liberdades a vocês, poucas jovens de sua idade são tão independentes. No entanto, não vou entregar vocês à morte, minhas filhas!

                      Por ora, Cecilia e Rebecca resolveram não discutir com a mãe. Todavia, tentariam mais uma vez.

                                                               * * *

                        O navio de Davy novamente enfrentava uma tempestade. Em todos aqueles vinte anos, o corsário aprendera a temer profundamente as tormentas. Normalmente significavam novo atraso em seu regresso ao lar.
                         Ele e os amigos faziam o máximo possível para salvar a embarcação. A antiga tripulação do galeão que havia partido em busca do navio mercante espanhol havia ficado reduzida ao capitão Jones e seus três fiéis companheiros: Mike Nesmith, Micky Dolenz e Peter Tork. Os quatro corsários haviam enfrentado diversos perigos juntos.

- Desta vez o velho navio não vai aguentar! – Mike gritava, tentando soar mais alto que os ventos ululantes.

- Tem que aguentar! – bradou o capitão. – Só assim voltaremos para casa!

- Davy, esqueça isso! Nunca mais vamos pisar o chão da Inglaterra! – Micky exclamou. – Dianna, Emma, Alice e Erin já estão vestindo luto há vinte anos!

- Fale por você, Micky! Eu vou voltar ao nosso país! Reencontrarei minha esposa e minhas filhas!

- Você é louco, Davy! – exclamou Peter. – Mas ficaremos ao seu lado até o fim!

                             O navio rodopiou nas águas por um longo tempo, até que foi estraçalhado. Os quatro corsários se agarraram a algumas tábuas, e conseguiram chegar, sãos e salvos, a uma ilhazinha.
                              Estavam estendidos na areia, tentando recuperar as forças, quando foram vistos por uma jovem. Ela não deveria ter mais do que 22 anos... A mesma idade que Dianna tinha quando Davy partiu naquela expedição maldita.

- Quem são os senhores? Precisam de ajuda? – perguntou a moça. Não parecia assustada diante daqueles homens vestidos em roupas reduzidas a trapos e com barbas há muito por fazer.

- Somos corsários de Sua Majestade,o rei da Inglaterra. Há duas décadas que saímos numa expedição para saquear uma galera espanhola, e conseguimos... Mas nunca voltamos para casa.

- São ingleses? Estão mais perto de casa do que imaginam! Meu irmão, meu marido, nossos amigos e eu faremos o que pudermos para auxiliá-los. Venham! A propósito, meu nome é Mary Anne McCartney-Harrison.

                                  Os quatro amigos seguiram a jovem mulher até uma casa de tamanho razoável e aparência acolhedora. Ela abriu a porta, e chamou:


- George! Paul! John! Ringo! Temos visitas! Emprestem algumas roupas para os pobres homens!

- Quem são esses homens, Mary Anne? – quis saber um rapaz de no máximo 25 anos, alto e magro.

- São corsários que naufragaram, George.

- Onde os encontrou?

- Na praia, querido.

- Bem... Eu sou George Harrison. – disse ele, apertando a mão de cada um dos quatro náufragos. – E os senhores?

- Revelarei quem somos quando convier. – disse Davy.

                                       George torceu o nariz, achando aquela história mal contada. Logo apareceram os demais moradores da casa: Paul McCartney, irmão de Mary Anne, John Lennon e Ringo Starr. A jovem convenceu os rapazes a emprestarem roupas para os náufragos, e preparou chá.

- Dirão quem são? – pressionou John, quando os náufragos estavam devidamente secos, limpos, barbeados e com roupas secas e limpas e Mary Anne enchia xícaras com chá para eles.

- Sim! – exclamou Davy. – Eu sou o capitão David Jones, cuja fama atinge todos os oceanos ocidentais! Saqueei muito em nome do rei da Inglaterra! E estes são meus amigos Mike Nesmith, Micky Dolenz e Peter Tork, meus companheiros de inúmeras viagens.

- Aquele David Jones? – Ringo estava surpreso. – O que foi dado como morto vinte anos atrás?

- Bem... Possivelmente. – Davy riu.

- Dizem que sua mulher se recusa a admitir a possibilidade de que você está morto. – observou Paul.

- E o mesmo se aplica às esposas dos seus amigos. – Mary Anne acrescentou.

                   Os quatro amigos sorriram. Era bom saber que elas ainda nutriam esperança depois de tanto tempo.

- Devem ter muitas histórias para contar! – disse George, entusiasmado.

- E como temos! – falou Micky.

