quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Stop! In The Name Of Love - Capítulo 5 (What If)

Boa tarde! Temos já um novo capítulo de Stop, e a destroca começa. Boa leitura! 










Capítulo 5 – Estúpido Cupido  (Dianna’s POV)



           

     Fiquei receosa de que alguém, principalmente Davy, me seguisse quando saí para tomar ar, porém,  me deixaram sozinha. Ainda bem. Minha cabeça girava. Desde que Lulu fez aquele comentário, comecei a me indagar se eu realmente queria me casar com o Gerd.
     Antes disso tudo, eu não tinha a menor dúvida de que amava meu ursão e queria ser feliz com ele até que a morte nos separasse. Agora... Eu não tinha certeza de mais nada. Subitamente, eu me lembrei do que tinha sonhado na noite anterior. O hobbit safadão. Eu o beijava ardentemente, e até mesmo...
       Não consigo acreditar que uma mera crush tenha causado tamanha transformação em mim. Às vezes eu não queria ser poetisa. Eu sinto tudo com muita intensidade. Assim, o que era para ser uma quedinha boba estava me fazendo cogitar terminar meu noivado. Poeta é um bicho estranho.
       Mais calma, eu voltei para dentro. Odile me viu, e disse:





- Dianna, quero conversar com você e o Davy.


                      


       Tinha que ser com ele também? Estava um pouco contrariada, contudo, dei de ombros e segui Odile. Ela encontrou Davy e o chamou também. Disse, então:




- Bom, eu gostaria de falar com vocês sobre o que a Louise e o Gerd vão ter que fazer no filme, e quero que me digam se concordam. E tenho que falar sobre seu papel também, Davy.

- Qual vai ser meu papel? – Davy indagou. – A outra ponta do triângulo amoroso?

- Não. – Odile respondeu. – Você vai ter uma aparição bem rápida.

- Jura? – Davy tinha um certo tom irônico.

- Juro, seu cotoco de gente metido a Alain Delon!  Vai ser bem rapidinho mesmo. Você vai ser o namorado da Louise que aparece na introdução do filme. Nem vai chegar a ter fala. Ela olha para você por uns segundos e fecha a porta para nunca mais te ver!

- Olha aqui, Odile, se isso é alguma indireta...

- E SE FOR?

             


         Eu estava ficando incomodada por estar presenciando tal discussão. Era óbvio que Davy e Odile se odiavam, porém, eu ignorava os motivos.

- Odile, se acha que eu vou deixar a Lulu...

- Ah, cala a boca, Davy! Dianna... O Gerd não vai ter só que beijar a Lulu. Vão ter... Cenas íntimas. Íntimas mesmo. Você se importa?


             

           CENAS ÍNTIMAS? A LOUISE IRIA GRAVAR CENAS DE SEXO COM O GERD?




- O quê? Odile, se o Gerd não estivesse financiando esse filme, eu juro que...

- Dianna, é uma questão profissional! Precisa ser menos ciumenta!

- Menos ciumenta? E se fosse o Franz? Como é que você se sentiria, hein, Odile?

- E como assim a Louise vai ter que gravar... Esse tipo de cena? – Davy estava indignado.

- Ah, por favor, Davy, ela grava cenas assim com o Patrick Shepherd para a série!

- E quem disse que eu aceito isso de boa?

- VOCÊS DOIS QUEREM PARAR?  VÃO ME DEIXAR LOUCA! – Odile berrou.         


                     


           De repente, Louise e Gerd chegaram. Eu só queria ver como aquela confusão acabaria...





- Gente! O que está havendo? – Louise inquiriu.

- Nestas horas eu te dou razão sobre o filme, McLovely.  – Davy estava furioso.  – Realmente não tem como dar certo. Onde já se viu? Minha aparição é menor. Olha, eu já fui figurante, mas nunca tive participações tão esporádicas assim! É tipo três segundos e nada mais.

- E tem mais: eu não gostei de saber que meu namorado vai gravar... CENAS DE SEXO COM A MINHA AMIGA! – extravasei minha raiva. – Eu juro que se não fosse o Gerd e o Franz financiarem esse filme, eu pediria expressamente para ele não aceitar.


                 


       Odile começou a gritar comigo e com Davy, e Louise gritou, parecendo irritada e desesperada:




- PAREM!  CHEGA, DAVY! PARE DE RECLAMAR! PARE DE CRITICAR, DIANNA E PARE DE BRIGAR, ODILE! PA-Pare...

