segunda-feira, 18 de maio de 2015

Oneshot: True Love Ways (Série What If)

Boa noite! Temos outra What If protagonizada por Fanny Fitzwilliam e Mike Nesmith sendo postada. Espero que gostem. 










    Bob certamente iria dizer a Fanny que aquilo era perda de tempo. Mas o que ela poderia fazer se Mike Nesmith não saía de seus pensamentos?
      Ela queria procurar o Monkee. Perguntar-lhe o porquê da traição para com Alice. O casal parecia tão unido... Pelo menos Alice estava feliz com Bob. Fanny ficava contente pelo amigo. Ela gostava de Alice. Mas tinha que admitir a si mesma: não gostava de saber que não era mais o objeto do amor de Bob. Estaria ela... Apaixonada por ele? Deu de ombros e tomou uma decisão. Pegou o telefone. Discou o número do hotel em que ela sabia que os Monkees sempre se hospedavam em Londres. Ser amiga pessoal da banda tinha suas vantagens.

- Alô? – disse o recepcionista.

- Olá. – respondeu Fanny. – Meu nome é Fanny Fitzwilliam e eu gostaria de falar com Mike Nesmith. Poderia passar a ligação para o quarto dos Monkees, por gentileza?

- Você com certeza é apenas uma fã que descobriu onde eles estão.

- Sim, sou uma fã, mas também amiga da banda! Passe a ligação, por favor! É urgente!

- Está bem, está bem. – disse o recepcionista, um pouco de má vontade.

                Fanny esperou um pouco. E então uma voz grave falou:

- Alô?

- Nez? Sou eu, Fanny.

- Olá, Fanny! – disse ele. – Como você está?

- Eu estou bem, obrigada. E você?

- Também.

                     Houve um silêncio de alguns minutos. Até que Fanny quebrou o gelo.

- Nez...

- Sim?

- Preciso falar com você sobre um assunto importante.

                        A garota quase podia ver as sobrancelhas de Mike franzirem.                 

- Que assunto?

- Tem a ver com a Alice. É tudo que você precisa saber por enquanto.

- Ok... Onde nos encontraremos?

- Que tal meu quarto de hotel?

- Está bem. – disse Mike. – Onde fica?

                           Fanny passou o endereço a ele e ficou combinado que Mike iria até lá no dia seguinte às 15h. Conforme combinado, Fanny ouviu uma batida na porta às 15h do dia seguinte. Ela se levantou de sua poltrona e abriu a porta. Viu o rapaz alto, e como sempre, sentiu-se intimidada. Fanny, por ser baixa, se sentia intimidada diante de pessoas muito mais altas do que ela.

- Hã... Oi, Mike. – disse ela.

- Oi, Fanny. – ele deu um pequeno sorriso para ela.

- Entre. – disse ela, acenando num gesto convidativo.

- Com licença. – disse ele, entrando. Já ia se sentar numa das duas poltronas, quando viu uma coisa preta e peluda em cima da poltrona. – Opa! Quase me sento em cima do seu gato, Fanny! Acho que não fomos apresentados.

- Este é o Voltaire, Nez. – disse Fanny, pegando o gato das mãos de Mike. – Voltaire, este é o Nez.

                           O gato deu um pequeno miado e pulou do colo de Fanny, indo se enrolar para cochilar em cima da cama da jovem.


- Ele me lembra o Galahad. – disse Mike.

- Quem é Galahad? – Fanny perguntou.

- O gato da Alice. – respondeu o Monkee com um suspiro. – Foi meu último presente antes de... Bem... Você sabe.

- Era sobre isso que eu queria falar com você, Nez.

- Sobre eu ter traído a Alice?

- Sim.  Eu não entendo porque fez isso. Errar é humano, mas cometer o mesmo erro duas vezes é burrice!

- Eu sei. Marie Greyhound me disse isso.

- Desculpe, Mike, mas realmente não consigo compreender como foi capaz de trair uma garota de quem você realmente gosta.

- E você acha que sou capaz de compreender isso, Fanny? Quem me dera!