- Vimos e fizemos muitas coisas ao longo dessas duas décadas. – Peter disse.

- Acho que devemos deixar Davy relatar, ele é o melhor contador de histórias de nós quatro.  – disse Mike.

- Nem tanto assim. – Davy falou, modestamente.

- Pare com isso! Você sabe que é. – disse Micky.

                        Davy limpou a garganta e começou sua narrativa.


segunda-feira, 11 de maio de 2015

Oneshot: Enchanted (Série What If - Modern Vampires Of The City) - Parte V

   Boa noite! Vou postar mais uma parte dessa oneshot épica! 




           

                              Fazia algumas semanas que Alana visitava a mansão com frequência. Mike não aguentava mais. Precisava fazer aquele pedido.  Estavam no quarto dele.
                                Mike olhou um pouco culpado para o quadro de Alice pendurado na parede. Iria ter que tirá-lo da parede, se realmente queria ter Alana como sua definitiva companheira. Porém, isso cortaria um pouco seu coração. Respirou fundo e tomou a mão de Alana.

- Alana...

- Sim, meu lobo?

- Eu tenho um pedido a fazer.

- Qual?

                                  Ele respirou profundamente mais uma vez.

- Quer se casar comigo?

                                    Alana sorriu para ele.

- Sim. – respondeu ela, beijando-o e colocando os braços ao redor dele. – Sim, sim, sim.

- Devo dizer que fico aliviado por você aceitar. A última vez em que pedi uma mulher em casamento não foi exatamente bem-sucedida... 

- Isso é passado, Mike. Eu sei que você a amou demais e respeito isso, mas ela tem uma nova vida. Dê início a uma nova também. Comigo.

- Sim, minha lobinha. – ele a abraçou fortemente. – Escute... O que você quer que eu faça com o quadro?

- Por mim não precisa se livrar dele... Mas seria pedir demais que você o guarde em outro lugar? Vamos nos casar, sabe, não seria exatamente, hã... Agradável que o quadro da sua antiga amada fique no nosso quarto.

- Claro. Vou guardá-lo. – disse Mike, passando a mão pelos cabelos da noiva.

                                Para selar o noivado, Mike queria proporcionar a Alana uma bela noite de amor.  Então se lembrou de um lugar sobre o qual Davy havia lhe falado: um riacho, já nos domínios do Conde Beckenbauer. Pelo que o amigo vampiro havia dito, ele havia levado Dianna lá logo após terem feito os votos matrimoniais, para a noite de núpcias.
                           O lobo faria as coisas de um modo um tanto diferente, mas o efeito seria o mesmo: uma noite inesquecível para o casal. Esperou a lua atingir seu ápice, e chamou a amada.

- Eu tenho que mostrar um lugar a você, Allie. Um lugar incrível.

- Que lugar é esse, Mike? – a loba estava curiosa.

- Você vai ver. Venha comigo.

                                   Os noivos lupinos saíram da mansão e rumaram em direção ao riacho.  Alana ficou preocupada ao notar que estavam se aproximando do fim dos limites da ilha.

- Mike, querido... Logo não estaremos mais nos limites da Ilha dos Lobisomens.

- Eu sei. – respondeu ele tranquilamente.

- E se algum vampiro do conde nos vir? Vamos ser mortos!

- Não se preocupe, meu amor. Não vão nos ver. E, mesmo que nos vejam... Sabemos nos defender.

                                      Chegaram. Já iam sair do meio das árvores quando ouviram o som de sussurros e gemidos.

- Parece que alguém chegou aqui antes de nós. Merda. – Mike resmungou.

- Quem são? – Alana tentou ficar na ponta dos pés para ver o casal de amantes, mas, como era trinta centímetros mais baixa do que seu noivo, não conseguiu.

- São... Meu Deus, são Rosie Donovan e George Best! – ele ficou boquiaberto.

- O quê? – a loba ficou chocada. – Mas eles não sabem da proibição?

- Claro que sabem. Todos sabem. Mas... O amor é implacável. Por mais que se lute contra ele, ele vai se sobrepor. Não posso condená-los. Eu mesmo... Eu mesmo transgredi a lei, como você sabe.

- Sim. Bem... Acho melhor irmos embora, Mike. Deixemos que eles se amem.

- Vamos. Acho que não devemos contar a Moore, e você, Allie?

- Também acho melhor fingirmos que não sabemos de nada.

                                        O casal de lobos ia de volta à mansão, quando encontraram Ringo Starr.


- Boa noite, Mike e Alana.