            

                  


          Ela não terminou a frase. Cambaleou... E desmaiou.




- LOUISE! – Davy, Odile e eu exclamamos, assustados.

- Ai... Ai meu Deus... – Odile caiu para trás também, desacordada.

- Mein Liebe! – Franz, que tinha acabado de chegar ali, correu para socorrê-la.

- McLovely... – Davy também foi acudir Louise, porém... Gerd pegou-a nos braços antes!

- Ela ficou nervosa assim porque eu a tirei do sério. A culpa não é de vocês. – disse meu noivo. – Eu a levarei ao hospital.

- Alto lá! O namorado dela sou eu! – Davy protestou.

- Relaxa, anão. Eu vou devolvê-la intacta. – E Gerd ia saindo.

- Gerd! – eu reclamei. – Deixe o Davy ir com ela!

- Pode ficar tranquila, Di. Eu logo estou de volta em casa.


                   


       Gerd saiu carregando Louise, e Franz carregando Odile. Davy e eu ficamos nos olhando com cara de paisagem.




- Como o seu noivo resolve levar a minha namorada para o hospital e se recusa a me deixar ir? – Davy olhou para mim como se exigisse explicações.

- E eu sei lá? Estou tão ultrajada quanto você!

- Olha, se eu fosse você, desmanchava esse noivado. Ele está muito saidinho.

- OLHA QUEM FALA!

                   
                 


  Como ele tinha a audácia de dizer que o Gerd estava “saidinho”, quando ele próprio tinha dado em cima de mim sem mais nem menos? Assomei contra ele e agarrei-o pelo colarinho da camisa, furiosa. Contudo, em vez de sacudi-lo, quando olhei no fundo dos olhos dele... Não sei o que deu em mim. Eu o beijei como no meu sonho, com ardor. Ele colocou as mãos na minha cintura, safado que se preze não perde uma chance.
   Até que a necessidade de respirar nos obrigou a quebrar o beijo. Eu o soltei rapidamente.





- Eu não deveria ter feito isso! – exclamei, já com uma ponta de arrependimento.

- Por que negar? – ele olhava para mim com os olhos brilhando. – Você está apaixonada por mim, eu estou apaixonado por você.

- NÃO, NÃO ESTAMOS!  Eu tenho o Gerd e você tem a Louise. Vamos esquecer que isso aconteceu.

- Eu não vou esquecer. – ele pegou a minha mão, mas eu a soltei. – Dianna, eu nunca senti isso por ninguém, nem mesmo pela Louise.

- Todos os aproveitadores dizem isso. Eu vou me casar com o Gerd e vou ser muito feliz! E eu aconselharia você a ter um mínimo de respeito pela Louise!

- Eu a ouvi murmurar o nome do Gerd na noite passada!

                   
                     

     O quê? Não podia ser. Mas eu tive a impressão de que Gerd me chamou de Louise enquanto dormíamos...





- Deve ser... Imaginação sua...

- Não foi! Dianna, por favor, acredita em mim...

- Eu não quero acreditar...

- Que outra mulher sonhou com o seu noivo ou que eu estou apaixonado por você?

- Os dois! Fica longe de mim! Não ouse me procurar! – eu exclamei, e saí correndo.

- Dianna...


             

    Ele não foi atrás de mim. Como Gerd pegou seu carro para levar Lulu ao hospital, eu decidi voltar para casa de ônibus.  Uma vez no quarto de hotel, resolvi pegar o notebook e assistir a alguma série para afogar as mágoas.
    Infelizmente, o Netflix tirou a série original de Star Trek da sua grade e o meu box com a série completa tinha ficado em Munique. Então, resolvi procurar outra coisa para ver. Passei reto por Ligações Perigosas. Achei a nova série de TV da DC Comics, Supergirl, e comecei a assisti-la.      
      Assisti a vários episódios, e por um tempo me esqueci de Davy, Louise... E Gerd. Falando nele, chegou quando já tinha anoitecido. Dei um pulo para fora da cama quando ele destrancou a porta do quarto.



- Ursão! – corri para abraçá-lo e beijá-lo. Queria mais do que tudo esquecer o que tinha acontecido naquele dia e fazer tudo voltar ao normal. – Fiquei preocupada. Como está Louise?

- Ela se recuperou bem... – ele evitava meus beijos, o que estava me deixando irritada e preocupada. – Só precisa tomar uns remédios...


