Boa tarde! Mais um capítulo da fic inspirada em Harry Potter pra vocês!
Passada a primeira tarefa, a escola voltou quase ao normal. As aulas transcorriam da maneira habitual, já que agora não havia sequer boatos circulando sobre a próxima tarefa. E, aparentemente, toda a escola estava mais do que certa que Davy e Lulu não tinham ido parar no torneio por livre e espontânea vontade. A não ser que eles fossem suicidas. Na verdade, agora muita gente que antes se opunha a eles os bajulava.
Porém, na segunda quarta-feira após a primeira tarefa, Louise recebeu em seu correio-coruja a edição do dia do Profeta Diário, e viu na capa a seguinte manchete em letras garrafais: "OS POMBINHOS DO TORNEIO TRIBRUXO". Embaixo, uma foto mágica dela e de Davy se abraçando, cortada em forma de coração.
- Não acredito que ela teve coragem! - Davy exclamou, quando Louise mostrou o jornal a ele.
- Teve.
- Pelo jeito Kathy não blefa. - Peter falou.
- Ela vai me pagar...
***
Gerd também leu a matéria de capa do Profeta Diário, e não pareceu nada feliz.
- Eu vou matar esse nanico... - Gerd rosnava, na mesa da Grifinória.
- Sinceramente, Gerd? Eu acho que isso aí é só boataria. - disse Franz, passando geleia numa torrada.
- Mas aqueles dois estão sempre grudados... É bem possível que seja verdade.
- Aborde Louise. - sugeriu Sepp.
- Ah, claro, e revelar que estou apaixonado por ela e levar um "não" monumental na cara. Não, Sepp, melhor deixar como está.
Gerd voltou sua atenção para a tigela de cereal, mas continuou a olhar para a mesa da Lufa-lufa, parecendo pronto para matar Davy.
Na mesa da Corvinal, Dianna e suas amigas também liam juntas a matéria de Kathy Giordano. Dianna estava branca e parecia muito magoada. Não tocava na comida.
- Ora, Di, não fique assim. - Erin disse, passando para a prima uma fatia de torrada com bastante manteiga.
- Todo mundo sabe que a Kathy Giordano é uma mentirosa. - disse Emma. - Ela gosta de inventar histórias, e o Profeta a mantém no time de repórteres porque as histórias dela vendem edições do jornal feito água.
- E ademais... - continuou Alice. - Eu nunca ouvi meu sol dizer que é apaixonada por ele. Nunca. Sempre se referiu a Davy como quase um irmão para ela.
- Bom, não faz diferença, eu não tenho chance com ele mesmo. - Dianna suspirou e se levantou da mesa. Saiu pela porta do Grande Salão e Louise, ao vê-la, decidiu falar com ela.
- Dianna, posso falar com você? - pediu Louise, ao alcançá-la na escada que levava ao andar de cima.
- Pode. - Dianna permitiu, indagando-se o que Louise queria com ela. Talvez soubesse que ela gostava de Davy e viesse dizer para que ficasse longe dele.
- Eu... Imagino que você tenha lido a edição do Profeta Diário de hoje.
- Sim... - Dianna confirmou, com medo.
- Eu gostaria de deixar bem claro que aquilo é uma mentira deslavada. Eu não tenho nada com Davy além de uma grande amizade.
- Tudo bem... Mas por que veio me dizer isso? - a garota da Corvinal tentou se fazer de desentendida.
- Dianna, eu sei que você gosta dele.
- Todo mundo sabe que eu gosto do Davy... Se abusar, até ele próprio.
- Ah, ele não sabe. - Louise garantiu. - Ele é muito tapado. Mas eu vou ajudar você.
Os olhos de Dianna se iluminaram.
- Você... Você pode me ajudar, Louise?
- Posso, quero e vou. Prometo.
Então Louise fez algo que Dianna jamais imaginaria que ela faria. Aproximou-se, acariciou o rosto dela... E a beijou. As duas garotas se abraçavam forte, cada uma pressionando o corpo da outra contra o seu.
- Louise... - Dianna suspirou, quando pararam para recuperar o fôlego.
- Não pude resistir. - Louise tocou os lábios de Dianna. - Você é linda e adorável. Pena que o Davy seja tão cegueta. Mas eu vou abrir os olhos dele.
- Ah, Louise, eu sou só uma nerd esquisitona. Ele jamais vai dar bola pra mim.
- É o que você pensa.
- Eu... Eu tentei partir pra outra. O François Villeneuve da Beauxbatons me convidou para tomar cerveja amanteigada com ele no Três Vassouras, você sabe, aquele pub em Hogsmeade. Mas eu recusei.
- Prometo que vou fazer a ficha do Davy cair. Vai dar certo.
- Assim eu espero. - Dianna suspirou.
***
No sábado à tarde, os alunos foram convocados ao Grande Salão. Tudo que encontraram foi o salão com as mesas encostadas nas paredes, deixando um enorme espaço vazio no meio. E um gramofone gigante mais ou menos no mesmo lugar que a mesa dos professores ocupava. O diretor Rafelson e o vice-diretor Schneider tinham um grande sorriso no rosto.
- Imagino que estejam se perguntando por que foram chamados aqui e as mesas foram afastadas. - disse o diretor. - Bem, alguns de vocês já devem saber que uma das tradições do Torneio Tribruxo é o Baile de Inverno, que se realiza na noite da véspera de Natal. Bom, convocamos vocês para que... Treinem para não fazer feio no baile. Formem pares, e quando todo mundo tiver um parceiro, colocaremos a música para tocar. Muito bem, escolham um par!
Davy e Louise instintivamente se juntaram. Louise viu Gerd se juntar a uma garota da Grifinória chamada Uschi, e ficou muito incomodada. Alice formou par com um garoto da Lufa-Lufa muito engraçado chamado Michael Palin.
O diretor colocou a música para tocar e os casais começaram a deslizar e girar pelo salão, alguns desajeitadamente, outros com mais habilidade. Davy era um bom dançarino, e Louise o acompanhava com facilidade.
Então Davy viu uma coisa do outro lado do salão que pareceu desagradá-lo.
- O que foi? - quis saber Louise, intrigada.
- Dianna, dançando com aquele francês de cabelo lambido, o primo da Odile? Ele é um babaca, não sei como ela atura esse sujeito!
Lulu olhou e viu que era verdade. François Villeneuve tinha oferecido o braço a Dianna e ela aceitou. Louise deu um sorriso por perceber que isso tinha incomodado Davy.
A música mudou, e Gerd soltou-se de Uschi, que pareceu muito insatisfeita. Ele foi até Louise e Davy e indagou:
- Louise, me concederia essa dança?
- Deve perguntar ao meu par antes. - Louise respondeu com veemência.
- Bem...? - Gerd olhava ansiosamente para Davy.
- Tudo bem.
Davy soltou Lulu e Gerd deu o braço a ela. O garoto tentou ir até Dianna, mas François não parecia nem um pouco disposto a conceder Dianna para outro parceiro.
Mesmo assim, Davy não se deu por vencido. Foi até eles, e indagou:
- Com licença... Dianna, gostaria de dançar comigo?
Os olhos da menina estavam maiores do que nunca.
- Oh, sim, eu ador...
- Eu crrreeio que é a mim que deve pedir perrrmisson, midget. - respondeu François, parecendo mais alto e intimidante do que nunca, apesar de muito magro.
- Ah, François, não seja ridículo! - Dianna exclamou. - Eu aceito dançar com você sim, Davy. - Dianna sorriu.
Ela se soltou de François e foi até Davy, que ofereceu o braço a ela. O francês não ficou nada feliz. Percebeu o que afinal fazia Dianna não o corresponder.
A música recomeçou, e Davy e Dianna se divertiram muito dançando. Louise e as amigas de Dianna viram isso, e não puderam deixar de perceber que aos poucos os dois se aproximavam.
Conforme os dias passavam, todos tentavam conseguir um par para ir ao baile. E Louise e Davy viram algo de anormal acontecer. Muitos garotos, de todas as séries, abordavam a menina. E Davy também era perseguido pelas meninas.
Um dia, um garoto do sexto ano da Lufa-lufa, um dos que havia ficado contra Lulu e Davy e declarado apoio a Colin, correu atrás dela no corredor.
- Louise! Louise!
- O que você quer, Luke?
- Eu... Queria te dar uma caixa de doces da Dedos de Mel. Espero que goste.
- Ah, eu fico muito agradecida.
- E, hã, eu também ficaria feliz se você aceitasse meu convite para ir ao baile...
- Eu vou pensar com carinho, mas...
- DESCULPE, MENINAS, MAS A SESSÃO DE AUTÓGRAFOS ACABOU! - era Davy. - Lulu, vamos jantar? Estou faminto.
- Claro. Até mais, Luke. - Louise se despediu, se afastando com Davy.
- Qual era a do cara do sexto ano? - quis saber ele.
- Ele veio me dar uma caixa de doces... - Louise mostrou a caixa a Davy. - Estranho. Ele nunca ligou para mim, e inclusive declarou que estava totalmente do lado do Colin. Até aquele button horroroso "JONES FEDE" eu já o vi usando.
- Vira-casaca. Deve ter ficado impressionado com seu desempenho na primeira tarefa.
- Provavelmente... E você? Nunca vi você fugindo de garotas... Normalmente é o contrário.
- Pois é. Um bandinho deu pra me seguir agora. Querendo que eu autografe as mais diversas coisas: cadernos, blusas, chapéus, bolsas... E até, hã... Peças íntimas. - Davy ficou vermelho. - E dos mais variados modos: com pena, batom, até rímel. Isso é mais estranho que o seu pai começar a distribuir balinhas no Halloween.
- Tem razão...
No jantar, Davy indagou a Peter:
- Você já sabe quem vai convidar para o baile?
- Não... Acho mais fácil eu levar a mim mesmo. Na verdade, eu tenho uma lista de possibilidades.
- Huuuuum, Peter está podendo. - Louise gracejou.
- Podendo nada. E sim desenvolvendo quedas por mais garotas do que eu deveria. O problema é uma delas já estar livre.
Peter mostrou um pergaminho com uma listagem de garotas. As "musas" de Peter. A maioria delas tinha o nome riscado.
- Felicity McGold vai com Gordon Waller, da casa dela. Suzan Hardison já aceitou o convite do Micky. Anastacia Rosely tem um namorado enorme, eu que não me meto. Fanny Fitzwilliam.... Eu não tenho a menor dúvida de que ela vai com o Dylan. Só sobraram a Erin Hudson e a Miranda Martin.
- Do que estão falando? - quiseram saber Mike e Micky, se sentando em cadeiras recém-liberadas na mesa da Lufa-lufa.
- Pares para o baile. - explicou Louise.
- Bom, eu já tenho o meu. - disse Micky.
- Pois é, e por isso estou ficando sem opção. - resmungou Peter.
- E você, Nez? - quis saber Davy.
- Bem... - Mike fez sinal para os amigos se aproximarem. A essa altura Odile já tinha vindo da mesa da Corvinal para a da Lufa-lufa também. Então Mike disse, em um sussurro: - Quero convidar Alana Watson.
- A garota lupina? - indagou Odile.
- Sim. Eu sei que ela não tem o gene. E mesmo que tivesse... Eu ainda iria querer que ela fosse comigo. - Nez sorriu.
- É assim que se fala! - as meninas exclamaram.
No outro dia, Davy e Lulu foram ainda mais assediados. Davy não teve escolha senão autografar alguns cadernos e outros objetos mais estranhos. Já Louise era seguida por rapazes fosse aonde fosse, e Davy não parecia ser um escudo eficiente, pois ele era frequentemente arrastado por uma enxurrada das suas admiradoras.
