domingo, 26 de junho de 2016

Stop! In The Name Of Love - Capítulo 13 - Parte 2

Fiquem agora com a segunda parte do capítulo 13 de Stop!





(Dianna's POV)

               

     No meu quarto de hotel, Gerd ficou vendo um jogo do Paris Saint-Germain contra... O Manchester United. Justo o time do Davy. Fiquei lendo o livro de John Donne. Já tinha ouvido falar desse poeta inglês do século XVII, mas nunca tinha lido nada dele. Gerd fez uma boa escolha.
     Chamei o serviço de quarto pedindo alguma coisa para Gerd e eu jantarmos. Ele tentou conversar comigo, perguntando o que eu estava achando do livro, e me empolguei comentando sobre os poemas, falando de rimas, métrica e figuras de linguagem... Coisas que não interessam a quem não é nem poeta nem estudioso de literatura. Eu sou uma anta.
     Depois da refeição, eu voltei para a leitura do livro, e Gerd conversava com alguém por mensagem no celular. Devia ser Sepp, Franz ou até mesmo Alice. Dei de ombros. Até que encontrei um poema chamado Infinitude dos Amantes. Lembrou-me... Davy, claro. Peguei o celular e digitei:



Esse poema me lembrou você.

       

       Digitei todo o poema para ele.




Se até agora ainda não possuo todo o teu amor, 
Querida, nunca o terei de todo. 
Não posso soltar mais um suspiro, comover-me, 
Nem suplicar a mais outra lágrima que corra; 
E todo o meu tesouro, que deveria comprar-te — 
Suspiros, lágrimas, juras e cartas — já gastei. 
Porém, nada mais me poderá ser devido, 
Além do proposto no negócio acordado: 
Se então a tua dádiva de amor foi parcial, 
Que parte a mim, parte a outros, caberia, 
          Querida, nunca te possuirei totalmente. 

Mas, se então me deste tudo, 
Tudo seria apenas o tudo que ao tempo tinhas; 
E se em teu coração, desde então, existe ou venha 
A existir novo amor gerado por outros homens, 
Cujos haveres estejam intactos e possam, em lágrimas, 
Em suspiros, em juras e cartas, exceder a minha oferta, 
Este novo amor pode suscitar novos receios, 
Dado que um tal amor não foi jurado por ti. 
Mas se foi, sendo as tuas dádivas gerais, 
O terreno — o teu coração —, é meu, e o que quer 
          Que nele cresça, querida, pertence-me totalmente. 

Porém, também não o quereria todo ainda, 
Porque quem tudo tem nada mais pode possuir 
E visto que o meu amor deve aceitar cada dia 
Um novo aumento, deverias reservar-me novas recompensas. 
Não podes dar-me o teu coração todos os dias, 
Porque se pudesses, é porque nunca mo tinhas dado. 
E tais são os enigmas do amor: ainda que teu coração parta, 
Fica em casa; e ao perdê-lo, tu salvaste-o. 
Mas nós encontraremos um caminho mais nobre 
Que a troca de corações: poderemos uni-los, e assim 
          Seremos um, e o todo de cada um.



   

   Guardei o celular, desejando ardentemente que eu recebesse uma resposta que fosse. Fomos deitar, e desta vez Gerd não quis fazer amor, o que foi uma surpresa muito grande, considerando a noite anterior. Acho que ele realmente está desconfiado de mim.
   Em condições normais, eu poderia ter ficado com bastante ciúme por ter visto Gerd com Louise, e não acreditado na história de que eles se encontraram por acaso. O fato era que eu não estava com ciúme e tampouco achava que Gerd estava mentindo. Mas era bem provável que ele não acreditasse que encontrei Davy por acaso. E a culpa voltou a se abater sobre mim.
   Gerd ressonava, e meu celular apitou. Coloquei no silencioso. E vi a mensagem. Davy.




Pesquisei esse poema na internet e descobri que o autor se chama John Donne e foi um pastor anglicano do século XVII. Mas com algumas alterações, poderia perfeitamente bem ser uma historiadora do século XXI que prefere se dedicar à poesia, chamada Dianna Mackenzie.


Não exagera, Cuddly Toy. Não tenho um décimo do talento dele.


É o que você acha. Mas parece muito um poema que você poderia ter escrito... Sobre nós.


Sim.


E... Como estão as coisas com a muralha humana?


Ele parece arrependido por ter brigado comigo de manhã. Me deu um livro, que foi onde achei o poema. Mas... Não quis fazer amor hoje. Sei lá. Ele deve estar tão confuso quanto eu. E você e Louise?


