domingo, 21 de maio de 2023

Os amores de Dianna Mackenzie

 Olá! Hoje trago um post um pouco diferente. Quando pensamos na Di, imediatamente pensamos no Davy também. Mas ele não foi o único com quem ela já foi shippada. Desde que criei a Di em 2014, em Sunny Girlfriend, várias coisas mudaram no multiverso da Grindhouse e outros homens já passaram pela vida dela... E duas mulheres também. Por isso, hoje vamos saber um pouco mais sobre esses amores. 


Grindhouse Oficial

François Villeneuve (1961-1963)



                                                François - Gaspard Ulliel

  François foi o primeiro namorado da Dianna, quando ela morava em Paris com os pais e o irmão. Ela tinha 16 anos. Ele era o melhor amigo de Giles, irmão mais velho da Di, e foi graças a ele que se conheceram. O primeiro beijo e a primeira vez de Dianna foram com ele, e ele também foi a primeira inspiração dos seus famosos poemas. Di já era uma romântica incorrigível desde aquela época. François, apesar de alguns anos mais velho,  também era muito jovem. De maneira geral, foi um bom namorado para ela. Os dois sempre gostaram das mesmas coisas e se davam muito bem. Terminaram porque Dianna quis ir para a Inglaterra para estudar na Universidade de Oxford, e ele continuou na França. Os dois não mantiveram muito contato ao longo dos anos, mas não guardam mágoas. 


Davy Jones (1966-1968; 1975-2012) 



     O grande amor da vida da Di. No mesmo momento em que se viram pela primeira vez, no set de gravação da série dos Monkees, ao qual Dianna foi para substituir Erin em um teste, se apaixonaram perdidamente. Na verdade, esse amor vinha de outras vidas... Ficaram juntos por dois anos, até que, em 1968, com os Monkees no auge, Davy e Di começaram a se desentender. Ambos tiveram sua parcela de culpa. Davy era um pouco mulherengo, e Dianna era um pouco ciumenta... Terminaram. Mas, no fundo, ainda se amavam como dois loucos, apesar de serem ao mesmo tempo tão diferentes... E tão iguais. 
    Cada um seguiu seu caminho, Dianna voltou de Los Angeles para Londres, tiveram outros relacionamentos... Mas estavam sempre pensando um no outro. Até que, em 1975, Di cansou de fingir que não se importava mais com Davy. 
    Não se falavam desde a noite de autógrafos de As Aventuras de Johnny Finn, em 1971, quando tiveram uma discussão daquelas... Encerraram a discussão quatro anos depois, numa noite em que Davy apareceu no apartamento dela em Londres, e finalmente conseguiu provar para ela que nunca deixou de amá-la. E Dianna admitiu que também nunca deixou de amar Davy.  A discussão acabou com um beijo e uma noite de amor das mais intensas...
    No fim do ano, após descobrir que Dianna estava grávida, Davy a pediu em casamento. Em maio de 1976, nasceram as gêmeas, Cecilia e Rebecca. Nos 18 anos seguintes, vieram Henry, Damon, Annabel e Adam. Os "leõezinhos" ficaram juntos até 2012, quando, infelizmente, a morte os separou. 
   Hoje, Dianna é a matriarca da família Mackenzie-Jones e ama receber as visitas dos seus muitos filhos e netos. Mas, é claro, ela sente muito a falta de Davy, depois de dez anos sem ele...  


Eric Idle (1969-1971) 





      O homem por quem a Di quase se esqueceu por completo do Davy... Esse casal ainda não apareceu em nenhuma fic, mas já decidi incluir na cronologia oficial. Dianna conheceu o Python em Londres, por meio de sua amiga Alice Stone, que namorava outro membro do Monty Python, Michael Palin.
    Apesar de Eric ser muito extrovertido, e Dianna, muito introvertida, de resto eles são muito parecidos, e sempre se deram extremamente bem. Gostam dos mesmos livros e das mesmas músicas, Di dava sugestões para as esquetes de Eric, e ele também lia as histórias e os poemas dela. E se amavam muito. 
    Dianna e Eric (ou El, como ela gosta de chamá-lo) foram muito felizes durante os dois anos em que namoraram, e quase foram morar juntos, se, no último momento, ela não tivesse desistido... Porque não conseguia se esquecer de um certo hobbit. Eric compreendeu e ele e Dianna mantiveram a amizade. Até hoje, eles são muito próximos. Enquanto era vivo, Davy sempre teve um ciuminho do Python com "cara de rato", como ele dizia...



Roger Taylor (1973-1974) 



     
Outro casal que ainda não fez sua aparição em fics, mas estou oficializando. O baterista do Queen foi o segundo e último homem com quem Dianna se envolveu antes de se resolver com Davy e voltar para ele. Quatro anos mais novo do que ela, foi também o mais jovem dos seus namorados. Ela conheceu Roger de uma forma inusitada: antes da fama, ele deu aulas de biologia na mesma escola em que Dianna dava aulas de história. Os dois conversavam na sala dos professores e no refeitório durante os intervalos e se gostavam cada vez mais. 
   Entre as idas e vindas com suas muitas namoradas, Roger ficou um ano e meio só com Di, algo quase inédito para ele. Mas a historiadora e escritora mexeu com ele de uma maneira que Roger não esperava. Di também desenvolveu uma paixão por ele, mas não tinha com Roger a mesma cumplicidade que teve com seu namorado anterior, Eric... Ou com Davy. Lá estava ele nos pensamentos dela outra vez. 
     Mesmo assim, Dianna gostou do tempo que passou com Roger, e eles ainda guardam boas lembranças um do outro. 