           

      Ele pegou suas malas e começou a guardar tudo lá dentro: roupas, pertences, as chuteiras. Fiquei atônita.






- O que está havendo? – inquiri, assustada.

                     


         Gerd me ignorou e continuou guardando coisas e mais coisas nas malas.





- Gerhard! – gritei.

- Dianna!

- Me responde!


                      



           Ele parou, virou-se para mim e pareceu estar medindo suas palavras e reunindo coragem.





- Acho melhor terminarmos o noivado. – disse ele, suspirando pesadamente e tirando a aliança do dedo, colocando-a sobre o criado-mudo. – Dianna, olha bem. Eu não a mereço.


                   

       Eu não conseguia crer que aquilo estava acontecendo. Tentei de todo jeito fazê-lo desistir daquela loucura.




- Não diga isso, ursão! – agarrei-me nele, pendurada em seu pescoço, e beijava sua testa. – Se eu errei com você alguma vez, eu peço desculpas. Eu estava muito insegura sobre você gravar cenas... De sexo com a Louise.


- Por isso mesmo. Eu não quero atormentar você em momentos que a deixem assim, paranoica. Dianna, eu adoro você de verdade. Mas não sou o cara pra você. Nem mesmo a inspiro em suas poesias. Me perdoe...


             
                


    Ele se soltou de mim e saiu, levando sua bagagem. Eu não pude evitar chorar de raiva e de tristeza naquele momento. Não podia estar acontecendo...  Fui para a janela e comecei a xingar em alemão, como sempre acontece quando estou com muita raiva:





- Ich hasse dich, Deutsch unbedeutend! Verdammt! (Eu odeio você, alemão insignificante! Maldito!)


                  


         Voltei para dentro, tentando me recuperar. Ele podia dizer que não me inspirava nos meus poemas, mas era o que eu tinha que fazer agora.





Como pude acreditar em ti?
Vejo todos os meus castelos de sonho
Desmancharem no ar.


Por que, ou quem, vais me deixar aqui?
É culpa dele esse pesadelo medonho?
Ou... É por ela que não queres mais me amar?


Ainda te desejo.
Ainda acho que podemos voltar...
Que seja apenas um fútil espírito malfazejo!



                        
      
     Deitei-me na cama e comecei a chorar como uma condenada, abraçando o travesseiro. Porém, mesmo chorar cansa. Sequei as lágrimas que escorreram por meu rosto, endireitei-me e peguei o celular para ligar para a Emma.




- Alô?

- Emma... Por favor... Vem me ver. – pedi com dificuldade.

- Di! O que foi? Você... Você andou chorando? Está fanhosa.

- Eu... Por favor, mozão, eu preciso de você.

- Eu já vou, mozinho, eu já vou.



              


         Quinze minutos depois ouvi o som da campainha tocando. Corri para abrir a porta do quarto. Pendurei-me na minha amiga, vertendo uma nova torrente de lágrimas.





- Di, meu Deus... – Emma estava assustada. – O que está havendo?  Fale para mim, mozinho. – ela acariciou meus cabelos e me deu um selinho.

- O Gerd... O Gerd terminou nosso noivado.

- O QUÊ? – minha amiga e amada ficou horrorizada. – Por quê?

- Ele... Ele disse que não serve para mim.

- Como assim? Vocês eram tão perfeitos juntos!

- Emma... Lembra-se do que eu te dizia sobre... ”Ele”?

- “Ele”? Você diz...

- Sim... O “muso”. Não era Gerd. Nunca foi. Eu queria acreditar que era ele, o homem que me inspirava, que despertava a poesia em mim. Mas vejo que só me iludi durante todo esse tempo.

- Se não é ele... Quem é?

- Você vai rir de mim.

- Juro que não! Diga-me! – ela pegou minhas mãos.


                             


             Soltei um suspiro profundo e confessei:






- Davy Jones.

- Davy Jones? – Emma repetiu, surpresa. – O cavaleiro Danceny? O amigo e colega do Nez?

- Ele mesmo. Eu o conheci numa festa ontem à noite. Ele derramou champanhe no meu vestido e começou a flertar comigo. Sonhei com ele a noite inteira. E hoje... Nós nos beijamos. Tenho que escrever um poema sobre esse beijo...

- COMO É QUE É? VOCÊS SE BEIJARAM? O GERD VIU? POR ISSO ELE TERMINOU?

