Robert e eu começamos a sair juntos com frequência. Ele não pediu formalmente, mas eu sabia que estávamos namorando. Nunca imaginei que ele podia ser tão atencioso.
Porém, recebi uma ligação de uma prima minha, Emily, que morava no interior, e que eu não via havia algum tempo. Ela me convidou para passar algumas semanas daquele verão com ela.
Emily também está intimamente ligada a uma banda de rock. Ela estudou fotografia em Cambridge, a mesma universidade que eu, e foi lá que conheceu aqueles que mais tarde formariam o Pink Floyd. Ela nunca me disse nada, mas suspeito de que ela tenha se envolvido com o maluco do Syd Barrett, e que isso o tenha inspirado a escrever See Emily Play.
Apesar de não querer ter que me despedir de Robert, não hesitei em aceitar a proposta de Emily. Arrumei minhas malas e fui ver a minha querida prima.
Fui para lá de trem. Emily estava à minha espera. Abracei-a fortemente e disse:
– Estava com muitas saudades, Emily!
– Eu também, Elinor.
– Algum problema? Você parece meio desanimada....
– Em casa eu conto tudo.
Emily preparou um chá para nós, após me ajudar a guardar a bagagem. Sentamo-nos à mesa do salão de chá. A casa de meu tio Edwin e de minha tia Jacqueline, os pais de Emily, era um belo casarão, e poderia se passar perfeitamente por cenário de um romance de Jane Austen.
Eu imaginava qual seria o problema de Emily. Ela era uma garota da família Fitzwilliam, e isso significa ser uma desiludida no amor na maior parte do tempo.
Em minha família, os mais velhos têm o costume de dizer aos mais jovens que algumas de nossas antepassadas foram uma inspiração para Jane Austen criar as irmãs Elinor e Marianne Dashwood, de Razão e Sensibilidade, e Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito. Nosso sobrenome aparece neste segundo livro duas vezes: como primeiro nome de Mr. Darcy e como sobrenome de um primo deste.
Apesar de amar os livros dela, eu não acredito muito nisso, ainda que, de fato, no século XVIII, os Fitzwilliam tenham residido em Steventon, onde Jane Austen nasceu e viveu por muitos anos.
Assim, muitas garotas Fitzwilliam recebem nomes de personagens de Austen, como Elizabeth, Jane, Marianne, Katherine, Caroline, Lucy, Mary, Lydia, Georgiana, Fanny, Anne, Charlotte, Emma... E Elinor.
– O que aconteceu, Emily?
– O Syd.... Ele está muito mal.
– Sério? Então você realmente tem uma ligação amorosa com ele?
– Tinha. Ele pirou geral, Elinor. Namorávamos mais ou menos em segredo, até que ele afundou nas drogas. Eu tentei ficar ao lado dele, mas meu pai e minha mãe começaram a me pressionar para me separar dele... Eu não podia continuar naquela situação, podia?
– Bem... Creio que não.
– Mas eu não consigo me esquecer dele, Elinor, não consigo!
– Olhe pelo lado positivo, Emily.... Ele não é como Willoughby.
– Ainda bem que não é. Mas também não é como Mr. Darcy, Mr. Bingley, Edward Ferrars ou Edmund Bertram.
– Você vai achar alguém, Emily.
– Eu espero. E você, minha nada prudente Elinor? Achou seu Edward?
– Achei... Mas ele tem nome de outro membro da família Ferrars.
– Ele se chama Robert?
– Sim. Robert Plant.
– Dos New Yardbirds?
– Led Zeppelin, agora.
– Sortuda!
– Você namorou um integrante do Pink Floyd, minha cara. Estamos quites.
– Bom, sim.
De repente, a campainha tocou. Emily ergueu-se da mesa, e foi atender a porta. Era um rapaz alto, de cabelos e olhos castanhos.
– Que surpresa, Charles! Elinor, este é Charles, meu amigo de infância.
– Charles Mansfield, ao seu dispor, srta....?
– Fitzwilliam. - completei.
– Oh, outra garota ligada aos livros de Jane Austen por inúmeras gerações? - Charles riu.
– Ah, por favor, Emily, você acredita nisso? - eu também ri.
– Eu não... Mas vovó esteve aqui e contou a história para todo mundo.
Meu avô paterno, Brandon Fitzwilliam, casou-se com Lucy Northanger, uma mulher de muito bom coração, que amava os livros de Jane Austen, e se sentia satisfeita em espalhar aquela velha lenda familiar para todo mundo que conhecia.
Charles apareceu todos os dias na casa de Emily. Eu não estranhei, afinal, os dois eram amigos desde pequenos. No entanto, Emily me disse:
– Charles costuma vir bastante aqui, mas apenas duas vezes por semana, no máximo três, e nunca em dias consecutivos.
– O que está querendo dizer, Emily?
– O que mais eu poderia querer dizer, Elinor? Charles está interessado em você.
– Mas eu namoro o Robert, Emily!
– Então vai ter que dizer isso a ele.
Fui à casa dos Mansfield. A casa tinha ares antigos, como a propriedade de meus tios, e se chamava Mansfield Park, como já era até previsível.
Fiquei pensando porque meus tios não batizaram sua casa no campo de Norland, Barton, Pemberley, Netherfield, Longbourn, Rosings, Everingham, Cleveland, Sotherton, Thornton Lacey ou Combe Magna.
O portão do belo chalé não estava aferrolhado, de modo que entrei. Atravessei um pequeno caminho de cascalhos, e me vi diante do chalé, que tinha uma bonita porta com trinco, ao melhor estilo da Inglaterra do século XIX. "Ainda bem que ainda há lugares assim na Inglaterra", pensei. Eu já estava cansada do céu cinzento e do ar quase constantemente úmido de Londres. Preciso de dias ensolarados, de céu azul e de belas paisagens para ser realmente feliz. Talvez a Londres de 1811 fosse mais alegre que a Londres de 1969.
Bati à porta. Eu não teria ficado surpresa se houvesse aparecido um criado de libré para atender. Porém, quem abriu foi o próprio Charles.
– Srta. Fitzwilliam! Que surpresa agradável!
– Obrigada, Charles, mas não precisa de tantas formalidades.
– A que devo a honra desta visita?
– Preciso falar com você sobre algo.
– Sobre o quê?
– Quais são as suas intenções em relação a mim, Charles?
– Minhas intenções?
– Sim.
– Bom, srta... Quero dizer, Elinor. Eu gostaria de sair com você. De que me desse um pouco do seu carinho.
– Charles... Eu tenho namorado.
– Tem?
– Tenho.
– Ele é de Londres?
– Sim. Chama-se Robert, e eu gosto muito dele.
– Oh... Desculpe, Elinor. Eu não sabia. Não tinha intenção de lhe trazer problemas.
– Está tudo bem, Charles. - dei um pequeno sorriso.
Fui logo embora dali. Eu precisava me afastar de Charles, para que ele parasse de agir como Henry Crawford e de nutrir sentimentos amorosos por mim.
Oi ja devia ter deixado um comentário aqui mas não encontrava cantinho pra seguir teu blog. Bom to aqui e adorei a fic logo no primeiro cap. Tadinha da Emily, tentou ajudar o Syd mas a família não permitiu. Será que teremos trangulo amoroso entre Robert, Elinor e Charles?
ResponderExcluirQueria que a Emily encontrasse seu possível Mr. Darcy *--* Continua a fic!
Vou continuar sim, pode deixar! Com certeza a Emily encontrará um Mr. Darcy para chamar de seu! Quanto ao triângulo amoroso... Quem sabe?
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