Mostrando postagens com marcador What If. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador What If. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

Drabble: Dazed and Confused

Boa noite! Hoje, trago um drabble que faz parte do universo What If de Modern Vampires of The City e que apresenta personagens que ainda não apareceram nesse universo alternativo. Espero que gostem! Boa leitura! 







   Por anos a fio, Elinor Fitzwilliam temeu que ficaria para titia, ainda mais depois que sua irmã mais nova, Fanny, se casou e teve um filho, tornando Elinor literalmente uma tia.

Mas agora esse temor havia se dissipado. Ela experimentava diante do espelho seu vestido de noiva. Nunca poderia expressar o suficiente a gratidão que sentia por seu amigo Jimmy ter-lhe apresentado Robert. 

   Jimmy Page era amigo de infância de Elinor, e por algum tempo ela nutriu esperanças em relação a ele. Mais de um ano antes, ele havia feito uma viagem à Romênia. Ficou por lá por muitos meses, e seis meses antes, retornara à Inglaterra. Uma noite, veio ver Elinor e apresentou a ela seus amigos, ingleses como ele, mas que ele conhecera em sua viagem: John Bonham, John Paul Jones e Robert Plant. 

   Elinor se encantou pelo charmoso Plant, e ele logo deixou claro que a atração era mútua. Todas as noites, vinha visitar Elinor e fazer-lhe a corte, sempre sob a vigilância dos pais dela. Algumas vezes, Elinor também encontrou Robert na casa de Jimmy, com a Sra. Page, mãe dele, garantindo que a corte acontecesse com todo o decoro. E agora iam se casar. 

  A jovem noiva mal imaginava, porém, que enquanto ela, a mãe e a irmã contemplavam a imagem dela em seu vestido, quatro homens observavam a casa da rua, os olhares fixos na luz acesa no quarto.



- Elas não vão se deitar? Está tarde! - reclamava Jimmy. 


- Você acha que isso é mesmo necessário? - indagou Robert.

- Ela vai se casar comigo de qualquer forma…


- Mas você não pode se casar com uma mortal, sendo um vampiro. Ela também precisa ser uma. Se você não vai mordê-la… Eu vou! 


- Você vai atacar sua melhor amiga, Jimmy? - John Paul Jones, conhecido como Jonesy, estava abismado. 


- Se você soubesse há quanto tempo quero morder aquele lindo pescocinho, Jonesy! Sabe que o sangue das virgens é o mais doce que existe… Preciso aproveitar enquanto ela é uma, não é mesmo, Robert? - Jimmy tinha um sorriso maldoso no rosto. 


- Você não vai sugar o sangue da minha noiva! - Robert estava indignado. 


- É indecente, mesmo para vampiros como nós! - exclamou John Bonham, ou Bonzo. 


- Ah, eu vou! 



    Com um floreio da capa que usava, Jimmy se transformou em um morcego e entrou voando pela janela do quarto de Elinor, cuja luz havia se apagado enquanto os vampiros discutiam. 

  Ela já dormia tranquilamente. Em silêncio, Jimmy aproximou-se da cama e afastou o lençol. Afastou também o cabelo longo e castanho que se enrolava em volta do pescoço dela. Agora o caminho estava livre. 

   Abaixou-se e cravou as presas na delicada carne macia. A jovem entreabriu os olhos. 



- Jimmy? 



       Ele aplicou a fascinação sobre ela. 



- Shhh… Tudo bem, Elinor. Você ainda vai me agradecer por isso. Assim, você viverá ao lado de seu amado Robert para sempre! 



   E mordeu-a ainda mais fundo. Elinor deixou apenas um longo suspiro lânguido escapar de seus lábios. Jimmy sugou seu sangue até a última gota. Tudo muito rápido, Robert, Jonesy e Bonzo nada puderam fazer para impedir. Jimmy sorria triunfante, os lábios ensanguentados. 



- Não precisa me agradecer, Robert! Agora sua bela noivinha é uma vampira. Vamos levá-la para o castelo! 


- Deixem ao menos a família dela enterrá-la!  - disse Jonesy, sério. 



   Os outros vampiros deram de ombros e foram embora, saindo voando pela janela. Jonesy ficou, parado ao lado da cama da moça, contemplando-a em sua palidez de cera, agora que não havia uma única gota de sangue em seu corpo. 



- Eu não poderia considerá-la mais bela do que já considero. - suspirou ele, acariciando o rosto dela com extrema leveza. - Viverá ao lado de Robert para sempre… E eu também a amarei para todo o sempre, minha doce Elinor. Mas não queria que fosse assim…

domingo, 23 de abril de 2023

Oneshot: Enchanted - Out Of The Woods (What If - Modern Vampires of The City) - Parte XIX

 Boa tarde! Depois de (literalmente!) anos sem atualização, temos mais uma parte de Enchanted, com novos personagens! Boa leitura! 


    Mike Nesmith estava com a cabeça quente. Por ele, invadiria o acampamento da alcatéia liderada por Elvis Presley e tiraria Alana e Jason de lá naquela mesma noite. Não podia deixar que sua loba se tornasse esposa do tirano lupino. 

   Porém, seus amigos fizeram-no perceber que precisava de cautela. O plano de Renée de enganar Elvis se passando por Alana parecia bom. Mas como poderiam se infiltrar no acampamento? 

   Enquanto confabulavam, bolando um plano, ouviram alguns arbustos farfalharem. Todos ficaram alertas, e se prepararam para se defender. Até que, de trás da folhagem, surgiram dois lobisomens e um vampiro, todos vestidos com camisas, casacos e gravatas extravagantes. Pareciam dândis.


- Quem são vocês? - Mike quis saber, em tom defensivo. 

