terça-feira, 5 de abril de 2016

Oh, Pretty Woman - Capítulo 4 (Norse Mythology)

Boa noite! Tem mais um capítulo da Norse Myth pra vocês! Esse é tenso! Boa leitura. 




















       O jovem deus do verão encontrou-se com Gerd, Louise e Uli na ponte Bifrost, feita de arco-íris e que ligava Asgard a Midgard. Seria uma longa viagem através da Yggdrasil, a Árvore do Mundo. Paul, o deus guardião da Bifrost, disse-lhes:



- Boa viagem! E lutem bravamente por Asgard!


         

  Os quatro deuses agradeceram e partiram. Uli olhava desdenhoso para os dois irmãos vanires, e até mesmo disse:




- Não sei por que meu pai convocou-vos. Não sereis de serventia alguma. Gerd e eu daríamos conta dos jotünns sozinhos sem problemas.

- Creio que, se o Grande Tony nos chamou, é porque nossa participação nessa guerra contra os jotünns será de extrema importância. – Peter retrucou.

- Eu não ficaria tão confiante, vanir. – Uli disse com desdém.

- Uli! Chega! – Gerd bradou, irritado. – Vossos comentários não ajudarão em nada na luta contra os gigantes do gelo!


              

    O deus do trovão calou-se, e o quarteto continuou sua cavalgada. Até que ouviram um guincho que fez seu sangue gelar.


- Esse guincho... – Gerd murmurou. – Eu o conheço...

- Não seria...? – Uli continuou.

- Ratatosk. – Louise e Peter confirmaram.

             

    Viram, então, o esquilo gigante e monstruoso correndo atrás deles. Os cavalos dispararam no galope, contudo, Peter saltou de sua montaria, portando o chifre de cervo.




- Estais maluco, vanir? Andastes tomando sol demais! – Uli disse. – Como esperais derrotar Ratatosk com esse mísero chifre?

- Não sabeis do que Peter é capaz com esse chifre! – Louise ralhou.

     
               

   O chifre cresceu nas mãos de Peter, até atingir o comprimento de Notung, a lança de Gerd. Peter colocou-o em riste e atacou o esquilo gigante. Foi uma luta difícil, e Ratatosk esteve perto de arrancar a mão ou a cabeça de Peter, todavia, ele conseguiu enfiar o chifre no peito do animal, atravessando-o. Ele arrancou o chifre rapidamente, e Ratatosk tombou morto. Peter subiu novamente no lombo de seu cavalo e partiram.




- M-muito bem, vanir. – Uli teve de reconhecer que o lorde de Álfaheim era um valente e habilidoso guerreiro.

- Obrigado, Uli. – Peter respondeu, simplesmente.


                  


   Louise saiu de perto dos aesires, pois queria conversar com o irmão. Falavam muito baixo.





- Gerd e eu estamos nos dando bem. – ela disse, com um sorriso.

- É mesmo? Fico contente por ti, Louise. Acho que nós dois seremos muito felizes no amor daqui para frente.


                       


    A deusa do amor engoliu em seco. Sabia que Davy estava apaixonado por Dianna, a valquíria amante de Peter. E sabia que a jovem amava o einherji. Se Davy revelasse seus sentimentos a ela, certamente ela se entregaria. E seu irmão iria sofrer demais.




- Eu espero que sim. – Louise respondeu, com cautela.

- O que há? Tens medo de que algo possa acontecer?

- Não exatamente... Mas eu tenho a impressão de que... Jim quis desaparecer.

- Como podes pensar isso? Ele te amava!

- Não sei. Apenas sinto isso. – Louise começou a chorar lágrimas de ouro.

-  Eu sinto muito, minha irmã. Mas agora nós dois temos novas chances para amar. Tu te casarás com Gerd e ele reinará sobre Vanaheim contigo. E eu... Terei minha Dianna. Já a vejo em seu trono escavado num olmo, ao lado do meu. Seus lindos cabelos dourados enfeitados com muitas flores vistosas. E algumas crianças correndo pelos salões do meu palácio.