 What If


Alain Delon (1971-1972)







      O ator francês mais desejado dos anos 60 e 70 foi mais um dos casos da Di, em alguns universos What If, com destaque para o universo da série "O Casamento de Anastacia Rosely e Paul Breitner". Nesse universo, Davy acabou traindo Dianna com sua ex-namorada, Nami Okawa. Di não suportou saber disso e terminou tudo. Ela foi morar em Paris com o irmão, Giles, e a namorada dele, Catherine Deneuve. 
     E lá, graças à cunhada atriz, Di conheceu Delon. Porém, como a própria Dianna já disse, o relacionamento deles era muito mais carnal. Faltava algo ali e ela terminou com ele. 
     Como visto na fic I Can't Stop Loving You, pouco depois, Davy foi procurá-la em Paris, Di o perdoou, os dois reataram o relacionamento, se casaram e tiveram as gêmeas. 


Gerd Müller (Stop! In The Name of Love - 2010s AU) 




      Nessa fic troca-destroca, temos Di e Der Bomber como um casal. No começo da fic, eles estão noivos. Porém, com a chegada de Davy e Louise, tudo muda. Não se sabe muito sobre o relacionamento dos dois antes do início da história. Fica aí para imaginar.... Mas a verdade é que Dianna devia mesmo ficar com o Davy e Gerd com a Lulu! 


    As mulheres 


     Louise McGold (Grind Oficial e What Ifs) 






    As "hobbits loirinhas" já mostraram que se gostam em várias fics. Em algumas, chegaram a ser rivais, principalmente pelo amor do Davy, melhor amigo da Louise. Mas a rivalidade sempre se converte em amor...


  Emma Carlisle (Grind Oficial e What Ifs) 






     Independentemente do universo, se é Grind Oficial ou algum universo What If, Emma é sempre a melhor amiga da Di, e também sua alma gêmea. Emma faz qualquer coisa pela Dianna, e a recíproca é verdadeira. Às vezes, ela até exagera na dose, e reconhece isso. Mas é tudo por amor...

      




      


sábado, 20 de maio de 2023

Love Or Confusion - Episódio 3

 Boa noite! Mais uma parte de Love Or Confusion para vocês, boa leitura! 


Alguns dias depois, Melissa e Tracy estavam de volta à Escola Real de Balé. Mais do que nunca, os treinos eram intensos. Melissa estava determinada a obter o papel de Odette e Odile, não conseguiria ter paz de espírito até que os testes passassem.

  Tracy estava mais tranquila do que a amiga quanto aos testes, mas também tinha suas preocupações. Por mais que gostasse de sexo casual, e inicialmente tivesse imaginado que era só isso que queria com Mitch, estava desapontada, pois haviam se passado cinco dias desde a noite em que ficaram juntos, e ele não havia dado sinal de vida. Não quis comentar nada com Melissa ou Valleri. Para as amigas, queria dar a impressão de que não se importava com a falta de notícias de Mitch. 

  Mas as amigas a conheciam bem demais para se deixarem enganar. Durante uma pausa no treino, Melissa pressionou: 


- Tracy, admita, você não está bem. É por que Mitch não dá notícias há dias? E

- E eu lá sou mulher de me martirizar por que um homem transa comigo uma vez e depois desaparece? - Tracy retrucou, quase ofendida. 



 Melissa nada disse, apenas arqueou a sobrancelha.



- OK. - ela suspirou. - Eu não tinha a menor intenção de gostar do Mitch… Gostar de verdade. Só queria passar uma noite com ele, já que nós dois estávamos claramente interessados. Mas, depois que transamos… Acho que me apaixonei por ele. Logo eu, que não queria nada além de sexo.

- Que fofa! A Srta. Coração de Pedra finalmente está se apaixonando! 

- Eu já me apaixonei antes. Hilton, Rod. - Tracy suspirou. - Aquele garoto do ensino médio. Mas não vou me iludir, Mitch não é o tipo de homem que não consegue nem falar de tão apaixonado, como Noel. 

- Você acha que… Noel está mesmo apaixonado por mim? - Melissa ficou pensativa.

- E por que não estaria? Você é Melissa Mann, a bailarina mais bonita e talentosa do corpo de baile da Escola Real. E neta do escritor alemão, ganhador do prêmio Nobel, Thomas Mann!



    Melissa riu diante da menção ao seu avô. Não achava que ser neta de um ganhador do Nobel de Literatura fazia alguma diferença para que um homem se apaixonasse por ela. 


- Às vezes, queria que o vovô ainda estivesse vivo. Ele estaria bem velhinho, mas com certeza me daria um bom conselho. Mas não, Tracy, não acho que eu seja a mais bonita e talentosa aqui. 

- Ah, é sim! - as duas moças ouviram a voz de um homem mais velho.



    Rud Johnstone, um dos bailarinos mais antigos da Escola Real, entrou na sala de treino. Ele já tinha quase 50 anos e, mais uma vez, interpretaria o Conde Rothbart na montagem de O Lago dos Cisnes. Melissa achava que a única desvantagem de interpretar Odette e Odile seria ter de contracenar com ele.