- Vocês não sabem como isso está me irritando. - Dianna resmungou, ao ver Davy entrar quinze minutos atrasado na aula de História da Magia, descabelado, com a gravata frouxa e o rosto cheio de marcas de batom. - Duvido que qualquer uma dessas meninas goste dele um décimo do quanto eu gosto.
- Diz isso porque nunca conseguiu ficar sozinha com ele. Aposto que ia deixá-lo nesse estado. - Emma riu.
- Que é isso, Emma... - Dianna ficou corada e voltou a copiar a matéria. Mas não duvidava de que ele fosse ficar muito diferente se ficassem a sós...
Mais tarde, Dianna ia à biblioteca fazer uma consulta rápida, quando encontrou Gerd Müller.
- Olá, Di.
- Olá, Gerd. Como vai?
- Bem... Mas você não parece nada bem.
- Impressão sua. Estou ótima.
- Desculpa, mas você está longe de estar ótima.
- Ah, de que me adianta esconder? Estou péssima. Essas garotas rondando o Davy... Estão dando nos meus nervos.
- Imagino. E eu digo o mesmo sobre esse bando de baba-ovos, seguindo a Louise.
- Semanas atrás, esse pessoal estava zombando dos dois.
- Pois é. Eu queria falar com Louise, convidá-la para o baile, mas está tão difícil assim...
- Entendo.
Do outro lado do castelo, Davy e Louise estavam saindo da aula de Transfiguração, quando uma garota do terceiro ano, muito sardenta, aproximou-se e disse:
- Para você, Davy. São... Da chocolateria do meu pai. Cortesia minha para você. Bem... Espero que goste.
Ela depositou uma caixa em forma de coração nas mãos dele e se afastou. Davy já achou suspeito pelo formato da caixa. Louise disse:
- Acho melhor... Mostrar isso pro papai.
- E os doces que você ganhou?
- Nem mexi. Vamos à Sala Comunal pegá-los e depois vamos à sala do meu pai mostrar isso para ele.
Na sala do prof. McGold...
- Vocês dois foram muito sensatos em me mostrarem esses doces antes de comê-los. Dois jovens mais gulosos já teriam se empanturrado e teriam sofrido com os efeitos das poções.
- Poções? - indagou Davy.
- Sim, Davy. Esses bombons e os doces que Louise ganhou não são recheados com licor, como vocês pensariam caso os comessem sem se preocupar. Estão recheados com Amortentia. Poção do amor. Só pelo cheiro dá para perceber. Acredito que o rapaz que presenteou Louise e a garota que deu esses bombons a você, Davy, planejavam fazer vocês se apaixonarem por eles, de modo que você, Louise, aceitaria o convite do rapaz para ir ao baile, e você, Davy, convidaria a menina para ir com você.
- Eu já disse que vou com Louise...
- Ah, mas vocês dois não podem ir juntos. - disse Anthony.
- Por que não, pai? - quis saber Louise.
- Regras. Campeões do Torneio Tribruxo não podem ir juntos. Vocês vão ter que arranjar outros pares.
- Que droga. - os dois resmungaram.
- Sinto muito. Bem, agora me ouçam. Louise, não use ou coma presente nenhum dos seus admiradores. Sempre os mostre para mim. Sempre. E o mesmo vale para você, Davy. Feitiços e poções de amor e sedução são muito perigosos, ainda mais quando produzidos por bruxos jovens e inexperientes. Entendido?
- Sim, senhor. - os jovens responderam em coro.
Os dias passavam. E o baile se aproximava. As amigas de Dianna conversavam animadas no almoço sobre seus pares no baile.
- Michael Palin da Lufa-lufa me convidou para ir ao baile com ele. E eu aceitei. - disse Alice, muito alegre.
- Aquele bonitão do Harry Hughes me convidou. - Emma contou. - Ele é da Sonserina, mas ele parece ser mais do que um rostinho bonito. Vamos ver o que dá.
- E eu estou na dúvida se já convido o Peter Tork ou se espero algum garoto me convidar. - Erin falou.
- Se eu fosse você, convidava. Se eu ao menos tivesse coragem de convidar o Davy... - Dianna murmurou.
François passou perto das garotas naquele mesmo momento. E perguntou:
- Dianna, posso falarrr com você?
- Hã... Claro, François. - Dianna concordou, se levantando. Ela imaginava o que ele queria.
Dianna e François saíram do Grande Salão e ele a fez se sentar nos primeiros degraus de pedra da escadaria que levava do térreo ao primeiro andar.
- Dianna... - François parecia meditar sobre as palavras que diria, e pegou a mão dela, se aproximando um pouco mais. A menina engoliu em seco. - Eu... Eu gosto muito de você, desde que chegamos a Ogwarrrts.
- François, eu também gosto bastante de você. Acho que nos tornamos bons amigos.
- Amigos? Eu querrria ser bem mais que amigo seu...
E, para a surpresa da garota, ele tomou seus lábios num beijo. Dianna sentiu todos os pelos de seu corpo se arrepiarem com o susto. Não podia negar que François realmente sabia beijar, mas...
- François, pare. - pediu ela, empurrando-o.
- Dianna, porrr favorrr. Vá ao baile comigo. É tudo que eu peço.
- François... - Dianna se levantou dos degraus, e começou a andar em círculos. - Eu não posso aceitar.
- Pourquoi? - ele estava visivelmente nervoso. Nem sequer tentou falar em inglês.
- Se eu aceitar ir ao baile com você, farei que crie falsas esperanças. Desculpa, François, mas... Eu gosto de outro garoto.
- Outrrro garrroto? Quem? Aquele midget que tirrrou você parrra dançar no ensaio?
Dianna não respondeu. Ficou muito vermelha e olhou para seus próprios pés, sem conseguir encarar François.
- É ele. Eu sei que é. - François olhava para Dianna, decepcionado.
- François, me perdoa...
- Tá tudo bem...
E ele foi embora. Dianna se sentia muito mal. Resolveu retornar à Sala Comunal da Corvinal. Na Sala Comunal, ela foi direto para o dormitório. Sentou-se na cama, e olhou para o poster de Davy em suas vestes de quadribol, piscando.
- Acho que recusei o único garoto que me quer como companhia para o baile. - ela suspirou. - Mas o que eu podia fazer...?
A situação estava ficando crítica. O número de rapazes que queria levar Louise crescia mais e mais, um chegou a pedi-la em casamento, e o de garotas que queriam que Davy as convidasse também.
Anthony chamou a filha ao seu escritório, e Louise foi, tendo certeza quase absoluta do que se tratava.
- O senhor mandou me chamar, papai?
- Sim, filha. - disse o professor de Poções. - Sente-se. - com a varinha, ele puxou uma cadeira para a filha.
- O que eu fiz? - Louise morria de medo de quando seu pai a mandava se sentar.
- Nada, minha querida, nada. Só quero conversar.
Louise se sentou e ficou encarando os olhos do pai. Ele pigarreou e disse:
- Bem, Louise, eu não posso deixar de reparar na enorme quantidade de garotos que pediram para levar você ao baile.
- Parece que quantos mais eu recuso, mais aparecem!
- De fato. E é por isso que eu vou, entre todos esses rapazes que a convidaram, selecionar dois. E eles vão duelar entre si. O vencedor leva você.
- Como??? Pai, eu não sou uma taça do campeonato de quadribol para ser objeto de disputa!
- Louise, eu tenho o direito de querer que você vá com o melhor par possível.
- E a minha vontade? Como é que fica? - a garota se levantou, enfurecida.
- Louise! LOUISE CHRISTINA MCGOLD!
- Tchau, pai. - resmungou ela, batendo a porta.
Ela encontrou Davy e Peter na Sala Comunal da Lufa-lufa e contou tudo a eles.
- Pois é. Até me levar ao baile se tornou uma competição. - ela se lamentou.
- E quem são esses garotos que vão duelar?
- Não sei.
- E quanto a vocês, meninos? - Louise quis saber. - Conseguiram pares?
- Sim! - disse Peter.
- Não. - disse Davy.
- Fui convidar Erin Hudson, e ela disse que estava pensando em me convidar também. - Peter contou, feliz da vida.
- Fico contente por você, Peter. E você, Davy, nada até agora?
- Não. - ele murmurou, infeliz. - Não quero convidar nenhuma dessas meninas que ficam me rodeando...
- A solução é simples. - Louise afirmou. - Convide uma das garotas que não ficam te rodeando.
- Quem, por exemplo? - Davy inquiriu, insatisfeito.
- Dianna, é claro!- Louise respondeu, como se aquela pergunta fosse a mais idiota de todas.
Uma luz pareceu se acender na mente de Davy. É claro...
- Você sabe se ela está livre? - indagou Davy.
- Está. Ela não tem par ainda. Odile me contou que François está bem triste por ela não querer ir com ele.
- Ela não aceitou ir com ele? Que estranho... - Davy murmurou.
- Pois é, muito estranho... - Peter resmungou, irônico. Nem ele aguentava mais a ignorância de Davy nesse tipo de assunto.
- O que importa é que ela não tem par. - Louise declarou. - Davy, não estou dizendo isso por que você é meu amigo e ela também, mas se eu fosse você, convidaria a Dianna. Ao contrário dessas meninas que te perseguem, ela não vai ficar se exibindo se você levá-la ao baile. Vai por mim.
No dia seguinte, depois do almoço, Dianna estava saindo do banheiro para ir ao encontro das suas amigas, quando ouviu duas meninas da Sonserina conversando e dizerem, em alto e bom som:
- Praticamente todas as meninas da escola têm par para o baile...
- Todas, menos a Dianna Mackenzie, você quer dizer. Quem vai querer levar ela ao baile?
E as garotas passaram bem na frente de Dianna, lançando um olhar desdenhoso e maldoso a ela. Dianna fingiu não ter se abalado, mas quando as garotas se afastaram, dando risadinhas malvadas, ela se sentou no canto, perto de uma janela alta, e começou a chorar, o rosto enterrado nos joelhos. Tinha sido muito idiota por não aceitar o convite de François. O que ela estava pensando, que Davy iria chegar no último momento e...
- Dianna? - ele estava passando pelo corredor e ficou muito assustado ao vê-la daquele jeito. - O que foi que houve?
A menina ergueu o olhar para ele, as lentes dos óculos sujas de lágrimas.
- Nada... - murmurou ela, limpando os óculos e os olhos com a manga das vestes. - Besteira minha.
- Se fosse besteira, você não estaria chorando. Fala. - ele a encorajou.
- Umas meninas da Sonserina... Eu estava saindo do banheiro no exato momento em que elas estavam dizendo que praticamente todas as meninas tem um par para o baile, menos eu, afinal, quem vai querer me levar ao baile? Mas eu concordo com elas...
- Não dê ouvidos a elas. Elas têm inveja de você, porque você é uma ótima aluna e seus pais têm um cargo importante no Ministério. E sobre quem iria querer levar você ao baile... Eu sei quem quer.
- Quem? - quis saber Dianna, realmente sem conseguir imaginar outro garoto além de François querendo levá-la.
- Eu.
Dianna olhou para ele, não acreditando.
- Davy, não precisa dizer isso só para eu me sentir melhor...
- É verdade! Dianna, você quer ir ao baile comigo?
A garota tremia toda, e seu coração batia tão forte que ela tinha certeza de que ele conseguia escutar de onde estava. Seu rosto ficou muito corado, e, lutando para não parecer nervosa ou empolgada demais, ela respondeu:
- Eu quero. Eu quero sim!
