Bom dia e feliz Natal! Hoje temos uma oneshot que eu quero escrever há muito tempo: uma versão do conto "O Presente dos Magos" com D&D. Espero que gostem, boa leitura!
Era véspera de Natal e o jovem casal Davy e Dianna Jones tomava café da manhã às pressas.
- Hoje vai ter muito movimento na loja. - disse Davy, engolindo uma torrada com geleia de morango. Ele trabalhava em uma loja de discos de dia e tocava com a sua banda, os Monkees, em clubes noturnos, festas universitárias e casamentos.
- Lá na livraria também. - Dianna bebeu seu café quase de um gole só. Além de ter seu emprego em uma pequena livraria, Dianna escrevia poemas e contos nas horas vagas, que enviava para revistas e editoras, mas até então não tivera sucesso.
- Bom, preciso ir. - Davy se levantou e beijou Dianna rapidamente, mas com doçura. - Até a noite, meu amor.
- Até a noite, querido. Logo vou sair também.
Aquele era o primeiro Natal desde que se casaram. Dianna e Davy se amavam e eram felizes. Só havia um pequeno problema, que nem sempre os incomodava: não tinham muito dinheiro.
Mas, naquela véspera de Natal, a falta de dinheiro era o maior problema de todos. O casal gastara todas as suas economias para pagar as contas e garantir uma ceia decente, e não sobrara nada para presentes.
Pela janela do ônibus, a caminho do trabalho, Davy viu a vitrine de uma joalheria. E bem ao centro dela havia uma linda fivela de ouro com brilhantes cor de rosa. Ao vê-la, só conseguiu pensar em como aquela fivela reluziria nos lindos e longos cabelos dourados de Dianna. Seria um presente perfeito para sua amada esposa. Mas jamais teria dinheiro para comprar aquilo…
A livraria onde Dianna trabalhava ficava mais próxima da casa do casal Jones, e ela caminhava até lá todos os dias. No trajeto, ela passava por outra joalheria. E naquele dia uma bela corrente de ouro estava exposta na vitrine. Dianna pensou no relógio de bolso de Davy, o único bem de valor que ele tinha. Pertencera ao seu avô e ficava atado a uma tira de couro velha e gasta. "Se eu pudesse comprar essa corrente para o Davy… Mas jamais vou ter tanto dinheiro para gastar assim…".
O casal passou a manhã em seus respectivos empregos, vendendo discos e livros para pessoas que certamente deixariam seus entes queridos muito felizes com seus presentes. E pensar nisso os deixava desanimados, pois não teriam presente algum para trocar entre si.
Na hora do almoço, enquanto comia o sanduíche que Dianna preparara e embalara com tanto carinho, Davy teve uma ideia ao tirar o relógio do bolso para ver as horas… Ao sair do trabalho, passaria na joalheria.
Dianna escovava os cabelos no banheiro da livraria antes de voltar ao trabalho. Ao prender o cabelo com a fita vermelha esgarçada que sempre usava, a solução para seu problema surgiu em sua mente como um clarão…
Ela foi a primeira a chegar em casa naquele fim de tarde. Olhou-se no espelho. E se Davy ficasse irritado com o que ela fizera? Amarrou um lenço na cabeça para terminar de temperar a carne e colocá-la para assar.
- Di, cheguei! - exclamou Davy ao abrir a porta. Ela estremeceu. Esperava que ele não ficasse triste. Ele entrou na cozinha.
- Oi, Davy. - ela o beijou. - Chegou tarde hoje. O que aconteceu? Seu relógio parou de funcionar?
Ele pareceu ficar sem graça.
- Ah… Meu chefe quis fechar um pouco mais tarde hoje, para ver se fazia mais alguma venda de última hora. Perdi o ônibus.
Dianna se convenceu.
- E esse lenço na cabeça, Di?
Foi a vez dela de ficar sem graça.
- Ah… É que… Não quero que meu cabelo fique com cheiro de carne assada.
Davy riu.
- Cheiro de carne assada é muito bom, mas não em cabelos. Prefiro que seu cabelo tenha cheiro de lavanda.
Mais tarde, sentaram-se para cear. Estava tudo muito bom, valeu a pena terem gastado quase tudo que tinham nos ingredientes. Quando já estavam satisfeitos, tiraram os pratos, lavaram a louça e foram se sentar junto à lareira que ardia com pouca lenha, tomando chá.
- Di… - Davy começou.
- Sim, meu amor?
- Eu tenho uma coisa para você. Não é muito, mas eu espero que goste.
Ele tirou uma caixinha de dentro do bolso e o entregou a Dianna. Ela abriu, revelando a mais linda fivela de cabelo que ela já vira. Dourada com brilhantes cor de rosa.
- Davy! - exclamou ela. - Que linda! Como pode dizer que não é muito? É até demais!
- Você merece muito mais, querida. - ele sorriu.
- Eu também tenho um presente para você. - disse ela, entregando a ele uma caixinha também.
Davy abriu a caixinha e tirou de dentro uma bela corrente de ouro… Perfeita para o seu velho relógio.
-Obrigado, Di! Não precisava…
-Claro que precisava.
-Coloque a fivela, Di. Vai ficar ainda mais bonita em você. Aliás, não sei por que você ainda está com esse lenço.
Dianna não sabia o que dizer para o marido.
- Colocar… A fivela? Mas ela é tão bonita, merece uma ocasião especial…
- É Natal, meu amor! Quer ocasião mais especial?
- Bom… Tudo bem. Mas não fique bravo comigo.
- Bravo? Por que eu ficaria bravo com você, Di, ainda mais no Natal?
Ela desatou o nó que prendia o lenço e… Deixou à mostra o pouco que restara de seus longos cabelos loiros. Antes batiam na cintura, agora mal cobriam a nuca.
- Di! Você cortou o cabelo? Por que não disse nada? - Davy estava sem palavras.
- Sabia que você ia ficar triste. - disse ela, olhando para baixo. - Mas o único jeito de comprar essa corrente para o seu relógio foi vendendo meu cabelo para uma loja de perucas… O dono me deu uma boa quantia pelo comprimento, grossura e cor dos meus cabelos.
- Meu amor! - ele a abraçou. - Não precisava fazer isso…
- Mas eu queria tanto te dar esse presente, Davy! Você é o melhor marido do mundo.
- Eu agradeço muito, querida. - ele a beijou.
- Agora, coloque a corrente no seu relógio. - pediu ela.
- Ah.. Di, eu adoraria, mas como acha que consegui o dinheiro para comprar sua fivela?
- Você vendeu o relógio, Davy? - Dianna estava incrédula. - Mas era do seu avô…
- Eu sei, meu amor. Mas acho que o vovô não ficaria bravo comigo ao saber que o vendi para dar um presente à mulher mais maravilhosa que já existiu.
Dianna abraçou Davy e o beijou docemente.
- Feliz Natal, Davy. Eu te amo.
- Feliz Natal, Di. Eu também te amo. Você é meu maior presente.
- E você é o meu… Mas, na verdade… Já ganhamos um presente há alguns dias, mas eu quis deixar para te contar hoje.
- Que presente? - Davy ficou intrigado.
Ela colocou a mão de Davy sobre seu ventre.
- Estou grávida. Acho bom economizarmos mais para o próximo Natal…
Davy a abraçou ainda mais forte e beijou mais profundamente.
- Esse é definitivamente o melhor presente de Natal que eu poderia ganhar, meu amor.