Os quatro homens
se encontravam desesperados. Ademais, Micky e Davy não sabiam o que fazer com
seus filhos. Christian, Cecilia e Rebecca acordaram com a agitação, e ao dar
pela falta de suas mães, começaram a chorar.
- Ah meu Deus, onde está minha
vampirinha? – Davy estava completamente perdido, e, para piorar, não conseguia
pegar uma das gêmeas no colo para acalmá-la sem que a outra começasse a chorar
ainda mais.
- E onde está Emma? Acho que
Christian quer leite. – Micky tentava distrair seu filhote.
- Rapazes... Precisamos ir
procurar nossas mulheres. – disse Mike.
- É claro! – respondeu Davy. –
Mas como Micky e eu vamos sair e deixar nossos filhotes aqui?
- Peter e eu cuidamos disso. –
interviu Renée.
- Como? – quis saber Micky.
- Vamos colocar os bebês sob
feitiços protetores. – esclareceu o mago atrapalhado. - Venham, vamos cuidar
disso já. É importante que não percamos tempo.
Micky levou
Christian de volta ao quarto e colocou o bebê no berço, cobrindo-o
cuidadosamente. Renée acenou a mão sobre o pequeno, murmurando palavras
mágicas. Os olhos do filho de Micky imediatamente se cerraram, e ele dormia
profundamente. Uma aura mágica circundava o berço.
- Pronto. Ele ficará seguro. –
afirmou Renée.
- Obrigado. – o lobo respondeu.
No quarto de Davy,
Peter havia aplicado o mesmo encantamento sobre os berços das gêmeas vampirinhas.
Com as crianças dormindo protegidas pela magia do feiticeiro e da alquimista,
os adultos saíram da mansão. Encontraram Bobby Moore, Paul McCartney, Ringo
Starr, George Harrison e George Best, apreensivos com o desaparecimento de
Marianne Jones, Mary Anne McCartney, Alberta Mann (loba por quem Ringo vinha
manifestando certo interesse e amiga de Renée) e Rosie Donovan. Logo, surgiu
Christopher Romanov, o exilado. Sua namorada, Vivian, irmã de Rosie, também
havia sumido.
Todos rumaram para
o Castelo Beckenbauer. Suspeitavam que as mulheres que lá viviam também haviam
desaparecido.
- Franz, aconteceu algo. As
mulheres desapareceram! – disse Bobby Moore, nervoso.
- Levaram a Dianna!
- Emma!
- Alana, minha loba!
- Eu mal recuperei a Erin, agora
some de novo!
Manuel Neuer, Michael Palin e Paul
Breitner também haviam se juntado àquela reunião masculina desesperada. O
caçador estava com uma aparência bastante desleixada. Todos os olhos se
voltavam para ele. Constrangido, deu um pretexto:
- Antes que me questionem, sim,
eu estava com Ana e quase fazendo amor. E ela saiu caminhando até sair da casa.
- Alice a seguiu e pedi para ela
voltar e não me ouviu! – exclamou Palin.
- FOI AQUELE DOUTOR HOLANDÊS
CHARLATÃO! – gritou Neuer, quase fora de si. – EU VOU MATAR ELE!
Após a afirmação de
Breitner, Christopher continuava quieto. O caçador, ainda centro das atenções,
falou por fim:
- Ok, eu estava mesmo fazendo
amor com a Anastacia! Pronto! Até parecem que nunca fizeram amor com suas amadas!
- QUIETOS! – Moore ordenou. –
Todos aqui estamos desesperados. Nossas mulheres sumiram e não sabemos como
aconteceu.
- Ou o que aconteceu. - disse
Mike. Estava incomodado por estar ali com seus antigos rivais, Gerd e Palin.
Uma música suave
fez-se ouvir. Vinha da floresta. Christopher sentiu algumas pequeninas fisgadas
no ouvido.
- Está tudo bem, Chris? –
perguntou-lhe Palin, estranhando.
- Sim. – o lobisomem disfarçou. –
Só... Uma coceira no ouvido.
Os homens e
Renée seguiram, e a música se tornava mais nítida. Chegaram a uma parte da
floresta que conduzia para a Ilha das Mandrágoras. Os líderes pararam na
entrada e ouviram a música atentamente. Era realmente bela. Gerd viu as
mulheres, e Louise sendo abraçada por Ronnie Peterson.