- Eu sou Jimi Hendrix. - disse o que parecia ser o líder, o lobisomem de pele negra. Não era muito alto, mas tinha aparência imponente e majestosa. Seus dois companheiros estavam mais afastados. - E não se preocupe. Se você e os seus estão contra Elvis, estão do nosso lado. Estes são meus amigos. Noel Redding - com um gesto, mostrou o vampiro de óculos e aparência tímida - e Mitch Mitchell. - e indicou o lobo de cabelos claros e sorriso atrevido. 

- Eu sou Mike Nesmith. - respondeu ele. - E estes são meus amigos: Micky Dolenz, Peter Tork, Davy Jones, Renée Chapelle e Johan Cruyff. E esta é Linda Ronstadt, que acabou de se juntar a nós. 

- Conhecemos Linda. - Noel finalmente se pronunciou. - Nós também éramos do grupo do Elvis. 

- Até que decidimos nos rebelar contra aquela tirania. - explicou Jimi. - Se quer descobrir uma forma de libertar a sua loba das garras dele, podemos ajudar. 

- Sabemos bem o que é ter sua garota tirada de você por aquele canalha. - Mitch disse.



     Mike relaxou e decidiu confiar no trio de dândis. Por mais exuberantes que fossem, com suas roupas extremamente coloridas e volumosas cabeleiras cacheadas, deviam saber do que estavam falando, e aceitou a ajuda deles. Qualquer ajuda era válida para ter Alana e seu filho de volta. 



                                    *** 



   Jimi, Mitch e Noel se sentaram com o grupo de Mike para contar sua história. Jimi fora da América, onde nasceu, para a Inglaterra, onde conheceu os outros dois. Preocupados com os crescentes ataques às criaturas sobrenaturais vivendo entre os humanos, partiram para a Alemanha. Foi então que se juntaram ao bando de Elvis e conheceram suas amadas. 


- Mas Elvis estava se tornando mais sedento de poder a cada dia. E decidido a tomar uma esposa para gerar descendentes. - contou Jimi. - Coagiu quase todas as lobas da alcatéia a deixarem seus parceiros e se casarem com ele. Por medo, a maioria aceitou.

- O problema é que ele nunca fica satisfeito. - Noel continuou. - Se a mulher o desagrada por qualquer motivo… Principalmente caso se recuse a desposá-lo por ainda amar seu antigo parceiro…

- Ele a mata. - Linda concluiu. - Foi por isso que fugi.

- Foi o que aconteceu com as nossas lobas. - Mitch suspirou. - A minha, a de Jimi e a de Noel.

- Não podemos deixar que aquele louco continue a espalhar terror. Por isso, vamos ajudar vocês. - disse Jimi. 

- Também quero ter uma chance de dar o troco nele pela morte da minha Melissa. - falou Noel, sombriamente.



    Noel era muito mais quieto e tímido se comparado aos seus amigos, porém, desde a morte de sua companheira, o que era parte de sua natureza ganhou toques soturnos. 

   A doce loba loira sentiu o imprinting pelo vampiro logo que o viu, e ele não conseguiu resistir aos encantos dela. Melissa e Noel sabiam que o relacionamento amoroso entre vampiros e lobisomens era um tabu, mas não conseguiam evitar o sentimento arrebatador que tomava conta de ambos. Por um tempo, tentaram não ir além dos beijos, mas não adiantou. 

  A irmã mais nova de Melissa, Alberta, também havia se relacionado com um vampiro, Walter Koenig, e do amor dos dois nasceu uma menina, que herdou apenas os poderes vampíricos do pai. Walter e a filha, Philipa, morreram num ataque de vampiros inimigos, e Alberta desapareceu. Melissa nunca mais teve notícias da irmã.

  Assim, sabendo que a falecida sobrinha não era uma besta sanguinária, Melissa não reprimiu mais seus desejos e se entregou a Noel. Estava correndo o risco de gerar uma criatura híbrida mortífera, mas não aguentava mais.

  Até que Elvis exigiu que Melissa, como parte de sua alcatéia, fosse sua nova noiva. Ela era muito bonita, e o líder a queria. Noel e Melissa resistiram o máximo que puderam, mas a loba pereceu na luta. Ou, ao menos, era o que Noel acreditava, pois nunca conseguiu encontrar o corpo de sua amada desaparecida.

   Jimi e Mitch apenas assentiram diante da fala do amigo. Eles também queriam acertar suas contas com Elvis, pois ele também havia exigido que entregassem suas respectivas companheiras, Valleri Mackenzie e Tracy Williams. Assim como sua amiga Melissa, as duas desapareceram. Rezavam para que elas não estivessem mortas, mas sim, tivessem fugido do acampamento da alcatéia de Elvis e estivessem tentando encontrar uma forma de voltar para seus amados.



- Prometo deixar um pouquinho dele para vocês. - Mike falou, quase tão sombrio quanto Noel. - Parece que esse tal de Elvis coleciona desafetos. 

- E não é para menos. - concordou Jimi. - Mas, qual é o seu plano, texano? Seu sotaque não deixa enganar. 

- Sim, sou do Texas, mas vivi na Inglaterra por muito tempo antes de vir para a Alemanha. Meu plano é o seguinte…



                                      *** 



 Quem passasse por aquele trecho de floresta próximo a Nuremberg certamente estranharia aquele pequeno grupo de lobas. Eram três, todas com uma pelagem pouco comum: uma era platinada, a outra era dourada e a terceira era castanha. 

  A loba castanha montava guarda na entrada da toca nas rochas onde o grupo se abrigava. A loba platinada dormia e a loba dourada cuidava amorosamente de um filhote de pelos encaracolados e negros como a noite, nada parecido com a mãe. 

  A loba castanha entrou e de repente se transformou em uma bela mulher de longos cabelos castanhos ondulados. 


- Está tudo bem. Podem voltar à forma humana.



