sexta-feira, 20 de junho de 2014

Love Songs - Quarta parte

 Mais Love Songs pra vocês :)




1) Pete Townshend e Lynn Stephens






The Beatles - And I Love Her












2) Jimmy Page e Vicky Summers







Demi Lovato - My Love Is Like A Star 










3) John Paul Jones e Susie Morris



The Doors - Love Street









4) Angie Smith e John Bonham





The Beatles - Tell Me What You See






























 

Fanny's Autumn Almanac - Capítulo 2

 

        “Isso é loucura”, eu dizia a mim mesma. Um triângulo amoroso em que ninguém é correspondido sempre acaba mal.  Eu me sentia mais ou menos como Fanny Price, protagonista de Mansfield Park, romance de Jane Austen. Chamo-me Frances por causa dela.
        A personagem se apaixona por seu primo Edmund Bertram, personagem austeniano em cuja homenagem meu pai recebeu seu nome. O primo de Fanny se apaixona por Mary Crawford, irmã da esposa do pároco local... Contudo, tudo termina bem para Fanny, como em todo livro de Jane.
      Mas eu não me chamava Fanny Price. Eu me chamava Fanny Fitzwilliam, e o Edmund que me amava era Edmund Fitzwilliam, meu pai.
      O equivalente de Edmund Bertram na vida real, Paul Simon, já tinha uma Mary Crawford em sua vida, e esta era minha prima Emily, com a diferença que minha prima não era uma moça pedante.
         Eu não aguentava mais sufocar o que sentia. Precisava desabafar com alguém. Escolhi a minha irmã.

-          Elinor, posso falar com você? – notei que ela estava lendo A abadia de Northanger, de Jane Austen, possivelmente pela décima vez, e não quis atrapalhá-la.
-          Você sabe que sim, Fanny. – disse Elinor, marcando a página com uma fita e fechando o livro. – Pode falar.
-          Bom... Você tem notado algo diferente em mim? Todos dizem que você é boa em adivinhar o que se passa com as pessoas ao seu redor.
-          Você tem estado um pouco mais quieta e reflexiva. Mas isso você sempre foi, irmãzinha.
-          O fato de que escuto Simon & Garfunkel o tempo todo não lhe diz nada?
-          Isso pode ser interpretado de várias maneiras. Você ama uma bela voz, isso não é segredo para ninguém. E também não se pode negar seu gosto por letras bem-escritas.
-          Justo você, Elinor! A eterna apaixonada sofredora! Não percebe quando alguém sofre do mesmo mal que assombrava você em relação a Jimmy há alguns tempos atrás?
-          Espere um pouco... Fanny! Você está apaixonada pelo sr. Simon, certo?
-          Exato. E ele está apaixonado pela Emily...
-          Oh, Fanny! Não desanime, irmãzinha... Paul sabe que Emily não vai terminar com Syd por ele.

-          Sim... Mas um verdadeiro apaixonado luta pelo que quer, não?
-          Ou tem tanto medo da rejeição que sofre calado, como ele. Ou como eu. Ou mesmo como você.
-          Ah, Elinor, o que vou fazer?
-          Eu não sei, Fanny. Ah, o telefone está tocando. – ela falou, levantando-se para atender. – Jimmy! – ela cumprimentou alegremente. Deixei-a na sala para falar ao telefone em paz, e fui para o meu quarto.

                         Eu não queria terminar como a minha irmã. Ela diz que superou o amor por Jimmy, e que ela agora sente por ele apenas a amizade de sempre. Mas eu duvido, pois todos os dias, por volta das cinco horas, ela se senta na poltrona ao lado da mesinha do telefone, esperando que ele ligue. E, quando, muito raramente, ele não telefona, ela fica morta de preocupação e até mesmo um pouco brava.
                      Precisava me esquecer daquele cara. Ele gostava da minha prima, e pronto. Se ele queria sofrer enquanto Emily vivia feliz e despreocupada ao lado de Syd, problema dele.
                     Ir às aulas me ajudava a tirá-lo dos meus pensamentos. Contudo, quando eu finalmente terminava de estudar e ia para a cama, eu me deitava e ficava contemplando o teto, divagando, sonhando com o dia improvável em que Paul Simon iria desistir de compor canções em homenagem a Emily para conquistá-la e notar que eu existia.

