sábado, 30 de dezembro de 2017

Oneshot: I'd Do Anything For Your Smile (Fairy Tale)

Boa tarde! Depois de meses sem postar (esse ano foi fraco de escrita), eu posto uma nova oneshot. Mais uma da série Fairy Tale, inspirada em O Pequeno Alfaiate Valente. É curtinha, mas eu não ia terminar 2017 sem postar nada! Espero que quebre um galho. Um bom final de ano e boa leitura! 



    O jovem alfaiate Davy Jones passeava pela cidade com seus amigos Mike Nesmith, Micky Dolenz e Peter Tork, também jovens e modestos comerciantes. Eles conversavam animados. Até que ouviram uma voz ordenar:



- Afastem-se! Abram caminho para a carruagem da princesa!


       Eles foram para o calçamento. E uma bela carruagem, puxada por duas parelhas de cavalos baios, passou. No assento da carruagem, majestosa, estava a princesa Dianna, a filha do rei Lawrence. Era uma linda donzela. Tinha longos e sedosos cabelos louros, grandes olhos castanhos e um sorriso tão luminoso que talvez até pudesse cegar.
         Davy estava paralisado diante de tão doce visão. Seus amigos zombavam dele.



- Parece até que Davy viu um fantasma! – Mike riu.

- Um fantasma não, um espírito! – falou Micky.

- Um espírito do amor... Uma Graça... – disse Peter, que era dado à poesia greco-romana clássica, a qual ele lia em livros emprestados da biblioteca da cidade.

- Me deixem em paz! – Davy reclamou. – Mas, de fato... Ela é tão bela... Mas nunca vai olhar para mim. Sou só um alfaiate. Eu faria qualquer coisa para que ela sorrisse para mim... Até mesmo matar um gigante!

- Essa eu quero ver! – os amigos riram ironicamente.

- Um homem apaixonado tem a força de milhares! – Davy retrucou.





***

        De volta à sua alfaiataria, Davy pôs-se a trabalhar. No entanto, as moscas o infernizavam. Afastou-as com uma mão, depois a outra, mas não teve sucesso. Elas vinham de todas as direções. Por fim, resolveu acertá-las com as duas mãos. E sete moscas caíram no chão.


- Uau! Sete!


               Ele abriu a janela de sua alfaiataria para contar seu “grande feito”. E, no mesmo momento, dois homens conversavam:


- Você já matou um?

- Eu não!

- Eu matei sete com um golpe só! – Davy exclamou, orgulhoso, mesmo sem saber exatamente do que os homens falavam.

- SETE?! – os homens olharam para ele com espanto.


     Davy sorriu em confirmação, mas então os homens saíram correndo. E o jovem alfaiate baixinho ficou sem entender nada. Enquanto isso, se espalhavam pela cidade os boatos de que um jovem e pequeno alfaiate era capaz de matar sete gigantes com um golpe só...

***





            Davy estava fazendo uma bainha quando seus amigos entraram como um furacão na alfaiataria.


- Davy, você precisa vir rápido!- disse Mike.

- Eu? Mas eu estou cheio de encomendas!

- Mas é o rei que está te convocando! – Micky exclamou.

- O rei?! – o pequeno alfaiate arregalou os olhos.

- Sim, Sua Majestade, o rei Lawrence. – Peter falou. – Agora vamos!

     


        Pouco depois, Davy estava na sala do trono, diante do rei Lawrence, sua esposa, a rainha Susan, e seus dois filhos: o príncipe Giles e a princesa Dianna.


- Então, meu rapaz... – começou o rei, chamando a atenção de Davy. – É verdade que você matou sete com um só golpe?


     Davy ficou nervoso. Deu uma olhada rápida para a bela princesa, e viu os olhos dela fixos nele.


- Bem... Sim, Majestade, isso mesmo! – Davy falou, tentando parecer empolgado, embora não entendesse por que o rei estava tão impressionado por ele matar sete moscas com um só golpe.

- Mas como? – indagou a rainha.

- Bem... Eu estava sozinho. Eu vi quando chegaram, e percebi que estava cercado. Estavam aqui, ali, em toda parte! Uma porção deles! Vinham da esquerda, da direita! A luta começou. Eu ataquei! Estavam bem em cima de mim! E então, eu acabei com eles! – e ele fez um floreio com a tesoura.

