Boa noite! Já temos um novo capítulo de Stop! Boa leitura!
Capítulo 11 - Heart Full Of Soul (Dianna's POV)
A manhã seguinte foi ainda mais estranha. Gerd só me deu um beijo no rosto. Era mais do que óbvio que ele também não tinha gostado muito de estar comigo, e eu estava com muita dor no coração. Não tinha mais jeito de voltar com meu ex-noivo, e eu entreguei o cara que eu amava de verdade de bandeja para a ex-namorada. Fui uma idiota completa.
Gosto do Gerd. Mas não mais do mesmo jeito de antes. E sei que ele sente o mesmo por mim. Contudo, acho que nós dois estamos carentes.
Ele me perguntou:
- Quer ir comigo para o estúdio? - as filmagens seriam retomadas, agora que Lulu e Odile estavam recuperadas.
- Bem... Vamos. - eu disse.
A verdade é que eu não queria ter que olhar para Davy e Louise de novo tão cedo, mesmo eu amando os dois e tendo sido minha escolha deixar Davy voltar para ela.
Fomos para lá depois de tomarmos café, e ao descermos do carro... Lá estavam Davy e Louise descendo do carro de Lulu também.
Infelizmente, eu realmente o amo. Cheguei a essa conclusão porque meu coração se transformou em um milhão de caquinhos diante da cena. E senti ciúme. Muito ciúme. E quando tenho ciúme é porque amo mesmo aquela pessoa.
Eu sei, fui eu quem deixei que ele voltasse para ela. Mas ele disse que me ama... Eu vi sinceridade nos olhos dele. E agora... Isso.
Mas eu sou uma mulher do século XXI e não vou ficar chorando por homem. Tentei agir como se não tivesse sido afetada, ainda mais porque Louise e Gerd estavam ali. Porém... Eles pareciam... Estar olhando um para o outro? Não sei, porque meu olhar encontrou o de Davy e ele pareceu tão magoado quanto eu.
Entramos no estúdio. Gerd e Lulu seriam os primeiros a gravar e receberam seus scripts. Pedi para ver o script de Gerd, e nessa cena Felix cobraria de Poppy uma decisão sobre o relacionamento deles, uma vez que Felix faz parte do corpo docente da universidade onde Poppy estuda. E Felix estaria muito, muito bravo naquela cena.
Gerd foi para o camarim se preparar, eu fiquei perambulando pelo duplex. Até que encontrei Davy. Sabe aquela vontade de abrir um buraco no chão para se esconder? Foi o que senti. Meus maxilares tremeram, mas nenhum som saiu. E ele me olhava desejando que eu falasse algo. Eu não conseguia.
Até que ele finalmente se manifestou:
- Foi por isso que me mandou embora? Por que queria voltar para ele? Deveria ter sido franca. Eu teria permitido. Não sou seu dono.
Até quando eu tento fazer as coisas certas eu só me atrapalho. Agora Davy deve estar pensando que eu brinquei com seus sentimentos, coisa que eu jamais faria.
- Eu pensei que você me correspondesse, Dianna. Mas vejo que não. Bem... Devemos seguir nossos próprios caminhos, então. Eu juro que não vou correr atrás de você.
- Não é nada disso, Davy! - tratei de desfazer o mal-entendido. - Eu chamei Gerd de volta porque me senti carente depois que deixei que você fosse embora. Mas, se você quer saber, foi horrível.
- Horrível? O que foi horrível? Nós dois?
- NÃO! Eu adoro você! Você me deixa louca... Foi horrível ficar com Gerd de novo, isso sim. Eu... Eu nunca vou achar outro você, Davy.
Ele entendeu a referência, e ia dizer algo, quando ouvimos um BAM! enorme, de alguma coisa batendo bem forte em madeira. Vinha da sala de aula improvisada que Odile tinha montado para a cena da discussão. Corremos até lá e vimos... Felix prensando Poppy na parede. Ou seria... Gerd prensando Lulu?
- E então, Poppy? - Gerd bradava, num tom bem atípico dele. - Você quer continuar com isso ou não? RESPONDA!
Louise tremia, e eu achava bem pouco provável que aquele tremor fosse simplesmente atuação. Até eu estava assustada. Nunca vi Gerd gritar daquele jeito, nem mesmo quando tínhamos nossas brigas mais sérias.