    

      Louise não pôde deixar de sorrir diante dos sonhos e esperanças do irmão. Entretanto, seu coração se entristecia ao pensar que havia uma possibilidade de Dianna rejeitá-lo por Davy. Não queria desiludi-lo, então permaneceu calada.
     Após longas horas de caminhada, enfim chegaram a Jotünnheim. Montaram acampamento e acenderam uma fogueira. Prepararam uma refeição simples, com frutas, pão e carne, e após comerem armaram suas tendas. Cada um entrou na sua respectiva tenda para descansar.  Peter e Uli não viram, porém, Louise entrou na tenda de Gerd.
      O casal trocava beijos e juras de amor, quando sentiram um frio cortante. Olharam lá fora e viram tudo ser coberto com gelo e neve.



- JOTÜNNS! - Louise exclamou.

        

 Todos prepararam suas armas. Liderando o grupo, havia um homem pouco maior do que seria considerado um homem realmente alto. Loiro e de olhos claros. E ao lado dele estavam um homem de estatura normal, de sorriso debochado e grandes lábios, que todos os deuses reconheceram.



- Noone! - os aesires e vanires gritaram, com ódio.

  

  Filho de gigantes, ele era o deus da lábia e da magia. Havia sido, há muito tempo, acorrentado por Tony a três pedras imensas, com uma serpente peçonhenta enrolada acima de sua cabeça. Contudo, parecia que os gigantes de gelo o haviam libertado.



- Olá, meus caros. - Noone tinha aquele sorrisinho irritante. - Uli, Gerd, Louise, deixarei que confrontem os meus companheiros, liderado pelo meu bom amigo Hunt aqui. Mas meu assunto é com Peter. - seu sorriso, de deboche, passou a denotar crueldade.

- Queres ter uma conversa em particular comigo, trapaceiro? - Peter indagou, desdenhoso. - Pois bem, é o que teremos.

- Mas não aqui. - Noone também falou com desdém, e estalou os dedos. Transportou ele mesmo e Peter para outro lugar.

    

    Os dois deuses estavam num pico nevado. Na neve, o poder de Peter enfraquecia. Ele já se sentia mais limitado.



- Tu tens tudo o que queres, não é Peter? - Noone provocava. - Um reino todo teu, um belo palácio, grande poder... E uma linda amante. Eu daria tudo para possuir aquela mulher...

- CALA A BOCA! TU NÃO ÉS DIGNO DE FALAR DE DIANNA!

- Ah, tua amada Dianna... Ela te ama tão devotadamente, não? - Noone soava irônico.

- Por que falas nesse tom? Ela é minha futura esposa! Pensas que vais me convencer do contrário com tua lábia?

- Não preciso da minha lábia. - Noone riu e acenou com a mão.

    

   Uma imagem surgiu diante de Peter. Dianna... Deitada na sua cama, nos seus aposentos em Valhala. Em cima dela... Davy.


- Davy... Ooooh, Davy... Eu sou toda tua. - ela gemia.

  


  Peter ficou paralisado diante da cena. Só podia ser uma ilusão criada por Noone...



- Não é possível... Dianna não quer esse einherji...

- A verdade dói, não é? Foste traído, vanir! - Noone gargalhava.

    

   Peter pegou sua lança de chifre de cervo e avançou contra Noone. Apesar de mais fraco, Peter lutou bravamente contra Noone. O deus dos logros tentava a todo custo derrubá-lo, todavia, a lança de chifre e a raiva mantinham o lorde de Álfaheim em pé e combatendo.



- Criaste aquela imagem para me enfraquecer! Sei que Dianna não ama mais o maldito guerreiro! É a mim que ela deseja! Ela se casará comigo assim que eu retornar!

- Não queres aceitar a verdade, senhor do verão! Tua bela concubina deitou-se com outro... Outro que ela deseja arrebatadamente, ouviste como ela gemia debaixo dele.... Como ela disse que era toda dele....