- Ursinha! – exclamou. Deu um
passo a frente e ia em direção a eles, contudo, Franz o impediu.
- GERD, SAIA DAÍ!
- Me solta, Franz! A minha mulher
está lá!
- Eu sei, mas estamos bem na
entrada da ilha. Se essas mandrágoras acordarem, vão gritar a ponto de estourar
nossos tímpanos. Onde será que Sepp se meteu?
- Enquanto vocês se perguntam o
que elas fazem aqui, aproveitem a bela música e sofram! – Ronnie disse, e
voltou a tocar sua flauta.
Os homens foram
acometidos por dores excruciantes, alguns começando a ter alucinações e
perdendo a força. Aproveitando-se disso, o vampiro taberneiro atacou-os, rindo
malignamente. Renée não havia sido
enfeitiçada pela música, e Peter não sentia as dores ou as alucinações. Então,
os dois magos saíram dali na surdina e foram ao vilarejo, em busca de ajuda.
Foram até a casa de
Anastacia. O mordomo dela, Primus, os recebeu e levou até onde estavam a
feiticeira Nora, sua avó, Lyanna, também dotada de poderes mágicos, e o amado
da jovem feiticeira, o vampiro Sepp Maier.
- Quem são vocês? – perguntou a
velha maga.
- Sou Renée Chapelle.
- E eu sou Peter Tork. Viemos
aqui para ajudar a criar a poção contra essa música. Não fui afetado e nem a
Renée, e a casa de Ana era a mais próxima.
- Bem, já temos aqui. – Nora mostrou
um frasquinho contendo um líquido azul.
- Mas é pequeno e insuficiente. –
disse Renée num resmungo. – Peguem uma garrafa maior, vou fazer a transmutação.
Enquanto Nora e a avó procuravam
um recipiente maior, Renée desenhou na mesa um Ouroboros e uma estrela no
centro. Nora entregou uma garrafa à alquimista, que depositou o objeto bem no
centro da figura e começou a rezar em latim, em voz baixa. Ergueu a mão tatuada
e pousou-a sobre a mesa com um estrondo. O pequeno frasco e a garrafa
desapareceram magicamente, e um véu de magia deixou ali uma garrafa grande,
contendo muito mais poção. Renée entregou a garrafa de poção a Nora.
- Está feito. Leve para aqueles
homens!
Nora, por sua
vez, deu a garrafa a Sepp, que saiu numa corrida desabalada à Ilha das
Mandrágoras, seguido por Peter. Lá chegando, depararam-se com os homens
sofrendo com as dores excruciantes, gritando e gemendo. Mike e Micky lutavam
entre si, em decorrência das alucinações.
Davy estava caído no chão, não muito longe deles, contorcendo-se em dor.
O conde estava desmaiado, Gerd sufocado e com os olhos e o rosto
vermelhos. O lobo alfa, Bobby Moore
soltava longos uivos de dor e Paul e Ringo, como Mike e Micky, lutavam
inconscientes de que cada um feria o próprio amigo. Best se encontrava
estatelado no chão, com uma ferida horrorosa na cabeça.
As mulheres estavam
indiferentes a tudo. Não pareciam notar o sofrimento dos seus homens. Ronnie
continuava a tocar, sem perceber que Peter e Sepp estavam ali.
- Vamos agir rápido! – disse
Sepp, jogando a poção sobre seus amigos.
Em seguida, Peter
jogou a poção sobre seus amigos. Aos poucos, todos se recuperavam.
- Sepp... – Franz acordou, e
levantava-se com alguma dificuldade. – Onde... Estava?
- Com minha Katzchën! Mas estou
aqui!
Com os sentidos
recobrados, Gerd e Best, tomados pela ira, bradaram fortemente, despertando a
atenção de Peterson. Correram até o vampiro flautista, prontos para atacar.
- Malditos! – exclamava Ronnie. –
Vão morrer sob a bela música.
Entretanto, antes que ele pudesse levar seu instrumento à boca, sua mão
foi atingida por uma flecha de prata, que queimava, fazendo-o derrubar a
flauta. Gerd pegou-a e partiu ao meio, lançando em seguida na boca imensa de
Caríbdis, a maior e mais aterradora das plantas carnívoras. O besteiro que
havia acertado Ronnie era o mago George Harrison.
