Pete acordara atrasado para o ensaio. Então, decidiu tomar o metrô para chegar o mais rápido que pudesse ao estúdio. Naquela noite, sonhara com seu amor de adolescência, Lynn. Tudo o que guardara dela foram fotos, surrupiadas do irmão da garota, Michael, um amigo de Pete. Inspirado nisso, escrevera uma canção chamada Pictures of Lily, trocando o nome da garota por timidez.
Ao entrar no metrô, levou um susto. Vislumbrou, sentada sozinha, uma linda garota de cabelos pretos e longos, com uma pele delicada muito branca e óculos, lendo um livro, parecendo extremamente concentrada. Ela ergueu o rosto e sorriu para ele. Não podia ser... Não havia mudado nada...
– Oi, Pete. - ela deu um sorriso, com todo aquele ar de menininha, típico dela.
– O-olá, Lynn... - Pete ficou ruborizado. - Faz tempo desde a última vez em que nos vimos, não?
– Oh, sim, um tempo razoável... Três anos.
– Quando a vi pela última vez, você ainda era uma menina... Agora é uma mulher.
– Nem tanto... Eu acabei de fazer 18 anos.
Dezoito anos... Para Pete, Lynn sempre seria aquela garota colegial, tímida e reservada. Ela devia estar começando a faculdade.
– O que tem feito da vida? - ele quis saber.
– Ah, estou começando a faculdade de letras e trabalhando, como sempre quis... E você?
– Eu deixei a escola de artes... Vou tentar ganhar a vida com a minha banda. Estamos gravando nosso primeiro disco.
– Que bom, Pete! Quero ganhar um exemplar autografado, hein?
– Pode deixar...
Trocaram telefones e despediram-se, alguns minutos depois. Pete sentia aquele frio na barriga, ficar perto dela ainda o deixava nervoso. Talvez devesse convidá-la para dar uma volta... Ou para ir ver uma apresentação de sua banda em algum pub mais sossegado...
No ensaio...
– Alô! Planeta Terra chamando! Tem alguém aí? - Roger chamou a atenção do guitarrista, profundamente irritado.
– Mas o que é, Roger? Deixe-me em paz... - Pete voltou a si. Estava pensando em Lynn.
– Perguntei se meu vocal ficou bom.
– Ah, pode ter certeza de que não. Seu inútil, nem para cantar você presta!
– Escuta aqui, Pete, que tal eu entortar esse seu nariz absurdamente grande?
– Duvido. A princesa não machucaria suas delicadas mãozinhas...
– Vamos ver quem é a princesa aqui! - Roger estava pulando para o pescoço de Pete quando John, que fora atender o telefone, voltou dizendo:
– Ei, Pete, ligação para você.
– Quem?
– Uma garota chamada Lynn...
Pete abriu um grande sorriso e correu para falar com ela.
– Agora eu entendo porque ele estava no mundo da Lua... - Roger riu. - Uma pequena.
– Talvez essa garota tenha algumas amigas interessantes... - Keith deu um risinho cheio de malícia. Era um verdadeiro Don Juan.
Pete voltou com os olhos azuis brilhando. Lynn ligara para dizer que estava com a tarde livre e que iria ao estúdio para assistir ao ensaio.
– E ela trará algumas das amigas que trabalham com ela... - acrescentou. - Ou seja, haverá pequenas para todos.
– Ótimo. - Roger, John e Keith trocaram olhares satisfeitos.
– Mas conte tudo, Romeu. - disse Keith com ar gozador.
– Não há nada para contar... Eu gostava dela quando eu tinha dezessete anos... Ainda gosto.
– Acha mesmo que vamos nos contentar em saber só isso? - John riu.
– Mas foi apenas isso, Ox... Nunca consegui beijá-la.
– Nunca? - os outros três indagaram, surpresos.
– Nunca... Ela meio que fugiu quando tivemos a primeira e única oportunidade.... Não queria que eu simplesmente lhe roubasse um beijo.
– A moça gosta de amor à moda antiga, então... - observou Roger.
– Sim... Quem sabe agora eu consiga o amor dela... - Pete contemplou o teto, sonhando com os lábios vermelhos de Lynn.
Algumas horas depois, Lynn apareceu, acompanhada de três amigas.
– Oi, Pete. Oi, rapazes. - ela cumprimentou. - Estas são minhas amigas: Carol, Alice e Belle.
– Olá... - os colegas de Pete pareciam fascinados pelas amigas de Lynn.
– Fiquem à vontade, garotas. - Pete falou. - Se estiverem a fim, vamos sair para tomar um capuccino mais tarde... - disse isso mais para Lynn do que para todas elas.
– Seria muito legal... - Lynn corou.
As garotas assistiram ao ensaio muito empolgadas. Belle trocava olhares com Roger timidamente, Alice observava John com muita atenção, quase paralisada, e Keith lançava olhares sugestivos a Carol, que ria muito, encabulada.
Mais tarde, os rapazes levaram as garotas para o pub mais próximo. Percebia-se a sintonia que se formava entre Carol e Keith, Alice e John e Belle e Roger. Pete não queria ficar para trás. Ele conhecia Lynn havia tanto tempo, por que toda aquela timidez? Mas não podia evitar. Sentia-se desarmado ao olhar para aquela garota, já adulta, mas tão pequena e frágil quanto uma criança.

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