- Boa noite, Ringo.

- O que estão fazendo? Dando um passeio noturno?

- Sim. – respondeu Mike. – Você também?

- Na verdade não. Para ser sincero, eu estava seguindo George.

- Qual deles? – Alana perguntou.

- Harrison. Ele está agindo de modo um pouco estranho. Bem, eu o segui. Ele foi à fazenda abandonada de Manuel Neuer... Encontrar-se com Mary Anne! Será que devo contar ao Macca?

- Deixe-os serem felizes, Ringo! Eles não estão fazendo nada de errado... A não ser que exista alguma lei que proíba o relacionamento amoroso entre lobos e magos.  – disse Mike.

- Bem, não.

- Então deixe quieto.  Eles vão acabar contando para a alcateia mais cedo ou mais tarde. – disse Alana. – Bem, vamos para casa, Mike?

- Sim, sim. Até mais, Ringo!

- Até mais, Mike.

- Até logo. – Alana se despediu.

- Até logo, Alana.

                    O casal de lobos seguiu em uma direção e Ringo em outra. Entretanto, nem Mike nem Alana notaram que ele ia em direção ao riacho...

                                                                 * * *

                     Lahm havia passado os últimos dias empenhado na fabricação de uma poção de amor. Estava tomado de desejo por Erin, e precisava saciá-lo. No entanto, para isso precisaria fazê-la se esquecer do marido, Peter. Como percebeu que não conseguiria esse intento por vias normais, decidiu que aplicaria seus dons mágicos.
                        Uma vez pronta a perigosa bebida mágica, Lahm despejou-a num frasquinho.  O líquido era rubro, rubro como a paixão mais desvairada. Era o efeito que ele esperava que a poção exercesse sobre Erin. A bela humana seria sua, custasse o que custasse.
                       Misturá-la-ia ao chá que Erin tomaria durante a primeira refeição dos habitantes da casa naquela noite. Naquela vez, quem se encarregou de preparar o desjejum foi Dianna. Após preparar o chá, ela despejou-o em xícaras e colocou cada xícara em frente à cadeira onde era o costume que cada um sentasse. Lahm quase despejou o líquido mágico na xícara que a vampira havia depositado diante do lugar na mesa em que Erin tinha o hábito de sentar, mas no último momento se deteve. Podia ser que outra pessoa sentasse naquele lugar.
                                 Assim, esperou todos se sentarem para comer. Por um golpe de sorte, Erin sentou-se ao lado dele. Sem que ninguém visse, despejou o conteúdo do frasco na xícara de chá da jovem. Ela bebeu o chá misturado com poção. Agora bastava esperar que ela dormisse, e logo que acordasse ela rejeitaria o marido friamente.
                               A noite transcorreu normal. Davy Jones recebeu a visita de sua amiga Louise McGold, que veio visitar as filhas recém-nascidas do amigo, e em seguida chamou-o para uma conversa em particular. Depois que a vampira foi embora, foi a vez de Mary Anne McCartney aparecer na mansão. Ela trazia um lençol que havia costurado para as pequenas vampirinhas.
                              Por fim amanheceu e os moradores da mansão foram dormir. O mago alemão estava muito ansioso para ver os resultados da sua poção.  Acordou na noite seguinte com algo que soou como música em seus ouvidos:

- SAIA DE PERTO DE MIM, PETER! EU NÃO QUERO VOCÊ, EU QUERO PHILLIP!

- Mas, Erin, querida, o que deu em você?

- NÃO ME CHAME DE QUERIDA! NÃO SOU MAIS SUA ESPOSA!

                                   Lahm saiu do quarto com um sorriso triunfante. Peter viu-o, e irrompeu em sua direção. Agarrou-o pelo colarinho da camisa.

- Escute aqui, seu mago de araque, eu ainda não descobri que tipo de feitiçaria aplicou na minha esposa, mas vou descobrir, e você pode ir rezando por sua vida, porque vou matá-lo!

- É o que vamos ver, Tork. Venha comigo, Erin.

- Sim, eu vou! – a moça sorriu apaixonadamente para ele, e deu-lhe seu braço.

- Erin! Não! – Dianna, que entrava na sala de visitas carregando uma de suas filhas, tentou alertar a prima. – Ele não vale nada!

- Eu tenho que ir, Di. É ele quem eu quero.  – Erin novamente sorriu para Lahm, e beijou-o, fazendo Peter quase explodir.

- Sim, meine Liebe. Você deve vir comigo. – disse o mago alemão, e, por encanto, ele e Erin sumiram da sala de visitas da mansão.

