quinta-feira, 14 de maio de 2015

Hittin' The High Seas - Episódio 1 (Minissérie)

Bom dia porque eu ainda não almocei! kkkk.  Hoje vou postar o primeiro episódio da minha nova minissérie. Calma que eu ainda vou continuar as outras duas! Essa minissérie surgiu graças à Inara, que disse que imaginava Davy Jones como Odisseu... Ele é meu herói grego favorito desde sempre, então não pude resistir à tentação de adaptar a Odisseia para um contexto de corsários no século XVII, hehe. 


Episódio 1

       David Jones, mais conhecido como Davy Jones, era um jovem corsário inglês, temido por todos os navios mercantes europeus. Ser perseguido por ele implicava, quase sempre, perder todo o carregamento de metais e pedras preciosos. O rei tinha Davy na mais alta conta, e o enviava frequentemente em missões para roubar os tesouros dos países inimigos da Inglaterra.
        Contudo, naquele dia o corsário não tinha planos de voltar ao mar tão cedo. Fazia pouco mais de um mês que sua amada esposa, Dianna, havia dado à luz duas lindas meninas, gêmeas idênticas. Elas haviam recebido os nomes de Cecilia e Rebecca. Davy estava orgulhoso e feliz. Sua felicidade durou até a chegada de um emissário de Sua Majestade à sua casa em Manchester.

- Sr. David Jones? O corsário? – perguntou o mensageiro ao se ver diante do dono da casa.

- O próprio. – respondeu Davy.

- Sr. Jones, Sua Majestade, o rei da Inglaterra, ordena que parta em expedição para obter uma quantidade fabulosa de ouro e prata de um certo navio mercante espanhol, denominado Santa Rosa.

- Mas... Há pouco tempo que aportei! Estou em terra firme há apenas dois meses e meio!

- Ordens de Sua Majestade, sr. Jones.

                O corsário deu um suspiro resignado. O que diria a Dianna? Ela certamente não gostaria nada daquilo.

- Você precisa mesmo ir, querido? – indagou ela, olhando para ele suplicante. O casal passava a maior parte do tempo separado. Toda vez que Davy precisava voltar ao mar era uma tortura.

- Di, meu bem, isso dói em mim tanto quanto em você. Não quero deixá-la, nem nossas filhas. Porém... É meu dever.

- Por que escolheu ser corsário? – lamentou-se Dianna. – Poderia ser qualquer outra coisa, para que não precisássemos nos separar.

- Se eu não fosse um corsário, querida, nunca teríamos nos conhecido. – disse ele, piscando para ela.

- Você e seus argumentos astuciosos. – ela riu. – Vá. Faça seu trabalho.  Mas me prometa que vai voltar logo, está bem?

- Eu prometo. – Davy beijou a esposa.



Vinte anos depois...


- Que belo mentiroso eu sou. – pensava Davy, no convés de seu navio, consultando a bússola. – Dianna deve já ter perdido as esperanças... E eu também estou quase as perdendo. E Cecilia e Rebecca? Como minhas garotinhas ficaram esses anos todos sem pai?

                   
                  Maldito dia em que havia aceitado partir naquela expedição para o rei! Se houvesse desobedecido, teria permanecido ao lado delas. Quase morria de saudades da esposa, e desejava profundamente ver as filhas. Teriam ficado parecidas com ele ou com a mãe?

                                                                        * * *

  - Mamãe, Becky e eu temos que dizer algo à senhora. – disse Cecilia, entrando no quarto da mãe, entretida em costurar, como sempre.

  - O quê, Cece?

  - Nós queremos procurar nosso pai. – disse Rebecca, antes que a irmã pudesse abrir a boca.

                      Dianna sentiu seu coração quase sair pela boca só de pensar naquela possibilidade.

- Não! Eu proíbo! – exclamou ela. – Eu já perdi seu pai para as águas traiçoeiras do oceano, não deixarei que o mesmo aconteça a vocês! Vocês são tudo que me resta.

- Mas, mamãe, e se papai ainda estiver em algum lugar por aí? – insistiu Cecilia.

- Você é teimosa como ele, Cece. – Dianna beijou a filha. – E tem os olhos dele.

- Eu me pareço com ele em algo, mãe? – quis saber Rebecca.

- Além dos olhos? É amorosa como ele, Becky. – Dianna beijou a outra filha. – Sabem, meninas, eu ainda tenho esperanças de que seu pai voltará. Mas prefiro que vocês fiquem aqui, e esperem por ele comigo.

- Mas, mamãe... – começou Cecilia.

- Temos vontade de ver o mar! – completou Rebecca. – É tão fascinante!

- Não, não e não! Dei muitas liberdades a vocês, poucas jovens de sua idade são tão independentes. No entanto, não vou entregar vocês à morte, minhas filhas!

