(Dianna's POV)
No
meu quarto de hotel, Gerd ficou vendo um jogo do Paris Saint-Germain contra...
O Manchester United. Justo o time do Davy. Fiquei lendo o livro de John Donne. Já
tinha ouvido falar desse poeta inglês do século XVII, mas nunca tinha lido nada
dele. Gerd fez uma boa escolha.
Chamei o serviço de
quarto pedindo alguma coisa para Gerd e eu jantarmos. Ele tentou conversar
comigo, perguntando o que eu estava achando do livro, e me empolguei comentando
sobre os poemas, falando de rimas, métrica e figuras de linguagem... Coisas que
não interessam a quem não é nem poeta nem estudioso de literatura. Eu sou uma
anta.
Depois da refeição,
eu voltei para a leitura do livro, e Gerd conversava com alguém por mensagem no
celular. Devia ser Sepp, Franz ou até mesmo Alice. Dei de ombros. Até que
encontrei um poema chamado Infinitude dos
Amantes. Lembrou-me... Davy, claro. Peguei o celular e digitei:
Esse
poema me lembrou você.
Digitei todo o
poema para ele.
Se até agora ainda não possuo todo o teu amor,
Querida, nunca o terei de todo.
Não posso soltar mais um suspiro, comover-me,
Nem suplicar a mais outra lágrima que corra;
E todo o meu tesouro, que deveria comprar-te —
Suspiros, lágrimas, juras e cartas — já gastei.
Porém, nada mais me poderá ser devido,
Além do proposto no negócio acordado:
Se então a tua dádiva de amor foi parcial,
Que parte a mim, parte a outros, caberia,
Querida, nunca te possuirei totalmente.
Mas, se então me deste tudo,
Tudo seria apenas o tudo que ao tempo tinhas;
E se em teu coração, desde então, existe ou venha
A existir novo amor gerado por outros homens,
Cujos haveres estejam intactos e possam, em lágrimas,
Em suspiros, em juras e cartas, exceder a minha oferta,
Este novo amor pode suscitar novos receios,
Dado que um tal amor não foi jurado por ti.
Mas se foi, sendo as tuas dádivas gerais,
O terreno — o teu coração —, é meu, e o que quer
Que nele cresça, querida, pertence-me totalmente.
Porém, também não o quereria todo ainda,
Porque quem tudo tem nada mais pode possuir
E visto que o meu amor deve aceitar cada dia
Um novo aumento, deverias reservar-me novas recompensas.
Não podes dar-me o teu coração todos os dias,
Porque se pudesses, é porque nunca mo tinhas dado.
E tais são os enigmas do amor: ainda que teu coração parta,
Fica em casa; e ao perdê-lo, tu salvaste-o.
Mas nós encontraremos um caminho mais nobre
Que a troca de corações: poderemos uni-los, e assim
Seremos um, e o todo de cada um.
Querida, nunca o terei de todo.
Não posso soltar mais um suspiro, comover-me,
Nem suplicar a mais outra lágrima que corra;
E todo o meu tesouro, que deveria comprar-te —
Suspiros, lágrimas, juras e cartas — já gastei.
Porém, nada mais me poderá ser devido,
Além do proposto no negócio acordado:
Se então a tua dádiva de amor foi parcial,
Que parte a mim, parte a outros, caberia,
Querida, nunca te possuirei totalmente.
Mas, se então me deste tudo,
Tudo seria apenas o tudo que ao tempo tinhas;
E se em teu coração, desde então, existe ou venha
A existir novo amor gerado por outros homens,
Cujos haveres estejam intactos e possam, em lágrimas,
Em suspiros, em juras e cartas, exceder a minha oferta,
Este novo amor pode suscitar novos receios,
Dado que um tal amor não foi jurado por ti.
Mas se foi, sendo as tuas dádivas gerais,
O terreno — o teu coração —, é meu, e o que quer
Que nele cresça, querida, pertence-me totalmente.
Porém, também não o quereria todo ainda,
Porque quem tudo tem nada mais pode possuir
E visto que o meu amor deve aceitar cada dia
Um novo aumento, deverias reservar-me novas recompensas.
