Numa tarde, Dianna passava pelo corredor onde ficava o quarto de Davy. Às vezes, ela olhava
pela fechadura ou abria cuidadosamente uma fresta para espiá-lo.
Daquela vez, havia uma chave na fechadura e obviamente a porta estava trancada. Soltou um suspiro resignado.
Então ouviu sons estranhos. Gemidos. Era a voz de Nami.
- Aaaaaah, Davy, aaaah meu Deus... Por favor...
E ele. Não falava quase nada, mas gemia muito.
- Você, dentro de mim... Ooooooh, isso! Isso... - Nami continuava.
Dianna não estava entendendo. Porém, parecia ser algo muito bom, tão bom quanto andar de mãos dadas, abraçar ou beijar. Ela desejava que Davy fizesse aquilo com ela. Encostou-se na parede, imaginando o que estava havendo ali dentro. E ela no lugar de Nami. "Davy, eu quero você dentro de mim... Eu quero saber o que é isso que é tão bom...". Então ela ouviu a voz rouca de Davy:
- Aaaah, meu amor!
Seu coração pulou no peito quando ela o imaginou dizendo isso a ela. Era seu maior sonho. De repente, se deu conta de que isso nunca aconteceria. E chorou. Queria ser Nami.
Nami era tão sortuda. E nem imaginava. Ela podia segurar a mão dele. Afagar seu cabelo e seu rosto. Beijar sua boca. Abraçá-lo. Ela tinha o mundo de Dianna em suas mãos.
Oh, daria tudo para tê-lo, todo... De corpo e alma. Ele... Seus cabelos, seus olhos, seu sorriso, sua risada... Seu amor. Se ele soubesse...
Voltou para seu quarto. O coração pesava. Olhou-se no espelho. Era bonita. Contudo, ele não via. Não via seus olhos brilhando quando o fitava. Não via sua boca, louca de vontade. Não via seu corpo, trêmulo pela proximidade.
"Eu não tenho chance alguma. Mas a cada dia eu me apaixono mais e mais... Queria saber se ele pensa em mim... E se pensa, o que é que ele pensa... Decerto nada do que eu penso sobre ele. Ai, eu o amo tanto... Queria que ele gostasse de mim só um pouquinho do quanto eu o amo. Eu seria feliz...".
Então viu um papelzinho ser deslizado para dentro do quarto pelo vão da porta. Pegou e leu:
Dianna, sou eu, Davy. Posso entrar?
Ela pegou sua pena, molhou na tinta e respondeu: Claro, vou abrir. Deslizou o papel para fora e abriu a porta. Viu Davy... Carregando um buquê de rosas vermelhas.
- Os botões de minhas roseiras vermelhas estão abrindo. Colhi os mais bonitos para você. Sei que as rosas vermelhas são suas favoritas.
Dianna não acreditava. Ele, lhe dando um buquê? Era quase impossível... Pegou o buquê com cautela, corada.
- Você gostou? - Davy quis saber.
Ela sorriu e meneou com a cabeça, controlando a vontade de beijá-lo.
- Fico feliz. - beijou a mão dela.
A jovem achava que poderia morrer naquele momento.
- Bem, eu tenho alguns afazeres... Vou te deixar agora. Até depois.
Dianna acenou e ele saiu. Ela cheirou as flores e colocou-as num vaso. Sorria muito. Talvez ele nunca a amasse... Mas lembrava qual era a sua flor favorita. E isso deu novo valor ao sacrifício da pequena sereia.
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