  No lugar das duas lobas, surgiram duas moças louras, uma platinada e outra com o cabelo dourado, tão bonitas quanto a moça morena. A de cabelos dourados ainda segurava o lobinho, que espirrou e se revelou um lindo bebezinho de pele negra, com a cabeça coberta de cachinhos. Ela sorriu. 


- A cada dia que passa, Alec se parece mais com Jimi. - Valleri estava muito orgulhosa de seu filho. Nascera apenas três semanas antes, mas, como não era uma criança humana comum, já parecia ter seis meses. 

- Será que encontraremos os rapazes logo? Noel vai ser pai e nem sabe. - Melissa acariciava seu ventre saliente. Logo daria à luz, já sentia as dores, e estava preocupada com os possíveis poderes do filho. 

- Eles estão perto daqui, eu sinto. - Tracy garantiu. - Algo em meus instintos diz que Mitch está próximo. E Jimi e Noel devem estar também, vocês não sentem? 

- Sinto, mas meu instinto já me enganou antes. - Melissa respondeu, tristemente. - Acho que a saudade de Noel embota meus sentidos. Só quero meu vampiro de volta, mas não aguento mais viajar. Provavelmente só poderei pegar a estrada de novo quando já estiver com o filho dele nos meus braços. 



    Tracy e Valleri menearam a cabeça para mostrar que entendiam a relutância de Melissa em viajar. A gravidez dela estava nos estágios finais, o filhote poderia nascer a qualquer momento. 

    Assim como Valleri, Melissa descobrira a gravidez poucos dias depois de fugirem do acampamento da alcatéia de Elvis. Estavam perto da fronteira com a França. Permaneceram lá por algumas semanas, até que se sentiram seguras para voltar para os amados, guiando-se com o faro e o imprinting lupinos. Mas tiveram de viajar cada vez mais devagar, conforme as gestações de Val e Mel avançavam. Quando se aproximavam da região de Nuremberg, tiveram de parar, pois Valleri entrou em trabalho de parto. Ficaram alguns dias por lá até que o menino, Alec, já estivesse forte o suficiente para que as lobas pudessem seguir em frente. Agora, tinham parado de novo, dessa vez por causa de Melissa.

    Enquanto seus companheiros estavam a pouco mais de cinco quilômetros dali, confabulando com o grupo vindo de Munique, e Mitch ajudava a resgatar Alana e Jason, as três lobas estavam agitadas, pois Melissa entrou em trabalho de parto. Valleri tinha que cuidar de Alec, mas ajudou a amiga no que pôde, e Tracy também. 

      No meio da madrugada, Melissa deu à luz um menino, que ela chamou de Nicholas, e Noel sentiu alguma coisa durante a luta. 


- Mel. - não sabia como, mas sentia a presença dela.



     Cansada, mas feliz, a primeira coisa em que a loba pensou quando Tracy entregou-lhe seu bebê foi que queria que o pai dele estivesse ali para vê-lo, e com a ajuda do imprinting tentou enviar a ele uma espécie de sinal para que soubesse que estava ali. Se os rapazes estivessem mesmo por perto, poderiam encontrá-las. 

   A segunda coisa que pensou foi que seu filhinho parecia tão pequeno e frágil, como poderia ser uma criatura assassina em potencial quando crescesse? Melissa beijou o pequeno Nicholas e apertou-o contra o peito, para protegê-lo de todos que poderiam querer destrui-lo simplesmente por ser o filho de uma loba com um vampiro.

   

- Acho que Mitch vai ficar um pouco decepcionado quando nos encontrarmos de novo e ele for o único que não ganhou um filhote enquanto estávamos longe deles. - Tracy brincou, observando as amigas com seus bebês. 

- Se eu conheço Mitch, ele vai encontrar uma solução para isso mais rápido do que você pensa. - Valleri deu um sorriso malicioso para a amiga. 



       Tracy retribuiu o sorriso. Valleri tinha razão, Mitch era tão… Vigoroso enquanto amante quanto era como guerreiro.

      De repente, todas sentiram um aperto no peito. Era o imprinting, avisando que seus amados estavam por perto, e precisando de ajuda. 


- Os rapazes não estão longe, e devem estar em apuros. Sinto que Jimi está próximo. Vamos encontrá-los. - disse Valleri, ficando em pé de um salto. 

- Garotas, eu queria muito ir com vocês, mas… - Melissa começou. 

- Você vai ficar bem quietinha se recuperando, Mel. - disse Tracy. - Vamos trazer Noel de volta para você. 

- Por favor. 

- Cuide do Alec para mim. - pediu Valleri, beijando a testa do filho antes de entregá-lo aos cuidados da amiga. 

- Ele vai ficar seguro, Val. - garantiu a loba platinada. 



       E Valleri e Tracy saíram na escuridão, à procura de seus companheiros.


                                      *** 



      Os três lutavam bravamente, ao lado de Mike e seus amigos, contra a "Máfia de Memphis". Jimi estava ferido, mas era muito resistente, e continuava lutando como se os ataques do inimigo nem fizessem cócegas. Mitch também estava dando o máximo de si para continuar combatendo, apesar de cansado. Noel estava com os óculos quebrados, dificultando que enxergasse bem, mas o que realmente baixou sua guarda foi aquela estranha sensação dentro dele. 


- O que houve, Noel? - perguntou Mitch, afastando um dos lobos de Elvis do amigo com uma poderosa patada. 

- Melissa. Ela está viva, e não está longe, eu sinto. Algo me diz. Minha loba precisa de mim. 

- Acho que somos nós que precisamos das lobas! - exclamou Jimi. - As habilidades delas viriam bem a calhar agora. 



      Mas a batalha ainda transcorreu por vários e longos minutos, com a Máfia de Memphis levando uma ligeira vantagem, até que Jerry Lee Lewis, um dos lobos de Elvis, apontou: 



- Quem são aquelas ali? 