Não podes dar-me o teu coração todos os dias,
Porque se pudesses, é porque nunca mo tinhas dado.
E tais são os enigmas do amor: ainda que teu coração parta,
Fica em casa; e ao perdê-lo, tu salvaste-o.
Mas nós encontraremos um caminho mais nobre
Que a troca de corações: poderemos uni-los, e assim
Seremos um, e o todo de cada um.
Guardei o celular,
desejando ardentemente que eu recebesse uma resposta que fosse. Fomos deitar, e
desta vez Gerd não quis fazer amor, o que foi uma surpresa muito grande, considerando
a noite anterior. Acho que ele realmente está desconfiado de mim.
Em condições
normais, eu poderia ter ficado com bastante ciúme por ter visto Gerd com
Louise, e não acreditado na história de que eles se encontraram por acaso. O
fato era que eu não estava com ciúme e tampouco achava que Gerd estava
mentindo. Mas era bem provável que ele não acreditasse que encontrei Davy por
acaso. E a culpa voltou a se abater sobre mim.
Gerd ressonava,
e meu celular apitou. Coloquei no silencioso. E vi a mensagem. Davy.
Pesquisei
esse poema na internet e descobri que o autor se chama John Donne e foi um
pastor anglicano do século XVII. Mas com algumas alterações, poderia
perfeitamente bem ser uma historiadora do século XXI que prefere se dedicar à poesia,
chamada Dianna Mackenzie.
Não
exagera, Cuddly Toy. Não tenho um décimo do talento dele.
É
o que você acha. Mas parece muito um poema que você poderia ter escrito...
Sobre nós.
Sim.
E...
Como estão as coisas com a muralha humana?
Ele
parece arrependido por ter brigado comigo de manhã. Me deu um livro, que foi
onde achei o poema. Mas... Não quis fazer amor hoje. Sei lá. Ele deve estar tão
confuso quanto eu. E você e Louise?
Horrível.
Ela deve estar furiosa comigo por causa do almoço até agora.
Eu
também estaria! Você deveria ter ido almoçar com ela, não comigo.
Eu
tinha marcado com você antes. ;)
Vai
se achando, garanhão. Falando sério, Davy, a gente podia ter marcado outro dia.
Acontece
que eu queria ver você. Demais.
Você
diz isso para todas as suas amantes, Valmont?
Alto
lá! Eu sou Danceny. Você me desvirtuou, Marquesa.
Ah,
a culpa é minha?
Não...
A culpa é do Cupido. Que me flechou assim que vi você.
Já
está falando como um poeta... Ou um conquistador barato.
Platão
dizia que todo homem se torna poeta ao toque do amor.
E
ele estava certo. Algumas pessoas se tornam literalmente poetas... Eu, por
exemplo.
Então
aqueles poemas do seu livro eram sobre Gerd. Têm que ser.
Não
são! São sobre você.
Como
pode ter certeza? Você não me conhecia.
Talvez
nessa vida ainda não. Eu... Acho que estava determinado que teríamos que nos
encontrar. Meu coração sabia disso. E coloquei isso em meus poemas de forma
mais ou menos inconsciente. Desculpa, eu tenho meus momentos de esoterismo.
Tudo
bem, faz todo o sentido do mundo para mim, agora que você explicou. E concordo.
Mas... Por que tínhamos que nos encontrar assim?
Não
sei. Há coisas que não podemos compreender... Mas, se tivermos mesmo que ficar
juntos, isso vai acontecer. Não sei quando, nem como. Mas vai acontecer.
Aguardarei
esse dia ansioso.
Sorri e
digitei:
Eu
também. Mas agora... Preciso dormir um pouco.
Tudo
bem. Também vou tentar dormir. Boa noite, Di.
Boa
noite, Davy.
Desliguei o
wi-fi e o 3G do celular, coloquei-o sobre o criado-mudo e me ajeitei para
dormir.