- Nenhuma se compara a você, Melissa. - ele olhava para ela de uma forma que deixava a garota profundamente desconfortável. Tracy se aproximou mais da amiga. Esperava que Rud não fizesse nada mais do que falar, falar sem parar, como de hábito. 

- Não exagere, Rud. - Melissa respondeu, secamente.

- Não é exagero, minha querida. Tenho certeza de que você será a nova Odette. Que prazer terei em contracenar com você…

- Mas não se esqueça de que a bailarina que interpreta Odette também interpreta Odile. Bem, Tracy e eu precisamos ir…

- Acho que você deveria… Vir até minha casa para conversarmos sobre O Lago dos Cisnes, o que você acha? - Rud segurou Melissa pelo braço, mais forte do que deveria. 

- Já eu acho que não será necessário. - ela puxou o braço. 



        Ele começou a se irritar.


- Pare de se fazer de difícil, menina! Tenho certeza de que, se eu fosse um moleque da sua idade, estaria aos meus pés! Só vou deixar você em paz se já tiver algum namoradinho… Pelo que sei, você não tem.


      Tracy havia sumido da sala. Melissa começou a suar frio, não acreditava que a amiga a tinha deixado ali sozinha. Será que havia ido chamar alguma das autoridades da Escola Real? A rigor, ele não tinha feito nada ilegal, mas não duvidava que poderia fazer. E mesmo assim, não era garantia que tomariam alguma providência. Provavelmente diriam a mesma coisa que Rud, que ela estava só se fazendo de difícil e que a proposta dele não tinha nada de mais. 

   Não disse nada, e tentou sair da sala. Afastou-se a passos largos, abriu a porta, e…


- Amor! - exclamou ela, agarrando Noel e dando-lhe o beijo mais estalado que pôde. 


    O baixista não estava entendendo nada, mas não podia reclamar, longe dele ousar reclamar. 


- Rud, esse é o meu namorado, Noel! Ele veio me buscar para irmos ao cinema, não é, meu amor? - ela entrelaçou o braço no dele e encostou a cabeça em seu ombro, com o sorriso mais idiotamente apaixonado de que era capaz. 


     Aquilo era um sonho? Se era, Noel não queria acordar jamais. Mas entendeu que aquele homem precisava acreditar que ele era namorado de Melissa, e esse era um papel que estava mais do que disposto a interpretar. 


- S-Sim! Hoje você escolhe o filme… - ele reuniu o máximo de coragem que pôde. - Minha linda. - e ficou vermelho.



     Ela também ficou ligeiramente corada, mas se manteve no personagem, dizendo: 


- Então, é melhor irmos se não quisermos perder a sessão, não é, Noel? Até mais, Rud! - ela apressou Noel para fora da sala e fechou a porta com estrondo. 



    Afastaram-se o suficiente da sala de treino para ficar fora do alcance da audição de Rud, e Melissa disse: o


- Noel, me desculpa por ter te beijado daquele jeito, é que…. Aquele idiota do Rud não queria me deixar em paz. Ele é o tipo de homem que só entende uma mulher não estar interessada se já tiver outro na parada. E, às vezes, não se conforma mesmo assim. 

- Não tem problema… - "Pode me beijar assim o quanto quiser, eu não vou reclamar", pensou ele. - Se precisar, posso continuar fingindo ser seu namorado. 

- Espero que ele me deixe em paz daqui para a frente. Diferente de outras mulheres, gosto de homens na minha faixa etária. 

- E ele nem é o tipo que vocês consideram atraente, não é? Para mim, ele pareceu meio acabado. - Noel disse. 



      Melissa riu. 


- De fato, ele já esteve melhor. Ah! - ela finalmente reparou nas flores que Noel tinha nas mãos. - Eu amassei suas flores, no meu desespero de me livrar dele, me desculpe...

- São… São suas flores, na verdade. - disse ele. - Gosto da ideia de uma bailarina receber flores nos bastidores do teatro. Vim aqui para te ver, e na recepção me disseram que você estava na sala de treino, aqui no segundo andar.

- Para… Para mim? - ela sorriu. - Que gentil, não ganho flores há tanto tempo…

- Por mim, você ganharia flores todos os dias. - Noel disse, sem nem pensar. 



     Ela sorriu, encorajadora, e Noel estendeu-lhe o buquê de flores amassadas, não sem antes tentar amenizar o estrago desamassando-as, como se ele fosse o culpado. 



- Bem… Como eu disse, são para você. 

- E são peônias! Minhas flores favoritas! Obrigada! - ela o beijou, dessa vez no rosto, e Noel gostou ainda mais desse beijo, pois foi genuíno. 

- Não há de quê. - ele olhou para os próprios pés. 

- Como adivinhou que as peônias são minhas favoritas? - ela cheirava as flores. 

- Eu… Só achei que combinavam com você. São tão delicadas, e… E lindas…


       

   De repente, Noel sentiu que precisava abrir o jogo. Ela tinha pedido que tomasse uma atitude, não tinha? Pois então, ele tomaria.  


- Melissa, você é a garota mais linda que eu já vi. - disse ele, antes que perdesse a coragem. 


  

      Ela sorriu. Finalmente. 


- Obrigada. 

- E eu… Eu quero você. Não só por uma noite, como você parece ter pensado… Sei que não nos conhecemos direito ainda, mas eu… Eu quero seu amor, e quero conhecer você, quero muito. Quero dizer… Se você permitir. 