     Duas lobas, uma dourada e outra castanha, corriam para o campo de batalha. A loba dourada imediatamente se colocou entre Jimi e um inimigo, com uma mordida bem dada. A loba castanha protegia Mitch, arranhando quem se aproximasse. 

    Noel ficou preocupado com a falta de uma loba platinada. O pressentimento o teria enganado? Onde estava Melissa? Mas continuou lutando. 

   Com o reforço das duas lobas, Mike e seus aliados puderam vencer. Quando os inimigos debandaram, todos recuperaram a forma humana. 


- Val! - Jimi a abraçava tão forte que poderia quebrar ossos. - No fundo, eu sabia que você estava viva! 

- Vivíssima, querido. - ela sorriu. - É preciso mais do que um lobo alfa despótico para derrotar Valleri Mackenzie. 

- Valleri… Mackenzie? - repetiu Davy. 

- Sim, é esse o meu nome. Por quê? - quis saber ela. 

- Minha esposa se chama Dianna Mackenzie.

- Eu tenho uma prima chamada Dianna, mas não a vejo há tanto tempo… Meus tios… - de repente, Valleri entendeu. - Meus tios acreditavam que ela tinha sido levada por um vampiro… Você! 

- Mas seus tios eram humanos! Como você pode ser uma loba? - Davy estava confuso. 

- Mamãe era loba em segredo. Meus tios nunca souberam dos poderes dela, ou dos meus e do meu irmão. 

- Ah… 

- Bem, como eu dizia, Jimi, estou cheia de vida. Tenho uma surpresa para você na toca em que estamos escondidas. - ela piscou.

- Surpresa? - Jimi ficou intrigado. 

- Logo você vai saber. - Valleri falou, em tom misterioso. 

- E eu quero saber onde está Melissa. - Noel não aguentava mais. - Ela não está…? - o vampiro temia pelo pior.

- Ela está bem, Noel. - assegurou Tracy. - Mas precisa se recuperar. 

- Se recuperar? Está doente, está ferida? Preciso ver Mel, ou vou enlouquecer…

- Calma, nós vamos levar você até onde ela está. - Valleri disse. - Ela está no esconderijo, com o filho de vocês.



       Noel quis se certificar de que tinha ouvido direito. 


- Fi… Filho?! Mel estava grávida quando vocês sumiram?! Ela não me disse nada! 

- Nem ela sabia. - esclareceu Tracy. - Descobriu quando já estávamos longe, perto da fronteira com a França. Nos últimos meses, estávamos fazendo o caminho de volta, mas cada vez mais devagar, por causa disso. 

- Bem… Ainda bem que ela está bem. E meu filho? É vampiro, é lobo? É… Os dois? - Noel sentiu um arrepio na espinha pensando no que ele e Melissa podiam ter gerado. 

- Não sabemos. O bebê nasceu há poucas horas. - respondeu Valleri.

- É meu filho, e é isso que importa. - disse Noel, sorrindo. - Quero ver os dois.



       Jimi, seus amigos e suas companheiras se prepararam para ir até o esconderijo das lobas. Em nome de seu grupo, Micky disse: 


- Vocês são bem-vindos em minha casa na Ilha dos Lobisomens, se passarem por Munique. Podemos chamar vocês de amigos. 

- Obrigado. - Jimi sorriu. - Aceitaremos a hospitalidade com prazer, se decidirmos ir naquela direção. 

- O prazer será meu em recebê-los. - garantiu o lobo californiano. 



      Então, levando Alana e Jason, Mike e seus amigos rumaram de volta a Munique, enquanto o grupo de Jimi ia em direção ao esconderijo onde Melissa se abrigava com os dois filhotes.

     Lá chegando, encontraram Melissa dormindo tranquilamente, segurando dois bebês no colo. Um deles era negro e parecia ter por volta de seis meses, enquanto o outro, que ela segurava mais próximo ao seio, pois devia estar sendo amamentado antes de dormir, era branco e recém-nascido. 


- Bem, Jimi, aquela é a minha surpresa para você. - disse Valleri, em voz baixa para não perturbar o sono da amiga e dos bebês, apontando para Alec adormecido no colo de Melissa. 



     Jimi olhou para o lobinho e abriu um grande sorriso ao se dar conta da semelhança com ele. 


- Então não só está viva, como me deu um filho, minha loba? 

- Sim, meu amor. - Valleri retribuiu o sorriso do amado. - O nome dele é Alec. Nosso filhote. 



     Ela se aproximou cuidadosamente de Melissa e tirou Alec dos braços dela, levando o bebê para o pai. 


- Ele não é lindo, Jimi? É a sua cara. 

- Sim, querida. - ele a beijou e abraçou, em seguida beijando a testa do filho. - Obrigado! 




   Enquanto isso, Noel havia se sentado ao lado de Melissa, observando-a dormir com o filho deles nos braços. Estava louco para beijá-la e abraçá-la, como seus amigos fizeram com suas lobas, mas não queria despertá-la. Só de ouvir sua respiração tranquila, já ficava aliviado. Por tantos meses, pensou que a tivesse perdido para sempre. E lá estava ela, viva, com um bebê recém-nascido, fruto do amor deles!

     Alec acordou nos braços de Jimi, chorando, e isso despertou Melissa. A primeira coisa que a loba viu diante dela foram os olhos azuis de Noel a fitando amorosamente, e não pôde acreditar. 


- Noel! É você, meu amor?

- Sou eu, Mel. - ele beijou sua boca. - Achamos vocês, finalmente! 

