terça-feira, 21 de junho de 2016

Oneshot: O Príncipe e A Plebeia

Boa tarde! Hoje vou postar uma fic de D&D, livremente inspirada no filme A Princesa e O Plebeu, com Audrey Hepburn e Gregory Peck. Espero que vocês gostem. Pode ser que tenha continuação com McGüller, pela Inara. Boa leitura!




- Ah, finalmente! – exclamou o príncipe David, da Inglaterra, se jogando em sua imensa cama. – Posso tirar essas botas apertadas! Acho que elas são do tempo do meu bisavô!

- Tente descansar ao máximo, Sua Alteza. – recomendou Micky Dolenz, seu pajem. -  Amanhã o senhor tem muitos compromissos pela manhã. E à tarde deve embarcar para Gales. Deve encontrar o Barão e a Baronesa de Newport. Não se esqueceu disso, não é, meu príncipe?

- Como posso me esquecer de encontrar Louise? – o príncipe sorriu.

- O senhor fala da Srta. Louise com tanto carinho...

- Micky! – David interrompeu-o. – Se vai fazer mais um apelo para que eu me case com ela, tem minha permissão para se retirar.

- Davy. Não falo como seu pajem, mas como seu amigo. Louise é linda, rica, poderosa, culta.

- Eu sei.

- A rainha Doris e a baronesa Mary sonham com o casamento de vocês desde que a Srta. Louise estava no berço.

- Eu sei.

- Vocês são amigos de infância.

- Eu também sei disso! Mas se a mamãe e a madrinha Mary querem me ver casado com Louise, vão ficar querendo. Lulu também não sente um pingo de vontade de se casar comigo.

- Davy...

            O príncipe levantou-se da cama, e caminhou até a grande janela. Passou a observar as pessoas lá embaixo.


- Micky, essa vida de príncipe está acabando comigo! Eu quero fazer coisas que os rapazes da minha idade fazem! Dançar numa discoteca, ir ao cinema...

- O senhor vai a bailes e ao teatro.

- Não é a mesma coisa e você sabe disso, meu amigo. – Davy sorriu. – E o que eu mais quero...

- O quê?

- Conhecer garotas sem um pingo de sangue azul correndo nas veias. Só para variar um pouco.

                                                                      ***




         Dianna Mackenzie precisava ir embora daquela festa o quanto antes. A música alta e a luz forte estavam dando-lhe uma dor de cabeça dos infernos. E no dia seguinte ainda teria que ir à bendita coletiva de imprensa com o príncipe...



- Merda. – ela resmungou, bebendo um último gole de Martini. – O assessor desse príncipe tinha mesmo que marcar uma coletiva de imprensa para as 9h? Espero que amanhã eu acorde sem essa dor de cabeça...


               Encontrou Emma Carlisle, sua melhor amiga e fotógrafa das suas reportagens.



- Emma, eu estou indo para casa.

- Mas já? Ainda são 23h30.

- Eu sei. E justamente por isso estou indo. Se eu fosse você, também já iria embora. Ou se esqueceu de que amanhã você tem um príncipe para fotografar?

- Não me esqueci, não se preocupe. Nos encontramos amanhã cedo no palacete do príncipe aqui em Roma.

- Beleza...


             Assim, Dianna saiu da festa e esperava na esquina por um táxi, quando viu um rapaz cambaleante vindo em sua direção. Sentiu um arrepio percorrer sua espinha e já repassava mentalmente todos os golpes de autodefesa que conhecia, quando o rapaz se aproximou e indagou, com a voz embargada:


- Você conhece esse poema? Über Allen Gipfeln / Ist Ruh/ In Allen Wipfeln/ Spürest du…

- Conheço sim. É de Goethe. Quem diria, um bêbado bem-vestido e culto!

- Em primeiro lugar, senhorita, é de Schiller. Em segundo lugar, eu não estou... Bêbado... – e ele caiu em cima de Dianna, que imediatamente tentou colocá-lo de pé.

- É de Goethe sim! Chama-se Wanderers Nachtlied. “Canção noturna do peregrino”.  E se não está bêbado, por que raios está caindo em cima de mim?

- Um remédio... Para dormir... – e ele caiu em cima dela novamente, desta vez ferrado no sono.

- Ei! Acorda! Eu não sou um travesseiro!

- Travesseiro... De penas de ganso canadense... Não aguento mais...

- Você é rico, hein? Mas reclama de boca cheia.