   
    Os cortesãos aplaudiam e davam hurras. A rainha e a princesa pareciam impressionadas, mas não podia se dizer o mesmo do príncipe. Com gestos da mão, o rei pediu silêncio, e inquiriu:


- Valente alfaiate, qual é o seu nome?

- D-David Jones, Majestade.

- Meu caro David Jones, eu o nomeio o matador oficial do gigante!

    

     Davy ficou espantado. Quem poderia ter dito ao rei que ele era um matador de gigantes?


- G-gigante? M-mas, M-Majestade... Eu não posso... – Davy resolveu começar a explicar que era um mal-entendido.

- E sua recompensa será uma saca de moedas de ouro!

- Oh, não, senhor, muito obrigado, mas eu não posso aceitar! – Davy protestou.

- Duas sacas! Três! Quatro... – e então o rei olhou para o seu lado direito... Onde estava o trono da princesa. – E o meu mais valioso tesouro: a mão da minha filha Dianna em casamento!

    

     A princesa olhou para Davy e deu o mais lindo dos sorrisos. O rapaz corou como um rubi, e arregalou os olhos. Por essa ele não esperava!


- A... A mão da princesa?! – ele não acreditava.

  
   Dianna levantou-se de seu trono e caminhou até ele. E fez algo que ninguém esperava: cobriu o rosto do alfaiate de beijos. Davy estava até um pouco tonto quando ela o soltou, mas exclamou:


- Não se preocupe, Majestade! Eu acabo com esse gigante com uma mão nas costas!

- Muito bem! – o rei estava muito contente. – Você vai passar a noite aqui. Vou lhe fornecer todo o armamento de que precisar. E, uma vez que você tenha acabado com o gigante, marcamos a data do casamento!

       À noite, houve um belo banquete para comemorar a escolha de um campeão para enfrentar o terrível gigante que ameaçava a cidade. Davy não conseguia acreditar na sua sorte. Estava temeroso, mas não podia deixar transparecer naquele momento.
      Então, veio a hora de se recolher. Quando Davy ia para o quarto em que passaria a noite, ele sentiu que foi puxado para um canto escuro do corredor onde ficava o aposento. Era a princesa.


- Alteza! – ele exclamou, assustado.

- Desculpe, meu amor. – ela disse, dando uma risadinha. – Eu não quero que ninguém nos veja. Eu só queria... Bem... Te desejar boa sorte.

          E ela o beijou ardentemente. Davy sorria como um bobo quando ela o soltou.


- Eu espero ser digno do seu amor, Alteza.

- Me chame de Dianna. E não se preocupe, David, eu sei que você vai conseguir. – ela acariciou o rosto dele. – Você é meu he... Ou melhor, o herói do reino.

- Pode me chamar de Davy. – ele sorriu. Esperava que a princesa estivesse certa.

- EI! QUE DESPUDOR É ESSE? – era o irmão da princesa, o príncipe Giles.

- Eu só estou abraçada com meu noivo, Giles. – disse Dianna ao irmão, ríspida.

- Ele ainda não é seu noivo, Dianna. Só depois que ele matar o gigante... O que eu duvido. Não sei como conseguiu enganar meus pais e a minha irmã, pivete, mas a mim você não engana não! – o príncipe esbravejou. – Eu vou pagar para ver você derrotar esse gigante! E depois que ele morrer, não diga que eu não avisei, maninha! Agora, vá dormir!

- Você não manda em mim, Giles! – a princesa resmungou. E, para provocar o irmão, ela deu um novo beijo ardente em Davy. – Boa noite e boa sorte, meu lindo noivo.

     
      E entrou no quarto. Giles olhou Davy de alto a baixo e também entrou em seu quarto. Por fim, Davy entrou no quarto destinado a ele. Precisava pensar num plano.

