domingo, 7 de junho de 2015

Monkee Trek - Episódio 3 (Minissérie)

Depois de quase entrar em hiato, a "minissérie spin-off" está de volta! Boa leitura!




 
               


      Naquela noite, Davy havia sido levado por Wendy e Sulu a uma sala que, segundo eles, era a sala de recreação da Enterprise. Os dois ainda estavam convencidos de que ele era aquele alferes Chekov.  Cada vez que ele negava isso, a moça parecia ficar desapontada.


       Olhando atentamente para ela, Davy entendeu porque se sentia um pouco apaixonado por ela. Era óbvio! Ela lembrava Dianna, sua namorada, de um modo incrível. Tinha os cabelos e os olhos da mesma cor que os de sua Di, e também tinha baixa estatura. Como Chekov ainda não havia tido coragem de chegar numa pequena como aquela?


 


- Sabe, Wendy, não me lembro de conhecer nenhuma garota como você, nem em Manchester, nem em Londres, nem em Nova York. A garota mais parecida com você que já cruzou meu caminho é minha namorada, Dianna Mackenzie, que vive em Los Angeles.  – disse ele.


- Você nasceu em Manchester? Jura? – Wendy foi irônica. – Achei que você fosse de Leningrado, já que fala tanto de lá.


- Srta. Sutherland, eu já disse...


- Chega, Chekov! – disse Sulu, exasperado. – Você não é esse tal de Davy Jones! Mas já ficou bem claro para todos aqui na nave que você não está em pleno uso de suas faculdades mentais. Não sabe mais exercer suas funções de navegador, ou de oficial tático, ou de oficial de ciências adjunto!


- E... Não se lembra sobre... Nós.  - Wendy falou num tom triste.


- Nós, Wendy?  – Davy deu um sorrisinho malicioso.


- Sim, nós. Você, Hikaru e eu. Sabe, nos chamam de Os Três Mosqueteiros. Somos inseparáveis. E muitos dizem que somos os jovens oficiais mais valorosos da Frota. Dizem que você chegará à patente de capitão tão cedo quanto o capitão Kirk!


- Ok, agora chega, vocês dois. Vocês já falaram bastante da vida de Pavel Andreievitch Chekov à bordo da nave da Federação U. S. S. Enterprise. Agora é a minha vez de falar sobre a vida de David Thomas Jones, vocalista dos Monkees.


- Espera um pouco. Os Monkees? Aquela banda dos anos 60 do século XX? Que tinha um programa de TV e tudo mais? Você acha mesmo que é o vocalista daquela banda, Chekov? – Sulu caiu na gargalhada.


- Hikaru! – Wendy repreendeu-o, dando-lhe uma cotovelada. – Hã, Pavel Andreievitch, ou Davy, nem sei mais como chamá-lo... Fale-nos sobre sua vida.


- Bem... Como eu já disse, eu me chamo David Thomas Jones e nasci no dia 30 de dezembro de 1945 em Manchester, Inglaterra. Desde jovem eu mostrei talento para ser jóquei, mas isso acabou ficando em segundo plano. Aos 15 anos fui para Londres e me tornei ator de musicais. Poucos anos depois fui levado para Nova York para me tornar cantor. Não deu muito certo até que fiz um teste para participar de uma série de TV sobre uma banda de rock. E fui aceito. Desde então sou Davy Jones, vocalista dos Monkees e ladrão de corações das menininhas... Mas que na verdade só quer saber da sua namorada ciumenta, uma professora de história linda chamada Dianna Mackenzie.


 


              Quando Davy falou de Dianna, Wendy não fez uma cara boa. O rapaz conhecia bem aquela expressão. Dianna fazia essa expressão na maior parte do tempo. Era ciúme.  Ele ficou preocupado. Ela não podia estar gostando dele. Devia ser uma reação automática de Wendy, já que ela ainda o tomava por Chekov. Então, subitamente, Davy teve uma ideia. Ele não sabia como aquilo ainda não lhe havia ocorrido.


                Levantou-se e foi até os aposentos de Chekov, com Sulu e Wendy em seu encalço. Foi até o banheiro que ficava dentro dos aposentos.  Olhou-se no espelho. Viu um rosto parecido com o seu, mas que obviamente não era o seu próprio. Parecia também um pouquinho mais alto e “cheio”.


