domingo, 10 de maio de 2015

All The King's Horses - Capítulo 6

  Boa tarde e feliz Dia das Mães! Aí vai mais um capítulo da fanfic medieval. Pela primeira vez me arrisquei a escrever mais de três POVs! 




(Dianna’s POV)

                       

                      Dianna andava por um acampamento de soldados. Ela não sabia exatamente o que fazia ali, contudo, não estava com medo ou preocupação alguma. Sentiu-se impelida a entrar em uma certa tenda. Ao entrar, viu uma cama, sobre a qual estava deitado um guerreiro, com feridas horríveis. Dianna aproximou-se um pouco mais... E viu algo que a aterrorizou.


- David! – ela exclamou, correndo para o leito de seu amado.

- Dianna... – ele murmurava.

- Eu estou aqui, meu amor, estou aqui. – Dianna beijou a testa de David. Quente. O escudeiro ardia em febre.

- Não... Você não pode ser Dianna. Ela está muito, muito longe daqui.

                     

                         Mesmo sabendo que o amado estava delirando, aquilo encheu os olhos de Dianna de lágrimas. Doía-lhe que ele não a reconhecesse.
              

- David, sou eu, não me reconhece?

- Não... Você não é minha Dianna.

                     

                       Após dizer isso, David rendeu-se aos ferimentos e a febre.


- Não! Não! David, por favor, não me deixe... Não me deixe, eu imploro! – Dianna começou a chorar e a gritar, em desespero.

                         

                    Aquilo não podia ser real... Abriu os olhos.



- Dianna, o que houve? – indagou Emma, olhando assustada para ela. – O que sonhou?

- Oh, Emma, a coisa mais horrível que poderia me acontecer.

- O quê, exatamente? – quis saber Alice.

- Que vi David morrer, Alice. Eu o vi agonizar e delirar, e por fim... Ah, meu Deus... – Dianna chorou copiosamente.

                         
                     Emma e Alice olhavam para a amiga, sem saber o que fazer para acalmá-la. Erin sentou-se ao lado da prima na cama e a abraçou.


- Foi só um pesadelo, Dianna, nada além disso.

- Foi tão real, Erin! E... E se for um sinal de que ele não voltará vivo?

- Eu não creio que seja o caso, prima.

- Eu realmente desejo que não seja. Mas se for... Eu não vou suportar, não vou! Perder meu David e ainda me casar com Lord Tork... Preferirei me juntar ao meu amor.

- Não diga uma coisa dessas! Ele vai voltar vivo e sagrado cavaleiro, você vai ver. – Erin limpou as lágrimas do rosto de Dianna com seu lenço.

- Deus te ouça. Ah, como eu queria ter sonhado com uma coisa boa, como você sonhou, Erin!

- Uma coisa boa, sim. Contudo, duvido que aquele cavaleiro do meu sonho seja real. – a prima de Dianna disse tristemente.

- Já eu acredito que sim, ele é. – Dianna sorriu para a prima. – Eu o imagino parecido com Lord Tork.

- Parecido com seu noivo?

- Sim, sim. A descrição que fez dele me remete à imagem de Lord Tork.

- Se for assim, Lord Tork é... Perfeito! – Erin não reprimiu um suspiro. – Como você pode não amar um homem como ele, Dianna?

- Oh, pois... Pois David é perfeito para mim, prima. Emma o conheceu, ele não é mesmo maravilhoso, Emma?

- Demasiadamente baixo, mas sem dúvida um belo rapaz. – Emma respondeu.

- Dianna pode ficar com esse pequeno escudeiro, prefiro um guerreiro de nobre porte... Como Lord Michael Nesmith. – disse Alice, sorrindo ao lembrar-se do amado.

- É triste que tenhamos que viver assim, apaixonadas por um jovem e prometidas a outro. – disse Emma.

- Sim... Eu gostaria de ao menos saber como é o meu noivo. – disse Alice. – Isso não mudaria em nada o fato de que é com Michael que desejo me casar, mas mesmo assim...