- Ah, meu vampiro, temos tanto que conversar! Mas, bem, antes de mais nada… - ela baixou os olhos para o bebê em seu colo. - Esse é o Nicholas. É o nosso filho. Eu não sabia que estava esperando-o quando fugimos do Elvis…

- Eu sei. Valleri e Tracy explicaram. - ele sorriu. - Estou feliz demais por vocês dois estarem comigo agora, minha loba! 

- E eu, por estarmos com você, Noel. Mas estou com medo, querido… Não sei o que Nicholas é. Parece um bebê humano comum, mas não deve demorar a mostrar os poderes que tem. E se ficar perigoso quando crescer? E se alguém tentar tirá-lo de nós para impedir que cresça? Temos que protegê-lo! 

- Nós vamos, Melissa. Não vou deixar ninguém encostar um dedo no nosso filho. Mas, por enquanto, ele é só um bebezinho. Não vamos nos preocupar demais antes da hora. 

- Você tem razão. - ela suspirou. - Ainda estou cansada… 

- Continue dormindo, então. - ele beijou-a outra vez, fazendo o mesmo com o filho. - Vou deixá-la descansar.



  Melissa sorriu para seu amado vampiro, aconchegando melhor seu bebê em seu colo e fechando os olhos novamente. 

     Noel levantou-se e se aproximou dos demais. Mitch disse, virando-se para sua loba:


- E você, Tracy? Tem certeza de que não tem nenhum filhote meu escondido em algum lugar nessa toca? 

- Tenho, Mitch. - ela riu, beijando o rosto do lobo. - Você foi o único que me deixou sem nenhuma lembrança sua quando as garotas e eu fugimos… 

- Não seja por isso. - ele a pegou nos braços, fazendo-a soltar uma exclamação de surpresa que só não acordou Melissa pois ela estava muito cansada. - Vamos tirar o atraso, então! A noite está linda lá fora! 

- Lá fora? - Tracy repetiu. 

- E você quer fazer isso aqui, na frente dos nossos amigos? - ele argumentou.


       

       Todos riram. Sabiam que seus inimigos não estavam totalmente derrotados e outras batalhas viriam, mas, por ora, queriam apenas um pouco de paz. Amar-se, cuidar dos filhos, uma vida tão normal quanto lobisomens e vampiros podem ter. 


segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Lay All Your Love On Me (What If)

 Olá! Voltamos com mais uma fanfic, dessa vez, da série "Casais Improváveis". Esse ship já foi sugerido no meu último drabble... Espero que gostem da leitura! 








  Eric Idle estava numa maré de azar no amor. Nos últimos dois anos, apaixonara-se por duas mulheres, mas nenhuma correspondeu aos seus sentimentos. A primeira foi Louise McGold, sua amiga atriz que fazia o papel de Catherine Earnshaw na série da BBC de O Morro dos Ventos Uivantes. O problema era justamente que Louise só via Eric como um amigo. Na época em que Eric se apaixonou por Louise, ela estava tendo um tórrido affair com Timothy Dalton, seu colega de cena. 

  O affair acabou tão rápido quanto começou, mas Eric nem teve tempo de comemorar, pois Louise logo se viu dividida entre o piloto de fórmula 1 James Hunt e o jogador de futebol alemão Gerd Müller. Sabendo que jamais poderia entrar na disputa, Eric deixou os sentimentos por Louise de lado. 

   Então Eric logo se viu apaixonado por Fanny Fitzwilliam, a "sétima Python". Fanny era professora de geografia e trabalhava numa escola próxima dos estúdios da BBC. Ela havia se formado em Cambridge, como Eric e seus amigos John Cleese e Graham Chapman. Eric conheceu Fanny ainda em Cambridge, quando ela assistia às apresentações dos Footlights, o tradicional grupo de comédia de Cambridge, do qual Eric era o presidente na época. 

  Anos depois, reencontrou-a em Londres e Fanny logo se tornou uma amiga íntima dos Pythons. Tão íntima que eles sempre davam um jeito de incluí-la nas esquetes. John e Graham até mesmo criaram uma personagem recorrente para Fanny. Conhecida como Lovely Girl, a personagem invadia as esquetes e as interrompia beijando algum dos homens no rosto, normalmente o personagem de Eric. Ele sabia perfeitamente bem que isso era uma provocação dos amigos, pois eles sabiam que Eric sempre tivera uma quedinha por Fanny. Mas ela não parecia perceber nada, só achava engraçado.

     De todos os Pythons, Eric era o mais íntimo e querido de Fanny. Tanto que ele foi o único para quem ela fez uma confidência: 


Eu amo Allan… - Allan Clarke, vocalista dos Hollies, era o namorado de Fanny. - Mas… Eu nunca contei isso para ninguém além da minha irmã, Elinor, e da minha prima, Emily… 

O que foi, Fanny? - Eric estava intrigado. 

Apesar de amar Allan, eu também amo outro homem. Meu melhor amigo. Bob Dylan. 


  Eric não sabia o que fazer com essa informação. Se o próprio namorado de Fanny corria risco de perdê-la para Bob Dylan, quem dirá ele, que era só um amigo? 

  Pouco tempo depois, Fanny foi pedida em casamento por Allan e aceitou. Eric suspeitava que talvez ela estivesse de todas as formas tentando fugir de seus sentimentos por Dylan. Ou talvez ela realmente amasse Allan e Dylan não fosse mais do que seu melhor amigo agora. Eric só queria que ela fosse feliz. Mas não conseguia evitar sentir que jamais seria amado por nenhuma mulher…


                                         *** 


   Fanny de fato havia aceitado o pedido de casamento de Allan. Mas estava longe de ter certeza se essa era a decisão certa. Gostava de Allan, ele era um namorado carinhoso e atencioso. Porém, já fazia algum tempo que percebia que seus sentimentos por ele haviam mudado. Ela nem sequer sabia explicar quais eram, mas certamente não eram sentimentos que se poderiam esperar de uma mulher a respeito do homem com quem aceitou, de livre e espontânea vontade, casar-se.