- Seus imprestáveis... – rosnava Peterson,
enquanto era levado por Best e Gerd diante da presença de Franz e Bobby.
- DESMEMBREM O VAMPIRO! –
ordenaram eles.
Ronnie foi
desmembrado e surrado. Antes que Paul
lhe arrancasse o braço esquerdo, gritou:
- Mesmo que me matem, não vai
adiantar! A guerra será iminente! – após dizer isso, arrancou o próprio olho e
mostrou ao Conde Beckenbauer. – Este olho...
Levará a mensagem ao barão. Ele saberá que você está... Cof cof... Com Odile.
O olho
desapareceu no ar. Furiosos, os lobos e vampiros depositaram Peterson diante de
Breitner. Armado com a balestra usada minutos antes por George, posicionou a
flecha prateada e mirou no vampiro tocador de flauta, rezando.
- Que Deus tenha piedade de sua
alma, nosferatu! – a flecha assobiou no ar, indo pousar bem no coração de
Ronnie Peterson, que tombou no chão e foi levado dali por Gerd e Best, que se
preparavam para jogá-lo para Caríbdis.
- Isto é pela Rosie!
- Isto é pela Louise, minha
ursinha!
Arremessaram o corpo desmembrado do vampiro na bocarra da planta, pondo
um fim na contenda. As mulheres despertaram da hipnose e cada uma se juntou ao
marido ou amante.
***
Davy havia
carregado Dianna da floresta até a mansão. Ela se segurava firmemente com os
braços ao redor do pescoço do marido, como se tivesse medo de ser enfeitiçada outra
vez e buscasse proteção. Já em seu quarto, ele colocou a esposa no chão. A
vampira correu até os berços de suas filhas, que dormiam protegidas por um
feitiço de Peter que tinha o intuito de repelir qualquer perigo que ameaçasse
as bebês durante a ausência de Davy. Renée havia lançado o mesmo encantamento
sobre o berço de Christian para que o filhote de lobisomem ficasse seguro
enquanto Micky estivesse fora.
- Minhas morceguinhas, como mamãe
quase se esqueceu de vocês? – ela acariciava as gêmeas com cuidado para não
acordá-las, sentindo-se culpada.
- Eu sei que está se sentindo
culpada, Di. – disse Davy. – Mas não tem motivo para isso. Você não podia lutar
contra a magia de Peterson.
- Leu minha mente outra vez,
Davy? – ela riu. – Pensei que você só fizesse isso quando estamos... Você sabe.
- Ler sua mente é realmente muito
útil quando estamos em nossas intimidades, querida. Mas também lanço mão disso
em alguns outros momentos. Ainda bem que você não tem o costume de ler a minha
mente. – ele deu uma risada nervosa. – Tenho alguns pensamentos, hã,
constrangedores.
- Você só pensa nisso, seu
vampiro safado. – Dianna deu um intenso beijo nos lábios do marido. – Não leio sua mente porque não preciso. Você
não consegue me esconder nada.
- Na verdade... – Davy começou a
dizer algo, contudo, pensou melhor e se calou.
- Na verdade o quê? – Dianna
ficou desconfiada.
- Nada importante.
- Fale! O que você está me
escondendo, Davy? – o tom de Dianna denotava o nervosismo crescente dela.
- Eu não contei a você toda a
verdade sobre minha expulsão das terras do Conde Beckenbauer.
- Não foi por sua amizade com
Mike, Micky e Peter?
- Em parte. Porém, fiz algo que
atiçou mais a ira do conde.
Dianna se perguntava
o que seu marido havia feito. Ele deu fim ao suspense:
- Di... Eu beijei a Lulu. E fomos
denunciados por alguém. Lulu desconfia de Alice, mas não creio que tenha sido
ela. Minha suspeita recai sobre Gerd.
A vampira ficou
quieta, digerindo a informação. E por fim explodiu:
- VOCÊ FEZ O QUÊ?
- Dianna, não grite, vai acordar
todo mundo, começando pelas meninas. – pediu Davy, tentando acalmar sua esposa.
- POR QUE NÃO ME CONTOU, DAVID? –
quando Dianna chamava o marido de David, estava furiosa. E ele sabia muito bem
disso.