- Eu permito. Desculpe por ter te chamado de banana… Entendo que você só é tímido. Eu também sou. 

- Mas eu mereci. - ele deu um risinho. - Então… Você me dá uma chance, linda?

- Claro que sim. - Melissa aproximou-se dele e beijou-o, doce e levemente. 

- Mas e o seu antigo namorado, aquele que Georgiana seduziu? - Noel perguntou, ao quebrarem o beijo.

- Não quero mais nada com Christopher, se foi capaz de me trocar por aquela lambisgóia. - respondeu Melissa, e voltou a beijar Noel como antes.



    Mas Noel aprofundou o beijo, e ela não resistiu. 


- O que você acha de a gente se conhecer melhor… No meu apartamento? - propôs ele. "Será que aquilo que Mitch disse sobre coxas de bailarina é verdade?", pensou. Estava ficando excitado.

- Que mudança! - Mel não pôde deixar de rir, parando quando percebeu… Alguma coisa perto de suas coxas. - Mas acho uma ótima ideia.


*** 



    Tracy havia saído da sala de treino para ir atrás de alguém que pudesse punir Rud por importunar Melissa, mas não chegou a fazer isso, pois Noel não havia vindo sozinho até a Escola Real. Mitch veio junto, para ver Tracy. 

    Ela passava por um corredor, procurando por um diretor, quando ouviu uma voz que havia dias ansiava por ouvir. 


- Boneca! Até que enfim te achei!


    

     Tracy virou-se na direção de onde vinha a voz. 


- Ora, ora, quem é vivo sempre aparece! - ela caminhou para ele, de braços cruzados e cara amarrada.

- Vim aqui para te ver, Tracy. - Mitch deu seu sorriso atrevido para ela. 

- Depois de cinco dias sem dar sinal de vida, Mitch? - reclamou a garota.

- Eu…

- Esperava que você pelo menos ligasse depois de termos passado a noite juntos. 

- Achei que você não se importasse. - respondeu ele, dando de ombros. 


      Pela primeira vez, ela parou para pensar que talvez estivesse exagerando com seu jeito despreocupado. Poderia acabar afastando aqueles que não queria afastar… Como Mitch. 


- Bom... Foi falha minha. - Tracy admitiu. - No primeiro momento, pensei que só queria algo casual. Mas…

- Você não resistiu ao meu charme, eu sabia. - o sorriso atrevido voltou a dançar em seus lábios.

- E nem você ao meu, acredito.

- Não mesmo, boneca. - ele se aproximou e a enlaçou pela cintura. Tracy não achou nada ruim. - Prometo que vou ligar todos os dias a partir de agora. 

- Acho bom. Agora… E se repetirmos a dose? Você me deixou querendo mais. - ela enrolou um cacho do cabelo dele em seu dedo. - E fomos interrompidos…

- É claro, Tracy. Devemos ficar com meu apartamento só para nós por algumas horas. Noel deve estar com Melissa agora, mas duvido muito que ele vá precisar do apartamento para… Fazer o que tem que fazer. Jimi e eu tivemos que encorajá-lo a simplesmente dar flores para ela, ele não vai dar um passo tão grande nesse momento…



*** 



    Mas Mitch e Tracy ainda ficaram na rua por mais uma hora, dando a Noel e Melissa a oportunidade de chegar antes ao apartamento que o baixista e o baterista dividiam.


- Quando nos conhecemos, algumas semanas atrás… Não imaginaria que você é… Assim. - disse Melissa, ofegante, enquanto Noel a enchia de beijos por todo o corpo. Estavam deitados na cama dele. 

- Normalmente, eu não sou. - reconheceu Noel. - Mas preciso de você, Melissa. Devo parecer asqueroso dizendo isso, mas…

- Jamais! Seria asqueroso vindo do Rud, mas de você, nem um pouco. 

- Que bom. - ele continuou beijando-a. Dessa vez, nas coxas. Mitch tinha razão, coxas de bailarina eram a oitava maravilha do mundo. Bem torneadas e firmes.

- Mas, se precisa tanto de mim… Por que está demorando tanto, Noel? - ela já estava ficando impaciente. As preliminares pareciam mais tortura. 

- Não está gostando? - por um breve momento, a antiga atitude insegura de Noel retornou e ele parou o que estava fazendo. Não queria de forma alguma desagradar Melissa.

- Estou… Muito. - Mel suspirou languidamente. - Mas… Acho que estou pronta. Vem.



   Ela não precisou insistir, e Noel deixou de lado sua insegurança mais uma vez. Era mesmo seu dia de sorte. Duas semanas antes, parecia impossível para ele estar naquela posição com Melissa.



*** 



   Valleri era mesmo uma Mackenzie. Os membros da família costumavam dizer que o maior defeito dos Mackenzie era que, quando amavam alguém, amavam até demais. Diziam que isso vinha de um antepassado dos tempos medievais, um soldado escocês que teria se apaixonado por uma princesa irlandesa, a prometida do duque a quem servia, e que o casal teria cometido loucuras para ficarem juntos. As gerações mais jovens da família não eram exceção. 