Horrível. Ela deve estar furiosa comigo por causa do almoço até agora.


Eu também estaria! Você deveria ter ido almoçar com ela, não comigo.


Eu tinha marcado com você antes.  ;)


Vai se achando, garanhão. Falando sério, Davy, a gente podia ter marcado outro dia.


Acontece que eu queria ver você. Demais.


Você diz isso para todas as suas amantes, Valmont?


Alto lá! Eu sou Danceny. Você me desvirtuou, Marquesa.


Ah, a culpa é minha?


Não... A culpa é do Cupido. Que me flechou assim que vi você.


Já está falando como um poeta... Ou um conquistador barato.


Platão dizia que todo homem se torna poeta ao toque do amor.


E ele estava certo. Algumas pessoas se tornam literalmente poetas... Eu, por exemplo.


Então aqueles poemas do seu livro eram sobre Gerd. Têm que ser.


Não são! São sobre você.


Como pode ter certeza? Você não me conhecia.


Talvez nessa vida ainda não. Eu... Acho que estava determinado que teríamos que nos encontrar. Meu coração sabia disso. E coloquei isso em meus poemas de forma mais ou menos inconsciente. Desculpa, eu tenho meus momentos de esoterismo.


Tudo bem, faz todo o sentido do mundo para mim, agora que você explicou. E concordo. Mas... Por que tínhamos que nos encontrar assim?


Não sei. Há coisas que não podemos compreender... Mas, se tivermos mesmo que ficar juntos, isso vai acontecer. Não sei quando, nem como. Mas vai acontecer.


Aguardarei esse dia ansioso.


         Sorri e digitei:



Eu também. Mas agora... Preciso dormir um pouco.


Tudo bem. Também vou tentar dormir. Boa noite, Di.


Boa noite, Davy.


        

        Desliguei o wi-fi e o 3G do celular, coloquei-o sobre o criado-mudo e me ajeitei para dormir.





(Davy’s POV)



        

    Na manhã seguinte, Louise acordou de bom humor. Considerando que ela estava cuspindo marimbondo na noite anterior, fiquei com um pé atrás. Ela até preparou o café da manhã e me recebeu com um sorriso no rosto. Acho que tenho poucas horas, talvez minutos, de vida.



- Dormiu bem, McCutie? – ela se levantou da cadeira, veio até atrás da minha e massageou meus ombros.

- Hã... Sim, McLovely, e você?

- Melhor impossível. Fiz ovos mexidos para você, exatamente como os da tia Doris!


            
     Ah, não. Os ovos mexidos à moda da minha mãe? Decididamente eu vou morrer.




- Poxa... Obrigado, Lulu.

- Imagina. – ela me estendeu o prato com ovos mexidos.

           

      Provei. Estavam deliciosos, como tudo que Lulu prepara na cozinha. Ela tem mãos de fada. Mas como dizem... Peixe morre pelo estômago, e Davy Jones também.




- Amorzinho... Não é por nada, mas por que está me paparicando?

- Nossa, Davy! O que tem de mais? – ela pareceu ofendida.

- Nada... É legal, mas... Ontem você estava furiosa comigo.

- Decidi esquecer isso. Você deve ter tido um bom motivo. – ela veio até mim e me deu um beijo na bochecha. – Termine o seu café e depois vamos pro estúdio, vamos ter um dia cheio!


          

        Lulu é uma fofa, mas tenho certeza absoluta de que ela está aprontando alguma. E eu vou me dar muito mal.
       Após eu ter terminado de comer, seguimos para o duplex de Odile. Lá chegando, descobrimos que haveria não só gravação de cenas, mas também uma sessão de fotos promocionais do filme. Eu não estava com facilidade para me concentrar naquela manhã. Só pensava no que Lulu estava planejando, e ela teve que chamar a minha atenção para subirmos para o estúdio de cima. Odile tinha chamado para tirar as fotos uma fotógrafa chamada Emily Fitzwilliam. O nome me era familiar. Devia ser parente de uma amiga minha chamada Fanny Fitzwilliam.
      Acompanhei enquanto Emily tirava as fotos do elenco. Quando foram fotografados junto, Gerd e Louise até mesmo riam entre um clique e outro. Acho que eles se perdoaram. E Gerd realmente incorporava Felix Helström diante das lentes. Abraçava Louise, punha a mão em sua cintura. Eu deveria me importar com isso... Mas fiquei menos incomodado do que era de se esperar. As coisas realmente mudaram.
      Nora e Sepp, Franz e Odile, Peter e Felicity foram fotografados, juntos e separados. E chegou a minha vez de ser fotografado com Di.



