Mary estava decidida a se esquecer de Roger. "Ele não vale a pena", ela dizia para si mesma.
Alguns dias depois, parou em um pub, para tomar um capuccino, quando voltava da universidade.
Ao entrar, deparou-se com uma figura conhecida.
– Evelyn?
–Mary! - a enlouquecida amiga de Mary a cumprimentou. Mary sentou-se à mesa de Evelyn e perguntou:
– Como vão as coisas em Liverpool?
– Mal.
– Por quê?
– O noivo da Dani morreu, ela está arrasada.
– O Jerry?
– É.
– Como?
– Num acidente de carro.
– Puxa... Coitada da Dani.
– Pois é.
– Eu também não estou numa boa nesse assunto de rapazes.
– E por quê?
– Eu achei que um estúpido gostava de mim, mas eu o vi beijando outra.
– E o que você fez? Matou o infeliz e a vadia?
– Não... Ele nem percebeu que eu o vi.
– Era seu namorado?
– Não, ainda estávamos quase ficando.
– Menos mal. Seria pior se vocês dois já tivessem um relacionamento estabelecido.
– É.
– Mas quem precisa dos garotos? Olhe só para mim, todos os garotos que eu já beijei na vida estavam bêbados e eu tô me lixando.
– Você nunca acreditou muito em amor e paixão, não é?
– Nunca. Você já devia saber que não existe príncipe encantado, Mary.
– Agora eu sei, Evy. - Mary falou, tristemente.
– Você gostava mesmo do imbecil que te enganou?
– Gostava.
– Bom... Boa sorte com o próximo.
– Obrigada.
Mary decidiu focar-se em sua monografia. Porém, era complicado não se lembrar de Roger. O título da monografia era "A idealização no Romantismo". Esse era seu problema. Ela idealizava demais, e tudo aquilo que sonhava ia por água abaixo no mundo real.
Sarah e Michelle tentavam apresentar seus colegas de turma a Mary, mas a garota havia tomado uma decisão radical: não se apaixonaria nunca mais.
– Ah, Mary, isso já é exagero. - Sarah falou. - Nem todos são como o Roger.
– Não fale o nome dele!
– Mary, você não pode deixar que um cara que pisou na bola com você destrua a sua vida! - Michelle tentava animá-la.
– Ele não destruiu minha vida... Ainda tenho amigos, vou ter sucesso profissional...
– Mas o que é vida sem amor? - Sarah queria fazer Mary voltar atrás de qualquer jeito.
– Você só diz isso porque tem namorado há quase um ano, Sarah. Você concorda comigo, Michelle?
– Bom... Tive meus probleminhas, mas nunca tomei uma decisão dessas. - Michelle falou.
– Vocês duas acham que estou errada em desistir dos garotos.
– É claro!
– Ok... Vou dar uma chance aos outros... Mas juro que vou acabar com o Roger se eu o vir na minha frente de novo.
Mary começou a sair com as amigas para ir ao cinema, à doceria, ao parque... E também a clubes e pubs.
No entanto, ela ainda precisava trabalhar. Ia ao clube somente para as apresentações dos Parkers. Evitava os High Numbers a qualquer custo.... Até que, certa vez, não teve como fugir.
– Ei, Mary, naquele dia você foi embora sem se despedir... - Roger disse.
– Eu não tinha motivos para me despedir... Não queria atrapalhar você e aquela garota. Seu canalha nojento... - Mary virou-se para ir embora.
– Você é bem bravinha, hein? Eu gosto disso.
– Sai pra lá.
– Eu não vou desistir fácil, princesa. Vou correr atrás de você até que se canse de fugir.
– Isso é da sua boca para fora. E não me chame de princesa!
– Quer apostar que em breve você vai cair nos meus braços?
– Não vou apostar nada.
Ela foi embora, furiosa. Roger apenas ficou olhando, de forma atrevida, a garota se afastar. Já imaginava o momento em que ela seria sua.
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