    Ela conhecia Jimi havia menos de dois meses, mas já estava perdidamente apaixonada por ele. E sabia que sua prima, Dianna, também se sentia assim a respeito de seu namorado, Davy. Teve a oportunidade de observar os dois juntos várias vezes e a paixão que os unia era palpável. Perguntava-se se era possível "pegar" seu amor por Jimi no ar, e se ele correspondia…

   Sabia que artistas, normalmente, sentem as coisas de maneira diferente das demais pessoas. E que Jimi prezava muito a liberdade. Hoje, ele podia dizer que estava apaixonado por Valleri e queria ficar somente com ela. Mas poderia muito bem acordar no dia seguinte e desmanchar tudo, se achasse que estava sendo tolhido, ou aparecesse outra em seu caminho. Ele escrevera Highway Chile, afinal. A modelo sentia-se murchar por dentro quando pensava nisso.

   Estendeu a mão para acariciar o rosto dele, e Jimi pegou a mão de Val na sua, sorrindo para ela. 


- O que foi, Foxy? Você parece triste. Pensei que estivesse feliz por estarmos juntos. 

- E estou, Jimi. - ela sorriu tristemente. - Mas estava pensando que… Bem, você é um artista. E você mesmo disse, na sua música: "Não posso ser amarrado". Você vai acabar se cansando de mim, mais cedo ou mais tarde, acho. Não quero ser egoísta, mas também não quero que você se canse de mim, Jimi. Porque acho que jamais me cansaria de você. Poderia ouvir você falar, cantar e tocar sua guitarra para sempre. Eu te amo.



   Valleri nem sequer pensou na força daquelas três últimas palavras. Mas sabia que não eram da boca para fora, ela estava sendo sincera. E Jimi percebeu a sinceridade nelas, impossível não perceber.


- Eu também te amo, Val. - ele a beijou. - Não poderia me cansar da minha Foxy Lady, não se preocupe. Mais fácil me cansar dessa vida de tocar sempre as mesmas músicas, noite após noite. 

- Será? Por que sinto que, quando me der conta, você não estará mais aqui ao meu lado? - ela não tinha a intenção de acusar Jimi de nada, mas essa era uma sensação de que não conseguia se livrar. 

- Bom, Foxy, eu vivo sempre cada dia como se fosse o último, a gente nunca sabe o dia de amanhã, afinal de contas. Pode ser que amanhã eu realmente não esteja mais aqui, mas não porque eu queira, simplesmente porque pode acontecer. 

- Somos tão jovens, Jimi, temos a vida toda pela frente! 

- Tem razão, meu amor, mas ainda assim, gosto de viver como se não houvesse amanhã. Qualquer dia desses pode acontecer uma catástrofe nuclear, vai saber! 

- Você lê ficção científica demais. - Valleri riu. 

- Pode ser. - ele riu também. - Mas você não gosta da ideia de fazer amor sempre como se fosse a última vez? 

- Gosto. Acho bom não perdermos tempo, então. Afinal, um reator nuclear pode estar prestes a explodir neste momento. - ela sorriu, e então sentou-se no colo do namorado, colocando as pernas ao redor dele.

- E teremos que nos adaptar à vida subaquática, pois a superfície vai ficar inabitável. Eu deveria escrever uma música sobre isso…

- Jimi, realmente nunca vai existir outro como você! Você é mesmo um enviado dos deuses. - ela o beijou.

- Pode ter certeza de que sou tão humano quanto você, Val.


                                     ***

- Bem-vinda ao meu humilde lar, boneca. - disse Mitch, desprendendo-se de Tracy para abrir a porta do apartamento. 



  Eles entraram. De fato, não era um apartamento grande nem muito luxuoso, mas era confortável, com papel de parede psicodélico, móveis modernos e coloridos e um móvel com uma vitrola e discos.


- Muito legal. - disse Tracy.

- Mas você ainda não viu meu quarto. - Mitch deu um sorrisinho malicioso. 



     Ele a pegou nos braços novamente e voltou a beijá-la. Entraram no corredor, ainda se beijando, e Mitch estava prestes a abrir a porta de seu quarto, quando…


- Você ouviu isso? - perguntou Tracy. - Parece… Alguém gemendo. 

- Gemendo? Será que… Não é possível… 



  Mais uma vez Mitch se soltou de Tracy e caminhou pelo corredor, até a porta que ficava no fim do corredor, a porta do quarto de Noel. Encostou a orelha na porta. Tracy se juntou a ele, também encostando sua orelha na porta.



- Aaah… Noel! Isso… Continua… - dizia uma voz feminina, ofegante.



   Tracy abriu a boca de espanto ao reconhecer a voz feminina.  


- É a Mel! - sussurrou para Mitch. 

- Que surto de coragem foi esse do Noel? - Mitch também estava espantado. - Bem… Vamos deixá-los e cuidar dos nossos assuntos, não é, boneca? 

- É claro. - Tracy sorriu para ele. 


segunda-feira, 1 de maio de 2023

Love Is Only Sleeping (Grindhouse Myth)

 Boa tarde! Espero que estejam aproveitando o feriado. Hoje, temos uma nova Grind Myth, inspirada em um mito menos conhecido: a história de Hipnos, o deus do sono, e sua esposa, Pasitéia, uma das Graças de Afrodite. Essa história está relacionada com a Guerra de Tróia e sempre foi uma das minhas favoritas. Como protagonistas dessa versão, temos um dos novos ships: Noel Redding e Melissa Mann. Espero que gostem! 



    


     


  Nos confins do mundo, numa caverna com a entrada ornada de papoulas, flores vermelhas de poder sonífero, vivia o deus do sono, Noel Redding. 