 


- Fisicamente, eu realmente sou Chekov. – disse ele, virando-se para olhar para Sulu e Wendy. – Mas a consciência que está nesse corpo é a de Davy Jones.


- É impressionante... – Wendy murmurou. – Estamos acostumados a lidar com coisas tão bizarras, e isso não nos ocorreu.


- De fato, onde estávamos com a cabeça? – disse Sulu.


- Agora acreditam em mim? – perguntou Davy.


- Agora sim. – disseram os jovens tenentes com um sorriso.


- Precisamos comunicar ao capitão. – falou Sulu.


- Sim, precisamos. – concordou Wendy. – Porém, não tenho muita certeza se ele, o sr. Spock e o dr. McCoy vão acreditar em nós.


- O sr. Spock não acreditar em você? Impossível! – disse Sulu. – Se eu fosse você, ficava esperto na época do Pon-Farr...


                   Wendy ruborizou-se.


 


- Hikaru, você sabe muito bem que minha relação com o sr. Spock é puramente profissional. Mesmo porque ele é vulcano.


- Você pode muito bem agir como vulcana quando quer. – retrucou Sulu.


- Sou emocional demais. Isso encerra a discussão. E... Você sabe o que sinto por... Por Pavel Andreievitch. – Wendy lançou um olhar receoso a Davy.


- Relaxe, Wendy, quando eu recuperar meu corpo não contarei nada a Chekov. – Davy riu, aumentando o rubor nas faces de Wendy.


- Hã... Obrigada, eu acho. – ela falou.


- Então... Vamos contar ao capitão, o sr. Spock e o dr. McCoy? – inquiriu Sulu.


- Temos escolha? – Davy inquiriu por sua vez.


- Creio que não. – Wendy respondeu.


- Então vamos contar. – disse Davy.


 


 


 


 


     - Srta. Sutherland, acha mesmo que o sr. Chekov trocou de lugar com um cantor dos anos 1960? – indagou o sr. Spock. Não achava aquele raciocínio de sua assistente totalmente lógico.


     - Tenho certeza, sr. Spock! O tenente Sulu concorda comigo.


      - Dr. McCoy... – começou o sr. Spock.


       - Sim?


       - Seria perigoso para a saúde mental, ou ainda física, do sr. Chekov que eu lhe fizesse um mindmelding?


         - Tenho medo dos efeitos colaterais.... – resmungou o dr. McCoy. – Mas me parece que o único modo de confirmar essa história é por meio desses seus métodos alternativos.


          - Métodos alternativos? – se um vulcano podia parecer irritado, Spock parecia.


          - O que é um mindmelding, Wendy? – Davy perguntou ao ouvido da tenente.


           - É um pouco difícil de definir... Eu diria, grosso modo, que é um meio pelo qual os vulcanos estabelecem uma conexão entre suas mentes e as das pessoas em quem aplicam o mindmelding, geralmente de forma a extrair informações... No caso, se você de fato é Davy Jones.


 


                      Davy engoliu em seco, preocupado. Contudo, acabou por deixar o primeiro oficial entrar em seus pensamentos. A sensação era estranha, e era um pouco constrangedor que o sr. Spock visse algumas de suas lembranças, sobretudo aquelas que envolviam Dianna... Por fim, terminou. Estoicamente, o oficial de ciências disse ao capitão e ao dr. McCoy:


 


- Capitão, doutor... Este de fato não é o alferes Chekov.  O corpo é o dele, sem sombra de dúvida, mas a consciência de fato pertence ao tal cantor.


- Que faremos, então? – inquiriu o capitão Kirk.


- Não vejo alternativa senão encontrarmos um meio de voltar no tempo, de maneira que possamos devolver a consciência do sr. Jones ao seu corpo, e trazer a do sr. Chekov de volta.  – disse o sr. Spock. – Srta. Sutherland...


- Pensarei em algo, sr. Spock! Farei de tudo para ter meu amigo de volta! – exclamou Wendy.


- Ótimo. – respondeu o sr. Spock.


 


                               Sulu e Davy olharam para Wendy, e quase era possível enxergar as engrenagens se movendo no cérebro brilhante daquela garota-prodígio.


 


 


 


 


 


 


 


                                 


 


 

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