domingo, 31 de julho de 2022

Zero To Hero (Grindhouse Myth)

 Bom dia! Hoje, trago uma nova fic da série Grind Myth, inspirada no mito de Perseu. Espero que gostem! 


   Há muito tempo, na cidade de Argos, havia um rei. Ele era viúvo e tinha uma única filha, Janelle, que era muito bela e estava próxima da idade de se casar. O rei, contudo, se preocupava por não ter um filho varão que o sucedesse no trono. Foi, então, consultar um oráculo para saber se, caso contraísse novas núpcias, poderia vir a ter esse filho varão. 

   Diferentemente do que normalmente acontecia, o oráculo foi direto e reto: não. Mas, se a princesa tivesse um filho, ele mataria o avô. 

   Ser morto pelo próprio neto é um destino terrível, e, para evitar esse sofrimento para ele e sua filha, e até mesmo para o hipotético neto, o rei tomou uma decisão drástica: trancar a pobre moça numa torre, sem qualquer contato com o mundo exterior. 

   E assim foi feito. Janelle foi trancafiada na torre, com apenas uma ama, e recebendo visitas ocasionais do pai. Todos os dias, a jovem se sentava à janela para admirar o céu e a vista limitada da floresta e do mar, sonhando com o dia em que, talvez, seu pai se apiedaria e a libertaria. Ela tomou a resolução de recusar qualquer pretendente e não se apaixonar, para não trazer ao mundo o assassino de seu pai. 

   Mas o que ela não sabia é que também era admirada. E justamente pelo mais obstinado dos admiradores: o próprio rei dos deuses, Zeus. Zeus normalmente tomava a forma de animais para possuir as jovens que desejava. Mas, dessa vez, ele se transformou numa chuva de ouro, e assim Janelle ficou grávida. Nasceu um menino, que ela chamou de Micky.

  Por alguns meses, Janelle conseguiu esconder seu filho, até que, um dia, o rei apareceu antes da hora costumeira, quando o menino estava acordado. E ao ver que sua filha havia dado à luz um menino, ficou em pânico. Não acreditou na história da chuva de ouro, não quis saber se o menino era filho de Zeus, Poseidon, Apolo ou o deus que fosse. 

  Como não tinha coragem de matar sua filha e o neto, mesmo com medo, o rei mandou construir uma espécie de arca, em que colocou Janelle e o pequeno Micky, e lançou a arca no mar. 

  A arca encalhou na ilha de Serifos, onde foi encontrada por George Dolenz, o antigo rei da ilha, deposto pelo próprio irmão. Ele abriu a arca, e qual não foi sua surpresa ao encontrar dentro dela uma linda jovem e um bebê! 


- Quem… Quem é você, moça? - perguntou ele, surpreso. 

- Eu… Eu sou Janelle. - disse ela, sem saber muito bem se podia confiar nele. - E este é meu filho, Micky. Fomos lançados no mar pelo meu pai, que não acreditou que tive o filho de um deus.



  Penalizado pelo sofrimento da encantadora jovem, sozinha no mundo com um filho pequeno, ele a abrigou em sua casa. Não se casou com ela, mas deu ao menino seu nome, e o amou e criou como seu filho. E Micky Dolenz cresceu para se tornar um jovem belo, forte e corajoso.

  O atual rei, mesmo sabendo que seu irmão George amava Janelle e tinha planos de se casar com ela um dia, também queria a mãe de Micky para si, e não hesitava em pressioná-la. 

  Ela resistia bravamente, e Micky, indignado com o assédio sofrido pela mãe, um dia proferiu uma frase que, apesar de impensada, determinaria seu destino. 

  O rei de Serifos havia adotado a estratégia de fingir que não desejava mais Janelle e que ia se casar com outra mulher. E exigiu de seus cortesãos presentes de casamento finíssimos, inclusive de Micky. Micky e sua mãe moravam com George, que, apesar de ter sido rei, já não tinha mais nenhuma riqueza, pois seu irmão tomara tudo que possuía. Sem saber bem o que dizia, o rapaz afirmou: 


- Não tenho nada de meu para oferecer, ó rei, mas merece os melhores presentes… Posso trazer até a cabeça da Medusa…



    O rei, sabendo que a Medusa transformava todos que olhassem para ela em pedra e era praticamente impossível de derrotar, sorriu debochado. Dessa forma, o rapaz saía de seu caminho voluntariamente… E o caminho para se casar com a mãe dele ficava livre.