 Normalmente, a qualquer hora do dia, quem entrasse em sua caverna encontraria o deus adormecido em sua grande cama de ébano acolchoada, o mais confortável dos leitos, e ladeado por pequenos sonhos, seus aprendizes. 

  Mas, naquele momento, mesmo o deus estava privado do repouso que ele próprio concedia. Não conseguia parar de pensar em Melissa, uma das três Graças. Elas eram as damas de companhia de Odile, a deusa do amor e da beleza. Desde que viu Melissa numa das raras festas do Olimpo a que comparecera, ela nunca mais deixou seus pensamentos. 

   Noel era tímido demais para dizer à Graça o que sentia, embora, sempre que adormecia (o que era muito frequente), ela fosse a única a habitar seus sonhos. Só conseguia olhar para ela.

   Quando Melissa surgia no salão dos deuses, acompanhada das outras duas Graças, Valleri e Tracy, Noel esquecia tudo. A ambrosia e o néctar permaneciam intocados e a única coisa que o alimentava era a doce visão da jovem deusa, com suas vestes diáfanas, os brilhantes olhos azuis e o sedoso cabelo louro platinado. 

   Sabia que ela nunca olharia para ele, tão quieto e… Soporífero. Havia outros deuses mais interessantes para atrair a atenção da graciosa dama de companhia divina. 

 O máximo de ousadia que se permitia era observá-la se banhar na lagoa favorita de Odile. E fazê-la adormecer após o banho, para conseguir olhar um pouco mais de perto. Mas não fazia mais do que isso. Jamais faria qualquer coisa além de olhar sem o consentimento dela. Sabia que nem mesmo observá-la daquela forma furtiva era certo, mas não podia evitar.

   E assim, o próprio deus do sono não conseguia mais dormir, sofrendo com o amor não correspondido. Quando Odile mandou seu filho, que também se chamava Noel, flechá-lo, esqueceu-se de ordenar que flechasse a Graça também. Mas logo surgiria a chance de consertar esse erro. 

    Na Terra, uma grande guerra se desenrolava em Tróia e todos os deuses estavam interessados nos seus desdobramentos. Principalmente a rainha dos deuses, Marie. Seu marido, Roger, apoiava os troianos, e ela, os gregos. E naquele momento, os troianos levavam a vantagem. 

  Então, Marie teve uma ideia. Seduziria seu marido, faria com que dormisse e aproveitaria para ela mesma interferir na guerra e virar a maré da sorte a favor dos gregos. Para isso, precisaria de duas coisas: o cinturão de sua irmã Odile e a ajuda de Noel Redding, o deus do sono. 

  O cinturão da irmã foi fácil de pegar emprestado. Odile era muito ciosa de sua beleza e do seu cinturão, que a potencializava ainda mais, mas não negaria nenhum pedido à sua amada irmã mais velha. 


- O que pretende, irmã? - quis saber Odile. 



  Marie precisava ser cautelosa, pois Odile apoiava os troianos. Afinal, ela fora a causadora daquela guerra. Prometera o amor da mais bela mortal, a rainha Elinor de Esparta, a um troiano chamado Graham Nash, para que ele lhe entregasse o pomo dourado com a inscrição "Para a mais bela", em detrimento de sua própria irmã, Marie, e de sua melhor amiga, Louise, a deusa da sabedoria e da guerra. Todas as deusas eram muito orgulhosas de sua beleza.

  Graham entregou o pomo a Odile e ela o ajudou a levar Elinor para Tróia, despertando a fúria de Robert Plant, o marido da jovem e rei de Esparta, que reuniu os maiores guerreiros de toda a Grécia para recuperar a esposa. 


- Bem… Só quero que meu marido passe a noite comigo, para variar, em vez de alguma mortal.

- Com meu cinturão, Roger só terá olhos para você, Marie. - garantiu Odile. - Pelo menos por essa noite. Por favor, não demore a devolvê-lo… Tenho um encontro com Franz amanhã.

- E você realmente precisa desse cinturão, Odile? Você é a mais bela de todas as deusas, o príncipe mortal até mesmo te deu o pomo com aquela inscrição. - Marie, internamente, nunca perdoara a desfeita que Nash lhe fizera. Ela lhe prometera o poder sobre um continente inteiro e ele escolhera uma mulher que já tinha marido! Um ultraje do começo ao fim. 

- Ah, com ele meu poder de sedução e encanto só aumenta. - Odile sorriu. 

- Imagino. Bem, falando em ofertar coisas para obter favores… Acha que Noel Redding, o deus do sono, ficaria contente com um trono de ouro com almofadas de seda e um banco para descansar os pés? Descansar nem sei de quê, ele só dorme…



      Antes que Odile pudesse responder, a Graça Melissa adentrou o aposento, trazendo a imensa caixa de marfim com as jóias de sua senhora. Lá dentro estava o cinturão de ouro. Odile olhou bem para o adorável rosto de sua dama de companhia ao agradecê-la, e discretamente fez sinal para a irmã. 

   Quando Melissa saiu do aposento, Marie perguntou: 


- Sua Graça? O deus do sono está apaixonado por ela? Eu jamais teria percebido, ele é tão quieto… 

- Nenhuma paixão passa despercebida por mim, até mesmo a mais tímida. Ademais, foi o meu Noel que fez isso com o Noel deus do sono… Ele o acertou com sua flecha bem na hora em que Melissa entrava no salão de banquetes, já faz um tempo. Mas não se lembrou de flechar Melissa também, aquele menininho cabeça de vento. - Odile nunca admitiria que o esquecimento fora dela. - Preciso corrigir isso. Ofereça a mão de Melissa em casamento a Noel e o deus do sono fará o que você quiser. Do resto, pode deixar que eu mesma me encarregarei. Aqui está meu cinturão.