- Eu juro que vou livrar Erin do encantamento! Ou meu nome não é Peter Tork!

- Calma, Peter. Sente-se e pense em algo. – disse Emma.

                             Peter não se sentou. Andando em círculos pela sala de visitas, murmurava:

- Aquilo decididamente é efeito de uma poção de amor... Agora, qual? Há nove tipos de poções de amor...

                                   Ele foi ao seu quarto, onde guardava seus grimórios. Tirou um da estante, e procurou impacientemente até que encontrou o que buscava: os nove tipos de poções de amor. Havia ali algumas das principais características de cada tipo. Nenhum deles parecia corresponder aos sintomas apresentados por Erin, até que...

Poção de Amor N. 9

O tipo mais perigoso de poção de amor. De cor escarlate, como um amor tresloucado, que é justamente o que apresenta quem o toma. Ministrado normalmente para se obter o amor de quem já ama profundamente outra pessoa. Caso o bruxo magoe quem beber a poção, a vítima morrerá, após arder em febre.


- Meu Deus... – Peter murmurou. – Preciso livrar Erin dessa maldita poção, antes que Lahm a magoe. Não posso deixá-la morrer.

                                                                     * * *

             
                          Mais tarde naquela mesma noite, Louise bateu à porta da mansão.

- Olá, Frau Müller. – saudou-a Micky ao abrir a porta.

- Micky, Davy está? Preciso muito falar com ele.  – perguntou a vampira.

- Está sim. Vou chamá-lo. Entre. – o lobisomem fez um gesto convidativo.

                                 A vampira foi colocada para esperar num sofá na sala de visitas. Micky foi até o quarto do casal de vampiros e bateu à porta.
                                 Lá dentro, os dois estavam ocupados cuidando das filhas. Davy brincava com Cecilia, enquanto Dianna amamentava Rebecca.

- Davy!

- O que é, Micky?

- É Louise. Diz ela que precisa muito falar com você.

- Está bem. Já venho, Di. – disse ele com um sorriso para a esposa.

- Tudo bem. – ela devolveu o sorriso.

                              Ainda com a filha nos braços, Davy saiu do quarto, e foi até a sala ver a amiga.


- Olá, Lulu. – ele cumprimentou a vampira. – Micky disse que você precisava falar comigo...

- Olá, Davy. Sim, eu preciso sim! Mas antes, como estão minhas afilhadas? – Louise pegou por um instante a bebê vampira dos braços do pai.

- Estão bem. – Davy sorria, orgulhoso de sua filhas. – Logo a Cece aqui e a irmã estarão suficientemente crescidas para começar a se alimentar de sangue... Animal, é claro. Dianna e eu não nos alimentamos de sangue humano, você sabe.

- Sei bem. Sabe... É sobre essa questão que eu vim falar com você. Filhos.

- Como assim, Louise?

- Desde que eu soube que minha prima Felicity está grávida e que as suas filhas nasceram, Davy, eu tenho nutrido o desejo de ser mãe. Porém... Gerd não deseja ter um filho.

- Ora, por quê? Crianças são uma benção.  – ao dizer isso, o vampiro pegou novamente a filha nos braços.

- Gerd acha que... Bem, ele acha que não poderemos mais nos amar com tanta frequência com um bebê em casa.

                               Davy soltou uma risada.

- Qual é a graça? – irritou-se Louise.

- Quem disse que o fato de que um casal tem filhos implica o fim da diversão? – o pequeno vampiro deu um sorrisinho malicioso.

- O que quer dizer com isso, Davy? Você e a Dianna...?

- Todos os dias, Lulu. Depois que as meninas dormem. – ele piscou para a amiga.

- Vocês passam a noite cuidando das duas filhas... E ainda têm fôlego perto do amanhecer para...?

- Claro. Di e eu adoramos fazer isso. Reacende o fogo da paixão, se é que você me entende.

- Entendo perfeitamente.  O problema é que Gerd e eu brigamos feio devido a essa divergência quanto a ter um bebê.

- Eu não acho que vocês devem brigar por isso. Mesmo porque os motivos dele são inválidos. Bem, a gravidez da Di me pegou de surpresa... Mas Cece e Becky foram uma surpresa muito agradável. – Davy beijou a filha.

- Tentarei conversar com ele. Tomara que eu possa convencê-lo!

- Tomara mesmo. Eu quero afilhados, Lulu!

- Você os terá, Davy. Em breve.

                                  Louise foi embora. Cecilia começou a chorar.