- Legal. - agora era Davy que estava nervoso. - Então... Eu pego você na Torre da Corvinal, às quinze para as oito, ok?
- Ok. - ela sorriu.
- Hã... Então... Até mais, eu preciso ir...
- Tudo bem. Tchau. - Dianna acenou e se afastou, ainda sorrindo.
- Tchau...
Davy estava aliviado. De fato, Dianna seria um par muito melhor do que qualquer uma daquelas loucas. Quando Dianna finalmente encontrou as amigas, faltava pouco para o professor de Feitiços, prof. Eddard Smith, entrar na sala.
- Onde você estava? - quis saber Emma.
- No banheiro.
- Caramba, mas por que demorou tanto assim? - Erin estava surpresa.
- Assim que saí, ouvi duas garotas da Sonserina comentarem que todas as meninas da escola tinham um par para o baile... Menos eu, afinal, quem iria querer me convidar?
- Que malditas! - Alice se revoltou.
- Eu comecei a chorar... Estava pensando até em cabular a aula... Até que Davy veio e me perguntou o que houve. Eu expliquei tudo a ele... E ele me convidou para ir ao baile com ele!
- AAAH MEU DEUS! - Alice, Emma e Erin exclamaram, empolgadas.
- E você aceitou, né? - Alice inquiriu.
- Claro! Eu não consigo acreditar...
Dianna baixou os olhos para seu pergaminho. Em vez de copiar a matéria, as amigas viram que ela passou a aula toda desenhando coraçõezinhos no pergaminho. No centro, havia um maior, com as iniciais D&D dentro.
Os dias passaram, e logo era 24 de dezembro. A escola estava em polvorosa. Por toda parte, garotas discutiam o que usariam à noite. E Louise não fazia ideia de quem a acompanharia no baile. Ouvira dizer que Gerd havia sido um dos duelistas escolhidos por seu pai... Conforme as quinze para as oito da noite se aproximavam, Davy estava mais nervoso. Mal conseguia dar o nó na gravata.
- Posso entrar? - Louise colocou a cabeça para espiar dentro do dormitório dos meninos.
- Sim... - Davy disse, num tom de voz que mostrava bem seu estado de espírito.
- Com licença. - Louise entrou. Se ela fosse um garoto tentando entrar no dormitório das meninas, seria expulsa magicamente. - Vocês estão muito bonitos, mas por que não está pronto ainda, Davy? Logo é hora de buscar a Di.
- Eu sei... Mas não consigo acertar o nó da gravata...
- Meu Deus, você está mesmo nervoso, não é? Usamos gravatas todos os dias!
A garota se aproximou e deu o nó na gravata de Davy.
- Pronto. Agora vai, a Di deve estar te esperando na Torre da Corvinal.
- Espere por mim, vou buscar a Erin. - disse Peter, dando uma última olhada em si mesmo no espelho.
Os dois rapazes foram juntos à Torre da Corvinal. Em frente à porta com trinco de águia, três garotas aguardavam. Eram Dianna e Erin, e também Odile.
- Boa noite, meninas. - eles cumprimentaram.
- Olá. - responderam elas em coro.
Dianna se aproximou de Davy, parecendo bastante nervosa.
- Você está muito bonita. - ele elogiou, sincero. Dianna usava um vestido lilás, de seda, e os cabelos caíam sobre um único ombro.
-Obrigada. - ela corou.
- Mas onde estão seus óculos?
- Eu... Tomei uma poção que vai corrigir minha miopia por algumas horas. Amanhã já estarei mais míope que uma toupeira outra vez. - ela explicou, sem jeito.
- Mesmo de óculos você fica bonita.
- Ah... Obrigada. - Dianna corou mais ainda.
- Bem, vamos?
- Claro.
Dianna e Davy já iam descendo, atrás de Peter e Erin, quando os meninos lembraram-se de perguntar:
- Quem você está esperando, Odile? - a garota não tinha querido dizer quem era seu par.
- Ah... Franz Beckenbauer. - confessou ela.
- FRANZ BECKENBAUER??? - Peter e Davy repetiram, incrédulos.
- Sim. - confirmou Odile. - Ah, aqui está ele.
Franz Beckenbauer apareceu, de traje a rigor, vindo da Torre da Grifinória. Ele deu o braço a Odile, que sorriu para ele. Os três casais desceram juntos para o Grande Salão, onde se realizaria o Baile de Inverno.
Lá chegando, eles viram Louise, em seu vestido rosa-claro de renda, desacompanhada. O vice-diretor Schneider disse a Peter e Erin e Odile e Franz que entrassem no salão, e disse a Davy e Dianna que esperassem lá fora, para fazer a entrada com os demais campeões e seus pares.
Renée Chapelle estava acompanhada de Denis Law, um garoto escocês um pouco amalucado, aluno da Lufa-Lufa. Naquela noite, ele vestia paletó, camisa, gravata-borboleta... E kilt. Destoava de Renée, com seu vestido prateado, mais bela e imponente do que nunca. Mas ela parecia não ligar. Conversava e ria com Denis animadamente.
Atrás deles, estavam Igor Kotovski, vestindo um traje a rigor vermelho, e Joanna Martin, da Lufa-lufa, linda em seu vestido verde-escuro. E Colin estava acompanhado de sua namorada Talia. Ela usava um vestido azul-claro que combinava com seus olhos.
Davy indagou a Louise:
- Cadê seu par?
- Não sei! Papai disse que ia trazê-lo...
Finalmente, Anthony apareceu, acompanhado de um garoto alto e de cabelos loiros longos da Sonserina. O nome dele era James Hunt.
- Aqui está seu par, Louise. - disse o pai dela. - Ele levou a melhor sobre Gerd Müller.
Louise não conseguia acreditar. Justo ele? Logo Gerd foi um dos escolhidos por seu pai para duelar, e perdeu? Era tão injusto... Ela não teve escolha, senão aceitar o braço que Hunt lhe oferecia, e tentar disfarçar seu desagrado. Davy notou muito bem o quanto a amiga estava decepcionada.
Os cinco campeões e seus pares formaram uma fila, e adentraram o Grande Salão, decorado todo em tons de azul e branco. Então, John Lennon, líder dos Beatles, a melhor banda formada por alunos de Hogwarts, disse:
- Boa noite, senhoras e senhores. Bem, o prof. Rafelson teve a bondade de permitir que meus amigos e eu toquemos para o seu divertimento esta noite, e... Espero que esta noite seja memorável para todos. Agora... A música!
Eles começaram a tocar, uma canção chamada Till There Was You. Renée, Igor, Colin, Davy, Louise e seus respectivos pares começaram a dançar, seguindo a tradição de que os campeões abram o Baile de Inverno. E o baile teve início.
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sábado, 9 de julho de 2016
sábado, 25 de junho de 2016
Every Little Thing She Does Is Magic - Capítulo 3
Boa tarde! Temos mais um capítulo da fic inspirada em Harry Potter, e eu espero que vocês gostem. Boa leitura!
Durante os dias seguintes, a maioria das pessoas olhava torto para Davy e Louise. Quando falavam com eles, usavam um tom seco. E a maioria esmagadora das pessoas da Lufa-lufa apoiava Colin. Não que os dois amigos se importassem. Eles sabiam que não deviam mesmo participar. Mas não quiseram ser escolhidos pelo Cálice de Fogo. Sequer tinham se inscrito! Mas alguém os havia inscrito.
A única pessoa da Lufa-lufa que ainda conversava com eles era Peter. Diferentemente de Mike e Micky, Peter não achava que Davy e Louise tinham feito alguma magia para enganar o Cálice de Fogo e conseguirem ser selecionados. Odile também continuava do lado deles. Contudo, ela e Peter tinham que se desdobrar entre as duas duplas de amigos.
- Peter, somos muito agradecidos a você. – disse Louise.
- Sim. É a única pessoa que fala com a gente quando estamos na Sala Comunal ou aqui, na mesa da Lufa-lufa. – acrescentou Davy.
- Eu sei que vocês não são culpados. – disse Peter, tomando mais um gole de chocolate quente.
- Diga isso ao Mike e o Micky, então. – Louise resmungou.
- E a toda a escola. – completou Davy.
- Odile também acredita em vocês. E Dianna, Alice e as amigas delas.
Os três tinham aula de Transfiguração, com a professora Lyanna Smith, após o café da manhã. Foram para a sala de aula. Tinham aquela aula junto com a turma da Grifinória. Mike e Micky olhavam muito feio para Davy e Louise do outro lado da classe, e Peter se sentia no meio de um fogo cruzado.
Quando acabou a aula, Mike fez um sinal para Peter ir até ele e Micky. Peter assentiu com a cabeça, um pouco hesitante, e disse a Davy e Louise:
- Vão na frente. Encontro vocês na sala de Poções.
Davy e Lulu não tiveram muita escolha. Seguiram seu caminho e Peter foi falar com Mike e Micky.
- O que foi? – nem ele nem Odile andavam com muita boa-vontade para com Mike e Micky ultimamente.
- Dianna Mackenzie nos procurou ontem depois da aula de Herbologia. Você sabe, a Grifinória e a Corvinal fazem a aula de Herbologia juntas. – relatou Mike.
- Disse que precisa falar com Davy e Louise, e é urgente. – Micky continuou.
- E quando chegamos à Sala Comunal da Grifinória, aquele chucrute troncudo do Gerd Müller disse a mesmíssima coisa. – Mike falou.
- Tá, então avisem os dois.
- Nós? Nem pensar! – retrucou Micky. – Não estamos falando com eles. Nos repreenderam quando tentamos nos inscrever clandestinamente, e olha só, os nomes deles saíram do Cálice de Fogo!
- Será que não passou pelas cabeças de vocês que pode ter alguém do lado das trevas por trás disso? – Peter falou, irritado. – Mas tudo bem, eu aviso.
- E não diga que fomos nós que mandamos avisar! – recomendou Mike, apressadamente. – Fale que Fanny nos disse que Joanna disse que Alberta disse que Dianna e Gerd os estão procurando.
- O QUÊ? – Peter ficou atrapalhado.
- Você entendeu. – Mike falou. – Bem, agora Micky e eu temos Trato das Criaturas Mágicas... Com a Sonserina. Vamos, Micky.
Os dois se afastaram e Peter correu o mais rápido que pôde para a masmorra onde aconteciam as aulas de Poções. Por sorte, Peter conseguiu chegar e se sentar no seu lugar um minuto antes de Anthony McGold adentrar a sala. Ele pensou em dizer a Davy e Louise sobre Mike e Micky e o recado deles, porém, Anthony não estava tolerante com conversas naquele dia, e o tratamento que dispensava à filha e os amigos não era muito diferente dos outros alunos.
Quando a aula acabou, era a hora do almoço. Quando Peter, Louise e Davy haviam acabado de se sentar à mesa da Lufa-lufa para comer, Mike e Micky passaram a caminho da mesa da Grifinória e sussurraram para Peter:
- Fale com eles.
Peter pigarreou e começou, sem graça:
- Davy... Lulu...
- O que foi? – indagaram eles, já suspeitando que tinha a ver com Mike e Micky.
- É... Mike e Micky me pediram para dizer que... Que Fanny disse a eles... Que Joanna disse a ela... Que Alberta disse que Dianna Mackenzie e Gerd Müller estão procurando vocês.
- Como é que é? – Davy não tinha entendido nada. Tinha se perdido na parte “Joanna disse que”.
- Por favor, não me peçam para repetir... Que...