- Excelente ideia, Micky! Deve partir imediatamente. Esperarei apenas pela sua volta com meu presente para marcar a data do casamento com minha bela noiva. 



    Só então Micky pensou na gravidade do que dissera. Porém, não podia mais voltar atrás. Tinha que trazer a cabeça da Medusa para o rei de Serifos, e pensava em oferecê-la ao rei com a condição de que deixasse sua pobre mãe em paz definitivamente.

   O rapaz foi até a praia para pensar. E enquanto tentava organizar as ideias para saber por onde começar, sentiu uma presença próxima dele. Ergueu a cabeça e viu uma jovem baixa, loura e de olhos azuis, usando armadura e com uma coruja no ombro. Ele não teve dúvida: era Atena, deusa da sabedoria e da guerra, a protetora dos heróis. Curvou-se diante dela. 


- Levante-se, Micky Dolenz, filho de Zeus. Fez uma ousada declaração, e agora deve cumpri-la. Deve buscar a Medusa e decapitá-la. 

- Mas como farei isso? - Micky estava quase desesperado. - É quase impossível derrotá-la! 

- Falou bem. Quase impossível. - disse a deusa. - Hermes e eu ajudaremos em sua jornada. 


    Então Micky viu que um rapaz alto e magro, de longos cabelos negros, usando um capacete e um par de sandálias com asas, materializou-se. Era Hermes. 


- Forneceremos aquilo de que precisa, Micky Dolenz. - disse Hermes. 



     Atena fez surgir uma espada curva, com uma lâmina duríssima e resistente. 



- Com esta espada, cortará a cabeça da Medusa. - disse Atena. 

- Com minhas sandálias, será mais rápido do que as Górgonas. - Hermes descalçou suas sandálias e entregou-as a Micky, com a recomendação: - Tome muito cuidado, e devolva-as intactas. 

- É claro. - Micky assentiu. 

- Neste bornal, guardará a cabeça da Medusa. - Atena instruiu.

- Com o elmo das trevas de Hades, ficará invisível para sua inimiga. - Hermes explicou.

- E por fim, entrego-lhe meu escudo. - Atena o soltou de seu braço e deu-o a Micky. - Olhando por ele, poderá atacar a Medusa sem olhar diretamente para ela e acabar petrificado.

- Eu vos agradeço pela ajuda inestimável, Lady Atena e Lorde Hermes. - Micky fez uma respeitosa reverência. - Mas como encontrarei o covil da Medusa? 

- Minha coruja o guiará até as Gréias, as únicas que conhecem a localização do covil, e ajudará a identificar a Medusa entre as três Górgonas. - disse Atena com um sorriso.



  A coruja piou alegremente e voou em direção a Micky. Ele calçou as sandálias de Hermes, preparou seu equipamento, agradeceu mais uma vez aos deuses e seguiu a coruja pelos ares até o local onde viviam as Gréias. 

   No caminho, Micky encontrou outros três jovens, semideuses e aspirantes a heróis como ele, e acabou os ajudando em suas aventuras.

 Primeiro, sobrevoando a região de Lerna, conheceu Mike Nesmith, outro jovem filho de Zeus. Ele tinha a missão de aniquilar a Hidra, um monstro reptiliano de nove cabeças que assolava a região. O problema era que, a cada vez que uma cabeça era cortada, duas novas cabeças nasciam no lugar, e, além disso, uma das nove cabeças era imortal.

 Micky ajudou Mike ateando fogo aos tocos de pescoço antes que um novo par de cabeças nascesse, e depois enterrando a cabeça imortal, que ainda poderia expelir um veneno poderosíssimo mesmo após cortada, no mais fundo da terra. Mike agradeceu efusivamente a ajuda de Micky, e assim nasceu uma grande amizade entre os dois heróis filhos de Zeus. 

 Depois, Micky, sempre guiado pela coruja de Atena, passou por Esparta, onde ficou sabendo que o rei Edmund estava oferecendo a mão de sua filha mais velha, a belíssima Elinor, ao jovem que não só se provasse o mais habilidoso guerreiro em uma série de provas, mas também o mais inteligente… Descobrindo, entre as 50 moças mais formosas de toda a Hélade, reunidas no palácio de Edmund e instruídas a fingirem ser a filha dele, quem era realmente a princesa Elinor. 

