domingo, 25 de dezembro de 2022

Oneshot: Unwrap You At Christmas

 Bom dia e feliz Natal! Hoje temos uma oneshot que eu quero escrever há muito tempo: uma versão do conto "O Presente dos Magos" com D&D. Espero que gostem, boa leitura! 




  Era véspera de Natal e o jovem casal Davy e Dianna Jones tomava café da manhã às pressas. 


- Hoje vai ter muito movimento na loja. - disse Davy, engolindo uma torrada com geleia de morango. Ele trabalhava em uma loja de discos de dia e tocava com a sua banda, os Monkees, em clubes noturnos, festas universitárias e casamentos. 

- Lá na livraria também. - Dianna bebeu seu café quase de um gole só. Além de ter seu emprego em uma pequena livraria, Dianna escrevia poemas e contos nas horas vagas, que enviava para revistas e editoras, mas até então não tivera sucesso. 

- Bom, preciso ir. - Davy se levantou e beijou Dianna rapidamente, mas com doçura. - Até a noite, meu amor. 

- Até a noite, querido. Logo vou sair também.



  Aquele era o primeiro Natal desde que se casaram. Dianna e Davy se amavam e eram felizes. Só havia um pequeno problema, que nem sempre os incomodava: não tinham muito dinheiro. 

  Mas, naquela véspera de Natal, a falta de dinheiro era o maior problema de todos. O casal gastara todas as suas economias para pagar as contas e garantir uma ceia decente, e não sobrara nada para presentes. 

  Pela janela do ônibus, a caminho do trabalho, Davy viu a vitrine de uma joalheria. E bem ao centro dela havia uma linda fivela de ouro com brilhantes cor de rosa. Ao vê-la, só conseguiu pensar em como aquela fivela reluziria nos lindos e longos cabelos dourados de Dianna. Seria um presente perfeito para sua amada esposa. Mas jamais teria dinheiro para comprar aquilo… 

  A livraria onde Dianna trabalhava ficava mais próxima da casa do casal Jones, e ela caminhava até lá todos os dias. No trajeto, ela passava por outra joalheria. E naquele dia uma bela corrente de ouro estava exposta na vitrine. Dianna pensou no relógio de bolso de Davy, o único bem de valor que ele tinha. Pertencera ao seu avô e ficava atado a uma tira de couro velha e gasta. "Se eu pudesse comprar essa corrente para o Davy… Mas jamais vou ter tanto dinheiro para gastar assim…". 

   O casal passou a manhã em seus respectivos empregos, vendendo discos e livros para pessoas que certamente deixariam seus entes queridos muito felizes com seus presentes. E pensar nisso os deixava desanimados, pois não teriam presente algum para trocar entre si. 

 Na hora do almoço, enquanto comia o sanduíche que Dianna preparara e embalara com tanto carinho, Davy teve uma ideia ao tirar o relógio do bolso para ver as horas… Ao sair do trabalho, passaria na joalheria. 

  Dianna escovava os cabelos no banheiro da livraria antes de voltar ao trabalho. Ao prender o cabelo com a fita vermelha esgarçada que sempre usava, a solução para seu problema surgiu em sua mente como um clarão… 

   Ela foi a primeira a chegar em casa naquele fim de tarde. Olhou-se no espelho. E se Davy ficasse irritado com o que ela fizera? Amarrou um lenço na cabeça para terminar de temperar a carne e colocá-la para assar. 


- Di, cheguei! - exclamou Davy ao abrir a porta. Ela estremeceu. Esperava que ele não ficasse triste. Ele entrou na cozinha. 

- Oi, Davy. - ela o beijou. - Chegou tarde hoje. O que aconteceu? Seu relógio parou de funcionar? 



      Ele pareceu ficar sem graça. 


- Ah… Meu chefe quis fechar um pouco mais tarde hoje, para ver se fazia mais alguma venda de última hora. Perdi o ônibus. 