- Obrigada, irmã. 

   Marie pegou o cinturão de Odile e saiu para encontrar Noel em sua caverna longínqua e, em seguida, o marido no Monte Ida, de onde ele observava cada mínimo acontecimento no campo de batalha próximo às muralhas de Tróia. 



*** 


    Ao adentrar a caverna onde Noel residia, Marie se sentiu imediatamente entorpecida. Não reprimiu um bocejo, mas precisava se manter acordada para o encontro com Roger em seu posto de observação no Monte Ida. Surpreendeu-se ao encontrar o deus acordado. 


- O que deseja em minha humilde morada, Majestade? - Noel fez uma reverência a Marie, e sua voz não estava nem um pouco arrastada de sono, como normalmente era. 

- Preciso de um favor seu, ó Noel Redding, deus do sono. 

- E o que seria? - ele ficou intrigado.

- Adormecer meu marido, Roger, após eu ter feito amor com ele, para que eu possa mudar os rumos da guerra em Tróia a favor dos gregos. 

- Mas, minha senhora! Adormecer o rei dos deuses? - Noel ficou espantado. - Eu não ousaria…

- Nem mesmo se… Eu lhe oferecer em troca aquilo que mais deseja? 



   Aquilo que ele mais desejava era Melissa, a Graça. Como Marie poderia saber…? Então, lembrou-se de que a rainha dos deuses era irmã da deusa do amor. Nenhum amor escapava a Odile, por mais bem guardado que fosse. 


- Eu… - Noel hesitava. 

- Se me ajudar, terá como recompensa a mão da Graça por quem está apaixonado. É por isso que não está dormindo, não é? A paixão está tirando seu sono. - Marie ainda não estava usando o cinturão de Odile, mas sua voz já soava melíflua o suficiente para que Noel cedesse, ainda mais fazendo uma oferta como aquela.

- Senhora Marie… Eu amo Melissa, o que mais quero é tê-la como esposa… Mas ela não me ama, nunca me dirigiu a palavra nos banquetes do Olimpo. E não quero obrigá-la a nada. Receio que eu seja desinteressante para uma jovem como ela… 

- Não se preocupe, Noel. Para minha irmã Odile, não há problema amoroso que não possa ser resolvido. E então? Irá me ajudar? 



   Noel ainda estava relutante, pois se Roger descobrisse, certamente seria ele a sofrer as consequências. Mas a lembrança de Melissa surgiu em sua mente. 

   Por um breve instante, sonhou acordado com aqueles olhos brilhantes e aquele doce sorriso dirigidos a ele e somente a ele. Seria possível que Melissa o amasse, se aquela a quem ela servia, Odile, interviesse? Ele, um deus, rezou para que sim. E aceitou a oferta de Marie.


                                        *** 



   Em seus aposentos, Odile repousava, recostada em sua cama. Naquela noite, infelizmente, não receberia a visita de Franz. Mas ela teria algo com que se ocupar. 

   Havia providenciado de antemão para que Tracy e Valleri estivessem ocupadas com outras coisas, levando recados para seus outros amantes, e ficasse sozinha com Melissa. A Graça estava distraída, alimentando as pombas brancas de Odile, seus animais sagrados. Então, a deusa do amor começou:


- Sabe, Melissa, ninguém pode fugir do meu poder. Muito menos uma das minhas Graças. 



     Melissa virou-se para sua senhora, os grandes olhos azuis brilhando de espanto e o rosto vermelho como maçãs maduras. 


- O que quer dizer com isso, senhora? 

- Sei que entregou seu coração a alguém, querida.

- Bem… - Melissa baixou os olhos. Dentre as três Graças, era a mais tímida. "Perfeita para ele, que é outro tímido", pensou Odile. - Sim. Christopher Romanov, o filho semideus da deusa da colheita, Tatiana. Mas ele não faz ideia de que o amo, creio eu. Dizem que ele ama uma olimpiana.



   Odile não podia dizer que desaprovava a escolha de Melissa. Christopher era muito bonito e um guerreiro valente. Mas era um dos favoritos de Louise, que não gostaria nem um pouco de saber do interesse da Graça nele. 

  Além disso, o que era um semideus, se um deus desejava o amor dela? Odile precisava desviar a atenção de Melissa de Christopher, para auxiliar Noel e evitar a ira de Louise, caso ela viesse a saber daquela paixão, por mais que o guerreiro fosse perdidamente apaixonado pela deusa da sabedoria e nada soubesse do amor da Graça por ele.



- Uma ótima escolha. - Odile observou. - Mas eu sei de um deus que está perdidamente apaixonado por você, Melissa. 

- Um deus? - repetiu ela, intrigada e interessada. - Quem? 

- Ele virá esta noite para vê-la. Aceita encontrá-lo? 



    Melissa hesitou por um momento. E se fosse um deus desagradável? Bom, a maioria deles não era. Devia ser um deus menor, já que os olimpianos ou eram casados ou tinham amantes que não aceitariam dividi-los com mais ninguém. Pensou nos deuses menores. Havia um que lhe era especialmente agradável, embora ele raramente convivesse com os outros deuses. 