  Sabendo que a beleza está nos olhos de quem vê, Edmund previa que, por mais que praticamente se igualassem em valor como guerreiros, cada um dos competidores teria sua preferida entre aquelas 50 lindas jovens, e dificilmente o vencedor da maioria das provas poderia apontar a verdadeira Elinor. Poderia acabar se apaixonando por outra pessoa e tomá-la pela princesa. E assim ele não precisaria se despedir de sua filha tão cedo.

  Mesmo que sua missão fosse encontrar a Medusa e decapitá-la, levando em seguida sua cabeça para o rei de Serifos na esperança de, assim, libertar a mãe do assédio dele de uma vez por todas, Micky decidiu tentar a sorte na disputa. 

  Não era todo dia que aparecia uma chance, ainda que remota, de se casar com uma jovem que, segundo diziam, era a mais bela de toda a Hélade.

   Micky participou de algumas das provas, mais para se divertir e mostrar seu valor como guerreiro do que para realmente conquistar a mão de Elinor. Acabou ficando amigo de um outro jovem herói, chamado Davy Jones, um descendente de Hermes que vinha de Ítaca. 

 Ele era incrivelmente astuto, e não só se mostrara um valoroso guerreiro, vencendo a maioria das provas, como já descobrira, entre todas aquelas beldades, quem era realmente a princesa Elinor. 


- Mas não me casarei com ela… Declinarei da mão da princesa Elinor em favor dos demais competidores.

- Por quê??? - Micky ficou extremamente surpreso. Como alguém poderia recusar a mão da princesa mais linda de que se tinha notícia em todo o país? 

- Porque… Eu me apaixonei por outra das moças. Por um momento, cheguei a pensar que ela era Elinor, em minha paixão desmedida. - Davy respondeu com um sorriso. - Mas consegui fazê-la revelar sua verdadeira identidade, e a levarei a Ítaca comigo para ser minha esposa.

   E assim Davy fez. Abriu mão da disputa pela bela Elinor, levando com ele a sua escolhida, Dianna Mackenzie, a princesa de Corinto. Micky não podia dizer que reprovava a decisão. Dianna também era linda, e Davy mostrou-se muito prudente ao desistir da mulher mais cobiçada e escolher aquela que era ideal para ele.        

    Micky também partiu, pois, a cada dia que se demorava, sua mãe sofria mais nas mãos do terrível rei. E seguiu viagem, até que, mais uma vez, parou para auxiliar outro herói. 

   Peter Tork, filho da musa Calíope, a bem da verdade, era mais um poeta e cantor do que um guerreiro. Mas ele recebeu a incumbência de abater o terrível Javali de Cálidon, e Micky encontrou-o perseguindo a fera. Ofereceu sua ajuda, e, juntando seus esforços, fazendo o que faziam de melhor, os dois conseguiram abater o monstruoso javali. 

  O canto de Peter era tão mavioso que fazia até as mais implacáveis feras se acalmarem. O monstro não era particularmente sensível à música, mas, de fato, ao ouvir Peter cantar e tocar sua lira, ficou um pouco entorpecido, o que facilitou para que Micky o atacasse com sua espada. Muito grato a Micky pela ajuda, Peter passou a lhe devotar grande amizade. 

 Depois de todas essas peripécias, Micky finalmente chegou à ilha onde moravam as Gréias. Eram criaturas de aspecto horrendo, pele coriácea e que dividiam um único olho. 

  Ele as observou escondido atrás de alguns arbustos, e, ao perceber que elas ficavam completamente aturdidas sem o olho, aproveitou o momento em que a Gréia que estava com ele tirou-o de sua órbita para entregá-lo a outra, e pegou o globo ocular. 

   Elas ficaram enlouquecidas ao se darem conta de que alguém tomara seu olho, e Micky disse: 


- Devolverei o olho se me disserdes onde as Górgonas se escondem! 

- Não podemos dizer! Devolva o olho! - grasnou uma das Gréias. 

- Já dei minha condição. - Micky estava irredutível. 


   Passaram-se alguns minutos, em que as Gréias tentaram de todas as formas recuperar o olho e Micky continuou a insistir que revelassem o esconderijo das Górgonas.