                   

                                                        ***


        De manhã, Davy tomou café na companhia do rei e de sua família. O rei e a rainha eram simpáticos com ele, o príncipe olhava com desconfiança, e a princesa... A princesa era só sorrisos.
        O rapaz estava com medo de fracassar. Porém, não se preocupava se o rei o mandaria prender ou executar, ou se ficaria sem a saca de moedas de ouro. Só uma coisa o preocupava: decepcionar a princesa. Se falhasse, a princesa Dianna não seria mais sua futura esposa. Ele não só provaria não ser digno dela, como também partiria seu coração. E não conseguia imaginar aquele rosto estampado com a mágoa, em vez do sorriso encantador.
      Pegou as armas que o rei lhe forneceu e saiu do castelo, deixando uma multidão que o aplaudia e incentivava para trás. Mas ele olhou para apenas uma das pessoas: Dianna, que acenava para ele com um lenço imaculadamente branco do alto de uma das torres. Ela jogou um beijo, e Davy teve certeza de que, se não estivesse de elmo, todos veriam seu rosto corado.
      Os portões do castelo foram fechados. Agora o jovem alfaiate só podia contar com as armas dadas pelo rei Lawrence e com sua própria inteligência para derrotar o terrível gigante. Ele se afastou do castelo, contemplando as grandes muralhas de pedra e a pesada porta de folha dupla.


- É isso, Davy. – ele disse a si mesmo. – Ou você dá um jeito de liquidar esse gigante, ou você vai apodrecer numa masmorra. E o que é pior, Dianna nunca mais vai olhar na sua cara.

         

        O rapaz respirou fundo e desembainhou a espada que o rei havia lhe dado.



- Eu fiz uma promessa. E vou cumprir. Por minha honra... E pela princesa Dianna!

       

        Sentindo-se ligeiramente mais confiante, Davy caminhou até onde supostamente poderia encontrar o gigante. Estranhamente, nenhum sinal da monstruosa criatura. O que era pouco comum para um gigante. Até que... A terra começou a tremer. E o céu escureceu. Mesmo as pessoas e os animais nas colinas mais distantes começaram a sumir.
        O gigante se aproximava. Davy procurou um lugar para se abrigar. E resolveu se esconder num canteiro de abóboras próximo. Dali, Davy pôde ver o gigante se sentar no chão, provocando um terremoto, e recostar-se numa pedra. Então, para o desespero do rapaz, o gigante dirigiu sua atenção para as abóboras, agarrando várias delas e jogando dentro de sua imensa boca. Por pouco Davy não foi agarrado e transformado em almoço de gigante.
        E foi se proteger dentro de um poço. O balde era grande o bastante para que o pequeno alfaiate coubesse ali de cócoras. Contudo... O gigante agarrou o poço e o arrancou do chão. “É o meu fim...”, pensou o rapaz. Então, quando estava prestes a ser engolido, Davy teve uma ideia desesperada. Agarrou-se à úvula do gigante. O rapaz pendurado na sua “campainha” fez com que o gigante soluçasse...  E o expelisse. Agarrando-se dessa vez à corda do poço, Davy teve uma ideia: costurar o gigante.
         Usou a corda do poço para pular para fora e pousar na cabeça do gigante. Pegou agulha e linha na bolsa presa ao seu cinturão. Amarrou um pouco do cabelo do gigante com a linha e pulou por todo o corpo dele, costurando sua roupa de forma que seus braços e pernas ficassem impedidos. E assim o gigante foi ao chão.
         Com o impacto, o gigante bateu a cabeça. E foi fatal. Davy não podia acreditar no que tinha feito.



- Eu... Eu consegui! – ele exclamou, espantado. – Vou poder me casar com a princesa!

           

           Ele correu até o castelo, e anunciou ao rei, assim que foi admitido no salão do trono:


- Majestade, eu consegui! O gigante está morto!

- Eu sabia que podia confiar em você, sr. Jones. – o rei sorriu.

- Meu pai, se me permite fazer um comentário... – interveio o príncipe Giles.

- Permissão concedida, meu filho.

- Eu gostaria de ver o corpo do gigante. Para ter certeza de que esse rapaz não está nos enganando.

- Tudo bem... – o rei suspirou. – Vamos lá... Se o senhor concordar, sr. Jones.

- Perfeitamente, meu rei.  – Davy disse.

         


       Ele levou toda a corte até onde estava o corpo do gigante. O príncipe Giles ficou muito contrariado ao constatar que, de fato, o jovem alfaiate havia liquidado o gigante, e assim, se casaria com sua irmã.
       Dianna, por outro lado, era só felicidade. Abraçou e beijou Davy diante de toda a corte. Dali a poucas semanas, realizou-se uma bela cerimônia de casamento, com muita pompa e circunstância.
       E foi assim que um jovem e pequeno alfaiate se tornou um dos mais altos dignitários de todo o reino, além de ganhar uma bela esposa apaixonada por ele, e que ele também amava muito.