Boa tarde! Hoje faço minha primeira publicação de 2022. Essa é uma fic da série Fairy Tale que eu escrevi há muito tempo, acho que em 2017 ou 2018, e ficou esquecida no meu Google Docs até hoje. É bem simples, inspirada no conto da Polegarzinha. Espero que vocês gostem mesmo assim! Boa leitura!
Há muito tempo, havia um casal chamado Lawrence e Susan Mackenzie. Eles tinham um filho, um menino chamado Giles. Contudo, Susan sonhava ter uma filha, e rezava todos os dias pedindo a Deus que lhe desse uma filhinha.
Um dia, uma fada veio até Susan, e lhe deu um grão de cevada, dizendo à mulher que o plantasse. Assim Susan fez, e depois de algum tempo, brotou uma flor. A flor se abriu, revelando uma linda menininha, do tamanho de um polegar. Apesar de ela ser tão pequenina, Susan estava muito feliz. Tomou a menininha em sua mão, e fez um bercinho diminuto para ela. Lawrence e Giles também se encantaram pela bebê, que recebeu o nome de Dianna.
O tempo passou, e Dianna fez doze anos. Porém, ela continuava muito pequena, do tamanhinho de uma fadinha. Ela gostaria muito de ter o tamanho de uma pessoa normal. Tudo era muito difícil quando se era tão pequena. E ela chorava de tristeza por isso.
- Não fique triste, querida. - dizia Susan, pegando Dianna na mão para evitar que ela literalmente se afogasse nas próprias lágrimas. - Seu pai, seu irmão e eu a amamos muito, mesmo que você seja assim pequenina.
- Mas eu não conheço ninguém do meu tamanho… Que saiba como é difícil ser minúsculo.
Uma noite, quando Dianna dormia em sua caminha, um sapo entrou pulando pela janela do seu quarto, e raptou a menina, com caminha e tudo.
Quando ela acordou, viu-se sobre uma folha, descendo pela correnteza de um rio. Ao ver o sapo, deu um berro, e indagou:
- O que está fazendo? Para onde está me levando?
- Quero casar você com o meu filho.
- Me solte! Sou muito nova para me casar, e eu sou uma pessoa, não uma sapinha!
- Meu filho Peter vai gostar de você. - o sapo respondeu, simplesmente.
- Eu quero ir embora! - Dianna protestou, mas o sapo continuava irredutível. A menina chorou muito, esperando que com isso ele se sensibilizasse e a libertasse.
Mas não adiantou. Dianna pensou em pular da folha, no entanto, ela poderia se afogar, pois era muito pequena. Enquanto pensava em alguma alternativa, dois peixes se aproximaram e disseram, baixinho, para o sapão não ouvir:
- Não se desespere, menina. Vamos ajudar você.
- Vamos distrair o sapo e depois empurrar a folha para bem longe.
Um dos peixinhos lançou para longe uma pedra. O sapo, que não era lá muito esperto, acreditou que se tratasse de uma mosca, e pulou da folha para persegui-la. Com isso, os peixinhos puderam empurrar a folha para bem longe dali, empenhando o máximo de sua força nisso.
- O velho Noone é muito burro mesmo. - riu um dos peixinhos. - Qual o seu nome, menina?
- Dianna.
- Eu sou Michael, mas me chamam de Mike. E esse é meu amigo, seu nome também é Michael, mas o chamam de Micky.
- Muito prazer. - a garota sorriu para os peixinhos.
Depois de um bom tempo sendo empurrada rio acima, contra a correnteza, Dianna percebeu que seus amigos estavam ficando cansados. Entretanto, ela ainda queria voltar para a casa de seus pais. Então, ela viu uma bela borboleta, de grandes asas, e indagou:
- Senhorita, poderia puxar esta folha pelo rio de volta a minha casa?
- É claro. - respondeu a borboleta. - Eu sou Alice, e você?
- Dianna.
A menina prendeu a haste da folha à borboleta, e ela foi voando e deslizando a folha pela água, com leveza.