- Você reclamaria também... Se tivesse que ser perfeitamente educada 24 horas por dia, 7 dias por semana... – e dormiu outra vez.

- Puta merda... – ela resmungou.

- Reclamaria também se não pudesse soltar um palavrão sequer...


                Um táxi descia a rua, e Dianna fez sinal para ele. Enfiou o rapaz de qualquer jeito no banco traseiro e sentou-se no banco do passageiro.



- Por favor, leve-me primeiro aonde mora este rapaz... Ei! Você! Onde é que você mora?

- No palacete... Do rei Harry da Inglaterra... – o rapaz murmurou.

- Pode ser sóbrio por alguns segundos? Diga onde mora!

- Eu já disse...

- Ah, não estou com cabeça para aguentar um bêbado!

- Signorina, para onde vamos? – indagou o motorista, impaciente.

- Para minha casa! Depois o senhor se livra desse cara!

- Ele não é problema meu, bambina.

- Muito menos meu!

- Mas foi a signorina que o encontrou!

- Tem razão... Vamos para minha casa, então.


       Dianna deu ao taxista o endereço do prédio onde vivia. Lá chegando, não teve remédio senão arrastar o rapaz atrás dela até seu apartamento. Largou-o sentado no sofá e foi até o quarto buscar uma coberta e um travesseiro, contudo, ele a seguiu, perguntando:


- Teria alguma coisa mais confortável para eu vestir para dormir?

- Não, não tenho! – ela exclamou. – Não tem uma roupa de homem aqui há mais de um mês!

- Por quê? – ele indagou de maneira bastante inocente.

- Seria delicado se não me perguntasse nada a esse respeito.

- Ah... Tudo bem... Perfeitamente, senhorita...


             A moça colocou a coberta e o travesseiro nas mãos do rapaz, de má vontade. Abriu o guarda-roupa para pegar seu pijama, e quando se virou novamente, deu de cara com ele, que havia tirado a camisa, deitado em sua cama.


- Ei! É no sofá que você vai dormir, não na minha cama!

            Ele não respondeu. Dianna foi até ele e tentou empurrá-lo para fora.



- Anda! Levanta, caramba!


                    Nem se mexeu.



- Tá, tá, eu durmo no sofá! Você venceu! Cretino!


                                           
                   Ela pegou mais uma manta no guarda-roupa, e foi até a sala. Deitou-se no sofá, usando uma almofada no lugar do travesseiro, encontrou a posição mais confortável possível e finalmente dormiu.
                 Acordou com a campainha tocando insistentemente. Levantou-se, colocando os óculos, que havia deixado na mesinha ao lado do sofá. Abriu a porta.


- Emma!

- Me disse para não esquecer que tinha um príncipe para fotografar hoje cedo, e aí está você, Dianna! Dormindo!

- Que... Que horas são?

- 11h30!

- COMO É QUE É???

- A sua sorte é que a coletiva foi cancelada, Di.

- Cancelada?

- Está em todos os jornais de Roma! E em todos os grandes jornais do mundo! O príncipe amanheceu bastante indisposto, e cancelou todos os compromissos para hoje.  Mas afinal, por que dormiu até agora? Mal bebeu para estar de ressaca.

- Sim... Mas considere a dor de cabeça com que eu estava ontem... E some a uma noite mal-dormida naquele sofá...

- Por que dormiu no sofá?

- Venha até o meu quarto. O motivo está lá.

- O que houve? Goteiras? Baratas? Ratos?

- Não. Bem pior.


                   Dianna levou a amiga até seu quarto, abriu a porta e apontou para sua cama.




- Ele é o problema.

- Dianna! Trouxe seu amante para cá? Você anda mesmo sem dinheiro... Tá difícil pagar quarto até em uma espelunca vagabunda com pretensões de pensão? O que me surpreende mais é você deixar o folgado dormir na sua cama!

- Emma! Eu não quero mais ouvir a palavra “amante” ou qualquer uma relacionada pelo resto da vida.

- Eu hein! Ainda não esqueceu aquele francês vigarista?

- Não. Se eu o vir... Ou aquela vadia da Amber Henderson... Não respondo por meus atos!

- Esquece os dois pilantras. Se esse cara não é seu amante... O que ele tá fazendo aí?

- Longa história...


              Dianna relatou a Emma tudo o que havia se passado na noite anterior.