- Mike e Micky mandaram Peter avisar que Dianna e o chucrute estão procurando vocês. – disse Odile, se sentando sem a menor cerimônia na mesa da Lufa-lufa, mesmo sendo proibido. – Eles sabiam que Peter se atrapalharia todo, então me pediram para avisar também.
Louise ficou possessa. Ela se levantou da mesa da Lufa-lufa e marchou até a mesa da Grifinória, seguida de perto por Odile, Peter e Davy. Ela cutucou Mike e Micky. Eles se viraram e ela gritou para toda a mesa da Grifinória, e talvez todo o Grande Salão, ouvir:
- Parem de fazer o Peter e a Odile de corujas! Sei que odeiam Davy e eu agora, mas se querem nos avisar de algo, sejam homens de verdade e falem na nossa cara!
E ela se afastou, fazendo Mike e Micky trocarem um olhar culpado.
- Precisamos falar com a Dianna e o Gerd. – disse Davy a Louise.
- Sim... Acho que hoje a Grifinória tem treino de quadribol, podemos passar perto do campo mais tarde e vemos se achamos o Gerd. – Lulu falou. – E a Di é fácil de achar. Se eu achar minha lua, acho a Dianna. Elas sempre estão juntas, e também com Emma Carlisle e Erin Hudson.
Contudo, nem precisaram esperar muito. No mesmo momento em que iam saindo do Grande Salão para as aulas da tarde, encontraram Dianna e Gerd. Parecia que os dois haviam combinado de esperar por eles na entrada do salão.
- Louise... D-D-Davy... O Gerd e eu... Precisamos muito falar com vocês. – disse Dianna, vermelha e gaguejando. – É... É muito importante.
- É sobre a primeira tarefa do Torneio Tribruxo. – disse Gerd, parecendo nervoso e sem tirar os olhos de Lulu. – Ficamos sabendo sobre algo e achamos melhor alertar vocês.
- Mas vamos para um lugar menos cheio. – disse Dianna, levando os outros para o lado de fora. Então, ela continuou: - Meus pais e a mãe do Gerd trabalham no Ministério e, como vocês sabem, estão cuidando da organização do torneio. Bem... Eles nos disseram o que vocês vão ter que fazer.
- E o que vai ser? – quis saber Louise, curiosa.
- Enfrentar dragões. – disseram Gerd e Dianna em uníssono.
Davy e Louise trocaram um olhar muito nervoso.
- Dragões? – repetiram eles, com os olhos enormes de espanto.
- Sim. – confirmou Dianna. – E armados somente com suas varinhas.
- Somente com as varinhas? – Davy estava indignado. – Dianna... Como esperam que nós enfrentemos dragões somente com nossas varinhas?
- Bem... – Dianna não agüentava olhar direto nos olhos dele por muito tempo. – Você e Louise podem lançar mão de alguma habilidade que possuem.
- Como... Voar. – Gerd falou, astutamente.
- Voar? Mas não podemos levar as vassouras para a arena! – Louise protestou.
- Podem levar as varinhas. E fazer um feitiço para convocar suas vassouras. – Dianna piscou.
- Accio? Mas as vassouras não vão estar muito longe?
- Não. Vão por mim. – disse Dianna.
- Bem... Obrigada aos dois. – Louise sorriu.
- Vamos tentar nos preparar o melhor que pudermos. – disse Davy. – E sem vocês nos avisarem, não teríamos nem ideia de como começar a nos preparar. Obrigado mais uma vez.
- De nada. – responderam Dianna e Gerd, timidamente.
***
Na manhã seguinte, os campeões tribruxos tiveram que levantar muito cedo. Seriam entrevistados por Kathy Giordano, uma repórter do Profeta Diário, o maior jornal de bruxos da Inglaterra.
- Que belo quinteto! – exclamou ela, após o fotógrafo que acompanhava tirar uma foto dos cinco competidores juntos. – Saibam, queridos, que eu e o meus leitores estamos ÁVIDOS por informação sobre vocês. Queremos saber absolutamente t-u-d-o sobre vocês, entenderam? Tudinho! Então, quem quer começar?
Nenhum dos cinco se voluntariou.
- Que venha o menor dos garotos. – disse ela, puxando Davy, muito a contragosto dele.
Kathy o colocou num armário de vassouras.
- Então, Davy. Doze anos e já está no Torneio Tribruxo, competindo com jovens bruxos mais velhos e experientes do que você, e ainda conseguiu que a sua namorada Louise McGold acompanhe você. Não está preocupado, com ela e com você mesmo?
- Primeiro, eu tenho catorze anos, não doze. – ele corrigiu. – Segundo: eu não me inscrevi nesse torneio.
- Oh, claro que não. – Kathy foi sarcástica.
- E por último: Louise não é minha namorada. Ela é minha melhor amiga, como uma irmã, mas só isso. E eu também não tenho nada a ver com o fato de ela ter sido escolhida para participar.
- Davy, querido, todo mundo adora rebeldia. Ainda mais uma rebeldia sem causa.
- Olhe aqui, eu não me inscrevi nesse torneio! Tenho certeza de que alguém que quer se livrar de mim deu um jeito, não sei como, de colocar a mim e a Louise nele! E tem mais... - Davy olhou furioso sobre o bloquinho de notas dela. - MEUS OLHOS NÃO ESTÃO MOLHADOS PELOS FANTASMAS DO MEU PASSADO!
Ele saiu do armário de vassouras, furioso.
- Davy, o que foi? O que ela perguntou???
- Ela distorce tudo que você fala... É uma fofoqueira de marca maior... - ele falou em tom alto suficiente para Renée, Igor e Colin também ouvirem.
Kathy saiu do armário de vassouras parecendo muito satisfeita por enfurecer Davy, e arrastou Louise com ela para dentro, mesmo com ela protestando.
- Agora, querida... - Kathy falou em tom malicioso, fechando a porta atrás de si com um aceno da varinha. - Você vai me contar absolutamente tudo sobre o seu namorico com Davy.
- Namorico? - Lulu ficou vermelha de raiva. - Ele é meu melhor amigo! Meu pai o criou quase como filho! Ele é quase meu irmão!!!!
- Ele disse a mesma coisa. Vocês formam um lindo casal. - Kathy ainda tinha aquele sorriso malicioso e irritante.
- Eu. Não. Sou. Apaixonada. Por. Ele. - Louise disse, pausando muito bem cada uma das palavras.
Kathy anotava tudo no bloquinho. Louise conseguiu ler, mesmo que de cabeça para baixo:
- APAGUE ISSO! EU NUNCA DISSE NADA DISSO!
- Não posso. Não há mata-borrão que possa apagar essa tinta. É mágica. - Kathy piscou.
Louise puxou a varinha, apontou para o bloquinho de Kathy e exclamou:
- Lacarnium inflamarium!
Mas nada aconteceu.
- Muitos tiveram a mesma ideia que você antes, querida Louise. Então coloquei um feitiço em meus blocos de notas para que não possam ser queimados, molhados ou rasgados.
- MALDITA! O QUE ESPERA GANHAR COM ISSO????
- Notícias bombásticas! E muitos galeões!
Louise foi até a porta do armário de vassouras, exclamou "Alohomora!" para destrancá-la e saiu, batendo os pés. Como era sábado, ela retornou ao salão comunal da Lufa-Lufa, bufando de raiva.
- Lulu, o que houve? - indagou Davy, quando viu a amiga se jogar numa das confortáveis poltronas.
- Aquela mulher.... Vai lançar no Profeta Diário o boato de que estamos namorando, Davy... E é bem provável que muitas pessoas leiam e acreditem... Como Gerd.
- Relaxa, Lulu, só gente sem muita coisa na cabeça acredita nas fofocas da Kathy Giordano. - Peter garantiu.
- Assim eu espero.
Colin passou, parecendo também furioso com sua entrevista. Davy e Louise olharam para ele, trocaram um olhar entre si e Davy indagou:
- Será que contamos a ele sobre os dragões?
- Acho justo. Ele também é um campeão de Hogwarts. E meu primo.
Eles foram até Colin.
- Ei, Colin, podemos falar com você? - quis saber Davy.
- Claro. - respondeu ele, os olhos azuis brilhando. - Sobre o quê?
- Sobre... Nossa primeira tarefa. - disse Louise ao primo.
- A primeira tarefa? Vocês descobriram alguma coisa?
- Sim. Dragões. Cada um de nós enfrentará um. Poderemos adentrar a arena somente com as varinhas, mas podemos usá-las para invocar qualquer coisa que seja útil. - explicou Davy.
- Puxa vida... Bom, fico muito grato por vocês terem vindo me avisar. Agora vou poder me preparar melhor. Eu devo uma a vocês... Bom, eu e Talia vamos passear em Hogsmeade, se vocês me derem licença...
E Colin se afastou.
- Bom, fizemos nossa parte. - disse Louise.
- Sim. Agora... Precisamos esperar até o próximo sábado.
A semana passou rápido. Davy e Louise fizeram o máximo para ignorar os comentários daqueles que estavam contra eles. A maioria dizia que eles morreriam torrados assim que pisassem na arena. Os mais gentis diziam que eles teriam um braço ou perna arrancados e nunca mais poderiam jogar quadribol.
Na manhã de sábado, Peter e Odile tentaram fazer seus amigos sossegarem e se alimentarem bem. O que não foi fácil. Davy estava tão nervoso que não conseguia comer nada, e Louise andava para cá e para lá na sala comunal, sem parar.
Às 11:30, todos começaram a descer para o campo de quadribol, onde foi preparada a arena de combate. Quando Davy e Louise atravessavam o Grande Salão juntamente com Peter e Odile, Dianna foi empurrada em direção a eles, muito trêmula e nervosa, por suas amigas.
- É... Davy, Lulu, eu só queria... Desejar boa sorte.
- Obrigado, Di. - os dois disseram em coro.
Alice e Emma acotovelaram Dianna, cada uma de lado. Dianna gaguejou:
- E... E... Q-Queria dar um beijo de boa sorte em cada um de vocês.
Davy e Louise sorriram, indicando que ela podia. Ela se aproximou de Louise e deu um beijo de leve no rosto dela. Mas na vez de Davy, Dianna foi ainda mais rápida. Seus lábios mal roçaram o rosto dele e ela saiu correndo, mais vermelha que as vestes de quadribol da Grifinória.
- Por que a Di é tão tímida, Lulu? Parece até que tem medo de mim... - Davy indagou.
- Medo não. Ela sente outra coisa por você. - Odile e Louise falaram.
- O quê?
- Davy, quando você for menos tapado a gente conversa. - Odile falou, impaciente.
Os quatro desceram pelos terrenos da escola e chegaram à arena. Peter e Odile foram para as arquibancadas, onde encontraram Mike e Micky. E Davy e Louise foram para o vestiário, seu velho conhecido, para colocar as vestes com as quais enfrentariam os dragões. Pareciam com as de quadribol, com exceção da espécie de colete preto que envolvia as vestes amarelo-canário, as cores da Lufa-Lufa.
Depois, eles se juntaram aos demais competidores, para receber as instruções. O Prof. Rafelson os aguardava, junto com os outros dois diretores e o sr. e a sra. Mackenzie. Kathy Giordano tentava fotografá-los e entrevistá-los, mas foi convidada a se retirar.
- Bom dia, campeões. - disse Rafelson. - Bom, como primeira tarefa, vocês usarão suas habilidades mágicas para enfrentar um dragão.
- E pegar o ovo de ouro que ele guarda. - disse o sr. Mackenzie.