                   Num final de tarde qualquer, eu estava estudando tipos de rochas, um dos meus assuntos favoritos, quando ouvi minha irmã me chamar.

-          O que foi, Elinor? Espero que seja importante.
-          Claro que é! Jimmy vem me visitar!

                     Eu já me preparava para suportar uma possível recaída de Elinor. Jimmy apareceu em nosso apartamento dois dias depois.

-          Elinor! – ele exclamou, alegre.
-          Jimmy! – ela estava tão entusiasmada quanto ele.

             Eles se abraçaram com força, pois não se viam havia muito tempo. Eu não posso culpar a Elinor. Jimmy tem mesmo algo apaixonante. Ele é tão talentoso... E sua beleza é exótica, totalmente diferente do padrão inglês.
              Mas eu indiscutivelmente preferia Paul. Emily e eu ficamos observando a reação do “ex-casalzinho” por um tempo, para tentar adivinhar o que viria a seguir.


-          O que tem feito, Elinor? – ele quis saber.
-          O de sempre.
-          Estudar e ler, ler e estudar. – ele riu.
-          Exatamente. E você?
-          O de sempre.
-          Tocar guitarra e pegar garotas, pegar garotas e tocar guitarra. – ela deu um sorriso.
-          Eu não ficaria tão certo quanto às garotas. – ele disse. Reparei que ele segurava a mão dela. Ele próprio notou isso, e logo soltou a mão de minha irmã. – Desculpe, Elinor.
-          Tudo bem... – disse ela.

                        Jimmy ia ficar hospedado num hotel. À noite, nós conversávamos sobre rapazes. O assunto é trivial demais, não nego, mas minha irmã, minha prima e eu adorávamos abrir nossos corações uma para as outras.

-          Eu estou tão feliz... – Emily começou. – Syd é o melhor namorado que pode existir.
-          Por que vocês não assumem isso para todo mundo, não só para os amigos íntimos? – Elinor perguntou. – Vocês estão juntos há três anos, Emily!
-          É difícil, Elinor... Meu pai e minha mãe nunca aceitariam. Syd é tão...
-          Estranho? – eu sugeri, rindo.
-          Eu ia dizer “diferente”, mas “estranho” também serve, Fanny. – Emily riu, seguida de Elinor.
-          Você acha mesmo que tio Edwin e tia Jackie não iriam aceitar o namoro de vocês? – quis saber minha irmã.
-          Acho sim. Creio que eles gostariam de me ver acompanhada de um futuro engenheiro, ou médico, ou advogado, e não de um músico e artista plástico.
-          Mas o que interessa é o amor, Emily! – argumentei. – Não importa como Syd ganha seu pão, e sim se ele a faz feliz.
-          Sua fé no amor é muito louvável, Fanny... Mas você é tão jovem, prima. Vai saber um dia que certas coisas podem arruinar lindas histórias, mesmo que os protagonistas se amem mais do que tudo neste mundo. Mas já falamos bastante de mim. Vamos falar da Elinor.
-          De mim? – minha irmã perguntou. - Eu não tenho nada para contar...
-          É mesmo? A eterna apaixonada não tem mesmo nada para contar? – Emily alfinetou.
-          Eu não amo mais o Jimmy... – Elinor disse. – Eu lutei para superar, e consegui.
-          Mas ele tem dado pistas de que está carente... “Eu não ficaria tão certo quanto às garotas”, por exemplo. – eu provoquei.
-          Jimmy logo vai arranjar alguém. Ele não serve para mim. – Elinor suspirou. – É o meu melhor amigo, eu o amo como se fosse da família, mas ele jamais poderia me amar de uma forma que não essa. Oh, Deus... – os olhos de Elinor ficaram marejados. Ela ainda sofria um pouco por esse amor não-realizado, que ela sempre tentou sufocar dentro de si.
-          Não chore, Elinor! – pediu Emily. – E aquele cara com quem você saiu uma vez?
-          O Tommy? Ele é tão chato! Meu primeiro beijo foi ruim, diferente de tudo que sonhei.
-          Então por que você saiu com ele? – eu quis saber.
-          Porque... Eu queria esquecer o Jimmy.
-          Ah, Elinor... Você vai achar um amor para chamar de seu. Não foi o Jimmy, nem o Tommy. – disse Emily.
-          Mas eu nunca gostei do Tommy.
-          Poderia ter gostado... Mas a questão não é essa. – Emily prosseguiu. -  O que interessa é que o seu Mr. Darcy não foi o Jimmy, nem o Tommy, e pode não ser o terceiro cara que cruzar seu cruzar seu caminho... Tenha paciência e ele virá.
-          Você deveria ser escritora, Em, não eu.
-          Eu? - Emily riu. – Você e o Paul me dão um banho de talento.
-          Por falar no Paul, Fanny tem algo a dizer sobre ele, não tem, Fanny?