- E sabe o que é mais estranho de tudo? – Emma disse, ao fim da narrativa da amiga.

- O quê?

- Ele não te lembra alguém?

- Deveria?


                 Emma tirou um jornal da bolsa.


- Este é um exemplar do L’Opinione de hoje. Veja a manchete.

- “Príncipe David da Inglaterra acamado de súbito”.

- Leia o lead.

- “A assessoria de imprensa de Sua Alteza não fornece maiores informações; compromissos de hoje cancelados às pressas”.

- Agora olhe a foto dele. Olhe bem.


                         Dianna analisou bem a fotografia.


- Então?

- Ele parece... Parece... – Dianna olhava da foto para o rapaz deitado em sua cama e de volta para a foto. Tirou os óculos, limpou-os, colocou-os de novo e então olhou mais uma vez tanto para o rapaz quanto para a foto. – Caramba!

- Amiga... Tem um belo príncipe adormecido deitado na sua cama.

- De todas as encrencas em que eu poderia me meter...

- Por que não dá um beijinho nele para ele acordar? – Emma gracejou.

- Tá maluca? Eu não!

- Ora, vamos, Di! Ele é baixinho, concordo, mas devo admitir que é bem bonitinho.

- Bem... Ele é mesmo. – Dianna corou. – Mas não vou deixá-lo dormir na minha cama a tarde toda. Vou despachá-lo de volta para o palacete e é para já.

- E vai acordá-lo como? Beijinho? – Emma insistiu.

- JÁ DISSE QUE NÃO VOU ACORDAR O BELO ADORMECIDO COM UM BEIJO DE AMOR VERDADEIRO! Eu vou fazer outra coisa. Fica vendo.


                         Dianna foi até a cozinha com Emma em seu encalço. Encheu um copo com água e voltou ao quarto. Ela virou o líquido no rosto de Davy, que despertou de imediato.


- O que está havendo aqui? – ele se irritou.

- É quase meio-dia. Hora de levantar. – Dianna disse. – Bem... Acho que não nos apresentamos ontem à noite. Eu sou Dianna Mackenzie.

- Eu sou... Ludlow. – Davy esteve a ponto de revelar sua identidade, apesar de David Jones ser um nome comum. – Ludlow... Anderson. É um prazer conhecê-la, srta. Mackenzie.

- O prazer é todo meu, Ludlow. – Dianna sorriu, tentando não deixar transparecer que sabia da verdade. – Esta é minha amiga Emma Carlisle.

- Srta. Carlisle. – Davy sorriu para ela e fez uma mesura. – Bem... Se as senhoritas não se importam, eu... Preciso ir. – ele se levantou, vestindo a camisa de linho apressadamente e enfiando as botas de qualquer jeito.

- Ir para...?

- Para casa, onde mais? Bem, obrigado por me deixar passar a noite aqui, srta. Mackenzie, foi um prazer conhecê-la. Até mais ver.


                   E saiu. Emma e Dianna trocavam olhares apreensivos.


- Eu estou achando que Luddy não vai saber voltar para casa sozinho. – Emma disse.

- É. Também acho que não. – Dianna concordou. – E acho que ele saiu sem dinheiro.

- Di, você deveria ajudá-lo. E quem sabe... Conseguir uma matéria exclusiva!

- Matéria exclusiva?  Como?  “Assessoria de imprensa do príncipe mente; alega indisposição para acobertar sua fuga”?

- Melhor do que isso! “Príncipe David Jones da Inglaterra tira um dia de folga e faz passeio turístico por Roma, acompanhado por uma bela garota”. – Emma piscou.

- Você está me sugerindo que eu dê uma de Gregory Peck e ele seja a Audrey Hepburn? – Dianna riu.

- Exatamente! Sua situação está muito parecida com a do filme!

- Mas você sabe o que acontece. A princesa Ann e Joe Bradley se apaixonam. E não ficam juntos no final.

- Ah, Di, quantos nobres se casam com gente comum hoje em dia! Vai deixar de sair da rotina por isso?

- Sabe, Emma... Não é má ideia. Mas você tem que me dar cobertura. Não farei isso sem você.

- Pode contar comigo!

- Vamos atrás dele?

- Vamos.

