(Dianna’s
POV)
Dianna andava por um acampamento de soldados. Ela não sabia exatamente
o que fazia ali, contudo, não estava com medo ou preocupação alguma. Sentiu-se
impelida a entrar em uma certa tenda. Ao entrar, viu uma cama, sobre a qual
estava deitado um guerreiro, com feridas horríveis. Dianna aproximou-se um
pouco mais... E viu algo que a aterrorizou.
- David! – ela exclamou, correndo
para o leito de seu amado.
- Dianna... – ele murmurava.
- Eu estou aqui, meu amor, estou
aqui. – Dianna beijou a testa de David. Quente. O escudeiro ardia em febre.
- Não... Você não pode ser Dianna.
Ela está muito, muito longe daqui.
Mesmo sabendo que o amado
estava delirando, aquilo encheu os olhos de Dianna de lágrimas. Doía-lhe que
ele não a reconhecesse.
- David, sou eu, não me reconhece?
- Não... Você não é minha Dianna.
Após dizer isso, David
rendeu-se aos ferimentos e a febre.
- Não! Não! David, por favor, não me
deixe... Não me deixe, eu imploro! – Dianna começou a chorar e a gritar, em
desespero.
Aquilo
não podia ser real... Abriu os olhos.
- Dianna, o
que houve? – indagou Emma, olhando assustada para ela. – O que sonhou?
- Oh, Emma,
a coisa mais horrível que poderia me acontecer.
- O quê,
exatamente? – quis saber Alice.
- Que vi David
morrer, Alice. Eu o vi agonizar e delirar, e por fim... Ah, meu Deus... –
Dianna chorou copiosamente.
Emma e Alice olhavam
para a amiga, sem saber o que fazer para acalmá-la. Erin sentou-se ao lado da
prima na cama e a abraçou.
- Foi só um
pesadelo, Dianna, nada além disso.
- Foi tão
real, Erin! E... E se for um sinal de que ele não voltará vivo?
- Eu não
creio que seja o caso, prima.
- Eu
realmente desejo que não seja. Mas se for... Eu não vou suportar, não vou!
Perder meu David e ainda me casar com Lord Tork... Preferirei me juntar ao meu
amor.
- Não diga
uma coisa dessas! Ele vai voltar vivo e sagrado cavaleiro, você vai ver. – Erin
limpou as lágrimas do rosto de Dianna com seu lenço.
- Deus te
ouça. Ah, como eu queria ter sonhado com uma coisa boa, como você sonhou, Erin!
- Uma coisa
boa, sim. Contudo, duvido que aquele cavaleiro do meu sonho seja real. – a
prima de Dianna disse tristemente.
- Já eu
acredito que sim, ele é. – Dianna sorriu para a prima. – Eu o imagino parecido
com Lord Tork.
- Parecido
com seu noivo?
- Sim, sim.
A descrição que fez dele me remete à imagem de Lord Tork.
- Se for
assim, Lord Tork é... Perfeito! – Erin não reprimiu um suspiro. – Como você
pode não amar um homem como ele, Dianna?
- Oh,
pois... Pois David é perfeito para mim, prima. Emma o conheceu, ele não é mesmo
maravilhoso, Emma?
-
Demasiadamente baixo, mas sem dúvida um belo rapaz. – Emma respondeu.
- Dianna
pode ficar com esse pequeno escudeiro, prefiro um guerreiro de nobre porte...
Como Lord Michael Nesmith. – disse Alice, sorrindo ao lembrar-se do amado.
- É triste
que tenhamos que viver assim, apaixonadas por um jovem e prometidas a outro. –
disse Emma.
- Sim... Eu
gostaria de ao menos saber como é o meu noivo. – disse Alice. – Isso não
mudaria em nada o fato de que é com Michael que desejo me casar, mas mesmo
assim...
(Amber’s
POV)
No feudo governado por Lord
Tork, em uma sala secreta do castelo onde vivia, estava uma jovem nobre chamada
Amber Henderson. Naquele cômodo oculto, ela realizava suas magias. A última
praticada havia sido manipular o inconsciente de Lady Dianna Mackenzie, a fim
de fazê-la ter um pesadelo com a morte de seu amado, o escudeiro David Jones.
Poucos meses antes, Amber,
que frequentava os bailes no Forte Tork, havia conhecido o belo jovem e se
apaixonado por ele. Revelou seus sentimentos a ele, e foi rejeitada. David não
tinha simpatia alguma por Amber.