     

   Peter urrou de raiva e esmurrou Noone. A ira tornou-o incrivelmente forte. O deus trapaceiro ficou muito debilitado pela luta. Disse:


- Hoje venceste, vanir... Mas eu vou te matar, mais cedo ou mais tarde! Depois cuidarei do einherji que mais parece ter vindo de Nídavellir. Com ambos fora do caminho... A linda valquíria Dianna não pertencerá a mais nenhum dos dois... E sim a mim!

   

   Com uma última gargalhada, desapareceu, e devolveu Peter ao local do acampamento. Ele viu os companheiros caídos na relva, feridos, mas ficariam bem. Os jotünns haviam recuado.


- Peter... - Louise notou a palidez do rosto do irmão. - Estás bem?

- E-Estou, Louise. - ele não queria que a irmã se afligisse.

   

     Em Valhala, Dianna estava deitada na cama, com a cabeça de Davy pousada em seus seios. Ela afagava os cabelos dele com ternura. A imagem que Noone havia mostrado a Peter era real. Dianna e Davy haviam acabado de se entregar aos prazeres amorosos. Ela suspirou pesadamente e Davy sentiu o movimento do peito dela. Era um suspiro de muitas sensações misturadas. De satisfação, amor, preocupação.



- O que há, minha bela? - Davy colocou um cacho de cabelo atrás da orelha dela.

- Antes nunca tivesses me correspondido, Davy. - ela parou de afagar seus cabelos e ergueu-se na cama, indo sentar-se um pouco afastada dele.

- Por quê? - ele aproximou-se dela outra vez, envolvendo-a pela cintura em seus braços. Passou a beijar-lhe o ombro.

- Eu era menos desgraçada quando eu não significava nada para ti.

- Não digas isso nunca mais, Dianna!

- Peter me ama tanto. Eu estava começando a amá-lo também, até que tu chegaste e me disseste tudo que meu coração tanto ansiava por ouvir... Agora traí aquele que devotou seu coração a mim, tão desprendidamente.

- Dianna, eu também devoto meu coração a ti, amada. - ele tomou o rosto da valquíria em suas mãos e beijou-a apaixonado.

- Eu sei. Mas isso não muda a minha crueldade para com Peter. Ele acredita que se casará comigo, que serei a rainha de Álfaheim e mãe dos filhos dele.

- Serás a minha esposa e a mãe dos meus filhos, não dos dele. - Davy afirmou.

- Eu preciso dizer a verdade a Peter, por mais que isso vá magoá-lo de uma forma que não quero nem imaginar...


       

       Peter e os demais deuses voltaram a Asgard. Ele estava profundamente angustiado. Desejava ardentemente que a cena que havia visto fosse apenas uma ilusão. Ele revelou seus receios a Louise, que tentou consolá-lo, mas não admitiu que sabia que era verdade.
        O deus do verão voltou por algumas horas ao seu palácio em Álfaheim. Trouxe Dianna magicamente. Ao ver-se diante do trono do amante, Dianna engoliu em seco e foi tomada de grande nervosismo. Precisava contar.


- Peter! Voltaste! - ela exclamou, tentando mascarar o sentimento de culpa com uma certa alegria no tom.

- Sim. Eu voltei. - ele disse, sério, girando o cetro entre as mãos.

- Há... Há algo errado?

- Bem... Sim. Há.

     


   Aconteceu o que Dianna temia. Ele já sabia.



- O quê...?

- Em Jotünnheim, Noone me atacou. Para me enfraquecer, ele me levou ao alto de uma montanha nevada... E me mostrou algo que eu não queria ter visto. Nunca em minha vida uma visão me perturbou tanto.

- O que... O que ele te mostrou?

    

      Peter suspirou, tomou coragem e disse:


- Tu. Na cama com outro homem. Davy Jones, o einherji. Por favor, Dianna, me diga que não é verdade. ME DIGA QUE É SÓ UM TRUQUE DAQUELE TRAPACEIRO! - Peter começou a chorar.