- Porque eu sabia que você iria
reagir assim.
- SOMOS CASADOS! PENSEI QUE NÃO
TIVÉSSEMOS SEGREDOS! – as lágrimas começaram a cair pelo rosto da vampira,
corado pela raiva.
- Di, por favor. – Davy pegou o
rosto da esposa em suas mãos e enxugou as lágrimas dela. – Aquilo foi um
ímpeto. Não sei o que me levou a beijar Louise. Talvez... Talvez porque naquela
época eu não tinha esperanças de ter você para mim.
- Como não tinha esperanças? Era
visível o quanto eu gostava de você. – Dianna murmurou. – Todos no vilarejo
sabiam que a filha dos diplomatas estava apaixonada pelo filho do dono da loja
de tecidos.
- Eu havia acabado de me tornar
um vampiro. Não sabia lidar bem com meus novos poderes. Temia que você me
rejeitasse, com medo de mim.
- Eu... Confesso que quando nos
reencontramos eu tive um pouco de medo sim. Entretanto... Quando me beijou, eu
me esqueci de todos os meus receios, Davy. Sei que os lobos têm imprinting, não
haveria algo parecido para os vampiros?
- Pode ser. Um imprinting
vampiresco. – ele deu um pequeno sorriso.
- Você... Realmente não sente
nada pela Louise?
- Nada mais do que uma grande
amizade, Di. Leia a minha mente, se quiser.
- Não é necessário. Seus olhos
não te permitem mentir, Davy. Só peço que não me omita mais nada.
- Eu prometo.
Dianna puxou o marido
para perto de si e beijou-o ardentemente. Foi dando passos para trás, até
chegar à beira da cama. Deitou-se e levou Davy com ela. A noite estava apenas
no seu início.
***
Na noite seguinte,
todos assistiam enquanto Peter, com ajuda de Renée, arrumava magicamente um dos
quartos desocupados da mansão para que se tornasse um quarto de bebê. Renée
tentava decorar o quarto de maneira delicada, pois ela sentia que a pequena
vida se formando no ventre de Erin era uma menina. Peter também tinha esse
pressentimento, mas, na verdade, não se importava se a esposa esperava uma
menina ou um menino. Amaria a criança do mesmo jeito.
- Sabe, Allie, eu me pergunto
quando teremos nossos lobinhos. – Mike disse à esposa.
- Acredito que não vai demorar
muito, meu lobo. – Alana respondeu,
sorrindo para Mike.
- Falando em lobinhos... Quando
teremos mais, Emma? – Micky deu um sorriso malicioso para sua esposa.
- Espere Christian crescer mais
um pouco, Micky. – disse a loba loira, ajudando seu filho a ficar em pé. O
pequeno estava chegando à idade de aprender a andar, e ela e o marido estavam
orgulhosos. Christian conseguiu se equilibrar e deu passinhos desajeitados em
direção ao pai.
Micky pegou seu filhote nos
braços quando o bebê chegou onde ele estava. Beijou os cachinhos loiros de
Christian, bagunçados como seus próprios cabelos, e disse:
- Nesse ritmo, logo nosso garoto
estará andando e falando, e não precisaremos esperar muito, Emma.
Emma nada respondeu. Apenas
olhou com carinho para o marido e o filho e sorriu. Indagou, então, ao casal de
vampiros, sentados num dos sofás, cada um com uma das gêmeas no colo:
- E quanto a vocês? Não querem
ter mais filhos?
- Do jeito que esses dois são,
mais filhos não é uma possibilidade, é uma certeza. – Mike gracejou, levando
uma cotovelada repreensiva de Alana.
Dianna e Davy não ficaram
ofendidos com a observação do lobo. Riram bastante, e a vampira disse:
- Davy e eu conversamos sobre
isso. Achamos que talvez seja melhor não. Se porventura eu tivesse dado à luz
somente um bebê, poderíamos considerar ter mais filhos. Contudo, tive gêmeas.
Duas já está de bom tamanho.
Ouviu-se então uma batida na porta, e Peter, após finalmente haver
terminado a arrumação do quarto de seu filho, foi abrir. Lá estavam Louise
McGold e seu marido, Gerd Müller.
- Boa noite! – cumprimentou-os.
- Olá, Peter. Davy está na mansão? – quis saber Louise.