      Dianna se convenceu. 



- E esse lenço na cabeça, Di? 



      Foi a vez dela de ficar sem graça. 



- Ah… É que… Não quero que meu cabelo fique com cheiro de carne assada. 



       Davy riu. 


- Cheiro de carne assada é muito bom, mas não em cabelos. Prefiro que seu cabelo tenha cheiro de lavanda. 




   Mais tarde, sentaram-se para cear. Estava tudo muito bom, valeu a pena terem gastado quase tudo que tinham nos ingredientes. Quando já estavam satisfeitos, tiraram os pratos, lavaram a louça e foram se sentar junto à lareira que ardia com pouca lenha, tomando chá. 


- Di… - Davy começou.

- Sim, meu amor? 

- Eu tenho uma coisa para você. Não é muito, mas eu espero que goste. 



   Ele tirou uma caixinha de dentro do bolso e o entregou a Dianna. Ela abriu, revelando a mais linda fivela de cabelo que ela já vira. Dourada com brilhantes cor de rosa.


- Davy! - exclamou ela. - Que linda! Como pode dizer que não é muito? É até demais!

- Você merece muito mais, querida. - ele sorriu. 

- Eu também tenho um presente para você. - disse ela, entregando a ele uma caixinha também. 



   Davy abriu a caixinha e tirou de dentro uma bela corrente de ouro… Perfeita para o seu velho relógio.



-Obrigado, Di! Não precisava…

-Claro que precisava. 

-Coloque a fivela, Di. Vai ficar ainda mais bonita em você. Aliás, não sei por que você ainda está com esse lenço. 



    Dianna não sabia o que dizer para o marido. 



- Colocar… A fivela? Mas ela é tão bonita, merece uma ocasião especial…

- É Natal, meu amor! Quer ocasião mais especial? 

- Bom… Tudo bem. Mas não fique bravo comigo. 

- Bravo? Por que eu ficaria bravo com você, Di, ainda mais no Natal? 



    Ela desatou o nó que prendia o lenço e… Deixou à mostra o pouco que restara de seus longos cabelos loiros. Antes batiam na cintura, agora mal cobriam a nuca.


- Di! Você cortou o cabelo? Por que não disse nada? - Davy estava sem palavras. 

- Sabia que você ia ficar triste. - disse ela, olhando para baixo. - Mas o único jeito de comprar essa corrente para o seu relógio foi vendendo meu cabelo para uma loja de perucas… O dono me deu uma boa quantia pelo comprimento, grossura e cor dos meus cabelos.

- Meu amor! - ele a abraçou. - Não precisava fazer isso… 

- Mas eu queria tanto te dar esse presente, Davy! Você é o melhor marido do mundo. 

- Eu agradeço muito, querida. - ele a beijou. 

- Agora, coloque a corrente no seu relógio. - pediu ela. 

- Ah.. Di, eu adoraria, mas como acha que consegui o dinheiro para comprar sua fivela? 

- Você vendeu o relógio, Davy? - Dianna estava incrédula. - Mas era do seu avô…

- Eu sei, meu amor. Mas acho que o vovô não ficaria bravo comigo ao saber que o vendi para dar um presente à mulher mais maravilhosa que já existiu.



    Dianna abraçou Davy e o beijou docemente. 


- Feliz Natal, Davy. Eu te amo. 

- Feliz Natal, Di. Eu também te amo. Você é meu maior presente. 

- E você é o meu… Mas, na verdade… Já ganhamos um presente há alguns dias, mas eu quis deixar para te contar hoje. 

- Que presente? - Davy ficou intrigado. 



    Ela colocou a mão de Davy sobre seu ventre. 


- Estou grávida. Acho bom economizarmos mais para o próximo Natal…



   Davy a abraçou ainda mais forte e beijou mais profundamente. 


- Esse é definitivamente o melhor presente de Natal que eu poderia ganhar, meu amor.