                    Por essa eu não esperava! Elinor não poderia ter me pego com calças mais curtas!

-          Hã... Bem... Sim, eu tenho.
-          É mesmo? – Emily, curiosa como ela só, quis saber. – O que é, Fanny?
-          Bom... Eu estou apaixonada por ele. – confessei, depois de um longo silêncio.
-          Sério? Eu jamais imaginaria! Você não deixa transparecer...
-          Não mesmo. – concordei. Eu estava prestes a revelar que não tinha esperanças, quando a campainha tocou. Elinor se levantou do sofá e foi atender.
-          Sr. Simon! Que surpresa! Pensei que ainda estava viajando! – ela exclamou.
-          Por favor, Elinor, posso falar com Emily? – seu tom de voz mostrava que ele estava nervoso. Nem sequer chamou minha irmã e minha prima de “srta. Elinor” e “srta. Fitzwilliam”.
-          Claro que pode falar, Paul! – Emily disse.
-          Eu não posso mais ficar calado, Emily! Escute minha canção.

                       E ele cantou “For Emily, Whenever I May Find Her”. Minha prima escutou tudo, e não disse nada quando ele terminou. Notei que ela parecia medir suas palavras, e por fim ela disse:

-          Paul, eu fico extremamente lisonjeada com esse seu sentimento, mas eu...
-          Você ama o Syd, eu sei. Eu não estou pedindo nada, só queria que você soubesse.

                        Com lágrimas brotando dos olhos, ele saiu correndo. E eu o segui.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Oneshot: Layla, the ginger-haired photographer

       Apesar do título, Eric Clapton não é o personagem central desta fic. Na verdade, este é Dave Davies. O título se deve à identificação de Dave com o eu-lírico de Clapton na canção Layla. 







     




      - Oh, Emily, a ruiva! Oh, Emily, tão bela! - exclamava Dave Davies, guitarrista dos Kinks, pensando em sua amada, a estonteante fotógrafa Emily Fitzwilliam.

          Dave a vira pela primeira vez num show no UFO Club, um dos principais núcleos psicodélicos da capital inglesa, em 1967, pouco depois do namoro dele com Felicity McGold ter chegado ao fim. Emily estava no UFO a fim de fotografar o Pink Floyd, a banda de seu então namorado, Syd Barrett.
          Entretanto, percebia-se sem custo que o relacionamento, que havia começado em 1962, estava desgastado. Cinco anos de namoro depois, as drogas haviam afetado Syd sensivelmente. Emily temia pelo namorado, e, mesmo que seus pais forçassem-na a terminar com ele, ela fazia de tudo para evitar o rompimento.
           Haviam passado dois anos desde que Dave pusera os olhos em Emily pela primeira vez, e ela só dera fim ao namoro com Syd havia poucos meses. Dave, que via-a frequentemente em festas da sociedade londrina underground, porém nunca tivera coragem de conversar com ela, não acreditava que tinha grandes chances de ouvir aquela deusa de cabelos ruivos e olhos azuis dirigir sua fala a ele.
             Certa vez, os Kinks foram convidados para uma festa na casa de Mick Jagger, e lá estavam também Emily Fitzwilliam e um grande amigo do anfitrião:  Clapton, "o Deus". Dave tentou, de várias maneiras, aproximar-se de Emily, mas sua timidez o travava. Quando viu a moça conversando com Bill Wyman, desesperou-se. Ele não podia perdê-la para o baixista dos Stones. Esperou que Bill fosse embora. O caminho ficou livre, e lá foi ele conversar com sua amada.