   Seus sentimentos em relação ao seu melhor amigo, Bob Dylan, também haviam mudado. Fanny ainda o amava, jamais deixaria de amar Bob. Apesar disso, seu amor por ele era agora fraternal. Bob, às vezes, era muito complicado, além de alguns anos mais velho. Nunca dariam certo como um casal. Mas como amigos, quase irmãos, davam mais do que certo. E era assim que continuariam. Fanny não queria que as coisas com Bob mudassem de jeito nenhum.

 Os sentimentos de Fanny estavam numa verdadeira revolução ultimamente. A maior mudança havia acontecido nos seus sentimentos por seu amigo mais próximo entre os membros do Monty Python, Eric Idle. Todos os Pythons eram-lhe muito queridos. Porém, as gentilezas e a doçura de Eric superavam as dos demais, e quase todos os dias a jovem ia visitá-los na BBC, aguardando ansiosamente para conversar com ele, e torcendo para Graham e John terem incluído a personagem da Lovely Girl na esquete, para poder beijá-lo, sob o pretexto perfeito da atuação cômica.

   Trabalhava de manhã contando as horas para o expediente fechar e ela poder ver seus amigos na BBC, seu coração palpitando de expectativa só de pensar no sorriso de Eric, capaz de derreter os corações mais duros. Sabia que ele a rodearia de atenções, como sempre. Sorria sozinha ao pensar nisso. 

  Mas não tinha coragem de contar a ninguém sobre o que se passava em seu coração. Nem a Elinor, nem a Emily, muito menos a Bob. Ser honesta com Allan e romper o noivado era impensável, sofria só de pensar em fazê-lo sofrer. Os preparativos para o casamento estavam indo de vento em popa e o dia fatídico estava cada vez mais próximo. Ela tinha que agir. 


                                     *** 


   Uma semana antes do casamento, os Pythons saíram para beber após mais um dia intenso de gravações. Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin e os dois Terrys conversavam e riam animadamente, entre um gole e outro de cerveja. Eric, porém, estava muito quieto, e os amigos não podiam deixar de perceber.


O que você tem, Eric? - quis saber Michael, preocupado. - Está doente? 



 Eric bebeu longamente de seu caneco de cerveja e, em vez de responder Michael, chamou o garçom e pediu mais um. 


Anda, Eric, desembucha. - Terry Jones insistiu. 

Vocês não percebem? - Graham falou, em seu típico tom sério que enganava quem não sabia que ele era um comediante. - É claro que ele está doente. Doente de amor.

Doente de amor? - repetiram os outros. 

Fanny vai se casar em uma semana, esqueceram? 

Sim!! - Eric exclamou em tom lamentoso. - A garota dos meus sonhos vai se casar com outro cara! Se ao menos fosse o Dylan, eu entenderia, mas esse Allan Clarke… Ela nem o ama tanto assim, ela me falou…

Então você gosta mesmo da Fanny? Achei que você só quisesse dormir com ela… - Gilliam disse.

Eu amo a Fanny!!! - Eric já estava começando a se embriagar. - Eu amo a Fanny mais do que jamais amei qualquer outra mulher! Não sei o que vou fazer agora que vou perdê-la para sempre...

Mas, Eric… - John interveio. - Você nunca disse a ela que a ama, não é? 

Não… - Eric murmurou. 

Então não pode dizer que a perdeu. 

Ajudou muito, Cleese, prêmio de amigo do ano pra você. - Michael debochou. 

Já que nós fomos convidados para o casamento, por que você não se pronuncia na hora do "que fale agora ou cale-se para sempre", Eric? - sugeriu Jones. 

Terry, eu sou um comediante, mas não vou me prestar a esse papel ridículo. - Eric bebeu mais um longo gole sôfrego de cerveja. - Mesmo porque Bob Dylan deve ter pensado nisso também… A humilhação vai ser grande demais… 

E você vai ficar aí chorando, em vez de lutar pelo amor dela? - Graham provocou. 

Vou… 



    Os Pythons não sabiam mais o que sugerir para ajudar Eric. Apenas procuraram evitar que ele bebesse demais. 


                                          *** 



  O dia do casamento chegou. Fanny se arrumava para a cerimônia, tentando aparentar a expectativa e alegria de uma noiva. Era auxiliada por Elinor e Emily, além de sua mãe. Fanny queria mais do que tudo se abrir com a irmã e a prima, mas não conseguia. O que pensariam dela depois que executasse seu plano? Seu coração se apertava ao pensar na reação de Allan, mas não podia continuar daquele jeito. Só traria mais sofrimento para todos no longo prazo. Era melhor arrancar pela raiz. 

  Finalmente chegou a hora do casamento. Fanny aguardava para entrar na igreja, de braço dado com o pai. Só conseguia pensar no que faria logo em seguida. Não importava o que ninguém diria. Só importava que ela seria verdadeira consigo mesma. 

  As portas da igreja se abriram. Todos os olhares se voltaram para a noiva. Eric perdeu o fôlego ao olhar para ela. Os longos cabelos negros, os grandes olhos azuis, os delicados lábios rosados. Fanny estava séria, parecia uma pintura. Não só Eric, mas também Bob Dylan, se perguntaram o que passava na cabeça dela. Uma noiva deveria irradiar felicidade, e não era exatamente isso que Fanny transmitia naquele momento. Um ousou alimentar esperanças, mas outro sabia que estava derrotado. E ambos pensavam se deveriam tomar coragem de intervir… 

   Fanny foi entregue a Allan pelo pai. Os noivos se ajoelharam diante do padre. A noiva continuava séria, apenas dando um pequeno sorriso para Allan. "Será que ele percebeu?", pensava ela, tentando encontrar dentro de si a coragem necessária para o que precisava fazer. Então o padre começou o cerimonial: 


Estamos aqui reunidos para celebrar a união entre Frances Elizabeth Fitzwilliam e Harold Allan Clarke. Frances Elizabeth, você aceita Harold Allan como seu legítimo esposo, para amá-lo e honrá-lo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na pobreza e na riqueza, até que a morte os separe?