        As duas o viram jogando bola com alguns meninos numa pracinha ali perto. Decidiram que o seguiriam de perto, mas sem ser vistas, e só deixariam que ele as visse quando ele estivesse prestes a se meter em alguma confusão. Em seguida, ele começou a caminhar despreocupadamente pela rua, a jornalista e a fotógrafa seguindo-o silenciosa e discretamente.
        Ele parecia estar impressionado com tudo o que via. Dianna percebeu que de fato ele era como a princesa Ann, a personagem de Audrey Hepburn. Acostumado a uma vida de muito luxo e erudição, recluso no palácio de Buckingham e desejoso de conhecer verdadeiramente o mundo.


- Tenho pena dele, Emma. Sei como é... Querer mais da vida. Apesar de muitos dizerem que ele não precisa de mais nada. – Dianna sorriu tristemente.

- Você achava que Washington era pouco, não é? – Emma sorriu para a amiga. Ela sabia o quanto Dianna havia lutado para se tornar independente dos pais, fazer a faculdade de Jornalismo e tornar-se uma correspondente internacional, como sempre sonhou.

- Sim. Eu cresci nos Estados Unidos, mas nasci na Europa. Eu sou inglesa. Sempre achei que seria mais feliz aqui no Velho Mundo. Não estava errada. Só espero que o príncipe David também consiga ser feliz.

- Para ele será mais difícil. Afinal... Ele tem seus deveres reais a cumprir. – Emma observou.

- Sim. – Dianna ficou compadecida.


           Continuaram caminhando e viram que Davy entrou numa rua comercial. Parecia-lhes que ele não iria aprontar nada... Até que ele viu um garotinho pobre, sujo e andrajoso, olhando avidamente para uma maçã. O menininho era muito magro, uma figura digna de muito dó.
              Davy não hesitou. Pegou a maçã da banquinha da quitanda e deu ao garoto, que deu um sorriso grande demais para o seu rosto.  As garotas sorriram diante daquele gesto de bondade. No entanto, logo se deram conta de algo: Davy não tinha dinheiro algum para pagar pela maçã.


- Ele ainda vai acabar sendo preso! – Emma exclamou.

- Não se eu for rápida e ajudá-lo! – Dianna respondeu, atravessando a rua e indo até onde estavam Davy, o menininho e o quitandeiro que exigia o pagamento pela maçã.

- E então, ragazzo? Onde está o dinheiro? – o quitandeiro esbravejava.

- Eu... – Davy estava embaraçado.

- Ah, aí está você, mano! – Dianna aproximou-se, atuando da melhor maneira possível. – Já te falei que só pode ser altruísta se eu estiver por perto com algum dinheiro! Quanto custa a maçã, signore?

- Quatro euros, signorina. – o quitandeiro resmungou.

- Aqui estão quatro euros, signore. – Dianna tirou algumas notas da carteira e colocou na mão do quitandeiro.

- Muito bem. Agora, fora daqui, os três!


               O menininho foi embora, muito feliz, comendo a maçã sofregamente e agradecendo a Davy e Dianna sem cessar. Os dois deram um pouco de carinho e conforto ao menino, porém, logo foram embora.



- Seu gesto foi... Lindo, em falta de palavra melhor. – Dianna sorriu. – Mas não pode sair por aí pegando maçãs de quitanda para garotinhos sem ter dinheiro para pagar por elas.

- Tem razão. Mas foi mais forte do que eu. O olhar dele era de dar pena a qualquer um que tenha um mínimo de coração.

- E já ficou óbvio que você tem muito.  – ela disse, afável.

- Obrigado. – Davy sorriu de volta.

                           Encontraram Emma, e os três começaram a conversar.


- De onde você veio, Ludlow? – Dianna indagou.

- Bem, hã... Sou inglês. Mas... Estou de férias aqui em Roma. – Davy respondeu.

- Conhece bem a cidade? – Emma indagou.

- Eu gostaria, senhorita.

- Bem... Emma e eu conhecemos bem Roma. Moramos aqui há quase quatro anos. Podemos te guiar num passeio, o que acha? – Dianna sugeriu.

- Eu ficaria... Encantado. – ele sorriu, pegando a mão de Dianna e beijando. A jovem ficou com as bochechas rosadas.

***

      No palácio, o pajem Micky e dois dos membros da comitiva do príncipe, Mike Nesmith e Peter Tork, estavam exasperados.


- Onde foi parar o príncipe? Ele não pode ter desaparecido no ar! - exclamou Mike.

- Quando foi a última vez que o viu, Micky?

- indagou Peter.

- Ontem à noite. - respondeu Micky. - Pediu-me que o deixasse dormir... Creio que ele aproveitou e fugiu.

