Durante os dias seguintes, a maioria das pessoas olhava torto para Davy e Louise. Quando falavam com eles, usavam um tom seco. E a maioria esmagadora das pessoas da Lufa-lufa apoiava Colin. Não que os dois amigos se importassem. Eles sabiam que não deviam mesmo participar. Mas não quiseram ser escolhidos pelo Cálice de Fogo. Sequer tinham se inscrito! Mas alguém os havia inscrito.
A única pessoa da Lufa-lufa que ainda conversava com eles era Peter. Diferentemente de Mike e Micky, Peter não achava que Davy e Louise tinham feito alguma magia para enganar o Cálice de Fogo e conseguirem ser selecionados. Odile também continuava do lado deles. Contudo, ela e Peter tinham que se desdobrar entre as duas duplas de amigos.
- Peter, somos muito agradecidos a você. – disse Louise.
- Sim. É a única pessoa que fala com a gente quando estamos na Sala Comunal ou aqui, na mesa da Lufa-lufa. – acrescentou Davy.
- Eu sei que vocês não são culpados. – disse Peter, tomando mais um gole de chocolate quente.
- Diga isso ao Mike e o Micky, então. – Louise resmungou.
- E a toda a escola. – completou Davy.
- Odile também acredita em vocês. E Dianna, Alice e as amigas delas.
Os três tinham aula de Transfiguração, com a professora Lyanna Smith, após o café da manhã. Foram para a sala de aula. Tinham aquela aula junto com a turma da Grifinória. Mike e Micky olhavam muito feio para Davy e Louise do outro lado da classe, e Peter se sentia no meio de um fogo cruzado.
Quando acabou a aula, Mike fez um sinal para Peter ir até ele e Micky. Peter assentiu com a cabeça, um pouco hesitante, e disse a Davy e Louise:
- Vão na frente. Encontro vocês na sala de Poções.
Davy e Lulu não tiveram muita escolha. Seguiram seu caminho e Peter foi falar com Mike e Micky.
- O que foi? – nem ele nem Odile andavam com muita boa-vontade para com Mike e Micky ultimamente.
- Dianna Mackenzie nos procurou ontem depois da aula de Herbologia. Você sabe, a Grifinória e a Corvinal fazem a aula de Herbologia juntas. – relatou Mike.
- Disse que precisa falar com Davy e Louise, e é urgente. – Micky continuou.
- E quando chegamos à Sala Comunal da Grifinória, aquele chucrute troncudo do Gerd Müller disse a mesmíssima coisa. – Mike falou.
- Tá, então avisem os dois.
- Nós? Nem pensar! – retrucou Micky. – Não estamos falando com eles. Nos repreenderam quando tentamos nos inscrever clandestinamente, e olha só, os nomes deles saíram do Cálice de Fogo!
- Será que não passou pelas cabeças de vocês que pode ter alguém do lado das trevas por trás disso? – Peter falou, irritado. – Mas tudo bem, eu aviso.
- E não diga que fomos nós que mandamos avisar! – recomendou Mike, apressadamente. – Fale que Fanny nos disse que Joanna disse que Alberta disse que Dianna e Gerd os estão procurando.
- O QUÊ? – Peter ficou atrapalhado.
- Você entendeu. – Mike falou. – Bem, agora Micky e eu temos Trato das Criaturas Mágicas... Com a Sonserina. Vamos, Micky.
Os dois se afastaram e Peter correu o mais rápido que pôde para a masmorra onde aconteciam as aulas de Poções. Por sorte, Peter conseguiu chegar e se sentar no seu lugar um minuto antes de Anthony McGold adentrar a sala. Ele pensou em dizer a Davy e Louise sobre Mike e Micky e o recado deles, porém, Anthony não estava tolerante com conversas naquele dia, e o tratamento que dispensava à filha e os amigos não era muito diferente dos outros alunos.
Quando a aula acabou, era a hora do almoço. Quando Peter, Louise e Davy haviam acabado de se sentar à mesa da Lufa-lufa para comer, Mike e Micky passaram a caminho da mesa da Grifinória e sussurraram para Peter:
- Fale com eles.
Peter pigarreou e começou, sem graça:
- Davy... Lulu...
- O que foi? – indagaram eles, já suspeitando que tinha a ver com Mike e Micky.
- É... Mike e Micky me pediram para dizer que... Que Fanny disse a eles... Que Joanna disse a ela... Que Alberta disse que Dianna Mackenzie e Gerd Müller estão procurando vocês.
- Como é que é? – Davy não tinha entendido nada. Tinha se perdido na parte “Joanna disse que”.
- Por favor, não me peçam para repetir... Que...
