quinta-feira, 28 de julho de 2016

Oh, Pretty Woman - Capítulo 6 (Norse Mythology)

Boa noite! Hoje, temos um novo capítulo da fic Norse Myth. Espero que gostem. Boa leitura!














      

    Peter assumiu a forma de um homem mortal, e transformou Sally numa garotinha mortal. Desceram pela ponte de arco-íris, Bifrost, em direção a Midgard. Chegaram ao que parecia ser um vilarejo. Mais exatamente, uma feira montada no meio de um vilarejo.
     O deus disfarçado caminhava pelas barracas, a filha segurando sua mão, e as pessoas se perguntavam quem era o belo rapaz acompanhado da linda menininha. Nunca o tinham visto antes. Algumas vezes, ele parava para olhar as frutas e os outros alimentos vendidos. Como deus do crescimento e da fertilidade, decidiu abençoar aqueles comerciantes e seus produtos. Ele próprio os havia prejudicado, com seu mau-humor e tristeza. Era o mínimo que podia fazer. As frutas e as hortaliças ficaram mais vistosas. Os ovos aumentaram de tamanho. O leite ficou mais gordo.
    Até que ele e Sally pararam diante de uma barraca de flores. Mas não havia sinal do dono. Com um rápido gesto da mão, Peter lançou suas bênçãos sobre as flores. Imediatamente elas ficaram ainda mais bonitas e cheirosas. E então, apareceu uma jovem, de cabelos e olhos negros e um sorriso gentil. Peter retribuiu o sorriso da moça.



- Procura algo em especial, senhor? – quis saber a vendedora, em um tom de voz doce. – Um presente para sua esposa, talvez?

- Esposa? Ah, não, eu... Eu sou viúvo. – Peter respondeu, surpreso por estar tão sem jeito diante da florista.

- Oh, sinto muito. – o sorriso dela se apagou um pouco. – Mas o senhor tem uma linda filha. Tome aqui, querida, uma flor para você. – a jovem deu uma flor cor de lilás para Sally.

- Obrigada. – a deusinha sorriu.

- Quanto custa a flor? – Peter estava aliviado por sempre carregar um pouco das lágrimas de ouro de Louise com ele.

- Ah, não, é um presente para essa garotinha tão linda! – disse a florista, alegre.

- Bem, muito obrigado...

- Suzan.

- Muito obrigado, Suzan. – Peter pegou a mão dela e beijou, para surpresa da moça. – Eu sou Peter.

- Peter... Como o deus do verão?

- Bem... Sim. Agora... Eu preciso ir. Vamos, Sally.


    

    Sally deu a mão ao pai, e Peter acenou para Suzan, que retribuiu o aceno, encantada por aquele rapaz tão misterioso. Ele e sua filha pareceram sumir de repente. Suzan vinha pedindo a Louise, a deusa do amor, que lhe desse um amor havia muito tempo. Pegou-se pensando se não podia ser ele, esse rapaz louro tão bonito, que tinha uma filhinha adorável e parecia estar sofrendo muito. Ela imaginou que fosse pela morte da esposa...
    Enquanto isso, nos bosques de Valhala, as valquírias caçavam incansavelmente o pequeno javali de presas douradas que a deusa Louise desejava. Todas tinham o mesmo desejo de matá-lo e ofertá-lo à deusa do amor, de modo a cair em suas boas graças. O javali já estava parecendo cansado. Corria mais devagar e resfolegava. Até que conseguiram acuá-lo.


- Já estou imaginando esse lindo javali numa travessa, servido no banquete desta noite! – exclamou Alana.


          


  No entanto, naquele mesmo momento, o Grande Tony surgiu diante das valquírias.





- Não ferireis este animal, valquírias! – exclamou o deus soberano. – Mesmo que minha filha vos tenha ordenado isso!

- Por quê, senhor, se me permite perguntar? – indagou Felicity.

- Por isso. – disse o Pai de Todos, acenando. E Davy apareceu em sua verdadeira forma aos pés dele, para a surpresa das jovens guerreiras. – Este einherji foi transformado em um javali por Louise, como punição. Mas agora ele será levado para uma masmorra, onde ficará confinado até que se decida qual será seu destino.

 
         
   Davy ainda estava atordoado, mas entendeu que seria preso. E o que seria de Dianna e seu filho? Ele estava disposto a cuidar até mesmo do filho do deus do verão... Se dependesse de Louise, ele nunca mais veria sua amada. Talvez nunca chegasse a ver seu bebê nascer. Porém, admitia que merecia aquele castigo. Ele seduzira Dianna, e por mais que a amasse, sabia que havia sido um erro.
   Se ao menos pudesse ver Dianna uma última vez antes de ser trancafiado na masmorra...     






- Não ouses te aproximar de mim! – gritava Dianna, brandindo seu machado. – A não ser que queira ter teu crânio rachado ao meio como lenha!

- Hohoho, és muito impetuosa. Gosto de mulheres assim. – o deus trapaceiro ria com deboche.


          


   A forma como Noone a olhava estava enojando Dianna. Sabia que ele queria possuí-la, mas como um mero objeto. Ao contrário de Davy ou Peter, ele não queria dar prazer a ela. Não queria fazê-la se sentir amada. Se ele se aproximasse mais um centímetro, cumpriria a ameaça.  Ele deu um passo à frente.




- ÉS SURDO? FICA LONGE DE MIM!

- Não. – respondeu ele, categoricamente, e com um aceno da mão, fez o machado dela sumir.


       


    Noone se aproximou de Dianna, e ela correu para fugir dele. Ele a perseguiu pelo quarto, e enfim conseguiu agarrá-la. Ela gritou, desesperada. Naquele mesmo momento, Louise passava pelo corredor, e ao ouvir o grito, ficou alarmada. Ela conseguiu abrir a porta trancada com magia, e irrompeu no aposento, vendo Dianna deitada no chão, tentando fugir, descabelada e com a túnica rasgada, enquanto Noone tentava mantê-la no chão, segurando-a pelos pulsos.




- Solte-a, Noone! – ordenou Louise, indignada.

- Agora, que finalmente posso ter a mulher que tanto desejo? Nunca! – ele tinha um brilho maníaco nos olhos.

- Solte-a, eu já disse! – bradou Louise, e lançou contra ele o que pareceram ser... Raios solares.


         

    Ele gritou. Sua pele ficou cheia de queimaduras. Mesmo assim, ele voltou a encostar em Dianna, e imediatamente tirou a mão de sua coxa, como se fosse ferro em brasa.




- O que fizeste, deusa tola? – ele olhou furioso para Louise.

- Nunca mais vais poder tocá-la sem que tua pele queime!  É o que mereces por tratar uma mulher como um mero objeto feito para teu prazer! Agora, suma daqui! Já!


            


   O deus das trapaças desapareceu no mesmo momento. Dianna ergueu-se, ainda muito assustada, e olhou com gratidão para Louise.



- Lady Louise, sou eternamente grata à senhora. Se vós não tivésseis chegado e me socorrido...

- Só te ajudei porque nenhuma mulher merece ser tratada desse jeito.  Como um objeto, que um homem pode usar ao seu bel-prazer. Isso é nojento. Mas não muda em nada minha opinião sobre ti, devassa traidora!


        E Louise sumiu, da mesma forma que Noone, deixando Dianna entregue aos seus pensamentos. E cheia de culpa. Ela amava Davy e sabia que não podia fugir disso, mas se arrependia demais por ter aceitado a corte de Peter, sabendo disso, e feito com que ele sofresse tanto. Infeliz, ela começou a chorar. Olhando mais atentamente para o chão, ela viu alguma coisa refulgindo. Pegou o pequeno objeto em forma de gota, e viu que era uma lágrima de ouro. Louise era conhecida por chorar lágrimas de ouro. Ao tocá-la, Dianna viu desfilarem em sua mente várias imagens. Louise chorando pelo desaparecimento de seu marido James, chorando por ver Gerd, o deus da guerra, beijando Alice, uma giganta do fogo. E a valquíria não pôde deixar de sentir uma imensa pena da deusa do amor. Louise conhecia sim a dor de perder uma pessoa amada. Ela sentiu isso na pele. Se Dianna pudesse fazer algo por ela...
             


- Pobre Louise. Você também teve seu coração partido... Talvez até mais do que o meu.

    
        Dianna deitou-se, cansada, passando a mão por seu ventre. Esperava que pelo menos pudesse voltar a ver Davy um dia, mesmo que não pudesse mais ficar com ele,  e que Peter a perdoasse.


           


                            

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Oneshot: Hide Your Love (What If)

Boa tarde! Temos uma nova oneshot no blog. Protagonizada por McGüller e D&D, é um presente meu para a criadora do ship McGüller, minha amiga blogueira Inara Araújo. Eu espero que você goste dessa fic, pois McGüller é um dos meus ships favoritos! E espero que os demais leitores também gostem. Sem mais delongas, boa leitura!







      
  O cavaleiro Gerd Müller finalmente aportava em Newport, em Gales, na residência de verão do rei Anthony e sua família. Ele vinha a mando do rei da Inglaterra, o rei David, para buscar a princesa Louise, sua noiva.
  O emissário foi muito bem recebido no palácio de veraneio do soberano galês. Foi-lhe oferecido todo o conforto que merecia após a viagem de navio. O rei, que estava recepcionando o jovem guerreiro com seu filho mais velho, príncipe Michael, disse:



- Descanse o quanto quiser, Sir. Logo minha filha virá para ser apresentada ao senhor. Creio que a considerará muito digna de seu senhor.

- Oh, sem dúvida! Meu rei certamente desposará uma belíssima mulher!


        

   Lá em cima, a princesa Louise estava indignada com a chegada do enviado do rei para buscá-la.



- Eu não irei com esse homem! Não quero me casar!

- Louise! – sua mãe a repreendia. – Você vai! Deve honrar o compromisso que seu pai firmou com o falecido rei Harry quando você e o jovem rei David eram recém-nascidos!

- Não me importo! Eu já disse, mamãe, se eu me casar, quero que seja por amor!

- Justamente por isso estou colocando em sua bagagem a poção do amor que é a especialidade de nossa família. Eu a bebi na noite de núpcias com seu pai, e você deve fazer o mesmo com o rei David!

- Mas, mãe...

- Louise, chega. Dianna, Odile, coloquem um pouco de juízo na cabeça dela.


      


   Dianna Mackenzie era a dama de companhia da princesa Louise. Ambas eram bastante parecidas. Eram baixas, loiras e muito bonitas. Já Odile Greyhound era a princesa do reino dos francos, e estava passando o verão em visita a sua melhor amiga, Louise.
   As jovens nada disseram em apoio à rainha, pois concordavam com Louise e se sensibilizavam com ela. A rainha Mary desceu, deixando as três moças sozinhas no aposento de sua filha.




- Estou com medo. – Louise confessou, após longos minutos de silêncio. – Vou ter que me entregar a alguém que mal conheço, viver num lugar em que nunca estive antes... Eu não quero. Ao menos você estará comigo, Dianna.


         


       A dama de companhia sorriu timidamente, indicando que estava ali para sua senhora.



- Vou ajudá-la como puder, milady. – Dianna assegurou.

- E eu irei visitá-la no inverno, Louise. Eu prometo. – Odile segurou a mão da amiga. – Ademais, o rei David não deve ser tão ruim assim. Ouvi dizer que ele é um homem pequeno, mas muito bonito, gentil e dono de um coração generoso.

- Mesmo assim. Eu vou me casar com ele por obrigação, e isso me desagrada.

- Sua mãe lhe deu a poção de amor, Louise. – Odile lembrou. – E, mesmo sem poção, é óbvio que ele cairá de amores por você assim que a vir. Você é lindíssima.

- Eu não acredito nessa poção. Não é amor de verdade. Não nasce espontaneamente. – Louise respondeu veementemente. Nem Odile nem Dianna ousaram proferir uma palavra que fosse.