- O ovo contém uma pista para a prova seguinte. - disse a sra. Mackenzie. - Bom, nós recebemos oito dragões, dois de cada raça. Sr. Jones e srta. McGold, nós soubemos que vocês queriam competir como equipe, o que não seria justo. Portanto, nós decidimos que, nesta tarefa, vocês dois enfrentarão dragões da mesma raça. Srta. McGold, você terá um dragão sorteado para você e o sr. Jones enfrentará o outro da mesma raça do que o dragão que a senhorita tirou, de acordo?
Davy e Louise assentiram. O sr. Mackenzie pegou um saquinho e estendeu-o para Renée.
- Srta. Chapelle, por favor.
Renée colocou a mão no saquinho e tirou de dentro uma miniatura de dragão, que mexia a cabeça, o rabo e rugia.
- Um verde-galês. Agora, sr. Kotovski.
Kotovski tirou o seu.
- Um meteoro-chinês. Perigoso, esse... Sua vez, sr. Black.
Colin pegou um dragãozinho.
- Um focinho-curto sueco. E por fim, para a srta. McGold e o sr. Jones...
Lulu enfiou a mão no saquinho e tirou de lá uma miniatura de um dragão marrom, cheio de espinhos pelo corpo todo e chifres na cabeça. A cauda parecia uma maça medieval.
- Os rabos-córneos húngaros. - disse o sr. Mackenzie. - Bem... Sr. Black, ao som do canhão, pode...
O zelador, sr. Babbitt, soltou a bala de canhão antes do momento, e Colin saiu, aclamado pela multidão. Davy e Louise trocaram um olhar nervoso. Louise costumava ser azarada. E bastava olhar para a miniatura de rabo-córneo húngaro para saber que aquele era o pior dos dragões.
Aguardaram. Pelo jeito, Colin foi bem-sucedido... Assim como Renée e Kotovski. E veio a vez de Louise.
- Davy....
- Calma. Eu confio em você, Lulu. - ele abraçou a amiga... Sem saber que eram fotografados por Kathy. - Vai.
Louise saiu, e Davy foi até a entrada da barraca onde os competidores aguardavam, para assistir. Louise mal entrou, foi recebida com uma rajada de chamas. Ela se escondeu atrás de algumas rochas.
Gerd Müller suspirou, aliviado. Temeu por ela. Louise percebeu que o bicho se guiava sobretudo pelo faro. Com a varinha, lançou algumas nuvens de cheiro forte na direção oposta. O dragão foi na direção das nuvens, como Louise imaginava. Ela viu o ovo de ouro.
- Maravilha.
Então, como precisava ser rápida e não conseguiria apanhá-lo tão rápido assim se escalasse as rochas, exclamou, apontando a varinha na direção do castelo:
- Accio Nimbus 2001!
Pouco menos de 10 segundos depois, Louise viu sua vassoura pairando diante dela. Montou e voou em direção ao ovo... Não era a apanhadora da Lufa-Lufa à toa. Contudo... O dragão sentiu seu cheiro, e avançou em sua direção.
Louise voou imediatamente para fora da arena. Com o dragão voando logo atrás. O bicho conseguiu quebrar seus grilhões.
- Droga!
Lá embaixo, Davy e Gerd entraram em pânico. E Louise fez o que pôde para se livrar do dragão.
***
- Meu solzinho... - Alice murmurava, nervosa.
Dianna também estava apavorada, e Emma e Erin tentavam acalmá-las. Louise procurava cansar o dragão, voando o mais rápido que sua Nimbus 2001 podia, e realizando o máximo de manobras que sabia. Até que o dragão desabou, cansado, perto das estufas de Herbologia. Mas não destruiu nenhuma. Louise aproveitou e voou de volta ao campo de quadribol, erguendo o ovo com as duas mãos e se segurando na vassoura só com as pernas. Ela foi intensamente aplaudida.
Louise voou para a barraca dos competidores, onde Davy a esperava. E ele a abraçou forte.
- Foi genial, Louise! Mandou muito bem!
- Obrigada. - ela sorriu. - Agora é sua vez. Boa sorte.
Louise foi levada pelo sr. Mackenzie e sua esposa para descansar. E Davy tinha poucos minutos para bolar uma estratégia.
Antes mesmo de sair da barraca, Davy invocou sua vassoura.
- Accio Firebolt!
As Firebolts eram consideradas as melhores vassouras de corrida do mundo. Normalmente, só jogadores profissionais as pilotavam. Davy montou e entrou voando na arena. Logo avistou um brilho dourado no chão pedregoso: o ovo. Voou em direção a ele, e logo o agarrou. Porém, isso atraiu a atenção do dragão.
- Tome isso, feioso! - exclamou ele, disparando centelhas multicoloridas e brilhantes nos olhos do rabo-córneo húngaro.
O dragão ficou cego por alguns minutos, porém, quando Davy estava quase voando para fora do alcance dele, a fera por pouco não abocanhou a cauda da Firebolt. Davy voou mais alto, o ovo bem seguro na mão esquerda, enquanto guiava a vassoura com a direita. Assim como o dragão de Louise, o de Davy se soltou dos grilhões. O garoto não teve muita escolha. Segurando-se firme na vassoura com as pernas, ele apontou para o focinho do dragão e lançou um gás sulfuroso que deixaria o animal desacordado por várias horas. O bicho desmaiou com o mau cheiro. Contudo, ninguém da plateia podia sentir o cheiro de ovo podre, só o dragão.
Mais tarde, Lulu e Davy saíam da arena, e foram cumprimentados por várias pessoas, incluindo Alice, Dianna e suas amigas. Alice apertou a mão de Davy e deu um selinho em Lulu. Já Dianna se limitou a gaguejar e dizer que eles foram ótimos.
Os dois voltavam para a Sala Comunal da Lufa-Lufa, acompanhados de Peter e Odile, quando Mike e Micky cruzaram seu caminho.
- Olá. - disseram.
- Olá. - responderam Peter e Odile. Louise e Davy sequer esboçaram reação.
- Mike e eu estávamos conversando... E tem que ser muito burro pra botar o nome no Cálice de Fogo. - disse Micky.
- Até que enfim, hein? Demorou pra vocês caírem na real! - Davy falou.
- Nossa, eu poderia enfiar as minhas mãos nas caras de vocês! - Louise gritou. - Mas não farei isso. – e abraçou os dois. Davy, Peter e Odile se juntaram ao abraço grupal.
Durante os dias seguintes, a maioria das pessoas olhava torto para Davy e Louise. Quando falavam com eles, usavam um tom seco. E a maioria esmagadora das pessoas da Lufa-lufa apoiava Colin. Não que os dois amigos se importassem. Eles sabiam que não deviam mesmo participar. Mas não quiseram ser escolhidos pelo Cálice de Fogo. Sequer tinham se inscrito! Mas alguém os havia inscrito.
A única pessoa da Lufa-lufa que ainda conversava com eles era Peter. Diferentemente de Mike e Micky, Peter não achava que Davy e Louise tinham feito alguma magia para enganar o Cálice de Fogo e conseguirem ser selecionados. Odile também continuava do lado deles. Contudo, ela e Peter tinham que se desdobrar entre as duas duplas de amigos.
- Peter, somos muito agradecidos a você. – disse Louise.
- Sim. É a única pessoa que fala com a gente quando estamos na Sala Comunal ou aqui, na mesa da Lufa-lufa. – acrescentou Davy.
- Eu sei que vocês não são culpados. – disse Peter, tomando mais um gole de chocolate quente.
- Diga isso ao Mike e o Micky, então. – Louise resmungou.
- E a toda a escola. – completou Davy.
- Odile também acredita em vocês. E Dianna, Alice e as amigas delas.
Os três tinham aula de Transfiguração, com a professora Lyanna Smith, após o café da manhã. Foram para a sala de aula. Tinham aquela aula junto com a turma da Grifinória. Mike e Micky olhavam muito feio para Davy e Louise do outro lado da classe, e Peter se sentia no meio de um fogo cruzado.
Quando acabou a aula, Mike fez um sinal para Peter ir até ele e Micky. Peter assentiu com a cabeça, um pouco hesitante, e disse a Davy e Louise:
- Vão na frente. Encontro vocês na sala de Poções.
Davy e Lulu não tiveram muita escolha. Seguiram seu caminho e Peter foi falar com Mike e Micky.
- O que foi? – nem ele nem Odile andavam com muita boa-vontade para com Mike e Micky ultimamente.
- Dianna Mackenzie nos procurou ontem depois da aula de Herbologia. Você sabe, a Grifinória e a Corvinal fazem a aula de Herbologia juntas. – relatou Mike.
- Disse que precisa falar com Davy e Louise, e é urgente. – Micky continuou.
- E quando chegamos à Sala Comunal da Grifinória, aquele chucrute troncudo do Gerd Müller disse a mesmíssima coisa. – Mike falou.
- Tá, então avisem os dois.
- Nós? Nem pensar! – retrucou Micky. – Não estamos falando com eles. Nos repreenderam quando tentamos nos inscrever clandestinamente, e olha só, os nomes deles saíram do Cálice de Fogo!
- Será que não passou pelas cabeças de vocês que pode ter alguém do lado das trevas por trás disso? – Peter falou, irritado. – Mas tudo bem, eu aviso.
- E não diga que fomos nós que mandamos avisar! – recomendou Mike, apressadamente. – Fale que Fanny nos disse que Joanna disse que Alberta disse que Dianna e Gerd os estão procurando.
- O QUÊ? – Peter ficou atrapalhado.
- Você entendeu. – Mike falou. – Bem, agora Micky e eu temos Trato das Criaturas Mágicas... Com a Sonserina. Vamos, Micky.
Os dois se afastaram e Peter correu o mais rápido que pôde para a masmorra onde aconteciam as aulas de Poções. Por sorte, Peter conseguiu chegar e se sentar no seu lugar um minuto antes de Anthony McGold adentrar a sala. Ele pensou em dizer a Davy e Louise sobre Mike e Micky e o recado deles, porém, Anthony não estava tolerante com conversas naquele dia, e o tratamento que dispensava à filha e os amigos não era muito diferente dos outros alunos.
Quando a aula acabou, era a hora do almoço. Quando Peter, Louise e Davy haviam acabado de se sentar à mesa da Lufa-lufa para comer, Mike e Micky passaram a caminho da mesa da Grifinória e sussurraram para Peter:
- Fale com eles.
Peter pigarreou e começou, sem graça:
- Davy... Lulu...
- O que foi? – indagaram eles, já suspeitando que tinha a ver com Mike e Micky.
- É... Mike e Micky me pediram para dizer que... Que Fanny disse a eles... Que Joanna disse a ela... Que Alberta disse que Dianna Mackenzie e Gerd Müller estão procurando vocês.
- Como é que é? – Davy não tinha entendido nada. Tinha se perdido na parte “Joanna disse que”.
- Por favor, não me peçam para repetir... Que...
- Mike e Micky mandaram Peter avisar que Dianna e o chucrute estão procurando vocês. – disse Odile, se sentando sem a menor cerimônia na mesa da Lufa-lufa, mesmo sendo proibido. – Eles sabiam que Peter se atrapalharia todo, então me pediram para avisar também.
Louise ficou possessa. Ela se levantou da mesa da Lufa-lufa e marchou até a mesa da Grifinória, seguida de perto por Odile, Peter e Davy. Ela cutucou Mike e Micky. Eles se viraram e ela gritou para toda a mesa da Grifinória, e talvez todo o Grande Salão, ouvir:
- Parem de fazer o Peter e a Odile de corujas! Sei que odeiam Davy e eu agora, mas se querem nos avisar de algo, sejam homens de verdade e falem na nossa cara!
