Às vezes, se apaixonar pelo cara errado pode dar certo. Foi o que aconteceu comigo. Meu nome é Elinor Fitzwilliam. Meu melhor amigo é Jimmy Page. Eu o conheço há muito tempo, desde que éramos pré-adolescentes em Epsom.
Quando ele foi para Londres, para ganhar a vida com seu talento como guitarrista, eu estava estudando em Cambridge. Assim que me formei, corri para lá também. Em Londres, todos os jovens ingleses ligados à arte de alguma forma podem realizar seus sonhos e mostrar seus talentos.
Eu sou escritora. Gosto, sobretudo, de fazer poesia. Jimmy até mesmo já criou melodias para alguns de meus poemas. Quando cheguei à capital, comprei um apartamento próximo ao dele. E logo fiquei amiga de Vicky, sua namorada. Os dois combinam muito.
Um dia, Jimmy disse que a banda em que tocava, os Yardbirds, havia se desfeito, e que ele estava montando uma nova banda, os New Yardbirds.
– Tomara que dê certo. - ele disse, num tom quase desesperançado.
– Claro que vai dar certo, Jimmy! Por que não daria? Você é ótimo, e sei que os caras que você chamou também.
– Você sempre sabe me animar, Elinor.
– Talvez por que eu conheço você desde pré-adolescente?
– Acho que é por isso, sim. - Jimmy deu um de seus pequenos sorrisos.
Ah, Jimmy. Confesso que durante a nossa adolescência considerei seriamente namorá-lo. Contudo, depois que fui para Cambridge, percebi que não seria uma boa ideia. Jimmy sempre gostou de se envolver com muitas garotas. Custou-me acreditar que ele estava envolvido com uma única garota quando fui apresentada a Vicky.
E, na universidade, um garoto que cursava Arquitetura, chamado Tommy, insistiu tanto que eu saí com ele uma única vez. Ele me deu um beijo, o primeiro de minha vida. Em meus desvarios adolescentes, eu esperava que tal beijo viesse de Jimmy.
Depois disso, percebi que a vida não é nenhum conto de fadas. Afinal, eu não recebi meu primeiro beijo de meu "príncipe encantado". Continuei amando Jimmy, porém como irmão. E só superei tudo de fato quando soube que ele estava com Vicky.
Algumas semanas depois, Vicky foi à minha casa dizendo que os rapazes escolhidos por Jimmy para formar com ele os New Yardbirds estavam no apartamento dele, e que ele iria fazer as apresentações.
O primeiro que me foi apresentado foi o baixista John Paul Jones, Jonesy para os íntimos. Seu verdadeiro nome era John Baldwin. Ele tinha um jeito engraçadinho, e era até bonitinho.
O próximo foi John Bonham, ou Bonzo, que tocava bateria. O cara parecia ter meia dúzia de parafusos a menos, mas Jimmy garantiu que ele era um baterista monstruoso.
O melhor ficou para o final. Robert Plant, futuro vocalista dos New Yardbirds. Ele era lindo! Louro, com olhos claros e uma voz incrível. Durante todo o tempo em que os três ficaram na casa de Jimmy, não tirei os olhos de Robert.
Depois que Jonesy, Bonzo e Robert foram embora, Jimmy perguntou:
– Gostou do Robert, Elinor?
– Ah, bem, ele parece simpático.
– Elinor! Você sabe muito bem que não é disso que estou falando.
– Do que mais você poderia estar falando, Jimmy?
– Jimmy quer saber se você achou o Robert bonito, Elinor. - Vicky falou, rindo muito.
– Eu entendi, Vicky, mas acontece que seu namorado está pensando em algo que não tem cabimento.
– Elinor, Elinor, eu te conheço como a palma da minha mão. - disse Jimmy, apoiando seu braço em meus ombros de forma amigável. - Você gostou dele. Eu sei que sim. Mas, minha cara amiga, você tem que ter cuidado. Robert é pior do que eu era antes de conhecer Vicky. - ele apoiou seu outro braço nos ombros da namorada.
– Quem disse que eu quero me envolver com ele, James Patrick? - ri.
– Ninguém disse. Mas eu sei.
– Jimmy...
– Eu vou te ajudar. Mas, se você quebrar a cara, aviso não faltou.
– Valeu pelo incentivo, cara. - falei, irônica. Jimmy apenas riu.
O bom e velho Jimmy nunca erra quando se trata de mim. Era óbvio que eu tinha gostado do Robert. Era óbvio que queria tentar algo com ele.
Talvez Robert tivesse me atraído porque seu jeito de ser me lembrava um pouco Keith Richards, dos Rolling Stones. Eu fui apaixonada por ele durante alguns dos meus primeiros meses em Londres. Entretanto, desisti logo que vi que ele era mulherengo.
Sim, eu só me apaixono pelos caras errados. Primeiro foi Jimmy, que seria o ideal, se não fizesse coleção de conquistas. Em seguida veio Roger, que não era diferente.
E, pelo jeito, Robert era farinha do mesmo saco. Eu parecia destinada a sofrer eternamente com meus amores impossíveis. Minha confidente para estes assuntos do coração era Lydia, uma amiga que fiz em Cambridge.
Certo dia, ela me ligou, radiante:
– Ah, Elinor, estou tão feliz!
– Eu imagino que sim, pelo seu tom de voz... Por quê? Posso saber?
– Não só pode, como deve! Eu estou namorando...
– Que legal! E quem é o sortudo?
– Você vai me matar, amiga...
– Matar você? Não vai me dizer... Keith?
– Ele mesmo. Ah, me desculpe, Elinor, eu gosto tanto dele, ele parece gostar tanto de mim...
– O que é isso, Lydia? Estou tão feliz por vocês dois!
– É mesmo? Mas você estava tão apaixonada por ele...
– Exatamente, estava. Eu percebi que nós dois não daríamos certo juntos...
– E quem é o dono desse coraçãozinho agora? Jimmy outra vez?
– Não, nem mesmo se eu estivesse louca... Jimmy é praticamente meu irmão, e a namorada dele é muito legal. Ficamos bastante próximas...
– Entendo... Mas, e então? Não vai me dizer o nome do seu amado?
– Eu acho que se chama Robert... Robert Plant.
– Como assim, acha?
– Ah, Lydia, eu estou meio de olho nele, mas não sei dizer se estou mesmo apaixonada.
– Entendi... Mas tome cuidado, Elinor. Você sempre se decepciona com os seus amores. Desculpe, mas é a verdade.
– Eu sei, Lydia. Jimmy, Keith... Eu espero que Robert não seja mais um.
– "É preciso que eu suporte duas ou três lagartas se quiser conhecer as borboletas".
– Saint-Exupéry estava certíssimo. Mas chega de lagartas! Quero borboletas!
– Tenha paciência. O príncipe perfeito não bate à porta da noite para o dia...
– Eu sei! E já estou cansada de esperar por ele!
– Vale a pena esperar. Pelo menos, eu acho que sim.
– Você sabe que paciência não é uma das minhas qualidades...
– Sim, eu sei. E é por isso que você se decepciona. Sempre quer que o cara por quem você se interessa seja o certo. E, muitas vezes, pode não ser ele. Você tem que conhecer os caras com cuidado antes de criar expectativas.
– Então, o que devo fazer?
– Não fique pensando coisas do tipo "O Robert é incrível, maravilhoso, o amor da minha vida".
– Sim, entendo...

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