         


  Dianna terminou de arrumar a princesa, e as três garotas desceram para o salão de banquete. Todos se ergueram da mesa quando Louise adentrou o salão, e o cavaleiro Gerd encantou-se com a beleza da jovem mulher. Foi apresentado a ela pelo rei Anthony, e beijou-lhe a mão com muito gosto.
    Louise hesitou em retirar a mão, pois ela também se fascinou pelo cavaleiro. Desejou em seu íntimo que seu futuro marido fosse como ele. Já ele tentou reprimir como pôde a atração que sentia por ela. Afinal, a princesa Louise era a prometida do senhor seu rei, e ele era um simples cavaleiro, ainda que nobre.
    Durante o banquete, conversaram um pouco, e esse pouco de conversa foi o suficiente para plantar uma semente de amor em seus corações. Ambos tinham consciência disso, e tentaram matar o amor logo no nascedouro.
    Mais tarde, Louise retornou aos seus aposentos, e enquanto Dianna a preparava para a noite de sono, revelou a ela o que se passava.



- Estou encantada por esse cavaleiro, Dianna. Como eu gostaria de que o rei David fosse como ele... Talvez assim eu não ficasse tão triste e receosa por me casar.

- Senhorita, eu detesto ter que destruir seus sonhos, mas...

- Eu sei. O que sinto é proibido. Mas sei que um dia você vai sentir o mesmo que eu, Dianna, e vai entender o que quero dizer.



           


   A dama de companhia nada respondeu.  Ao mesmo tempo em que ansiava por amar alguém um dia, temia profundamente que isso acontecesse. Ouviu falar de inúmeras desgraças causadas pelo amor, e algo lhe dizia que esse amor que ela via nascer entre sua senhora e o cavaleiro do rei David também resultaria em algo terrível.
   Na manhã seguinte, todos acordaram quando ainda estava escuro, para cuidar dos últimos preparativos para a partida da princesa. Às seis da manhã, Louise e Dianna estavam prontas e aguardavam nos portões do palácio pelo cavaleiro, com seus baús de bagagem. Odile e a família de Louise se despediam dela, e a rainha disse à filha, em tom baixo:




- Tome a poção e ofereça-a ao rei, não esqueça.

- Está bem, mãe. Não esquecerei. – a jovem respondeu, em tom resignado.


      

  Uma das criadas da rainha, Meg Johnson, que tinha inveja da princesa e desejava arruiná-la, ouviu aquilo e sorriu maleficamente. Aproveitou-se do que havia visto na noite anterior, a forma como Louise e Gerd se olhavam, e enfeitiçou Louise, para que, em um certo momento da viagem, ela bebesse a poção e a oferecesse ao cavaleiro.
   Louise perderia sua pureza, e na noite de núpcias o rei perceberia isso, para a sua desgraça. Imaginar isso causava um prazer sádico em Meg.
   A princesa e sua dama de companhia partiram com o emissário do rei David rumo à Inglaterra. No navio, Louise e Gerd trocaram novos olhares. Dianna percebia isso e tinha medo do que podia acontecer. A noite chegou, e seria servido o jantar. Louise preparou-se com ajuda de Dianna, e tratou de realçar ainda mais sua beleza natural. Não sabia por que desejava fazer-se tão bonita, contudo, ela fazia aquilo por um desejo inconsciente de agradar Gerd. Sem que a dama de companhia percebesse, Louise apanhou em sua bagagem o frasco com a poção e colocou no bolso de seu vestido.
   Eles jantaram juntos, e conversaram muito e amigavelmente. Numa determinada parte da refeição, Louise tirou o frasco de poção de seu bolso, destampou-o e encheu os copos dela e de Gerd com a bebida mágica. Disse:



- Tenho aqui um hidromel muito especial e gostaria de que o senhor o bebesse comigo. – foi assim que sua mãe havia recomendado que ela dissesse ao rei para fazê-lo ingerir a poção. E agora ela fazia aquilo com o cavaleiro sem saber o que estava fazendo.


              

     Gerd concordou, pegando sua taça. Ele sugeriu um brinde:





- À saúde da senhorita e do rei.


      

  Louise também pegou sua taça, brindaram e beberam. No mesmo momento, a poção passou a surtir seu perigoso efeito. Gerd olhou para Louise com olhos ávidos, e ele já não se esforçava mais para reprimir seu desejo pela princesa. Tomou a mão dela e disse:



- Quero que seja minha, princesa.


     

   Normalmente, ela tiraria a mão, muito ofendida, e se afastaria. No entanto, sob o poder da poção como estava, aquela frase não foi um insulto para Louise. Pelo contrário, era o que ela queria ouvir. E respondeu:



- E eu quero ser sua, cavaleiro.


   

   Ouvindo aquilo, Gerd levantou-se da mesa e estendeu a mão a Louise. Ela pegou a mão dele e o conduziu aos seus aposentos. Entraram no cômodo e Louise trancou-o. Nem sequer pensou que Dianna tentaria entrar ali mais tarde para arrumar sua cama.
   Louise deitou-se na cama, e Gerd juntou-se a ela. Beijaram-se e trocaram algumas carícias, que começaram inocentes e aos poucos se intensificaram. Despiram-se, e voltaram a se acariciar. Gerd tocava com cuidado toda a extensão do corpo de Louise, provocando os primeiros gemidos nela. Beijou-a com paixão e indagou:


- Está pronta?


  
  As mãos dela também corriam pelo tórax, os braços e as pernas de Gerd, e com um suspiro, ela disse:


- Sim...
    


  Gerd iniciou as estocadas, e Louise se segurava no corpo forte dele. A velocidade aumentava cada vez mais, e o casal gemia muito. Até que atingiram o máximo do prazer, e se separaram.



- Eu... Não sei o que dizer...  – Louise murmurou.

- Eu sei. Eu te amo, princesa. – Gerd disse, beijando-a ardentemente outra vez.

- Eu... Eu creio que eu também te amo, cavaleiro. – ela respondeu, languidamente.


    

   Dormiram nos braços um do outro, e Gerd só saiu dos aposentos de Louise quando o Sol já nascia. Ela, por sua vez, despertou quando Dianna veio chamá-la.



- Bom dia, senhorita. – Dianna cumprimentou.

- Bom dia. – Louise retribuiu o cumprimento, sorrindo ao se lembrar da noite anterior.


    

   Ela se levantou, trocando a camisola por seu vestido favorito, que realçava seus olhos azuis. Dianna dobrava os lençóis, quando viu a mancha vermelha no lençol imaculadamente branco que forrava o colchão.


- Oh! – ela exclamou com o susto.

- O que foi? – quis saber Louise.

- De onde veio essa mancha? – a dama de companhia apontou para o círculo vermelho vivo.

- Eu... – Louise não sabia o que dizer.

       

      Dianna tirou o lençol da cama e cheirou a mancha. Como ela imaginava. Sangue.



- Está machucada, senhorita? Ou são suas regras? – indagou ela.

            


    A princesa estava tão nervosa que não conseguia dizer coisa com coisa. A única coisa que Dianna pôde entender foi “Gerd”.



- Gerd? O que quer dizer? – a dama de companhia não entendia o que estava havendo.


         

    Chorando, Louise admitiu, em voz tão baixa que era quase inaudível:




- Não sou mais pura. Eu me entreguei ao cavaleiro Gerd.


                

     Dianna ficou boquiaberta.




- Alteza... Como...

- Eu não pude evitar, foi mais forte do que eu. Creio que eu o amo, Dianna.

- Princesa, vai precisar mais do que nunca beber a poção na sua noite de núpcias com o rei.

- A poção... A poção... Agora me lembro. Eu a bebi com Gerd.

- Milady! E agora?

- Casar-me-ei com o rei David sem amá-lo, e nunca o amarei.

- Oh, princesa, eu lamento. Mas por que bebeu a poção com o cavaleiro?

- Eu não sei. Eu não tinha a mínima ideia do que estava fazendo. Mas agora, só posso afirmar que meu coração e minha alma pertencem a Gerd Müller, e que o amarei e esperarei por ele por toda a eternidade.

    

   Dianna não sabia o que dizer. E desejava internamente que sua senhora não fosse vítima de mais uma daquelas histórias sangrentas de amor que chegavam aos seus ouvidos.
   Naquela noite, Louise e Gerd se encontraram mais uma vez. Falaram do amor proibido que começava a crescer em seus corações, e Gerd jurou que encontraria um meio para que pudessem ficar juntos, embora para Louise já não houvesse esperança.
    Após mais uma semana no mar, finalmente aportaram na Cornualha, onde o rei estava passando o verão e se realizaria o casamento. O rei os aguardava no porto. Gerd desceu primeiro e fez uma reverência ao soberano.


- Vejo que não falhou em sua missão, Gerd. – o rei sorriu.

- Não, Majestade. Trouxe sua noiva em segurança. – disse Gerd, se levantando.


       


   Louise desceu do navio, assustada, mas ao mesmo tempo com ar altivo. O rei David gostou dela. Era belíssima, e parecia ser uma mulher doce e inteligente. Julgou que não poderia ter uma esposa melhor.
   E por fim Dianna desceu, colocando-se ao lado de sua ama, de cabeça baixa, como que aguardando a próxima ordem, embora Louise a tratasse como amiga, não serva. Ela olhou para o rei, e encantou-se. Parecia jovem demais para ser um rei. E o coração de Dianna avisou. Era ele. A jovem procurou ignorar. Ele nunca olharia para ela, uma mera criada.
    Mas ele olhou, sem Dianna se dar conta disso. Considerou-a tão bela quanto a princesa, mas muito arredia e tímida. Foram todos para o palácio de verão, e nem Louise nem Gerd conseguiram dormir à noite, pensando em como poderiam viver seu amor a partir daquele momento, com o marido de Louise por perto. Dianna teve também dificuldades para dormir, pensando sem parar nos lábios carnudos e nos olhos grandes e meigos do jovem rei.
     No dia seguinte, todos estavam de pé muito cedo e o palácio estava em polvorosa. Havia um clima de alegria e festividade no ar. Menos para o fiel cavaleiro do rei... E a noiva. Louise achava que tudo estava perdido, e Gerd, mesmo dilacerado entre a fidelidade ao seu senhor e o súbito amor que sentia por Louise, procurava uma maneira para ficar com sua amada. Durante todo o dia eles não se viram, pois Louise ficou se preparando para a cerimônia em seus aposentos. Ela não falava quase nada, e Dianna, mesmo preocupada, respeitou a dor de sua ama.
      Finalmente veio o entardecer, quando o casamento teria início. Louise impressionou a todos com sua beleza, e o comentário geral era de que o rei tinha tirado a sorte grande. Gerd acompanhou a cerimônia com dor no coração.



- Princesa Louise Christina McGold de Gales, aceita nosso senhor, o rei David Thomas Jones da Inglaterra, como seu legítimo esposo, para amá-lo e honrá-lo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?

  

     Louise procurou disfarçar o suspiro antes de responder:



- Aceito.


   

    E Gerd desviou o olhar quando o rei afastou o véu de Louise e a beijou para selar o casamento. Do outro lado da nave da igreja, Dianna fez o mesmo. A festa foi grandiosa, com luxo, excelente comida e muita música e dança.
    Veio o fim da festa, e era a hora em que Louise deveria se recolher para o leito nupcial. Desesperada, lembrou-se de que o rei perceberia que ela não era virgem. E chamou Dianna num canto.



- Dianna, preciso que me ajude.

- É claro, milady. Como?


               

   Louise reuniu coragem e pediu:




- Preciso que me dê alguma ideia de como evitar que o rei perceba que não sou virgem.


                 


      Dianna respondeu prontamente:



- Eu me deitarei com ele em seu lugar.

- Dianna, não, por favor! – Louise pegou as mãos de sua dama de companhia. – Não posso lhe pedir isso. – ela começou a chorar. – Você vai perder sua virgindade. Estará perdida. Não, não vou lhe exigir tamanho sacrifício!