- Tem certeza de que não foi raptado?

- Não, Mike! Não há nenhum vestígio de que as janelas ou a porta tenham sido forçadas.

- Então... Ele não deve ter ido muito longe. Vamos procurá-lo. - disse Peter.

***

      Dianna e Emma levaram Davy a alguns dos pontos turísticos de Roma que apareciam no filme A Princesa e O Plebeu. Tiraram várias fotos e se divertiram muito. Até que...


- Uma moto! Sempre quis andar numa! - exclamou o príncipe.

- Então vai! - Dianna disse, com um sorriso.

    Ela pagou ao rapaz que alugava as motos, subiu na garupa e mandou que Davy subisse. Quando ele segurou em sua cintura, Dianna sentiu um frio na parte baixa da barriga. Emma olhou para os dois com um sorriso malicioso no rosto e disse que os seguiria no seu carro.
    Enquanto pilotava a moto e sentia o vento no seu rosto, Dianna se deu conta de algo. Davy não merecia que ela fizesse o que estava pretendendo, que era fazer uma matéria sobre aquele dia e ganhar muito dinheiro com ela. Ele era um rapaz divertido e doce.... E ela gostava dele.
      E Davy se sentia livre. Nunca tinha se sentido tão alegre antes. E ele havia conhecido uma garota sem nenhum pingo de sangue azul nas veias. E do jeitinho que ele imaginava que seria uma garota de que ele gostaria.
        Depois de muito andarem, Dianna e Davy retornaram ao ponto de aluguel de motos e a devolveram. Ao descerem, Dianna indagou:


- Ludlow, Emma e eu vamos a uma discoteca essa noite. Quer ir junto?

       Davy nunca tinha ido a uma discoteca antes. Topou na mesma hora. Foram no carro de Emma. Emma causou uma sensação quando adentrou o salão. Ela era alta e muito bonita, e parecia ainda mais monumental no salto alto. Dois rapazes começaram a disputar uma dança com ela. Davy se afastou com Dianna assim que viu os dois rapazes, o que fez a jovem desconfiar.


- Tudo bem, Ludlow?

- Sim... Só não quero que o perdedor tire você para dançar. - ele deu um sorriso, que Dianna retribuiu.


       Como Dianna esperava, Davy não sabia dançar como os jovens comuns numa discoteca. Mas ela o ajudou como pôde, e ela viu que ele realmente era um pé de valsa. E falando em valsa...
     Começou a tocar uma música mais lenta. Davy trouxe Dianna para perto dele, seus corpos muito próximos, a mão dele na base de suas costas deixava a moça nervosa.
     Dançaram até o fim da música. Trocaram um olhar intenso, e Dianna disse, um pouco tímida, ainda segurando a mão de Davy:


- Ludlow... Eu gosto de você.

- Eu... Eu também gosto de você, Dianna. - ele respondeu, um pouco sem jeito. - Você é simpática e agradável, e...

- Mas não é assim que eu gosto de você... Eu gosto de você... Assim.

     E ela o beijou ardentemente. Seus dedos corriam pelos cabelos de Davy, e ele a trazia para mais perto. Quando se separaram, Davy continuou acariciando os cabelos de Dianna.


- Eu... Não devia ter feito isso. - disse ela.

- Por quê?

- Eu jurei... Que não ia mais me apaixonar.

- Por isso ontem à noite me disse que não havia mais roupas masculinas na sua casa.

- Sim. Meu último envolvimento terminou mal. Ele... Ele me deixou. Foi embora com outra mulher.

        Davy se sentiu mal por Dianna.


- Ele devia ser um idiota, se deixou você. Se... Se eu pudesse, nunca a deixaria. Tenho que contar algo, Dianna.

- O quê? - ela imaginava o que ele ia dizer.

- Meu nome não é Ludlow Anderson. É David Jones. E eu sou o príncipe da Inglaterra.

       Dianna pensou em fingir estar surpresa, contudo, não conseguiu.


- Eu já sabia... Desde hoje cedo. Eu... Pensei em te levar num passeio em Roma, como num filme em que um jornalista e uma princesa fugitiva se encontram...

- Eu sei, A Princesa e O Plebeu.

- Então você sabia que... Eu estava tentando montar uma matéria para o jornal em que trabalho?

- Eu... Desconfiava. Mas eu também queria viver uma aventura. E vi que você também estava se divertindo. Deixei levar.