- Sim. – o feiticeiro respondeu. – Podem entrar e fiquem à
vontade.
Louise e Gerd entraram na casa, e observaram o ambiente. Sentaram-se num
sofá na sala e encontraram as cinco
mulheres que habitavam ali. A vampira conhecia apenas Dianna. Leu as mentes de
três das outras, e descobriu que eram as esposas de Micky, Mike e Peter: Emma Carlisle
Dolenz, Alana Watson Nesmith e Erin Hudson Tork. Não conseguiu, porém, fazer a
leitura da mente da quarta moça que lhe era desconhecida. Ela tinha um lado do
rosto, de fisionomia serena, encoberto por madeixas lisas e negras e uma
tatuagem de uma cobra mordendo a própria cauda no dorso da mão. “Ela deve estar bloqueando”, pensou Louise.
Davy veio ao encontro de sua amiga.
- Louise! Estou feliz que tenha vindo me visitar! – então se
deu conta da presença de Gerd com uma expressão séria. – Mas não sabia que
trouxe seu amante, digo, marido.
- E eu mais ainda por te ver tão alegre, meu amigo. – olhou para
as demais pessoas presentes na cena, e eles se retiraram. A moça esquisita
ainda analisava Louise, e aproximou-se.
- Seu nome é Louise? – inquiriu.
- Sim. E quem é você?
- Renée. – a moça se apresentou. – Acho que não somos parentes, pelo menos não
da parte do seu pai ou da sua mãe.
- Espere! Eu não entendo...
- Sou filha de Elaine Chapelle, irmã de Sophie. Ou seja, sou
prima da Felicity.
Louise nada sabia da família de sua tia, morta havia algum tempo. Deu de
ombros.
- É um prazer em conhecer, Renée. Este é meu marido, Gerd
Müller.
Renée olhou
profundamente para os olhos de Gerd, e para os observadores da cena, parecia
estar em transe. Ela vislumbrava uma versão do vampiro num futuro distante,
numa outra vida, em que ele era um médico de talento, e estava acompanhado de
uma moça com a aparência de Louise. Havia também uma jovem alta, médica como
ele, mais velha do que a outra e dona de cabelos pretos e grandes olhos azuis.
O médico parecia estar indeciso entre elas, contudo, seu coração batia mais
rápido por apenas uma delas. Finalmente, a maga saiu do transe.
- Me desculpe... – pediu ela, constrangida. – Tive uma
visão... Mas é muito complicada. Contudo, foi um prazer te conhecer, herr
Müller, e ótimo conhecer mais um membro da família McGold.
Retirou-se,
deixando o trio de vampiros a sós. Davy quis saber:
- Bem, qual é o motivo da visita? – por um momento, ocorreu
ao vampiro que sua amiga queria continuar a conversar sobre ter filhos.
Todavia, não era nada disso.
- Davy, se lembra daquele dia em que... Aconteceu nosso ato
impensado? – e piscou o olho para que o amigo compreendesse do que ela estava
falando.
Davy sentiu um
frio percorrer sua espinha. Era muita coincidência que houvesse aberto o jogo
com Dianna e logo na noite seguinte Lulu trouxesse aquele assunto à tona. Ambos
haviam decidido enterrar o assunto, por que de repente ela o relembrava? Ainda
mais na frente do marido?
- Ah sim. – respirou profundamente. – O que tem isso?
- Pois bem, descobri quem nos denunciou ao conde, e
realmente não foi Alice.
- Quem foi?
- Meu marido! – Louise exclamou. Gerd levantou-se do sofá e
postou-se ao lado da esposa.
A
princípio, Davy riu. Então notou que o casal de vampiros visitantes estava
sério. Processou a informação, e gritou, deixando-se levar pela irritação com
Gerd:
- EU SABIA, EU SABIA! SEMPRE SUSPEITEI QUE FOSSE VOCÊ, GERD!
– avançou na direção do vampiro maior, pois queria esmurrá-lo. Louise
impediu-o. – POR SUA CULPA DIANNA QUASE FOI MORTA PELO CONDE, SEU MALDITO!
O vampiro inglês não podia acreditar. Aquele chucrute desgraçado era a
causa de ser tratado como proscrito nas terras do Conde Beckenbauer, e Davy
quase havia perdido seu maior tesouro, Dianna, pela ação do marido de Louise.
