segunda-feira, 18 de abril de 2016

Stop! In The Name Of Love - Capítulo 9 (What If) - primeira parte

Boa noite!A primeira parte desse capítulo de Stop tá aqui! 




Capítulo 9 - I'll Never Find Another You (Dianna's POV)

    Davy e eu fomos até o quarto onde seria gravada a primeira sequência de cenas do dia. Pelo que pude apreender pelo fato de meu ex-noivo e a quase ex de Davy estarem usando robes e depois se livrarem deles, seria uma cena quente, uma das que Gerd tentou ensaiar comigo, contudo, não conseguimos criar o clima necessário para ela.
    Ao ver Gerd só de cueca, não pude deixar de encará-lo. Ele me olhou de volta, mas nenhum conseguiu sustentar o olhar do outro por muito tempo. Ele e Lulu viram que Davy e eu estávamos próximos e vez ou outra conversávamos. Não sei o que pensaram disso.

- Você deve estar desconfortável por assistir a isso... - Davy murmurou.
- Você não? - eu quis saber.
- Bom... Já vi Louise gravar muitas cenas desse tipo, eu meio que me acostumei. - ele deu de ombros. - Me incomoda um pouco, mas... Bem, quero por enquanto só... Ver se pode rolar algo. Sabe, entre nós dois. Você quer?
- Bem... Por que não? - respondi, quando ouvimos Odile exclamar "Ação!" e nos voltamos para a direção onde estavam Louise e Gerd.

     Posso não entender nada de atuação, mas aquilo parecia... Real demais. Vi que Davy mordia o lábio, parecendo raciocinar da mesma forma que eu, com a diferença que ele podia dar uma opinião profissional sobre a cena. E Gerd... Ele nunca gemeu daquele jeito quando fazíamos. Eu me incomodei, sim, mas... Após ter passado a noite anterior com Davy, eu não queria pensar em Gerd e nosso noivado malfadado. Davy e eu assistimos chocados. Ouvi, um pouco antes da filmagem começar, Odile dizer que iria expulsar nós dois do set, mas não fez isso. Enfim eles chegaram ao orgasmo e a Odile mandou cortar. Louise foi carregada por seu irmão para outro quarto, parecendo adormecida ou desmaiada.
    Davy pensou em ir ver Louise, entretanto, pensou que ela poderia ficar irritada se ele ficasse muito na cola dela. Ele foi ver seus amigos, que naquele dia tinham ido ao set porque Odile queria usar algumas músicas dos Monkees na trilha sonora do filme, e chamou-os para conversar. Emma e Erin vieram acompanhando Nez e Peter. Enquanto a banda confabulava com Odile, minhas amigas e eu conversávamos. Reservadamente, contei a elas sobre a noite anterior.

- Di! - Emma exclamou. - Mas você não quer voltar com Gerd?
- Não sei, Emma. Não sei. Me pergunto se eu realmente amava Gerd... Ou se era só uma paixão fulminante.
- Deixe a Di escolher o que ela vai fazer agora. - Erin disse. - Afinal, Davy e ela estão desimpedidos. E se eles estiverem mesmo apaixonados...
- Eu estou achando que aquela hobbit ainda vai voltar para o Davy. - Emma disse. - E você não está paranoica, Di, Gerd está mesmo apaixonado por ela. Ela acha mesmo que vai privar minha mozinho da felicidade e sair impune? De modo algum! - ela se afastou, parecendo realmente muito brava.
- Emma! Aonde você vai?

  Erin e eu a seguimos, porém, além de ter longas pernas, ela estava andando rápido. Vimos que entrou num quarto. E... Logo ouvimos gritos lá dentro.Entreolhamo-nos e tentamos entrar lá, enquanto todos os outros vinham até lá.
     Gritei ao ver Emma batendo em Louise. Odile e Felicity tentavam salvar a coitada.

- Para, Emma! Me solta! - Lulu pedia.
- Vai sofrer mais do que a Dianna! - minha amiga exclamou, em seu ímpeto de fúria.