     Fanny respirou fundo. O fato de que ela não respondeu imediatamente preocupou a todos. Bob Dylan estava sentado na beira de seu assento. Eric não tirava os olhos de Fanny. E então, finalmente: 


Não. 



      A igreja inteira se espantou. Os convidados, o padre e principalmente Allan. 


Fanny? O que… o que eu fiz de errado? - Allan parecia destruído. 

Allan, eu sei que é clichê, mas você não é o problema, sou eu. Eu.. eu não amo mais você. Já faz algum tempo que percebi que amo outro… Eu deveria ter sido honesta. Desculpa. 


 

   Fanny tirou o véu e desceu do altar. Todos continuavam chocados. Allan se virou na direção de Dylan. 


Você venceu, Dylan. Fanny é sua. 



    Dylan se ergueu no banco, acreditando que sua amada era finalmente sua. 



Bob… - Fanny pegou a mão dele. - Você é o meu amigo mais querido. Eu te amo… Mas como a um irmão.



        Ele não pôde disfarçar sua surpresa. 



Fanny, se não é por minha causa que está recusando o casamento… Quem é ele? Ele está aqui? 

Sim. - Fanny soltou a mão de Bob e caminhou até os bancos onde estavam os seus amigos Pythons. 



      O coração de Eric estava disparado no peito. Será que… Não, não podia ser… Ela devia estar apaixonada por Michael… 


Eric. - ela abriu um grande e doce sorriso para ele. - Eu não deveria ter levado tanto tempo para dizer que amo você. 



    Ele estava incrédulo. Seus olhos estavam ainda maiores.


Fanny? Você é muito engraçada, mas isso não é hora de piada… 

Não é piada, seu palhaço! - ela ficou na ponta dos pés e o beijou diante de toda a igreja. - Eu te amo, Eric Idle! Nunca conheci um homem mais adorável em toda a minha vida. E eu sei que… Você também me quer, não é? 



      Eric mal conseguia falar. Ele colocou as mãos na cintura de Fanny, relutante. 



Fanny, eu… Eu quero você mais do que qualquer coisa nesse mundo! Eu te amo… 



    Ela sorriu para ele. Teria que explicar tudo aos seus pais, pedir desculpas a Allan e sua família, cancelar a festa… Mas estar ao lado de Eric agora tornava tudo mais fácil. 

      

                                       *** 



    Aquela foi uma longa noite. Mas, por incrível que fosse, Allan foi compreensivo. Apenas lamentou que Fanny não tivesse sido sincera antes. Ele tentaria apaziguar os ânimos de sua família. 

 Os Pythons decidiram comemorar o "não-casamento" de Fanny. Foram todos para a casa de Graham Chapman. Ele e seu namorado, David Sherlock, preparam um jantar tardio para todos e várias bebidas foram consumidas. Eric e Fanny não se largavam um único segundo. Ela acariciava os cabelos ondulados dele, ele beijava sua testa afetuosamente. Até que todos, fartos de comer e beber, começaram a se recolher para os vários quartos da casa. 

    Fanny e Eric, entre langorosos beijos, entraram num dos quartos. Lá, se entregaram ao amor e ao desejo acumulados havia tanto tempo, certos de que um futuro de muita felicidade os aguardava.




sábado, 30 de novembro de 2019

Hold Me Tight - Capítulo 2

Boa tarde! Depois de meses, finalmente mais um capítulo da minha nova fic de troca-destroca. Acho que tá curto mas dá pro gasto. Espero que vocês gostem! Boa leitura.

  Dianna terminou de tocar. Trocou um olhar profundo com Davy, e depois olhou para George. Ela se levantou da banqueta diante do piano, e o namorado beijou sua mão, enquanto os convidados de Paul batiam palmas fervorosas. Dianna corou.
  Paul ainda serviu algumas bebidas aos seus convidados, mas George e Dianna quiseram ir embora mais cedo. Antes que eles partissem, porém, Davy pediu para falar com Dianna por um momento, o que ela consentiu.

- Queria saber se... Você teria interesse em gravar uma música comigo, Dianna.

  Dianna adorou a ideia, e não hesitou.

- Tenho todo o interesse, Davy. - ela sorriu. George sentiu-se um pouco enciumado, já que Dianna nunca quis gravar algo com ele,mas preferiu ficar quieto.

- Eu fico muito contente. Bem... Onde poderíamos nos encontrar?

- Eu tenho um pequeno estúdio em casa... Se quiser ir lá amanhã...

- Perfeito. - Davy sorriu. -  Às 15 horas?

- Por mim está ótimo.

- Ok. Eu estarei lá.

- Ficarei esperando.


  Ela e George saíram da casa de Paul. Durante o trajeto de volta para casa, George estava ainda mais quieto do que de costume, e isso preocupou Dianna.

- Algum problema, Georgie? - Dianna indagou, embora já soubesse a resposta.

- Nada... Só acho esquisito que você não queira gravar uma música comigo, seu namorado, e quando um cara que você nunca viu na vida até esta noite faz essa proposta, você aceita. - George respondeu, mal-humorado.

- George, não fique com ciúme... - a voz de Dianna mostrava que ela estava se sentindo mal com isso.

- Eu não estou com ciúme. - George afirmou, veementemente.

- Bom, você não parece se importar tanto com a minha música se a Mary Anne McCartney estiver por perto.

- Di...

- Você pensa que eu não vi você olhando para ela, George?