- E... Você se lembra do que aconteceu no final?

- Lembro. Mas... Não precisamos terminar como a princesa Ann e Joe Bradley.

- Como não? Você ainda é um príncipe, e eu ainda sou uma plebeia.

- Os tempos estão mudando. Fica comigo, Dianna. - ele beijou a mão dela.

- Eu queria muito. - Dianna sorriu.

- Lá está ele! - um dos rapazes que estava tentando dançar com Emma exclamou.

- É Mike Nesmith, um dos membros da minha comitiva! - Davy se assustou.

- Vai se juntar a ele? - Dianna perguntou.

- Não! Vou ficar mais um tempo sumido. Quero aproveitar a vida.

- Davy... Você tem seus deveres reais.

    Isso fez o rapaz cair em si. Ela tinha razão.


- Você... Você está certa, Dianna. Eu vou...

      Eles se beijaram mais uma vez.


- Só não se esqueça de mim e da nossa aventura de hoje, está bem? - Dianna pediu, acariciando o rosto dele.

- Fala como se nunca mais fôssemos nos ver. E, se depender de mim, vamos nos ver muitas e muitas vezes ainda. Mas eu nunca poderia esquecê-la.

     Ele a beijou na testa e foi se juntar aos dois rapazes que disputaram uma dança com Emma e um outro, loiro. Dianna o acompanhou com o olhar até a porta da discoteca se fechar atrás dele. Ela suspirou, triste. Emma foi até ela.


- Aonde foi Luddy?

- Embora.

- EMBORA?

- Sim. Aqueles caras que queriam dançar com você eram membros da comitiva dele e estavam procurando-no. Ele me contou toda a verdade, e eu confessei que já sabia. E contei sobre... O que nós pretendíamos.

- Não vai mais publicar a matéria, não é?

- Eu não posso fazer isso.

- Mas ainda quer as fotos, certo?

- Claro. Para guardar de recordação. Eu... Eu gosto dele, Emma.

- Eu sei muito bem disso. - Emma sorriu.

***

   
     Dianna foi para casa, já conformada com o fato de que provavelmente nunca mais veria Davy. Mas sabia que também nunca o esqueceria.
     Sonhou com ele toda a noite. Beijando-a, abraçando-a, afagando seu corpo, dizendo palavras doces. Dianna caiu da cama às seis da manhã, com o telefone tocando.


- Dianna?

- Emma? O que foi?

- Davy vai dar uma coletiva de imprensa hoje, às 10 horas. Temos que ir lá.

- TEMOS?

- Sim. Aguente, amiga.

- Vou tentar...

      Emma foi buscar Dianna em seu apartamento, e as duas foram juntas para o palacete que a família real inglesa mantinha em Roma. Davy recebia os jornalistas em um grande salão de audiências, sentado num trono, parecendo desconfortável.
       Dianna e Emma ficaram bem na frente. Ele as viu, e seu rosto se iluminou. Respondeu às perguntas que lhe faziam da forma mais polida que pôde. Até que um jornalista lhe indagou:


- De todos os lugares em que esteve durante a sua viagem ao redor da Europa, de qual mais gostou, Alteza? E por quê?

- Roma. - respondeu ele, prontamente.

- Roma? Mesmo não tendo passado bem de saúde?

- Na verdade... Eu estava era doente de tédio. Saí, em busca de aventura, como Audrey Hepburn naquele filme. E... Eu encontrei uma pessoa que mudou minha vida. Ela está nesta sala. Dianna, obrigado por tudo! - ele sorriu, olhando fixamente para ela.

       Todos os jornalistas se viraram para vê-la, e ela corou.

- Dianna, venha para Londres comigo, por favor! - pediu ele.

         A jovem não sabia o que dizer.

- Aceite. - Emma sussurrou.
- Eu... Eu vou. - Dianna respondeu.

            Os jornalistas abriram espaço, e a moça foi até Davy. Ele pegou as mãos dela e beijou.

- Eu conversei com meus pais, expliquei tudo o que houve e que não desejo me casar com a noiva que escolheram para mim. E concordaram em me deixar livre. Estou livre para escolher meu destino.

            Dianna sorriu. Ela iria a Londres com Davy, e o ensinaria a viver uma vida comum, enquanto ele mostraria a ela a rotina da corte. Teriam muito o que aprender um com o outro... Incluindo os caminhos do amor.





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