                      Por ora, Cecilia e Rebecca resolveram não discutir com a mãe. Todavia, tentariam mais uma vez.

                                                               * * *

                        O navio de Davy novamente enfrentava uma tempestade. Em todos aqueles vinte anos, o corsário aprendera a temer profundamente as tormentas. Normalmente significavam novo atraso em seu regresso ao lar.
                         Ele e os amigos faziam o máximo possível para salvar a embarcação. A antiga tripulação do galeão que havia partido em busca do navio mercante espanhol havia ficado reduzida ao capitão Jones e seus três fiéis companheiros: Mike Nesmith, Micky Dolenz e Peter Tork. Os quatro corsários haviam enfrentado diversos perigos juntos.

- Desta vez o velho navio não vai aguentar! – Mike gritava, tentando soar mais alto que os ventos ululantes.

- Tem que aguentar! – bradou o capitão. – Só assim voltaremos para casa!

- Davy, esqueça isso! Nunca mais vamos pisar o chão da Inglaterra! – Micky exclamou. – Dianna, Emma, Alice e Erin já estão vestindo luto há vinte anos!

- Fale por você, Micky! Eu vou voltar ao nosso país! Reencontrarei minha esposa e minhas filhas!

- Você é louco, Davy! – exclamou Peter. – Mas ficaremos ao seu lado até o fim!

                             O navio rodopiou nas águas por um longo tempo, até que foi estraçalhado. Os quatro corsários se agarraram a algumas tábuas, e conseguiram chegar, sãos e salvos, a uma ilhazinha.
                              Estavam estendidos na areia, tentando recuperar as forças, quando foram vistos por uma jovem. Ela não deveria ter mais do que 22 anos... A mesma idade que Dianna tinha quando Davy partiu naquela expedição maldita.

- Quem são os senhores? Precisam de ajuda? – perguntou a moça. Não parecia assustada diante daqueles homens vestidos em roupas reduzidas a trapos e com barbas há muito por fazer.

- Somos corsários de Sua Majestade,o rei da Inglaterra. Há duas décadas que saímos numa expedição para saquear uma galera espanhola, e conseguimos... Mas nunca voltamos para casa.

- São ingleses? Estão mais perto de casa do que imaginam! Meu irmão, meu marido, nossos amigos e eu faremos o que pudermos para auxiliá-los. Venham! A propósito, meu nome é Mary Anne McCartney-Harrison.

                                  Os quatro amigos seguiram a jovem mulher até uma casa de tamanho razoável e aparência acolhedora. Ela abriu a porta, e chamou:


- George! Paul! John! Ringo! Temos visitas! Emprestem algumas roupas para os pobres homens!

- Quem são esses homens, Mary Anne? – quis saber um rapaz de no máximo 25 anos, alto e magro.

- São corsários que naufragaram, George.

- Onde os encontrou?

- Na praia, querido.

- Bem... Eu sou George Harrison. – disse ele, apertando a mão de cada um dos quatro náufragos. – E os senhores?

- Revelarei quem somos quando convier. – disse Davy.

                                       George torceu o nariz, achando aquela história mal contada. Logo apareceram os demais moradores da casa: Paul McCartney, irmão de Mary Anne, John Lennon e Ringo Starr. A jovem convenceu os rapazes a emprestarem roupas para os náufragos, e preparou chá.

- Dirão quem são? – pressionou John, quando os náufragos estavam devidamente secos, limpos, barbeados e com roupas secas e limpas e Mary Anne enchia xícaras com chá para eles.

- Sim! – exclamou Davy. – Eu sou o capitão David Jones, cuja fama atinge todos os oceanos ocidentais! Saqueei muito em nome do rei da Inglaterra! E estes são meus amigos Mike Nesmith, Micky Dolenz e Peter Tork, meus companheiros de inúmeras viagens.

- Aquele David Jones? – Ringo estava surpreso. – O que foi dado como morto vinte anos atrás?

- Bem... Possivelmente. – Davy riu.

- Dizem que sua mulher se recusa a admitir a possibilidade de que você está morto. – observou Paul.

- E o mesmo se aplica às esposas dos seus amigos. – Mary Anne acrescentou.

                   Os quatro amigos sorriram. Era bom saber que elas ainda nutriam esperança depois de tanto tempo.

- Devem ter muitas histórias para contar! – disse George, entusiasmado.

- E como temos! – falou Micky.

- Vimos e fizemos muitas coisas ao longo dessas duas décadas. – Peter disse.

- Acho que devemos deixar Davy relatar, ele é o melhor contador de histórias de nós quatro.  – disse Mike.

- Nem tanto assim. – Davy falou, modestamente.

- Pare com isso! Você sabe que é. – disse Micky.

                        Davy limpou a garganta e começou sua narrativa.


Nenhum comentário:

Postar um comentário