E ela se afastou, fazendo Mike e Micky trocarem um olhar culpado.
- Precisamos falar com a Dianna e o Gerd. – disse Davy a Louise.
- Sim... Acho que hoje a Grifinória tem treino de quadribol, podemos passar perto do campo mais tarde e vemos se achamos o Gerd. – Lulu falou. – E a Di é fácil de achar. Se eu achar minha lua, acho a Dianna. Elas sempre estão juntas, e também com Emma Carlisle e Erin Hudson.
Contudo, nem precisaram esperar muito. No mesmo momento em que iam saindo do Grande Salão para as aulas da tarde, encontraram Dianna e Gerd. Parecia que os dois haviam combinado de esperar por eles na entrada do salão.
- Louise... D-D-Davy... O Gerd e eu... Precisamos muito falar com vocês. – disse Dianna, vermelha e gaguejando. – É... É muito importante.
- É sobre a primeira tarefa do Torneio Tribruxo. – disse Gerd, parecendo nervoso e sem tirar os olhos de Lulu. – Ficamos sabendo sobre algo e achamos melhor alertar vocês.
- Mas vamos para um lugar menos cheio. – disse Dianna, levando os outros para o lado de fora. Então, ela continuou: - Meus pais e a mãe do Gerd trabalham no Ministério e, como vocês sabem, estão cuidando da organização do torneio. Bem... Eles nos disseram o que vocês vão ter que fazer.
- E o que vai ser? – quis saber Louise, curiosa.
- Enfrentar dragões. – disseram Gerd e Dianna em uníssono.
Davy e Louise trocaram um olhar muito nervoso.
- Dragões? – repetiram eles, com os olhos enormes de espanto.
- Sim. – confirmou Dianna. – E armados somente com suas varinhas.
- Somente com as varinhas? – Davy estava indignado. – Dianna... Como esperam que nós enfrentemos dragões somente com nossas varinhas?
- Bem... – Dianna não agüentava olhar direto nos olhos dele por muito tempo. – Você e Louise podem lançar mão de alguma habilidade que possuem.
- Como... Voar. – Gerd falou, astutamente.
- Voar? Mas não podemos levar as vassouras para a arena! – Louise protestou.
- Podem levar as varinhas. E fazer um feitiço para convocar suas vassouras. – Dianna piscou.
- Accio? Mas as vassouras não vão estar muito longe?
- Não. Vão por mim. – disse Dianna.
- Bem... Obrigada aos dois. – Louise sorriu.
- Vamos tentar nos preparar o melhor que pudermos. – disse Davy. – E sem vocês nos avisarem, não teríamos nem ideia de como começar a nos preparar. Obrigado mais uma vez.
- De nada. – responderam Dianna e Gerd, timidamente.
***
Na manhã seguinte, os campeões tribruxos tiveram que levantar muito cedo. Seriam entrevistados por Kathy Giordano, uma repórter do Profeta Diário, o maior jornal de bruxos da Inglaterra.
- Que belo quinteto! – exclamou ela, após o fotógrafo que acompanhava tirar uma foto dos cinco competidores juntos. – Saibam, queridos, que eu e o meus leitores estamos ÁVIDOS por informação sobre vocês. Queremos saber absolutamente t-u-d-o sobre vocês, entenderam? Tudinho! Então, quem quer começar?
Nenhum dos cinco se voluntariou.
- Que venha o menor dos garotos. – disse ela, puxando Davy, muito a contragosto dele.
Kathy o colocou num armário de vassouras.
- Então, Davy. Doze anos e já está no Torneio Tribruxo, competindo com jovens bruxos mais velhos e experientes do que você, e ainda conseguiu que a sua namorada Louise McGold acompanhe você. Não está preocupado, com ela e com você mesmo?
- Primeiro, eu tenho catorze anos, não doze. – ele corrigiu. – Segundo: eu não me inscrevi nesse torneio.
- Oh, claro que não. – Kathy foi sarcástica.
- E por último: Louise não é minha namorada. Ela é minha melhor amiga, como uma irmã, mas só isso. E eu também não tenho nada a ver com o fato de ela ter sido escolhida para participar.
- Davy, querido, todo mundo adora rebeldia. Ainda mais uma rebeldia sem causa.
- Olhe aqui, eu não me inscrevi nesse torneio! Tenho certeza de que alguém que quer se livrar de mim deu um jeito, não sei como, de colocar a mim e a Louise nele! E tem mais... - Davy olhou furioso sobre o bloquinho de notas dela. - MEUS OLHOS NÃO ESTÃO MOLHADOS PELOS FANTASMAS DO MEU PASSADO!
Ele saiu do armário de vassouras, furioso.
- Davy, o que foi? O que ela perguntou???
- Ela distorce tudo que você fala... É uma fofoqueira de marca maior... - ele falou em tom alto suficiente para Renée, Igor e Colin também ouvirem.
Kathy saiu do armário de vassouras parecendo muito satisfeita por enfurecer Davy, e arrastou Louise com ela para dentro, mesmo com ela protestando.
- Agora, querida... - Kathy falou em tom malicioso, fechando a porta atrás de si com um aceno da varinha. - Você vai me contar absolutamente tudo sobre o seu namorico com Davy.
- Namorico? - Lulu ficou vermelha de raiva. - Ele é meu melhor amigo! Meu pai o criou quase como filho! Ele é quase meu irmão!!!!
- Ele disse a mesma coisa. Vocês formam um lindo casal. - Kathy ainda tinha aquele sorriso malicioso e irritante.
- Eu. Não. Sou. Apaixonada. Por. Ele. - Louise disse, pausando muito bem cada uma das palavras.
Kathy anotava tudo no bloquinho. Louise conseguiu ler, mesmo que de cabeça para baixo:
"Com um enorme sorriso no rosto e olhos brilhantes, Louise declara: 'Eu sou totalmente apaixonada por Davy, desde criança. Se ele morrer no torneio, como eu receio, morrerei também.'"
- APAGUE ISSO! EU NUNCA DISSE NADA DISSO!
- Não posso. Não há mata-borrão que possa apagar essa tinta. É mágica. - Kathy piscou.
Louise puxou a varinha, apontou para o bloquinho de Kathy e exclamou:
- Lacarnium inflamarium!
Mas nada aconteceu.
- Muitos tiveram a mesma ideia que você antes, querida Louise. Então coloquei um feitiço em meus blocos de notas para que não possam ser queimados, molhados ou rasgados.
- MALDITA! O QUE ESPERA GANHAR COM ISSO????
- Notícias bombásticas! E muitos galeões!
Louise foi até a porta do armário de vassouras, exclamou "Alohomora!" para destrancá-la e saiu, batendo os pés. Como era sábado, ela retornou ao salão comunal da Lufa-Lufa, bufando de raiva.
- Lulu, o que houve? - indagou Davy, quando viu a amiga se jogar numa das confortáveis poltronas.
- Aquela mulher.... Vai lançar no Profeta Diário o boato de que estamos namorando, Davy... E é bem provável que muitas pessoas leiam e acreditem... Como Gerd.
- Relaxa, Lulu, só gente sem muita coisa na cabeça acredita nas fofocas da Kathy Giordano. - Peter garantiu.
- Assim eu espero.
Colin passou, parecendo também furioso com sua entrevista. Davy e Louise olharam para ele, trocaram um olhar entre si e Davy indagou:
- Será que contamos a ele sobre os dragões?
- Acho justo. Ele também é um campeão de Hogwarts. E meu primo.
Eles foram até Colin.
- Ei, Colin, podemos falar com você? - quis saber Davy.
- Claro. - respondeu ele, os olhos azuis brilhando. - Sobre o quê?
- Sobre... Nossa primeira tarefa. - disse Louise ao primo.
- A primeira tarefa? Vocês descobriram alguma coisa?
- Sim. Dragões. Cada um de nós enfrentará um. Poderemos adentrar a arena somente com as varinhas, mas podemos usá-las para invocar qualquer coisa que seja útil. - explicou Davy.
- Puxa vida... Bom, fico muito grato por vocês terem vindo me avisar. Agora vou poder me preparar melhor. Eu devo uma a vocês... Bom, eu e Talia vamos passear em Hogsmeade, se vocês me derem licença...
E Colin se afastou.
- Bom, fizemos nossa parte. - disse Louise.
- Sim. Agora... Precisamos esperar até o próximo sábado.
A semana passou rápido. Davy e Louise fizeram o máximo para ignorar os comentários daqueles que estavam contra eles. A maioria dizia que eles morreriam torrados assim que pisassem na arena. Os mais gentis diziam que eles teriam um braço ou perna arrancados e nunca mais poderiam jogar quadribol.
Na manhã de sábado, Peter e Odile tentaram fazer seus amigos sossegarem e se alimentarem bem. O que não foi fácil. Davy estava tão nervoso que não conseguia comer nada, e Louise andava para cá e para lá na sala comunal, sem parar.
Às 11:30, todos começaram a descer para o campo de quadribol, onde foi preparada a arena de combate. Quando Davy e Louise atravessavam o Grande Salão juntamente com Peter e Odile, Dianna foi empurrada em direção a eles, muito trêmula e nervosa, por suas amigas.
- É... Davy, Lulu, eu só queria... Desejar boa sorte.
- Obrigado, Di. - os dois disseram em coro.
Alice e Emma acotovelaram Dianna, cada uma de lado. Dianna gaguejou:
- E... E... Q-Queria dar um beijo de boa sorte em cada um de vocês.
Davy e Louise sorriram, indicando que ela podia. Ela se aproximou de Louise e deu um beijo de leve no rosto dela. Mas na vez de Davy, Dianna foi ainda mais rápida. Seus lábios mal roçaram o rosto dele e ela saiu correndo, mais vermelha que as vestes de quadribol da Grifinória.
- Por que a Di é tão tímida, Lulu? Parece até que tem medo de mim... - Davy indagou.
- Medo não. Ela sente outra coisa por você. - Odile e Louise falaram.
- O quê?
- Davy, quando você for menos tapado a gente conversa. - Odile falou, impaciente.
Os quatro desceram pelos terrenos da escola e chegaram à arena. Peter e Odile foram para as arquibancadas, onde encontraram Mike e Micky. E Davy e Louise foram para o vestiário, seu velho conhecido, para colocar as vestes com as quais enfrentariam os dragões. Pareciam com as de quadribol, com exceção da espécie de colete preto que envolvia as vestes amarelo-canário, as cores da Lufa-Lufa.
Depois, eles se juntaram aos demais competidores, para receber as instruções. O Prof. Rafelson os aguardava, junto com os outros dois diretores e o sr. e a sra. Mackenzie. Kathy Giordano tentava fotografá-los e entrevistá-los, mas foi convidada a se retirar.
- Bom dia, campeões. - disse Rafelson. - Bom, como primeira tarefa, vocês usarão suas habilidades mágicas para enfrentar um dragão.
- E pegar o ovo de ouro que ele guarda. - disse o sr. Mackenzie.
- O ovo contém uma pista para a prova seguinte. - disse a sra. Mackenzie. - Bom, nós recebemos oito dragões, dois de cada raça. Sr. Jones e srta. McGold, nós soubemos que vocês queriam competir como equipe, o que não seria justo. Portanto, nós decidimos que, nesta tarefa, vocês dois enfrentarão dragões da mesma raça. Srta. McGold, você terá um dragão sorteado para você e o sr. Jones enfrentará o outro da mesma raça do que o dragão que a senhorita tirou, de acordo?