- Você quer a mamãe, filhinha? – perguntou Davy carinhosamente à bebê. – Vamos para o quarto ficar com ela e a sua irmã.


                                      O vampiro voltou ao quarto, levando a filhinha chorosa.

domingo, 10 de maio de 2015

All The King's Horses - Capítulo 6

  Boa tarde e feliz Dia das Mães! Aí vai mais um capítulo da fanfic medieval. Pela primeira vez me arrisquei a escrever mais de três POVs! 




(Dianna’s POV)

                       

                      Dianna andava por um acampamento de soldados. Ela não sabia exatamente o que fazia ali, contudo, não estava com medo ou preocupação alguma. Sentiu-se impelida a entrar em uma certa tenda. Ao entrar, viu uma cama, sobre a qual estava deitado um guerreiro, com feridas horríveis. Dianna aproximou-se um pouco mais... E viu algo que a aterrorizou.


- David! – ela exclamou, correndo para o leito de seu amado.

- Dianna... – ele murmurava.

- Eu estou aqui, meu amor, estou aqui. – Dianna beijou a testa de David. Quente. O escudeiro ardia em febre.

- Não... Você não pode ser Dianna. Ela está muito, muito longe daqui.

                     

                         Mesmo sabendo que o amado estava delirando, aquilo encheu os olhos de Dianna de lágrimas. Doía-lhe que ele não a reconhecesse.
              

- David, sou eu, não me reconhece?

- Não... Você não é minha Dianna.

                     

                       Após dizer isso, David rendeu-se aos ferimentos e a febre.


- Não! Não! David, por favor, não me deixe... Não me deixe, eu imploro! – Dianna começou a chorar e a gritar, em desespero.

                         

                    Aquilo não podia ser real... Abriu os olhos.



- Dianna, o que houve? – indagou Emma, olhando assustada para ela. – O que sonhou?

- Oh, Emma, a coisa mais horrível que poderia me acontecer.

- O quê, exatamente? – quis saber Alice.

- Que vi David morrer, Alice. Eu o vi agonizar e delirar, e por fim... Ah, meu Deus... – Dianna chorou copiosamente.

                         
                     Emma e Alice olhavam para a amiga, sem saber o que fazer para acalmá-la. Erin sentou-se ao lado da prima na cama e a abraçou.


- Foi só um pesadelo, Dianna, nada além disso.

- Foi tão real, Erin! E... E se for um sinal de que ele não voltará vivo?

- Eu não creio que seja o caso, prima.

- Eu realmente desejo que não seja. Mas se for... Eu não vou suportar, não vou! Perder meu David e ainda me casar com Lord Tork... Preferirei me juntar ao meu amor.

- Não diga uma coisa dessas! Ele vai voltar vivo e sagrado cavaleiro, você vai ver. – Erin limpou as lágrimas do rosto de Dianna com seu lenço.

- Deus te ouça. Ah, como eu queria ter sonhado com uma coisa boa, como você sonhou, Erin!

- Uma coisa boa, sim. Contudo, duvido que aquele cavaleiro do meu sonho seja real. – a prima de Dianna disse tristemente.

- Já eu acredito que sim, ele é. – Dianna sorriu para a prima. – Eu o imagino parecido com Lord Tork.

- Parecido com seu noivo?

- Sim, sim. A descrição que fez dele me remete à imagem de Lord Tork.

- Se for assim, Lord Tork é... Perfeito! – Erin não reprimiu um suspiro. – Como você pode não amar um homem como ele, Dianna?

- Oh, pois... Pois David é perfeito para mim, prima. Emma o conheceu, ele não é mesmo maravilhoso, Emma?

- Demasiadamente baixo, mas sem dúvida um belo rapaz. – Emma respondeu.

- Dianna pode ficar com esse pequeno escudeiro, prefiro um guerreiro de nobre porte... Como Lord Michael Nesmith. – disse Alice, sorrindo ao lembrar-se do amado.

- É triste que tenhamos que viver assim, apaixonadas por um jovem e prometidas a outro. – disse Emma.

- Sim... Eu gostaria de ao menos saber como é o meu noivo. – disse Alice. – Isso não mudaria em nada o fato de que é com Michael que desejo me casar, mas mesmo assim...