       Eu queria entrar lá e fazer Emma parar, contudo, Davy me impediu. Vimos Felicity ser golpeada, mas não de propósito. Emma ficou horrorizada. O arranhão era bem feio. Micky acudiu Felicity e Odile agarrou Emma.

- O QUE DEU EM VOCÊ, SUA LOUCA? INGRATA! MALDITA! E PENSAR QUE FIQUEI COM VOCÊ! AGORA MACHUCA A MINHA AMIGA! - ela olhou para mim e exclamou: - TIRA ESSA DOIDA DAQUI! ELA VAI MATAR A LOUISE!
 
   Nez e eu nos afastamos do tumulto com Emma. Eu estava estupefata. Acho que Davy foi ajudar Louise.

- Emma! Tá maluca? - eu a repreendi. - Eu te avisei para não fazer mal a ela!
- Di! Para de defender aquela maldita hobbit dos infernos! Você não quer o Gerd, eu sei, nem nenhum homem... SÓ QUER ELA! E ELA TÁ TE FAZENDO SOFRER!
- Emma, meu amor, pare com isso, até eu sei que você está exagerando no ciúme...
- CALA A BOCA, MIKE! NÃO PRECISO LEVAR BRONCA DE VOCÊ TAMBÉM! E ainda para piorar... Eu arranhei o rosto da Fefe... Eu sou uma idiota...
- Mozão, escuta. - peguei as mãos de Emma. - Sei que me ama. Eu também te amo. Mas por favor, pare de implicar com Louise e fazer coisas como essa. Ou eu não vou querer mais nada com você.
- Não, mozinho! Não faz isso comigo!
- Então pare de fazer essas loucuras e peça desculpas a Louise e Felicity.
- À Felicity é claro que pedirei... Já à Louise...
- Emma! - Nez e eu exclamamos.
- Está bem. - disse ela, bufando de impaciência.

   Nez e Emma foram embora para ela se acalmar. Não vi Erin e Peter depois da confusão. Porém, achei Davy.

- Como Lulu está? Você a viu? - perguntei.
- Não. Mickey e Fefe já a tinham levado para o hospital. Eu estou preocupado.
- Eu imagino.
- Di, eu estava pensando, quer fazer algo à noite? Não necessariamente envolvendo beijos e sexo, mas... Eu só queria passar alguns momentos com você. Te conhecer melhor.
- Eu acho uma excelente ideia. - eu respondi. - Mas antes poderíamos tentar ir fazer uma visita à Lulu.
- Concordo. Vamos no meu carro.

    Entramos no carro e Davy ligou o rádio. Tocava I'll Never Find Another You, do grupo The Seekers. Amo essa música, e comecei a acompanhar Judith Durham na canção.

- There is a new world somewhere, they call it the Promised Land, and I'll be there someday, if you hold my hand... I still need you there beside me, no matter what I do... For I know I'll never find another you...

      Nem percebi que me empolguei. Davy olhava para mim impressionado.

- O que foi? - inquiri.
- Sua voz. É linda.

       Senti as bochechas esquentarem.

- Bondade sua.
- Não... É mesmo incrível. Logo vou começar a fantasiar sobre você cantando isso para mim.

        Sorri timidamente. Chegamos ao hospital, mas não nos foi permitido entrar para ver Louise, pois não era horário de visita. De modo que não tivemos escolha senão voltar para casa. Davy me deixou no hotel, e indaguei:

- Você... Não quer ficar um pouco? Sei lá, ver um pouco de TV?
- Eu adoraria. - ele sorriu.

       Liguei a televisão na BBC. E quem apareceu na tela? Ele mesmo.

- Ah, Conto de Inverno! - ele exclamou. - Adorei interpretar Florizel.
- Teve algum protagonista de peças de Shakespeare que você não interpretou?
- Hum... Em Sonho de Uma Noite de Verão não fui Demétrio porque fui Lisandro. Em  A Megera Domada não fui Petrúquio, mas fui Lucêncio. Quando for mais velho, quero interpretar Próspero... Ou Otelo... Ou até mesmo Ricardo III!
- Confio que vai conseguir. - dei-lhe um selinho.
- Por que só me dá selinhos? Me faz querer mais e mais... - ele se aproximou, tentando me trazer para mais perto.
- Eu... Não sei se...
- Vem. - ele disse, lacônica e sedutoramente.