Davy e Louise assentiram. O sr. Mackenzie pegou um saquinho e estendeu-o para Renée.
- Srta. Chapelle, por favor.
Renée colocou a mão no saquinho e tirou de dentro uma miniatura de dragão, que mexia a cabeça, o rabo e rugia.
- Um verde-galês. Agora, sr. Kotovski.
Kotovski tirou o seu.
- Um meteoro-chinês. Perigoso, esse... Sua vez, sr. Black.
Colin pegou um dragãozinho.
- Um focinho-curto sueco. E por fim, para a srta. McGold e o sr. Jones...
Lulu enfiou a mão no saquinho e tirou de lá uma miniatura de um dragão marrom, cheio de espinhos pelo corpo todo e chifres na cabeça. A cauda parecia uma maça medieval.
- Os rabos-córneos húngaros. - disse o sr. Mackenzie. - Bem... Sr. Black, ao som do canhão, pode...
O zelador, sr. Babbitt, soltou a bala de canhão antes do momento, e Colin saiu, aclamado pela multidão. Davy e Louise trocaram um olhar nervoso. Louise costumava ser azarada. E bastava olhar para a miniatura de rabo-córneo húngaro para saber que aquele era o pior dos dragões.
Aguardaram. Pelo jeito, Colin foi bem-sucedido... Assim como Renée e Kotovski. E veio a vez de Louise.
- Davy....
- Calma. Eu confio em você, Lulu. - ele abraçou a amiga... Sem saber que eram fotografados por Kathy. - Vai.
Louise saiu, e Davy foi até a entrada da barraca onde os competidores aguardavam, para assistir. Louise mal entrou, foi recebida com uma rajada de chamas. Ela se escondeu atrás de algumas rochas.
Gerd Müller suspirou, aliviado. Temeu por ela. Louise percebeu que o bicho se guiava sobretudo pelo faro. Com a varinha, lançou algumas nuvens de cheiro forte na direção oposta. O dragão foi na direção das nuvens, como Louise imaginava. Ela viu o ovo de ouro.
- Maravilha.
Então, como precisava ser rápida e não conseguiria apanhá-lo tão rápido assim se escalasse as rochas, exclamou, apontando a varinha na direção do castelo:
- Accio Nimbus 2001!
Pouco menos de 10 segundos depois, Louise viu sua vassoura pairando diante dela. Montou e voou em direção ao ovo... Não era a apanhadora da Lufa-Lufa à toa. Contudo... O dragão sentiu seu cheiro, e avançou em sua direção.
Louise voou imediatamente para fora da arena. Com o dragão voando logo atrás. O bicho conseguiu quebrar seus grilhões.
- Droga!
Lá embaixo, Davy e Gerd entraram em pânico. E Louise fez o que pôde para se livrar do dragão.
***
- Meu solzinho... - Alice murmurava, nervosa.
Dianna também estava apavorada, e Emma e Erin tentavam acalmá-las. Louise procurava cansar o dragão, voando o mais rápido que sua Nimbus 2001 podia, e realizando o máximo de manobras que sabia. Até que o dragão desabou, cansado, perto das estufas de Herbologia. Mas não destruiu nenhuma. Louise aproveitou e voou de volta ao campo de quadribol, erguendo o ovo com as duas mãos e se segurando na vassoura só com as pernas. Ela foi intensamente aplaudida.
Louise voou para a barraca dos competidores, onde Davy a esperava. E ele a abraçou forte.
- Foi genial, Louise! Mandou muito bem!
- Obrigada. - ela sorriu. - Agora é sua vez. Boa sorte.
Louise foi levada pelo sr. Mackenzie e sua esposa para descansar. E Davy tinha poucos minutos para bolar uma estratégia.
Antes mesmo de sair da barraca, Davy invocou sua vassoura.
- Accio Firebolt!
As Firebolts eram consideradas as melhores vassouras de corrida do mundo. Normalmente, só jogadores profissionais as pilotavam. Davy montou e entrou voando na arena. Logo avistou um brilho dourado no chão pedregoso: o ovo. Voou em direção a ele, e logo o agarrou. Porém, isso atraiu a atenção do dragão.
- Tome isso, feioso! - exclamou ele, disparando centelhas multicoloridas e brilhantes nos olhos do rabo-córneo húngaro.
O dragão ficou cego por alguns minutos, porém, quando Davy estava quase voando para fora do alcance dele, a fera por pouco não abocanhou a cauda da Firebolt. Davy voou mais alto, o ovo bem seguro na mão esquerda, enquanto guiava a vassoura com a direita. Assim como o dragão de Louise, o de Davy se soltou dos grilhões. O garoto não teve muita escolha. Segurando-se firme na vassoura com as pernas, ele apontou para o focinho do dragão e lançou um gás sulfuroso que deixaria o animal desacordado por várias horas. O bicho desmaiou com o mau cheiro. Contudo, ninguém da plateia podia sentir o cheiro de ovo podre, só o dragão.
Mais tarde, Lulu e Davy saíam da arena, e foram cumprimentados por várias pessoas, incluindo Alice, Dianna e suas amigas. Alice apertou a mão de Davy e deu um selinho em Lulu. Já Dianna se limitou a gaguejar e dizer que eles foram ótimos.
Os dois voltavam para a Sala Comunal da Lufa-Lufa, acompanhados de Peter e Odile, quando Mike e Micky cruzaram seu caminho.
- Olá. - disseram.
- Olá. - responderam Peter e Odile. Louise e Davy sequer esboçaram reação.
- Mike e eu estávamos conversando... E tem que ser muito burro pra botar o nome no Cálice de Fogo. - disse Micky.
- Até que enfim, hein? Demorou pra vocês caírem na real! - Davy falou.
- Nossa, eu poderia enfiar as minhas mãos nas caras de vocês! - Louise gritou. - Mas não farei isso. – e abraçou os dois. Davy, Peter e Odile se juntaram ao abraço grupal.
sábado, 18 de junho de 2016
Every Little Thing She Does Is Magic - Capítulo 2
Boa noite! Temos mais um capítulo da fic inspirada em Harry Potter, e eu espero que vocês gostem! Boa leitura.
No dia seguinte, após o café da manhã,
Davy, Louise e seus amigos tinham aula de Defesa Contra As Artes das Trevas.
- Como será que o Cálice sabe
quem tem idade para participar ou não? - Micky perguntou.
- É um artefato mágico muito
poderoso. Ouvi dizer que colocaram nele feitiços que nós nem imaginamos que
existem. – respondeu Mike.
- Tá bom, sr. Sabe-Tudo, e como
alguém que, hipoteticamente, quisesse ludibriar o Cálice de Fogo poderia fazer?
– Micky insistiu.
- Bom... Poderia tentar uma Poção
de Envelhecimento. Mas o Rafelson não vai ser enganado por algo tão óbvio
assim. – Nez respondeu.
- É por isso que vai dar certo! –
Micky exclamou. – Porque é pateticamente óbvio!
- Hum, eu não tinha pensado
nisso... – Mike deu um sorriso malicioso.
Davy, Louise, Odile e Peter riram.
Eles que tentassem. Os seis entraram na sala de Barry Thompson e se acomodaram
em suas carteiras. Logo o professor entrou, seu olho de plástico girando em
todas as direções e perscrutando todos. Davy sentiu-se bastante incomodado com
aquilo. Parecia que ele tinha os olhos pregados em sua cicatriz em forma de
raio.
Thompson foi até a frente
da sala e começou a falar, num tom que ribombava como um trovão:
- Barry Thompson. Ex-auror. O
insatisfeito do Ministério. Estou aqui porque Rafelson pediu, fim da história,
é só isso e ponto final!
Uns e outros tremeram em suas
cadeiras.
- Agora, meu dever como professor
desta disciplina exige que eu ensine vocês a lidar com algumas das piores
coisas existentes no mundo da magia. E uma dessas coisas são as Maldições
Imperdoáveis. Quem sabe quantas são?
Dianna Mackenzie ergueu a mão no
ar.
- Sim, senhorita...?
- Mackenzie, senhor.
- Ah, a filha do Lawrence e da
Susan, não é?
Dianna acenou com a cabeça.
- Você cresceu, o tempo passa
rápido... Bom, mas quantas maldições são, srta. Mackenzie, pode dizer?
- Três. – disse Dianna.
- E por que elas receberam esse
nome?
- Porque são imperdoáveis. Se
tentar qualquer uma delas...
- VAI GANHAR UMA PASSAGEM SÓ DE
IDA PARA AZKABAN! Correto! – completou Thompson, quase quebrando o giz na
lousa, no que pareceu um acesso de raiva. – O ministério acha que vocês não
devem aprender sobre tais maldições, mas eu penso diferente! Precisam saber o
que vão enfrentar! Precisam estar preparados! Tork!
- S-sim, s-senhor? – Peter
tremeu.
- Conhece alguma das Maldições
Imperdoáveis?
- Eu... Hã, bom... Meu pai me
falou sobre uma, uma vez. A Maldição Imperius.
- Ah, sim, sim, o Halsten sabe
tudo sobre essa. Quem conjura esse feitiço sobre alguém consegue que seu alvo
realize tudo que lhe for ordenado...
Thompson pegou uma aranha de um
pote, apontou a varinha para ela e disse:
- Imperio!
A aranha correu
em círculos, executou o que pareceu ser um número de sapateado com suas oito
pernas e quase se afogou num balde cheio de água que havia sido colocado
embaixo de uma goteira. Thompson recolheu a aranha e disse:
- Muitos bruxos e bruxas alegaram
que só obedeceram as ordens de Você-Sabe-Quem porque estavam sob o efeito da
Maldição Imperius. Mas tem um problema: como descobrimos os mentirosos?
Ele olhou por toda a sala, até que
seus olhos pousaram num garoto alto, de cabelos pretos e olhos claros, um pouco
dentuço, chamado Geoff Hurst. Ele era da Grifinória.
- Hurst, não é? – indagou o
professor.
- Sim. – respondeu o garoto,
timidamente.
- Pode me dizer o nome de mais
uma das maldições?
- Bem... Maldição Cruciatus.
Mas...
- Exato.
Thompson colocou a aranha sobre a mesa
de Hurst, apontou a varinha para ela e disse:
- Crucio!
No mesmo momento, a
aranha começou a se debater e a estrebuchar, emitindo um som estridente de...
Dor. Geoff parecia muito perturbado por ter que ver aquilo. Uma garota também
da Grifinória chamada Elena Valdez pediu:
- Pare, senhor! Não vê que está
fazendo mal a ele? Pare!
Thompson parou, guardou a varinha,
pigarreou e disse:
- A maldição da tortura. Me
desculpe, garoto. Bem, só falta uma.
Ele caminhou até a mesa de
Dianna e disse:
- Talvez queira nos dizer qual é
a terceira e última maldição, srta. Mackenzie.
Dianna parecia muito perturbada.
Ela olhou para Davy, parecendo hesitante, e por fim se calou.
- Não quer mesmo dizer? –
insistiu o professor. Dianna assentiu com a cabeça, e Thompson, apontando a
varinha para a aranha, exclamou: - Avada
Kedavra!
A garota tremeu e escondeu o
rosto nas mãos. Davy sentiu uma dor na cicatriz.
- Tudo bem? – Louise cochichou
para ele.
- Sim. Estou bem. – Davy
murmurou.
- A maldição da morte. – disse
Thompson. – Só uma pessoa sobreviveu a ela. E está aqui na sala.
E todos olharam na direção de Davy.