Era demais.
- Davy! – Louise continuava a segurar o amigo com firmeza. –
Por favor, ouça o que meu marido tem a dizer.
- Pequeno anão inglês, estou aqui porque minha senhora
pediu, mas por mim você já estava nos jardins de meu amigo! – Gerd disse, o que
serviu apenas para deixar Davy mais enraivecido.
- Eu juro que se você não fosse amado por Louise, a essa
hora já teria te mandado para a Ilha das Mandrágoras e te deixava morrer lá. Ou
melhor, te jogaria na boca de Caríbdis. – Davy rosnou.
- PAREM! – a paciência de Louise atingiu o limite. – Por
favor, vamos conversar normalmente. Davy, ouça com atenção meu marido. Gerd,
deixa de sarcasmo e fale a verdade e se desculpe com meu amigo!
Os dois vampiros ficaram quietos, deixando Louise apreensiva. Ela notou
que os amigos de Davy estavam na escada, ouvindo tudo. Mike tinha as unhas
cravadas no corrimão da escada, como as garras de um lobo na carne da presa.
Estava se controlando para não descer e acabar com Gerd ali mesmo. Ainda que
estivesse casado com Alana e a amasse mais do que tudo nesse mundo, nunca
esqueceria a raiva que tinha do vampiro alemão por causa de Alice. Micky fazia
esforço para não rir da situação, e Peter observava tudo com atenção.
Louise quebrou o
gelo:
- Gerd!
- Está bem! – Gerd resolveu acabar logo com aquilo. – David
Jones, eu peço desculpa por denunciar você ao conde Franz. Minha intenção era
afastar você de Louise porque achei que vocês estavam se envolvendo. E mesmo
casado, eu amava Louise e ainda amo. Pode aceitar minhas sinceras desculpas se
quiser. Ao menos fiz o que minha ursinha pediu.
Um pouco mais
calmo, Davy olhou um pouco para os lados, deu um grande suspiro e respondeu:
- Tudo bem. Aceito suas desculpas.
O amigo e o marido de Louise apertaram as mãos
amistosamente, tranquilizando Louise, que não pôde evitar sorrir.
- Obrigada, Davy! Temos que voltar ao castelo, ursinho,
antes que o conde perceba. Até outro dia, meu amigo.
- Até outro dia, minha amiga Lulu. E até outro dia, Gerd!
- Até mais, Davy!
O casal de vampiros foi embora, e Mike, Micky
e Peter desceram as escadas.
- Teve medo do Gerd? – Micky inquiriu.
- Jamais! Ele pode ser mais forte, mas não tanto assim.
- Talvez... Tanto ele quanto você queriam lutar. – observou
Peter.
- O importante é que está tudo resolvido. E agora vou para o
meu quarto, boa noite, pessoal!
- Boa noite, Davy!
Os
outros três ainda estavam um pouco desnorteados devido ao ocorrido. Porém, logo
cada um também foi ao seu quarto se juntar a sua respectiva esposa. Davy estava
aliviado. Agora que ele havia relatado tudo a Dianna e Gerd havia se revelado o
verdadeiro delator e pedido perdão, o assunto estava de fato encerrado.
O pequeno
vampiro abriu a porta do quarto com cuidado para não acordar os demais
moradores da casa. Encontrou Dianna ainda desperta, esperando por ele.
- O que Lulu e Gerd queriam, meu amor? – ela indagou.
- Louise queria que Gerd me pedisse perdão por... Bem, você
sabe. Ter me delatado por beijar a Lulu. – respondeu ele, enquanto se deitava
ao lado da esposa.
- Então você estava certo! Foi ele.
- Sim. Não me parecia coisa da Alice. Bom... Confesso que
agora posso dormir mais tranquilo. Não há mais nada para ser esclarecido sobre
esse assunto. Acabou. – Davy suspirou.
- Sim, acabou. – Dianna deu um beijo na testa do marido.
- Mas... Di, por culpa dele eu quase perdi você. Não gosto nem de pensar no que teria acontecido se Louise e eu não tivéssemos chegado a tempo...
- Esqueça isso. Vocês me salvaram. E estou aqui com você,
Davy, e isso é o que interessa.