E agora o rapaz estava
apaixonado por Lady Dianna. Amber havia ido à reunião para os preparativos de
guerra no Forte Mackenzie, acompanhando o pai. Na noite anterior à partida das
tropas, viu David beijar a filha de Lord Mackenzie.
Com o coração repleto de
ódio, Amber decidiu que tornaria a vida de Lady Dianna um inferno. Começaria
torturando-a com pesadelos. Por ora, os pesadelos mostrariam cenas falsas. A
bruxa cogitava seriamente infligir verdadeiro sofrimento a David, e mostrar
esse sofrimento nos sonhos de sua amada.
- Talvez eu
também devesse manipular os sonhos de David... Isso seria tão divertido! – a
jovem feiticeira deu um sorriso cruel. – Sim, sim, é uma boa ideia.
Recitou algumas
palavras mágicas. Criou um pesadelo que certamente faria o rapaz sofrer muito:
Dianna dizendo-lhe que não o amava mais, mas sim Lord Tork.
- O que acha
disso, meu querido David? – disse ela, pondo uma grande ironia na palavra
“querido”. – A sua lady, por quem você decidiu guerrear, dizendo-lhe que agora
ela não o quer mais, e sim o noivo? Que pena... – Amber divertia-se em causar
dor ao casal proibido.
Murmurando mais
algumas palavras mágicas, colocou o pesadelo no inconsciente de David. A jovem
bruxa sentou-se diante de uma bola de cristal para observar o resultado de sua
feitiçaria.
Viu o rosto
do jovem, antes sereno, assumir uma expressão de muita tristeza, e ele até
mesmo derramou algumas lágrimas. Aparentemente, o sofrimento foi tanto que fez
David abrir os olhos, se levantar e ir em direção a Lord Tork, carregando a
espada do amo.
- Levante-se, Lord Tork! – exclamou
ele, parecendo irado.
- O que houve, David? – perguntou
Lord Tork, despertando. Por conseguinte, os demais soldados da tropa também
despertaram. – O que está fazendo com minha espada?
- Lord Tork, eu amo sua noiva.
Por aquilo o
jovem lorde realmente não esperava!
- O quê? – esbravejou ele, ciúme,
surpresa e sentimento de traição transparecendo em seu tom. – Maldito! Pensei
que fosse meu amigo! Que pudesse confiar em você!
- Fui seu amigo até me apaixonar por
ela.
- Pode até estar apaixonado, mas ela
não será sua! Lady Dianna será minha esposa!
- Não se eu puder evitar. Estou nesta
guerra por Dianna, e somente por Dianna! Espero ser sagrado cavaleiro e assim
me casar com ela!
- E o que garante que ela escolherá
você?
- Ela me ama, Lord Tork!
Naquele
momento, o ciúme de Lord Tork ficou ainda maior. E sentiu-se duplamente traído.
- Eu te odeio, Jones! Não posso crer
que um dia te chamei de amigo!
- Tome sua espada. – David jogou a
espada para Lord Tork. – Que o melhor fique com ela!
- É claro... E o melhor sou eu! –
disse Lord Tork.
Os dois contendores começaram-se a
entrechocar suas espadas. Amber estava deliciada com aquilo. Se David morresse,
faria questão de mostrar aquilo nos sonhos de Lady Dianna, e assistiria à moça
enlouquecer de tanta dor.
(Peter’s
POV)
Lord Tork não podia crer que havia sido traído
por duas pessoas que lhe eram tão caras: seu melhor amigo e escudeiro e sua
noiva. Doía-lhe demais que Lady Dianna, que ele tanto amava, não correspondesse
ao seu sentimento. Deveria ter notado o olhar que ela dirigia a David na noite
do baile em seu castelo...
A dor e a raiva eram
suficientes para fazê-lo erguer a espada contra aquele que era seu mais fiel
companheiro desde a infância. Mesmo
sabendo que aquilo lhe causaria mais dor, o jovem lorde desejava vingar a
traição. Nada faria contra Lady Dianna, torná-la-ia sua esposa como se nada
houvesse acontecido. Contudo, puniria David. Nem que isso implicasse feri-lo
gravemente.
As espadas dos dois
guerreiros se chocavam com grande estrépito. Ambos eram habilidosos
espadachins, e não davam brecha para o adversário. Lord Michael Nesmith e Lord
Michael Dolenz estavam preocupados como aquilo iria terminar, e apartaram seus
dois amigos.
