Boa noite! Já temos um novo capítulo de Stop! Boa leitura!
Capítulo 11 - Heart Full Of Soul (Dianna's POV)
A manhã seguinte foi ainda mais estranha. Gerd só me deu um beijo no rosto. Era mais do que óbvio que ele também não tinha gostado muito de estar comigo, e eu estava com muita dor no coração. Não tinha mais jeito de voltar com meu ex-noivo, e eu entreguei o cara que eu amava de verdade de bandeja para a ex-namorada. Fui uma idiota completa.
Gosto do Gerd. Mas não mais do mesmo jeito de antes. E sei que ele sente o mesmo por mim. Contudo, acho que nós dois estamos carentes.
Ele me perguntou:
- Quer ir comigo para o estúdio? - as filmagens seriam retomadas, agora que Lulu e Odile estavam recuperadas.
- Bem... Vamos. - eu disse.
A verdade é que eu não queria ter que olhar para Davy e Louise de novo tão cedo, mesmo eu amando os dois e tendo sido minha escolha deixar Davy voltar para ela.
Fomos para lá depois de tomarmos café, e ao descermos do carro... Lá estavam Davy e Louise descendo do carro de Lulu também.
Infelizmente, eu realmente o amo. Cheguei a essa conclusão porque meu coração se transformou em um milhão de caquinhos diante da cena. E senti ciúme. Muito ciúme. E quando tenho ciúme é porque amo mesmo aquela pessoa.
Eu sei, fui eu quem deixei que ele voltasse para ela. Mas ele disse que me ama... Eu vi sinceridade nos olhos dele. E agora... Isso.
Mas eu sou uma mulher do século XXI e não vou ficar chorando por homem. Tentei agir como se não tivesse sido afetada, ainda mais porque Louise e Gerd estavam ali. Porém... Eles pareciam... Estar olhando um para o outro? Não sei, porque meu olhar encontrou o de Davy e ele pareceu tão magoado quanto eu.
Entramos no estúdio. Gerd e Lulu seriam os primeiros a gravar e receberam seus scripts. Pedi para ver o script de Gerd, e nessa cena Felix cobraria de Poppy uma decisão sobre o relacionamento deles, uma vez que Felix faz parte do corpo docente da universidade onde Poppy estuda. E Felix estaria muito, muito bravo naquela cena.
Gerd foi para o camarim se preparar, eu fiquei perambulando pelo duplex. Até que encontrei Davy. Sabe aquela vontade de abrir um buraco no chão para se esconder? Foi o que senti. Meus maxilares tremeram, mas nenhum som saiu. E ele me olhava desejando que eu falasse algo. Eu não conseguia.
Até que ele finalmente se manifestou:
- Foi por isso que me mandou embora? Por que queria voltar para ele? Deveria ter sido franca. Eu teria permitido. Não sou seu dono.
Até quando eu tento fazer as coisas certas eu só me atrapalho. Agora Davy deve estar pensando que eu brinquei com seus sentimentos, coisa que eu jamais faria.
- Eu pensei que você me correspondesse, Dianna. Mas vejo que não. Bem... Devemos seguir nossos próprios caminhos, então. Eu juro que não vou correr atrás de você.
- Não é nada disso, Davy! - tratei de desfazer o mal-entendido. - Eu chamei Gerd de volta porque me senti carente depois que deixei que você fosse embora. Mas, se você quer saber, foi horrível.
- Horrível? O que foi horrível? Nós dois?
- NÃO! Eu adoro você! Você me deixa louca... Foi horrível ficar com Gerd de novo, isso sim. Eu... Eu nunca vou achar outro você, Davy.
Ele entendeu a referência, e ia dizer algo, quando ouvimos um BAM! enorme, de alguma coisa batendo bem forte em madeira. Vinha da sala de aula improvisada que Odile tinha montado para a cena da discussão. Corremos até lá e vimos... Felix prensando Poppy na parede. Ou seria... Gerd prensando Lulu?
- E então, Poppy? - Gerd bradava, num tom bem atípico dele. - Você quer continuar com isso ou não? RESPONDA!
Louise tremia, e eu achava bem pouco provável que aquele tremor fosse simplesmente atuação. Até eu estava assustada. Nunca vi Gerd gritar daquele jeito, nem mesmo quando tínhamos nossas brigas mais sérias.
- Meu Deus, a Lulu... Ela está muito assustada. - Davy disse.
- Mas não faz parte da atuação? - indaguei. Já que Davy é profissional, ele poderia distinguir melhor o que era atuação ou não.
- Eu conheço as feições sutis da McLovely. E com certeza ela está com medo. De verdade. Ele deve parar agora!
Ele já ia em direção a Odile para pedir que ela mandasse cortar, quando Lulu soltou um grito desesperado. Odile gritou "CORTA!" imediatamente, e correu para acudir a amiga, no entanto, Louise correu para um quarto e se trancou lá dentro. Todos ficaram muito preocupados. Davy e Odile pediram que ela abrisse, mas ela os ignorou completamente. Gerd abriu caminho entre os dois, e bateu insistentemente à porta. Odile tentou dissuadi-lo e Davy pareceu indignado. Mas... Louise abriu e permitiu que ele entrasse. Odile e Davy trocaram um olhar perplexo e se afastaram.
Ele veio até mim, e eu disse:
- Eu... Não sei nem como explicar o que acabou de acontecer... Nunca vi Gerd gritar dessa maneira! Até eu... Até eu estou com medo dele.
- Ele vai ver uma coisa... Posso não amar mais a Louise da mesma maneira que antes... Mas ela ainda é minha melhor amiga, e eu não vou deixar esse bruto tratá-la dessa maneira tão troglodita!
Normalmente eu me ofenderia por ele se referir a Gerd desse jeito. Mas, depois da noite que tivemos e o que testemunhei... Talvez eu seja mesmo a ex-noiva de um homem das cavernas.
Depois de uns quinze minutos, Gerd finalmente saiu de lá. Davy correu até ele e, encarando-o, começou a gritar:
- BRUTAMONTES! INSENSÍVEL! ATÉ UM NEANDERTAL DEVIA SER MAIS GENTIL DO QUE VOCÊ! QUE DIREITO VOCÊ TEM DE TRATAR A LOUISE ASSIM?
E pulou como um macaquinho no pescoço do Gerd, acertando um belo soco em seu olho. Pulou de volta no chão, e Gerd estava pronto para revidar. Eu ia salvar meu amado antes que Gerd o esmagasse, mas Emma me impediu, dizendo:
- Não quero que se machuque como a Fefe, mozinho.
- Mas, Emma, Gerd vai fazer picadinho do Davy!
- Os amigos dele vão salvá-lo, calma.
E de fato, Nez, Micky e Peter tiraram Davy dali antes que fosse tarde demais e Franz e Sepp afastaram-se com Gerd.
Os três deixaram Davy num dos quartos para se recuperar da surra, e eu fui até lá.
- Você tá bem?
- 99,9%. - ele riu. Tive que rir também.
Odile apareceu no umbral, e disse:
- Ah, vocês estão aí! - ela nos olhava de um jeito um pouco estranho. - Quero que gravem uma cena entre Hillary e Alexander.
Trocamos um olhar. Davy se levantou da cama e nós dois saímos do quarto, seguindo Odile. Ela nos entregou scripts. Lemos. Nossos personagens teriam uma conversa um pouco tensa... E se beijariam. Davy me deu um sorrisinho malicioso sem Odile ver, e eu sorri de volta.
A cena seria externa, gravada no terraço do apartamento de Odile. Fomos para lá, e o resto do pessoal também, para assistir. Por enquanto iríamos apenas ensaiar. Sinceramente, às vezes eu acho que Odile prevê o futuro.
- Alexander, não podemos continuar desse jeito. - eu disse, interpretando Hillary.
- Por quê? - Davy pegou meu braço... Exatamente como na noite anterior. - Hillary, não há mais ninguém entre nós. Nem Poppy, nem ninguém. Eu quero você pelo resto da minha vida.
Ele não estava atuando. Dessa vez eu tenho certeza. E era hora de Alexander e Hillary se beijarem. Davy me trouxe para perto dele, eu coloquei as mãos em sua nuca. Encaramo-nos por alguns segundos... E nos beijamos. De verdade. Quebramos o beijo para respirar, entretanto, eu olhei mais uma vez para ele e tomei seus lábios novamente.
- Alex, eu amo você. - disse. Isso não estava no script. Davy entendeu que eu estava me declarando para ele, e sorriu.
- Eu também amo você, Hillary.
Odile mandou parar o ensaio. Percebi que ela nos olhava de um modo ainda mais estranho. Talvez eu não devesse deixar tão claro que sinto algo a mais por Davy.
Saímos do terraço, mas separados, embora agora mais do que nunca eu queria ficar perto de Davy. Ouvi Eddie Simons e Harry Daniels elogiando o soco de direita que Davy deu em Gerd, e abafei uma risadinha.
Ele se juntou a Lulu. Fiquei um pouco magoada. Será que ele terminaria com ela agora, definitivamente? Eu já pensava em como dispensaria Gerd fazendo o máximo para evitar que ele se magoasse.
Eu ia em direção ao banheiro feminino, quando Felicity surgiu à minha frente.
- Olá, Dianna!
- O-olá! - eu me perguntava o que ela queria de mim. - Fefe, eu não me oponho a você e a Emma.
- Emma? Ah, fala sério, sua metida sabichona! Eu terminei com a Emma por um motivo, e não é o Micky. É você!
Caí para trás com o brado de Felicity. Eu? Mas eu nunca fiz oposição aberta e declarada ao relacionamento delas, mesmo sentindo ciúme...
- Vou ser mais específica. Eu sei da sua saideira com Davy no motel.
Agora entendi por que Davy pareceu ter visto um fantasma naquela noite. Ele viu que ela nos viu. Eu estava surpresa demais para falar, e deixei que ela continuasse:
- E pretendo contar pra Lulu essa safadeza sem tamanho. Apesar de eu ter culpa no cartório por ter me apaixonado por Peter e ter provocado o fim do namoro com a Erin, pelo menos eu não fiz ele ser um cara infiel.
Posso tentar passar a impressão de que sou muito forte e não levo desaforo para casa, contudo, agora eu me sentia uma menininha minúscula e indefesa, sem nenhum argumento.
- Agora te peço com a maior educação. Pare agora mesmo o que você tem com o Davy, a menos que você queira que a Lulu se afaste de você pra sempre. Se bem que pra você não faz diferença, já tem a Emma. Pra quê a Lulu? Só vai fazê-la sofrer, exibindo sua carinha de vitória e o Davy como troféu.
O que era aquilo, chantagem emocional? Eu jamais daria um golpe tão baixo, mais baixo do que eu mesma. Nunca faria nada para prejudicar Louise, mesmo para ficar com Davy. Bem que tentei lutar, porém, as lágrimas me venceram.
- Não é verdade! Eu amo a Lulu... Mas...
Fefe me cortou.
- Ama o hobbit que não vale um tostão. Tudo bem, então fique com ele e deixe a Lulu em paz. Corte sua relação com ela e também com Gerd, embora eu quase tenha soltado o verbo querendo chamá-lo de alemão corno!
E se afastou. Se Felicity queria me fazer sentir uma vadia de coração gelado, ela conseguiu. Eu era um monstro. Passei por cima do que sinto por Louise, por cima do que Gerd sente por mim, tudo por um sentimento egoísta e repentino, tudo porque me sentia apaixonada por Davy.
E se eu estivesse enganando a mim mesma? E se eu só sentisse atração sexual por ele e estivesse confundindo isso com amor?
Fiquei trancada no banheiro, chorando e refletindo sobre isso. Pensei em tudo que senti por Davy desde que o vi pessoalmente pela primeira vez. Como ele tirou meu fôlego. Como eu sentia uma vontade enorme de beijá-lo, embora ele me irritasse por ter dado em cima de mim, quando eu ainda era noiva de Gerd. Como nosso primeiro beijo e nossa primeira noite juntos me inspiraram de uma maneira inédita para mim.
Como eu faria qualquer coisa por ele. Como eu tive ciúme ao vê-lo com Louise. Como eu quis protegê-lo de Gerd. E como me senti impelida a me declarar para ele naquele ensaio e fiz isso improvisando uma fala.
E como nunca senti semelhante coisa por ninguém, nem mesmo por Gerd, com quem estive a ponto de me casar.
Eu amo Davy. Eu sei disso. Mas não posso ficar com ele. Se eu o amo, tenho que deixá-lo com Louise, porque ela o ama e o merece.
E ele a merece também. Ela é mais bonita, mais emocionalmente forte, mais bem-resolvida, mais doce, melhor de beijo e de cama. Ela serve para o Davy, eu não. Por mais que doa chegar a essa conclusão, o lugar dele não é comigo.
(Davy's POV)
Antes de dar aqueles merecidos tabefes em Gerd, eu consegui entrar no quarto e falar com a Lulu por alguns instantes.
- McLovely, me deixa entrar.
Ela abriu e minha entrada foi permitida. Abracei-a, mas eu sabia que aquele abraço era como dos velhos tempos, quando éramos só amigos, muito antes de começarmos a namorar.
- Calma, calma! - eu afagava seus cabelos. - Já passou, McLovely.
- Ele parecia me odiar, Davy. - ela chorou mais e se soltou de mim. - Desculpa por surtar assim de novo.
- Tudo bem, amor. Eu sei. Eu conheço você e sei o quanto é sensível. Eu vou te deixar um pouco sozinha.
Ela aquiesceu e saí. Vi que Alice tentou entrar, e foi autorizada. Passei perto do banheiro feminino e Di saía de lá. Eu ia falar com ela, mas ela virou o rosto, sinal claro de que eu tinha feito alguma merda. Mas o que foi exatamente que eu fiz?
Então eu vi. Felicity, com um sorriso sarcástico estampando seu rosto. Aposto que ela disse coisas "lindas" para Di. Se Peter não a amasse eu juro que iria dizer coisas tão "lindas" quanto para ela.
Encontrei Peter, e ele percebeu que eu estava desanimado.
- O que houve, amorzinho? - ele me indagou.
- Dianna. - respondi. - Eu quis falar com ela, mas ela me virou o rosto. Não sei se fiz ou disse algo que a desagradou... Ou se foi Felicity.
- O que ela tem a ver com isso? - Peter estava intrigado.
- Bem... Ela me viu com a Di no motel e disse que vai contar tudo para Louise. Me passou uma prensa e aposto que fez o mesmo com Dianna. Desculpe, Peter, eu sei que você a ama.
- Tudo bem. Ela é mesmo explosiva, como já reparei. Mas acho que não podemos condená-la. Aposto que Dianna, por seu lado, deve estar furiosa com ela e comigo.
- Provavelmente. Mas Di não ameaçou nenhum de vocês.
Seguiu-se um silêncio. Nem Peter nem eu queríamos discutir. Até que ele quebrou o silêncio:
- E como Louise está?
- Mais calma, eu acho. Embora ainda um pouco nervosa. Por quê?
