domingo, 22 de setembro de 2013

Our Love Was - Capítulo 2

Lynn também ficara animada por ter reencontrado Pete. Quando era adolescente, seu mundo virou de cabeça para baixo ao conhecer aquele garoto melancólico e complexo, com olhos azuis tão misteriosos. Queria saber o que havia por trás deles.
Mas ele era dois anos mais velho. Nunca teria interesse nela, a mocinha com cara de criança que ficava quieta no seu canto, lendo.
Pete fora tão atencioso com ela naquele dia... Sentia-se como pisando nas nuvens. Conversava sobre isso com suas amigas.
– O Roger é uma graça, tão pequenininho... - Belle ria.
– Gostei mais do Keith, ele é muito fofo. - Carol falou.
– Mas o mais bonito de todos é o John! - Alice comentou.
– E você, Lynn? - quis saber Belle. - De quem gosta mais?
– Ah, eu... - ela ficou sem jeito.
– Vamos adivinhar... - Carol começou. - Ele tem olhos azuis...
– É magrinho... - Alice continuou.
– E é narigudo. - Belle terminou.
– Bom, sim, eu gosto do Pete... É meio difícil não se sentir atraída por ele.
– Ele é mesmo muito bonito, apesar do nariz... - observou Carol. - Ele também gosta de você?
– Não sei... Acho que ele só me vê como amiga...
– Ah, com certeza não. - disse Alice. - Você não repara no jeito como ele sorri para você? É um sorriso apaixonado... E ele fica todo vermelhinho quando conversa com você.
– Nem tanto. Fazia três anos que eu não o via.
– Ah, que fofo, ele continuou apaixonado! - Carol disse.
– Vocês estão imaginando coisas... - Lynn passou a mão pelos cabelos pretos. - Acho que ele prefere loiras ou ruivas...
– Quem se importa com a cor dos cabelos quando se tem um rosto como o seu? - Belle argumentou. - Você é tão bonita, Lynn...
– Não, não sou, Belle... Mas gostaria de que Pete pensasse assim. - e perdeu-se em pensamentos.
Ela se lembrava como se tivesse acontecido um dia antes. Quando tinha 14 anos, liaOrgulho e preconceito, de Jane Austen, em seu quarto quando seu irmão, Michael, passou pelo corredor acompanhado de um amigo magro, alto e um pouco desengonçado, mas que encantou Lynn à primeira vista. Quando o rapaz lhe dirigiu um sorriso amistoso, a garota corou, deu um sorrisinho envergonhado e escondeu o rosto no livro.
E isso se repetiu todas as vezes em que Pete fora visitar a casa da família Stephens. Até que um dia, mais ou menos um ano após terem se conhecido, Pete ficou sozinho por alguns minutos na sala de estar com Lynn.
Eles estavam sentados no mesmo sofá, e Pete se aproximou um pouco. A garota começou a suar frio, pensando que finalmente seria beijada. E justamente por ele! Mas o nervosismo de Lynn tomou conta dela. Pediu desculpas a Pete e foi correndo para o quarto.
Depois de três anos voltaram a se encontrar. Talvez o universo conspirasse a favor dos dois. Mas será que a garota introvertida conseguiria desvendar os segredos do garoto melancólico?
Em casa, no dia seguinte, Lynn limpava seus livros quando um deles caiu aberto no chão. Uma foto estava dentro do livro. Pete, tão lindo. Na verdade, aquela era uma foto que o rapaz tirara juntamente com Michael. Lynn pegara a foto entre as coisas de seu irmão e rasgara-a ao meio, ficando com a metade de Pete para si.
Alisou a foto e fechou o livro. Leu o título na capa. Orgulho e preconceito. Era muito provável que ter encontrado a foto de seu amado dentro do livro que estava lendo quando o conheceu significasse algo.
Enquanto isso, Alice estava almoçando com John. Haviam se encontrado casualmente no restaurante, e decidiram fazer companhia um ao outro. John estava gostando dela. Alice era doce, meiga, bonita... Ele não se conteve:
– Alice, você pode não ser a do livro, mas também é uma maravilha!
A garota riu, um pouco tímida.
– Essa foi boa, Ox.
– Mas é verdade... Você é maravilhosa. - então ele se deteve por um momento. - Acho que falei demais...
– Você só fez uma piada inteligente... Nada de mais.
– Bom, sim... Estou muito ansioso para o lançamento do disco... - John tentou mudar de assunto.
– Eu imagino. Já pensaram no título?
– O Pete quer que se chame The Who Sings My Generation. Creio que se o Roger não se opuser este será o título definitivo.
– Como assim se o Roger não se opuser?
– Os dois se amam e se odeiam. Vivem brigando para ver quem manda no grupo.
– Não foi à toa que a Belle gostou do Roger... Ela gosta de caras briguentos. - Alice deu uma pequena risada.
– E você? Gosta de que tipo de caras?
– Ah, nunca pensei nisso....
– Desculpe a pergunta indiscreta, Alice.
– Tudo bem... - a estudante de História sorriu. Sentia em seu íntimo que o baixista a atraía.


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