(Amber’s POV)

                  


                No feudo governado por Lord Tork, em uma sala secreta do castelo onde vivia, estava uma jovem nobre chamada Amber Henderson. Naquele cômodo oculto, ela realizava suas magias. A última praticada havia sido manipular o inconsciente de Lady Dianna Mackenzie, a fim de fazê-la ter um pesadelo com a morte de seu amado, o escudeiro David Jones.
                  Poucos meses antes, Amber, que frequentava os bailes no Forte Tork, havia conhecido o belo jovem e se apaixonado por ele. Revelou seus sentimentos a ele, e foi rejeitada. David não tinha simpatia alguma por Amber.
                    E agora o rapaz estava apaixonado por Lady Dianna. Amber havia ido à reunião para os preparativos de guerra no Forte Mackenzie, acompanhando o pai. Na noite anterior à partida das tropas, viu David beijar a filha de Lord Mackenzie.
                   Com o coração repleto de ódio, Amber decidiu que tornaria a vida de Lady Dianna um inferno. Começaria torturando-a com pesadelos. Por ora, os pesadelos mostrariam cenas falsas. A bruxa cogitava seriamente infligir verdadeiro sofrimento a David, e mostrar esse sofrimento nos sonhos de sua amada.


- Talvez eu também devesse manipular os sonhos de David... Isso seria tão divertido! – a jovem feiticeira deu um sorriso cruel. – Sim, sim, é uma boa ideia.

                        
                       Recitou algumas palavras mágicas. Criou um pesadelo que certamente faria o rapaz sofrer muito: Dianna dizendo-lhe que não o amava mais, mas sim Lord Tork.



- O que acha disso, meu querido David? – disse ela, pondo uma grande ironia na palavra “querido”. – A sua lady, por quem você decidiu guerrear, dizendo-lhe que agora ela não o quer mais, e sim o noivo? Que pena... – Amber divertia-se em causar dor ao casal proibido.

                        
                      Murmurando mais algumas palavras mágicas, colocou o pesadelo no inconsciente de David. A jovem bruxa sentou-se diante de uma bola de cristal para observar o resultado de sua feitiçaria.

                       Viu o rosto do jovem, antes sereno, assumir uma expressão de muita tristeza, e ele até mesmo derramou algumas lágrimas. Aparentemente, o sofrimento foi tanto que fez David abrir os olhos, se levantar e ir em direção a Lord Tork, carregando a espada do amo.


- Levante-se, Lord Tork! – exclamou ele, parecendo irado.

- O que houve, David? – perguntou Lord Tork, despertando. Por conseguinte, os demais soldados da tropa também despertaram. – O que está fazendo com minha espada?

- Lord Tork, eu amo sua noiva.

                                 

                          Por aquilo o jovem lorde realmente não esperava!


- O quê? – esbravejou ele, ciúme, surpresa e sentimento de traição transparecendo em seu tom. – Maldito! Pensei que fosse meu amigo! Que pudesse confiar em você!

- Fui seu amigo até me apaixonar por ela.

- Pode até estar apaixonado, mas ela não será sua! Lady Dianna será minha esposa!

- Não se eu puder evitar. Estou nesta guerra por Dianna, e somente por Dianna! Espero ser sagrado cavaleiro e assim me casar com ela!

- E o que garante que ela escolherá você?

- Ela me ama, Lord Tork!

                                 

                          Naquele momento, o ciúme de Lord Tork ficou ainda maior. E sentiu-se duplamente traído.


- Eu te odeio, Jones! Não posso crer que um dia te chamei de amigo!

- Tome sua espada. – David jogou a espada para Lord Tork. – Que o melhor fique com ela!

- É claro... E o melhor sou eu! – disse Lord Tork.

                                 

                          Os dois contendores começaram-se a entrechocar suas espadas. Amber estava deliciada com aquilo. Se David morresse, faria questão de mostrar aquilo nos sonhos de Lady Dianna, e assistiria à moça enlouquecer de tanta dor.




(Peter’s POV)


                             Lord Tork não podia crer que havia sido traído por duas pessoas que lhe eram tão caras: seu melhor amigo e escudeiro e sua noiva. Doía-lhe demais que Lady Dianna, que ele tanto amava, não correspondesse ao seu sentimento. Deveria ter notado o olhar que ela dirigia a David na noite do baile em seu castelo...
                            A dor e a raiva eram suficientes para fazê-lo erguer a espada contra aquele que era seu mais fiel companheiro desde a infância.  Mesmo sabendo que aquilo lhe causaria mais dor, o jovem lorde desejava vingar a traição. Nada faria contra Lady Dianna, torná-la-ia sua esposa como se nada houvesse acontecido. Contudo, puniria David. Nem que isso implicasse feri-lo gravemente.
                           As espadas dos dois guerreiros se chocavam com grande estrépito. Ambos eram habilidosos espadachins, e não davam brecha para o adversário. Lord Michael Nesmith e Lord Michael Dolenz estavam preocupados como aquilo iria terminar, e apartaram seus dois amigos.