- É que... Nada, esquece.
Fiquei um pouco cismado, mas Peter jurava que não era nada demais. Então deixei quieto.
Mais tarde, Louise e eu voltamos para o apartamento dela. Mandei várias mensagens para Dianna por WhatsApp e por SMS, mas não recebi resposta alguma. Falando em mensagens, Lulu recebeu uma de Odile, e disse:
- McCutie, amanhã Odile vai oferecer um café da manhã para o elenco, a equipe dos bastidores e as bandas. Você vai comigo, não é?
- É claro! Vou te proteger daquele trasgo, McLovely.
- Obrigada. - ela deu um pequeno sorriso.
Na hora de dormir, fizemos um pouco de amor. Contudo, novamente não rolou aquela química de antes. Acho que não tem mais jeito. Isso me deixa triste.
Quero terminar. Está claro que Lulu e eu só podemos ser amigos daqui por diante. Mas ela precisa de mim. Como vou terminar agora?
No dia seguinte, levantamos bem cedo e fomos ao apartamento de Odile para o café da manhã. Além do elenco, estavam meus amigos, a English Band, Emma, Erin, Alice, Felicity e Michael. Alice sentou-se entre Louise e eu. Lulu se sentou diante de Gerd e reprimi um sorriso de satisfação por ver a enorme mancha roxa no olho direito dele. Parecia um urso panda. Emma estava entre ele e Di, e esta, ao me olhar, pareceu não saber muito bem o que fazer. Olhou para mim, para Gerd, para Louise, para Felicity. E por fim olhou para sua xícara, passando o dedo ao redor da borda.
Certamente Felicity não falou nada de bom para Dianna. O café prosseguiu com algumas conversas entre uns e outros, até que Lulu pediu:
- Alguém me passa o açúcar?
Eu já ia estender a mão, contudo, Gerd foi mais rápido. Tive a impressão de que ele ia me mostrar o dedo obsceno. Desisti e deixei que ele entregasse o açucareiro a Louise. Contudo, ela disse:
- Alguém, que não seja misógino, me passa o açúcar?
Mordi a língua para não rir. Todos estavam chocados. Harry Daniels cuspiu o cappuccino que bebia. Mickey tirou o açucareiro das mãos de Gerd e deu a Lulu.
- Obrigada, Michael.
- De nada.
Para quebrar o gelo, Mike disse:
- Sabe, Alana, ainda é difícil achar uma mulher baixista. E ainda mais bonita.
- Obrigada. - ela disse secamente, e desviando o olhar.
Emma não pareceu gostar nadinha do que ouviu, apesar de que agora ela terminou de vez com ele e ficou com Micky. Nez, subitamente, se mexia sem parar na cadeira. Sua ex-namorada indagou:
- Tudo bem, Nez? Tem formiga na sua cadeira por acaso?
- Er... Tudo bem. - Mike deu um sorriso amarelo.
O café seguiu o mais tranquilo possível. Eu olhava discretamente para Dianna, com medo de Felicity me lançar mais um dos seus olhares venenosos. Mas agora eles estavam dirigidos somente a Erin, que tinha se sentado ao lado de Peter. Não sei não, mas acho que meu amadinho pode acabar tendo uma recaída.
(Peter's POV)
Quando Erin resolveu se sentar ao meu lado no café da manhã, fiquei bem surpreso. Mas o que eu iria fazer? Ser mal-educado com ela, mandando-a sair dali? Definitivamente não.
Percebi Felicity nos olhando. Ela estava decepcionada. Eu me senti mal, entretanto, não tinha o que fazer. Ri do incidente do açucareiro e de Nez se mexendo na cadeira como se houvesse formigas o mordendo.
Mais tarde, nós todos levantamos da mesa, e Erin pediu, pegando minha mão:
- Peter, podemos conversar?
- Eu, hã... Tudo bem, Erin.
Ela me levou para fora. Parecia medir as palavras, e se aproximando, disse:
- Me desculpa pela forma como te mandei embora. Eu estava muito triste, e com muita raiva de você.
- Eu sei. Não posso te culpar. - falei.
- Eu... Ainda não consegui desapegar, Peter. Eu ainda tenho esperança de que você vai voltar para mim, mas...
- Erin, me perdoe, mas acho que isso não vai acontecer.
- Por quê? - ela pareceu realmente magoada.
- Porque eu...
- Você está com ela, não é? - ela me inquiriu.
- Eu... Erin, me perdoa...
- Tudo bem...
Ficamos nos encarando por alguns segundos... Até que Erin colocou as mãos na minha nuca e trouxe minha boca até a dela, dando um beijo ardente.
Bem que tentei resistir. Se Fefe nos pegasse assim, eu estaria perdido. Ela acreditaria que eu a estava fazendo de boba. E eu nunca me perdoaria se ela pensasse isso.
Até que... Vi Felicity indo embora. Ela mal me olhou, e não me falou absolutamente nada. Soltei-me da Erin, pedindo mil desculpas, e alcancei Fefe ainda na porta.
- Fefe, o que aconteceu?
- Acho que é desnecessário explicar. Eu sabia que você teria uma recaída. Você ainda gosta da Erin. Vamos ter mais dignidade do que Davy e Dianna e acabar logo com isso.
- Felicity!
- Me esquece, Peter. Foi tudo uma loucura.
Droga! Perdi minha musa. Porém, eu vou recuperá-la, custe o que custar. Mais tarde, de volta ao apartamento do Nez, fiquei compondo uma nova música para ela e escrevendo mais um poema. Não vou deixar a minha supernova escapar. Eu a amo demais para isso. Coloquei Champagne Supernova do Oasis para me inspirar. E que a Força esteja comigo.
(Dianna's POV)
Depois do café, Gerd foi para a casa da Alice. Eu não me importei com isso. A cada momento eu sinto mais que precisamos terminar de uma vez por todas. Não podemos mais namorar, quem dirá casar.
Só posso desejar que Gerd encontre outra mulher, e que ela o faça feliz, já que eu não posso mais. Seja ela Alice ou qualquer outra.
Falando em Alice... Ela me ligou.
- Alô? Di?
- Olá, Alice. Que saudade! Faz tempo que não conversamos direito.
- É verdade. Como você está?
- Mais ou menos. - fui sincera.
- O que foi? - ela me indagou. - Pensei que reatando com Gerd você ficasse feliz de novo.
- Eu pensei nisso também, Alice. Mas... Acho que não o amo mais.
- Não mesmo? - Alice insistiu. Não sei por quê, mas acho que tem dedo do Gerd nessas perguntas de Alice. Mas ela é minha amiga, talvez esteja preocupada comigo de verdade.
- Eu ainda gosto dele. Muito. Mas... Eu não sinto o tesão de antes. E também o afeto que eu tenho por ele não é como o de antes de terminarmos.
- Entendo.
- E tem mais. Posso confiar em você, certo?
- Claro! Sou sua amiga, Di!
- Eu... Conheci outro homem. E acho que me apaixonei por ele. De verdade. Me sinto horrível por enganar o Gerd assim, mas a verdade é que não sei como terminar. O que eu faço, Alice?
- Acho que você deveria dar tempo ao tempo. Fique mais um pouco com Gerd. Veja se o tesão realmente acabou e se realmente o seu afeto por ele mudou. Se sim... Pense bem nas suas palavras e o chame para conversar.
- Está certa, Alice. É o que farei. Obrigada por me ouvir e aconselhar.
- De nada.
Alice desligou... E nesse momento vi a porta destrancando. Era Gerd que chegava.
- Oi. - eu disse, polida.
- Oi. - disse ele, sorrindo para mim de uma maneira que não sorria fazia um tempo.
- O que foi? - eu quis saber.
- Eu quero você, pequenina. - ele tocou meu pé, acariciando com leveza e subindo ao longo da minha perna.
Devo dizer que fazia tempo desde a última vez que ele falou comigo assim e nesse tom. O que foi que raios aconteceu?
- Gerd...
- Relaxe, Winnie.
Winnie? Ursinha? Ele nunca me chamou assim... Mas tudo bem, já que eu tinha o costume de chamá-lo de ursão.
Sua mão continuou subindo, até entrar em minha calcinha e começar a tocar minha intimidade. O que aconteceu para Gerd voltar a me desejar?
- Ohhhh, Gerd... - eu estava cedendo aos toques.
- Seja minha, toda minha, minha ursinha.
Ele me trouxe para seu colo, me beijando intensamente e ainda me tocando. Deitou-me com cuidado no colchão, tirou a camisa e abriu a braguilha, abaixando a roupa de baixo.
Eu ia me levantar, pronta para resistir, contudo, ele se deitou por cima de mim e abaixou minha calcinha, bem como tirou minha blusa e meu sutiã.
- Gerd, por favor...
- Ah, minha bonequinha, me deixe te amar...
E me penetrou. Ele era grande, troncudo, forte, e suas estocadas eram mais brutas do que as de Davy. Eu tinha me desacostumado a ele.
Imaginei Davy me amando no lugar dele, não pude evitar. Abracei-o, trazendo-o para mais perto de mim.
- Aaaahhh, meu leão, meu leãozinho... - eu gemi. - Por favor...
- Loirinha, linda, eu te amo... - ele gemeu também.
Apesar de ter ouvido claramente a voz grave de Gerd, imaginei Davy dizendo isso em sua vozinha fofa e anasalada, que eu aprendi a amar com todas as minhas forças, e quase me derreti.
Ele prosseguia me beijando, me tocando e me penetrando. E eu gemia mais e mais. Até que atingimos o orgasmo e nos separamos.
Eu ofegava. De fato eu tinha me desacostumado ao jeito de Gerd. E aprendido a preferir o de Davy. Ergui-me, para tomar água.
- Volte aqui, ursinha! - Gerd pediu.
- Calma... Eu preciso de água. - respondi, bebendo um copo cheio.
Terminei de beber, e me aproximei da cama. Gerd me puxou pela cintura como não fazia há tempos, e se deitou. Lá estava eu, aninhada naquele abraço de urso que antes eu considerava o mais gostoso do mundo. E agora... Não sabia nem dizer o que eu pensava dele.
sábado, 23 de abril de 2016
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Stop! In The Name Of Love - Capítulo 9 (What If) - primeira parte
Boa noite!A primeira parte desse capítulo de Stop tá aqui!
Capítulo 9 - I'll Never Find Another You (Dianna's POV)
Davy e eu fomos até o quarto onde seria gravada a primeira sequência de cenas do dia. Pelo que pude apreender pelo fato de meu ex-noivo e a quase ex de Davy estarem usando robes e depois se livrarem deles, seria uma cena quente, uma das que Gerd tentou ensaiar comigo, contudo, não conseguimos criar o clima necessário para ela.
Ao ver Gerd só de cueca, não pude deixar de encará-lo. Ele me olhou de volta, mas nenhum conseguiu sustentar o olhar do outro por muito tempo. Ele e Lulu viram que Davy e eu estávamos próximos e vez ou outra conversávamos. Não sei o que pensaram disso.
- Você deve estar desconfortável por assistir a isso... - Davy murmurou.
- Você não? - eu quis saber.
- Bom... Já vi Louise gravar muitas cenas desse tipo, eu meio que me acostumei. - ele deu de ombros. - Me incomoda um pouco, mas... Bem, quero por enquanto só... Ver se pode rolar algo. Sabe, entre nós dois. Você quer?
- Bem... Por que não? - respondi, quando ouvimos Odile exclamar "Ação!" e nos voltamos para a direção onde estavam Louise e Gerd.
Posso não entender nada de atuação, mas aquilo parecia... Real demais. Vi que Davy mordia o lábio, parecendo raciocinar da mesma forma que eu, com a diferença que ele podia dar uma opinião profissional sobre a cena. E Gerd... Ele nunca gemeu daquele jeito quando fazíamos. Eu me incomodei, sim, mas... Após ter passado a noite anterior com Davy, eu não queria pensar em Gerd e nosso noivado malfadado. Davy e eu assistimos chocados. Ouvi, um pouco antes da filmagem começar, Odile dizer que iria expulsar nós dois do set, mas não fez isso. Enfim eles chegaram ao orgasmo e a Odile mandou cortar. Louise foi carregada por seu irmão para outro quarto, parecendo adormecida ou desmaiada.
Davy pensou em ir ver Louise, entretanto, pensou que ela poderia ficar irritada se ele ficasse muito na cola dela. Ele foi ver seus amigos, que naquele dia tinham ido ao set porque Odile queria usar algumas músicas dos Monkees na trilha sonora do filme, e chamou-os para conversar. Emma e Erin vieram acompanhando Nez e Peter. Enquanto a banda confabulava com Odile, minhas amigas e eu conversávamos. Reservadamente, contei a elas sobre a noite anterior.
- Di! - Emma exclamou. - Mas você não quer voltar com Gerd?
- Não sei, Emma. Não sei. Me pergunto se eu realmente amava Gerd... Ou se era só uma paixão fulminante.
- Deixe a Di escolher o que ela vai fazer agora. - Erin disse. - Afinal, Davy e ela estão desimpedidos. E se eles estiverem mesmo apaixonados...
- Eu estou achando que aquela hobbit ainda vai voltar para o Davy. - Emma disse. - E você não está paranoica, Di, Gerd está mesmo apaixonado por ela. Ela acha mesmo que vai privar minha mozinho da felicidade e sair impune? De modo algum! - ela se afastou, parecendo realmente muito brava.
- Emma! Aonde você vai?
Erin e eu a seguimos, porém, além de ter longas pernas, ela estava andando rápido. Vimos que entrou num quarto. E... Logo ouvimos gritos lá dentro.Entreolhamo-nos e tentamos entrar lá, enquanto todos os outros vinham até lá.
Gritei ao ver Emma batendo em Louise. Odile e Felicity tentavam salvar a coitada.
- Para, Emma! Me solta! - Lulu pedia.
- Vai sofrer mais do que a Dianna! - minha amiga exclamou, em seu ímpeto de fúria.
Eu queria entrar lá e fazer Emma parar, contudo, Davy me impediu. Vimos Felicity ser golpeada, mas não de propósito. Emma ficou horrorizada. O arranhão era bem feio. Micky acudiu Felicity e Odile agarrou Emma.
- O QUE DEU EM VOCÊ, SUA LOUCA? INGRATA! MALDITA! E PENSAR QUE FIQUEI COM VOCÊ! AGORA MACHUCA A MINHA AMIGA! - ela olhou para mim e exclamou: - TIRA ESSA DOIDA DAQUI! ELA VAI MATAR A LOUISE!
Nez e eu nos afastamos do tumulto com Emma. Eu estava estupefata. Acho que Davy foi ajudar Louise.
- Emma! Tá maluca? - eu a repreendi. - Eu te avisei para não fazer mal a ela!
- Di! Para de defender aquela maldita hobbit dos infernos! Você não quer o Gerd, eu sei, nem nenhum homem... SÓ QUER ELA! E ELA TÁ TE FAZENDO SOFRER!