- Mike e Micky mandaram Peter avisar que Dianna e o chucrute estão procurando vocês. – disse Odile, se sentando sem a menor cerimônia na mesa da Lufa-lufa, mesmo sendo proibido. – Eles sabiam que Peter se atrapalharia todo, então me pediram para avisar também.
Louise ficou possessa. Ela se levantou da mesa da Lufa-lufa e marchou até a mesa da Grifinória, seguida de perto por Odile, Peter e Davy. Ela cutucou Mike e Micky. Eles se viraram e ela gritou para toda a mesa da Grifinória, e talvez todo o Grande Salão, ouvir:
- Parem de fazer o Peter e a Odile de corujas! Sei que odeiam Davy e eu agora, mas se querem nos avisar de algo, sejam homens de verdade e falem na nossa cara!
E ela se afastou, fazendo Mike e Micky trocarem um olhar culpado.
- Precisamos falar com a Dianna e o Gerd. – disse Davy a Louise.
- Sim... Acho que hoje a Grifinória tem treino de quadribol, podemos passar perto do campo mais tarde e vemos se achamos o Gerd. – Lulu falou. – E a Di é fácil de achar. Se eu achar minha lua, acho a Dianna. Elas sempre estão juntas, e também com Emma Carlisle e Erin Hudson.
Contudo, nem precisaram esperar muito. No mesmo momento em que iam saindo do Grande Salão para as aulas da tarde, encontraram Dianna e Gerd. Parecia que os dois haviam combinado de esperar por eles na entrada do salão.
- Louise... D-D-Davy... O Gerd e eu... Precisamos muito falar com vocês. – disse Dianna, vermelha e gaguejando. – É... É muito importante.
- É sobre a primeira tarefa do Torneio Tribruxo. – disse Gerd, parecendo nervoso e sem tirar os olhos de Lulu. – Ficamos sabendo sobre algo e achamos melhor alertar vocês.
- Mas vamos para um lugar menos cheio. – disse Dianna, levando os outros para o lado de fora. Então, ela continuou: - Meus pais e a mãe do Gerd trabalham no Ministério e, como vocês sabem, estão cuidando da organização do torneio. Bem... Eles nos disseram o que vocês vão ter que fazer.
- E o que vai ser? – quis saber Louise, curiosa.
- Enfrentar dragões. – disseram Gerd e Dianna em uníssono.
Davy e Louise trocaram um olhar muito nervoso.
- Dragões? – repetiram eles, com os olhos enormes de espanto.
- Sim. – confirmou Dianna. – E armados somente com suas varinhas.
- Somente com as varinhas? – Davy estava indignado. – Dianna... Como esperam que nós enfrentemos dragões somente com nossas varinhas?
- Bem... – Dianna não agüentava olhar direto nos olhos dele por muito tempo. – Você e Louise podem lançar mão de alguma habilidade que possuem.
- Como... Voar. – Gerd falou, astutamente.
- Voar? Mas não podemos levar as vassouras para a arena! – Louise protestou.
- Podem levar as varinhas. E fazer um feitiço para convocar suas vassouras. – Dianna piscou.
- Accio? Mas as vassouras não vão estar muito longe?
- Não. Vão por mim. – disse Dianna.
- Bem... Obrigada aos dois. – Louise sorriu.
- Vamos tentar nos preparar o melhor que pudermos. – disse Davy. – E sem vocês nos avisarem, não teríamos nem ideia de como começar a nos preparar. Obrigado mais uma vez.
- De nada. – responderam Dianna e Gerd, timidamente.
***
Na manhã seguinte, os campeões tribruxos tiveram que levantar muito cedo. Seriam entrevistados por Kathy Giordano, uma repórter do Profeta Diário, o maior jornal de bruxos da Inglaterra.
- Que belo quinteto! – exclamou ela, após o fotógrafo que acompanhava tirar uma foto dos cinco competidores juntos. – Saibam, queridos, que eu e o meus leitores estamos ÁVIDOS por informação sobre vocês. Queremos saber absolutamente t-u-d-o sobre vocês, entenderam? Tudinho! Então, quem quer começar?
Nenhum dos cinco se voluntariou.
- Que venha o menor dos garotos. – disse ela, puxando Davy, muito a contragosto dele.
Kathy o colocou num armário de vassouras.
- Então, Davy. Doze anos e já está no Torneio Tribruxo, competindo com jovens bruxos mais velhos e experientes do que você, e ainda conseguiu que a sua namorada Louise McGold acompanhe você. Não está preocupado, com ela e com você mesmo?