- Meu Deus, a Lulu... Ela está muito assustada. - Davy disse.
- Mas não faz parte da atuação? - indaguei. Já que Davy é profissional, ele poderia distinguir melhor o que era atuação ou não.
- Eu conheço as feições sutis da McLovely. E com certeza ela está com medo. De verdade. Ele deve parar agora!
Ele já ia em direção a Odile para pedir que ela mandasse cortar, quando Lulu soltou um grito desesperado. Odile gritou "CORTA!" imediatamente, e correu para acudir a amiga, no entanto, Louise correu para um quarto e se trancou lá dentro. Todos ficaram muito preocupados. Davy e Odile pediram que ela abrisse, mas ela os ignorou completamente. Gerd abriu caminho entre os dois, e bateu insistentemente à porta. Odile tentou dissuadi-lo e Davy pareceu indignado. Mas... Louise abriu e permitiu que ele entrasse. Odile e Davy trocaram um olhar perplexo e se afastaram.
Ele veio até mim, e eu disse:
- Eu... Não sei nem como explicar o que acabou de acontecer... Nunca vi Gerd gritar dessa maneira! Até eu... Até eu estou com medo dele.
- Ele vai ver uma coisa... Posso não amar mais a Louise da mesma maneira que antes... Mas ela ainda é minha melhor amiga, e eu não vou deixar esse bruto tratá-la dessa maneira tão troglodita!
Normalmente eu me ofenderia por ele se referir a Gerd desse jeito. Mas, depois da noite que tivemos e o que testemunhei... Talvez eu seja mesmo a ex-noiva de um homem das cavernas.
Depois de uns quinze minutos, Gerd finalmente saiu de lá. Davy correu até ele e, encarando-o, começou a gritar:
- BRUTAMONTES! INSENSÍVEL! ATÉ UM NEANDERTAL DEVIA SER MAIS GENTIL DO QUE VOCÊ! QUE DIREITO VOCÊ TEM DE TRATAR A LOUISE ASSIM?
E pulou como um macaquinho no pescoço do Gerd, acertando um belo soco em seu olho. Pulou de volta no chão, e Gerd estava pronto para revidar. Eu ia salvar meu amado antes que Gerd o esmagasse, mas Emma me impediu, dizendo:
- Não quero que se machuque como a Fefe, mozinho.
- Mas, Emma, Gerd vai fazer picadinho do Davy!
- Os amigos dele vão salvá-lo, calma.
E de fato, Nez, Micky e Peter tiraram Davy dali antes que fosse tarde demais e Franz e Sepp afastaram-se com Gerd.
Os três deixaram Davy num dos quartos para se recuperar da surra, e eu fui até lá.
- Você tá bem?
- 99,9%. - ele riu. Tive que rir também.
Odile apareceu no umbral, e disse:
- Ah, vocês estão aí! - ela nos olhava de um jeito um pouco estranho. - Quero que gravem uma cena entre Hillary e Alexander.
Trocamos um olhar. Davy se levantou da cama e nós dois saímos do quarto, seguindo Odile. Ela nos entregou scripts. Lemos. Nossos personagens teriam uma conversa um pouco tensa... E se beijariam. Davy me deu um sorrisinho malicioso sem Odile ver, e eu sorri de volta.
A cena seria externa, gravada no terraço do apartamento de Odile. Fomos para lá, e o resto do pessoal também, para assistir. Por enquanto iríamos apenas ensaiar. Sinceramente, às vezes eu acho que Odile prevê o futuro.
- Alexander, não podemos continuar desse jeito. - eu disse, interpretando Hillary.
- Por quê? - Davy pegou meu braço... Exatamente como na noite anterior. - Hillary, não há mais ninguém entre nós. Nem Poppy, nem ninguém. Eu quero você pelo resto da minha vida.
Ele não estava atuando. Dessa vez eu tenho certeza. E era hora de Alexander e Hillary se beijarem. Davy me trouxe para perto dele, eu coloquei as mãos em sua nuca. Encaramo-nos por alguns segundos... E nos beijamos. De verdade. Quebramos o beijo para respirar, entretanto, eu olhei mais uma vez para ele e tomei seus lábios novamente.
- Alex, eu amo você. - disse. Isso não estava no script. Davy entendeu que eu estava me declarando para ele, e sorriu.