(Davy’s
POV)
Na manhã
seguinte, Louise acordou de bom humor. Considerando que ela estava cuspindo
marimbondo na noite anterior, fiquei com um pé atrás. Ela até preparou o café
da manhã e me recebeu com um sorriso no rosto. Acho que tenho poucas horas,
talvez minutos, de vida.
- Dormiu bem, McCutie? – ela se levantou da cadeira, veio até
atrás da minha e massageou meus ombros.
- Hã... Sim, McLovely, e você?
- Melhor impossível. Fiz ovos mexidos para você, exatamente
como os da tia Doris!
Ah, não. Os
ovos mexidos à moda da minha mãe? Decididamente eu vou morrer.
- Poxa... Obrigado, Lulu.
- Imagina. – ela me estendeu o prato com ovos mexidos.
Provei. Estavam deliciosos, como tudo que
Lulu prepara na cozinha. Ela tem mãos de fada. Mas como dizem... Peixe morre
pelo estômago, e Davy Jones também.
- Amorzinho... Não é por nada, mas por que está me
paparicando?
- Nossa, Davy! O que tem de mais? – ela pareceu ofendida.
- Nada... É legal, mas... Ontem você estava furiosa comigo.
- Decidi esquecer isso. Você deve ter tido um bom motivo. –
ela veio até mim e me deu um beijo na bochecha. – Termine o seu café e depois
vamos pro estúdio, vamos ter um dia cheio!
Lulu é uma
fofa, mas tenho certeza absoluta de que ela está aprontando alguma. E eu vou me
dar muito mal.
Após eu ter
terminado de comer, seguimos para o duplex de Odile. Lá chegando, descobrimos
que haveria não só gravação de cenas, mas também uma sessão de fotos
promocionais do filme. Eu não estava com facilidade para me concentrar naquela
manhã. Só pensava no que Lulu estava planejando, e ela teve que chamar a minha
atenção para subirmos para o estúdio de cima. Odile tinha chamado para tirar as
fotos uma fotógrafa chamada Emily Fitzwilliam. O nome me era familiar. Devia
ser parente de uma amiga minha chamada Fanny Fitzwilliam.
Acompanhei
enquanto Emily tirava as fotos do elenco. Quando foram fotografados junto, Gerd
e Louise até mesmo riam entre um clique e outro. Acho que eles se perdoaram. E
Gerd realmente incorporava Felix Helström diante das lentes. Abraçava Louise,
punha a mão em sua cintura. Eu deveria me importar com isso... Mas fiquei menos
incomodado do que era de se esperar. As coisas realmente mudaram.
Nora e Sepp,
Franz e Odile, Peter e Felicity foram fotografados, juntos e separados. E
chegou a minha vez de ser fotografado com Di.
- Oi. – ela me cumprimentou enquanto nos preparávamos e Emily
ajustava sua câmera.
- Oi. – eu retribuí.
Ela estava
visivelmente nervosa. Talvez temesse represálias de Gerd, Lulu... Ou Felicity,
que nos olhava de um modo bem desagradável. Decidi que não me deixaria
intimidar por ela.
- Davy, abrace a Di por trás. – disse Emily.
Fiz como ela
ordenou. Di colocou as mãos sobre as minhas.
- Ótimo. – disse a fotógrafa. – Agora... Dianna, vire seu
rosto para olhar para ele.
Di obedeceu.
- Perfeito. – Emily falou, e tirou a foto.
Em seguida, ela
ordenou que Dianna virasse totalmente o corpo, olhando diretamente para mim. E
que eu a beijasse na testa. Desde quando esse filme virou comédia romântica
adolescente?
Por fim, Emily
disse para darmos as mãos, mas não muito firme, e separássemos bem nossos
corpos, nossas mãos unidas quase que somente pelas pontas dos dedos. Agora era
um drama. Di me olhou, e embora Emily
não tenha ordenado isso, ela tinha angústia nos olhos. Era como se a situação
de Hillary e Alexander fosse um reflexo da nossa. Doía ter que admitir a mim
mesmo que era exatamente assim. Hillary se sente constantemente ameaçada por
Poppy, e Di se sente de certo modo ameaçada por Louise. E por Gerd também.