- Primeiro, eu tenho catorze anos, não doze. – ele corrigiu. – Segundo: eu não me inscrevi nesse torneio.
- Oh, claro que não. – Kathy foi sarcástica.
- E por último: Louise não é minha namorada. Ela é minha melhor amiga, como uma irmã, mas só isso. E eu também não tenho nada a ver com o fato de ela ter sido escolhida para participar.
- Davy, querido, todo mundo adora rebeldia. Ainda mais uma rebeldia sem causa.
- Olhe aqui, eu não me inscrevi nesse torneio! Tenho certeza de que alguém que quer se livrar de mim deu um jeito, não sei como, de colocar a mim e a Louise nele! E tem mais... - Davy olhou furioso sobre o bloquinho de notas dela. - MEUS OLHOS NÃO ESTÃO MOLHADOS PELOS FANTASMAS DO MEU PASSADO!
Ele saiu do armário de vassouras, furioso.
- Davy, o que foi? O que ela perguntou???
- Ela distorce tudo que você fala... É uma fofoqueira de marca maior... - ele falou em tom alto suficiente para Renée, Igor e Colin também ouvirem.
Kathy saiu do armário de vassouras parecendo muito satisfeita por enfurecer Davy, e arrastou Louise com ela para dentro, mesmo com ela protestando.
- Agora, querida... - Kathy falou em tom malicioso, fechando a porta atrás de si com um aceno da varinha. - Você vai me contar absolutamente tudo sobre o seu namorico com Davy.
- Namorico? - Lulu ficou vermelha de raiva. - Ele é meu melhor amigo! Meu pai o criou quase como filho! Ele é quase meu irmão!!!!
- Ele disse a mesma coisa. Vocês formam um lindo casal. - Kathy ainda tinha aquele sorriso malicioso e irritante.
- Eu. Não. Sou. Apaixonada. Por. Ele. - Louise disse, pausando muito bem cada uma das palavras.
Kathy anotava tudo no bloquinho. Louise conseguiu ler, mesmo que de cabeça para baixo:
"Com um enorme sorriso no rosto e olhos brilhantes, Louise declara: 'Eu sou totalmente apaixonada por Davy, desde criança. Se ele morrer no torneio, como eu receio, morrerei também.'"
- APAGUE ISSO! EU NUNCA DISSE NADA DISSO!
- Não posso. Não há mata-borrão que possa apagar essa tinta. É mágica. - Kathy piscou.
Louise puxou a varinha, apontou para o bloquinho de Kathy e exclamou:
- Lacarnium inflamarium!
Mas nada aconteceu.
- Muitos tiveram a mesma ideia que você antes, querida Louise. Então coloquei um feitiço em meus blocos de notas para que não possam ser queimados, molhados ou rasgados.
- MALDITA! O QUE ESPERA GANHAR COM ISSO????
- Notícias bombásticas! E muitos galeões!
Louise foi até a porta do armário de vassouras, exclamou "Alohomora!" para destrancá-la e saiu, batendo os pés. Como era sábado, ela retornou ao salão comunal da Lufa-Lufa, bufando de raiva.
- Lulu, o que houve? - indagou Davy, quando viu a amiga se jogar numa das confortáveis poltronas.
- Aquela mulher.... Vai lançar no Profeta Diário o boato de que estamos namorando, Davy... E é bem provável que muitas pessoas leiam e acreditem... Como Gerd.
- Relaxa, Lulu, só gente sem muita coisa na cabeça acredita nas fofocas da Kathy Giordano. - Peter garantiu.
- Assim eu espero.
Colin passou, parecendo também furioso com sua entrevista. Davy e Louise olharam para ele, trocaram um olhar entre si e Davy indagou:
- Será que contamos a ele sobre os dragões?
- Acho justo. Ele também é um campeão de Hogwarts. E meu primo.
Eles foram até Colin.
- Ei, Colin, podemos falar com você? - quis saber Davy.
- Claro. - respondeu ele, os olhos azuis brilhando. - Sobre o quê?
- Sobre... Nossa primeira tarefa. - disse Louise ao primo.
- A primeira tarefa? Vocês descobriram alguma coisa?
- Sim. Dragões. Cada um de nós enfrentará um. Poderemos adentrar a arena somente com as varinhas, mas podemos usá-las para invocar qualquer coisa que seja útil. - explicou Davy.
- Puxa vida... Bom, fico muito grato por vocês terem vindo me avisar. Agora vou poder me preparar melhor. Eu devo uma a vocês... Bom, eu e Talia vamos passear em Hogsmeade, se vocês me derem licença...
E Colin se afastou.
- Bom, fizemos nossa parte. - disse Louise.