- Eu também amo você, Hillary.
Odile mandou parar o ensaio. Percebi que ela nos olhava de um modo ainda mais estranho. Talvez eu não devesse deixar tão claro que sinto algo a mais por Davy.
Saímos do terraço, mas separados, embora agora mais do que nunca eu queria ficar perto de Davy. Ouvi Eddie Simons e Harry Daniels elogiando o soco de direita que Davy deu em Gerd, e abafei uma risadinha.
Ele se juntou a Lulu. Fiquei um pouco magoada. Será que ele terminaria com ela agora, definitivamente? Eu já pensava em como dispensaria Gerd fazendo o máximo para evitar que ele se magoasse.
Eu ia em direção ao banheiro feminino, quando Felicity surgiu à minha frente.
- Olá, Dianna!
- O-olá! - eu me perguntava o que ela queria de mim. - Fefe, eu não me oponho a você e a Emma.
- Emma? Ah, fala sério, sua metida sabichona! Eu terminei com a Emma por um motivo, e não é o Micky. É você!
Caí para trás com o brado de Felicity. Eu? Mas eu nunca fiz oposição aberta e declarada ao relacionamento delas, mesmo sentindo ciúme...
- Vou ser mais específica. Eu sei da sua saideira com Davy no motel.
Agora entendi por que Davy pareceu ter visto um fantasma naquela noite. Ele viu que ela nos viu. Eu estava surpresa demais para falar, e deixei que ela continuasse:
- E pretendo contar pra Lulu essa safadeza sem tamanho. Apesar de eu ter culpa no cartório por ter me apaixonado por Peter e ter provocado o fim do namoro com a Erin, pelo menos eu não fiz ele ser um cara infiel.
Posso tentar passar a impressão de que sou muito forte e não levo desaforo para casa, contudo, agora eu me sentia uma menininha minúscula e indefesa, sem nenhum argumento.
- Agora te peço com a maior educação. Pare agora mesmo o que você tem com o Davy, a menos que você queira que a Lulu se afaste de você pra sempre. Se bem que pra você não faz diferença, já tem a Emma. Pra quê a Lulu? Só vai fazê-la sofrer, exibindo sua carinha de vitória e o Davy como troféu.
O que era aquilo, chantagem emocional? Eu jamais daria um golpe tão baixo, mais baixo do que eu mesma. Nunca faria nada para prejudicar Louise, mesmo para ficar com Davy. Bem que tentei lutar, porém, as lágrimas me venceram.
- Não é verdade! Eu amo a Lulu... Mas...
Fefe me cortou.
- Ama o hobbit que não vale um tostão. Tudo bem, então fique com ele e deixe a Lulu em paz. Corte sua relação com ela e também com Gerd, embora eu quase tenha soltado o verbo querendo chamá-lo de alemão corno!
E se afastou. Se Felicity queria me fazer sentir uma vadia de coração gelado, ela conseguiu. Eu era um monstro. Passei por cima do que sinto por Louise, por cima do que Gerd sente por mim, tudo por um sentimento egoísta e repentino, tudo porque me sentia apaixonada por Davy.
E se eu estivesse enganando a mim mesma? E se eu só sentisse atração sexual por ele e estivesse confundindo isso com amor?
Fiquei trancada no banheiro, chorando e refletindo sobre isso. Pensei em tudo que senti por Davy desde que o vi pessoalmente pela primeira vez. Como ele tirou meu fôlego. Como eu sentia uma vontade enorme de beijá-lo, embora ele me irritasse por ter dado em cima de mim, quando eu ainda era noiva de Gerd. Como nosso primeiro beijo e nossa primeira noite juntos me inspiraram de uma maneira inédita para mim.
Como eu faria qualquer coisa por ele. Como eu tive ciúme ao vê-lo com Louise. Como eu quis protegê-lo de Gerd. E como me senti impelida a me declarar para ele naquele ensaio e fiz isso improvisando uma fala.
E como nunca senti semelhante coisa por ninguém, nem mesmo por Gerd, com quem estive a ponto de me casar.
Eu amo Davy. Eu sei disso. Mas não posso ficar com ele. Se eu o amo, tenho que deixá-lo com Louise, porque ela o ama e o merece.