- Oi. – ela me cumprimentou enquanto nos preparávamos e Emily ajustava sua câmera.

- Oi. – eu retribuí.


        

     Ela estava visivelmente nervosa. Talvez temesse represálias de Gerd, Lulu... Ou Felicity, que nos olhava de um modo bem desagradável. Decidi que não me deixaria intimidar por ela.




- Davy, abrace a Di por trás. – disse Emily.

        
      
         Fiz como ela ordenou. Di colocou as mãos sobre as minhas.




- Ótimo. – disse a fotógrafa. – Agora... Dianna, vire seu rosto para olhar para ele.


        

         Di obedeceu.




- Perfeito. – Emily falou, e tirou a foto.


     

      Em seguida, ela ordenou que Dianna virasse totalmente o corpo, olhando diretamente para mim. E que eu a beijasse na testa. Desde quando esse filme virou comédia romântica adolescente?
      Por fim, Emily disse para darmos as mãos, mas não muito firme, e separássemos bem nossos corpos, nossas mãos unidas quase que somente pelas pontas dos dedos. Agora era um drama.  Di me olhou, e embora Emily não tenha ordenado isso, ela tinha angústia nos olhos. Era como se a situação de Hillary e Alexander fosse um reflexo da nossa. Doía ter que admitir a mim mesmo que era exatamente assim. Hillary se sente constantemente ameaçada por Poppy, e Di se sente de certo modo ameaçada por Louise. E por Gerd também.
     Depois que acabamos a sessão de fotos, Di foi para um dos quartos se livrar das roupas de Hillary e limpar a maquiagem do rosto. Eu também ia trocar de roupa, contudo, Louise foi até mim e disse:



- Preciso conversar com você quando chegar em casa.

- Tudo bem...


        
         Eu sabia! Estou ferrado. Se eu sobreviver a essa noite, ficarei bem surpreso.





(Mike’s POV)





      Hoje as bandas estavam de folga das gravações da trilha sonora do filme de Odile Greyhound.  Desde aquele café da manhã que ela ofereceu para o elenco, as bandas e o staff, eu não conseguia parar de pensar na baixista e vocalista da English Band, Alana Watson.
     Na verdade eu estava de olho nela desde que as duas bandas se encontraram pela primeira vez. Ela é divertida, talentosa... E bonita. Nunca pensei que eu iria me sentir atraído por uma mulher tão pequenina. Mas não resisto a ela.
     Vê-la imitar Elvis, rebolando mais discretamente que o Rei, foi minha perdição. Mas tem um problema. Um jogador alemão chamado Toni Kroos, namorado dela, que a defende com unhas e dentes.
     Mas, naquele café... Ela acariciou minha perna com seu pezinho tão delicado. Por um triz não chegou à região mais sensível. Tentei manter o autocontrole o melhor que pude. E Emma pareceu não gostar nada disso.
     Emma é outra questão preocupante. Ela namorava Micky, ficou comigo, voltou para Micky. E agora manifesta esse desagrado. Mais do que ser atraído sexualmente por Emma, eu gosto dela. Mesmo ela sendo problemática. Indecisa e por vezes agressiva, como pude testemunhar no caso de Louise McGold. No entanto, sei que apesar de tudo ela é uma boa pessoa.
     Só gostaria de que ela chegasse a uma resolução. Não quero perder Micky por causa dela, seja como amigo... Seja como amante. Como Davy e Peter, Micky e eu temos uma ligação mais profunda do que mera amizade. A ponto de eu topar passar uma noite com ele e Emma.
     Para desanuviar um pouco minha mente, decidi tocar uma música dos Everly Brothers de que gosto muito, por seu estilo country, chamada The Price Of Love. Lembrava-me Emma, lembrava-me Alana.




- Cantando, Nez? – indagou Peter, chegando praticamente do nada.

- Peter! Que susto! Mas sim.

- Pensando em Emma? – meu amigo indagou, sentando-se no sofá e afinando seu baixo.

- Não só nela.

- Tem outra na jogada, é?

- Tem... Alana Watson.

- A baixista da English Band? Ela combina com você.

- Que bom que você acha isso. E você e a Felicity?

- Ah, minha supernova... Por enquanto, mais do mesmo. Ela quer que eu volte para a Erin. Coisa que não vou fazer.

- Mas você gostava bastante da Erin.

- Eu amava a Erin. Mas... Felicity surgiu, e o meu mundo virou de cabeça para baixo. Não posso continuar com Erin. Isso seria enganá-la e fazê-la sofrer. Já expliquei isso ao Davy.