- Olá. - disse Dave.
- Oh, olá. - Emily sorriu. - Você é Dave Davies, se não me engano.
- Sim, minha cara Emily.
- Como sabe meu nome?
- Eu já a conheço de vista há muito tempo, mas nunca pude conversar com você, ruiva.
- Ruiva? - ela riu. - Era assim que Eric Clapton chamava sua antiga namorada, Rosie Donovan.
- Ah sim, a moça que ele deixou por Pattie Boyd.
- Pois é. Eu achei isso uma verdadeira sacanagem com a Rosie, mas é visível que Clapton ama Pattie. Já ouviu a canção que ele escreveu recentemente para ela?
- Não sei... Qual é o título?
- Layla. Ah, mas falando em Eric Clapton, lá está ele! Quem  sabe ele não a canta para você ouvir?
- Acho que vou até lá pedir para que ele cante. Até mais, Emily.
- Até mais, Dave. - Emily despediu-se dele com um belo sorriso.

                    Dave foi, então, ao encontro de Eric Clapton.

- Olá, Clapton.
- Olá, Davies menor.
- Uma certa ruiva me contou sobre a sua nova canção. Eu gostaria de ouvi-la.
- Uma certa ruiva? Não seria.... R-Rosie?
- Não, não. Outra ruiva. Emily Fitzwilliam.
- Ah, sim. Belíssima, aquela fotógrafa.
- Sim. - suspirou Dave.
- Está apaixonado por ela? - quis saber Eric.
- Perdidamente. Mas eu acho que a lembrança do Barrett ainda paira sobre ela.
- Creio, então, que minha música cai como uma luva para sua situação, Dave.
- Cante, Eric, por favor. - pediu Dave.


                     Assim, à capela, Clapton cantou:



What will you do when you get lonely
and nobody's waiting by your side?
You've been running and hiding much too long
You know it's just your foolish pride

Layla
You've got me on my knees, Layla
I'm begging darling please, Layla
Darling, won't you ease my worried mind

Tried to give you consolation.
When your old man, had let you down.
But like a fool, I fell in love with you.
You turned my whole world upside down.


Layla
You've got me on my knees, Layla
I'm begging darling please, Layla
Darling, won't you ease my worried mind

Make the best of the situation
Before I finally go insane
Please don't say we'll never find a way
Or tell me all my love's in vain

Layla
You've got me on my knees, Layla
I'm begging darling please, Layla
Darling, won't you ease my worried mind

         Quando Eric terminou, Dave disse: 

- Cara, você traduziu o que sinto por Emily. 
- É bom saber que alguém se identifica com essa canção. - disse Eric, satisfeito com o resultado de sua obra. 
 
        Dave não sabia dizer o porquê, mas sabia que, um dia, Emily, a sua Layla, atenderia às suas súplicas. 


                                                                                                        




terça-feira, 3 de junho de 2014

Fanny's Autumn Almanac - Capítulo 1

 Com vocês, minha nova fic! Esta é a história de Fanny Fitzwilliam, a irmã mais nova da nossa querida Elinor Fitzwilliam, de "Heartbreaker". Na fic sobre o amor entre sua irmã e Robert Plant, ela aparece acompanhada do vocalista dos Hollies, Allan Clarke. 
  Mas antes dele, Fanny já havia se relacionado com Paul Simon e Ray Davies, e são esses namoros que serão retratados nesta fic. 






     

         Uma garota com grandes sonhos presa numa cidadezinha pequena. Essa era eu, a pequena e meiga Fanny. Na verdade, meu nome completo é Frances Elizabeth Fitzwilliam.
         Eu vivia com meus pais, o advogado Edmund e a dona de casa Helen, e a minha irmã mais velha, Elinor. Sempre adorei Elinor, ela é um anjo.
        Mas sempre senti que estava um pouquinho à sombra dela, por ser três anos mais nova. Então sempre me esforcei para que eu estivesse tão avançada nos estudos quanto ela.
          Elinor tinha um grande amigo, um rapazinho de sua idade chamado James Page, que ela insistia em tratar por Jimmy. A propósito, foi minha irmã quem me deu meu apelido. Quando eu era bebê, papai e mamãe me chamavam de "Franny". Como Elinor, quando criancinha, tinha dificuldades em pronunciar o R, me chamava de "Fanny". E o apelido pegou.
            Voltemos a Elinor e Jimmy. Minha irmã tinha suas amigas no colégio, mas sempre preferia a companhia de Jimmy à de qualquer uma de suas colegas. Quando eu fiz uns doze anos, Jimmy começou a viajar para tocar guitarra em bandas.
           Nas primeiras vezes, minha irmã chorava. Eu, em minha ingenuidade de recém-chegada à adolescência, achava que ela estava triste simplesmente porque seu melhor amigo estava longe. Depois entendi que Elinor ficava em prantos pelo fato de estar apaixonada por Jimmy.
           Quando nos tornamos adultas, minha irmã continuou cheia de problemas amorosos, como quando se apaixonou por Keith Richards. Enquanto ela estava às voltas com seu coração, o meu sabia muito bem o que queria.
             E o que ele queria era Ray Davies, dos Kinks. Mas antes, queria Paul Simon, da dupla Simon & Garfunkel. Quer dizer, a dupla havia acabado de se desfazer quando eu o conheci... Acho melhor explicar tudo.
           