- Sim. Agora... Precisamos esperar até o próximo sábado.
A semana passou rápido. Davy e Louise fizeram o máximo para ignorar os comentários daqueles que estavam contra eles. A maioria dizia que eles morreriam torrados assim que pisassem na arena. Os mais gentis diziam que eles teriam um braço ou perna arrancados e nunca mais poderiam jogar quadribol.
Na manhã de sábado, Peter e Odile tentaram fazer seus amigos sossegarem e se alimentarem bem. O que não foi fácil. Davy estava tão nervoso que não conseguia comer nada, e Louise andava para cá e para lá na sala comunal, sem parar.
Às 11:30, todos começaram a descer para o campo de quadribol, onde foi preparada a arena de combate. Quando Davy e Louise atravessavam o Grande Salão juntamente com Peter e Odile, Dianna foi empurrada em direção a eles, muito trêmula e nervosa, por suas amigas.
- É... Davy, Lulu, eu só queria... Desejar boa sorte.
- Obrigado, Di. - os dois disseram em coro.
Alice e Emma acotovelaram Dianna, cada uma de lado. Dianna gaguejou:
- E... E... Q-Queria dar um beijo de boa sorte em cada um de vocês.
Davy e Louise sorriram, indicando que ela podia. Ela se aproximou de Louise e deu um beijo de leve no rosto dela. Mas na vez de Davy, Dianna foi ainda mais rápida. Seus lábios mal roçaram o rosto dele e ela saiu correndo, mais vermelha que as vestes de quadribol da Grifinória.
- Por que a Di é tão tímida, Lulu? Parece até que tem medo de mim... - Davy indagou.
- Medo não. Ela sente outra coisa por você. - Odile e Louise falaram.
- O quê?
- Davy, quando você for menos tapado a gente conversa. - Odile falou, impaciente.
Os quatro desceram pelos terrenos da escola e chegaram à arena. Peter e Odile foram para as arquibancadas, onde encontraram Mike e Micky. E Davy e Louise foram para o vestiário, seu velho conhecido, para colocar as vestes com as quais enfrentariam os dragões. Pareciam com as de quadribol, com exceção da espécie de colete preto que envolvia as vestes amarelo-canário, as cores da Lufa-Lufa.
Depois, eles se juntaram aos demais competidores, para receber as instruções. O Prof. Rafelson os aguardava, junto com os outros dois diretores e o sr. e a sra. Mackenzie. Kathy Giordano tentava fotografá-los e entrevistá-los, mas foi convidada a se retirar.
- Bom dia, campeões. - disse Rafelson. - Bom, como primeira tarefa, vocês usarão suas habilidades mágicas para enfrentar um dragão.
- E pegar o ovo de ouro que ele guarda. - disse o sr. Mackenzie.
- O ovo contém uma pista para a prova seguinte. - disse a sra. Mackenzie. - Bom, nós recebemos oito dragões, dois de cada raça. Sr. Jones e srta. McGold, nós soubemos que vocês queriam competir como equipe, o que não seria justo. Portanto, nós decidimos que, nesta tarefa, vocês dois enfrentarão dragões da mesma raça. Srta. McGold, você terá um dragão sorteado para você e o sr. Jones enfrentará o outro da mesma raça do que o dragão que a senhorita tirou, de acordo?
Davy e Louise assentiram. O sr. Mackenzie pegou um saquinho e estendeu-o para Renée.
- Srta. Chapelle, por favor.
Renée colocou a mão no saquinho e tirou de dentro uma miniatura de dragão, que mexia a cabeça, o rabo e rugia.
- Um verde-galês. Agora, sr. Kotovski.
Kotovski tirou o seu.
- Um meteoro-chinês. Perigoso, esse... Sua vez, sr. Black.
Colin pegou um dragãozinho.
- Um focinho-curto sueco. E por fim, para a srta. McGold e o sr. Jones...
Lulu enfiou a mão no saquinho e tirou de lá uma miniatura de um dragão marrom, cheio de espinhos pelo corpo todo e chifres na cabeça. A cauda parecia uma maça medieval.
- Os rabos-córneos húngaros. - disse o sr. Mackenzie. - Bem... Sr. Black, ao som do canhão, pode...
O zelador, sr. Babbitt, soltou a bala de canhão antes do momento, e Colin saiu, aclamado pela multidão. Davy e Louise trocaram um olhar nervoso. Louise costumava ser azarada. E bastava olhar para a miniatura de rabo-córneo húngaro para saber que aquele era o pior dos dragões.
Aguardaram. Pelo jeito, Colin foi bem-sucedido... Assim como Renée e Kotovski. E veio a vez de Louise.