- Deixe-me acabar
com esse traidor! – rugiu Lord Tork para Lord Michael Dolenz.
- Você não
teria coragem nem mesmo de ferir seu melhor amigo, Peter! – respondeu ele.
- Somos
qualquer coisa, exceto melhores amigos! – gritou David.
- Não
acredito que estejam dispostos a dar fim a uma amizade de vinte anos por uma
mulher! – repreendeu-lhes Lord Michael Nesmith.
- Dianna não
é uma mulher qualquer! – os dois contendores exclamaram em uníssono.
- Sabemos
disso. – disse Lord Michael Dolenz. – Mas aceite, Peter, ela ama David.
- Não
anularei o compromisso! Desposá-la-ei e ninguém me impedirá! Muito menos ele!
- Não irei
permitir que se case com ela, Lord Tork! Serei sagrado cavaleiro e pedirei a
mão dela em casamento a Lord Mackenzie!
- Está bem,
está bem, David, mas venha cá, sossegue. – disse Lord Michael Nesmith levando o
amigo escudeiro à sua tenda, onde ofereceria um copo de vinho.
- Eu vou
matá-lo, Michael, eu vou! – Lord Tork resmungou para Lord Michael Dolenz.
- Acho que
você precisa dormir, Peter. – disse Lord Michael Dolenz, entrando em sua tenda.
Lord Tork encaminhou-se
para a sua. Sentia-se traído, ultrajado... E indesejado.
- Oh, Lady
Dianna, eu te amo tanto... E eu pensava que aqueles sonhos indicavam que me
amasse também...
Havia algum tempo
que Lord Tork vinha sonhando com uma bela moça, de aparência nobre, que só
podia ser Lady Dianna. No primeiro sonho, ele a salvou de um ladrão. Desde
então, sonhava que a observava escondido, e que ela, ao notar seu olhar,
dava-lhe um lindo sorriso. Faltava ter coragem de dizer-lhe seu nome, e
confirmar que ela era Lady Dianna.
Deitou-se em sua
cama de campanha. E logo adormeceu.
Caminhava
pelo bosque, quando ouviu um leve ruído, que lhe pareceu ser o farfalhar da
barra de um vestido. Seguiu na direção de onde vinha o farfalhar. E a viu. A
bela moça, colhendo flores e trançando-as para formar uma coroa. Timidamente,
aproximou-se. Chamou-a suavemente:
- Milady.
- Ah, milorde! – ela sorriu docemente
para ele. – Estava me perguntando se iria vê-lo hoje.
Ao olhar para ela
atentamente, Peter notou que havia cometido um grande engano durante todo
aquele tempo. Ela lembrava muito Lady Dianna, mas seus cabelos eram castanhos,
não loiros. Então era por ela que estava apaixonado, e não por sua noiva! E
havia se deixado contaminar pelo ódio ao amigo!
- Milady, qual é o seu nome?
- Meu nome... Oh, eu não deveria
dizer meu nome a um estranho!
- Somos qualquer coisa, menos
estranhos, milady. – Lord Tork sorriu para ela.
- Bem... Meu nome é Erin. – disse
ela.
- Lindo nome. Eu sou Peter. – ele
beijou a mão dela.
- Prefere que eu o chame de Peter ou
de milorde? Pode me chamar de Erin se assim quiser.
- Prefiro que me chame de Peter,
Erin.
- Está bem... Peter. – ela sorriu.
- Devo dizer que você é a mais bela
mulher que já vi em minha vida!
- Oh, obrigada. – ela corou. – Você
também é um belo rapaz.
- Erin, acredita em amor à primeira vista?
Pois foi o que houve comigo assim que a vi.
- Oh, Peter... – ela ficou ainda mais
corada.
Lord Tork aproximou seu
rosto do da moça, e beijou-a com ardor e paixão.
- Estou louco por você, Erin. Seja
minha esposa, por favor. Sei que já é uma lady, mas farei de tudo para que não
viva como lady, mas sim como princesa!
- Não preciso de luxo nenhum, Peter.
Apenas você me basta.
O rapaz acordou. Lamentou-se profundamente.
Veio à sua mente um pensamento triste.
- Ela não
deve ser real. É maravilhosa demais para existir. Acredito que apenas Lady
Dianna consegue se equiparar a ela em beleza e personalidade. Contudo... Ela
não me ama. Vou anular o noivado em favor de David, já que não é ela que meu
coração deseja, e sim... Minha Erin.