- Bem... Não posso culpá-lo. Todos nós fazemos coisas tão estúpidas...

- Posso supor que esteja se referindo a um dos seus namorados?

- Sim. Ray Davies me traiu com a Nora.

- Com a Nora? – os olhos de Mike se arregalaram. – Mas vocês não são amigas?

- Sim, nós somos. Não houve animosidade entre nós por isso pelo motivo de que nós duas nos sentimos enganadas.

- Puxa... – Mike olhou para baixo. – Coitada da Nora... Eu já fiz isso com ela, agora o Davies... Ela não merece isso.

- Ninguém merece. – disse Fanny. – Bem... Sabe... Tenho que confessar uma coisa.

- O quê?

- Eu... Eu acho que gosto do Bob, Nez. Mais do que simplesmente como amigo.

- E agora ele está com a Alice.

- Isso aí.

- Frances, posso presumir que quer saber se tenho planos de tentar reconquistar a Alice?

- Você é espertinho, Michael.

                                                                * * *

- Onde esteve a tarde toda, Mike? – perguntou Davy a Mike quando ele finalmente voltou ao hotel dos Monkees. – Bob e Bert já iam mandar a cavalaria atrás de você!

- Estive com a Fanny.

- A Fanny? – Micky sorriu maliciosamente para Mike. – Eu achava que quem gostava dela era o Peter.

- Eu só a acho muito bonita, Micky, você sabe disso! E além do mais, já tenho a Erin. E ela é perfeita. – Peter deu um pequeno suspiro ao falar da namorada, que ele precisou deixar em Los Angeles.

- Só que eu não fui visitá-la com as intenções que você está pensando, Micky. – disse Mike. – Ela quer minha ajuda para recuperar o Dylan.

- O Dylan? – Davy indagou. – Mas ela teve mesmo um rolo com ele?

- Não. Mas todo mundo sabe que ela gosta dele mais do que como amigo. Ela me confessou isso. E ela quer que eu recupere a Alice para que ela possa ficar com Dylan.

- Unindo o útil ao agradável. – disse Peter.

- Exatamente. – concordou Mike.

- E você vai ajudá-la? – quis saber Davy.

- Vou. – afirmou o Monkee do gorrinho.

- Só uma perguntinha a mais... – começou Micky. – Você acha mesmo que a Alice vai aceitá-lo de volta depois da sua canalhice sem tamanho?

- Não sei. Mas a esperança é a última que morre, meu amigo.

                                                               * * *

- Você resolveu pedir ajuda ao Mike Nesmith para fazer o Dylan voltar a gostar de você, é isso? – perguntou Elinor à irmã mais nova.

- Sim. – confirmou Fanny.

- Maninha, eu não quero ser chata nem nada, mas... Isso não vai rolar.

- Por quê, Elinor?

- Ora, Fanny, porque tem absolutamente tudo para dar errado! Você acha que Alice vai querer o Nesmith de volta depois do que ele fez? Eu não iria querê-lo!

- Bem, eu... – Fanny esfregava o braço, nervosa. – Estou apostando que Alice ainda gosta do Nez. Elinor... Ele está arrependido. Isso é visível nos olhos dele. Você sabe que sempre fui boa em perceber as coisas “no ar”, por assim dizer.

- Sim, eu sei. E Fanny, eu posso estar errada, mas estou sentindo que os planos não vão ter os resultados que você e o Nesmith estão esperando.

- E que resultados você acha que terão?

- Não faço ideia. Mas uma coisa afirmo: você não vai ter Dylan e ele não vai ter Alice.

                     Fanny mordeu o lábio. Esperava que a irmã estivesse errada.

                                                              * * *


                     Mike estava nervoso. Iria à casa de Alice naquela tarde para tentar conversar com ela. Se ela ao menos o recepcionasse, seria uma vitória. Respirou fundo e tocou a campainha. Ela abriu a porta, e assim que o viu gritou:

- Vá embora!

- Alice, por favor... – ele tentou segurar a porta. – Eu estou arrependido, não sei o que deu em mim...