- Emma, meu amor, pare com isso, até eu sei que você está exagerando no ciúme...
- CALA A BOCA, MIKE! NÃO PRECISO LEVAR BRONCA DE VOCÊ TAMBÉM! E ainda para piorar... Eu arranhei o rosto da Fefe... Eu sou uma idiota...
- Mozão, escuta. - peguei as mãos de Emma. - Sei que me ama. Eu também te amo. Mas por favor, pare de implicar com Louise e fazer coisas como essa. Ou eu não vou querer mais nada com você.
- Não, mozinho! Não faz isso comigo!
- Então pare de fazer essas loucuras e peça desculpas a Louise e Felicity.
- À Felicity é claro que pedirei... Já à Louise...
- Emma! - Nez e eu exclamamos.
- Está bem. - disse ela, bufando de impaciência.
Nez e Emma foram embora para ela se acalmar. Não vi Erin e Peter depois da confusão. Porém, achei Davy.
- Como Lulu está? Você a viu? - perguntei.
- Não. Mickey e Fefe já a tinham levado para o hospital. Eu estou preocupado.
- Eu imagino.
- Di, eu estava pensando, quer fazer algo à noite? Não necessariamente envolvendo beijos e sexo, mas... Eu só queria passar alguns momentos com você. Te conhecer melhor.
- Eu acho uma excelente ideia. - eu respondi. - Mas antes poderíamos tentar ir fazer uma visita à Lulu.
- Concordo. Vamos no meu carro.
Entramos no carro e Davy ligou o rádio. Tocava I'll Never Find Another You, do grupo The Seekers. Amo essa música, e comecei a acompanhar Judith Durham na canção.
- There is a new world somewhere, they call it the Promised Land, and I'll be there someday, if you hold my hand... I still need you there beside me, no matter what I do... For I know I'll never find another you...
Nem percebi que me empolguei. Davy olhava para mim impressionado.
- O que foi? - inquiri.
- Sua voz. É linda.
Senti as bochechas esquentarem.
- Bondade sua.
- Não... É mesmo incrível. Logo vou começar a fantasiar sobre você cantando isso para mim.
Sorri timidamente. Chegamos ao hospital, mas não nos foi permitido entrar para ver Louise, pois não era horário de visita. De modo que não tivemos escolha senão voltar para casa. Davy me deixou no hotel, e indaguei:
- Você... Não quer ficar um pouco? Sei lá, ver um pouco de TV?
- Eu adoraria. - ele sorriu.
Liguei a televisão na BBC. E quem apareceu na tela? Ele mesmo.
- Ah, Conto de Inverno! - ele exclamou. - Adorei interpretar Florizel.
- Teve algum protagonista de peças de Shakespeare que você não interpretou?
- Hum... Em Sonho de Uma Noite de Verão não fui Demétrio porque fui Lisandro. Em A Megera Domada não fui Petrúquio, mas fui Lucêncio. Quando for mais velho, quero interpretar Próspero... Ou Otelo... Ou até mesmo Ricardo III!
- Confio que vai conseguir. - dei-lhe um selinho.
- Por que só me dá selinhos? Me faz querer mais e mais... - ele se aproximou, tentando me trazer para mais perto.
- Eu... Não sei se...
- Vem. - ele disse, lacônica e sedutoramente.
Não consegui resistir. Trocamos um beijo de verdade. Enfim nos separamos.
- Assim eu me apaixono... - eu ri.
- Que bom, então vou te beijar muito! - ele riu também, beijou minha testa e me abraçou.
- Sabe de uma coisa? Acho que não precisa me beijar muito para eu me apaixonar por você. Eu... Já... - não consegui terminar de falar.
- Também estou me apaixonando por você, Di. Quero ser todo seu e que você seja toda minha. Quero ser uma inspiração para você em seus poemas. Seu "muso". Lulu tem seu livro, eu li. Adorei seus poemas, principalmente os sobre Gerd.
- Eles não eram sobre Gerd. Eram sobre você, de certa forma.
- Sobre... Mim?
- Sim. Eu... Sempre sonhei em encontrar um cara que me deixasse apaixonada de verdade, que despertasse a poesia em mim. Eu pensava que Gerd era esse cara... Mas não. E eu escrevi sobre esse rapaz ideal. Pensava que Gerd acreditava serem sobre ele. Mas ele sabia que não. E quando nós nos beijamos eu tive certeza de que encontrei quem eu procurava. Aliás...
Puxei a folha com o poema de dentro do meu bolso e entreguei a Davy. Ele leu, muito surpreso, e eu pensei que meu coração ia explodir.
- Dianna... - ele olhava para mim com os olhos enormes e brilhantes. - Eu... Não sei o que dizer. É muito bonito. Nunca imaginei que um dia alguém escreveria um poema para mim. Estou lisonjeado. E muito feliz. - ele sorria.
- Eu... Davy, eu bem que tentei fugir, tentei mesmo. Mas quando eu escrevo algo.... É sinal de que não posso mais voltar atrás. Com esse poema, te entrego junto o meu coração. E você pode decidir o que vai fazer com ele.
- Eu aceito seu coração, se me permitir entregar o meu a você. Você pode fazer o que quiser com ele também.
- Eu... Tô adorando você, Davy. - abracei-o e não queria soltá-lo.
- Eu estou mais do que te adorando... Tô amando, isso sim... - ele beijou meu pescoço. Gemi levemente.
Pensei que iríamos nos amar ali no sofá, porém, Davy mal colocou as mãos por baixo da minha blusa quando seu celular tocou.
- Alô, Peter? O quê? Calma... Calma, a-amor... Eu já vou.
- O que foi? - inquiri, quando ele me soltou e começou a se ajeitar.
- Peter e a sua prima. Tem algo de errado. Desculpa, leoazinha. - Davy beijou minha testa. - Eu preciso ir.
- Na próxima você não me escapa, Cuddly Toy. Leãozinho. - eu ri.
- Ah, não se preocupe, eu nunca vou fugir de você, Miss Spock.
(Davy's POV)
Saí correndo do hotel de Di e fui para a casa de Erin e Peter o mais rápido possível. Ainda no jardim era possível ouvir os gritos de Erin. Eu me perguntava o que meu amado Peter tinha feito de errado. Embora eu tivesse um palpite...
Abri a porta.
- O que tá haven... - uma edição de capa dura de As Flores do Mal me atingiu em cheio.
- SEU MALDITO AMANTE! - Erin gritava. - ELE NÃO PRESTA!
- Erin, calma, me deixe explicar... - Peter pedia.
- EXPLICAR???? EU VI O NOME DELA NUM POEMA NO SEU CADERNO! SEU PUTO!
- O nome dela quem? - perguntei.
- FELICITY! A CULPA É SUA, DAVY!
- Erin, pa... - Peter não pôde terminar a frase. Erin jogou o caderno de poemas na boca dele.
O caderno, depois de ser arremessado contra a boca de Peter, caiu no chão. Erin pegou-o e abriu na página onde havia o tal poema. Leu-o:
Oh, como eu seria feliz
Se vossos olhos de obsidiana
Voltásseis para mim!
Oh, como eu seria feliz
Se as rosas de vossa boca
Me dessem beijos sem fim!
Quem sois vós?
Mulher de melodiosa voz,
Ares de musa barroca
E cabelos de negra filigrana!
Sois a Laura de Petrarca?
A dantesca Beatriz?
De Catulo, a Lésbia famosa?
Ou então Cíntia, aquela de Propércio?
Não! Sois Felicity!
Felicity, que deixa marca
Em cada homem que, como eu, é néscio,
Cai de amores por vosso sorriso de alvo matiz,
E de vosso seio deseja fazer cama ditosa.
Ela leu cada verso com muito ódio, e foi com ainda mais ódio que gritou:
- ENTÃO VOCÊ QUER SE DEITAR NOS SEIOS DELA, NÃO É? EU SEI QUE NÃO SOU ALTA COMO A EMMA, MEU CABELO NÃO É TÃO NEGRO QUANTO O DA ALICE E MEUS... MEUS SEIOS NÃO SÃO GRANDES COMO DA DI! E AGORA VOCÊ ACHA UMA QUE REÚNE O QUE MINHAS AMIGAS TÊM DE BONITO! VAI EMBORA, PETER! EU PENSEI QUE EU ERA A SUA MUSA!
- Erin, eu te adoro. Mas...
- EU NÃO QUERO SABER! SAI DAQUI! E LEVA O DAVY JUNTO!
- Erin, posso saber que culpa eu tenho? - inquiri.
- Você apresentou essa maldita galesa aos seus amigos! Olha aqui, Davy, eu acho bom que você esteja mesmo apaixonado pela Di! Você tem a obrigação de fazer a minha prima feliz! Não a troque pela primeira... Primeira... Ah, pela primeira mulher de pernas longas que aparecer!
- Erin, por favor, você é linda...
- Linda como uma ninfa, não é mesmo, Peter? MAS VOCÊ PREFERE UMA DEUSA DO SEXO, NÃO UMA NINFA MEIGUINHA E BOBA!
- Eu....
- Vai logo embora! - ela continuava a jogar roupas, livros e outros pertences de Peter. Até eu era atingido por objetos voadores.
Reunimos as coisas de Peter em uma mala e uma mochila que Erin jogou. Eu também juntei minhas coisas.
- Davy, segure ele, ou ele vai trocar você por algum homem de dois metros de altura! - Erin disse, antes de fechar a porta com força atrás de nós.
Olhei para Peter e a expressão dele não era das melhores.
- Para onde nós vamos agora? - eu quis saber.
- Para a casa do Nez ou do Micky. - Peter suspirou.
- Cara... Você tá mesmo louco pela Felicity, né?
- Eu... Davy, por favor, você me entende. Não me olhe com essa cara. Você pediu um tempo a Louise porque desenvolveu um sentimento inexplicável por Dianna. É a mesma coisa. Não pense que foi fácil para mim decidir terminar com Erin. Mas não é justo com ela. Erin é uma criaturinha doce e linda. Ela não me merece. Nunca fui volúvel assim... Mas eu não suporto a ideia de trair Erin. Prefiro terminar com ela antes que seja tarde.
- Você vai ficar queimado com a Erin e as amigas dela pelo resto da vida.
- Eu sei.
- Micky vai te matar.
- Eu sei. Mas o que eu vou fazer? Eu... Estou amando outra, Davy. Eu gosto da Erin, de verdade, eu quero que ela ache alguém melhor do que eu e que a faça muito feliz. Você quer o mesmo para Louise, não é?
- É claro!
- Acredite, eu estou com raiva de mim mesmo por magoar Erin dessa maneira. Mas não posso fazer nada. Só evitar magoá-la mais. - ele suspirou.
Capítulo 9 - I'll Never Find Another You (Dianna's POV)
Davy e eu fomos até o quarto onde seria gravada a primeira sequência de cenas do dia. Pelo que pude apreender pelo fato de meu ex-noivo e a quase ex de Davy estarem usando robes e depois se livrarem deles, seria uma cena quente, uma das que Gerd tentou ensaiar comigo, contudo, não conseguimos criar o clima necessário para ela.
Ao ver Gerd só de cueca, não pude deixar de encará-lo. Ele me olhou de volta, mas nenhum conseguiu sustentar o olhar do outro por muito tempo. Ele e Lulu viram que Davy e eu estávamos próximos e vez ou outra conversávamos. Não sei o que pensaram disso.
- Você deve estar desconfortável por assistir a isso... - Davy murmurou.
- Você não? - eu quis saber.
- Bom... Já vi Louise gravar muitas cenas desse tipo, eu meio que me acostumei. - ele deu de ombros. - Me incomoda um pouco, mas... Bem, quero por enquanto só... Ver se pode rolar algo. Sabe, entre nós dois. Você quer?
- Bem... Por que não? - respondi, quando ouvimos Odile exclamar "Ação!" e nos voltamos para a direção onde estavam Louise e Gerd.
Posso não entender nada de atuação, mas aquilo parecia... Real demais. Vi que Davy mordia o lábio, parecendo raciocinar da mesma forma que eu, com a diferença que ele podia dar uma opinião profissional sobre a cena. E Gerd... Ele nunca gemeu daquele jeito quando fazíamos. Eu me incomodei, sim, mas... Após ter passado a noite anterior com Davy, eu não queria pensar em Gerd e nosso noivado malfadado. Davy e eu assistimos chocados. Ouvi, um pouco antes da filmagem começar, Odile dizer que iria expulsar nós dois do set, mas não fez isso. Enfim eles chegaram ao orgasmo e a Odile mandou cortar. Louise foi carregada por seu irmão para outro quarto, parecendo adormecida ou desmaiada.
Davy pensou em ir ver Louise, entretanto, pensou que ela poderia ficar irritada se ele ficasse muito na cola dela. Ele foi ver seus amigos, que naquele dia tinham ido ao set porque Odile queria usar algumas músicas dos Monkees na trilha sonora do filme, e chamou-os para conversar. Emma e Erin vieram acompanhando Nez e Peter. Enquanto a banda confabulava com Odile, minhas amigas e eu conversávamos. Reservadamente, contei a elas sobre a noite anterior.
- Di! - Emma exclamou. - Mas você não quer voltar com Gerd?
- Não sei, Emma. Não sei. Me pergunto se eu realmente amava Gerd... Ou se era só uma paixão fulminante.
- Deixe a Di escolher o que ela vai fazer agora. - Erin disse. - Afinal, Davy e ela estão desimpedidos. E se eles estiverem mesmo apaixonados...
- Eu estou achando que aquela hobbit ainda vai voltar para o Davy. - Emma disse. - E você não está paranoica, Di, Gerd está mesmo apaixonado por ela. Ela acha mesmo que vai privar minha mozinho da felicidade e sair impune? De modo algum! - ela se afastou, parecendo realmente muito brava.
- Emma! Aonde você vai?
Erin e eu a seguimos, porém, além de ter longas pernas, ela estava andando rápido. Vimos que entrou num quarto. E... Logo ouvimos gritos lá dentro.Entreolhamo-nos e tentamos entrar lá, enquanto todos os outros vinham até lá.
Gritei ao ver Emma batendo em Louise. Odile e Felicity tentavam salvar a coitada.
- Para, Emma! Me solta! - Lulu pedia.
- Vai sofrer mais do que a Dianna! - minha amiga exclamou, em seu ímpeto de fúria.
Eu queria entrar lá e fazer Emma parar, contudo, Davy me impediu. Vimos Felicity ser golpeada, mas não de propósito. Emma ficou horrorizada. O arranhão era bem feio. Micky acudiu Felicity e Odile agarrou Emma.
- O QUE DEU EM VOCÊ, SUA LOUCA? INGRATA! MALDITA! E PENSAR QUE FIQUEI COM VOCÊ! AGORA MACHUCA A MINHA AMIGA! - ela olhou para mim e exclamou: - TIRA ESSA DOIDA DAQUI! ELA VAI MATAR A LOUISE!
Nez e eu nos afastamos do tumulto com Emma. Eu estava estupefata. Acho que Davy foi ajudar Louise.