          

      Dianna quis desmaiar. Agora não tinha mais volta. Precisava ser honesta e admitir que era verdade. Sentia todo o peso da culpa.



- Peter... Eu queria poder dizer que era apenas um truque. - ela disse, após um longo silêncio.

- Então é verdade? Tu me traíste? - Peter olhava para ela com lágrimas fazendo seus olhos brilharem.

- Sim. - ela chorou também. - Eu fui fraca, cruel, egoísta, eu sei que fui. Podes me punir. Eu mereço.

- Tu nunca me amaste. Sempre amaste o einherji.

- Eu... Eu achei que estava aprendendo a amar-te. Porém, quando Davy veio e disse que me amava também... Eu... Não pude resistir. Não peço que me perdoes porque não sou digna. Podes fazer o que quiseres comigo, mas, por favor... Deixa Davy em paz. A culpa é toda minha.

- Eu farei o contrário do que me pedes. Ele será punido. Tu não.

- NÃO! POR FAVOR, PETER, NÃO PUNA DAVY! - Dianna aproximou-se dele, desesperada.

- É o que ele merece. Fez com que tu sofreste. E agora tem a audácia de roubar-te de mim! Não vou perdoar!

- Peter, eu imploro...

- Não adianta, Dianna!

  


     A mão de Peter esbarrou no ventre de Dianna, e ele viu ali... Duas vidas se formando.



- Dianna... Estás grávida! - Peter exclamou. - Duas lindas meninas... E uma delas é minha filha! - ele não pôde deixar de sorrir.

- O... O quê? Espero... Uma filha tua? - Dianna tocou o ventre.

- E outra... Dele.

- Eu... Oh, por Asgard...

- Dianna, eu te amo. - Peter pegou a mão dela. - Mas sei que não me amas mais, se um dia amaste. Mesmo carregando minha filha em teu ventre. Eu respeito o amor que tens pelo einherji. Fica com ele. Mas quero que me deixes conhecer nossa filha quando nascer.

- É claro, Peter. Tens direito. És o pai dela. - Dianna enxugou uma lágrima.

- Obrigado. Eu posso... Beijar-te uma última vez? - indagou o deus.

- Sim... - Dianna respondeu, triste.

    

  Peter tomou os lábios de Dianna, e trocaram um beijo suave. Ele sabia que iria sentir uma saudade imensa daquela boca carnuda e doce.

- Por que me beijas, se não vais me perdoar? - Dianna indagou.

- Eu te perdoo sim, minha amada. Porque sei que amas de fato o einherji. Eu deveria ter-te deixado em paz.

- Peter...

- Vai. E cuida bem de nossa filha. Não vejo a hora de tê-la em meus braços. - Peter afagou o ventre da amada.

  

   Ele enviou Dianna de volta a Valhala, e construiu com sua magia um berço de galhos, folhas e flores. Sorriu, imaginando a filhinha deitada nele.
    Dianna chegou a Valhala. Ia aos seus aposentos, quando foi interceptada por Louise.



- Vós! - Louise gritou.

- Lady Louise! Em que posso servir-vos? - a valquíria fez uma reverência.

- Servir-me? VADIA! - Louise estapeou-a e ela caiu.

     


       A jovem levou a mão à face.


- Traístes meu irmão! - a deusa do amor gritou. - Não importa o que ele disser, eu vou punir-vos! Dizieis que amávais Peter, mas não perdestes a primeira oportunidade de deitar-vos com Davy!

- Eu... Eu o amo! - Dianna respondeu.

- Amais Davy? ENTÃO DEVERÍEIS TER RECUSADO PETER!

     

       Louise estava prestes a chutar a barriga de Dianna, contudo, ela pediu:



- Não! Podeis fazer o que quiséreis comigo, mas não machuqueis minhas filhas! - ela colocou as mãos no ventre.

- Filhas? ESTAIS GRÁVIDA DE DAVY, OFERECIDA?


- Dele e de vosso irmão. - Dianna chorou.

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