Depois que acabamos
a sessão de fotos, Di foi para um dos quartos se livrar das roupas de Hillary e
limpar a maquiagem do rosto. Eu também ia trocar de roupa, contudo, Louise foi
até mim e disse:
- Preciso conversar com você quando chegar em casa.
- Tudo bem...
Eu sabia! Estou
ferrado. Se eu sobreviver a essa noite, ficarei bem surpreso.
(Mike’s
POV)
Hoje as bandas estavam de folga das gravações da trilha
sonora do filme de Odile Greyhound.
Desde aquele café da manhã que ela ofereceu para o elenco, as bandas e o
staff, eu não conseguia parar de pensar na baixista e vocalista da English
Band, Alana Watson.
Na verdade eu
estava de olho nela desde que as duas bandas se encontraram pela primeira vez.
Ela é divertida, talentosa... E bonita. Nunca pensei que eu iria me sentir atraído
por uma mulher tão pequenina. Mas não resisto a ela.
Vê-la imitar
Elvis, rebolando mais discretamente que o Rei, foi minha perdição. Mas tem um
problema. Um jogador alemão chamado Toni Kroos, namorado dela, que a defende
com unhas e dentes.
Mas, naquele café... Ela acariciou minha
perna com seu pezinho tão delicado. Por um triz não chegou à região mais
sensível. Tentei manter o autocontrole o melhor que pude. E Emma pareceu não
gostar nada disso.
Emma é outra
questão preocupante. Ela namorava Micky, ficou comigo, voltou para Micky. E
agora manifesta esse desagrado. Mais do que ser atraído sexualmente por Emma,
eu gosto dela. Mesmo ela sendo problemática. Indecisa e por vezes agressiva,
como pude testemunhar no caso de Louise McGold. No entanto, sei que apesar de
tudo ela é uma boa pessoa.
Só gostaria de que ela chegasse a uma
resolução. Não quero perder Micky por causa dela, seja como amigo... Seja como
amante. Como Davy e Peter, Micky e eu temos uma ligação mais profunda do que
mera amizade. A ponto de eu topar passar uma noite com ele e Emma.
Para desanuviar um pouco minha mente,
decidi tocar uma música dos Everly Brothers de que gosto muito, por seu estilo
country, chamada The Price Of Love.
Lembrava-me Emma, lembrava-me Alana.
- Cantando, Nez? – indagou
Peter, chegando praticamente do nada.
- Peter! Que susto! Mas sim.
- Pensando em Emma? – meu amigo
indagou, sentando-se no sofá e afinando seu baixo.
- Não só nela.
- Tem outra na jogada, é?
- Tem... Alana Watson.
- A baixista da English Band?
Ela combina com você.
- Que bom que você acha isso. E
você e a Felicity?
- Ah, minha supernova... Por
enquanto, mais do mesmo. Ela quer que eu volte para a Erin. Coisa que não vou
fazer.
- Mas você gostava bastante da Erin.
- Eu amava a Erin. Mas...
Felicity surgiu, e o meu mundo virou de cabeça para baixo. Não posso continuar
com Erin. Isso seria enganá-la e fazê-la sofrer. Já expliquei isso ao Davy.
- Bom, se você acha que é o
certo... Olha, não é que eu não goste de ter você e o Davy morando aqui em
casa, mas vocês dois tiveram alguma sorte procurando um lugar para vocês?
- Sim, achamos, mas se o Davy
voltar mesmo a morar com a Louise não vai compensar para mim.
- Não?
- Não. O senhorio, Mr. Babbitt,
é um pão-duro. E cobra bem caro. Davy e eu íamos rachar. Agora não tenho
certeza do que vamos fazer.
- Você está bem triste com isso,
né? Imagino o que você e o Davy fariam, só vocês dois, numa casa. – sorri malicioso.
- Fica quieto, Nesmith. Você
faria o mesmo com Micky. Mas sim, estou meio chateado com isso. Contudo... Se
meu amorzinho voltar com a Louise e ficar feliz, isso é o que importa para mim.
- Bem... Você acha que eu
deveria tentar me aproximar de Alana? E esquecer Emma?