- Emma! Tá maluca? - eu a repreendi. - Eu te avisei para não fazer mal a ela!
- Di! Para de defender aquela maldita hobbit dos infernos! Você não quer o Gerd, eu sei, nem nenhum homem... SÓ QUER ELA! E ELA TÁ TE FAZENDO SOFRER!
- Emma, meu amor, pare com isso, até eu sei que você está exagerando no ciúme...
- CALA A BOCA, MIKE! NÃO PRECISO LEVAR BRONCA DE VOCÊ TAMBÉM! E ainda para piorar... Eu arranhei o rosto da Fefe... Eu sou uma idiota...
- Mozão, escuta. - peguei as mãos de Emma. - Sei que me ama. Eu também te amo. Mas por favor, pare de implicar com Louise e fazer coisas como essa. Ou eu não vou querer mais nada com você.
- Não, mozinho! Não faz isso comigo!
- Então pare de fazer essas loucuras e peça desculpas a Louise e Felicity.
- À Felicity é claro que pedirei... Já à Louise...
- Emma! - Nez e eu exclamamos.
- Está bem. - disse ela, bufando de impaciência.
Nez e Emma foram embora para ela se acalmar. Não vi Erin e Peter depois da confusão. Porém, achei Davy.
- Como Lulu está? Você a viu? - perguntei.
- Não. Mickey e Fefe já a tinham levado para o hospital. Eu estou preocupado.
- Eu imagino.
- Di, eu estava pensando, quer fazer algo à noite? Não necessariamente envolvendo beijos e sexo, mas... Eu só queria passar alguns momentos com você. Te conhecer melhor.
- Eu acho uma excelente ideia. - eu respondi. - Mas antes poderíamos tentar ir fazer uma visita à Lulu.
- Concordo. Vamos no meu carro.
Entramos no carro e Davy ligou o rádio. Tocava I'll Never Find Another You, do grupo The Seekers. Amo essa música, e comecei a acompanhar Judith Durham na canção.
- There is a new world somewhere, they call it the Promised Land, and I'll be there someday, if you hold my hand... I still need you there beside me, no matter what I do... For I know I'll never find another you...
Nem percebi que me empolguei. Davy olhava para mim impressionado.
- O que foi? - inquiri.
- Sua voz. É linda.
Senti as bochechas esquentarem.
- Bondade sua.
- Não... É mesmo incrível. Logo vou começar a fantasiar sobre você cantando isso para mim.
Sorri timidamente. Chegamos ao hospital, mas não nos foi permitido entrar para ver Louise, pois não era horário de visita. De modo que não tivemos escolha senão voltar para casa. Davy me deixou no hotel, e indaguei:
- Você... Não quer ficar um pouco? Sei lá, ver um pouco de TV?
- Eu adoraria. - ele sorriu.
Liguei a televisão na BBC. E quem apareceu na tela? Ele mesmo.
- Ah, Conto de Inverno! - ele exclamou. - Adorei interpretar Florizel.
- Teve algum protagonista de peças de Shakespeare que você não interpretou?
- Hum... Em Sonho de Uma Noite de Verão não fui Demétrio porque fui Lisandro. Em A Megera Domada não fui Petrúquio, mas fui Lucêncio. Quando for mais velho, quero interpretar Próspero... Ou Otelo... Ou até mesmo Ricardo III!
- Confio que vai conseguir. - dei-lhe um selinho.
- Por que só me dá selinhos? Me faz querer mais e mais... - ele se aproximou, tentando me trazer para mais perto.
- Eu... Não sei se...
- Vem. - ele disse, lacônica e sedutoramente.
Não consegui resistir. Trocamos um beijo de verdade. Enfim nos separamos.
- Assim eu me apaixono... - eu ri.
- Que bom, então vou te beijar muito! - ele riu também, beijou minha testa e me abraçou.
- Sabe de uma coisa? Acho que não precisa me beijar muito para eu me apaixonar por você. Eu... Já... - não consegui terminar de falar.
- Também estou me apaixonando por você, Di. Quero ser todo seu e que você seja toda minha. Quero ser uma inspiração para você em seus poemas. Seu "muso". Lulu tem seu livro, eu li. Adorei seus poemas, principalmente os sobre Gerd.
- Eles não eram sobre Gerd. Eram sobre você, de certa forma.
- Sobre... Mim?
- Sim. Eu... Sempre sonhei em encontrar um cara que me deixasse apaixonada de verdade, que despertasse a poesia em mim. Eu pensava que Gerd era esse cara... Mas não. E eu escrevi sobre esse rapaz ideal. Pensava que Gerd acreditava serem sobre ele. Mas ele sabia que não. E quando nós nos beijamos eu tive certeza de que encontrei quem eu procurava. Aliás...
Puxei a folha com o poema de dentro do meu bolso e entreguei a Davy. Ele leu, muito surpreso, e eu pensei que meu coração ia explodir.
- Dianna... - ele olhava para mim com os olhos enormes e brilhantes. - Eu... Não sei o que dizer. É muito bonito. Nunca imaginei que um dia alguém escreveria um poema para mim. Estou lisonjeado. E muito feliz. - ele sorria.
- Eu... Davy, eu bem que tentei fugir, tentei mesmo. Mas quando eu escrevo algo.... É sinal de que não posso mais voltar atrás. Com esse poema, te entrego junto o meu coração. E você pode decidir o que vai fazer com ele.
- Eu aceito seu coração, se me permitir entregar o meu a você. Você pode fazer o que quiser com ele também.
- Eu... Tô adorando você, Davy. - abracei-o e não queria soltá-lo.
- Eu estou mais do que te adorando... Tô amando, isso sim... - ele beijou meu pescoço. Gemi levemente.
Pensei que iríamos nos amar ali no sofá, porém, Davy mal colocou as mãos por baixo da minha blusa quando seu celular tocou.
- Alô, Peter? O quê? Calma... Calma, a-amor... Eu já vou.
- O que foi? - inquiri, quando ele me soltou e começou a se ajeitar.
- Peter e a sua prima. Tem algo de errado. Desculpa, leoazinha. - Davy beijou minha testa. - Eu preciso ir.
- Na próxima você não me escapa, Cuddly Toy. Leãozinho. - eu ri.
- Ah, não se preocupe, eu nunca vou fugir de você, Miss Spock.
(Davy's POV)
Saí correndo do hotel de Di e fui para a casa de Erin e Peter o mais rápido possível. Ainda no jardim era possível ouvir os gritos de Erin. Eu me perguntava o que meu amado Peter tinha feito de errado. Embora eu tivesse um palpite...
Abri a porta.
- O que tá haven... - uma edição de capa dura de As Flores do Mal me atingiu em cheio.
- SEU MALDITO AMANTE! - Erin gritava. - ELE NÃO PRESTA!
- Erin, calma, me deixe explicar... - Peter pedia.
- EXPLICAR???? EU VI O NOME DELA NUM POEMA NO SEU CADERNO! SEU PUTO!
- O nome dela quem? - perguntei.
- FELICITY! A CULPA É SUA, DAVY!
- Erin, pa... - Peter não pôde terminar a frase. Erin jogou o caderno de poemas na boca dele.
O caderno, depois de ser arremessado contra a boca de Peter, caiu no chão. Erin pegou-o e abriu na página onde havia o tal poema. Leu-o:
Oh, como eu seria feliz
Se vossos olhos de obsidiana
Voltásseis para mim!
Oh, como eu seria feliz
Se as rosas de vossa boca
Me dessem beijos sem fim!
Quem sois vós?
Mulher de melodiosa voz,
Ares de musa barroca
E cabelos de negra filigrana!
Sois a Laura de Petrarca?
A dantesca Beatriz?
De Catulo, a Lésbia famosa?
Ou então Cíntia, aquela de Propércio?
Não! Sois Felicity!
Felicity, que deixa marca
Em cada homem que, como eu, é néscio,
Cai de amores por vosso sorriso de alvo matiz,
E de vosso seio deseja fazer cama ditosa.
Ela leu cada verso com muito ódio, e foi com ainda mais ódio que gritou:
- ENTÃO VOCÊ QUER SE DEITAR NOS SEIOS DELA, NÃO É? EU SEI QUE NÃO SOU ALTA COMO A EMMA, MEU CABELO NÃO É TÃO NEGRO QUANTO O DA ALICE E MEUS... MEUS SEIOS NÃO SÃO GRANDES COMO DA DI! E AGORA VOCÊ ACHA UMA QUE REÚNE O QUE MINHAS AMIGAS TÊM DE BONITO! VAI EMBORA, PETER! EU PENSEI QUE EU ERA A SUA MUSA!
- Erin, eu te adoro. Mas...
- EU NÃO QUERO SABER! SAI DAQUI! E LEVA O DAVY JUNTO!
- Erin, posso saber que culpa eu tenho? - inquiri.
- Você apresentou essa maldita galesa aos seus amigos! Olha aqui, Davy, eu acho bom que você esteja mesmo apaixonado pela Di! Você tem a obrigação de fazer a minha prima feliz! Não a troque pela primeira... Primeira... Ah, pela primeira mulher de pernas longas que aparecer!
- Erin, por favor, você é linda...
- Linda como uma ninfa, não é mesmo, Peter? MAS VOCÊ PREFERE UMA DEUSA DO SEXO, NÃO UMA NINFA MEIGUINHA E BOBA!
- Eu....
- Vai logo embora! - ela continuava a jogar roupas, livros e outros pertences de Peter. Até eu era atingido por objetos voadores.
Reunimos as coisas de Peter em uma mala e uma mochila que Erin jogou. Eu também juntei minhas coisas.
- Davy, segure ele, ou ele vai trocar você por algum homem de dois metros de altura! - Erin disse, antes de fechar a porta com força atrás de nós.
Olhei para Peter e a expressão dele não era das melhores.
- Para onde nós vamos agora? - eu quis saber.
- Para a casa do Nez ou do Micky. - Peter suspirou.
- Cara... Você tá mesmo louco pela Felicity, né?
- Eu... Davy, por favor, você me entende. Não me olhe com essa cara. Você pediu um tempo a Louise porque desenvolveu um sentimento inexplicável por Dianna. É a mesma coisa. Não pense que foi fácil para mim decidir terminar com Erin. Mas não é justo com ela. Erin é uma criaturinha doce e linda. Ela não me merece. Nunca fui volúvel assim... Mas eu não suporto a ideia de trair Erin. Prefiro terminar com ela antes que seja tarde.
- Você vai ficar queimado com a Erin e as amigas dela pelo resto da vida.
- Eu sei.
- Micky vai te matar.
- Eu sei. Mas o que eu vou fazer? Eu... Estou amando outra, Davy. Eu gosto da Erin, de verdade, eu quero que ela ache alguém melhor do que eu e que a faça muito feliz. Você quer o mesmo para Louise, não é?
- É claro!
- Acredite, eu estou com raiva de mim mesmo por magoar Erin dessa maneira. Mas não posso fazer nada. Só evitar magoá-la mais. - ele suspirou.
Stop! In The Name Of Love - Capítulo 9 (What If) - segunda parte
Boa noite! Tem mais capítulo de Stop! Boa leitura!
Nós dois fomos para a casa de Nez, explicamos a situação e ele deixou que ficássemos lá. No dia seguinte, eu enviei uma mensagem a Louise perguntando como ela estava e deixando claro que não queria de modo algum que ela ficasse mal. Prometi que iria vê-la qualquer dia.
Como as gravações estavam suspensas por enquanto devido ao estado de Louise e Odile, eu resolvi ir até o hotel ver Dianna. No dia anterior tive que sair às pressas de lá.
- Oi. - eu a cumprimentei quando ela abriu a porta, e já a puxei para um beijo.
- Olá. - ela disse, tocando meus lábios com as pontas dos dedos. - Eu já sei do que aconteceu ontem à noite, minha prima contou. Coitada dela.
- Bem, Peter não a traiu. Isso eu te garanto. Mas eu não quero falar deles. E sim de nós dois. - eu a abracei pela cintura. - Eu não posso mais ficar sem você, Di.
- Mas, Davy...
- O quê?
- Lulu. Vocês não terminaram definitivamente.
- Eu vou falar com ela. Eu prometo.
- Eu gosto muito dela. Na verdade, eu a amo. Espero que ela não me condene por... Bem, por estar me envolvendo assim com você. - Di afagou meu rosto.
- Dianna, meu relacionamento com a Louise precisava de um momento para que nós refletíssemos sobre ele. E eu cheguei à conclusão que não dá mais. Porque eu encontrei você.
- A culpa é minha?
- Não! Você foi uma surpresa, Di, uma surpresa muito boa. Uma coisa nova começou e eu estou feliz com isso. Quero você na minha vida.
Ela sorriu e, como eu ainda estava parado no umbral, me fez entrar. Passei a tarde com ela, só conversando e vendo alguns filmes.
A noite caiu, e eu perguntei se ela gostaria de ir comigo para o apartamento do Nez.
- Bem, por que não? - ela deu uma risadinha maliciosa. Ah, eu adoro essa garota, mais do que eu devia.
Chegando lá... Encontramos Nez muito bem-acompanhado. Micky e Emma. Os três estavam sentados no sofá, por enquanto só com suas roupas íntimas, mas conhecendo o Nez e o Micky como eu conheço... Basta dizer que a relação deles é comparável à minha com Peter. E os dois eram malucos pela loira. Di não disse nada, só olhou assustada para a amiga dela.
- Er... Di, acho melhor nós irmos para outro lugar. - eu disse, constrangido.
(Dianna's POV)
- Para onde vamos, Davy? Voltar para o hotel? - eu indaguei. Ainda estava meio chocada por ver minha mozão ali na iminência de um ménage à trois com seu ex e seu atual namorado.
- Não. Pensei em algo... Diferente.
Ele dirigiu por uns bons vinte minutos, até que... Estacionou num motel. Olhei para ele bastante espantada.
- O que foi? - ele riu um pouco.
- É que...
Gerd e eu costumávamos sim ter algumas ousadias, mas... Nunca fomos a motéis. Isso era novo para mim. E um pouco assustador.
Não concluí a frase, no entanto Davy entendeu.
- Eu e a Lulu... Já fizemos isso algumas vezes. Eu te garanto, não é nada tão diferente de fazer... Em casa. Vamos tentar... - ele colocou a mão na minha perna.
- Ok... Só hoje. - eu disse.
Desembarcamos do carro e Davy foi até o balcão da recepção para pagar e pegar a chave de um quarto. Eu ainda estava bem constrangida com isso tudo.
Ele olhou rapidamente para a rua, e ficou tão branco que parecia que viu um fantasma.
- Davy? Tudo bem? - peguei o braço dele.
- Tudo... Vamos subir. - disse ele.
Subimos um andar de escada e chegamos até onde ficava o quarto. Davy colocou a chave na fechadura e abriu.