- Não será sacrifício algum... - Dianna sorriu, ruborizou-se e baixou a cabeça.

     
   Louise percebeu que Dianna realmente não via aquilo como um sacrifício. A rainha percebeu ter diante de si uma jovem apaixonada, disposta a tudo por uma noite de amor.
   Contudo, após alguns minutos, Louise aquiesceu. As duas entraram num quarto no andar de cima e trocaram de roupa. Louise colocou o vestido simples de Dianna, e esta vestiu a camisola de seda que Louise deveria usar naquela noite. Desejaram boa sorte uma à outra e Louise foi para o quarto onde Dianna deveria dormir. Pensou em chamar Gerd, contudo, desistiu por aquela noite. No dia seguinte o procuraria.
    E Dianna entrou no aposento do rei, e deitou-se na cama dele. Ele ainda não estava lá. A jovem rezou, pedindo que Deus a perdoasse e que impedisse que o rei percebesse o logro.  Enfim a porta foi aberta, e o rei David adentrou o quarto. Ao perceber a silhueta de Dianna em sua cama, sorriu.
     Dianna corou, ainda mais quando ele se deitou ao lado dela. Seu coração parecia a ponto de sair pela boca. Ele ouviu sua respiração ofegante, e, como forma de acalmá-la, afagou seu cabelo.


- Eu não vou fazer nada que você não queira, prometo. – ele garantiu.

- Majestade...

- Chame-me de Davy. – pediu.

- Está bem... – Dianna concordou, titubeante.



   Davy beijou-a na testa, e Dianna tremeu. Ele percebia o quanto ela estava nervosa, e se sentia mal com isso. Não queria que ela tivesse medo.


- Você está assustada? Tudo bem, eu não a tocarei. Coloco minha espada entre nós.

- Senhor, me perdoe, eu só... Nunca estive tão perto de um homem, nunca fui tocada assim...

- Eu respeito isso. Mas me chame de Davy, eu já disse, Louise.

- O sen... Você é meu marido, Davy. Tem o direito de me tocar.

- Mesmo assim, se você não quer...

- Eu permito. – Dianna disse, veementemente. Apesar do receio, ela desejava o rei.


      


   Davy abriu a camisa e ergueu com cuidado a camisola de Dianna. Tocou suas pernas, e ela tremeu novamente. Contudo, permitiu-se colocar as mãos no cabelo macio dele. Ele a beijou docemente, e para Dianna os lábios dele eram como mel. Sentiu seu coração se aquecer.



- Sua boca tem um gosto mais doce agora do que no momento do casamento, Louise... – ele murmurou.

- A sua... A sua também... – Dianna respondeu, de improviso, surpresa por ele ter dito aquilo. 


       

  As mãos de Davy subiram pelo corpo de Dianna. Pararam na cintura, e ele apalpou-a. Ela arrepiou-se pelo toque.


- Eu ainda a assusto pelo meu comportamento... Tem certeza de que posso continuar?

- Pode... – Dianna respondeu, as várias sensações misturadas não lhe permitiam pensar com muita clareza.

     

   Agora as mãos dele estavam em seus seios, e ele os apertou levemente. Uma sensação estranha de prazer preencheu Dianna, e ela soltou um primeiro gemido.


- Eu te quero, Louise. – ele sussurrou em seu ouvido, sua voz num tom rouco e sensual que aumentou mais o desejo que Dianna sentia.

   


  Cada centímetro de seu corpo clamava por Davy. Foi quando ele chegou ao meio de suas pernas.




- Eu não posso mais aguentar... Preciso... Preciso te possuir. – ele gemeu.


       

    Era chegado o momento. Dianna perderia sua pureza para sempre. Ela tinha medo, entretanto, respondeu:




- Me possua.

       


   E foi o que ele fez. Penetrou Dianna, e ela gemeu com a dor. Preocupado, ele parou.



- Eu te machuquei? Por favor, me perdoe...

- Não... Termine o que começou.

     

   Agora com mais cuidado, por medo de machucá-la outra vez, Davy fez como Dianna ordenou. Ela se segurava nele, trazendo-o para mais perto.



- Louise... Aaaahhh...

- Davy! Aaaahhhhh...


   

    E conforme os minutos passavam, os beijos e os movimentos eram mais rápidos e ardentes. Até que chegaram a um clímax. Gritaram com o prazer, e suas bocas se fundiram em mais um beijo.
  Davy saiu de cima de Dianna,  e a trouxe para perto dele. Dianna deliciou-se por estar nos braços dele. Ele afagou seu cabelo loiro mais uma vez, e quis saber:


- Ainda está com medo, minha rainha?

- Não... Meu rei. – ela suspirou.


   

    Adormeceram aconchegados nos braços um do outro. Quando ainda estava escuro, Davy despertou. Beijou Dianna com doçura e saiu do aposento, para cuidar de seus afazeres reais. Deixou-a dormir. Dianna acordou com os primeiros raios do Sol banhando seu corpo. Ela se tocou toda, recordando a noite anterior. Suspirou. E ansiou pela próxima noite.



- Eu... Eu acho que estou apaixonada... – disse a si mesma, com uma lágrima deslizando por sua face.

       

   Cantarolando, ela saiu com cuidado dos aposentos e foi até o quarto que deveria ser dela, onde a rainha estava dormindo. Abriu a porta devagar e chamou a ama:



- Majestade, já é de manhã.

       

  Louise espreguiçou-se, e sorriu para Dianna.



- Bom dia.

- Bom dia, minha rainha.

     


   Enquanto Louise ainda se espreguiçava, Dianna preparava tudo para a toalete da manhã da rainha. Enquanto realizava o serviço, ela cantarolava baixinho.



- Você está bem alegre esta manhã. - a jovem rainha observou. - Como foi a noite passada?

- Oh, a noite passada! - Dianna exclamou.

- Conte-me tudo! Estou muito ansiosa para saber de todos os detalhes! - Louise disse, encorajadora.

- Ah, bem... Oh, ele é tão bonito, tão gentil, me tratou como... Como uma rainha. E foi... Tão bom. Deus me perdoe... Mas eu me senti nos céus!

- Fico tão feliz por você! E saiba que pode ir aos céus todas as noites.

- Como assim?

- Eu permito que você se deite com meu marido todas as noites.

- Minha rainha, eu não posso... Não é certo...

- Dianna, se você se deitar todas as noites com o rei, eu poderei me encontrar com Gerd! Nós duas conseguiremos o que queremos.

- Não posso concordar com isso, senhora.

- Por quê?

- Ele... Não pertence a mim. Deus não me uniu a ele.

- Uniu, Dianna! Uniu sim! Meu casamento com ele não foi consumado. Ele pertence a você, na verdade.

- Eu...

- Dianna, diga a verdade. Gostou de estar ao lado dele, não gostou?

- Eu... Eu amei estar ao lado dele, Majestade. Se eu pudesse...

- Pois você pode! Eu dou permissão!

- Tenho medo de que ele descubra. Serei tão desgraçada...

- Para ser realmente feliz há que se cometer algumas ousadias, minha querida.

- Eu... Posso mesmo, majestade?

- Pode. Eu já disse que permito. – Louise aproximou-se de Dianna e beijou-a de leve. – Quero que mais tarde leve um recado a Gerd. Diga a ele que me encontre no bosque atrás do castelo, às quinze horas.

- Está bem. Eu direi.


                


   As duas jovens saíram dos aposentos que oficialmente pertenciam à dama de companhia, e se encaminhavam para o salão de jantar. No meio do caminho, encontraram o rei, saído de uma sala onde costumava se reunir com alguns de seus ministros.


- Bom dia, minha amada rainha. – ele saudou Louise, pegando a mão dela e beijando. Louise aceitou o gesto, e Dianna procurou disfarçar o melhor que pôde seu incômodo.

- Bom dia, meu marido. – Louise respondeu, calmamente.

- Precisa de algo mais, senhora? – quis saber Dianna, louca para ficar longe de sua ama e o homem que aprendeu a amar tão rápida e facilmente.

- Por enquanto não, Dianna, está dispensada. Só não se esqueça de cumprir aquela ordem que lhe dei, mais tarde.

- Perfeitamente. – Dianna acenou com a cabeça e se afastou.

- Perdão, srta. Mackenzie, eu não a cumprimentei. – Davy finalmente se deu conta da presença da garota ali. – Um bom dia para a senhorita.

- Para... Para o senhor também, Majestade. – Dianna virou-se, retribuiu o cumprimento, evitando olhar diretamente para o rei, e então continuou andando na direção de que tinha vindo.


         
   Quanto estava prestes a virar para entrar em outra ala do castelo, Dianna olhou para trás. E viu o rei beijando sua esposa. Antes não tivesse olhado. Davy beijava Louise com grande paixão, da mesma forma, Dianna supunha, como beijou a ela própria na noite anterior. Magoou-se com isso. Seguiu seu caminho, tentando aparentar não estar abalada. “Ao menos à noite ele é todo meu”, pensou melancolicamente.
   Mais tarde, Dianna foi levar o recado a Gerd. Conforme Louise determinou, ele foi encontrá-la na floresta atrás do castelo às quinze horas. Quando ele chegou, ela já estava lá esperando.



- Olá, Gerd. – Louise cumprimentou-o com um beijo, acariciando-o na nuca.

- Olá... Minha rainha. – ele retribuiu o cumprimento. – Como foi sua noite com seu marido?

- Não houve noite.

- Como assim? Não se deitou com o rei?

- Não.

- Ele abriu mão da primeira noite? Que estranho...

- Na verdade... Minha dama de companhia se deitou com ele. Somos parecidas... Ele não percebeu nada. Ainda.

- Mas como pôde obrigar sua dama de companhia a fazer isso? Não é certo com a moça!

- Eu não teria permitido... Se não soubesse que Dianna está apaixonada pelo rei.

- Ela está?

- Sim. Ela mesma se propôs a se deitar com ele em meu lugar. Se visse o sorriso dela esta manhã...

- E esta noite, dormirá com o rei, Louise?

- Não. Dianna continuará a se deitar com ele. Ela merece ser feliz.

- Mas, Louise, acha que conseguirão enganar o rei durante quanto tempo? Ele vai perceber mais cedo ou mais tarde. À noite, ele tem uma esposa apaixonada e ardente, e durante o dia, ela é distante. Eu ficaria desconfiado.

- Eu aceitei os carinhos dele esta manhã. Mas de fato... Ele disse que eu parecia um pouco diferente.

- Cuidado, ursinha. Cuidado.

- Eu terei cuidado, Gerd. Mas, quando chegar a hora, eu vou revelar a verdade a ele.

- Enquanto esse dia não chega, quero continuar a ver você, Louise. – ele acariciou seu delicado rosto.

- E continuará, ursinho. Esta noite mesmo.

- Esta noite? Onde?  - ele se empolgou, mas não podia deixar de se preocupar.

- No quarto de Dianna. Eu já dormi lá na noite passada, já que Dianna estava com o rei.

- Poderemos ser vistos.

- De fato. Mas é tudo... Ou nada.


             

  Gerd acabou por concordar. Ficou acertado que ela o esperaria no quarto, após Dianna já ter ido para os aposentos do rei. Ele entraria lá quando os criados já estivessem todos recolhidos.
  O cavaleiro e a rainha se beijaram ardentemente para se despedir.



- Até a noite, ursinho. – Louise acariciou o braço dele.

- Até a noite, ursinha. – ele beijou a testa dela.


                   

     Louise retornou para dentro do castelo. Encontrou o marido.




- Estava passeando no bosque, querida? – ele indagou, beijando a mão de Louise.

- Eu... Estava. – ela respondeu.

- Por que não me chamou? Teria um imenso prazer em acompanhá-la.

- Não quis atrapalhá-lo em seu trabalho, meu marido. – ela improvisou uma resposta, e surpreendeu-se com como era convincente.

- Não me atrapalharia. – ele deu um beijo suave em sua boca. – Ter alguns momentos a sós com você é um alívio.