  As Gréias, em seu desespero para reaver o olho, finalmente se renderam e indicaram a Micky o caminho. Lá chegando, Micky cobriu a cabeça com o elmo das trevas, tornando-se invisível. Empunhou a espada e o escudo da deusa Atena. E adentrou o covil das terríveis criaturas, silenciosamente. 

   A coruja de Atena mostrou a ele qual das três Górgonas era a Medusa. Era exatamente a que dormia no meio. Pé ante pé, tomando muito cuidado para não pisar nos cabelos de cobra das outras irmãs e guiando-se pelo escudo, Micky caminhou até a Medusa. E cortou a cabeça dela com um rápido movimento da espada curva. Notou uma fumaça branca rolar do pescoço do monstro. E ficou impressionado: um belíssimo cavalo alado, com crina, cauda e cascos dourados, saiu voando pela janela. 

 Imediatamente, Micky guardou a cabeça da Medusa no bornal. E já se preparava para bater em retirada, quando uma das górgonas sobreviventes acordou e viu o corpo decapitado da irmã, acordando a outra. As duas criaturas passaram a procurar pelo culpado. Como Micky estava invisível, não o viram. Mas ainda podiam sentir seu cheiro. Com as sandálias de Hermes, Micky voou o mais longe que pôde. Só ousou tirar o elmo das trevas quando já estava há centenas de quilômetros de distância, sobrevoando uma ilha no norte da África. 

   E deparou-se com uma visão impressionante. Acorrentada a um rochedo, estava uma donzela. Seus longos cabelos loiros eram açoitados pelo vento, mas, ainda assim, ela continuava linda. Seus olhos azuis estavam pregados na direção do mar. Parecia que ela aguardava algo vindo de lá. E ela usava vestes de tecido diáfano que revelavam delicadas formas. Pareciam esculpidas pelo cinzel de um grande artista. 

 Sem que Micky percebesse, uma flecha de Eros, o deusinho do amor, filho de Afrodite, atingiu-o em cheio. E, mesmo sabendo que não podia demorar a voltar a Serifos, Micky decidiu que libertaria aquela garota das correntes e a levaria com ele para casa como sua noiva.

   Micky pousou na praia e perguntou a um pescador, que guardava suas redes: 


- Quem é a linda jovem acorrentada no alto do rochedo, meu bom homem? 



   O pescador respondeu, com um tom de pena em sua voz: 


- É Emma, a nossa princesa. Foi amaldiçoada, coitadinha. 

- Amaldiçoada? O que ela fez para merecer isso? - Micky espantou-se.

- Nada. - continuou o pescador. - A rainha, mãe dela, teve a infelicidade de comparar a beleza da filha à das nereidas… Dizendo que a princesa era muito mais bela. Nereu ficou furioso com esse ultraje às suas filhas e mandou um monstro marinho para assolar nossa ilha. O rei, desesperado, foi até Delfos. Lá, soube que a única forma de aplacar o monstro era oferecendo seu maior tesouro… a única filha. Desde então, a princesa Emma está lá acorrentada, aguardando sua morte. 

- Pobre moça! - Micky exclamou. - E ninguém tentou matar o monstro e libertá-la? 

- Muitos tentaram, meu rapaz. - disse o pescador, balançando a cabeça. - Nenhum teve sucesso. O monstro os devorou a todos. E acho que mais nenhum guerreiro no mundo tem coragem de enfrentar a criatura e libertar a princesa Emma. 


   "Bom… Eu tenho", pensou Micky. Ele se despediu do pescador e foi até o palácio, para solicitar uma audiência com o rei. 

     Encontrou o rei Harold e a rainha Lauren parecendo desolados. Via-se no rosto da rainha o profundo arrependimento por ter se vangloriado de sua filha. Ele fez uma reverência elegante ao casal real, e, ao se erguer, disse: 


- Majestades, solicitei esta audiência para me oferecer a libertar sua filha do terrível destino que a aguarda.

- Como, meu rapaz? - o rei perguntou, descrente. - Todos que já tentaram pereceram. Não há escapatória. Minha filha será comida pelo monstro, e ficaremos numa agonia sem fim até que isso finalmente aconteça. Já faz duas semanas que ela está lá no rochedo. 

- Acredite em mim, Majestade. Eu posso salvar sua filha. 