- Não sabe, é? – ela ironizou. – Pois eu sei muito bem o que deu em você! Ca-na-lhi-ce! Vá embora já! Ou você vai me obrigar a chamar o Bob?

- Eu acabo com o Dylan em segundos.

- Claro, claro. – Alice resmungou. – Vou dizer uma última vez: vá embora, Robert Michael Nesmith! Eu te odeio!

                     Entristecido, Mike decidiu ir embora. Contudo, ainda tentaria mais uma ou duas vezes. Enquanto isso, Fanny conversava com Bob:

- Bob, eu sei que você gosta muito da Alice, mas você não acha que ela ainda sente algo pelo Mike?

- Hum...  Por que acha isso, Fanny?

- Sei lá... Ela o amava demais até saber do que ele fez...

- Bem, isso é fato. Mas creio que o amor que ela sentia se transformou em ódio.

- Não podemos excluir essa possibilidade. – Fanny reprimiu um suspiro resignado. Fazer Bob voltar a ser apaixonado por ela seria mais difícil do que imaginava.

                        Naquela tarde, Mike foi até o apartamento dela.

- Nada feito, Fanny. Alice não quer me ver, nem mesmo pintado de ouro. Ela me odeia do fundo da alma. Sabe, há uma coisa que me intriga.

- O quê? – Fanny perguntou.

- Por que você não me despreza? Era o que eu merecia, visto o grande erro que cometi.

- Bem, eu... Não sei, Mike. Eu acredito quando você diz que está arrependido. Posso ver o sentimento de culpa nos seus olhos. Eu sou muito... Intuitiva. Você está totalmente corroído pela vergonha que sente de si mesmo.

- Sim. – ele abaixou a cabeça. – Eu não mereço ter o amor de mais nenhuma mulher, depois da minha canalhice.

- Você foi mesmo um canalha, Nez... Mas todo mundo merece uma segunda chance. Bem, no seu caso uma terceira. – ela deu uma risadinha, arrancando um sorriso do Monkee.

- Você é muito legal, Fanny. – ele disse.

- Obrigada. Eu faço o meu melhor.

                             Fanny levantou-se, ligou o rádio e mexeu no botão das estações, até que reconheceu os primeiros acordes de True Love Ways, de Buddy Holly.

- Venha, Nez, vamos dançar. – ela estendeu sua mão para ele.

- Eu não danço. – disse ele. – Você acha que um cara alto e desengonçado como eu consegue dançar?

- Eu também não sou nenhuma pé-de-valsa, Nesmith.

- Tudo bem. – ele tomou a mão dela.

Just you know why
Why you and I
Will by and by
Know true love ways

Sometimes we’ll sigh
Sometimes we’ll cry
And we’ll know why
Just you and I
Know true love ways

Throughout the days
Our true love ways
Will bring us joys to share
With those who really care

Sometimes we’ll sigh
Sometimes we’ll cry
And we’ll know why
Just you and I
Know true love ways

Throughout the days
Our true love ways
Will bring us joys to share
With those who really care

Sometimes we’ll sigh
Sometimes we’ll cry
And we’ll know why
Just you and I
Know true love ways
                             

                Ao fim da música, Fanny disse:

- Sabe, até que você não dança mal, Mike.

- Você também. – ele sorriu.

- Eu... Queria achar um cara que me mostrasse o verdadeiro jeito de amar.

- Você vai achar. Já eu... Acho difícil que eu encontre a garota que vai me mostrar isso.

- Será mesmo? Eu tenho certeza que você achará. – Fanny ficou na ponta dos pés e conseguiu dar um beijo no rosto de Mike.

                               Para ambos, aquele beijinho foi algo especial.

                                                                      * * *


                                  Os Monkees precisaram voltar aos Estados Unidos. Mike, desde aquele dia em que dançara com Fanny e ganhara dela um beijo no rosto, não parava de pensar nela. Ela era uma garota adorável. Comentou isso com os amigos.

- Mike está apaixonado, ora, ora. – Micky riu.

- Xi, Peter, ele vai roubar a Fanny de você. – Davy disse.