O quarto era exatamente como eu imaginava um típico quarto de motel. Havia uma cama redonda, forrada com lençol vermelho e as fronhas também eram dessa cor. O edredom era preto. Havia um carrinho de chá com um balde cheio de gelo, que continha uma garrafa de champanhe barato, e duas taças.
- Não imaginava que você fosse chegado nessas cafonices. - falei, com sinceridade.
- Eu gosto é de tentar coisas novas. Ainda mais quando diz respeito a sexo.
- Aposto que o Kama Sutra é seu livro de cabeceira. - eu disse isso meio de brincadeira, meio a sério.
- Não chega a ser meu livro de cabeceira... Mas já li algumas partes sim.
Ok. Gerd podia gostar de sexo, mas ele fazia as coisas de maneira mais... Tradicional. Agora eu tinha um parceiro meio maluco. Era excitante, porém, eu não sabia se iria conseguir acompanhar todas as ideias de Davy.
- Calma, eu não vou tentar aquelas posições malucas. Não agora. Mas eu quero tentar uma coisinha diferente sim.
Ele abriu uma gaveta no criado-mudo ao lado da cama e tirou de lá... Um par de algemas.
- Além do Kama Sutra, você lê Cinquenta Tons de Cinza? - agora sim eu estava pasma.
- Eu não! - ele se defendeu. - Mas... Hoje eu vou ser um menino bonzinho e fazer tudo que você mandar. - sussurrou sensualmente no meu ouvido.
- Você quer que eu... Te prenda?
- Isso mesmo.
Ele colocou as algemas em minhas mãos.
- Eu.... Ok.
Coloquei as algemas sobre a cama e me aproximei dele, tirando sua camisa. Ele, por sua vez, tirou minha blusa. Coloquei suas mãos em meu busto e atirei meus braços em seu pescoço, beijando-o até tirar o fôlego. Ele gemia e apertava meus seios bem de leve. Ordenei:
- Mais forte.
E foi o que ele fez. Gemi junto com ele e levei uma das minhas mãos até o meio das pernas de Davy. Abri a braguilha dele e coloquei a mão lá dentro. Agora ele não parava de gemer.
- Dianna... Aaaahhhh... Minha nossa...
Eu o beijei bem forte, e continuava com a masturbação.
- Di... Eu vou... Pare! Aaaahhh, pare!
Antes que ele tivesse um orgasmo, tirei a mão. Livrei-o da calça e da cueca e ele removeu minha saia e minha calcinha, além do meu sutiã. Eu disse:
- Já que estou no comando, deite na cama.
Ele me obedeceu, e eu peguei as algemas. Sorri maliciosa para ele, peguei seus pulsos e o prendi na guarda da cama.
- É assim que você quer? - indaguei.
- Você nunca dominou o Gerd? - ele me indagou de volta.
- Bem... Não. - fiquei um pouco corada. - Mesmo porque acho que eu não iria conseguir.
- Talvez ele não, mas eu estou aqui para fazer tudo que você quiser. Tudo. - ele piscou.
Mordi o lábio e subi na cama, ficando por cima de Davy. Comecei beijando-o de forma ardente, e um pouco sem jeito, passei a cavalgar nele.
- Nada mau para uma primeira vez... - ele gemeu.
Ele quis pegar minha cintura para trazê-la mais perto, contudo, se esqueceu de que estava preso, e a cama balançou com o tranco. Ri disso.
- Droga. - ele resmungou.
Eu não disse nada, só continuei mexendo meus quadris. Estava gostando muito de estar no poder, devo admitir.
Beijei-o e, quando separei minha boca da dele, ele não resistiu. Passou a morder, lamber e sugar um dos meus mamilos. Eu consenti.
Ele largou meu peito e arranhei seu tórax. Mais beijos, mais movimentos, mais suspiros. E alguns gritos.
Até que finalmente chegamos ao orgasmo. Quando tudo terminou, desci da cama, soltei os pulsos dele e esfreguei-os, pois ele reclamou que estavam ardendo.
- Mas o que você achou? - ele quis saber.
- Eu... Gostei. Muito. Nunca imaginei que um dia eu ficaria por cima.
- Podemos fazer isso sempre que você quiser. - ele disse, enquanto eu me deitava ao lado.
- Vou adorar. - respondi, e tomei os lábios de Davy para uma sessão de beijos.
Dormimos de conchinha, e no dia seguinte, ao nos levantarmos, Davy pegou o champanhe fajuto e as taças. Encheu-as com a bebida e me ofereceu uma.
- A nós! - ele ergueu a taça.
- A nós. - eu ergui a minha também e brindamos.
Demos um gole... E cuspimos logo em seguida.
- Que champanhe horroroso! - eu exclamei.
- Nem me diga. Desculpa, Di, o champanhe daqui costumava ser melhor.
- Tudo bem. - eu ri. - Podíamos ir tomar café numa lanchonete aqui por perto antes de irmos gravar.
- Bem, por enquanto nada de cenas novas. Mas eu e os rapazes vamos gravar umas músicas para o filme com a English Band. Você quer ir?
- Talvez mais tarde. Preciso arrumar algumas coisas lá no hotel.
- Você vai embora? - os olhos dele ficaram ainda maiores com o espanto.
- Do hotel, pretendo. Acho que vou morar com Erin.
- Entendi... Então vamos tomar café. Depois te deixo no hotel e vou para o estúdio.
- Ok.
Assim fizemos. Uma vez no hotel, comecei a arrumar minhas coisas para me mudar para o apartamento da minha prima.
(Davy's POV)
Após ter deixado Di no hotel, segui para o estúdio. Todos estavam à minha espera.
- A noite foi longa, hein? - Peter comentou.
- Tá com ciúme, é? - eu dei uma risadinha.
- Quem sabe? - ele deu um pequeno sorriso.
Ensaiamos algumas músicas, e quando Alana Watson começou Ready Teddy, do Elvis, olhei a morte nos olhos. Melhor dizendo, vi Felicity me lançando o mesmo olhar mortífero da noite anterior, quando me viu entrando no motel com Di.
Para minha desgraça, minha bexiga estava bem cheia. Eu tinha que ir... Mas ia precisar passar pela prima assassina da McLovely.
Pedi licença ao pessoal e saí da sala. Aparentemente, Felicity saiu dali. Doce ilusão. Lá estava ela bloqueando a passagem para o banheiro masculino.
- Olá, David Thomas Jones! Como vai? - ela me saudou, com um tom de "eu vou te matar".
- Err... Vou bem. - dei um sorriso amarelo. - Eu tenho de ir ao banheiro.
- Está com dor de barriga? Náusea? Diarreia? - ela avançava em minha direção, e me senti menor do que nunca. - Ou será... Remorso?
Fiquei quieto, já que eu não sabia mesmo o que dizer.
- Acha que sou burra? Eu vi você e a Dianna no motel ontem à noite. - ela me deu um tapa na cara. - Eu sempre soube que você não valia nem meio xelim. Agora vejo que não vale porra alguma!
- Eu posso explicar, Fefe...
- Explicar que está apaixonado por uma poetisa que nem tem onde cair morta?
Não gostei do modo como ela falou da Di. Mas preferi não gastar meu latim. Ela deu um suspiro pesado e continuou:
- Olha, Davy, eu jurei que se você magoasse a Lulu, ia se dar muito mal. E eu vou cumprir isso. Porém, Louise não me perdoaria e eu sei que você e o Peter... São muito unidos. A última coisa que quero é arranjar problemas com eles. Eu sugiro que termine com a Lulu hoje mesmo ou eu mesma conto pra ela sua cachorrada! E já parou pra pensar qual vai ser o choque dela por descobrir que você a trocou pela Dianna, a amadinha dela?
Esfreguei o rosto onde levei o tapa, mas fiz questão de deixar claro:
- Eu amo a Dianna! Seja o que for!
- Se ama mesmo a Di, então seja honesto com a Lulu e termine com ela!
Ela se afastou e enfim pude correr para dentro do banheiro antes que fosse tarde.
(Emma's POV)
Ainda estava morta de vergonha por ter sido pega no flagra com Mike e Micky por Felicity. E doeu no meu coração quando ela recusou ouvir o que eu tinha a dizer e ainda disse na minha cara que não fez a menor questão de ler minhas mensagens. Para piorar, ela chegou ao apartamento do Nez acompanhada de Peter, e ao sair, deu um selinho nele. Seria possível que... Fosse ela a responsável pelo namoro de Erin com ele ter terminado?
No dia seguinte, resolvi ir ao estúdio, a convite de meu "ex-Michael" e meu "atual Michael". Mas não queria ir sozinha. Pedi para Di e Erin me acompanharem. E fomos nós três para lá.
Chegando... Vi Fefe. Não conseguia tirar os olhos dela. Ela se incomodou com isso. E eu mais ainda.
Ela foi para outra sala. E resolvi segui-la.
- Me deixa em paz, Emma. Não estou num bom dia. - ela foi ríspida, mas eu não me dou por vencida assim tão fácil.
- Eu também não estou. - sentei-me ao lado dela. - Eu não paro de pensar em você.
Ela suspirou antes de dizer:
- Estou atolada em problemas.
- Eu quero te ajudar. - peguei a mão dela. - Me conta.
Ela revelou:
- Eu descobri que sua amiga adorada, Dianna, está tendo um caso com Davy Jones, o namorado da minha prima!
Meu Deus. Fefe sabe. Di está lascada. E também não pude deixar de pensar: "E você por acaso está tendo um com o namorado da prima dela?".
- Não... Mas... Como soube?
- Ontem eu os vi na entrada de um motel. Eu quero matar aquele tampinha mas não farei isso em consideração a Lulu. Ele vai terminar com ela.
- Felicity... Você não acha que... Louise seja a responsável do Gerd terminar o noivado com a Di? - eu estava bem certa disso, contudo, Fefe não parecia concordar comigo.
- Não acho. Se está falando da famigerada cena de sexo, não. Eu sei que aquela cena, convenhamos, foi bem real. Mas não há como Lulu e Gerd ficarem juntos como suas personagens, Poppy e Felix. Emma, a Lulu é muito “bonequinha frágil”. Acredito que um cara como Gerd prefira mulheres mais vistosas como a Alice.
- Pode ser, mas não quero falar dele mais. E sim de você. Se quiser... Eu peço perdão a Louise por bater nela.
- Perdão não basta, Emma.
Felicity me puxou para a parede e me encarou. Até tremi um pouco.
- Eu vi sua atitude agressiva, Emma. E também você me bateu ainda que sem querer.
Parecia ainda estar brava, mas me beijou. E eu desabafei:
- Sei que fui bem agressiva e precipitada. Admito muito isso. Fefe, eu tenho a Dianna como minha alma gêmea. Não tenha dúvida disso e você tem a Nora. Contudo, Di ama a Louise. Então eu posso amar você sem problemas. Não quero me dar ao luxo de te perder. Nem você e nem a Di.
Ela me trouxe para perto dela e roubou um beijo quente, ao mesmo tempo que me tocava lá embaixo.
- Fefe... Aaaaah.. Você...
- Eu te amo, minha loira! – passou a língua na minha boca, me deixando louca de tesão.
Ela se agachou um pouco e tirou a minha calcinha. Fez sexo oral em mim. Felicity quis parar, mas puxei sua cabeça, fazendo continuar.
- Não pare, minha morena... aaah...
- Emma! – Fefe se ergueu. – Tenha calma e não grite.
Fefe deitou no tapete e pediu que eu sentasse no seu rosto. Fiz como ela pediu e ela continuou o sexo oral, agora mais sexy, mais quente. Ela acariciava minhas pernas e às vezes meus seios eram apalpados. Eu gemia e bagunçava seu cabelo.
- Felicity, eu te amo... Aaaaahhh...
- Emma, minha loira...
Não demorei muito para atingir o orgasmo. Quando terminamos, ajeitamos os cabelos e as roupas.
- Posso te ver hoje à noite? - pedi.
- À noite estarei ocupada. – tive a sensação de que ela não queria entrar em detalhes sobre algo. E eu desconfiava que isso se devia somente a algo, ou melhor, alguém: Peter. - Amanhã serei toda sua.
(Dianna's POV)
No dia seguinte à minha ida com Davy ao motel, eu não parava de pensar em uma pessoa: Louise. Estava com saudades da minha amadinha.
Depois que saí do estúdio, onde ele me evitou, creio que por causa dos outros, decidi passar pelo apartamento da Louise. Ela ficou surpresa, mas me recebeu bem.
- Estava com saudades de você. - eu dizia, enquanto a beijava.
- Di, por favor, pare! Não quero me encrencar com Emma de novo! - ela se esquivava dos meus beijos.
- Amorzinho, ela entende sobre nós. Afinal, eu a suportei com Felicity. Por que não com você?
- Emma acha que eu destruí seu noivado. - ela justificou.
De fato. Foi o ciúme misturado com a suspeita que fez Emma atacar Lulu daquele jeito. Fiquei quieta e, lembrando que Davy ainda mantinha contato com ela, sondei:
- Lulu, você não questionou o Davy se ele... Se envolveu com outra pessoa enquanto estiveram separados?
- Não. - Lulu respondeu, na lata. - Eu sei que ele não seria capaz disso. E mesmo se fosse, independente de quem fosse a mulher, eu iria odiar e muito!
Ai meu Deus. Ela me odiaria mesmo. Ou eu perdia Davy para sempre.... Ou Louise. Eu preferia perder Davy.
- Dianna, está tudo bem?
- Sim. Só estou um pouco ansiosa.
- Com o quê?
- Ah.... Com o pequeno papel que terei no filme da Odile. - fiz o melhor que pude para disfarçar. - Tenho medo de estragar tudo já que não tenho experiência alguma.
Louise pareceu aceitar minha explicação capenga. Depois de mais algum tempinho, me despedi dela e fui embora dali antes que eu tivesse um colapso nervoso. Liguei para Davy.
- Vem me ver. Preciso falar com você. Urgente.
- Tudo bem, logo estarei no hotel.
Esperei por ele ansiosa. Até que a campainha do quarto tocou e eu corri para atender.
- Está morta de saudade, não é? - ele deu uma risada maliciosa, já colocando os braços ao redor da minha cintura.
- Na verdade... - eu o fiz me soltar. - Nós precisamos parar com isso, Davy. Não está certo.
- De novo esse papo, Di? O que eu preciso fazer para provar para você que...
- Eu falei com a Louise. Perguntei se você comentou com ela sobre ter ficado com outra mulher nesse tempo que vocês deram. Ela disse que não e que você é incapaz disso. E mais: que ela odiaria a mulher que se envolvesse com você. E eu não quero que ela me odeie. Eu me obriguei a escolher: ou ela, ou você. E escolhi Lulu.
Ele pareceu mesmo ter ficado muito desapontado.
- Di... Não, por favor! - ele pegou meu braço com firmeza, mas sem machucar. - Eu não quero te perder. Eu... Eu te amo.
Ai, não. Eu vi a sinceridade nos olhos dele. E me senti a pior pessoa do mundo. Ainda mais porque a recíproca era mais do que verdadeira.