Para o alívio dele, a aula acabou. Lá fora, Peter disse:
- Ele é brilhante, não é? Meio
maluco, e dá arrepios ficar na mesma sala com ele, mas ele tem experiência, ele
sabe do que a falando...
- Ah, não sei não. – Mike falou.
– Tem um motivo para essas maldições serem imperdoáveis. E fazer isso na sala
de aula? Vocês viram as caras da Dianna e do Geoff?
- Nez, quieto. – Odile
acotovelou-o e apontou para alguns degraus a frente, onde estava Geoff,
conversando com Elena. Thompson foi até ele, falou alguma coisa em tom baixo e
Geoff o seguiu de volta à sala dele. Elena foi embora.
Na quarta-feira à noite, Davy, Louise, Odile e
Peter estavam vendo alunos das três escolas fazerem suas inscrições de última
hora. Mike e Micky estavam sumidos.
- A glória eterna. Dá para
imaginar? – Louise comentou. – Quem sabe daqui a três anos, quando tivermos
idade.
- Antes você do que eu. – Davy
respondeu, com uma risada.
As
portas do Grande Salão se abriram, revelando Colin Black, ladeado por Talia e
alguns amigos. Ele depositou o papel com seu nome no Cálice de Fogo, e foi
muito aplaudido. Davy nunca tinha reparado, mas Colin era até bastante
atraente... Ele até se conformava com o fato de Talia estar com o garoto mais
velho. Viram também Renée Chapelle, da Beauxbatons, se inscrevendo, e por fim
Igor Kotovski. Depois que Igor foi embora, as portas do Grande Salão se abriram
mais uma vez, e entraram por ela Mike e Micky, trazendo frasquinhos nas mãos.
- Não me digam que vocês vão
mesmo... – Louise começou.
- Querida Lulu, como diz o
ditado, quem arrisca não petisca. – Micky retrucou.
- Pelo amor de Deus, Mike, você
mesmo disse que uma Poção de Envelhecimento não funcionaria! – Davy exclamou.
- Estão vendo aquilo? É a Linha
Etária. Foi o próprio Rafelson que planejou. – disse Odile.
- E daí? – Mike e Micky falaram,
num tom de deboche.
- E daí que um gênio como
Rafelson não vai ser enganado por um truquezinho tão óbvio quanto uma Poção de
Envelhecimento! – Peter afirmou.
- Mas é um truque tão óbvio que
Rafelson deve ter descartado um contra-feitiço para essa poção! – Mike piscou.
Louise, Davy, Peter e Odile
trocaram olhares impacientes. Só esperavam para ver.
- Pronto, Nez?
- Pronto, Micky.
- Vamos lá! – os dois falaram
juntos, e beberam as poções. Em seguida, pularam dentro da Linha Etária.
Conseguiram.
Eles depositaram seus nomes
dentro do cálice. Contudo, quando cantavam vitória, o Cálice de Fogo expeliu os
papéis com os nomes deles e eles foram arremessados para longe. Seus cabelos
ficaram brancos e cresceram neles barbas brancas como neve.
- Você disse que ia funcionar! –
exclamou Mike, furioso.
- Eu? Você disse! – Micky
retrucou.
Os dois começaram a trocar socos. Peter e
Davy ecoavam o burburinho de “Briga! Briga!” dos outros meninos, enquanto
Louise e Odile trocavam olhares. Os garotos realmente eram uns tapados.
***
Finalmente chegou a hora que todos
esperavam: a do jantar de quinta-feira. Depois que todos pareciam estar
empanturrados, Rafelson bateu com uma colher delicadamente na lateral de seu
copo de cristal, para chamar a atenção.
- Vamos começar a seleção dos
campeões!
Cerca de trezentas cabeças
viraram-se na direção da mesa dos professores, ansiosas. O Cálice de Fogo
materializou-se, o fogo azul crepitando na sua boca. Todos olhavam para elas,
com expectativa. De repente, o fogo avermelhou-se, e uma língua arrastou-se
para fora do cálice, deixando escapar um papelzinho chamuscado. Rafelson
apanhou-o no ar, desdobrou-o e anunciou em alto e bom som:
- A campeã de Beauxbatons... É
Renée Chapelle!
Foi uma chuva de aplausos. Renée
pareceu não gostar muito daquela exposição, mas levantou-se da mesa da
Corvinal, caminhou em direção à mesa dos professores e apertou a mão do diretor
Rafelson. Renée ainda recebia os cumprimentos efusivos de sua diretora, a
profa. Pommer, quando o cálice vomitou um novo papelzinho. Rafelson leu o nome
ali escrito e exclamou:
- O campeão de Durmstrang... É
Igor Kotovski!
Igor já estava acostumado a
receber salvas de palmas, contudo, não se exibiu. Caminhou até Rafelson e apertou
a mão dele com a mesma calma que Renée. Depois, postou-se ao lado dela,
esperando pelo anúncio do campeão de Hogwarts.
Logo, um terceiro papel saiu
voando do meio das chamas. Todos apuraram os ouvidos.
- O campeão de Hogwarts... É
Colin Black!
O Grande Salão prorrompeu em
aplausos, sobretudo da mesa da Lufa-lufa. A casa tinha fama de abrigar os
alunos mais preguiçosos e covardes, e ter um campeão dessa casa representando
Hogwarts no torneio significava que a Lufa-lufa valia tanto quanto as outras
casas. Colin levantou-se da mesa da
Lufa-lufa com um grande sorriso no rosto e apertou a mão do diretor. Lulu, seu
irmão Mickey e seu pai eram os que mais batiam palmas. Colin era filho de
Malcolm, o irmão de Mary, mãe de Louise.
- Excelente! – exclamou Rafelson,
parecendo contente. – Temos nossos três campeões! Agora...
No entanto, ele não pôde concluir seu
pensamento. As chamas crepitaram ruidosamente outra vez... E vomitaram um
quarto papel. Muito intrigado, Rafelson leu o nome escrito ali:
- Louise McGold? LOUISE MCGOLD!
Louise não entendia o que
estava havendo. Como seu nome poderia ter saído do Cálice de Fogo? Ela sequer
havia se inscrito...
- Vá, Lulu. – Davy apressou-a. –
Melhor ir.
Ela fez como o amigo disse. Vários olhares
hostis a encaravam. Pensavam que ela tinha trapaceado, claro. Deu uma rápida
olhada na mesa da Sonserina. Seu irmão Mickey parecia preocupado. Sua prima
Felicity, entretanto, parecia furiosa. Lulu sabia como ela queria participar.
E, ao olhar para a mesa dos professores, encontrou o olhar do pai, ainda mais
preocupado do que o de seu irmão.
- Senhor... – ela tentou falar
com Rafelson. – Eu não sei como...
- Precisamos conversar, srta.
McGold.
- Diretor! – exclamou uma voz.
O
fogo vomitou mais um papel... Com um nome que encheu Lulu de pavor.
- DAVID JONES!
Davy
se levantou da mesa da Lufa-lufa, muito tenso. Mike e Micky o olhavam com
raiva, e também para Louise. Peter estava nervoso. E Dianna, na mesa da
Corvinal, ficou pálida.
- Prof. Rafelson, eu juro, nem eu
nem Louise...
Rafelson nada disse, só empurrou
levemente Davy e Louise em direção a uma sala. Os outros diretores e os demais
campeões os acompanharam.
- O que em nome de Merlin está
acontecendo? – Louise cochichou.
- Não sei. E não estou gostando
nada disso. – respondeu Davy.
Dianna tinha se
levantado da mesa da Corvinal para falar com os pais.
- Mãe, pai, por favor! Davy e
Louise... Eles não podem participar!
- Vamos fazer o que pudermos,
querida. – disse Susan, passando a mão no cabelo de Dianna.
- O que acho que não será muito.
– acrescentou Lawrence. – Sua amiga e seu namorado foram escolhidos e a decisão
do cálice é irrevogável, filha.
- Davy... Não é meu namorado. – a
garota disse, com um suspiro.
Os pais de Dianna entraram
naquela mesma sala em que Rafelson havia mandado Davy e Louise. A garota se
juntou a suas amigas, que tentavam consolar Dianna da melhor forma possível.
Ela temia por Louise, com quem havia começado a criar uma amizade, por
intermédio de Alice, que ficava com Louise de vez em quando, e mais ainda por
Davy.
- Ai meu Deus... Esse torneio é
perigoso... Lulu corre um grande risco... E Davy... Vai saber se alguém do lado
do Lorde das Trevas não está por trás disso...
- Calma, Di. – dizia Emma. –
Aqui, tome um pouco de suco de abóbora para se acalmar.
- O tio Larry e a tia Susie vão
dar um jeito. – garantiu Erin.
- Mamãe não concorda com isso. –
disse Dianna, após tomar um grande gole de suco. – Mas o papai...
- Será possível que seu pai vai
mesmo permitir isso? Tem um grande engano nisso tudo... – Alice murmurou,
preocupada com Louise, seu “sol”.
Na sala, os outros diretores
estavam indignados. Os outros campeões não diziam nada. Davy e Louise muito
menos. Só faziam o máximo para garantir que não tinham tentado trapacear, de
forma alguma. Susan tentava fazer seu marido reconsiderar, mas ele não parecia
muito disposto a quebrar as regras, mesmo num caso como esse.
- As regras são muito claras. Todos
aqueles que são escolhidos pelo Cálice de Fogo têm de participar do Torneio
Tribruxo. É um ato contratual mágico inquebrável. O sr. Jones e a srta. McGold
são, a partir de agora, campeões tribruxos. Agora, sugiro que os campeões vão
dormir. Os cinco.
Colin quis acompanhar Davy e
Louise ao Salão Comunal da Lufa-lufa, mas eles deixaram o garoto seguir
sozinho. Estavam apavorados.
- Davy... E se isso for coisa...
De Você-Sabe-Quem? – Louise supôs, com medo.
- Deve ser, Lulu. Mas... Por que
você também? Que interesse ele tem em você, Lulu? Eu não quero colocar você em
perigo...
- Calma. Nós... Nós vamos
conseguir sair dessa. – Louise abraçou o amigo.
Na sala, os adultos ainda
discutiam.
- VOCÊ ESTÁ LOUCO, LAWRENCE
JOSEPH MACKENZIE? – gritava sua mulher. – NÃO PODE DEIXAR DOIS MENORES DE IDADE
PARTICIPAREM DESSA DROGA DE TORNEIO! ELES SÃO IMPORTANTES PARA A SUA FILHA!
- Susan, querida, entenda, o
Torneio Tribruxo é uma competição tradicional...
- NÃO ME VENHA COM ESSA! Com que
cara eu vou dizer para a Dianna que a amiga dela vai ter que participar de uma
competição que pode matá-la? COM QUE CARA EU VOU DIZER QUE O GAROTO DE QUE ELA
GOSTA CORRE O RISCO DE MORRER NESSE TORNEIO?
- Sra. Mackenzie, por favor,
sente-se. – disse Rafelson, colocando a mulher sentada numa poltrona e servindo
uma xícara de chá.
- Obrigada, Bob. – a sra.
Mackenzie sorveu um grande gole de chá e continuou a esbravejar contra o
marido. – Larry, você vai buscar aqueles dois garotos agora mesmo e cancelar a
participação deles no Torneio Tribruxo! Pense nos pais da menina! Devem estar
mortos de pavor...
- Susie, eu já disse que...
- BAH! EU DESISTO! – ela colocou
a xícara de chá na mesinha ao lado da poltrona. – Vou me desculpar com o
Anthony McGold... E garantir que vou ficar de olho na filha dele.
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