- Temos a noite. – Louise falou, um pouquinho maliciosa.

- Ah, a noite... Quando de fato sou um rei.


                      

   Ele se aproximou de Louise, e, já que não havia ninguém por perto, beijou o pescoço dela.



- Meu rei... Agora não. – ela tentou se desvencilhar.

- Acho que não vou agüentar esperar até a noite. – ele sorriu.

- Precisa aguentar. – Louise se afastou. – Tenho algumas coisas a fazer e aposto que você também.

- Está bem, eu vou trabalhar. Mas você não me escapa esta noite, Louise!

- De modo algum, meu marido. – Louise sorriu, e foi embora.


               

   Dirigiu-se para o quarto de Dianna. Abriu a porta com cuidado, e viu a dama de companhia sentada diante de sua penteadeira. Ela contemplava o próprio reflexo no espelho, sorrindo. Estava linda, com os cabelos dourados caindo em ondas pelas costas, e um cheiro delicioso e doce recendia no ambiente.



- Desse jeito, o rei não vai resistir... E nem eu. – Louise abraçou Dianna pela cintura e beijou seu pescoço.

- Oh, Majestade, não diga isso. Nunca serei tão bela quanto a senhora. – ela disse, mirando o reflexo de Louise, concentrando-se nos olhinhos de safira.

- Você tem sua própria beleza, Dianna, embora nós sejamos parecidas. – a rainha mergulhou o rosto naquela cascata de cabelos loiros. – Seus cabelos são sedosos, seus olhos são doces como mel, sua pele é macia... E seus lábios... Ah, o que dizer desses lábios carnudos?


                   


    Ao dizer isso, Louise virou o rosto de Dianna e trocaram um beijo envolvente.




- Eu te amo muito, minha senhora. – Dianna sussurrou. – Nada me faz mais feliz do que cuidar da senhora.

- Nada... Exceto estar com Davy. – Louise falou, com um sorriso compreensivo.

- Oh, não, eu creio que, mesmo que eu nunca mais pudesse me deitar ao lado do rei, eu ainda seria feliz se pudesse continuar servindo-a, minha rainha!

- Fico feliz de ouvir isso, Dianna. – Louise afagou seu rosto com carinho. – Mais do que uma criada fiel, você é uma grande amiga... E minha amada. Eu também te amo muito.


                    

   Louise passou a língua nos lábios de Dianna, deixando a jovem enlouquecida. Elas se deitaram na cama que havia ali, onde Louise mais tarde receberia Gerd, e se entregaram ao amor. Amaram-se ardentemente, e logo em seguida ao fim do ato caíram no sono. Quando despertaram, faltava pouco mais de uma hora e meia para o jantar. Dianna e Louise se dirigiram para os aposentos onde ficavam as roupas e a banheira da rainha. Dianna preparou o banho de sua senhora, e, enquanto ela se banhava, arrumou seu vestido e suas jóias. Após Louise ter se secado, ajudou-a a se vestir, se pentear e se enfeitar.
   A jovem rainha juntou-se ao marido no salão de jantar e Dianna foi jantar com os outros criados. Ela terminou de comer o mais rápido que pôde. Correu para o seu próprio quarto. Queria se banhar e se preparar para a noite de amor. Queria estar bonita para o rei, mas principalmente para si mesma. Queria se sentir linda, tão linda quanto sua senhora, e digna de ser amada por alguém como Davy. Depois do banho, ela penteou o cabelo com cuidado e se perfumou. E vestiu-se com a camisola de Louise, como na noite anterior.
    Saiu de seu quarto sorrateiramente, atravessou a ala dos criados, chegou à parte do castelo onde ficavam os aposentos do casal real e entrou também com muita cautela nos aposentos de Davy. Ele ainda não havia chegado. Dianna se deitou na cama e aguardou.
    Nesse meio tempo, Louise também havia se retirado do salão de jantar, e entrou no quarto de Dianna, onde se livrou do vestido e das jóias. Colocou uma das camisolas da dama de companhia e ficou esperando por Gerd.
     Quando Gerd entrou no quarto de Dianna, onde Louise esperava por ele, ele julgou não haver ninguém olhando. Ledo engano. Por uma fresta da porta do quarto que dividiam, três velhas criadas puritanas e fofoqueiras observavam o cavaleiro entrando naquele cômodo, e expressavam sua indignação entre si.




- Toda tímida e meiguinha... Mas mal chegou e já recebe visita do cavaleiro, não é? – uma delas disse, com ironia ferina. – Bela inocência a sua, Dianna Mackenzie!

- Aquela carinha de menina não me enganou! Eu sabia que ela era uma pequena devassa! – exclamou a segunda.

- Ah, se o rei e a rainha souberem disso... Duas pessoas perderão seus empregos... – a terceira tinha um sorriso sádico estampado no rosto.


              

  No quarto, Gerd e Louise trocavam juras de amor, baixinho. Ela afagava o rosto do cavaleiro e o beijava, enquanto ele a apertava mais nos braços fortes.



- Ursinha, você é uma dádiva. – disse ele. – É uma pena que já pertença ao meu senhor.

- Não, eu pertenço a você, Gerd, e somente a você! – retrucou Louise. – Meu amor, meu cavaleiro de armadura brilhante, meu ursinho.

- Você pode dizer que pertence a mim... Mas, Louise, eu tenho muito receio do que pode acontecer se o rei descobrir a verdade. Ele é um homem bom e justo, de fato. Contudo, não queira vê-lo ofendido e furioso. Nunca. O rei David é capaz de coisas nessas circunstâncias que nem mesmo quem convive com ele diariamente consegue reconhecê-lo.

- Você está exagerando, Gerd, o rei não pode ser assim tão cruel quando está com raiva.

- Mesmo assim, não gosto de pensar em como ele puniria uma esposa adúltera. – Gerd suspirou.


                   

   Louise ainda achava que o amado estava exagerando, porém, inquietou-se com algo. Dianna.




- Ursinho... O que ele faria com minha dama de companhia?

- Pobre moça. Também seria punida. E estaria desgraçada para sempre.

- Mesmo que... Mesmo que ele estivesse apaixonado por ela? E ela também o amasse?

- Você acha mesmo que o rei David está apaixonado pela garota, sua dama de companhia?

- Eu tenho certeza! Gerd... Eu não sei o que ela fez, mas ele está louco. Louco de amor. Eu tenho esperança de que, se um dia ele descobrir tudo, poupará Dianna. A coitada não merece sofrer, tudo que ela faz é por amor...


                       

    Nos aposentos do rei...



- Eu sou o mais afortunado dos homens... Porque a tenho como esposa, Louise. – Davy suspirou, aconchegado nos braços de Dianna.

- Eu sou ainda mais afortunada, meu rei. – Dianna afastou os cabelos da testa de Davy e beijou-o ali. – Eu não o mereço.

- Meu amor, a verdade é que nós nos merecemos. – Davy beijou Dianna ardentemente. – Louise, no momento em que a vi, me senti atraído por você. Ontem à noite, tivemos nossa noite de núpcias. E eu soube que você é a mulher que sempre procurei. É doce e meiga, mas também é uma amante ardente. Tudo que eu poderia querer. Eu me senti amado e desejado. E espero que você se sinta assim também.

- Oh, Davy... Eu... Eu me senti assim também. – ela sorriu.

- Só não entendo algo.

- O quê, meu marido?

- Por que não aceitou totalmente os meus carinhos hoje, durante o dia? Mal reconheci minha esposa. Pensei que... Que não me correspondesse de verdade. E isso me entristeceu. Porque eu te amo, Louise. Pode parecer impossível, já que nos conhecemos há poucos dias, mas não.

              

  Dianna não pôde evitar. Lágrimas escorreram por suas bochechas. Apesar de saber que Davy pensava estar se declarando para a esposa, ela sabia que era ela a verdadeira causa daquele amor, pois havia sido ela quem havia passado a noite com ele, feito com que ele se sentisse amado e desejado. E respondeu:


- Eu também te amo, Davy. – ela sorria e chorava ao mesmo tempo. – Eu... Fui mais arisca porque... Ainda estava assimilando o que tinha acontecido ontem à noite.

- Entendo. – ele afagou seus cabelos e a beijou suavemente. – Mas não está mais com medo de mim, eu espero.

- Não. – ela o beijou no rosto. – Na verdade... Eu esperei o dia todo para ficarmos assim, juntos, longe da vista de todos.

- Eu também esperei. – ele a abraçou mais e sorriu.


              


   Fizeram amor, e para ambos foi ainda melhor que a noite anterior. O amor que estava nascendo entre eles, a cada beijo, carícia e movimento, crescia e ficava mais forte. A esperança de Louise de que Davy poupasse Dianna caso um dia ele viesse a saber de toda a verdade, e isso era o que a rainha desejava, se tornava mais e mais provável.




Dois meses depois...



                 

 Os dias passaram. Gerd e Louise dormiam juntos todas as noites, assim como Dianna e o rei. O cavaleiro e a rainha estavam perdidamente apaixonados. Gerd pensava em planos mirabolantes de fuga, contudo, sempre havia algo que poderia impedir a execução do plano. E um dia, Louise deu uma notícia que atrasaria a fuga por no mínimo... Nove meses.
  Fazia alguns dias que Louise vinha se sentindo mal, e nem sinal de suas “regras”.  Dianna cuidava dela com carinho e atenção, ignorando o fato de que ela própria tinha náuseas de vez em quando. Num dia em que Louise estava com muita tontura e enjôo, Dianna fez uma pergunta a ela:




- Senhora, não acha que pode estar...

- Esperando um filho? Sim. E, obviamente, é do meu ursinho. Tenho tanto medo...

- De... Davy perceber que não é o pai?

- Exato. E por falar no meu marido, e você, Dianna? Também não anda se sentindo bem.

- Tenho certeza de que não passa de uma indisposição.

- E quanto a suas regras?

- Ainda não é época de virem.

- Fique atenta quando for, então.

- Ficarei. Se Deus quiser, não estou grávida. – a dama de companhia falou, em um tom de voz que mesclava esperança e incerteza.

- Por que fala assim?

- Porque você tem um marido. Todos acreditarão que ele é o pai de seu filho. Mas eu... Eu sou uma moça solteira. Todos dirão a verdade, por mais que seja cruel. Que sou uma perdida. Que me deito com um homem sem estar casada.

- Dianna...

- Louise, eu sou fraca e tola. Eu não devia ter pedido para me deitar com ele em seu lugar...

- Está brincando? Você mesma admite que ficar com ele todas as noites te faz muito feliz!

- E faz... Mas vou pagar o preço alto disso...


               
  Não demorou muito para Louise chegar à conclusão de que estava mesmo esperando um bebê. A primeira coisa que fez foi contar ao verdadeiro pai.



- Ursinho, preciso te contar algo.

- O quê, ursinha?

- Eu... Eu estou grávida.

                  


      Gerd ficou espantado. Levou alguns minutos para conseguir dar uma resposta.




- Grávida? Você está esperando um filho? Meu?

- É claro que é seu, ursinho! Nunca me deitei com meu marido!

- Meus parabéns, você é a mãe do futuro rei da Inglaterra.

- Eu não. Dianna é.

- Ela está grávida também?

- Não tenho certeza ainda, mas desconfio muito.

- Se ela estiver mesmo... O que você pretende, Louise? Contar toda a verdade ao rei quando as crianças nascerem?

- Seria bom. Dianna poderia se casar com o rei, o filho dela não ficaria sem pai, como ela tanto teme, e...

- Louise. Desculpe-me, mas eu preciso te fazer descer um pouco das nuvens. Eu ainda acho que o rei nos punirá severamente. E se ele não estender a punição à coitada da Dianna vai ser uma sorte.

- Ursinho, você faz um julgamento muito duro do rei David. Eu duvido que ele seja capaz de cometer um ato cruel que seja. Quem sabe apenas nos mande embora...

- Eu ainda duvido, ursinha.