- Deixe-me acabar com esse traidor! – rugiu Lord Tork para Lord Michael Dolenz.

- Você não teria coragem nem mesmo de ferir seu melhor amigo, Peter! – respondeu ele.

- Somos qualquer coisa, exceto melhores amigos! – gritou David.

- Não acredito que estejam dispostos a dar fim a uma amizade de vinte anos por uma mulher! – repreendeu-lhes Lord Michael Nesmith.

- Dianna não é uma mulher qualquer! – os dois contendores exclamaram em uníssono.

- Sabemos disso. – disse Lord Michael Dolenz. – Mas aceite, Peter, ela ama David.

- Não anularei o compromisso! Desposá-la-ei e ninguém me impedirá! Muito menos ele!

- Não irei permitir que se case com ela, Lord Tork! Serei sagrado cavaleiro e pedirei a mão dela em casamento a Lord Mackenzie!

- Está bem, está bem, David, mas venha cá, sossegue. – disse Lord Michael Nesmith levando o amigo escudeiro à sua tenda, onde ofereceria um copo de vinho.

- Eu vou matá-lo, Michael, eu vou! – Lord Tork resmungou para Lord Michael Dolenz.

- Acho que você precisa dormir, Peter. – disse Lord Michael Dolenz, entrando em sua tenda.

                        

                            Lord Tork encaminhou-se para a sua. Sentia-se traído, ultrajado... E indesejado.



- Oh, Lady Dianna, eu te amo tanto... E eu pensava que aqueles sonhos indicavam que me amasse também...

                             
                           Havia algum tempo que Lord Tork vinha sonhando com uma bela moça, de aparência nobre, que só podia ser Lady Dianna. No primeiro sonho, ele a salvou de um ladrão. Desde então, sonhava que a observava escondido, e que ela, ao notar seu olhar, dava-lhe um lindo sorriso. Faltava ter coragem de dizer-lhe seu nome, e confirmar que ela era Lady Dianna.
                           Deitou-se em sua cama de campanha. E logo adormeceu.

                          Caminhava pelo bosque, quando ouviu um leve ruído, que lhe pareceu ser o farfalhar da barra de um vestido. Seguiu na direção de onde vinha o farfalhar. E a viu. A bela moça, colhendo flores e trançando-as para formar uma coroa. Timidamente, aproximou-se. Chamou-a suavemente:



- Milady.

- Ah, milorde! – ela sorriu docemente para ele. – Estava me perguntando se iria vê-lo hoje.

                           
                           Ao olhar para ela atentamente, Peter notou que havia cometido um grande engano durante todo aquele tempo. Ela lembrava muito Lady Dianna, mas seus cabelos eram castanhos, não loiros. Então era por ela que estava apaixonado, e não por sua noiva! E havia se deixado contaminar pelo ódio ao amigo!


- Milady, qual é o seu nome?

- Meu nome... Oh, eu não deveria dizer meu nome a um estranho!

- Somos qualquer coisa, menos estranhos, milady. – Lord Tork sorriu para ela.

- Bem... Meu nome é Erin. – disse ela.

- Lindo nome. Eu sou Peter. – ele beijou a mão dela.

- Prefere que eu o chame de Peter ou de milorde? Pode me chamar de Erin se assim quiser.

- Prefiro que me chame de Peter, Erin.

- Está bem... Peter. – ela sorriu.

- Devo dizer que você é a mais bela mulher que já vi em minha vida!

- Oh, obrigada. – ela corou. – Você também é um belo rapaz.

- Erin, acredita em amor à primeira vista? Pois foi o que houve comigo assim que a vi.

- Oh, Peter... – ela ficou ainda mais corada.

                      

                          Lord Tork aproximou seu rosto do da moça, e beijou-a com ardor e paixão.



- Estou louco por você, Erin. Seja minha esposa, por favor. Sei que já é uma lady, mas farei de tudo para que não viva como lady, mas sim como princesa!

- Não preciso de luxo nenhum, Peter. Apenas você me basta.

                         

                     O rapaz acordou. Lamentou-se profundamente. Veio à sua mente um pensamento triste.


- Ela não deve ser real. É maravilhosa demais para existir. Acredito que apenas Lady Dianna consegue se equiparar a ela em beleza e personalidade. Contudo... Ela não me ama. Vou anular o noivado em favor de David, já que não é ela que meu coração deseja, e sim... Minha Erin.