- Desculpa. Desculpa. - eu acariciei o braço dele. - Davy, eu estou me sentindo péssima. Mas eu não posso continuar envolvida com você, sabendo que Lulu está sofrendo. Se ela disse que iria odiar a mulher que ficasse com você, é porque ainda ama você. E eu não iria conseguir viver com o remorso. Volte pra ela.
- Mas, Di, eu acabei de dizer que te amo! Eu não posso voltar para a Louise!
- Você está enganando a si mesmo, Davy. Se você me ama... Me deixa. - chorei.
Davy parecia tão atônito, tão triste. Entretanto, eu não podia continuar com isso. O remorso iria me matar.
Ele também chorou, mas conseguiu se recompor. Disse, fungando:
- Tá bom. Se é o que você quer, eu vou embora.
Deixei que ele me beijasse uma última vez. E foi embora. Eu me sentia tão mal. Depois de alguns minutos, peguei meu celular e digitei uma mensagem para Gerd:
Tô carente. E sinto saudade de você. Vamos voltar?
Fiquei surpresa por ele responder:
Estou indo.
Dali a meia hora, ele chegou. Usava aquele bigodinho que eu achava que ficava tão fofo nele. E trazia várias caixas, que ele disse ser minhas coisas que tinham ficado no apartamento em Munique. Ele tinha passado uns dias lá.
Agradeci por ele as ter trazido, e julguei que o bigodinho era um bom sinal. Eu me pendurei em seu pescoço e o beijei da forma mais ardente que pude. O beijo não foi tão gostoso quanto costumava ser.
Levei Gerd para a cama e fizemos amor. Mas foi muito estranho. De repente, ele era grande demais para mim. Um pouco bruto demais. Ele não era mais meu ursão.
Quando terminou, Gerd não me puxou para perto, como sempre fez. Creio que ele também achou estranho. Cada um virou para um lado.
Suspirei baixinho e chorei, molhando a fronha do meu travesseiro. Eu sentia falta do meu hobbit safado, que lê o Kama Sutra e gosta de ser algemado e dominado. Que canta, compõe, toca, atua e dança. Que tem os olhos cor de chocolate mais lindos do mundo. O cavaleiro Danceny. Meu muso. Meu Davy. Que eu tanto amo.
Nós dois fomos para a casa de Nez, explicamos a situação e ele deixou que ficássemos lá. No dia seguinte, eu enviei uma mensagem a Louise perguntando como ela estava e deixando claro que não queria de modo algum que ela ficasse mal. Prometi que iria vê-la qualquer dia.
Como as gravações estavam suspensas por enquanto devido ao estado de Louise e Odile, eu resolvi ir até o hotel ver Dianna. No dia anterior tive que sair às pressas de lá.
- Oi. - eu a cumprimentei quando ela abriu a porta, e já a puxei para um beijo.
- Olá. - ela disse, tocando meus lábios com as pontas dos dedos. - Eu já sei do que aconteceu ontem à noite, minha prima contou. Coitada dela.
- Bem, Peter não a traiu. Isso eu te garanto. Mas eu não quero falar deles. E sim de nós dois. - eu a abracei pela cintura. - Eu não posso mais ficar sem você, Di.
- Mas, Davy...
- O quê?
- Lulu. Vocês não terminaram definitivamente.
- Eu vou falar com ela. Eu prometo.
- Eu gosto muito dela. Na verdade, eu a amo. Espero que ela não me condene por... Bem, por estar me envolvendo assim com você. - Di afagou meu rosto.
- Dianna, meu relacionamento com a Louise precisava de um momento para que nós refletíssemos sobre ele. E eu cheguei à conclusão que não dá mais. Porque eu encontrei você.
- A culpa é minha?
- Não! Você foi uma surpresa, Di, uma surpresa muito boa. Uma coisa nova começou e eu estou feliz com isso. Quero você na minha vida.
Ela sorriu e, como eu ainda estava parado no umbral, me fez entrar. Passei a tarde com ela, só conversando e vendo alguns filmes.
A noite caiu, e eu perguntei se ela gostaria de ir comigo para o apartamento do Nez.
- Bem, por que não? - ela deu uma risadinha maliciosa. Ah, eu adoro essa garota, mais do que eu devia.
Chegando lá... Encontramos Nez muito bem-acompanhado. Micky e Emma. Os três estavam sentados no sofá, por enquanto só com suas roupas íntimas, mas conhecendo o Nez e o Micky como eu conheço... Basta dizer que a relação deles é comparável à minha com Peter. E os dois eram malucos pela loira. Di não disse nada, só olhou assustada para a amiga dela.
- Er... Di, acho melhor nós irmos para outro lugar. - eu disse, constrangido.
(Dianna's POV)
- Para onde vamos, Davy? Voltar para o hotel? - eu indaguei. Ainda estava meio chocada por ver minha mozão ali na iminência de um ménage à trois com seu ex e seu atual namorado.
- Não. Pensei em algo... Diferente.
Ele dirigiu por uns bons vinte minutos, até que... Estacionou num motel. Olhei para ele bastante espantada.
- O que foi? - ele riu um pouco.
- É que...
Gerd e eu costumávamos sim ter algumas ousadias, mas... Nunca fomos a motéis. Isso era novo para mim. E um pouco assustador.
Não concluí a frase, no entanto Davy entendeu.
- Eu e a Lulu... Já fizemos isso algumas vezes. Eu te garanto, não é nada tão diferente de fazer... Em casa. Vamos tentar... - ele colocou a mão na minha perna.
- Ok... Só hoje. - eu disse.
Desembarcamos do carro e Davy foi até o balcão da recepção para pagar e pegar a chave de um quarto. Eu ainda estava bem constrangida com isso tudo.
Ele olhou rapidamente para a rua, e ficou tão branco que parecia que viu um fantasma.
- Davy? Tudo bem? - peguei o braço dele.
- Tudo... Vamos subir. - disse ele.
Subimos um andar de escada e chegamos até onde ficava o quarto. Davy colocou a chave na fechadura e abriu.
O quarto era exatamente como eu imaginava um típico quarto de motel. Havia uma cama redonda, forrada com lençol vermelho e as fronhas também eram dessa cor. O edredom era preto. Havia um carrinho de chá com um balde cheio de gelo, que continha uma garrafa de champanhe barato, e duas taças.
- Não imaginava que você fosse chegado nessas cafonices. - falei, com sinceridade.
- Eu gosto é de tentar coisas novas. Ainda mais quando diz respeito a sexo.
- Aposto que o Kama Sutra é seu livro de cabeceira. - eu disse isso meio de brincadeira, meio a sério.
- Não chega a ser meu livro de cabeceira... Mas já li algumas partes sim.
Ok. Gerd podia gostar de sexo, mas ele fazia as coisas de maneira mais... Tradicional. Agora eu tinha um parceiro meio maluco. Era excitante, porém, eu não sabia se iria conseguir acompanhar todas as ideias de Davy.
- Calma, eu não vou tentar aquelas posições malucas. Não agora. Mas eu quero tentar uma coisinha diferente sim.
Ele abriu uma gaveta no criado-mudo ao lado da cama e tirou de lá... Um par de algemas.
- Além do Kama Sutra, você lê Cinquenta Tons de Cinza? - agora sim eu estava pasma.
- Eu não! - ele se defendeu. - Mas... Hoje eu vou ser um menino bonzinho e fazer tudo que você mandar. - sussurrou sensualmente no meu ouvido.
- Você quer que eu... Te prenda?
- Isso mesmo.
Ele colocou as algemas em minhas mãos.
- Eu.... Ok.
Coloquei as algemas sobre a cama e me aproximei dele, tirando sua camisa. Ele, por sua vez, tirou minha blusa. Coloquei suas mãos em meu busto e atirei meus braços em seu pescoço, beijando-o até tirar o fôlego. Ele gemia e apertava meus seios bem de leve. Ordenei:
- Mais forte.
E foi o que ele fez. Gemi junto com ele e levei uma das minhas mãos até o meio das pernas de Davy. Abri a braguilha dele e coloquei a mão lá dentro. Agora ele não parava de gemer.
- Dianna... Aaaahhhh... Minha nossa...
Eu o beijei bem forte, e continuava com a masturbação.
- Di... Eu vou... Pare! Aaaahhh, pare!
Antes que ele tivesse um orgasmo, tirei a mão. Livrei-o da calça e da cueca e ele removeu minha saia e minha calcinha, além do meu sutiã. Eu disse:
- Já que estou no comando, deite na cama.
Ele me obedeceu, e eu peguei as algemas. Sorri maliciosa para ele, peguei seus pulsos e o prendi na guarda da cama.
- É assim que você quer? - indaguei.
- Você nunca dominou o Gerd? - ele me indagou de volta.
- Bem... Não. - fiquei um pouco corada. - Mesmo porque acho que eu não iria conseguir.
- Talvez ele não, mas eu estou aqui para fazer tudo que você quiser. Tudo. - ele piscou.
Mordi o lábio e subi na cama, ficando por cima de Davy. Comecei beijando-o de forma ardente, e um pouco sem jeito, passei a cavalgar nele.
- Nada mau para uma primeira vez... - ele gemeu.
Ele quis pegar minha cintura para trazê-la mais perto, contudo, se esqueceu de que estava preso, e a cama balançou com o tranco. Ri disso.
- Droga. - ele resmungou.
Eu não disse nada, só continuei mexendo meus quadris. Estava gostando muito de estar no poder, devo admitir.
Beijei-o e, quando separei minha boca da dele, ele não resistiu. Passou a morder, lamber e sugar um dos meus mamilos. Eu consenti.
Ele largou meu peito e arranhei seu tórax. Mais beijos, mais movimentos, mais suspiros. E alguns gritos.
Até que finalmente chegamos ao orgasmo. Quando tudo terminou, desci da cama, soltei os pulsos dele e esfreguei-os, pois ele reclamou que estavam ardendo.
- Mas o que você achou? - ele quis saber.
- Eu... Gostei. Muito. Nunca imaginei que um dia eu ficaria por cima.
- Podemos fazer isso sempre que você quiser. - ele disse, enquanto eu me deitava ao lado.
- Vou adorar. - respondi, e tomei os lábios de Davy para uma sessão de beijos.
Dormimos de conchinha, e no dia seguinte, ao nos levantarmos, Davy pegou o champanhe fajuto e as taças. Encheu-as com a bebida e me ofereceu uma.
- A nós! - ele ergueu a taça.
- A nós. - eu ergui a minha também e brindamos.
Demos um gole... E cuspimos logo em seguida.
- Que champanhe horroroso! - eu exclamei.
- Nem me diga. Desculpa, Di, o champanhe daqui costumava ser melhor.
- Tudo bem. - eu ri. - Podíamos ir tomar café numa lanchonete aqui por perto antes de irmos gravar.
- Bem, por enquanto nada de cenas novas. Mas eu e os rapazes vamos gravar umas músicas para o filme com a English Band. Você quer ir?
- Talvez mais tarde. Preciso arrumar algumas coisas lá no hotel.
- Você vai embora? - os olhos dele ficaram ainda maiores com o espanto.
- Do hotel, pretendo. Acho que vou morar com Erin.
- Entendi... Então vamos tomar café. Depois te deixo no hotel e vou para o estúdio.
- Ok.
Assim fizemos. Uma vez no hotel, comecei a arrumar minhas coisas para me mudar para o apartamento da minha prima.
(Davy's POV)
Após ter deixado Di no hotel, segui para o estúdio. Todos estavam à minha espera.
- A noite foi longa, hein? - Peter comentou.
- Tá com ciúme, é? - eu dei uma risadinha.
- Quem sabe? - ele deu um pequeno sorriso.
Ensaiamos algumas músicas, e quando Alana Watson começou Ready Teddy, do Elvis, olhei a morte nos olhos. Melhor dizendo, vi Felicity me lançando o mesmo olhar mortífero da noite anterior, quando me viu entrando no motel com Di.
Para minha desgraça, minha bexiga estava bem cheia. Eu tinha que ir... Mas ia precisar passar pela prima assassina da McLovely.
Pedi licença ao pessoal e saí da sala. Aparentemente, Felicity saiu dali. Doce ilusão. Lá estava ela bloqueando a passagem para o banheiro masculino.
- Olá, David Thomas Jones! Como vai? - ela me saudou, com um tom de "eu vou te matar".
- Err... Vou bem. - dei um sorriso amarelo. - Eu tenho de ir ao banheiro.
- Está com dor de barriga? Náusea? Diarreia? - ela avançava em minha direção, e me senti menor do que nunca. - Ou será... Remorso?
Fiquei quieto, já que eu não sabia mesmo o que dizer.
- Acha que sou burra? Eu vi você e a Dianna no motel ontem à noite. - ela me deu um tapa na cara. - Eu sempre soube que você não valia nem meio xelim. Agora vejo que não vale porra alguma!
- Eu posso explicar, Fefe...
- Explicar que está apaixonado por uma poetisa que nem tem onde cair morta?
Não gostei do modo como ela falou da Di. Mas preferi não gastar meu latim. Ela deu um suspiro pesado e continuou:
- Olha, Davy, eu jurei que se você magoasse a Lulu, ia se dar muito mal. E eu vou cumprir isso. Porém, Louise não me perdoaria e eu sei que você e o Peter... São muito unidos. A última coisa que quero é arranjar problemas com eles. Eu sugiro que termine com a Lulu hoje mesmo ou eu mesma conto pra ela sua cachorrada! E já parou pra pensar qual vai ser o choque dela por descobrir que você a trocou pela Dianna, a amadinha dela?
Esfreguei o rosto onde levei o tapa, mas fiz questão de deixar claro:
- Eu amo a Dianna! Seja o que for!
- Se ama mesmo a Di, então seja honesto com a Lulu e termine com ela!
Ela se afastou e enfim pude correr para dentro do banheiro antes que fosse tarde.
(Emma's POV)
Ainda estava morta de vergonha por ter sido pega no flagra com Mike e Micky por Felicity. E doeu no meu coração quando ela recusou ouvir o que eu tinha a dizer e ainda disse na minha cara que não fez a menor questão de ler minhas mensagens. Para piorar, ela chegou ao apartamento do Nez acompanhada de Peter, e ao sair, deu um selinho nele. Seria possível que... Fosse ela a responsável pelo namoro de Erin com ele ter terminado?
No dia seguinte, resolvi ir ao estúdio, a convite de meu "ex-Michael" e meu "atual Michael". Mas não queria ir sozinha. Pedi para Di e Erin me acompanharem. E fomos nós três para lá.
Chegando... Vi Fefe. Não conseguia tirar os olhos dela. Ela se incomodou com isso. E eu mais ainda.
Ela foi para outra sala. E resolvi segui-la.
- Me deixa em paz, Emma. Não estou num bom dia. - ela foi ríspida, mas eu não me dou por vencida assim tão fácil.
- Eu também não estou. - sentei-me ao lado dela. - Eu não paro de pensar em você.
Ela suspirou antes de dizer:
- Estou atolada em problemas.