- Ele é um homem bom. Quem sabe entenda... E quem sabe aceite Dianna.

- Vocês, mulheres...

- Veja lá o que vai dizer!


               
  Gerd ficou quieto. Achava que sua amada estava sendo muito leviana em pensar que o rei os deixaria ir embora, simplesmente, se soubesse do envolvimento entre eles. Mesmo que ele, como Louise dizia, estivesse apaixonado pela dama de companhia, Dianna. Por fim, falou:



- Mas de qualquer modo, ursinha... Estou muito feliz! – ele sorriu e a puxou para perto dele. – Vou ficar sempre perto do nosso filho. Sempre.

- Assim como passa a noite comigo, você poderá ver nosso filho à noite, e me ajudar a cuidar dele nesse período. – Louise sorriu.

- Nada me deixará mais contente. – Gerd a beijou suavemente. – E agora? Você vai contar ao rei?

- Não tenho escolha, então vou contar sim. Acho que ele terá a mesma reação que você.


                       

     E de fato teve.




- Meu herdeiro! E tão rápido! – o rei exclamava, fora de si de contentamento.

- Sim. – Louise deu um pequeno sorriso, com as mãos alisando o ventre.

- Será lindo como a mãe, eu tenho certeza. – Davy pegou as mãos da esposa, e beijou.

- Nunca cansa de me elogiar, não é? – Louise riu.

- Nunca. – o rei disse, com um grande sorriso no rosto. – Eu te amo, minha rainha! Tanto que parece que meu coração vai explodir! – e beijou a rainha com paixão. Louise ficava desconfortável com aqueles arroubos, mas procurava disfarçar.


                  


    À noite, Davy estava mais ardente do que nunca. Dianna percebeu o quanto ele estava feliz. Ele indagou:



- Tem certeza de que posso amá-la, Louise? Tenho receio de machucar o bebê. – ele afagava o ventre de Dianna. A jovem não imaginava, mas seu grande temor tinha se realizado. Ela também estava grávida. Logo descobriria isso.

- P-pode... – ela murmurou, pegando a mão de Davy e o beijando apaixonada.


            

      E Dianna foi mais uma vez amada pelo rei, que em decorrência de sua grande felicidade, estava profundamente desejoso. No quarto que pertencia a ela, Louise e Gerd também se entregavam ao amor, furiosamente.
    Findo o ato, após Gerd ter adormecido, Louise refletia. Temia que Davy ficasse desconfiado logo que pegasse a criança nos braços, se ela se parecesse com Gerd. Ou que começasse a se parecer com o pai depois que crescesse. Desejou ardentemente que seu filho nascesse loiro de olhos azuis como ela, e com suas feições.
    Passaram-se alguns dias. E não “havia descido” para Dianna. As náuseas eram cada vez mais fortes.  A dama de companhia não tinha mais dúvidas. O que ela tanto receava tinha se concretizado. Decidiu falar com sua senhora.


- Majestade, preciso falar com a senhora. É algo muito grave. – disse ela, entrando nos aposentos onde Louise costumava ficar durante o dia.

- O que houve, Dianna? – Louise estava preocupada, e tomou as mãos da dama de companhia nas suas.

- Eu... – ela nem conseguia falar, devido às lágrimas.

- Acalme-se, Dianna. – Louise enxugava o rosto de sua amadinha. – Respire. – Dianna obedeceu. – Diga, o que aconteceu?

- Aquilo de que eu tinha mais medo. Espero um filho do rei.


              

    Louise sabia o quanto Dianna não queria que isso acontecesse, pois temia qual seria seu destino e da criança. Mas ela faria o que pudesse para ajudar.



- Oh, Dianna...

- Louise, eu já amo essa criança no meu ventre. Mas sei que o futuro que nos aguarda não é nada bom.

- Calma. Eu vou ajudar vocês.

- Como? Isso não evitará os comentários.

- Não dê importância a eles.

- Como não dar? – os olhos de Dianna brilhavam com as lágrimas. – Todo mundo vai falar de mim como uma perdida... E para piorar, meu bebê é um bastardo.

- Seu filho é o futuro rei da Inglaterra. – Louise afirmou.

- Não. O seu é.

- Eu vou contar tudo ao rei, depois que as crianças nascerem, quando for a hora.

- NÃO! – Dianna gritou. – Não pode fazer isso, senhora!

- Davy vai ter que saber, mais cedo ou mais tarde, Dianna.

- A senhora não pode fazer isso! Se... Se o rei souber que nós o enganamos esse tempo todo... Não quero nem pensar em como ele a punirá. E para mim... Não haverá maior punição do que ele nunca mais querer me ver diante dele.


            


  Mais tarde, Dianna arrumava os aposentos de Louise, quando Davy adentrou o cômodo. Naquele momento, a jovem soluçava baixinho, pensando no que aconteceria a partir do momento em que sua gravidez ficasse visível.



- Srta. Mackenzie? – Davy chamou.

- S-sim, Majestade? – respondeu ela, tentando se recompor.

- A... A senhorita está bem? – quis saber ele, ao notar o tom de voz abatido, o rosto vermelho e os olhos marejados dela.

- Eu... Sim. Foi só um cisco que entrou no meu olho. – ela enxugou os olhos e fungou.

- Tem certeza? Há algo que eu possa fazer?

- Eu estou bem, senhor, não se preocupe comigo.

- Se você diz... Onde está Louise?


               


  Naquele momento, Louise se encontrava com Gerd no quarto dele, e Dianna sabia disso. Respondeu então:



- Está dando uma caminhada no bosque.

- Espero que ela esteja bem. Se algo acontecer a ela e a meu filho, não me perdoarei. Obrigado, srta. Mackenzie. Tem certeza de que está tudo bem? Não há nada mesmo que eu posso fazer pela senhorita?

- Nada, meu rei. – ela voltou a afirmar.

- Está bem... Até mais.

- A-até mais.


                   


  Quando ele saiu do quarto, Dianna suspirou pesadamente. “A única coisa que pode fazer por mim é me aceitar, e também nosso filho, se um dia vier a saber de tudo... Meu amor”.






***

         


   Os dias passaram, e Dianna estava ficando com mais náuseas. Até que um dia precisou pedir a Louise uma folga, que a rainha concedeu de bom grado. Naquele dia, as duas inclusive inverteram seus papéis. Louise cuidou de Dianna.
   Os criados não deixaram passar despercebido.


- Sabem o que aquela menina tem? - indagou dramaticamente Ruth, uma das velhas criadas que dormiam no quarto em frente ao de Dianna. Após uma longa pausa, concluiu: - Está grávida!

- Uma perdida. - disse Edith, sua amiga.

- Deus tenha piedade dessa garota. - concluiu Millicent. - Com alguma sorte, ela não tem consciência da própria devassidão e foi enganada pelo namorado.


      

   Depois de dois dias, Dianna já estava melhor e voltou ao trabalho normalmente. Não estava aguentando ter que deixar sua senhora cuidar dela, em vez de o contrário. Voltou também a dormir com Davy.
   Poucos dias depois, Louise já exibia um ventre saliente, o que amedrontou Dianna, pois significava que faltava pouco para seu verdadeiro estado não poder mais ser disfarçado. E ela temia o que falariam dela, se é que já não estavam falando. 
   Um dia, as três criadas velhas vieram abordar o rei.




- Senhor, pedimos perdão por incomodar, mas temos um assunto urgente para tratar com Vossa Majestade. - falou Edith.

- E o que seria? - quis saber ele, educadamente.

- Diz respeito à criada de sua esposa. - revelou Ruth.

- A srta. Mackenzie? É uma boa criada, não tenho o que me queixar dela, muito menos minha esposa.

- Mas o senhor não está intrigado com a doença dela? - insistiu Millicent.

- Ora, todos podem ficar doentes e isso não tira o mérito de um criado.

- Mas nós acreditamos que o senhor deve pedir explicações sobre essa... "Doença" da jovem ao seu cavaleiro de confiança, Gerd Müller.

       


    E elas foram embora. Davy entendeu o que elas insinuaram. E decidiu falar com Gerd. Se fosse verdade, não podia permitir que ele abandonasse a moça.


- Gerd, preciso muito falar com você.

- Sim, meu senhor? - Gerd fez uma reverência diante do trono do rei, intrigado.

- Gerd, em todos esses anos em que me serviu, quando meu pai ainda estava vivo e também nesses três anos de meu reinado, nunca me deu um motivo sequer para desconfiar de sua honra.

- Obrigado, Majestade.

- Mas agora... Essa confiança foi... Abalada.

- Abalada? Senhor, o que quer dizer?

- Quero dizer, meu caro Gerhard, que deve assumir as suas responsabilidades. Deve saber do que estou falando. E confio que tomará a providência esperada nesse caso. Dispensado.

     

   Gerd foi embora, refletindo sobre o que o rei David disse. Assumir responsabilidades? Tomar providência? O rei devia ter descoberto sobre seu caso com a rainha... Precisava alertar Louise.


- Ursinha... Eu creio que fomos descobertos.

- O que está dizendo, ursinho? - Louise indagou, com os olhos arregalados, enquanto alisava o ventre.

- Acho que seu marido descobriu sobre nosso amor. Ele me chamou, dizendo que em todos esses anos nos quais o servi ele nunca teve motivos para desconfiar da minha honra, e que, no entanto, essa confiança que tinha em mim foi abalada. Mandou-me assumir minhas responsabilidades, dizendo que eu devia saber do que ele estava falando. E que confiava que eu tomasse a providência esperada. Só pode ser isso!

- Ah, meu Deus... - Louise agora alisava seu ventre com movimentos mais rápidos da mão, indicando que estava apavorada. - Você não tem escolha, meu amor. Arrume suas coisas e amanhã diga ao rei que está se autoexilando, já que não é mais digno da confiança dele, devido ao que fez. Se for o que estamos pensando, ele vai se manifestar, e você deve ir. Agora, caso ele se explique e o motivo seja outro, faça como ele ordenar.

- Muito bem... Posso tê-la mais uma vez, caso eu tenha mesmo que partir?

- É claro.

       


     E o casal proibido trocou beijos ardentes, em seguida se deitando na cama. Naquele mesmo momento, Davy estava em seu quarto, com Dianna em seus braços.


- Hoje umas criadas vieram falar comigo sobre a sua dama de companhia, Louise. - disse ele, e em seguida voltou a beijar a moça vorazmente.

- É mesmo? Mas o que ela fez? - Dianna indagou, empostando só um pouquinho a voz. Até mesmo sua voz soava como a de Louise.

- As velhas deram a entender que sua criada está envolvida com meu cavaleiro, Gerd Müller, e que Dianna está tendo essas indisposições por estar grávida dele.

- Entendo... Eu... Não sei se Dianna está envolvida com ele. Ela é uma moça tímida, deve ter ficado com medo de que eu a julgasse mal...

- Eu falei com Gerd. Disse que ele precisava assumir responsabilidades e que tenho confiança de que ele vá tomar a providência adequada. Ou seja, que se case com a garota e assuma o filho dela.

- V-você está certo, querido... - Dianna suspirou. Ser esposa de Gerd? Ah, se Davy soubesse da verdade...

- Mas vamos falar de outras coisas. Sabe o que me faz mais feliz em todo o mundo, Louise?

- O quê, m-meu amor?

- Saber que você é minha, minha, toda minha. - disse Davy, tomando os lábios de Dianna para mais um beijo ardente, e ao mesmo tempo, abaixando a roupa íntima dela. Tocou o ventre dela, que já estava começando a ficar saliente, e fez uma carícia. Dianna não sabia se foi sua impressão ou se o bebê realmente deu um pequeno chute.

- Ah, Davy, eu te amo tanto... - Dianna colocou os braços ao redor do pescoço dele, beijando e sugando um pouco ali.

       

   E a noite seguiu com o rei amando Dianna apaixonadamente e Gerd fazendo o mesmo com Louise. Na manhã seguinte, Gerd se apresentou diante do rei, carregando sua bagagem.