- Acho sim, principalmente a
última parte. A Emma não é para você, Nez. Lamento dizer isso, mas é a verdade.
E, já que estou sendo franco... Acho que Louise não serve para Davy.
- Estava demorando para você
dizer isso. Me conte seu plano para raptar o Davy todinho para você. –
gracejei.
- Eu tô falando sério, Mike. Ela
não serve para ele. Ela... Ela está envolvida com outro homem.
- De novo aquela história da
cena de sexo? É furada, Peter. Não viu como o Müller gritava com ela naquele
dia? Argh, detesto aquele alemão.
- MAS EU PEGUEI OS DOIS SE
BEIJANDO NAQUELE MESMÍSSIMO DIA!
Ok, por essa eu não esperava. Louise, toda
delicada, com aquele chucrute enorme? Seria mesmo possível? Coitado do Davy.
Apesar de que ele parece estar meio obcecado pela... Ex-noiva? Ou eles
retomaram? Seja lá o que Dianna for de Gerd, Davy parece estar meio obcecado
por ela.
- Você tá falando sério, cara?
- Seríssimo! Eu vou ensinar uma
coisa pra eles...
- Peter! Veja lá o que você vai
fazer! Não se esqueça de que Louise é prima da Felicity. Você não quer mais
encrenca com a sua supernova, né? – eu o adverti.
- Claro que não. Mas também não
quero mais Louise fazendo o Davy de besta.
- O Davy é meu amigo também, mas
você tem que concordar comigo sobre uma coisa, Peter: ele trai a Louise com a
Dianna.
- Tá vendo? Tem sentido eles
continuarem juntos, se um está fazendo o outro de corno? Não!
- E a sua querida galesa altona
está louca para matar o Davy e a Dianna. Você mesmo me contou isso.
- Eu sei, eu sei... – ele puxou
o celular do bolso. – Mike, pega as coisas.
- Por quê?
- Davy mandou uma mensagem. Bob
e Bert querem que a gente grave o clipe de She
Hangs Out, lá no apartamento da Odile. E eu achei que eu já estava livre.
Se soubesse, eu já teria ficado por lá.
- Bom... Vamos então.
(Peter’s POV)
Ter que voltar ao estúdio no duplex de Odile
veio bem a calhar. Eu tinha um plano para sabotar o affair de Louise e Gerd. Lá
chegando, vi que Davy e Louise estavam bem distantes um do outro. E Dianna e
Gerd também. Eu queria alertar Davy sobre a McLovely dele, ou Dianna sobre seu
noivo, mas não pude. Bob exclamou, quando Mike e eu entramos:
- Ah, aí estão vocês!
- Micky acabou de chegar também.
– disse Bert, puxando Micky por um cotovelo e eu também. – Vamos gravar esse
clipe, rapazes! Louise, você vem também!
Nós quatro, além de Louise, fomos levados
até um pequeno palquinho improvisado. Bob e Bert nos falaram para subir e pegar
nossos respectivos instrumentos... Exceto Davy, que dançaria no espaço livre no
meio do palco. De cada lado do palco havia uma plataforma um pouco mais alta
que o palco.
- Para quê essas plataformas? –
quis saber Mike, apontando-as.
- Para as garotas. – respondeu
Bob.
- Garotas? – repetimos Mike,
Micky, Davy e eu.
- Sim. Louise e mais as outras
duas. Podem vir, meninas!
Eram Emma e Erin, usando vestidos
pretos e salto alto.
- A partir de agora, elas são as
Monkettes! – Bert anunciou. – Louise, você também vai aparecer, vista isso. –
ele deu a ela um vestido e um par de sapatos idênticos aos das outras duas.
Louise não ficou feliz. Olhei para Emma,
e ela olhava para Micky e Mike. Os dois estavam com os olhos pregados nas
pernas longilíneas dela. Dianna parecia incomodada, mas não ia fazer nada
porque as garotas são suas amigas. Pelo jeito, ela leva o caso dela com Davy
bem a sério. Erin me olhava do mesmo jeito com que costumava me olhar
antigamente, quando queria me seduzir. E quando arrisquei olhar para
Felicity... Acho que ela queria me matar. Ué, mas ela não estava trocando
mensagens com um tal de Johan Cruyff? Sei lá.