    O rei e a rainha sorriram diante da ingênua determinação do rapaz. Não tinham como saber que ele tinha a proteção dos deuses, e Micky sabia que não era conveniente alardear esse fato. Poderia se voltar contra ele. 

     Após receber a permissão dos reis para tentar liquidar o monstro e sua benção para se casar com a princesa caso conseguisse, Micky pegou seu armamento e foi até o rochedo, levado pelas asas das sandálias de Hermes. 

     Pousou diante da princesa. A princípio, Emma ficou assustada, e Micky percebeu. Afinal, não era todo dia que um homem surge do céu e pousa bem na sua frente.


- Não se preocupe, princesa. Eu vou salvá-la do monstro! - disse ele, gentilmente. 



     No mesmo instante, Eros flechou Emma. E ela se apaixonou pelo jovem herói.


- E eu posso saber o nome do meu salvador? - ela sorriu docemente.

- Micky. Micky Dolenz. Venho de Serifos. 


  Antes que ele pudesse falar mais, os dois ouviram gritos vindos da praia. Eram os pescadores, alarmados com algo enorme vindo pelo mar em direção ao rochedo onde a princesa estava acorrentada. Era o monstro. 

   O grito morreu na garganta de Emma. Apesar de ter se apaixonado por Micky no mesmo momento em que o viu, no fundo ela temia que ele fracassasse ao tentar salvá-la. E aceitou a morte.  

   Mas Micky não pensava assim. Ele correu para tomar impulso, empunhando a espada. Voou direto para a cabeça do monstro, enfiando a espada em seu olho e cegando-o. O monstro continuou tentando abocanhá-lo, mas Micky usava as sandálias para voar e confundi-lo. E por fim, conseguiu cortar sua cabeça. E, assim, o terrível monstro que devoraria a princesa Emma foi liquidado. 

  Micky libertou Emma das correntes e desceu com ela para o palácio dos pais dela. 


- Aqui está sua filha, Majestades! Sã e salva! - exclamou ele.

- Somos eternamente gratos. - disse o rei. - E pode desposá-la. 

- Se ela quiser, é claro. - interveio a rainha. Não queria que sua filha sofresse, nunca mais. 

- Eu quero, mamãe. - Emma sorriu e abraçou e beijou Micky.



  Houve uma grande festa para celebrar o casamento de Micky com a princesa Emma. Por um momento, pareceu que tudo estava indo por água abaixo, pois um antigo pretendente, um covarde que não fizera nada para tentar salvar Emma do monstro, apareceu reivindicando-a como noiva. E trouxe um exército com ele. 

   Mas Micky não hesitou um segundo antes de puxar a cabeça da Medusa do bornal e petrificar o pretendente rejeitado e seu exército. Assim, a festa transcorreu sem problemas. 

   Poucos dias depois, Micky e Emma aportavam em Serifos. George e Janelle ficaram felicíssimos ao ver o filho voltar vivo de sua jornada, e ainda por cima casado. 

   Micky foi até o rei de Serifos e depositou o bornal com a cabeça da Medusa aos pés dele.


- Abra, Majestade. - disse Micky. 



   O rei, achando que a cabeça da Medusa não podia mais transformar em pedra após cortada, abriu o bornal… E assim foi petrificado. 

   George Dolenz voltou ao trono que era dele por direito, casou-se com Janelle, por quem estava apaixonado fazia 20 anos, e Micky e Emma formavam um casal feliz.

   Mas, como ninguém pode escapar ao destino, Micky acabou cumprindo o que o oráculo previra, anos antes de ele nascer, embora sem querer. Um dia, ele foi participar dos jogos em Olímpia. Ao participar de uma prova de lançamento de disco, o rapaz lançou o disco tão longe que ele caiu aos pés de um velho homem que assistia às provas. O disco de bronze, muito pesado, acabou provocando um grande corte nos pés do homem. Tentaram de tudo para salvar o homem, mas ele não resistiu ao sangramento. Micky ficou arrasado. E só então descobriu que aquele era o velho rei de Argos… Seu avô. 

  Micky se tornou rei de Argos, ele e Emma tiveram muitos filhos e foram felizes juntos. Ele foi um rei justo e bom, e um valoroso herói. Mas, internamente, não se perdoava pelo que o destino o obrigara a fazer contra o avô…