- Bom, se você acha que é o certo... Olha, não é que eu não goste de ter você e o Davy morando aqui em casa, mas vocês dois tiveram alguma sorte procurando um lugar para vocês?

- Sim, achamos, mas se o Davy voltar mesmo a morar com a Louise não vai compensar para mim.

- Não?

- Não. O senhorio, Mr. Babbitt, é um pão-duro. E cobra bem caro. Davy e eu íamos rachar. Agora não tenho certeza do que vamos fazer.

- Você está bem triste com isso, né? Imagino o que você e o Davy fariam, só vocês dois, numa casa.  – sorri malicioso.

- Fica quieto, Nesmith. Você faria o mesmo com Micky. Mas sim, estou meio chateado com isso. Contudo... Se meu amorzinho voltar com a Louise e ficar feliz, isso é o que importa para mim.

- Bem... Você acha que eu deveria tentar me aproximar de Alana? E esquecer Emma?

- Acho sim, principalmente a última parte. A Emma não é para você, Nez. Lamento dizer isso, mas é a verdade. E, já que estou sendo franco... Acho que Louise não serve para Davy.

- Estava demorando para você dizer isso. Me conte seu plano para raptar o Davy todinho para você. – gracejei.

- Eu tô falando sério, Mike. Ela não serve para ele. Ela... Ela está envolvida com outro homem.

- De novo aquela história da cena de sexo? É furada, Peter. Não viu como o Müller gritava com ela naquele dia? Argh, detesto aquele alemão.

- MAS EU PEGUEI OS DOIS SE BEIJANDO NAQUELE MESMÍSSIMO DIA!


    

    Ok, por essa eu não esperava. Louise, toda delicada, com aquele chucrute enorme? Seria mesmo possível? Coitado do Davy. Apesar de que ele parece estar meio obcecado pela... Ex-noiva? Ou eles retomaram? Seja lá o que Dianna for de Gerd, Davy parece estar meio obcecado por ela.


- Você tá falando sério, cara?

- Seríssimo! Eu vou ensinar uma coisa pra eles...

- Peter! Veja lá o que você vai fazer! Não se esqueça de que Louise é prima da Felicity. Você não quer mais encrenca com a sua supernova, né? – eu o adverti.

- Claro que não. Mas também não quero mais Louise fazendo o Davy de besta.

- O Davy é meu amigo também, mas você tem que concordar comigo sobre uma coisa, Peter: ele trai a Louise com a Dianna.

- Tá vendo? Tem sentido eles continuarem juntos, se um está fazendo o outro de corno? Não!

- E a sua querida galesa altona está louca para matar o Davy e a Dianna. Você mesmo me contou isso.

- Eu sei, eu sei... – ele puxou o celular do bolso. – Mike, pega as coisas.

- Por quê?

- Davy mandou uma mensagem. Bob e Bert querem que a gente grave o clipe de She Hangs Out, lá no apartamento da Odile. E eu achei que eu já estava livre. Se soubesse, eu já teria ficado por lá.

- Bom... Vamos então.




(Peter’s POV)




   Ter que voltar ao estúdio no duplex de Odile veio bem a calhar. Eu tinha um plano para sabotar o affair de Louise e Gerd. Lá chegando, vi que Davy e Louise estavam bem distantes um do outro. E Dianna e Gerd também. Eu queria alertar Davy sobre a McLovely dele, ou Dianna sobre seu noivo, mas não pude. Bob exclamou, quando Mike e eu entramos:



- Ah, aí estão vocês!

- Micky acabou de chegar também. – disse Bert, puxando Micky por um cotovelo e eu também. – Vamos gravar esse clipe, rapazes! Louise, você vem também!


      
    Nós quatro, além de Louise, fomos levados até um pequeno palquinho improvisado. Bob e Bert nos falaram para subir e pegar nossos respectivos instrumentos... Exceto Davy, que dançaria no espaço livre no meio do palco. De cada lado do palco havia uma plataforma um pouco mais alta que o palco.



- Para quê essas plataformas? – quis saber Mike, apontando-as.

- Para as garotas. – respondeu Bob.

- Garotas? – repetimos Mike, Micky, Davy e eu.

- Sim. Louise e mais as outras duas. Podem vir, meninas!


          
         Eram Emma e Erin, usando vestidos pretos e salto alto.
  


- A partir de agora, elas são as Monkettes! – Bert anunciou. – Louise, você também vai aparecer, vista isso. – ele deu a ela um vestido e um par de sapatos idênticos aos das outras duas.