- Sim. Ele pode vir. Aguardarei por ele. - seu coração saltava dentro do peito, perguntando-se quem poderia ser seu admirador. Tinha esperança de que fosse o deus em que havia pensado.

- Certo. Farei com que ele seja avisado. - disse Odile, convocando imediatamente Mickey, o deus mensageiro, para que avisasse o deus do sono. 



    Logo após adormecer Roger nos braços de Marie, Noel foi avisado por Mickey, e imediatamente rumou para um bosque no Olimpo, onde sua amada esperava. 

     Era o mesmo bosque onde ficava a lagoa em que Odile e suas Graças costumavam se banhar. Lá chegando, Noel avistou Melissa sentada sobre uma pedra, esperando. Ele tremeu da cabeça aos pés e engoliu em seco. Nunca precisara de tanta coragem. 

  Marie dissera que para Odile nada era impossível quando se tratava de amor, e ele sabia disso, mas, ainda assim, temia que Melissa o rejeitasse. Olhou a bela figura mais uma vez, e suspirou, chamando a atenção dela. 


- Ah, é você! - exclamou Melissa, levantando-se da pedra em que estava sentada. 



     A Graça ficou contente ao ver que se tratava de Noel, o deus do sono, justamente o deus menor por quem tinha mais simpatia. Todos no Olimpo gostavam de Noel, pois tinha uma personalidade doce e benfazeja. Abriu seu lindo sorriso para ele.

   Noel caiu de joelhos conforme Melissa se aproximava dele. Ela parou diante do deus do sono e estendeu suas delicadas mãos para que ele beijasse. 



- P-Posso? - perguntou ele, mal conseguindo olhar nos lindos olhos azuis da Graça. 

- É claro. - respondeu ela, docemente. 



     Ele pegou as mãos de Melissa nas suas e beijou-as suavemente, mas não menos apaixonado. A Graça percebeu que aquele deus, tão quieto e tímido, por dentro estava ardendo de amor por ela, e ficou enternecida. 

   Sem que os dois percebessem, Odile e seu filho observavam. E, naquele exato momento, Odile pôde corrigir seu erro. Melissa foi flechada. 



- Melissa, doce Melissa… - Noel finalmente cessou os beijos nas mãos da Graça e ergueu o olhar para ela. - Perdoe-me se não consigo expressar meus sentimentos com belas palavras, falta-me o dom da poesia. Mas desde que te vi, não penso em nenhuma outra. Não tenho mais poder sobre mim mesmo, não consigo dormir… Eu, o próprio deus do sono, não consigo dormir! Eu te amo, com todo o meu coração. Para mim, você é a mais bela de todas as imortais. 

- Ah, Noel, não diga isso! - Melissa exclamou, com medo de que Odile ouvisse e se ofendesse. 



  Odile ouviu, mas não se importou. Pelo contrário, pela primeira vez, aquilo não lhe pareceu uma afronta. Era apenas efeito do amor. Conquistar a boa vontade de Odile era fácil, uma vez que se mostrasse que o amor era verdadeiro.



- Estou farto de esconder o que sinto. - disse ele. - Não posso mais fazer isso. Mesmo que você não sinta o mesmo, minha adorada, alivia-me que agora sabe de seu poder sobre mim. Se já houver outro, saiba que não vou impedi-la. Não sou orgulhoso a ponto de exigir que seja minha e de mais ninguém… Por mais que deseje seu amor, para afastar a solidão de minha caverna, reinar ao meu lado sobre os sono e os sonhos. Nem mesmo eu poderia criar um sonho tão belo e doce quanto você, senhora de minha vida…


   A flechada já estava exercendo seu efeito sobre Melissa. A Graça não se lembrou, nem por um momento, de Christopher Romanov, quando Noel mencionou um possível rival. E estava encantada com as palavras dele.


- Mas eu sou sua e de mais ninguém, Noel. - disse ela, acariciando apaixonada os cabelos cacheados do deus, que ainda estava ajoelhado à sua frente. - E você dizendo que não tem dom para a poesia…



      Ele não acreditou no que ouviu. 


- O que disse, querida?

- Eu sou sua. - repetiu ela. - Não quero nenhum outro. Nenhum deus, semideus ou mortal. Só você, meu amor, meu doce deus do sono. Me ame, Noel… Por favor. 



   Ela não precisou pedir outra vez. Noel levantou-se e beijou-a na boca com muito mais confiança do que havia beijado suas mãos. A Graça arquejou, encorajando seu apaixonado a continuar, descendo da boca para o pescoço, os ombros e assim por diante…

    Enquanto a maré da sorte se voltava para os gregos em Tróia, Noel, o deus do sono, se sentia mais feliz do que o próprio Roger. E Melissa, a Graça, se sentia mais bela e amada do que a própria Odile. 

     Abençoados pelos reis dos deuses, Melissa e Noel se casaram e tiveram dois filhos, Nicholas e Laura, os deuses dos sonhos. 

   Nicholas, o mais velho, tinha poderes de metamorfose e era responsável pelos sonhos com pessoas e animais, enquanto Laura levava aos mortais, semideuses e deuses os sonhos com paisagens naturais. Ambos podiam levar sonhos bons ou ruins, dependendo do portão da caverna de seu pai por onde saíam.

  E assim vivia feliz aquela família de imortais, que presidia o sono e os sonhos.