               Eu era uma estudante novata de geografia na Universidade de Cambridge. Eu tinha tanta experiência de mundo quanto uma garota de 17 anos pode ter. Não conhecia ninguém na cidade, exceto minha irmã Elinor, que estudava Letras, minha prima Emily, que estudava Artes Plásticas, o namorado não-reconhecido de Emily, o também estudante de Artes Plásticas Syd Barrett, e os amigos do cara: Roger Waters, Rick Wright e Nick Mason.
               Uma vez, topei ir a uma festa com eles. Lá, fomos apresentados a um jovem norte-americano formado em Letras, mas que trabalhava como músico, chamado Paul Simon. Baixo, jamais seria considerado um rapaz lindo, mas era gentil e simpático. Conversou bastante com Elinor, pois eram da mesma área, e com os rapazes, que gostavam de música e estavam formando uma banda. No entanto, ele também soube ser agradável comigo e com Emily.
              Quando estávamos indo embora, Emily deixou cair, sem querer, um lencinho branco de sua bolsa, que estava um pouco aberta. Paul, muito solícito, pegou o lenço antes que ele caísse no chão e devolveu-o à minha prima. Ela ficou muito agradecida.
               Eu notei o olhar daquele americano. Ele parecia estar encantado com a minha prima. Afinal de contas, Emily, com seus cabelos ruivos e olhos azuis, era uma lady. Contudo, seu coração já pertencia ao excêntrico Syd. “Pobre sr. Simon”, pensei.
              Esqueci esse incidente e continuei com a minha rotina, estudando bastante e saindo pouco. Minha irmã e minha prima eram estudiosas também, mas não recusavam um passeio, principalmente Emily. Fiquei sabendo, numa certa manhã, depois de umas três semanas, que um de seus companheiros mais freqüentes era Simon. Eu ia perguntar a Emily se ele já havia demonstrado um interesse por ela maior do que mera amizade, quando a campainha do apartamento que dividíamos soou.

-          Olá, Paul. – cumprimentou Emily.
-          Oi, srta. Fitzwilliam. Srta. Elinor, srta. Frances. – ele cumprimentou à minha irmã e a mim com um aceno de cabeça.
-          O que o traz aqui? – Elinor quis saber.
-          Eu gostaria de chamar as senhoritas para ver o meu show, antes que eu saia da Inglaterra para tocar em outros lugares. Será aqui em Cambridge mesmo.
-          Ficaremos muito contentes em ir, sr. Simon! – Emily sorriu. Notei que o tratamento formal, com as palavras “senhor” e “senhorita”, era uma espécie de brincadeira entre ele, Elinor e Emily. Era estranho, mas inegavelmente engraçado.

            Nós fomos. O show foi bom. Paul Simon tinha talento. Assim que acabou, ele nos recebeu em seu camarim, além dos rapazes. Ele contou que havia lançado um disco com um amigo, chamado Art Garfunkel, e que o disco havia fracassado. Aconselhei-o a não desanimar, e ele sorriu, dizendo:

-          Obrigado, srta. Frances. Prometo que não vou fraquejar.

         Depois de um tempo, ele chamou Elinor e eu. Emily estava distraída, conversando com Syd e os outros.

-          Fiz esta canção para a srta. Fitzwilliam. Mas eu creio que ela vai ficar no máximo grata. Eu sei que ela gosta do Syd. Chama-se “For Emily, Whenever I May Find Her”.


     Ouvi-lo cantar a bela música era de partir o coração. Dava para notar que ele sofria com aquele amor não-correspondido. E então eu notei que estava me apaixonando por aquele sujeito.