         Louise não ficou feliz. Olhei para Emma, e ela olhava para Micky e Mike. Os dois estavam com os olhos pregados nas pernas longilíneas dela. Dianna parecia incomodada, mas não ia fazer nada porque as garotas são suas amigas. Pelo jeito, ela leva o caso dela com Davy bem a sério. Erin me olhava do mesmo jeito com que costumava me olhar antigamente, quando queria me seduzir. E quando arrisquei olhar para Felicity... Acho que ela queria me matar. Ué, mas ela não estava trocando mensagens com um tal de Johan Cruyff? Sei lá.
        Começamos a gravar, mesmo que as garotas parecessem um pouco desconfortáveis, sobretudo Louise, que não estava parecendo nada feliz por ter que bancar a dançarina. E ela já não estava muito contente com Davy, de qualquer maneira. Nós improvisávamos bastante, e isso dava um toque engraçado ao clipe. Davy até me puxou para dançar um pouquinho com ele. Até que ele subiu na plataforma à sua direita, onde estava Louise.
       Mike e eu trocamos um olhar malicioso. Davy passou o braço perto do pescoço dela, mas frouxo o bastante para não enforcá-la. E eles continuaram dançando. Olhei de esguelha para Gerd e Dianna... E nenhum dos dois estava gostando. Louise tinha um sorrisinho de triunfo no rosto. E Dianna ficou ainda mais indignada. Vi os dois se afastando, mas cada um em uma direção diferente.  Até que terminamos de gravar. Subi para o estúdio de cima, gravar minha cena com Felicity. Eu estava nervoso com isso. Mas antes... Eu tinha que executar meu plano. Entrei de fininho no camarim do Gerd. A mochila de Gerd estava sobre a cadeira, diante daqueles espelhos com lâmpadas na moldura. Remexi dentro da mochila e achei o celular dele. Abri o WhatsApp na conversa com Louise e digitei:



Melhor não vir hoje à noite. Não estou bem.


         
    Apertei o botão de enviar. Com sorte, meu plano funcionaria maravilhosamente bem.





(Mike’s POV)


          

      No dia seguinte à gravação do clipe, fomos mais cedo para o estúdio, para gravar mais músicas. Davy bebeu um pouco de água e disse, alto o bastante para Gerd ouvir lá do outro lado:



- Sabe, acho que vai ser um dos nossos melhores clipes. E Lulu se divertiu, ela merecia, depois de ser tratada de um modo tão deplorável por aquele homem das cavernas germânico!

          

      Gerd virou-se e veio avançando para cima de Davy, parecendo um urso furioso:



- DO QUE VOCÊ ME CHAMOU, NANICO?

- Homem das cavernas. Porque é isso mesmo que você é!

- Você acha que engoli levar isso de você? – ele apontou para o olho ainda um pouco roxo. – NUNCA! E PENSA QUE EU NÃO REPAREI COMO VOCÊ OLHA PARA A MINHA NOIVA? EU NÃO SOU IDIOTA!

- EU TAMBÉM NÃO! VOCÊ TAMBÉM OLHA DEMAIS PARA A MINHA NAMORADA!


         

       A essa altura, todo mundo, menos Odile, estava olhando. Principalmente Dianna, agora que a discussão dizia respeito principalmente a ela e Louise. E agora Gerd tinha agarrado Davy pelo pescoço.




- EU VOU MATAR VOCÊ, SEU COTOCO DE GENTE!

- GERD! POR FAVOR, LARGA ELE! – Dianna gritou.


    

     No mesmo momento em que Gerd virou-se para Dianna e ia dizer alguma coisa, Davy chutou-o bem no meio das pernas, fazendo Gerd soltá-lo, e saiu correndo. O que aconteceu em seguida foi digno de Tom e Jerry. Davy corria pelo estúdio, com Gerd correndo atrás dele. Micky tentou ajudar Davy, mas também levou uns murros. Gerd atirava coisas nos dois, e eles também atiravam coisas para se defender. Resultado: o estúdio ficou destruído.
     Gerd finalmente tinha conseguido alcançar Micky e Davy. Peter e eu corremos para salvá-los, e Sepp, Franz e Michael tentavam conter Gerd.


- Vou arrancar o couro de vocês dois e fazer um casaco de pele de macaco! – ele gritou.

     

       Louise chegou e tomou um susto com a bagunça.




- Não vamos contar para Odile, está bem? – pediu Franz.


        

          Concordamos e começamos a limpar tudo.






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