  George não conseguiu pensar em nada para responder. O casal seguiu seu caminho em silêncio, e ao chegarem em casa, ao contrário do  que eles tinham planejado antes da festa, não fizeram sexo.
   Enquanto George e Dianna discutiam no seu carro, Mary e Davy tinham uma discussão semelhante.

  - Acho que o George não gostou muito de você ter convidado a namorada dele para gravar uma música com você, Davy. Na verdade eu também achei que você foi muito apressadinho. - Mary disse, um pouco mordaz.
 
  - Pensei que você gostasse da Dianna.

  - Eu gosto. - disse Mary. - O que eu não gosto é do meu namorado arrastando asinha para outras mulheres. Pensa que eu não sei da sua fama, David?
 
  - Mary, não confunda realidade com ficção...
 
  - Não mude de assunto! Eu vi muito bem a cara de banana que você fez enquanto ela tocava. 


  - Eu só... Fiquei impressionado... - Davy tentou se justificar. - Ela realmente canta e toca muito bem...
 

- E você acha que eu vou acreditar que foi só isso?


  - Mary, é só você que eu amo. Não existe mulher mais bonita do que você, meu broto.
 
 
- "Meu broto"! Você é ridículo, Davy! 


      Naquele momento os dois chegaram ao apartamento onde Mary residia quando estava em Londres. Ela desceu do carro assim que Davy estacionou, sem olhar para ele. E continuou assim durante a subida de elevador e depois que entrou no apartamento.

 
- Mary Anne, vai ficar sem falar comigo até quando? - Davy parecia realmente magoado.
 

      Mesmo assim, ela continuou silenciosa até a manhã seguinte.


                                ***


      Naquela manhã, Dianna e George tomavam café juntos, mas sem trocar uma palavra sequer.


  - Di... - George tentou quebrar o gelo.
 
 
- O que foi? - Dianna continuava bebericando seu café calmamente.

 
- Eu... Eu não gosto de ficar brigado com você, meu amor. Me perdoa, por favor. - ele pegou a mão dela por sobre a mesa.
 
 
- Eu perdoo... Se você prometer que não vai ficar enciumado toda vez que eu decidir trabalhar com um homem.
 
 
- Eu prometo, Di, meu anjo, eu prometo.


- Tudo bem. - ela sorriu para ele e o beijou levemente. - Depois posso até considerar trabalhar com você...

 
        George apenas riu.


                                  ***


    Mary Anne despertou com o cheiro de café e panquecas. Levantou-se da cama e quase trombou com Davy, que trazia o café da manhã numa bandeja prateada minuciosamente arrumada.

  - Se você acha que eu vai conseguir meu perdão com comida...
 
- Mas, querida, eu fiz panquecas com calda de chocolate, as suas favoritas!

  - Você é impossível, Davy. - Mary resmungou. 

  - E é por isso que você me ama, Mary Anne. - ele deu seu típico sorriso.
 
- Me dê essas panquecas antes que eu mude de ideia. - ela ordenou, sentando-se na cama.
 
  - Isso quer dizer que você me perdoa, amor? - ele olhou para ela usando todo o seu charme.
 
  - Eu não devia, mas sim. - Mary finalmente cedeu, dando uma garfada nas panquecas. 
 
                                    ***

      Mais tarde, Mary Anne saiu para seus compromissos do dia. Davy almoçou sozinho, pensando no encontro que tinha marcado com Dianna para gravarem. Tinha pensado em propor a ela que cantassem Colours, de seu amigo Donovan.  Achava que a música combinaria com as vozes de ambos. Estava empolgado para ver o resultado daquilo. Tinha certeza de que ficaria bom, afinal Dianna realmente tinha a voz de um rouxinol. "Um rouxinol... A ave que sempre aparece nas histórias de amor... Bom, acho que a comparação é mais do que válida".
      Em sua própria casa, Dianna também pensava nisso. Estava ansiosa. Era a primeira vez que gravava algo em parceria com alguém. Por que tinha aceitado gravar uma música com uma pessoa que tinha acabado de conhecer, não sabia dizer. Apenas... Pareceu uma boa ideia. Sabia que, apesar da promessa, George ainda estava um pouco magoado. E ela se sentia péssima por isso. Conversaria com o namorado quando ele voltasse dos estúdios de Abbey Road. Ela também detestava brigar com George, pois o amava muito.

    Quando o relógio bateu quinze horas, Dianna ouviu sua campainha tocar. "Pontualíssimo, como um bom inglês", pensou ela, enquanto se dirigia à porta para abri-la. Deparou-se com um Davy muito sorridente, trazendo um violão pendurado às costas e uma pasta na mão que Dianna supôs que contivesse partituras.

  - Olá, Dianna. - ele a cumprimentou muito animado.
 
  - Olá, Davy. Bem, vamos entrando. Quer comer ou beber algo antes de começarmos? 

  - Não, não, não se preocupe. Bem, eu pensei em uma música para gravarmos, não sei se você conhece, então trouxe a partitura para ensaiarmos... Isto é, se você quiser gravar essa música.
 
  - Qual música? - Dianna estava curiosa.
 
  - Colours, do Donovan. Ele é meu amigo e já cantou essa música com a Joan Baez no festival de Newport, ela funciona muito bem cantada a dois. 

  - Essa eu não conheço...  


      Davy parecia procurar algo em sua pasta, mas, o que quer que fosse, não achou.


- Bom, eu esqueci de trazer o LP com essa música para você ouvir, mas eu poderia tocá-la para você, se não se importar.
 
  - Eu adoraria ouvir. - ela sorriu, sentando-se no sofá enquanto Davy tirava seu violão da capa e começava a tocar para ela.

- Yellow is the colour of my true love's hair... - ele cantou olhando nos olhos dela, fazendo Dianna se ruborizar, sem entender bem por quê. Era só uma música.