E ele a merece também. Ela é mais bonita, mais emocionalmente forte, mais bem-resolvida, mais doce, melhor de beijo e de cama. Ela serve para o Davy, eu não. Por mais que doa chegar a essa conclusão, o lugar dele não é comigo.
(Davy's POV)
Antes de dar aqueles merecidos tabefes em Gerd, eu consegui entrar no quarto e falar com a Lulu por alguns instantes.
- McLovely, me deixa entrar.
Ela abriu e minha entrada foi permitida. Abracei-a, mas eu sabia que aquele abraço era como dos velhos tempos, quando éramos só amigos, muito antes de começarmos a namorar.
- Calma, calma! - eu afagava seus cabelos. - Já passou, McLovely.
- Ele parecia me odiar, Davy. - ela chorou mais e se soltou de mim. - Desculpa por surtar assim de novo.
- Tudo bem, amor. Eu sei. Eu conheço você e sei o quanto é sensível. Eu vou te deixar um pouco sozinha.
Ela aquiesceu e saí. Vi que Alice tentou entrar, e foi autorizada. Passei perto do banheiro feminino e Di saía de lá. Eu ia falar com ela, mas ela virou o rosto, sinal claro de que eu tinha feito alguma merda. Mas o que foi exatamente que eu fiz?
Então eu vi. Felicity, com um sorriso sarcástico estampando seu rosto. Aposto que ela disse coisas "lindas" para Di. Se Peter não a amasse eu juro que iria dizer coisas tão "lindas" quanto para ela.
Encontrei Peter, e ele percebeu que eu estava desanimado.
- O que houve, amorzinho? - ele me indagou.
- Dianna. - respondi. - Eu quis falar com ela, mas ela me virou o rosto. Não sei se fiz ou disse algo que a desagradou... Ou se foi Felicity.
- O que ela tem a ver com isso? - Peter estava intrigado.
- Bem... Ela me viu com a Di no motel e disse que vai contar tudo para Louise. Me passou uma prensa e aposto que fez o mesmo com Dianna. Desculpe, Peter, eu sei que você a ama.
- Tudo bem. Ela é mesmo explosiva, como já reparei. Mas acho que não podemos condená-la. Aposto que Dianna, por seu lado, deve estar furiosa com ela e comigo.
- Provavelmente. Mas Di não ameaçou nenhum de vocês.
Seguiu-se um silêncio. Nem Peter nem eu queríamos discutir. Até que ele quebrou o silêncio:
- E como Louise está?
- Mais calma, eu acho. Embora ainda um pouco nervosa. Por quê?
- É que... Nada, esquece.
Fiquei um pouco cismado, mas Peter jurava que não era nada demais. Então deixei quieto.
Mais tarde, Louise e eu voltamos para o apartamento dela. Mandei várias mensagens para Dianna por WhatsApp e por SMS, mas não recebi resposta alguma. Falando em mensagens, Lulu recebeu uma de Odile, e disse:
- McCutie, amanhã Odile vai oferecer um café da manhã para o elenco, a equipe dos bastidores e as bandas. Você vai comigo, não é?
- É claro! Vou te proteger daquele trasgo, McLovely.
- Obrigada. - ela deu um pequeno sorriso.
Na hora de dormir, fizemos um pouco de amor. Contudo, novamente não rolou aquela química de antes. Acho que não tem mais jeito. Isso me deixa triste.
Quero terminar. Está claro que Lulu e eu só podemos ser amigos daqui por diante. Mas ela precisa de mim. Como vou terminar agora?
No dia seguinte, levantamos bem cedo e fomos ao apartamento de Odile para o café da manhã. Além do elenco, estavam meus amigos, a English Band, Emma, Erin, Alice, Felicity e Michael. Alice sentou-se entre Louise e eu. Lulu se sentou diante de Gerd e reprimi um sorriso de satisfação por ver a enorme mancha roxa no olho direito dele. Parecia um urso panda. Emma estava entre ele e Di, e esta, ao me olhar, pareceu não saber muito bem o que fazer. Olhou para mim, para Gerd, para Louise, para Felicity. E por fim olhou para sua xícara, passando o dedo ao redor da borda.
Certamente Felicity não falou nada de bom para Dianna. O café prosseguiu com algumas conversas entre uns e outros, até que Lulu pediu:
- Alguém me passa o açúcar?