- Adeus, Mike e Micky! E muito obrigada! - Dianna exclamou para os peixes.
- Até mais, Dianna, e boa sorte!
Porém, quando Alice estava quase levando Dianna para a margem do rio, um besouro veio voando e levou a menina. Foi pousar num galho de árvore, onde havia outros três besouros.
- Que é que você tem aí, John? - quis saber um dos outros três besouros.
- Uma fêmea, Paul. - respondeu ele.
- Fêmea? - Dianna protestou. - EU SOU UM SER HUMANO, NÃO UM INSETO CASCUDO E FEIO!
- Cascuda não é, mas também é feia, não é mesmo, George?
- Tem razão, Ringo. Se ela é uma fêmea de besouro, é a mais estranha que já vi. Não tem asas, nem antenas, e só duas pernas!
- É, você é mesmo estranha. - concordou John, olhando um pouco mais atento para Dianna. - Vai embora. Xô!
Dianna ficou triste por ser chamada de esquisita, mas não fez nenhuma objeção a ir embora. Ela desceu pelo tronco da árvore, e seguiu seu caminho.
A garota se sentia cada vez mais deslocada. Sua família a amava, mas eles não conseguiam entender como era a vida de alguém tão pequeno. E os seres pequeninos também pareciam não a aceitar assim tão bem.
Ela encontrou uma árvore oca, que poderia servir muito bem como abrigo. Subiu até o buraco da árvore, forrou-o com muitas folhas e ficou morando ali, se alimentando de frutinhas e arranjando brigas feias com os animais que comiam as mesmas coisas que ela. Alguns esquilos até mesmo roubavam as nozes que ela conseguia juntar.
Chegou o inverno e com ele a falta de alimento. Dianna precisou ir para outro lugar para encontrar o que comer. Andou, andou e andou, até que achou a toca de uma rata do campo. Pediu à rata, educadamente:
- Por favor, teria algo para eu comer? Estou morrendo de fome, não consegui achar comida no lado da floresta de onde eu vim.
- É claro, entre. Meu nome é Emma, e o seu?
- Dianna.
A garota entrou, muito agradecida, e a ratinha cuidou dela muito bem. Alimentou Dianna e fez novas roupinhas para ela, pois as suas estavam esfarrapadas.
Alguns dias depois, um vizinho muito rico de Emma veio visitá-la. Era uma toupeira e se chamava Peter. Ele ouviu Dianna cantarolando enquanto limpava a toca da ratinha, e ficou encantado por ela.
Ele passou a visitar Emma e Dianna praticamente todos os dias, e após algumas visitas, tomou coragem e disse a Dianna que estava apaixonado por ela.
- Sr. Peter, eu fico lisonjeada pelo seu sentimento por mim, mas… Eu sou uma pessoa. Não… Não sou como você. - disse a garota.
- Isso não importa para mim. - respondeu a toupeira, categoricamente.
Mesmo assim, Dianna sabia que jamais conseguiria corresponder ao amor de Peter. Ela sonhava secretamente conhecer outras pessoas pequeninas como ela, embora, muito provavelmente, fosse a única.
Poucos dias depois, Peter convidou Dianna e Emma para um passeio, e disse:
- Só peço que não se assustem com a andorinha morta no meio do caminho.
Após o passeio, Dianna voltou aonde tinha avistado a andorinha e colocou o ouvido em seu peito. Não estava morta, apenas desacordada. A garota cuidou da andorinha, que se chamava Louise, e elas se tornaram grandes amigas. Quando chegou a primavera, Louise foi embora, prometendo voltar na próxima primavera.
E assim foi. Várias primaveras passaram, e Dianna já não era mais uma menina, e sim uma jovem mulher. E ela continuava diminuta.
Mais do que nunca, Peter, a toupeira, queria tornar Dianna sua esposa. Pediu-a em casamento, e Dianna, sem saber como dizer não, acabou aceitando o pedido. Emma ficou muito contente por sua amiga de tanto tempo, e ela mesma se encarregou de costurar o vestido de noiva e o enxoval, auxiliada por várias aranhas.