- Senhor, estou me autoexilando. - o cavaleiro anunciou.

- O que está dizendo, Gerd? Você é ainda pior do que eu imaginava!

- Como... Como assim?

- Ora, como assim! Pois se ontem lhe disse para tomar a providência esperada! Você não pode abandonar Dianna Mackenzie nesse estado!

- Dianna... Dianna Mackenzie, meu senhor?

- É claro! A moça espera um filho... Pelo que algumas criadas me disseram, é seu.

     

     Por essa Gerd não esperava! Ao menos não precisava deixar Louise e o filho deles...



- Eu... Eu ficarei e me casarei com ela.

- Assim está melhor. Não poderia admitir que você partisse e a deixasse desamparada.

       


     E Gerd foi procurar Louise. Encontrou-a em seus aposentos, e Dianna estava junto, cuidando de sua senhora.



- É isso. O rei estava pensando em algo totalmente diferente, não tem nada a ver com nosso envolvimento, ursinha. Mas agora... Acho que não tenho solução. - ele olhou para Dianna. - Mas quem poderia ter dito ao rei que sou seu amante, Dianna, e que o filho que você espera é meu?

- Davy me contou, ontem à noite, achando que estava falando com Louise, é claro. Aquelas velhotas fofoqueiras e puritanas que dormem no quarto em frente ao meu. Elas procuraram Davy e insinuaram que temos um caso e que estou grávida de você, Gerd. Elas devem ter visto você entrar no meu quarto qualquer dia desses... Só nem imaginam que quem estava lá dentro a sua espera era Louise, e não eu.

- Se aquelas velhas linguarudas soubessem a verdade cairiam para trás e diriam que somos todos pecadores. - Louise falou, mordaz.




***


         

    Davy e Louise, como casal real, deram a sua bênção ao casamento de Gerd e Dianna. O cavaleiro e a dama de companhia fizeram o máximo para ninguém perceber que não se amavam e que estavam se casando porque não tinham alternativa.
    À noite, após a cerimônia, Louise foi para o quarto de Gerd, e Dianna foi para os aposentos de Davy. Apesar do casamento ter se realizado, as criadas puritanas não achavam que aquilo fosse suficiente.



- Demoraram demais para se casar... Já não bastava a garota não ser mais pura, ainda se casam quando ela já ficou de barriga e não há mais jeito de esconder!

- Devassos... Não sei como o rei e a rainha ainda permitem que os sirvam.

- São bondosos demais. Mas aqueles dois desonrados não merecem tanta bondade assim!

       


       E os dias foram seguindo assim. Quem ouvia os barulhos vindos do quarto de Gerd durante a madrugada julgava que ele e sua esposa estavam se amando, e continuavam a crer que o rei e a rainha eram muito ardentes. E as gestações de Louise e Dianna avançavam.
      A rainha estava mais e mais convicta a cada dia de que esperava um menino, e Gerd estava muito feliz com isso. Contudo, agora parecia que todos estavam de olho nele, para garantir que não fugiria e deixaria Dianna e seu bebê no desamparo. Esta tinha certeza quase absoluta de que dali a três meses seria mãe de uma menina, e desejava que sua filha se parecesse com ela. Se a bebê lembrasse o verdadeiro pai, por mais remotamente que fosse, Dianna estaria perdida.
      Três meses passaram com a rapidez de dias. Louise sabia que faltavam poucos dias para a chegada do seu filho. Estava ansiosa, e ao mesmo tempo temerosa. E se Davy suspeitasse quando pegasse o bebê nos braços?
      E chegou o dia. Louise urrava de dor pelas contrações, e as criadas a ajudavam. Davy estava nervoso, e Gerd, que aguardava no quarto dele, também. Já Dianna estava nos aposentos da rainha, preparando o berço do bebê.
      Finalmente, depois de muito sofrimento, a jovem rainha deu à luz um menino, como ela imaginava. O rei David foi chamado por uma das criadas. Ele estava visivelmente encantado quando adentrou os aposentos e viu o garotinho nos braços de sua mulher.


- Que nome daremos ao nosso filho, Louise? - quis saber ele.

- Eu pensei em... Thomas. - disse ela, sorrindo para o bebê.

- É um bom nome. - disse Davy. - Olá, Thomas. Seja bem-vindo, meu filho.

  



    Louise deixou que o marido pegasse o bebê nos braços, apesar de ter medo que ele percebesse, assim como ela, que o pequenino se parecia com Gerd, e a única coisa que tinha de diferente do cavaleiro era a cor dos olhos. Enquanto Gerd tinha olhos castanhos, o bebê Thomas herdara os olhos azuis da mãe.
    Apesar de aceitar o auxílio das criadas, Louise cuidou de Tommy muito bem. Teve que insistir para que o rei os deixasse e voltasse ao trabalho. Dianna levou o marido ao quarto de sua senhora para ver o filho. Gerd era um homem sério, e que não costumava sorrir muito. O sorriso que se abriu em seu rosto quando viu seu filho foi lindo, e aqueceu o coração de Louise. Desejou que ela pudesse um dia viver com Gerd e Tommy, bem longe do rei David, bem longe de tudo.
     Ao ver a cena de amor entre aquela família secreta, Dianna não pôde deixar de sorrir, e de pensar em como gostaria de que sua filha, que nasceria dali a poucos dias, pudesse ter o amor do pai. Ela sabia que por mais que fossem casados, Gerd não conseguiria amar seu bebê. E Dianna não o culpava. Ele tinha o próprio filho.
     Dali a uma semana, era Dianna quem estava deitada na cama, berrando de dor. Para manter as aparências, Gerd andava de lá para cá, perto do quarto onde a esposa estava. Louise acompanhava sua criada, amiga e amadinha, dando-lhe algumas dicas e segurando a mão dela. Por fim, depois do que pareceu uma eternidade para Dianna, uma das criadas de Louise anunciou que nasceu uma menina. Dianna abriu um grande sorriso. Ela estava certa. Contudo...




- Dianna, você é mãe de gêmeos.

     

   De fato, poucos minutos depois, nasceu outra menina, idêntica à irmã. Dianna estava muito contente. As meninas eram, na verdade, uma mistura entre ela e Davy. Seus rostinhos eram parecidos com o dela, mas os cabelos e os olhos... Herdados do rei. Sem dúvida. Dianna temeu muito que alguém percebesse. Gerd entrou no quarto, aparentando estar o mais feliz possível, e segurando as bebês. Como Dianna desejou que o verdadeiro pai de Cecilia e Rebecca, os nomes com que batizou as gêmeas, pudesse vê-las, pegá-las no colo, amá-las como amava Tommy...
   Um pouco mais tarde naquele dia, o rei veio cumprimentar o cavaleiro pelo nascimento das filhas. Gerd agradeceu, sem jeito, e Dianna quase chorou quando Davy pediu para pegar cada uma das meninas no colo, para dar uma olhada mais de perto.



- Lindas meninas. - ele sorriu. - Vocês estão de parabéns. Quem sabe uma delas um dia possa ser uma boa esposa para o meu filho...

- O-obrigada, Majestade. - Dianna respondeu, pegando Becky dos braços do pai. Ela contava os dias para poder voltar a dormir com ele... Mas agora, com suas bebês para cuidar, seria mais difícil.

    


  Da maneira que puderam, Louise, Gerd e Dianna continuaram com a troca, todas as noites. As duas mães até mesmo amamentavam os bebês uma da outra quando era preciso. E o tempo foi passando. Thomas e as gêmeas se tornaram grandes amigos. E Davy amava o menino de todo o coração, o que deixava Gerd enciumado e furioso. Doía quando ele imaginava que o bebê logo começaria a falar e chamaria o rei de "papai".
  Contudo, conforme Tommy crescia, uma suspeita também crescia no peito do rei David. O menino não se parecia em nada com ele. Tinha os olhos da mãe, sem dúvida... Mas de resto, não se parecia nem com ele, nem com Louise. Parecia-se com... Gerd.


- Deve ser bobagem minha... - ele murmurava. - Eu amo demais Louise e tenho medo de que ela me traia, é só isso...

       


    No entanto, não era somente ele quem andava desconfiado. Peter Noone, um de seus ministros, também. Ele não só percebia que o garoto não se parecia com o rei, como também que o cavaleiro Gerd vivia de olhos fixos na rainha, onde quer que estivessem juntos. Começou a se perguntar se eles não tinham um caso e o menino não era o resultado disso... Coitada da esposa do cavaleiro. Ele próprio andava cobiçando a jovem... Era isso! Se provasse o envolvimento da rainha Louise com o cavaleiro, certamente a mulher de Gerd precisaria de consolo, e o rei ficaria tão desolado que não conseguiria mais conduzir o reino... E ele, Noone, tomaria o poder.
    Noone colocou gente de sua confiança no encalço de Louise, e também no de Gerd. Ambos desconfiavam que estavam sendo seguidos, e marcaram um local diferente para se encontrar durante a tarde, numa velha cabana abandonada na floresta, já fora da propriedade do rei. Era  um pouco difícil chegar lá... Mas seus espiões acabaram descobrindo o esconderijo, e correram para contar a Noone.


- Excelente... - ele sorria maldoso. - Vou pegá-los no flagra!

     

     Noone entrou no escritório do rei, numa certa tarde, e disse, parecendo alarmado:



- Meu rei, há algo que o senhor precisa ver! Urgentemente!

- O quê, Noone? - ele indagou, intrigado.

- Acompanhe-me!




     Enquanto o rei seguia Noone, que andava apressado, ele viu que Dianna também seguia um dos homens da confiança de Noone, Karl Green. Ao ver Davy, Dianna imaginou se o que ela mais temia estava acontecendo.
      Enfim, chegaram à cabana. Dianna sabia que cabana era aquela, e se desesperou por dentro. E Davy se perguntava o que significava aquilo.
     Aproximaram-se da porta, e Noone disse:




- Acho que isso será chocante para o senhor, Majestade. E para você também, Frau Müller.

        


    Noone abriu a porta e se afastou. Davy e Dianna foram até o umbral... E viram. Louise e Gerd, na cama, amando-se furiosamente. Dianna não estava surpresa, mas se encheu de medo. E o rei David, furioso, gritou:



- LOUISE! GERHARD! O QUE SIGNIFICA ISSO?

        


     Gerd imediatamente saiu de cima da rainha, e cobriu os corpos nus dos dois com um lençol.




- Meu marido, eu... - Louise tentava se explicar.

- ACHO BOM VOCÊ TER UMA BOA EXPLICAÇÃO!

     


    Os amantes se vestiram, e eles, Davy e Dianna retornaram ao palácio.  Noone e Karl foram embora. Noone estava bastante satisfeito com o andamento do seu plano.
    No escritório do rei...


- Eu não consigo crer! Meu melhor cavaleiro... E minha mulher! Há... Há quanto tempo estão juntos?

- Desde a viagem de navio da rainha para o casamento. - Gerd confessou.

- COMO? - então ele se virou para Dianna. - E... Você sabia disso, Dianna?

     


     Dianna torcia as mãos e olhava para baixo. Por fim, respondeu:



- Sabia.

- E... Mesmo assim continua ao lado de Gerd? - indagou o rei.

- Eu... Não tenho escolha. - ela disse, em tom resignado. Sabia que seu segredo estava com minutos contados.

- Louise... - Davy olhou tenso para a esposa. - Quando... Quando se entregou a Gerd pela primeira vez?

- Ainda no navio. - ela respondeu, suspirando.

- Mas como? Você era virgem! Vi o sangue que pingou no lençol da minha cama na nossa noite de núpcias!

- Não era eu. - Louise disse.

         

       Davy estava a cada minuto entendendo menos.



- Como não era você? Quem mais seria?

   

      O coração de Dianna parou. Ela reuniu o máximo de coragem que conseguiu e revelou:




- Era eu.

       


      Davy se virou para ela, incrédulo.