Eu já ia estender a mão, contudo, Gerd foi mais rápido. Tive a impressão de que ele ia me mostrar o dedo obsceno. Desisti e deixei que ele entregasse o açucareiro a Louise. Contudo, ela disse:
- Alguém, que não seja misógino, me passa o açúcar?
Mordi a língua para não rir. Todos estavam chocados. Harry Daniels cuspiu o cappuccino que bebia. Mickey tirou o açucareiro das mãos de Gerd e deu a Lulu.
- Obrigada, Michael.
- De nada.
Para quebrar o gelo, Mike disse:
- Sabe, Alana, ainda é difícil achar uma mulher baixista. E ainda mais bonita.
- Obrigada. - ela disse secamente, e desviando o olhar.
Emma não pareceu gostar nadinha do que ouviu, apesar de que agora ela terminou de vez com ele e ficou com Micky. Nez, subitamente, se mexia sem parar na cadeira. Sua ex-namorada indagou:
- Tudo bem, Nez? Tem formiga na sua cadeira por acaso?
- Er... Tudo bem. - Mike deu um sorriso amarelo.
O café seguiu o mais tranquilo possível. Eu olhava discretamente para Dianna, com medo de Felicity me lançar mais um dos seus olhares venenosos. Mas agora eles estavam dirigidos somente a Erin, que tinha se sentado ao lado de Peter. Não sei não, mas acho que meu amadinho pode acabar tendo uma recaída.
(Peter's POV)
Quando Erin resolveu se sentar ao meu lado no café da manhã, fiquei bem surpreso. Mas o que eu iria fazer? Ser mal-educado com ela, mandando-a sair dali? Definitivamente não.
Percebi Felicity nos olhando. Ela estava decepcionada. Eu me senti mal, entretanto, não tinha o que fazer. Ri do incidente do açucareiro e de Nez se mexendo na cadeira como se houvesse formigas o mordendo.
Mais tarde, nós todos levantamos da mesa, e Erin pediu, pegando minha mão:
- Peter, podemos conversar?
- Eu, hã... Tudo bem, Erin.
Ela me levou para fora. Parecia medir as palavras, e se aproximando, disse:
- Me desculpa pela forma como te mandei embora. Eu estava muito triste, e com muita raiva de você.
- Eu sei. Não posso te culpar. - falei.
- Eu... Ainda não consegui desapegar, Peter. Eu ainda tenho esperança de que você vai voltar para mim, mas...
- Erin, me perdoe, mas acho que isso não vai acontecer.
- Por quê? - ela pareceu realmente magoada.
- Porque eu...
- Você está com ela, não é? - ela me inquiriu.
- Eu... Erin, me perdoa...
- Tudo bem...
Ficamos nos encarando por alguns segundos... Até que Erin colocou as mãos na minha nuca e trouxe minha boca até a dela, dando um beijo ardente.
Bem que tentei resistir. Se Fefe nos pegasse assim, eu estaria perdido. Ela acreditaria que eu a estava fazendo de boba. E eu nunca me perdoaria se ela pensasse isso.
Até que... Vi Felicity indo embora. Ela mal me olhou, e não me falou absolutamente nada. Soltei-me da Erin, pedindo mil desculpas, e alcancei Fefe ainda na porta.
- Fefe, o que aconteceu?
- Acho que é desnecessário explicar. Eu sabia que você teria uma recaída. Você ainda gosta da Erin. Vamos ter mais dignidade do que Davy e Dianna e acabar logo com isso.
- Felicity!
- Me esquece, Peter. Foi tudo uma loucura.
Droga! Perdi minha musa. Porém, eu vou recuperá-la, custe o que custar. Mais tarde, de volta ao apartamento do Nez, fiquei compondo uma nova música para ela e escrevendo mais um poema. Não vou deixar a minha supernova escapar. Eu a amo demais para isso. Coloquei Champagne Supernova do Oasis para me inspirar. E que a Força esteja comigo.
(Dianna's POV)
Depois do café, Gerd foi para a casa da Alice. Eu não me importei com isso. A cada momento eu sinto mais que precisamos terminar de uma vez por todas. Não podemos mais namorar, quem dirá casar.
Só posso desejar que Gerd encontre outra mulher, e que ela o faça feliz, já que eu não posso mais. Seja ela Alice ou qualquer outra.