- Eu quero te ajudar. - peguei a mão dela. - Me conta.
Ela revelou:
- Eu descobri que sua amiga adorada, Dianna, está tendo um caso com Davy Jones, o namorado da minha prima!
Meu Deus. Fefe sabe. Di está lascada. E também não pude deixar de pensar: "E você por acaso está tendo um com o namorado da prima dela?".
- Não... Mas... Como soube?
- Ontem eu os vi na entrada de um motel. Eu quero matar aquele tampinha mas não farei isso em consideração a Lulu. Ele vai terminar com ela.
- Felicity... Você não acha que... Louise seja a responsável do Gerd terminar o noivado com a Di? - eu estava bem certa disso, contudo, Fefe não parecia concordar comigo.
- Não acho. Se está falando da famigerada cena de sexo, não. Eu sei que aquela cena, convenhamos, foi bem real. Mas não há como Lulu e Gerd ficarem juntos como suas personagens, Poppy e Felix. Emma, a Lulu é muito “bonequinha frágil”. Acredito que um cara como Gerd prefira mulheres mais vistosas como a Alice.
- Pode ser, mas não quero falar dele mais. E sim de você. Se quiser... Eu peço perdão a Louise por bater nela.
- Perdão não basta, Emma.
Felicity me puxou para a parede e me encarou. Até tremi um pouco.
- Eu vi sua atitude agressiva, Emma. E também você me bateu ainda que sem querer.
Parecia ainda estar brava, mas me beijou. E eu desabafei:
- Sei que fui bem agressiva e precipitada. Admito muito isso. Fefe, eu tenho a Dianna como minha alma gêmea. Não tenha dúvida disso e você tem a Nora. Contudo, Di ama a Louise. Então eu posso amar você sem problemas. Não quero me dar ao luxo de te perder. Nem você e nem a Di.
Ela me trouxe para perto dela e roubou um beijo quente, ao mesmo tempo que me tocava lá embaixo.
- Fefe... Aaaaah.. Você...
- Eu te amo, minha loira! – passou a língua na minha boca, me deixando louca de tesão.
Ela se agachou um pouco e tirou a minha calcinha. Fez sexo oral em mim. Felicity quis parar, mas puxei sua cabeça, fazendo continuar.
- Não pare, minha morena... aaah...
- Emma! – Fefe se ergueu. – Tenha calma e não grite.
Fefe deitou no tapete e pediu que eu sentasse no seu rosto. Fiz como ela pediu e ela continuou o sexo oral, agora mais sexy, mais quente. Ela acariciava minhas pernas e às vezes meus seios eram apalpados. Eu gemia e bagunçava seu cabelo.
- Felicity, eu te amo... Aaaaahhh...
- Emma, minha loira...
Não demorei muito para atingir o orgasmo. Quando terminamos, ajeitamos os cabelos e as roupas.
- Posso te ver hoje à noite? - pedi.
- À noite estarei ocupada. – tive a sensação de que ela não queria entrar em detalhes sobre algo. E eu desconfiava que isso se devia somente a algo, ou melhor, alguém: Peter. - Amanhã serei toda sua.
(Dianna's POV)
No dia seguinte à minha ida com Davy ao motel, eu não parava de pensar em uma pessoa: Louise. Estava com saudades da minha amadinha.
Depois que saí do estúdio, onde ele me evitou, creio que por causa dos outros, decidi passar pelo apartamento da Louise. Ela ficou surpresa, mas me recebeu bem.
- Estava com saudades de você. - eu dizia, enquanto a beijava.
- Di, por favor, pare! Não quero me encrencar com Emma de novo! - ela se esquivava dos meus beijos.
- Amorzinho, ela entende sobre nós. Afinal, eu a suportei com Felicity. Por que não com você?
- Emma acha que eu destruí seu noivado. - ela justificou.
De fato. Foi o ciúme misturado com a suspeita que fez Emma atacar Lulu daquele jeito. Fiquei quieta e, lembrando que Davy ainda mantinha contato com ela, sondei:
- Lulu, você não questionou o Davy se ele... Se envolveu com outra pessoa enquanto estiveram separados?
- Não. - Lulu respondeu, na lata. - Eu sei que ele não seria capaz disso. E mesmo se fosse, independente de quem fosse a mulher, eu iria odiar e muito!
Ai meu Deus. Ela me odiaria mesmo. Ou eu perdia Davy para sempre.... Ou Louise. Eu preferia perder Davy.
- Dianna, está tudo bem?
- Sim. Só estou um pouco ansiosa.
- Com o quê?
- Ah.... Com o pequeno papel que terei no filme da Odile. - fiz o melhor que pude para disfarçar. - Tenho medo de estragar tudo já que não tenho experiência alguma.
Louise pareceu aceitar minha explicação capenga. Depois de mais algum tempinho, me despedi dela e fui embora dali antes que eu tivesse um colapso nervoso. Liguei para Davy.
- Vem me ver. Preciso falar com você. Urgente.
- Tudo bem, logo estarei no hotel.
Esperei por ele ansiosa. Até que a campainha do quarto tocou e eu corri para atender.
- Está morta de saudade, não é? - ele deu uma risada maliciosa, já colocando os braços ao redor da minha cintura.
- Na verdade... - eu o fiz me soltar. - Nós precisamos parar com isso, Davy. Não está certo.
- De novo esse papo, Di? O que eu preciso fazer para provar para você que...
- Eu falei com a Louise. Perguntei se você comentou com ela sobre ter ficado com outra mulher nesse tempo que vocês deram. Ela disse que não e que você é incapaz disso. E mais: que ela odiaria a mulher que se envolvesse com você. E eu não quero que ela me odeie. Eu me obriguei a escolher: ou ela, ou você. E escolhi Lulu.
Ele pareceu mesmo ter ficado muito desapontado.
- Di... Não, por favor! - ele pegou meu braço com firmeza, mas sem machucar. - Eu não quero te perder. Eu... Eu te amo.
Ai, não. Eu vi a sinceridade nos olhos dele. E me senti a pior pessoa do mundo. Ainda mais porque a recíproca era mais do que verdadeira.
- Desculpa. Desculpa. - eu acariciei o braço dele. - Davy, eu estou me sentindo péssima. Mas eu não posso continuar envolvida com você, sabendo que Lulu está sofrendo. Se ela disse que iria odiar a mulher que ficasse com você, é porque ainda ama você. E eu não iria conseguir viver com o remorso. Volte pra ela.
- Mas, Di, eu acabei de dizer que te amo! Eu não posso voltar para a Louise!
- Você está enganando a si mesmo, Davy. Se você me ama... Me deixa. - chorei.
Davy parecia tão atônito, tão triste. Entretanto, eu não podia continuar com isso. O remorso iria me matar.
Ele também chorou, mas conseguiu se recompor. Disse, fungando:
- Tá bom. Se é o que você quer, eu vou embora.
Deixei que ele me beijasse uma última vez. E foi embora. Eu me sentia tão mal. Depois de alguns minutos, peguei meu celular e digitei uma mensagem para Gerd:
Tô carente. E sinto saudade de você. Vamos voltar?
Fiquei surpresa por ele responder:
Estou indo.
Dali a meia hora, ele chegou. Usava aquele bigodinho que eu achava que ficava tão fofo nele. E trazia várias caixas, que ele disse ser minhas coisas que tinham ficado no apartamento em Munique. Ele tinha passado uns dias lá.
Agradeci por ele as ter trazido, e julguei que o bigodinho era um bom sinal. Eu me pendurei em seu pescoço e o beijei da forma mais ardente que pude. O beijo não foi tão gostoso quanto costumava ser.
Levei Gerd para a cama e fizemos amor. Mas foi muito estranho. De repente, ele era grande demais para mim. Um pouco bruto demais. Ele não era mais meu ursão.
Quando terminou, Gerd não me puxou para perto, como sempre fez. Creio que ele também achou estranho. Cada um virou para um lado.
Suspirei baixinho e chorei, molhando a fronha do meu travesseiro. Eu sentia falta do meu hobbit safado, que lê o Kama Sutra e gosta de ser algemado e dominado. Que canta, compõe, toca, atua e dança. Que tem os olhos cor de chocolate mais lindos do mundo. O cavaleiro Danceny. Meu muso. Meu Davy. Que eu tanto amo.
sexta-feira, 8 de abril de 2016
Oneshot: I Wish You Would - Side Story (What If)
Boa noite! Vou postar mais uma side story. Essa nasceu de uma cena cortada da oneshot I Call Your Name. Boa leitura!
Numa tarde, Dianna passava pelo corredor onde ficava o quarto de Davy. Às vezes, ela olhava
pela fechadura ou abria cuidadosamente uma fresta para espiá-lo.
Daquela vez, havia uma chave na fechadura e obviamente a porta estava trancada. Soltou um suspiro resignado.
Então ouviu sons estranhos. Gemidos. Era a voz de Nami.
- Aaaaaah, Davy, aaaah meu Deus... Por favor...
E ele. Não falava quase nada, mas gemia muito.
- Você, dentro de mim... Ooooooh, isso! Isso... - Nami continuava.
Dianna não estava entendendo. Porém, parecia ser algo muito bom, tão bom quanto andar de mãos dadas, abraçar ou beijar. Ela desejava que Davy fizesse aquilo com ela. Encostou-se na parede, imaginando o que estava havendo ali dentro. E ela no lugar de Nami. "Davy, eu quero você dentro de mim... Eu quero saber o que é isso que é tão bom...". Então ela ouviu a voz rouca de Davy:
- Aaaah, meu amor!
Seu coração pulou no peito quando ela o imaginou dizendo isso a ela. Era seu maior sonho. De repente, se deu conta de que isso nunca aconteceria. E chorou. Queria ser Nami.
Nami era tão sortuda. E nem imaginava. Ela podia segurar a mão dele. Afagar seu cabelo e seu rosto. Beijar sua boca. Abraçá-lo. Ela tinha o mundo de Dianna em suas mãos.
Oh, daria tudo para tê-lo, todo... De corpo e alma. Ele... Seus cabelos, seus olhos, seu sorriso, sua risada... Seu amor. Se ele soubesse...
Voltou para seu quarto. O coração pesava. Olhou-se no espelho. Era bonita. Contudo, ele não via. Não via seus olhos brilhando quando o fitava. Não via sua boca, louca de vontade. Não via seu corpo, trêmulo pela proximidade.
"Eu não tenho chance alguma. Mas a cada dia eu me apaixono mais e mais... Queria saber se ele pensa em mim... E se pensa, o que é que ele pensa... Decerto nada do que eu penso sobre ele. Ai, eu o amo tanto... Queria que ele gostasse de mim só um pouquinho do quanto eu o amo. Eu seria feliz...".
Então viu um papelzinho ser deslizado para dentro do quarto pelo vão da porta. Pegou e leu:
Numa tarde, Dianna passava pelo corredor onde ficava o quarto de Davy. Às vezes, ela olhava
pela fechadura ou abria cuidadosamente uma fresta para espiá-lo.
Daquela vez, havia uma chave na fechadura e obviamente a porta estava trancada. Soltou um suspiro resignado.
Então ouviu sons estranhos. Gemidos. Era a voz de Nami.
- Aaaaaah, Davy, aaaah meu Deus... Por favor...
E ele. Não falava quase nada, mas gemia muito.
- Você, dentro de mim... Ooooooh, isso! Isso... - Nami continuava.
Dianna não estava entendendo. Porém, parecia ser algo muito bom, tão bom quanto andar de mãos dadas, abraçar ou beijar. Ela desejava que Davy fizesse aquilo com ela. Encostou-se na parede, imaginando o que estava havendo ali dentro. E ela no lugar de Nami. "Davy, eu quero você dentro de mim... Eu quero saber o que é isso que é tão bom...". Então ela ouviu a voz rouca de Davy:
- Aaaah, meu amor!
Seu coração pulou no peito quando ela o imaginou dizendo isso a ela. Era seu maior sonho. De repente, se deu conta de que isso nunca aconteceria. E chorou. Queria ser Nami.
Nami era tão sortuda. E nem imaginava. Ela podia segurar a mão dele. Afagar seu cabelo e seu rosto. Beijar sua boca. Abraçá-lo. Ela tinha o mundo de Dianna em suas mãos.
Oh, daria tudo para tê-lo, todo... De corpo e alma. Ele... Seus cabelos, seus olhos, seu sorriso, sua risada... Seu amor. Se ele soubesse...
Voltou para seu quarto. O coração pesava. Olhou-se no espelho. Era bonita. Contudo, ele não via. Não via seus olhos brilhando quando o fitava. Não via sua boca, louca de vontade. Não via seu corpo, trêmulo pela proximidade.
"Eu não tenho chance alguma. Mas a cada dia eu me apaixono mais e mais... Queria saber se ele pensa em mim... E se pensa, o que é que ele pensa... Decerto nada do que eu penso sobre ele. Ai, eu o amo tanto... Queria que ele gostasse de mim só um pouquinho do quanto eu o amo. Eu seria feliz...".
Então viu um papelzinho ser deslizado para dentro do quarto pelo vão da porta. Pegou e leu:
Dianna, sou eu, Davy. Posso entrar?
Ela pegou sua pena, molhou na tinta e respondeu: Claro, vou abrir. Deslizou o papel para fora e abriu a porta. Viu Davy... Carregando um buquê de rosas vermelhas.
- Os botões de minhas roseiras vermelhas estão abrindo. Colhi os mais bonitos para você. Sei que as rosas vermelhas são suas favoritas.
Dianna não acreditava. Ele, lhe dando um buquê? Era quase impossível... Pegou o buquê com cautela, corada.
- Você gostou? - Davy quis saber.
Ela sorriu e meneou com a cabeça, controlando a vontade de beijá-lo.
- Fico feliz. - beijou a mão dela.
A jovem achava que poderia morrer naquele momento.
- Bem, eu tenho alguns afazeres... Vou te deixar agora. Até depois.
Dianna acenou e ele saiu. Ela cheirou as flores e colocou-as num vaso. Sorria muito. Talvez ele nunca a amasse... Mas lembrava qual era a sua flor favorita. E isso deu novo valor ao sacrifício da pequena sereia.
terça-feira, 5 de abril de 2016
Oh, Pretty Woman - Capítulo 4 (Norse Mythology)
Boa noite! Tem mais um capítulo da Norse Myth pra vocês! Esse é tenso! Boa leitura.
O jovem deus do verão encontrou-se
com Gerd, Louise e Uli na ponte Bifrost, feita de arco-íris e que ligava Asgard
a Midgard. Seria uma longa viagem através da Yggdrasil, a Árvore do Mundo.
Paul, o deus guardião da Bifrost, disse-lhes:
-
Boa viagem! E lutem bravamente por Asgard!
Os quatro deuses agradeceram e
partiram. Uli olhava desdenhoso para os dois irmãos vanires, e até mesmo disse:
-
Não sei por que meu pai convocou-vos. Não sereis de serventia alguma. Gerd e eu
daríamos conta dos jotünns sozinhos sem problemas.