(Amber’s POV)

                  


                No feudo governado por Lord Tork, em uma sala secreta do castelo onde vivia, estava uma jovem nobre chamada Amber Henderson. Naquele cômodo oculto, ela realizava suas magias. A última praticada havia sido manipular o inconsciente de Lady Dianna Mackenzie, a fim de fazê-la ter um pesadelo com a morte de seu amado, o escudeiro David Jones.
                  Poucos meses antes, Amber, que frequentava os bailes no Forte Tork, havia conhecido o belo jovem e se apaixonado por ele. Revelou seus sentimentos a ele, e foi rejeitada. David não tinha simpatia alguma por Amber.
                    E agora o rapaz estava apaixonado por Lady Dianna. Amber havia ido à reunião para os preparativos de guerra no Forte Mackenzie, acompanhando o pai. Na noite anterior à partida das tropas, viu David beijar a filha de Lord Mackenzie.
                   Com o coração repleto de ódio, Amber decidiu que tornaria a vida de Lady Dianna um inferno. Começaria torturando-a com pesadelos. Por ora, os pesadelos mostrariam cenas falsas. A bruxa cogitava seriamente infligir verdadeiro sofrimento a David, e mostrar esse sofrimento nos sonhos de sua amada.


- Talvez eu também devesse manipular os sonhos de David... Isso seria tão divertido! – a jovem feiticeira deu um sorriso cruel. – Sim, sim, é uma boa ideia.

                        
                       Recitou algumas palavras mágicas. Criou um pesadelo que certamente faria o rapaz sofrer muito: Dianna dizendo-lhe que não o amava mais, mas sim Lord Tork.



- O que acha disso, meu querido David? – disse ela, pondo uma grande ironia na palavra “querido”. – A sua lady, por quem você decidiu guerrear, dizendo-lhe que agora ela não o quer mais, e sim o noivo? Que pena... – Amber divertia-se em causar dor ao casal proibido.

                        
                      Murmurando mais algumas palavras mágicas, colocou o pesadelo no inconsciente de David. A jovem bruxa sentou-se diante de uma bola de cristal para observar o resultado de sua feitiçaria.

                       Viu o rosto do jovem, antes sereno, assumir uma expressão de muita tristeza, e ele até mesmo derramou algumas lágrimas. Aparentemente, o sofrimento foi tanto que fez David abrir os olhos, se levantar e ir em direção a Lord Tork, carregando a espada do amo.


- Levante-se, Lord Tork! – exclamou ele, parecendo irado.

- O que houve, David? – perguntou Lord Tork, despertando. Por conseguinte, os demais soldados da tropa também despertaram. – O que está fazendo com minha espada?

- Lord Tork, eu amo sua noiva.

                                 

                          Por aquilo o jovem lorde realmente não esperava!


- O quê? – esbravejou ele, ciúme, surpresa e sentimento de traição transparecendo em seu tom. – Maldito! Pensei que fosse meu amigo! Que pudesse confiar em você!

- Fui seu amigo até me apaixonar por ela.

- Pode até estar apaixonado, mas ela não será sua! Lady Dianna será minha esposa!

- Não se eu puder evitar. Estou nesta guerra por Dianna, e somente por Dianna! Espero ser sagrado cavaleiro e assim me casar com ela!

- E o que garante que ela escolherá você?

- Ela me ama, Lord Tork!

                                 

                          Naquele momento, o ciúme de Lord Tork ficou ainda maior. E sentiu-se duplamente traído.


- Eu te odeio, Jones! Não posso crer que um dia te chamei de amigo!

- Tome sua espada. – David jogou a espada para Lord Tork. – Que o melhor fique com ela!

- É claro... E o melhor sou eu! – disse Lord Tork.

                                 

                          Os dois contendores começaram-se a entrechocar suas espadas. Amber estava deliciada com aquilo. Se David morresse, faria questão de mostrar aquilo nos sonhos de Lady Dianna, e assistiria à moça enlouquecer de tanta dor.




(Peter’s POV)


                             Lord Tork não podia crer que havia sido traído por duas pessoas que lhe eram tão caras: seu melhor amigo e escudeiro e sua noiva. Doía-lhe demais que Lady Dianna, que ele tanto amava, não correspondesse ao seu sentimento. Deveria ter notado o olhar que ela dirigia a David na noite do baile em seu castelo...
                            A dor e a raiva eram suficientes para fazê-lo erguer a espada contra aquele que era seu mais fiel companheiro desde a infância.  Mesmo sabendo que aquilo lhe causaria mais dor, o jovem lorde desejava vingar a traição. Nada faria contra Lady Dianna, torná-la-ia sua esposa como se nada houvesse acontecido. Contudo, puniria David. Nem que isso implicasse feri-lo gravemente.
                           As espadas dos dois guerreiros se chocavam com grande estrépito. Ambos eram habilidosos espadachins, e não davam brecha para o adversário. Lord Michael Nesmith e Lord Michael Dolenz estavam preocupados como aquilo iria terminar, e apartaram seus dois amigos.


