O The Who foi convidado para uma festa, onde também estavam presentes os Beatles, os Hollies, os Zombies, os Animals, os Byrds, os Kinks, os Yardbirds, Bob Dylan, Peter & Gordon e, claro, os Rolling Stones.
Pete decidiu levar Lynn com ele. Nenhum dos dois desconfiava dos sentimentos de Keith Richards, que ficou abismado com a beleza da garota. Ela se vestia com simplicidade: um vestido roxo abaixo dos joelhos e sem mangas, sapatos de salto alto pretos, pouca maquiagem (apenas batom e rímel) e uma pulseira delicada de prata que Pete lhe dera de presente.
O guitarrista do The Who sabia que tinha uma beleza rara ao seu lado. Por isso, não saiu de perto dela o máximo de tempo que pôde. Porém, quando precisou desesperadamente ir ao banheiro, pediu a Roger que ficasse de olho em Lynn. O vocalista prometeu ao amigo que não a perderia de vista. No entanto, logo se distraiu, pois levou Belle para um canto, e começou a trocar beijos com a futura publicitária.
Lynn, então, ficou sozinha, pois suas três amigas estavam com seus respectivos pretendentes. Era a oportunidade perfeita para Richards. Ele escreveu num pequeno pedaço de papel: "Let's spend the night together. Ass.: Keith Richards".
Ele estava fazendo referência a uma canção dos Rolling Stones, que tinha esse nome. Lynn recebeu o papel e ficou apavorada ao lê-lo. Pete a mataria... E mataria Richards também. Rasgou o bilhete.
O guitarrista dos Stones esperou impacientemente por uma resposta, em vão. Então, foi até a mesa de Pete e Lynn.
– E então? O que acha da minha proposta? - ele perguntou à garota.
– Oh, Richards, me desculpe. Mas não sou uma groupie. Tenho um namorado, que amo muito, e não quero traí-lo.
– Lynn, não tenho um interesse simplesmente físico por você. Também quero lhe dar amor e carinho... Não sou como Mick.
– Eu duvido. E não preciso que você me dê amor e carinho. Pete já faz isso.
– Ele não é páreo para mim...
– Keith, você pode ser meu Stone favorito, mas não vou aceitar esse convite.
Richards ficou realmente magoado. De cabeça baixa e com o rosto vermelho, voltou para junto de seus colegas. Confessou a eles o seu fracasso:
– Ela não aceitou.
– Se eu fosse você... - Mick começou.
– Faria-a aceitar por bem ou por mal. Eu conheço você, Michael Phillip. Mas Lynn não funciona assim. Ela é meiga, doce. Não é como essas groupies com fogo no rabo às quais estamos acostumados.
– Espere aí... - De fato, Mick também tinha uma coleção interminável de amantes.
– Eu vou esperar. Talvez ela fique com pena de mim e termine com Pete, para me dar uma chance.
Passaram-se semanas. Mas Richards perseverava. Sentia que, mais cedo ou mais tarde, Lynn cederia ao seu charme desleixado.
A garota fazia de tudo para não pensar nele. Concentrava-se em seus estudos e seu trabalho, saía com Pete sempre que podia e não escutava mais os Rolling Stones, ainda que adorasse a banda. Certo dia, estava quase entrando no metrô que a levaria a Shepherd's Bush, onde Pete morava, quando uma mão segurou seu braço, suave porém firme.
– Espere. - Richards pediu.
– Eu já disse que não, Richards, me largue!
– Ah, Lynn, se você pudesse saber o quanto a amo...
– Você não me ama. Quer me possuir, e me largar logo depois... Não sou ingênua.
– Você faz uma ideia errada de mim...
– Não faço, não. Adeus. - ela se soltou e se dirigiu ao metrô.
– Lynn! - ele chamou. Mas não obteve resposta. A garota já estava dentro do vagão, segurando as lágrimas de remorso.
Na casa de Pete, ele e Lynn estavam deitados na cama. O rapaz passava suas mãos pelos cabelos dela com doçura. Lynn não pôde mais aguentar, e chorou copiosamente.
– O que aconteceu? - Pete se assustou.
– Ah, Pete, eu preciso contar, ou vou ficar louca... - ela enxugou as lágrimas na manga da blusa.
– Conte, por favor! - Pete estava exasperado.
– Naquela festa... Keith Richards pediu que eu passasse a noite com ele... - Lynn contou entre soluços.
– O quê? E você aceitou? Sua... - o guitarrista começou a ficar enfurecido.
– Oh, não, não! - Lynn se apressou a continuar. - Eu não aceitei, mas Richards está me perseguindo até hoje... Diz que me ama, mas eu não caio nessa. Ah, Pete, por favor, me proteja, faça alguma coisa! - Lynn agarrou Pete, em seu desespero.
– Calma, meu bem... - Pete a abraçou carinhosamente. - Não vai acontecer nada. não vou deixá-lo tirar você de mim. Vou... Quebrar uma guitarra na cabeça dele.
– Você está falando sério? - Lynn não reprimiu um risinho.
– Estou... Ninguém mexe com a minha garota.
– E aquele papo de "I don't mind that other guys dance with my girl"?
– Ah, isso foi antes de eu saber das intenções do Richards... Mudei de ideia. - Pete deu uma risadinha. - Se bem que ele quer mais do que dançar...
– Ah, meu amor, não me lembre disso, por favor...
– Eu disse para você não se preocupar, não disse? Ele não vai chegar perto de você, Lynn.
– Assim espero.
– Fique tranquila. Vem, me deixe te dar um beijo.
Lynn se aproximou e Pete beijou-a, num gesto de amor e proteção. Ambos adormeceram alguns minutos depois, abraçados.
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