Falando em Alice... Ela me ligou.
- Alô? Di?
- Olá, Alice. Que saudade! Faz tempo que não conversamos direito.
- É verdade. Como você está?
- Mais ou menos. - fui sincera.
- O que foi? - ela me indagou. - Pensei que reatando com Gerd você ficasse feliz de novo.
- Eu pensei nisso também, Alice. Mas... Acho que não o amo mais.
- Não mesmo? - Alice insistiu. Não sei por quê, mas acho que tem dedo do Gerd nessas perguntas de Alice. Mas ela é minha amiga, talvez esteja preocupada comigo de verdade.
- Eu ainda gosto dele. Muito. Mas... Eu não sinto o tesão de antes. E também o afeto que eu tenho por ele não é como o de antes de terminarmos.
- Entendo.
- E tem mais. Posso confiar em você, certo?
- Claro! Sou sua amiga, Di!
- Eu... Conheci outro homem. E acho que me apaixonei por ele. De verdade. Me sinto horrível por enganar o Gerd assim, mas a verdade é que não sei como terminar. O que eu faço, Alice?
- Acho que você deveria dar tempo ao tempo. Fique mais um pouco com Gerd. Veja se o tesão realmente acabou e se realmente o seu afeto por ele mudou. Se sim... Pense bem nas suas palavras e o chame para conversar.
- Está certa, Alice. É o que farei. Obrigada por me ouvir e aconselhar.
- De nada.
Alice desligou... E nesse momento vi a porta destrancando. Era Gerd que chegava.
- Oi. - eu disse, polida.
- Oi. - disse ele, sorrindo para mim de uma maneira que não sorria fazia um tempo.
- O que foi? - eu quis saber.
- Eu quero você, pequenina. - ele tocou meu pé, acariciando com leveza e subindo ao longo da minha perna.
Devo dizer que fazia tempo desde a última vez que ele falou comigo assim e nesse tom. O que foi que raios aconteceu?
- Gerd...
- Relaxe, Winnie.
Winnie? Ursinha? Ele nunca me chamou assim... Mas tudo bem, já que eu tinha o costume de chamá-lo de ursão.
Sua mão continuou subindo, até entrar em minha calcinha e começar a tocar minha intimidade. O que aconteceu para Gerd voltar a me desejar?
- Ohhhh, Gerd... - eu estava cedendo aos toques.
- Seja minha, toda minha, minha ursinha.
Ele me trouxe para seu colo, me beijando intensamente e ainda me tocando. Deitou-me com cuidado no colchão, tirou a camisa e abriu a braguilha, abaixando a roupa de baixo.
Eu ia me levantar, pronta para resistir, contudo, ele se deitou por cima de mim e abaixou minha calcinha, bem como tirou minha blusa e meu sutiã.
- Gerd, por favor...
- Ah, minha bonequinha, me deixe te amar...
E me penetrou. Ele era grande, troncudo, forte, e suas estocadas eram mais brutas do que as de Davy. Eu tinha me desacostumado a ele.
Imaginei Davy me amando no lugar dele, não pude evitar. Abracei-o, trazendo-o para mais perto de mim.
- Aaaahhh, meu leão, meu leãozinho... - eu gemi. - Por favor...
- Loirinha, linda, eu te amo... - ele gemeu também.
Apesar de ter ouvido claramente a voz grave de Gerd, imaginei Davy dizendo isso em sua vozinha fofa e anasalada, que eu aprendi a amar com todas as minhas forças, e quase me derreti.
Ele prosseguia me beijando, me tocando e me penetrando. E eu gemia mais e mais. Até que atingimos o orgasmo e nos separamos.
Eu ofegava. De fato eu tinha me desacostumado ao jeito de Gerd. E aprendido a preferir o de Davy. Ergui-me, para tomar água.
- Volte aqui, ursinha! - Gerd pediu.
- Calma... Eu preciso de água. - respondi, bebendo um copo cheio.
Terminei de beber, e me aproximei da cama. Gerd me puxou pela cintura como não fazia há tempos, e se deitou. Lá estava eu, aninhada naquele abraço de urso que antes eu considerava o mais gostoso do mundo. E agora... Não sabia nem dizer o que eu pensava dele.

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