     Não consegui resistir. Trocamos um beijo de verdade. Enfim nos separamos.

- Assim eu me apaixono... - eu ri.
- Que bom, então vou te beijar muito! - ele riu também, beijou minha testa e me abraçou.
- Sabe de uma coisa? Acho que não precisa me beijar muito para eu me apaixonar por você. Eu... Já... - não consegui terminar de falar.
- Também estou me apaixonando por você, Di. Quero ser todo seu e que você seja toda minha. Quero ser uma inspiração para você em seus poemas. Seu "muso". Lulu tem seu livro, eu li. Adorei seus poemas, principalmente os sobre Gerd.
- Eles não eram sobre Gerd. Eram sobre você, de certa forma.
- Sobre... Mim?
- Sim. Eu... Sempre sonhei em encontrar um cara que me deixasse apaixonada de verdade, que despertasse a poesia em mim. Eu pensava que Gerd era esse cara... Mas não. E eu escrevi sobre esse rapaz ideal. Pensava que Gerd acreditava serem sobre ele. Mas ele sabia que não. E quando nós nos beijamos eu tive certeza de que encontrei quem eu procurava. Aliás...

    Puxei a folha com o poema de dentro do meu bolso e entreguei a Davy. Ele leu, muito surpreso, e eu pensei que meu coração ia explodir.

- Dianna... - ele olhava para mim com os olhos enormes e brilhantes. - Eu... Não sei o que dizer. É muito bonito. Nunca imaginei que um dia alguém escreveria um poema para mim. Estou lisonjeado. E muito feliz. - ele sorria.
- Eu... Davy, eu bem que tentei fugir, tentei mesmo. Mas quando eu escrevo algo.... É sinal de que não posso mais voltar atrás. Com esse poema, te entrego junto o meu coração. E você pode decidir o que vai fazer com ele.
- Eu aceito seu coração, se me permitir entregar o meu a você. Você pode fazer o que quiser com ele também.
- Eu... Tô adorando você, Davy. - abracei-o e não queria soltá-lo.
- Eu estou mais do que te adorando... Tô amando, isso sim... - ele beijou meu pescoço. Gemi levemente.

         Pensei que iríamos nos amar ali no sofá, porém, Davy mal colocou as mãos por baixo da minha blusa quando seu celular tocou.

- Alô, Peter? O quê? Calma... Calma, a-amor... Eu já vou.
- O que foi? - inquiri, quando ele me soltou e começou a se ajeitar.
- Peter e a sua prima. Tem algo de errado. Desculpa, leoazinha. - Davy beijou minha testa. - Eu preciso ir.
- Na próxima você não me escapa, Cuddly Toy. Leãozinho. - eu ri.
- Ah, não se preocupe, eu nunca vou fugir de você, Miss Spock.

(Davy's POV)

      Saí correndo do hotel de Di e fui para a casa de Erin e Peter o mais rápido possível. Ainda no jardim era possível ouvir os gritos de Erin. Eu me perguntava o que meu amado Peter tinha feito de errado. Embora eu tivesse um palpite...
        Abri a porta.

- O que tá haven... - uma edição de capa dura de As Flores do Mal me atingiu em cheio.
- SEU MALDITO AMANTE! - Erin gritava. - ELE NÃO PRESTA!
- Erin, calma, me deixe explicar... - Peter pedia.
- EXPLICAR???? EU VI O NOME DELA NUM POEMA NO SEU CADERNO! SEU PUTO!
- O nome dela quem? - perguntei.
- FELICITY! A CULPA É SUA, DAVY!
- Erin, pa... - Peter não pôde terminar a frase. Erin jogou o caderno de poemas na boca dele.