- Não tem problema. Já estou bem feliz com a minha Erin. – Peter sorriu.

- Eu não sei bem se estou apaixonado... – Mike estava um pouco duvidoso.

- Ah, está sim. – Davy falou, autoridade que era no assunto. – Você tem bom gosto, Fanny é uma bela pequena... Não deixem Di saber que eu disse isso. Ou ela vai me matar.

                                      Davy e seus amigos caíram na gargalhada. Enquanto isso, na Inglaterra, Fanny também não parava de pensar em Mike. Chegou à conclusão de que havia aceitado que ela e Bob eram apenas amigos. Decidiu que iria aos Estados Unidos atrás dele. Mas antes, ligou para ele.

- Você vai vir aos Estados Unidos, Fanny? Bem... Se quiser, pode vir nos ver em Hollywood Hills.

- Hollywood Hills?

- A casa do Davy e da Dianna. Vamos passar a semana aqui, escrevendo o roteiro para o nosso filme.

- Que legal! Mas não vou atrapalhar vocês, Nez?

- Claro que não! Você é nossa amiga, é bem-vinda.

                                Encorajada assim por Mike, Fanny arrumou as malas e partiu para os Estados Unidos. Chegando a Los Angeles, ligou para a casa de Davy, cujo número Mike havia lhe passado. Pegou com o dono da casa o endereço e um táxi a levou até lá. Tocou a campainha. Foi atendida por Dianna.

- Olá, Fanny. – a namorada de Davy sorriu.

- Oi, Dianna. – Fanny devolveu o sorriso. Então sentiu duas coisas peludas roçarem suas pernas. Olhou para baixo. – Não sabia que vocês tinham gatos, Di.

- Pois é, nós temos. Estes são o Odisseu, meu gato, e a Penélope, a gata do Davy.

- Quando eles derem cria vocês vão chamar um dos filhotes de Telêmaco? – Fanny perguntou, em meio em uma risada.

- Provavelmente sim. – Dianna respondeu, também rindo. – Mas, entre, Fanny! Sinta-se à vontade.
                            

                               A dona da casa conduziu Fanny pelos corredores. A decoração tinha um estilo inglês, o que era de se esperar, visto que tanto Dianna quanto Davy eram ingleses. Os gatinhos seguiam sua dona e a visitante. Até que Dianna abriu a porta de uma saleta. Fanny viu os Monkees sentados no chão, em meio a lápis, papel e vários cigarros. Escreviam e liam atentamente. O primeiro a erguer os olhos do caderno onde rascunhava algumas cenas para o filme foi Micky.

- Vejam só quem chegou! – exclamou ele, animado. – Olá, Fanny!

- Oi, Micky. – Fanny devolveu o cumprimento entusiasmado do Monkee maluquinho.

                            Mike levantou a cabeça, e ao ver Fanny não pôde impedir um sorriso de se formar em seus lábios.

- Oi, Fanny. – ele disse, ficando um pouco corado.

- Oi, Mike. – ela o cumprimentou, também enrubescendo.

                               Davy e Peter a saudaram, e Fanny retribuiu as saudações deles. Estava ansiosa para ficar a sós com Mike. Precisava dizer a ele o que sentia. Passou o dia com Dianna e os Monkees, conversando e rindo. Trocava alguns olhares com Mike timidamente. Num certo momento, todos os outros saíram da saleta, deixando os dois sozinhos, como se houvessem entendido que eles precisavam de alguns instantes a sós.

- Fanny, eu queria dizer algo a você.

- Eu também gostaria de te dizer algo, Nez.

- Você primeiro. – disse ele, com um sorriso.

- Não, diga você.

- Fanny... – Mike pegou a mão dela e beijou. – Eu estou apaixonado por você. Eu entendo perfeitamente que você não me corresponda, mas...

                                 Fanny não o deixou completar a frase. Beijou-o ardentemente. Dianna e os outros Monkees observavam tudo por uma fresta da porta, e sorriam. Mike e Fanny haviam descoberto o verdadeiro jeito de amar.





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