Davy
fez um gesto de concordância com a cabeça e abraçou a esposa. Cheirou os
cabelos dela, enquanto ela se aconchegava em seu peito. Dormiram por fim.
***
Alana se sentia um pouco deslocada das suas amigas. Emma tinha
Christian, e ele já estava aprendendo a andar e a falar, o que deixava os pais
lobos muito felizes. Dianna tinha suas vampirinhas Cecilia e Rebecca, e Davy e
ela viviam para mimar as bebês. E Erin, grávida, não deixava de sorrir. A
alegria dela e de Peter só aumentava a cada dia.
A
pequena loba se perguntava se ela e Mike também gerariam um filhote logo. Sabia
que ele queria isso tanto quanto ela. Todas as noites se unia ao marido, na
esperança de que seu desejo se realizasse.
O
que ela não sabia era que um certo vampiro a serviço do Barão Lauda, o maior
inimigo do Conde Beckenbauer, chamado Felix Kroos, estava louco para colocar
suas mãos nela, e para isso faria o que fosse preciso, até mesmo atrair Mike
para uma armadilha e matá-lo.
Felix e seu irmão, Toni, haviam sido enviados às redondezas do Castelo
Beckenbauer e da Ilha dos Lobisomens para tentar executar a missão em que
Ronnie Peterson havia falhado: encontrar Odile Greyhound. Os dois, em suas
formas de morcego, sobrevoavam a região, e o destino pregou-lhes uma peça:
foram tomados de desejo por duas lobas.
Enquanto Toni queria Rosie Donovan mesmo sabendo que ela já tinha,
secretamente, o vampiro George Best, Felix desejava Alana, e tinha um plano
maléfico para tirar o marido dela do caminho. Os dois irmãos vampiros, então,
armaram para capturar os amados de Rosie e Alana, atrair os alvos de seus
desejos e de quebra conseguir delas a localização de Odile. Caso elas não
falassem... Best e Mike seriam mortos.
Certa noite, Mike ficou encarregado, juntamente com Micky, de caçar os
animais para o jantar. A dupla de lobisomens saiu, e logo farejaram um bando de
cervos. Puseram-se à espreita de um dos maiores e mais gordos, já que
precisavam de bastante carne para eles, Alana, Emma e o pequeno Christian, além
de uma parte dela para Peter, Erin e Renée, e sangue do animal para Dianna e
Davy.
Mike ouviu um estranho ruído. Parecia um cervo machucado.
- Ouviu isso, Micky?
- Ouvi o quê?
- Ora! Há algum cervo ferido em algum lugar por aqui,
fazendo barulho. É mais fácil pegar um cervo ferido, ele não irá muito longe.
- Depois eu que sou maluco! Não ouvi nada!
- Não estou louco! Eu ouvi!
O
lobo ignorou o amigo e seguiu em direção de onde vinha o tal som. Seguiu por
entre as árvores, e o barulho emitido pelo animal ficava mais alto. Chegou, mas
nada encontrou. Sem entender, Mike fez um movimento para voltar ao ponto de
onde vindo, até que subitamente um homem, alto como ele, porém mais encorpado,
colocou-se diante dele. O estranho acertou-lhe um soco no estômago.
Mike pôs-se de pé quase de imediato, como se não houvesse nem feito
cócegas, e tentou revidar... O que não deu certo, pois Felix deu-lhe um golpe
muito forte na cabeça com um galho de árvore que arrancou, tão prodigiosa era
sua força. O lobo desmaiou.
Micky queria que Mike não fosse tão
cabeça-dura. Meteu-se no meio do bosque atrás de um som que estava apenas em
sua imaginação, e sumiu. Micky matou sozinho um cervo, pois sua esposa, seu
filho e seus amigos ainda precisavam se alimentar, e levou o animal para a
mansão. Quando ele entrou desacompanhado, todos estranharam. Alana, preocupada,
indagou:
- Micky... Onde está meu marido?
- Nós... Estávamos espreitando um cervo, quando Mike disse
que havia ouvido o barulho de um cervo machucado. Eu não ouvi nada, contudo,
aquele teimoso se embrenhou na floresta seguindo o som que só ele ouvia, e...
Sumiu.
- Sumiu? Ah, meu Deus, meu lobo! O que aconteceu com meu
lobo? - a esposa de Mike ficou
exasperada.