      O caderno, depois de ser arremessado contra a boca de Peter, caiu no chão. Erin pegou-o e abriu na página onde havia o tal poema. Leu-o:


Oh, como eu seria feliz
Se vossos olhos de obsidiana
Voltásseis para mim!

Oh, como eu seria feliz
Se as rosas de vossa boca
Me dessem beijos sem fim!

Quem sois vós?
Mulher de melodiosa voz,
Ares de musa barroca
E cabelos de negra filigrana!

Sois a Laura de Petrarca?
A dantesca Beatriz?
De Catulo, a Lésbia famosa?
Ou então Cíntia, aquela de Propércio?

Não! Sois Felicity!
Felicity, que deixa marca
Em cada homem que, como eu, é néscio,
Cai de amores por vosso sorriso de alvo matiz,
E de vosso seio deseja fazer cama ditosa.

     Ela leu cada verso com muito ódio, e foi com ainda mais ódio que gritou:

- ENTÃO VOCÊ QUER SE DEITAR NOS SEIOS DELA, NÃO É? EU SEI QUE NÃO SOU ALTA COMO A EMMA, MEU CABELO NÃO É TÃO NEGRO QUANTO O DA ALICE E MEUS... MEUS SEIOS NÃO SÃO GRANDES COMO DA DI! E AGORA VOCÊ ACHA UMA QUE REÚNE O QUE MINHAS AMIGAS TÊM DE BONITO! VAI EMBORA, PETER! EU PENSEI QUE EU ERA A SUA MUSA!
- Erin, eu te adoro. Mas...
- EU NÃO QUERO SABER! SAI DAQUI! E LEVA O DAVY JUNTO!
- Erin, posso saber que culpa eu tenho? - inquiri.
- Você apresentou essa maldita galesa aos seus amigos! Olha aqui, Davy, eu acho bom que você esteja mesmo apaixonado pela Di! Você tem a obrigação de fazer a minha prima feliz! Não a troque pela primeira... Primeira... Ah, pela primeira mulher de pernas longas que aparecer!
- Erin, por favor, você é linda...
- Linda como uma ninfa, não é mesmo, Peter? MAS VOCÊ PREFERE UMA DEUSA DO SEXO, NÃO UMA NINFA MEIGUINHA E BOBA!
- Eu....
- Vai logo embora! - ela continuava a jogar roupas, livros e outros pertences de Peter. Até eu era atingido por objetos voadores.

     Reunimos as coisas de Peter em uma mala e uma mochila que Erin jogou. Eu também juntei minhas coisas.

- Davy, segure ele, ou ele vai trocar você por algum homem de dois metros de altura! - Erin disse, antes de fechar a porta com força atrás de nós.

      Olhei para Peter e a expressão dele não era das melhores.

- Para onde nós vamos agora? - eu quis saber.
- Para a casa do Nez ou do Micky. - Peter suspirou.
- Cara... Você tá mesmo louco pela Felicity, né?
- Eu... Davy, por favor, você me entende. Não me olhe com essa cara. Você pediu um tempo a Louise porque desenvolveu um sentimento inexplicável por Dianna. É a mesma coisa. Não pense que foi fácil para mim decidir terminar com Erin. Mas não é justo com ela. Erin é uma criaturinha doce e linda. Ela não me merece. Nunca fui volúvel assim... Mas eu não suporto a ideia de trair Erin. Prefiro terminar com ela antes que seja tarde.
- Você vai ficar queimado com a Erin e as amigas dela pelo resto da vida.
- Eu sei.
- Micky vai te matar.
- Eu sei. Mas o que eu vou fazer? Eu... Estou amando outra, Davy. Eu gosto da Erin, de verdade, eu quero que ela ache alguém melhor do que eu e que a faça muito feliz. Você quer o mesmo para Louise, não é?
- É claro!
- Acredite, eu estou com raiva de mim mesmo por magoar Erin dessa maneira. Mas não posso fazer nada. Só evitar magoá-la mais. - ele suspirou.

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