- Deixe-me acabar com esse traidor! – rugiu Lord Tork para Lord Michael Dolenz.

- Você não teria coragem nem mesmo de ferir seu melhor amigo, Peter! – respondeu ele.

- Somos qualquer coisa, exceto melhores amigos! – gritou David.

- Não acredito que estejam dispostos a dar fim a uma amizade de vinte anos por uma mulher! – repreendeu-lhes Lord Michael Nesmith.

- Dianna não é uma mulher qualquer! – os dois contendores exclamaram em uníssono.

- Sabemos disso. – disse Lord Michael Dolenz. – Mas aceite, Peter, ela ama David.

- Não anularei o compromisso! Desposá-la-ei e ninguém me impedirá! Muito menos ele!

- Não irei permitir que se case com ela, Lord Tork! Serei sagrado cavaleiro e pedirei a mão dela em casamento a Lord Mackenzie!

- Está bem, está bem, David, mas venha cá, sossegue. – disse Lord Michael Nesmith levando o amigo escudeiro à sua tenda, onde ofereceria um copo de vinho.

- Eu vou matá-lo, Michael, eu vou! – Lord Tork resmungou para Lord Michael Dolenz.

- Acho que você precisa dormir, Peter. – disse Lord Michael Dolenz, entrando em sua tenda.

                        

                            Lord Tork encaminhou-se para a sua. Sentia-se traído, ultrajado... E indesejado.



- Oh, Lady Dianna, eu te amo tanto... E eu pensava que aqueles sonhos indicavam que me amasse também...

                             
                           Havia algum tempo que Lord Tork vinha sonhando com uma bela moça, de aparência nobre, que só podia ser Lady Dianna. No primeiro sonho, ele a salvou de um ladrão. Desde então, sonhava que a observava escondido, e que ela, ao notar seu olhar, dava-lhe um lindo sorriso. Faltava ter coragem de dizer-lhe seu nome, e confirmar que ela era Lady Dianna.
                           Deitou-se em sua cama de campanha. E logo adormeceu.

                          Caminhava pelo bosque, quando ouviu um leve ruído, que lhe pareceu ser o farfalhar da barra de um vestido. Seguiu na direção de onde vinha o farfalhar. E a viu. A bela moça, colhendo flores e trançando-as para formar uma coroa. Timidamente, aproximou-se. Chamou-a suavemente:



- Milady.

- Ah, milorde! – ela sorriu docemente para ele. – Estava me perguntando se iria vê-lo hoje.

                           
                           Ao olhar para ela atentamente, Peter notou que havia cometido um grande engano durante todo aquele tempo. Ela lembrava muito Lady Dianna, mas seus cabelos eram castanhos, não loiros. Então era por ela que estava apaixonado, e não por sua noiva! E havia se deixado contaminar pelo ódio ao amigo!


- Milady, qual é o seu nome?

- Meu nome... Oh, eu não deveria dizer meu nome a um estranho!

- Somos qualquer coisa, menos estranhos, milady. – Lord Tork sorriu para ela.

- Bem... Meu nome é Erin. – disse ela.

- Lindo nome. Eu sou Peter. – ele beijou a mão dela.

- Prefere que eu o chame de Peter ou de milorde? Pode me chamar de Erin se assim quiser.

- Prefiro que me chame de Peter, Erin.

- Está bem... Peter. – ela sorriu.

- Devo dizer que você é a mais bela mulher que já vi em minha vida!

- Oh, obrigada. – ela corou. – Você também é um belo rapaz.

- Erin, acredita em amor à primeira vista? Pois foi o que houve comigo assim que a vi.

- Oh, Peter... – ela ficou ainda mais corada.

                      

                          Lord Tork aproximou seu rosto do da moça, e beijou-a com ardor e paixão.



- Estou louco por você, Erin. Seja minha esposa, por favor. Sei que já é uma lady, mas farei de tudo para que não viva como lady, mas sim como princesa!

- Não preciso de luxo nenhum, Peter. Apenas você me basta.

                         

                     O rapaz acordou. Lamentou-se profundamente. Veio à sua mente um pensamento triste.


- Ela não deve ser real. É maravilhosa demais para existir. Acredito que apenas Lady Dianna consegue se equiparar a ela em beleza e personalidade. Contudo... Ela não me ama. Vou anular o noivado em favor de David, já que não é ela que meu coração deseja, e sim... Minha Erin.

