– Ei, Mary, que tal irmos a uma festa? - sua amiga Michelle, uma estudante de biologia, convidou.
– Não sei, Shelly...
– Puxa, Mary, você só estuda, garota! - repreendeu-a Sarah, uma estudante de medicina. - Precisa se divertir um pouco...
– A Sarah está certa. Quem sabe você não encontra aquele cara sobre o qual você nos falou? - Michelle sugeriu. - Roger, né?
– Hum... - Mary pensou por uns instantes. - Está bem, eu vou.
Mary estava se interessando por Roger. Ele havia sido muito gentil no dia de sua primeira conversa. Deixara-a em casa e insistira para que ela ficasse com seu casaco. Ela era uma garota romântica, e criara muitas expectativas desde então.
Na sexta-feira, Mary, Michelle e Sarah foram a um pub que localizava-se a dois quarteirões do apartamento das três. Nenhuma delas estava muito interessada em ficar com alguém; queriam apenas dançar, rir, beber alguma coisa.
Quando chegaram, Mary estacou na porta de entrada. Conhecia aquele som de algum lugar....
– Anda logo, Mary! - Sarah exclamou.
– Hã?
– Vai logo, eu quero entrar!
– Ah, desculpe.
Mary deixou que Sarah passasse.
– O que foi? Parece que viu um fantasma... - Sarah reclamou.
– Não vi um fantasma... Olhem só quem está tocando. - Mary falou. Seus olhos brilhavam.
– Quem? - Michelle e Sarah perguntaram. - Ele?
– Ele. - Mary concordou.
– Eles são bonitinhos... Qual deles é o Roger? - Michelle quis saber.
– O loiro. - Mary respondeu.
– Vamos para mais perto do palco, assim ele pode te ver. - Sarah falou.
– Não! - Mary começou a suar, devido ao nervosismo.
– Deixa de ser boba, Mary, essa pode ser a sua chance de ficar com ele! - Michelle incentivou-a.
Tudo o que a garota queria, naquele momento, era sumir. Era muito tímida. Tentou se esconder atrás do 1,72 m de Michelle, mas a amiga a empurrava para a frente.
Mesmo com todas as tentativas de Mary, Roger a viu. Ele sorriu de forma atrevida, e ela ficou sem saber onde enfiar a cara.
Outra banda subiu ao palco. Os High Numbers decidiram aproveitar a festa, e foram atrás de bebidas e garotas. Roger aproximou-se de Mary.
– Oi, gatinha. - ele a cumprimentou.
– Ah, oi, Roger. - Mary cumprimentou-o de volta, morta de vergonha.
– Não vai me apresentar suas amigas? - ele perguntou.
– Claro... Estas são Michelle e Sarah. Michelle e Sarah, este é Roger.
– Olá, senhoritas. Senhoritas muito bonitas, aliás. - ele falou, com um tom de conquistador. Mary não gostou nem um pouco daquilo.
– Mary, nós já voltamos, OK? - Michelle falou, após ela e Sarah terem rido do comentário de Roger.
– OK.... - Mary respondeu, lançando às amigas um olhar do tipo "SOCORRO!"
Suas amigas piscaram para ela e se afastaram. Roger notou tudo, mas perguntou com naturalidade:
– Por que você não apareceu mais lá no clube?
– Semana de provas. - ela respondeu laconicamente.
– Ah... Você é muito gostosa, sabia?
– E você é muito atirado.
– Moça de família, hein? - ele riu. Puxou-a pela cintura e beijou seu rosto. - Eu vou pegar alguma coisa para beber, volto logo.
Mary estava hipnotizada com aquele beijo. "Imagina se tivesse sido na boca", ela pensou. "Eu estaria morta e enterrada". Correu atrás de Michelle e Sarah, e encontrou-as bebendo whiskey.
– E aí, como foi? - Michelle perguntou.
– Meu lado "menina boazinha" odiou. Já meu lado "garota universitária desesperada" adorou.
– Fala logo, mulher! - Sarah estava curiosa.
– Ele me chamou de gostosa, me pegou pela cintura e deu um beijo no meu rosto.
– Razoável. - Michelle falou. - Talvez mais tarde ele te beije mesmo.
– Tomara.
Um amigo de Roger aproximou-se delas. Mary logo o identificou como o baterista. Lembrava-se dele por ser o único que tinha olhos castanhos.
– Olá, mocinhas.- ele cumprimentou. Parecia um pouco bêbado.
– Olá. - elas responderam.
– Sou Keith, mas vocês me chamam de John. E vocês?
– Michelle.
– Sarah.
– E Mary.
– Ah, é, o brotinho que toca guitarra nos Parkers... O Roger fala bastante de você.
– É mesmo? - Mary começou a se sentir mais esperançosa sobre Roger.
– É. - Keith riu.
Ele dizia coisas engraçadas e sem sentido. As garotas riam dele, e Mary falou:
– Você me lembra uma amiga minha, chamada Evelyn... Ela também não diz coisa com coisa.
– Ela é gostosa? - Keith perguntou, engolindo uma dose de whiskey do copo de Michelle.
– Sei lá. - Mary riu.
– Mary, você não devia estar com o Roger? - Sarah perguntou.
– Ah, é!
Mary procurou-o, e quando o achou, não gostou do que viu: Roger estava aos beijos com outra garota.
– Filho da puta. - ela resmungou. Voltou para junto de suas amigas, pisando duro.
– Que foi, Mary? - perguntou Michelle.
– Nada. Vamos embora.
– Comeu e não gostou? - Sarah indagou, meio bêbada.
– Não comi e não gostei. - Mary estava furiosa. - Amanhã cedo eu explico.
Chegou em casa, lavou a maquiagem do rosto, tirou as sandálias de salto, vestiu um pijama e caiu na cama. Repetiu em seus pensamentos a frase "Vou te matar, Roger", até adormecer.
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