Dianna estava muito triste. Não queria ter que viver numa toca debaixo da terra. Mas não tinha solução. Seu único consolo era saber que em breve a sua amiga Louise estaria de volta.
Na véspera do casamento, Louise finalmente chegou. E ficou muito preocupada ao ver Dianna tão triste.
- O que houve, Dianna?
- Aceitei me casar com Peter, nosso vizinho. Mas eu não quero morar debaixo da terra, só aceitei porque fiquei com pena. E não o amo, afinal… Ele é uma toupeira e eu sou uma pessoa. Eu queria tanto conhecer outras pessoas pequenininhas… Mas devo ser a única.
- Eu vou levar você para longe. E você vai ser muito feliz lá!
- Ah, Louise, obrigada, mas e Emma? E Peter?
- Eles vão entender. - garantiu Louise com um sorriso. - Vamos?
- Vamos!
Dianna subiu nas costas da andorinha, que levantou vôo. Elas voaram por horas, até que Louise finalmente pousou, colocando Dianna sobre uma margarida.
- É aqui. - disse Louise, ofegante pelo cansaço.
- Onde estamos? - quis saber Dianna, olhando ao redor e não vendo outra coisa que não fossem flores, flores até onde a vista alcançava e além.
- O reino das flores. - respondeu a ave.
- O reino das flores? - Dianna ia pedir mais informações, contudo, no mesmo momento, percebeu um pequeno vulto em uma flor um pouco distante de sua margarida, e um ronco baixo. - Tem alguém ali! - ela exclamou, andando com cuidado entre as flores até o vulto.
Louise sorriu. Era exatamente isso que ela queria. Qual não foi a surpresa de Dianna quando viu o que era o tal vulto! Era um rapaz adormecido, tão transparente que parecia feito de cristal, alado e… Pequenino como Dianna.
- Eu… Eu pensei que eu fosse a única pessoa desse tamanho! Ele não é lindo? - Dianna suspirou, encantada.
- Sabia que seria boa ideia trazer você para cá. - Louise riu, e foi embora. Agora era a vez de sua amiguinha.
Dianna continuou a observar o rapaz alado, indagando-se se não era um anjinho minúsculo. E suspirou um pouco alto demais, acordando-o.
Envergonhada, ela se escondeu entre as pétalas de uma rosa repolhuda. O rapaz acordou, e olhou por todo lado, procurando quem havia suspirado.
E deparou-se com um par de mãozinhas agarrando a ponta de uma pétala de rosa. Intrigado, ele voou até a flor e olhou lá dentro. Viu uma jovem mulher agachada, e disse:
- Olá! O que está fazendo escondida aí dentro?
Dianna, mais vermelha que as pétalas, ergueu os olhos para ele.
- Eh… Olá.
- Quem é você?
- Eu… Eu sou Dianna.
- Muito prazer. - disse o rapaz, estendendo a mão para Dianna e fazendo-a ficar de pé no interior da flor. - Eu sou Davy, o rei das flores. - e beijou a mão dela.
- O prazer é todo meu. - disse ela, ainda corada, e encantada pelo rei das flores.
- Não quero ser atrevido, mas você é a coisinha mais linda que já vi. - disse Davy, sem soltar a mão da garota.
- É, hã… Obrigada. - Dianna sorriu, tímida.
- Quer se casar comigo? - ele perguntou, para o grande espanto de Dianna.
- E você disse que não queria ser atrevido. - ela gracejou. - Mas… Sim. - e deu um lindo sorriso. Com certeza ele seria um marido muito melhor para ela do que a toupeira.
Dianna se casou com Davy e foi coroada a rainha das flores. Ganhou do marido uma pequena coroa, e dos súditos dele, um belo par de asinhas brilhantes e transparentes como as do povo das flores.
Agora, ela podia voar, vivia com pessoas do seu tamanho, que a entendiam, e tinha alguém para amar. Ela não podia estar mais feliz.