Começamos a gravar, mesmo que as garotas
parecessem um pouco desconfortáveis, sobretudo Louise, que não estava parecendo
nada feliz por ter que bancar a dançarina. E ela já não estava muito contente
com Davy, de qualquer maneira. Nós improvisávamos bastante, e isso dava um
toque engraçado ao clipe. Davy até me puxou para dançar um pouquinho com ele.
Até que ele subiu na plataforma à sua direita, onde estava Louise.
Mike e eu trocamos um olhar malicioso.
Davy passou o braço perto do pescoço dela, mas frouxo o bastante para não
enforcá-la. E eles continuaram dançando. Olhei de esguelha para Gerd e
Dianna... E nenhum dos dois estava gostando. Louise tinha um sorrisinho de
triunfo no rosto. E Dianna ficou ainda mais indignada. Vi os dois se afastando,
mas cada um em uma direção diferente.
Até que terminamos de gravar. Subi para o estúdio de cima, gravar minha
cena com Felicity. Eu estava nervoso com isso. Mas antes... Eu tinha que executar
meu plano. Entrei de fininho no camarim do Gerd. A mochila de Gerd estava sobre
a cadeira, diante daqueles espelhos com lâmpadas na moldura. Remexi dentro da
mochila e achei o celular dele. Abri o WhatsApp na conversa com Louise e
digitei:
Melhor não vir hoje à noite. Não estou bem.
Apertei o botão de enviar. Com sorte, meu
plano funcionaria maravilhosamente bem.
(Mike’s POV)
No dia seguinte à gravação do clipe,
fomos mais cedo para o estúdio, para gravar mais músicas. Davy bebeu um pouco
de água e disse, alto o bastante para Gerd ouvir lá do outro lado:
- Sabe, acho que vai ser um dos
nossos melhores clipes. E Lulu se divertiu, ela merecia, depois de ser tratada
de um modo tão deplorável por aquele homem das cavernas germânico!
Gerd virou-se e veio avançando para
cima de Davy, parecendo um urso furioso:
- DO QUE VOCÊ ME CHAMOU, NANICO?
- Homem das cavernas. Porque é
isso mesmo que você é!
- Você acha que engoli levar
isso de você? – ele apontou para o olho ainda um pouco roxo. – NUNCA! E PENSA
QUE EU NÃO REPAREI COMO VOCÊ OLHA PARA A MINHA NOIVA? EU NÃO SOU IDIOTA!
- EU TAMBÉM NÃO! VOCÊ TAMBÉM
OLHA DEMAIS PARA A MINHA NAMORADA!
A essa altura, todo mundo, menos
Odile, estava olhando. Principalmente Dianna, agora que a discussão dizia respeito
principalmente a ela e Louise. E agora Gerd tinha agarrado Davy pelo pescoço.
- EU VOU MATAR VOCÊ, SEU COTOCO
DE GENTE!
- GERD! POR FAVOR, LARGA ELE! –
Dianna gritou.
No mesmo momento em que Gerd virou-se para
Dianna e ia dizer alguma coisa, Davy chutou-o bem no meio das pernas, fazendo
Gerd soltá-lo, e saiu correndo. O que aconteceu em seguida foi digno de Tom e Jerry. Davy corria pelo estúdio,
com Gerd correndo atrás dele. Micky tentou ajudar Davy, mas também levou uns
murros. Gerd atirava coisas nos dois, e eles também atiravam coisas para se
defender. Resultado: o estúdio ficou destruído.
Gerd finalmente tinha conseguido
alcançar Micky e Davy. Peter e eu corremos para salvá-los, e Sepp, Franz e
Michael tentavam conter Gerd.
- Vou arrancar o couro de vocês
dois e fazer um casaco de pele de macaco! – ele gritou.
Louise chegou e tomou um susto com a
bagunça.
- Não vamos contar para Odile,
está bem? – pediu Franz.
Concordamos e
começamos a limpar tudo.

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