- Davy....
- Calma. Eu confio em você, Lulu. - ele abraçou a amiga... Sem saber que eram fotografados por Kathy. - Vai.
Louise saiu, e Davy foi até a entrada da barraca onde os competidores aguardavam, para assistir. Louise mal entrou, foi recebida com uma rajada de chamas. Ela se escondeu atrás de algumas rochas.
Gerd Müller suspirou, aliviado. Temeu por ela. Louise percebeu que o bicho se guiava sobretudo pelo faro. Com a varinha, lançou algumas nuvens de cheiro forte na direção oposta. O dragão foi na direção das nuvens, como Louise imaginava. Ela viu o ovo de ouro.
- Maravilha.
Então, como precisava ser rápida e não conseguiria apanhá-lo tão rápido assim se escalasse as rochas, exclamou, apontando a varinha na direção do castelo:
- Accio Nimbus 2001!
Pouco menos de 10 segundos depois, Louise viu sua vassoura pairando diante dela. Montou e voou em direção ao ovo... Não era a apanhadora da Lufa-Lufa à toa. Contudo... O dragão sentiu seu cheiro, e avançou em sua direção.
Louise voou imediatamente para fora da arena. Com o dragão voando logo atrás. O bicho conseguiu quebrar seus grilhões.
- Droga!
Lá embaixo, Davy e Gerd entraram em pânico. E Louise fez o que pôde para se livrar do dragão.
***
- Meu solzinho... - Alice murmurava, nervosa.
Dianna também estava apavorada, e Emma e Erin tentavam acalmá-las. Louise procurava cansar o dragão, voando o mais rápido que sua Nimbus 2001 podia, e realizando o máximo de manobras que sabia. Até que o dragão desabou, cansado, perto das estufas de Herbologia. Mas não destruiu nenhuma. Louise aproveitou e voou de volta ao campo de quadribol, erguendo o ovo com as duas mãos e se segurando na vassoura só com as pernas. Ela foi intensamente aplaudida.
Louise voou para a barraca dos competidores, onde Davy a esperava. E ele a abraçou forte.
- Foi genial, Louise! Mandou muito bem!
- Obrigada. - ela sorriu. - Agora é sua vez. Boa sorte.
Louise foi levada pelo sr. Mackenzie e sua esposa para descansar. E Davy tinha poucos minutos para bolar uma estratégia.
Antes mesmo de sair da barraca, Davy invocou sua vassoura.
- Accio Firebolt!
As Firebolts eram consideradas as melhores vassouras de corrida do mundo. Normalmente, só jogadores profissionais as pilotavam. Davy montou e entrou voando na arena. Logo avistou um brilho dourado no chão pedregoso: o ovo. Voou em direção a ele, e logo o agarrou. Porém, isso atraiu a atenção do dragão.
- Tome isso, feioso! - exclamou ele, disparando centelhas multicoloridas e brilhantes nos olhos do rabo-córneo húngaro.
O dragão ficou cego por alguns minutos, porém, quando Davy estava quase voando para fora do alcance dele, a fera por pouco não abocanhou a cauda da Firebolt. Davy voou mais alto, o ovo bem seguro na mão esquerda, enquanto guiava a vassoura com a direita. Assim como o dragão de Louise, o de Davy se soltou dos grilhões. O garoto não teve muita escolha. Segurando-se firme na vassoura com as pernas, ele apontou para o focinho do dragão e lançou um gás sulfuroso que deixaria o animal desacordado por várias horas. O bicho desmaiou com o mau cheiro. Contudo, ninguém da plateia podia sentir o cheiro de ovo podre, só o dragão.
Mais tarde, Lulu e Davy saíam da arena, e foram cumprimentados por várias pessoas, incluindo Alice, Dianna e suas amigas. Alice apertou a mão de Davy e deu um selinho em Lulu. Já Dianna se limitou a gaguejar e dizer que eles foram ótimos.
Os dois voltavam para a Sala Comunal da Lufa-Lufa, acompanhados de Peter e Odile, quando Mike e Micky cruzaram seu caminho.
- Olá. - disseram.
- Olá. - responderam Peter e Odile. Louise e Davy sequer esboçaram reação.
- Mike e eu estávamos conversando... E tem que ser muito burro pra botar o nome no Cálice de Fogo. - disse Micky.
- Até que enfim, hein? Demorou pra vocês caírem na real! - Davy falou.
- Nossa, eu poderia enfiar as minhas mãos nas caras de vocês! - Louise gritou. - Mas não farei isso. – e abraçou os dois. Davy, Peter e Odile se juntaram ao abraço grupal.
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