                             


                      Saiu de sua tenda. Encaminhou-se para a de David e chamou-o.



- O que você quer? – esbravejou o pequeno escudeiro do interior da tenda.

- Pedir perdão por ontem à noite.

                             
                         David apareceu na entrada da tenda.



- Perdão?

- Sim. É um pouco complicado de explicar, na primeira oportunidade esclarecerei tudo. O que importa é que me dei conta de que não amo Lady Dianna.

                              

                            O escudeiro arregalou os olhos.



- Como assim?

- Não sei como explicar, não tenho palavras para isso agora. Mas anuncio que anulo meu noivado com ela.  Ela é sua. Boa sorte quando for pedir a mão dela a Lord Mackenzie.

                                   
                            David abriu um grande sorriso. Era tudo o que ele mais queria.



- Obrigado, milorde! É de fato meu melhor amigo! Peço perdão pelo que disse ontem.

- Eu o perdoo.

                                  
                              Os dois amigos se abraçaram.




(Louise’s POV)

                              
                             Os menestréis e o Monty Python, agora acompanhados de Louise, haviam chegado a um novo vilarejo. Prepararam o palquinho para sua apresentação. A nova garota era, ao mesmo tempo, uma menestrel, pois cantava muito bem e havia pedido a Alana que a ensinasse a tocar alaúde, e uma jogral, pois sabia ser engraçada.

                              Aquele dia era o aniversário de Michael Palin, e os menestréis e o restante dos Pythons haviam decidido apresentar uma música feita em homenagem a ele, a melodia composta pelos menestréis e a letra pelos companheiros jograis de Palin.
                               A letra era a seguinte:



Perambulando pelas planícies e vilas do Sul
Há um formidável jogral
Que provoca risadas ouvidas pelos anjos

Lá na imensidão azul.
Faz gracejos de forma tão natural
Que não acredita em piadas fruto de arranjos.

Michael Palin é seu nome.
Um dia quis declarar seu amor a certa dama
E lá foi ele ao castelo.

Tomando coragem enorme
Falou a ela de sua fama
Mas ela o botou para correr como um cavalo murzelo!


                   
                               Apresentaram a música, arrancando risadas e aplausos da plateia. O trecho final contava a desventura do amor de Palin por Lady Alice Stone. Entretanto, o jogral já a havia esquecido. Havia certo tempo que estava interessado em Joanna Martin, governanta do Forte Townshend, a quem havia sido apresentado por Alana.
                              Após essa música, os menestréis iriam se apresentar sozinhos, tocando uma cantiga composta por Louise e Alana, e que as duas cantariam.



Uma jovem criada
Costurava as roupas do senhor do castelo
Timidamente cantarolando,

Quando perdeu o fio da meada,
Pois viu um rapaz muito belo.
O filho dele, que ela estava amando.

Sabia que estava alimentando uma ilusão,
Que ele, tão garboso,
Nunca a notaria.

Era tão grande a paixão
E o jovem lorde tão orgulhoso
Que naquela noite ela fugiria...


                       
                         A música falava do passado amor de Alana por Lord Townshend. Entretanto, Louise sabia bem que aquele sentimento não era passado coisíssima nenhuma. A menestrel ainda guardava o sentimento em seu coração, por mais que tentasse negar isso com todas as forças.
                         Enquanto cantava em dueto com Alana, Louise viu um grupo de guerreiros que passava apear dos cavalos e observar os artistas. Notou, pelas vestimentas e armamentos, que eram germânicos. Havia visto alguns certa vez de passagem pelo feudo de seu pai.
                        Louise fazia de tudo para não se lembrar dos tempos de sua vida nobre. Ela havia sido infeliz, pois seus pais queriam obrigá-la a se casar com Sir Geoffrey Beck, que ela não amava. Se um dia fosse se casar, ela desejava que fosse com alguém de sua escolha.
                           Quando terminaram, um dos guerreiros se aproximou do pequeno palco, olhando encantado para ela. Louise sentiu seu rosto ficar quente.



- Qual sua nome, lindo moça? – perguntou ele num inglês deplorável.

- L-Louise. – respondeu ela. Era um belo rapaz, aquele. Forte, atraente... E lembrava um pouco um urso.

- Eu ser Gerhard Müller. – disse ele.

- P-Prazer. – Louise sorriu timidamente. Se um homem como aquele a cortejasse e pedisse sua mão ao seu pai, ela não hesitaria em casar-se com ele...