- Você? LOUISE, VOCÊ OBRIGOU A SUA CRIADA A SE DEITAR COMIGO? TUDO PARA ENCOBRIR SUA FALTA?

- Não é culpa da rainha! - Dianna protestou. - Eu fiz isso por livre e espontânea vontade. Ela insistiu para que eu não fizesse isso, mas não obedeci. Agi por minha conta e risco.

- Por que fez isso? Por que desobedeceu às ordens da sua senhora? - o rei queria saber.

- Em primeiro lugar, para ajudar minha rainha. E em segundo lugar... Porque eu o amo, Majestade, eu o amo mais do que tudo em minha vida, desde o dia em que chegamos aqui...

       

        Davy olhou para a moça, e perguntou, friamente:



- E depois da noite de núpcias, Louise? Deitou-se comigo?

- Não. - a rainha respondeu, laconicamente.

- NÃO? Então...

- Era eu. Todas as noites. - Dianna esclareceu.

         


      O rei ainda perguntou:



- Mas, se você se deitava com Gerd...

- Eu nunca me deitei com Gerd! - Dianna gritou. - Nunca tive nada com ele! Foi tudo um mal-entendido. Não entende? Eu te amo, Davy! Você  é o pai das minhas filhas!

- E Gerd é pai de Thomas. - Louise disse, por fim.

    

      O jovem rei tentava assimilar todas aquelas informações. Então, sua esposa tinha um caso com o homem em quem ele mais confiava. E soube que nunca possuiu a mulher que amava. Em vez disso... Quem esteve em seus braços o tempo todo foi a dama de companhia dela. O menino que tanto amava não havia sido gerado por ele. Mas gerou, sem saber, as filhas da criada, que o cavaleiro foi obrigado a assumir. E duvidava muito que a moça falava a verdade. Ela não o amava. Deitou-se com ele porque queria algo. Provavelmente suas riquezas.



- E VOCÊS ESTÃO TODOS RINDO DE MIM, NÃO É? ME FIZERAM DE BOBO! DIVERTIRAM-SE ÀS MINHAS CUSTAS!

- Davy, eu... - Dianna se aproximou dele, tentando tocar em seu rosto. Porém, ele segurou o pulso dela e abaixou-o.

- Aposto que não ajudou sua senhora a encobrir a história toda de bom grado. O que é que você queria, hein? Dinheiro? Vestidos? Jóias?

- Amor. Eu queria dar e receber amor. Só isso. - Dianna respondeu, muito vermelha.

- Amor! Boa piada! - ele ria, sarcástico. - Uma mulher como você não sabe o que é amar... RAMEIRAS! AS DUAS!

    


   Foi demais para Dianna. Grandes lágrimas brotaram de seus olhos. Sabia que tinha agido errado. Mas não iria suportar ser julgada daquela forma. Saiu correndo da sala.



- DIANNA! - Louise chamou-a.

         


    Davy pareceu ter ficado horrorizado por fazer Dianna chorar. Entretanto, voltou-se para Louise e Gerd.



- Louise... Você fica. Tommy precisa de mãe. Mas você, Gerd... VOCÊ ESTÁ EXPULSO DO MEU REINO!

- Eu sabia que esse dia ia chegar. - respondeu Gerd, resignado, e saindo da sala.

- Ursinho... - Louise ia atrás dele, mas parou, e lançou um olhar a Davy.

- VAI! PODE IR JUNTO! MAS LEVE O MENINO, SE QUISER FUGIR!

- Eu fico. - Louise respondeu, com voz firme. - Ficar longe de Gerd é punição suficiente.

- Ótimo. Então vá para os seus aposentos e fique lá! Não quero ver você! Nem o menino!

- O menino! Impressionante! Até hoje de manhã, ele era seu querido filho Tommy!

- Tem razão. Era.

        


       Louise saiu, batendo a porta e lançando um olhar furioso a Davy, que retribuiu na mesma intensidade. Ao se ver sozinho no escritório, o rei gritou de raiva, e revirou tudo, socando as paredes.
      Longe dali, na ala dos criados, Dianna estava em seu velho quarto, chorando desconsolada, com Cecilia e Rebecca em seu colo. Até doía olhar nos olhos de suas filhas. Os olhos que elas herdaram dele. O homem que Dianna amava tanto, e que agora a odiava. A ferida em seu coração era grande demais. Ela ouviu uma batida na porta.


- Entre.

          

          Era Louise. Trazia Tommy no colo.



- E aqui estamos nós. Tão sozinhas e perdidas quanto na época em que chegamos. - Louise suspirou.

- Eu fui uma tola. - Dianna fungou. - Por que me voluntariei a fazer aquilo? Por que deixei meu desejo me controlar?

- Eu me faço a mesma pergunta.

- Mas a senhora bebeu o elixir do amor.

- Eu já estava atraída por Gerd antes. Isso com certeza me levou a beber o elixir com ele... A culpa é minha, Dianna.

- Não é totalmente sua, minha senhora. Mas agora, o que vamos fazer? Tudo o que eu queria era pegar minhas filhas e ir embora daqui... Mas é meu dever ficar onde a senhora ficar, e ir aonde a senhora for.

- Dianna, sua lealdade a mim já te colocou nessa situação. E eu vou ficar aqui, pelo meu filho. Ele é muito pequeno para viajar ainda. Mas um dia... Eu vou embora. Se você quiser ir, vá.

- Não! Eu não vou te deixar, Louise!

- Não se preocupe comigo!

- Eu não vou deixar você à mercê do rei! Se precisar de alguém para defendê-la, caso ele resolva puni-la, eu irei defender você!

- Dianna...

- O quê?

- Seu coração está tão partido quanto o meu, não está?

- É claro... Ele não acredita em mim. Não acredita no meu amor por ele. E é por isso que eu queria ir embora. Mas meu dever vem antes.

- Vai embora, Dianna! É uma ordem!

- Eu já desobedeci você uma vez, Louise, e vou desobedecer de novo.

        




        A rainha não quis mais discutir. As duas foram para os aposentos de Louise. Dianna cuidou dela normalmente, e depois voltou para seu quarto com as filhas. Gerd partiu ao anoitecer. Louise dormiu muito mal, e seus sonhos foram permeados por Gerd. Ora sonhos felizes, em que viviam juntos, criando o filho sem preocupações, ora pesadelos, em que ela via o corpo de Gerd decapitado, e sendo obrigada a fugir com Thomas para não ter o mesmo destino.
        Davy adormeceu em seu escritório, num sono pesado e sem sonhos. E Dianna, assim como sua senhora, dormiu terrivelmente mal. Teve somente pesadelos. Davy lhe dizia coisas horríveis, e ria do sofrimento que causava a ela.
       No dia seguinte, as duas mulheres continuaram trancadas com os filhos nos aposentos de Louise. A rainha estava já muito abatida, da noite para o dia. Pálida e com olheiras. Dianna cuidou dela com dedicação.
        Alguns criados descobriram o corpo de Peter Noone e seus asseclas, sem vida, na floresta. Aparentemente, Gerd os matou, num acesso de ira. O rei considerou que a expulsão já era uma punição suficiente para todos os crimes de Gerd. O primeiro dia depois da descoberta da verdade foi muito dolorida para todos. Louise não queria comer nada, por mais que Dianna insistisse. Davy sentia falta da esposa e de Tommy, mesmo sabendo que não era seu filho. E Dianna sofria por ver o sofrimento de sua amada senhora, e também por perder completamente seu amado.
        Os dias passaram. Louise estava mais e mais magra. Sua pele estava quase transparente. As olheiras mais fundas e escuras do que nunca. Era um fantasma da linda jovem que chegou à Inglaterra para se casar. Mal tinha força para amamentar Tommy, e Dianna se dispôs a servir de ama de leite para o menino. E começaram os delírios de Louise.


- Gerd... Por favor, aonde você vai? Me leve junto... Não me deixe aqui sozinha!

- Senhora, Gerd não está aqui... - Dianna passava uma toalha molhada na testa de Louise para baixar a febre.

- Dianna, você não está vendo? Ele está indo embora! Traga ele de volta!

- Eu... Eu não posso...

     

      Dianna estava desesperada. Louise já estava se alimentando mal, estava magra e debilitada e agora estava delirante. Tinha medo de sua amada rainha morrer. Perder mais uma pessoa amada seria demais para ela. Sabia do que sua senhora precisava. E tinha que falar com o rei para obter isso.



- O que quer? - indagou Davy, ao ver Dianna diante de seu trono. Havia semanas que não via nenhuma das duas mulheres, nem nenhum dos bebês.

- O senhor deve mandar Gerd voltar.

- O que está dizendo?

- É isso ou Louise morrerá! Acho que o senhor não vai querer carregar a culpa.

      


     De fato. Ele se sentiria ainda pior se a deixasse morrer. Dianna se afastou.



- Dianna... - Davy tentou chamá-la. Nos últimos dias havia pensado melhor sobre ela. Mas ela o ignorou.

      


     Dianna voltou aos aposentos de sua senhora, e a encontrou semiconsciente.




- Minha rainha, eu tenho boas notícias. - Dianna disse, se ajoelhando ao lado da cama e pegando a mão de Louise.

- Quais? - murmurou Louise, em tom duvidoso.

- Gerd logo estará de volta para você, senhora. Acho que até terão uma chance de ficarem juntos...

- Você acha? - Louise deu um sorriso fraco.

- Acho sim... - Dianna devolveu o sorriso, embora não pudesse ter certeza de nada. Mas valia tudo para animar sua amadinha.

    

      Uma semana passou, e a rainha melhorava, com a perspectiva de ver seu amado. Contudo, Dianna temia que os emissários de Davy não conseguissem localizar o cavaleiro e trazê-lo de volta. Com a demora, Louise voltou a definhar.



- Di... Você disse que ele estava retornando... Onde ele está?

- Calma, Louise. Logo ele virá. Eu tenho certeza.

- Se ele não vier logo eu vou morrer... E eu não posso deixar Tommy...

- A senhora não vai morrer.

- Se eu morrer, promete que vai cuidar do Tommy?

- Louise...

- Promete?

- Prometo. Cuidarei dele como se fosse meu próprio filho.

- Assim fico mais tranquila.


         

      Finalmente, depois de três semanas, numa noite de chuva, Gerd chegou.



- Cá estou eu, Majestade. - Gerd se apresentou diante do rei David, água pingando de suas roupas e cabelos encharcados. - Por que mandou me chamar de volta?

- Louise. Ela está doente e delirante. Dianna acredita que somente seu regresso pode salvá-la.

- Minha ursinha... Onde ela está?

- Nos aposentos dela. - respondeu Davy, calmamente.


        

       Gerd rumou para lá, apressado. Bateu à porta, e Dianna abriu sem demora. O cavaleiro entrou e se sentou ao lado da amada, na cama.



- Ursinha... Ursinha, eu voltei.

- G-Gerd? É você? É você mesmo, ursinho?

- Sim. - ele beijou a mão de Louise. - Voltei para você, meu amor.

- Oh, ursinho! - Louise se sentou na cama e o abraçou forte. Recuperou a força de forma quase instantânea. - Nunca mais vá para longe de mim e do Tommy!

- Foi preciso... Mas acha que Tommy já pode viajar? Quero começar uma nova vida ao lado de vocês dois.

- Ele logo vai fazer dois anos... Mas duvido que o rei permita nossa partida.

- Eu levo vocês dois embora daqui nem que seja às escondidas! Nunca mais ficarei longe da mulher que eu amo e do meu filho!

- Oh, Gerd... - Louise o beijou longamente. Quando se separaram, indagou: - Onde esteve durante esse tempo?

- Eu... Viajei para o norte. Fiquei hospedado em Newcastle, na hospedaria de dois irmãos de sobrenome Mackenzie... São seus irmãos, Dianna?

- Não, meus primos. Então eles estão tocando a hospedaria do tio Hamish? Que bom...