                             


                      Saiu de sua tenda. Encaminhou-se para a de David e chamou-o.



- O que você quer? – esbravejou o pequeno escudeiro do interior da tenda.

- Pedir perdão por ontem à noite.

                             
                         David apareceu na entrada da tenda.



- Perdão?

- Sim. É um pouco complicado de explicar, na primeira oportunidade esclarecerei tudo. O que importa é que me dei conta de que não amo Lady Dianna.

                              

                            O escudeiro arregalou os olhos.



- Como assim?

- Não sei como explicar, não tenho palavras para isso agora. Mas anuncio que anulo meu noivado com ela.  Ela é sua. Boa sorte quando for pedir a mão dela a Lord Mackenzie.

                                   
                            David abriu um grande sorriso. Era tudo o que ele mais queria.



- Obrigado, milorde! É de fato meu melhor amigo! Peço perdão pelo que disse ontem.

- Eu o perdoo.

                                  
                              Os dois amigos se abraçaram.




(Louise’s POV)

                              
                             Os menestréis e o Monty Python, agora acompanhados de Louise, haviam chegado a um novo vilarejo. Prepararam o palquinho para sua apresentação. A nova garota era, ao mesmo tempo, uma menestrel, pois cantava muito bem e havia pedido a Alana que a ensinasse a tocar alaúde, e uma jogral, pois sabia ser engraçada.

                              Aquele dia era o aniversário de Michael Palin, e os menestréis e o restante dos Pythons haviam decidido apresentar uma música feita em homenagem a ele, a melodia composta pelos menestréis e a letra pelos companheiros jograis de Palin.
                               A letra era a seguinte:



Perambulando pelas planícies e vilas do Sul
Há um formidável jogral
Que provoca risadas ouvidas pelos anjos

Lá na imensidão azul.
Faz gracejos de forma tão natural
Que não acredita em piadas fruto de arranjos.

Michael Palin é seu nome.
Um dia quis declarar seu amor a certa dama
E lá foi ele ao castelo.

Tomando coragem enorme
Falou a ela de sua fama
Mas ela o botou para correr como um cavalo murzelo!


                   
                               Apresentaram a música, arrancando risadas e aplausos da plateia. O trecho final contava a desventura do amor de Palin por Lady Alice Stone. Entretanto, o jogral já a havia esquecido. Havia certo tempo que estava interessado em Joanna Martin, governanta do Forte Townshend, a quem havia sido apresentado por Alana.
                              Após essa música, os menestréis iriam se apresentar sozinhos, tocando uma cantiga composta por Louise e Alana, e que as duas cantariam.



Uma jovem criada
Costurava as roupas do senhor do castelo
Timidamente cantarolando,

Quando perdeu o fio da meada,
Pois viu um rapaz muito belo.
O filho dele, que ela estava amando.

Sabia que estava alimentando uma ilusão,
Que ele, tão garboso,
Nunca a notaria.

Era tão grande a paixão
E o jovem lorde tão orgulhoso
Que naquela noite ela fugiria...


                       
                         A música falava do passado amor de Alana por Lord Townshend. Entretanto, Louise sabia bem que aquele sentimento não era passado coisíssima nenhuma. A menestrel ainda guardava o sentimento em seu coração, por mais que tentasse negar isso com todas as forças.
                         Enquanto cantava em dueto com Alana, Louise viu um grupo de guerreiros que passava apear dos cavalos e observar os artistas. Notou, pelas vestimentas e armamentos, que eram germânicos. Havia visto alguns certa vez de passagem pelo feudo de seu pai.
                        Louise fazia de tudo para não se lembrar dos tempos de sua vida nobre. Ela havia sido infeliz, pois seus pais queriam obrigá-la a se casar com Sir Geoffrey Beck, que ela não amava. Se um dia fosse se casar, ela desejava que fosse com alguém de sua escolha.
                           Quando terminaram, um dos guerreiros se aproximou do pequeno palco, olhando encantado para ela. Louise sentiu seu rosto ficar quente.



- Qual sua nome, lindo moça? – perguntou ele num inglês deplorável.

- L-Louise. – respondeu ela. Era um belo rapaz, aquele. Forte, atraente... E lembrava um pouco um urso.

- Eu ser Gerhard Müller. – disse ele.

- P-Prazer. – Louise sorriu timidamente. Se um homem como aquele a cortejasse e pedisse sua mão ao seu pai, ela não hesitaria em casar-se com ele...











                                   

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