-
Creio que, se o Grande Tony nos chamou, é porque nossa participação nessa
guerra contra os jotünns será de extrema importância. – Peter retrucou.
-
Eu não ficaria tão confiante, vanir. – Uli disse com desdém.
-
Uli! Chega! – Gerd bradou, irritado. – Vossos comentários não ajudarão em nada
na luta contra os gigantes do gelo!
O deus do trovão calou-se, e o
quarteto continuou sua cavalgada. Até que ouviram um guincho que fez seu sangue
gelar.
-
Esse guincho... – Gerd murmurou. – Eu o conheço...
-
Não seria...? – Uli continuou.
-
Ratatosk. – Louise e Peter confirmaram.
Viram, então, o esquilo gigante e
monstruoso correndo atrás deles. Os cavalos dispararam no galope, contudo,
Peter saltou de sua montaria, portando o chifre de cervo.
-
Estais maluco, vanir? Andastes tomando sol demais! – Uli disse. – Como esperais
derrotar Ratatosk com esse mísero chifre?
-
Não sabeis do que Peter é capaz com esse chifre! – Louise ralhou.
O chifre cresceu nas mãos de
Peter, até atingir o comprimento de Notung, a lança de Gerd. Peter colocou-o em
riste e atacou o esquilo gigante. Foi uma luta difícil, e Ratatosk esteve perto
de arrancar a mão ou a cabeça de Peter, todavia, ele conseguiu enfiar o chifre
no peito do animal, atravessando-o. Ele arrancou o chifre rapidamente, e
Ratatosk tombou morto. Peter subiu novamente no lombo de seu cavalo e partiram.
-
M-muito bem, vanir. – Uli teve de reconhecer que o lorde de Álfaheim era um
valente e habilidoso guerreiro.
-
Obrigado, Uli. – Peter respondeu, simplesmente.
Louise saiu de perto dos
aesires, pois queria conversar com o irmão. Falavam muito baixo.
-
Gerd e eu estamos nos dando bem. – ela disse, com um sorriso.
- É
mesmo? Fico contente por ti, Louise. Acho que nós dois seremos muito felizes no
amor daqui para frente.
A deusa do amor engoliu
em seco. Sabia que Davy estava apaixonado por Dianna, a valquíria amante de
Peter. E sabia que a jovem amava o einherji. Se Davy revelasse seus sentimentos
a ela, certamente ela se entregaria. E seu irmão iria sofrer demais.
-
Eu espero que sim. – Louise respondeu, com cautela.
- O
que há? Tens medo de que algo possa acontecer?
-
Não exatamente... Mas eu tenho a impressão de que... Jim quis desaparecer.
-
Como podes pensar isso? Ele te amava!
-
Não sei. Apenas sinto isso. – Louise começou a chorar lágrimas de ouro.
- Eu sinto muito, minha irmã. Mas agora nós dois temos novas chances para amar.
Tu te casarás com Gerd e ele reinará sobre Vanaheim contigo. E eu... Terei
minha Dianna. Já a vejo em seu trono escavado num olmo, ao lado do meu. Seus
lindos cabelos dourados enfeitados com muitas flores vistosas. E algumas
crianças correndo pelos salões do meu palácio.
Louise não pôde deixar de sorrir diante
dos sonhos e esperanças do irmão. Entretanto, seu coração se entristecia ao
pensar que havia uma possibilidade de Dianna rejeitá-lo por Davy. Não queria
desiludi-lo, então permaneceu calada.
Após longas horas de
caminhada, enfim chegaram a Jotünnheim. Montaram acampamento e acenderam uma
fogueira. Prepararam uma refeição simples, com frutas, pão e carne, e após
comerem armaram suas tendas. Cada um entrou na sua respectiva tenda para
descansar. Peter e Uli não viram, porém,
Louise entrou na tenda de Gerd.
O casal trocava beijos e juras de amor,
quando sentiram um frio cortante. Olharam lá fora e viram tudo ser coberto com
gelo e neve.
-
JOTÜNNS! - Louise exclamou.
Todos prepararam suas armas. Liderando
o grupo, havia um homem pouco maior do que seria considerado um homem realmente
alto. Loiro e de olhos claros. E ao lado dele estavam um homem de estatura
normal, de sorriso debochado e grandes lábios, que todos os deuses reconheceram.
-
Noone! - os aesires e vanires gritaram, com ódio.
Filho de gigantes, ele era o deus da lábia e
da magia. Havia sido, há muito tempo, acorrentado por Tony a três pedras
imensas, com uma serpente peçonhenta enrolada acima de sua cabeça. Contudo,
parecia que os gigantes de gelo o haviam libertado.
-
Olá, meus caros. - Noone tinha aquele sorrisinho irritante. - Uli, Gerd,
Louise, deixarei que confrontem os meus companheiros, liderado pelo meu bom
amigo Hunt aqui. Mas meu assunto é com Peter. - seu sorriso, de deboche, passou
a denotar crueldade.
-
Queres ter uma conversa em particular comigo, trapaceiro? - Peter indagou,
desdenhoso. - Pois bem, é o que teremos.
-
Mas não aqui. - Noone também falou com desdém, e estalou os dedos. Transportou
ele mesmo e Peter para outro lugar.
Os dois deuses estavam num pico nevado. Na
neve, o poder de Peter enfraquecia. Ele já se sentia mais limitado.
-
Tu tens tudo o que queres, não é Peter? - Noone provocava. - Um reino todo teu,
um belo palácio, grande poder... E uma linda amante. Eu daria tudo para possuir
aquela mulher...
-
CALA A BOCA! TU NÃO ÉS DIGNO DE FALAR DE DIANNA!
-
Ah, tua amada Dianna... Ela te ama tão devotadamente, não? - Noone soava
irônico.
-
Por que falas nesse tom? Ela é minha futura esposa! Pensas que vais me
convencer do contrário com tua lábia?
- Não
preciso da minha lábia. - Noone riu e acenou com a mão.
Uma imagem surgiu diante de Peter.
Dianna... Deitada na sua cama, nos seus aposentos em Valhala. Em cima dela...
Davy.
- Davy... Ooooh, Davy... Eu sou toda tua. - ela
gemia.
Peter ficou paralisado diante da cena. Só
podia ser uma ilusão criada por Noone...
-
Não é possível... Dianna não quer esse einherji...
- A
verdade dói, não é? Foste traído, vanir! - Noone gargalhava.
Peter pegou sua lança de chifre de cervo e
avançou contra Noone. Apesar de mais fraco, Peter lutou bravamente contra
Noone. O deus dos logros tentava a todo custo derrubá-lo, todavia, a lança de
chifre e a raiva mantinham o lorde de Álfaheim em pé e combatendo.
-
Criaste aquela imagem para me enfraquecer! Sei que Dianna não ama mais o
maldito guerreiro! É a mim que ela deseja! Ela se casará comigo assim que eu
retornar!
-
Não queres aceitar a verdade, senhor do verão! Tua bela concubina deitou-se com
outro... Outro que ela deseja arrebatadamente, ouviste como ela gemia debaixo
dele.... Como ela disse que era toda dele....
Peter urrou de raiva e esmurrou Noone. A
ira tornou-o incrivelmente forte. O deus trapaceiro ficou muito debilitado pela
luta. Disse:
-
Hoje venceste, vanir... Mas eu vou te matar, mais cedo ou mais tarde! Depois
cuidarei do einherji que mais parece ter vindo de Nídavellir. Com ambos fora do
caminho... A linda valquíria Dianna não pertencerá a mais nenhum dos dois... E
sim a mim!
Com uma última gargalhada, desapareceu, e
devolveu Peter ao local do acampamento. Ele viu os companheiros caídos na
relva, feridos, mas ficariam bem. Os jotünns haviam recuado.
-
Peter... - Louise notou a palidez do rosto do irmão. - Estás bem?
-
E-Estou, Louise. - ele não queria que a irmã se afligisse.
Em Valhala, Dianna estava deitada na cama,
com a cabeça de Davy pousada em seus seios. Ela afagava os cabelos dele com
ternura. A imagem que Noone havia mostrado a Peter era real. Dianna e Davy
haviam acabado de se entregar aos prazeres amorosos. Ela suspirou pesadamente e
Davy sentiu o movimento do peito dela. Era um suspiro de muitas sensações
misturadas. De satisfação, amor, preocupação.
- O
que há, minha bela? - Davy colocou um cacho de cabelo atrás da orelha dela.
-
Antes nunca tivesses me correspondido, Davy. - ela parou de afagar seus cabelos
e ergueu-se na cama, indo sentar-se um pouco afastada dele.
-
Por quê? - ele aproximou-se dela outra vez, envolvendo-a pela cintura em seus
braços. Passou a beijar-lhe o ombro.
-
Eu era menos desgraçada quando eu não significava nada para ti.
-
Não digas isso nunca mais, Dianna!
-
Peter me ama tanto. Eu estava começando a amá-lo também, até que tu chegaste e
me disseste tudo que meu coração tanto ansiava por ouvir... Agora traí aquele
que devotou seu coração a mim, tão desprendidamente.
-
Dianna, eu também devoto meu coração a ti, amada. - ele tomou o rosto da
valquíria em suas mãos e beijou-a apaixonado.
-
Eu sei. Mas isso não muda a minha crueldade para com Peter. Ele acredita que se
casará comigo, que serei a rainha de Álfaheim e mãe dos filhos dele.
-
Serás a minha esposa e a mãe dos meus filhos, não dos dele. - Davy afirmou.
-
Eu preciso dizer a verdade a Peter, por mais que isso vá magoá-lo de uma forma
que não quero nem imaginar...
Peter e os demais deuses voltaram a
Asgard. Ele estava profundamente angustiado. Desejava ardentemente que a cena
que havia visto fosse apenas uma ilusão. Ele revelou seus receios a Louise, que
tentou consolá-lo, mas não admitiu que sabia que era verdade.
O deus do verão voltou por algumas
horas ao seu palácio em Álfaheim. Trouxe Dianna magicamente. Ao ver-se diante
do trono do amante, Dianna engoliu em seco e foi tomada de grande nervosismo.
Precisava contar.
-
Peter! Voltaste! - ela exclamou, tentando mascarar o sentimento de culpa com
uma certa alegria no tom.
-
Sim. Eu voltei. - ele disse, sério, girando o cetro entre as mãos.
-
Há... Há algo errado?
-
Bem... Sim. Há.
Aconteceu o que Dianna temia. Ele já
sabia.
- O
quê...?
-
Em Jotünnheim, Noone me atacou. Para me enfraquecer, ele me levou ao alto de
uma montanha nevada... E me mostrou algo que eu não queria ter visto. Nunca em
minha vida uma visão me perturbou tanto.
- O
que... O que ele te mostrou?
Peter suspirou, tomou coragem e disse:
- Tu.
Na cama com outro homem. Davy Jones, o einherji. Por favor, Dianna, me diga que
não é verdade. ME DIGA QUE É SÓ UM TRUQUE DAQUELE TRAPACEIRO! - Peter começou a
chorar.
Dianna quis desmaiar. Agora não tinha
mais volta. Precisava ser honesta e admitir que era verdade. Sentia todo o peso
da culpa.
-
Peter... Eu queria poder dizer que era apenas um truque. - ela disse, após um
longo silêncio.
-
Então é verdade? Tu me traíste? - Peter olhava para ela com lágrimas fazendo
seus olhos brilharem.
- Sim.
- ela chorou também. - Eu fui fraca, cruel, egoísta, eu sei que fui. Podes me
punir. Eu mereço.
-
Tu nunca me amaste. Sempre amaste o einherji.
-
Eu... Eu achei que estava aprendendo a amar-te. Porém, quando Davy veio e disse
que me amava também... Eu... Não pude resistir. Não peço que me perdoes porque
não sou digna. Podes fazer o que quiseres comigo, mas, por favor... Deixa Davy
em paz. A culpa é toda minha.
-
Eu farei o contrário do que me pedes. Ele será punido. Tu não.
-
NÃO! POR FAVOR, PETER, NÃO PUNA DAVY! - Dianna aproximou-se dele, desesperada.
- É
o que ele merece. Fez com que tu sofreste. E agora tem a audácia de roubar-te
de mim! Não vou perdoar!
-
Peter, eu imploro...
-
Não adianta, Dianna!
A mão de Peter esbarrou no ventre de Dianna,
e ele viu ali... Duas vidas se formando.
-
Dianna... Estás grávida! - Peter exclamou. - Duas lindas meninas... E uma delas
é minha filha! - ele não pôde deixar de sorrir.
-
O... O quê? Espero... Uma filha tua? - Dianna tocou o ventre.
- E
outra... Dele.
-
Eu... Oh, por Asgard...
-
Dianna, eu te amo. - Peter pegou a mão dela. - Mas sei que não me amas mais, se
um dia amaste. Mesmo carregando minha filha em teu ventre. Eu respeito o amor
que tens pelo einherji. Fica com ele. Mas quero que me deixes conhecer nossa
filha quando nascer.
- É
claro, Peter. Tens direito. És o pai dela. - Dianna enxugou uma lágrima.
-
Obrigado. Eu posso... Beijar-te uma última vez? - indagou o deus.
-
Sim... - Dianna respondeu, triste.
Peter tomou os lábios de Dianna, e trocaram
um beijo suave. Ele sabia que iria sentir uma saudade imensa daquela boca
carnuda e doce.
-
Por que me beijas, se não vais me perdoar? - Dianna indagou.
-
Eu te perdoo sim, minha amada. Porque sei que amas de fato o einherji. Eu
deveria ter-te deixado em paz.
-
Peter...
-
Vai. E cuida bem de nossa filha. Não vejo a hora de tê-la em meus braços. -
Peter afagou o ventre da amada.
Ele enviou Dianna de volta a Valhala, e
construiu com sua magia um berço de galhos, folhas e flores. Sorriu, imaginando
a filhinha deitada nele.
Dianna chegou a Valhala. Ia aos seus
aposentos, quando foi interceptada por Louise.
-
Vós! - Louise gritou.
-
Lady Louise! Em que posso servir-vos? - a valquíria fez uma reverência.
-
Servir-me? VADIA! - Louise estapeou-a e ela caiu.
A jovem levou a mão à face.
-
Traístes meu irmão! - a deusa do amor gritou. - Não importa o que ele disser,
eu vou punir-vos! Dizieis que amávais Peter, mas não perdestes a primeira
oportunidade de deitar-vos com Davy!
-
Eu... Eu o amo! - Dianna respondeu.
-
Amais Davy? ENTÃO DEVERÍEIS TER RECUSADO PETER!
Louise estava prestes a chutar a barriga
de Dianna, contudo, ela pediu:
-
Não! Podeis fazer o que quiséreis comigo, mas não machuqueis minhas filhas! -
ela colocou as mãos no ventre.
-
Filhas? ESTAIS GRÁVIDA DE DAVY, OFERECIDA?
-
Dele e de vosso irmão. - Dianna chorou.
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