- Sim. Bem, eu vivi razoavelmente bem lá... Mas não era totalmente feliz. Tenho muito que agradecer a uma moça chamada Alice Stone. Sem ela, eu...

- Você o quê, Gerd? - Louise indagou, já se enfurecendo.

- Teria morrido. - respondeu ele, veemente. - Se Alice não tivesse cuidado de mim, eu não estaria aqui agora.

      


       Louise estava ainda enciumada, mas achou que estava sendo egoísta.



- Gerd, eu queria ter podido ir embora com você... Mas temi por Thomas...

- Eu sei, eu entendo, ursinha. - ele a tranquilizou, afagando seu rosto. - Eu estava tão infeliz... Imaginava o que o rei poderia ter feito a você e a Thomas. Cheguei a desistir de viver. Só não pus fim a minha vida porque Alice me fez ver que ainda valia a pena.

- Gerd... Você a amou? - Louise derramou uma lágrima.

- Eu... Sim. Foi um processo natural. Nós éramos amigos, e ela cuidou de mim no meu período de crise. Surgiu esse sentimento. Mas eu nunca parei de pensar em você e no nosso filho. Nunca.

- Você... Você voltou por que quis? Ou teve pena de mim e na verdade queria ficar com Alice?

- Louise, eu amei Alice, mas não cogitei me casar com ela. Eu contei tudo a ela, e ela compreendeu. Eu ia partir para a Alemanha, disposto a começar uma nova vida, solitária, quando os emissários do rei David me acharam e disseram que o rei havia mandado que eu regressasse. Mas não me disseram que tinha a ver com você. Somente quando cheguei o rei me informou a verdade. Dianna, eu sou muito grato a você por cuidar da minha ursinha.

- Não precisa agradecer. Faço isso com muito gosto. - Dianna sorriu.

    


     Ela pegou as filhas e saiu do quarto, para dar privacidade ao casal reunido. Dianna foi para o próprio quarto. Fez as filhas dormirem e ela própria se deitou em seguida. Mas não conseguia dormir. Ao ver Louise e Gerd juntos, tão felizes, ela se lembrou dos tempos em que podia se deitar com seu amado rei. Mas agora ele não a aceitaria nunca mais.
    Tinha que admitir: nos tempos em que estava ocupada cuidando de sua rainha, mal pensou na falta que sentia de Davy. Agora que Gerd havia retornado e ela finalmente podia descansar, pegou-se pensando nele outra vez. Era doloroso demais.
    Sentia falta dele, de sua voz dizendo palavras doces para ela, de sua boca ávida, de seu corpo pressionado ao dela. Por algumas horas por dia, ela era a mulher mais feliz do mundo. Podia dar e receber amor, sem medo. E agora... Ele pensava que ela fez tudo aquilo para se aproveitar dele. Como poderia fazê-lo ver que ele estava errado?
     E havia a necessidade urgente. Dianna antes era uma garota temente a Deus, temente de sua própria sexualidade. Mas desde que deixou de ser virgem, soube que algo tão bom não podia ser um pecado. O amor é a coisa mais importante, e ela sabia que havia amor naquele ato. Logo, não podia ser errado. Deus deveria ficar ofendido com outras coisas, não aquilo. Ela se acostumou a isso, se tornou algo natural, e agora estava desesperada para saciar sua vontade. Mas como...?
     Ela não teve escolha. Satisfez a si mesma, como pôde. E imaginou Davy ali.


- Oooh... - ela gemia baixo, com medo de acordar as filhas. - Davy... Se você soubesse... Aaaah, meu amor... Meu rei... Por que não me entende? Não me aceita?






    O que ela não imaginava era que Davy estava do lado de fora do quarto, ouvindo. Ele tinha despertado, e começou a andar pelo palácio. Ao ouvir a voz de Dianna, foi atraído. E ao ouvi-la chamá-lo daquele jeito, percebeu o quanto tinha sido mau para ela. Arrependeu-se. Pensou em entrar no quarto e dar ele mesmo o prazer que ela buscava. Contudo, recuou. Podia ser que ela não aceitasse, ou pensasse que ele queria enganá-la. Mesmo assim, precisava achar um meio de pedir perdão. Embora tivesse quase certeza absoluta de que seria ela quem o rejeitaria agora.
    Demorou, mas o jovem rei percebeu que ele não amava a jovem que lhe foi dada como esposa, que ele viu descer do navio no cais naquele dia. E sim, a mulher que o recebeu no leito nupcial. Ela lhe deu amor, retribuiu o ardor dele. E como ele agradeceu? Chamando-a de rameira! Ademais... Ela teve filhas. Filhas dele. O que podia fazer?
   No dia seguinte, Gerd apresentou-se diante do rei logo cedo, ladeado por Louise, que carregava o pequeno Thomas no colo.




- Majestade, eu vim fazer um pedido.

- Faça, Gerd. - disse o rei, em tom tranquilo.

- Eu... Gostaria de pedir permissão para levar Louise e nosso filho comigo. Sei que nem eu nem ela somos mais bem-vindos junto ao senhor.

- Eu... Eu os perdoo. Mas, se desejam ir embora e recomeçar suas vidas longe de meu reino, vocês têm esse direito.

- Nós... Nós podemos? - os olhos de Louise brilharam.

- Sim. - Davy deu um pequeno sorriso, sem jeito. - Podem ir. Podem ir para o exterior e se casar, já que ninguém os conhecerá. Mas, Louise...

- Sim?

- Posso... Posso pegar Tommy no colo e beijá-lo uma última vez?

- P-pode. - respondeu Louise, dando Tommy para seu marido segurar.

    


     O rei David acariciou o cabelinho do menino, sorrindo. E beijou-o na testa. Olhou no fundo dos olhinhos azuis da criança e a devolveu à mãe, tentando segurar as lágrimas. Louise percebeu, e viu o quanto Davy ainda amava Thomas, mesmo sabendo que não era seu filho.




- Bem... - o rei murmurou. - Podem... Podem ir arrumar suas bagagens.

       



      Louise e Gerd aquiesceram. Louise foi até seus aposentos, onde encontrou Dianna, que nunca parava de trabalhar, dobrando lençóis.


- Dianna, tenho uma notícia.

- Qual, senhora? - indagou a dama de companhia.

- Gerd e eu vamos embora. O rei deu permissão. Finalmente vou poder ficar ao lado do meu amor, e vamos criar nosso filho juntos! - o sorriso de Louise era lindo de se ver.

- Eu fico tão feliz pela senhora! - Dianna abraçou a rainha. - Eu... Vou preparar minha bagagem e a das minhas filhas.

- Do que está falando, Dianna?

- Ora, nós não vamos partir?

- Gerd e eu vamos. Você fica aqui.

- Eu? Louise, já disse que a seguirei aonde for!

- Você precisa ficar aqui. Cuide de Davy por mim. - Louise sorriu, afagando o rosto de Dianna.

- Ele não quer meus cuidados. - Dianna disse, abaixando a cabeça.

- Ele... Mudou. Acredito que agora vai aceitar seus cuidados... E seu amor. - Louise sorriu mais uma vez para a amada e deu-lhe um envolvente beijo.

     


    Mesmo assim, Dianna não estava disposta a obedecer à sua senhora. Iria embora do palácio sim. Começou a preparar sua bagagem e arrumou um cestinho para acomodar suas bebês.
    No meio da tarde, uma carruagem aguardava Louise, Gerd e o filho no pátio do palácio. Dianna descia as escadas, puxando o baú com uma mão e carregando o cesto das filhas na outra. Ao chegar às portas do palácio, viu Louise adentrar a carruagem, e Gerd a esperava lá dentro. A dama de companhia estava prestes a sair, quando uma mão a deteve. Ela se virou para o dono daquela mão.


- Por favor, não vá embora. - Davy pediu.

- Por que eu deveria ficar? - Dianna retrucou, irritada. - Você me desprezou, me chamou de rameira, e ainda insinuou que me deitei com você durante todas aquelas noites porque queria algo. Quando revelei a verdade sobre minhas filhas, você não disse nada. Não acreditou quando abri o coração e falei o que sentia. Sinto muito, mas aqui eu não fico.

     


        Dianna ia saindo, mas a carruagem já era um pontinho no fim da estrada.




- Ah, não! Não!

- Parece que agora você não tem escolha. - Davy deu um pequeno sorriso malicioso.

- Nem pensar! EU VOU EMBORA DAQUI!

- Dianna, por favor!

    


       Davy se ajoelhou diante de Dianna, tirando sua coroa e então pegando as mãos dela. Ele falou, em tom suplicante:





- Não me deixe. Você é tudo que me resta.

- Eu? Você mesmo não me quis na sua vida, quando soube a verdade.

- Eu estava errado! Eu admito. Estava fora de mim naquele dia. Fiquei tão exasperado, meu coração estava partido, então disse várias coisas que não devia. Nenhum de vocês merecia ouvir aqueles insultos, especialmente você, Dianna. Eu percebi, depois de uns dias, que era você quem eu amava. Porque quando vi Louise, eu senti atração física por ela. Mas eu me apaixonei pela mulher que me recebeu no leito nupcial. Que me deu amor, e correspondeu à minha paixão. Eu sou louco por essa mulher... Por você. Por favor, me perdoe. Eu não mereço, mas...

- Davy... Você me machucou demais. - Dianna não conseguiu segurar o choro.

- Por favor, não chore. - Davy afagou o rosto dela, que ficou muito surpresa. - Eu não quero te fazer chorar nunca mais, Dianna. Dê-me uma chance de consertar tudo.


      



     Dianna ia dizer algo, quando ela ouviu o chorinho de uma de suas filhas. Descobriu o cesto e pegou Cecilia.



- Shhh... Não chore, Cece. Tudo bem. A mamãe está aqui com você. - e beijou a filhinha.

      


   Davy olhou para a menininha nos braços de Dianna. E viu nela algo que tanto buscou em Tommy, em vão: a semelhança com ele. A pequena tinha os olhos dele. Sorriu, e indagou:


- Dianna, posso... Posso pegar a bebê? Cecilia, não é?

- Sim... Pode pegar a Cece.

   


     O jovem rei pegou a criança com muito cuidado, e ao ir para o colo do pai, Cecilia parou de chorar.




- Parece que ela se acalmou. - Dianna falou, sorrindo um pouco.

- Sim. - Davy retribuiu o sorriso. - Minha filhinha.

- Não se esqueça que eu tenho... Nós temos a Becky também.

     

     Dianna descobriu o cesto mais uma vez, mostrando Rebecca, que dormia tranquila, ao pai, que parecia encantado com suas filhas.


- Quero começar uma nova vida com você e nossas filhas, Dianna.

- Está sendo sincero, Davy?

- É claro. - ele se aproximou, abraçando Dianna e beijando, para a surpresa dela.


        
         O casal foi para os aposentos de Davy, levando também as filhas, que foram acomodadas no grande berço de Tommy. Lá, Dianna e Davy reviveram a noite de núpcias, e foi ainda mais prazeroso para eles.
         Gerd e Louise foram para a França, e de lá para a Alemanha, onde finalmente puderam se casar. Um ano depois de seu casamento, Louise deu à luz mais um menino, Oliver. Mas a prole do casal ainda aumentaria muito...
          Na Inglaterra, com a anulação do casamento de Davy e Louise e o de Dianna e Gerd (considerou-se que o cavaleiro e a rainha fugiram), Davy e Dianna podiam se casar novamente. O jovem rei tratou de tornar a ex-dama de companhia sua esposa o mais rápido possível. Na própria noite de núpcias, Dianna e Davy conceberam seu terceiro filho, um menino chamado Henry.
          Longe de olhares bisbilhoteiros, na cabana da floresta, Louise e Gerd às vezes vinham visitar o rei David e a rainha Dianna. Os casais e seus filhos viviam em perfeita harmonia, e até mesmo futuros romances começaram a surgir...

          E assim, uma história que poderia ser mais um daqueles sangrentos melodramas amorosos acabou muito bem para todos os envolvidos.