Saiu de sua tenda.
Encaminhou-se para a de David e chamou-o.
- O que você
quer? – esbravejou o pequeno escudeiro do interior da tenda.
- Pedir
perdão por ontem à noite.
David apareceu na entrada da tenda.
- Perdão?
- Sim. É um
pouco complicado de explicar, na primeira oportunidade esclarecerei tudo. O que
importa é que me dei conta de que não amo Lady Dianna.
O escudeiro
arregalou os olhos.
- Como
assim?
- Não sei
como explicar, não tenho palavras para isso agora. Mas anuncio que anulo meu
noivado com ela. Ela é sua. Boa sorte
quando for pedir a mão dela a Lord Mackenzie.
David abriu
um grande sorriso. Era tudo o que ele mais queria.
- Obrigado,
milorde! É de fato meu melhor amigo! Peço perdão pelo que disse ontem.
- Eu o
perdoo.
Os dois
amigos se abraçaram.
(Louise’s
POV)
Os menestréis e o Monty Python, agora
acompanhados de Louise, haviam chegado a um novo vilarejo. Prepararam o
palquinho para sua apresentação. A nova garota era, ao mesmo tempo, uma
menestrel, pois cantava muito bem e havia pedido a Alana que a ensinasse a
tocar alaúde, e uma jogral, pois sabia ser engraçada.
Aquele dia era o
aniversário de Michael Palin, e os menestréis e o restante dos Pythons haviam
decidido apresentar uma música feita em homenagem a ele, a melodia composta
pelos menestréis e a letra pelos companheiros jograis de Palin.
Perambulando pelas
planícies e vilas do Sul
Há um formidável jogral
Que provoca risadas
ouvidas pelos anjos
Lá na imensidão azul.
Faz gracejos de forma
tão natural
Que não acredita em
piadas fruto de arranjos.
Michael Palin é seu
nome.
Um dia quis declarar
seu amor a certa dama
E lá foi ele ao
castelo.
Tomando coragem enorme
Falou a ela de sua fama
Mas ela o botou para
correr como um cavalo murzelo!
Apresentaram a música,
arrancando risadas e aplausos da plateia. O trecho final contava a desventura
do amor de Palin por Lady Alice Stone. Entretanto, o jogral já a havia
esquecido. Havia certo tempo que estava interessado em Joanna Martin,
governanta do Forte Townshend, a quem havia sido apresentado por Alana.
Após essa música, os
menestréis iriam se apresentar sozinhos, tocando uma cantiga composta por
Louise e Alana, e que as duas cantariam.
Uma jovem criada
Costurava as roupas do
senhor do castelo
Timidamente
cantarolando,
Quando perdeu o fio da
meada,
Pois viu um rapaz muito
belo.
O filho dele, que ela
estava amando.
Sabia que estava
alimentando uma ilusão,
Que ele, tão garboso,
Nunca a notaria.
Era tão grande a paixão
E o jovem lorde tão
orgulhoso
Que naquela noite ela
fugiria...
A música falava do
passado amor de Alana por Lord Townshend. Entretanto, Louise sabia bem que
aquele sentimento não era passado coisíssima nenhuma. A menestrel ainda
guardava o sentimento em seu coração, por mais que tentasse negar isso com
todas as forças.
Enquanto cantava em
dueto com Alana, Louise viu um grupo de guerreiros que passava apear dos cavalos
e observar os artistas. Notou, pelas vestimentas e armamentos, que eram
germânicos. Havia visto alguns certa vez de passagem pelo feudo de seu pai.
Louise fazia de tudo
para não se lembrar dos tempos de sua vida nobre. Ela havia sido infeliz, pois
seus pais queriam obrigá-la a se casar com Sir Geoffrey Beck, que ela não
amava. Se um dia fosse se casar, ela desejava que fosse com alguém de sua
escolha.
Quando terminaram,
um dos guerreiros se aproximou do pequeno palco, olhando encantado para ela.
Louise sentiu seu rosto ficar quente.
- Qual sua
nome, lindo moça? – perguntou ele num inglês deplorável.
- L-Louise.
– respondeu ela. Era um belo rapaz, aquele. Forte, atraente... E lembrava um
pouco um urso.
- Eu ser
Gerhard Müller. – disse ele.
- P-Prazer.
– Louise sorriu timidamente. Se um homem como aquele a cortejasse e pedisse sua
mão ao seu pai, ela não hesitaria em casar-se com ele...
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