- Sim, a gente se beijou. Mas o Gerd não viu, nem falei nada para ele. Eu estava querendo esquecer o Davy e o beijo, e então Gerd chegou e acabou tudo. Mas eu tenho uma suspeita...

- Suspeita?

- Sim... Eu acho... Acho que Gerd está apaixonado... Por outra mulher. Por Louise McGold.


                                 


                  Emma ficou quieta, entretanto, não demorou muito a explodir:







- Aquela... Aquela baixinha maldita! Nunca fui com a cara daquela sirigaita! Eu mato ela, e o Gerd também! A prima dela é um tesão, mas essa Louise... Realmente não consigo engolir!

- Emma! Você não vai fazer nada contra a Lulu! Não se esqueça de que eu sou meio paranoica. Pode ser que não tenha nada a ver com ela.

- Esqueci que você gosta mais dela como sua amante do que de mim. – Emma resmungou.

- Ah, mozão! Esses ciúmes de novo?

- Você tem muita moral para repreender alguém por ciúmes, não é mesmo, Dianna Sophie?

- Emma Dorothy, olha bem nos meus olhos. – eu peguei o rosto de Emma nas mãos. – Eu sei que meu ciúme me faz famosa na galáxia inteira, mas por favor, não fique com ciúme da Louise. Eu te amo. Adoro a Louise também... Mas isso não vem ao caso. Pode até execrar o Gerd, mas deixa a Lulu em paz. Deve ser só paranoia minha mesmo.

- Você tem certeza, mozinho?

- Tenho!

- Ok... Quer que eu chame a Alice e a Erin para virem para cá também?

- Alice deve estar com o Gerd a essa hora. Eles se tornaram melhores amigos depois que terminaram e respeito isso. Se ele quiser voltar com ela, não me importo. Sempre achei que ele combinava mais com ela do que comigo.

- Está brava com a Alice?

- De modo algum! – de fato, eu não estava, e Emma percebeu isso em minha voz e meu olhar. – Mas vamos deixá-la consolar o querido McDreamy dela. Se quiser, pode chamar a Erin aqui.

- Certo...


                 

          Emma ligou para a Erin, que logo veio. Repeti as lamentações para minha prima, porém, mais calma do que quando contei tudo a Emma. Sempre fofa, Erin me deu um daqueles abraços gostosos e reconfortantes que só ela sabe dar.  E por fim, ela disse:





- Obrigada por me chamarem para vir ficar aqui com vocês. Eu estava atrapalhando o “casal”.

- Casal? – repeti, sem entender, e Emma riu.

- Peter e o Davy. – Erin explicou, rindo. – Falando sério, acho que aqueles dois se pegam de vez em quando.

- O Davy? Ele e o Peter...?  – eu estava chocada. Ele era mais safado do que eu pensava!

- Eu nunca vi nada. – Erin disse. – Mas tenho umas suspeitas, e o fato de que o Peter é bissexual só corrobora...

- Mas o que é que o Davy tá fazendo na sua casa a essa hora? – Emma quis saber. – Os meninos já não tinham terminado de compor e agora estavam só gravando as músicas?

- O Davy não foi lá por questão de trabalho... Ele vai ficar hospedado na nossa casa por uns dias.

- Hospedado? – Emma e eu repetimos.

- Pois é. Ele está dando um tempo com a Louise.

- TEMPO? QUE BICHO MORDEU OS HOMENS? – eu não me controlei. – SE EU FOSSE VOCÊS, SEGURAVA O NEZ E O PETER, VAI QUE...

- Que bicho mordeu os homens? Olha, no caso do Davy, acho que é um bichinho chamado Dianna Mackenzie. – Erin sorriu maliciosa.

- Eu? A culpa não é minha! – protestei.

- Mas vocês se beijaram...  – Emma falou. Ainda bem que quem estava conosco era a Erin. Se fosse outra pessoa eu a estrangularia.

- O quê? Meu Deus, esse é o babado do mês! Do ano! – Erin riu. – Eu só provoquei dizendo que era por sua causa porque Davy simplesmente não cala a boca sobre você.

- N-Não?

- Não. Encheu o Peter e eu de perguntas sobre você. E já deve ter contado para o Peter sobre o beijo de vocês.

- Ai meu Deus... O que eu faço?  - eu estava mesmo perdida. – Eu... Tenho que admitir que ele mexeu comigo. Cheguei a considerar terminar o noivado com Gerd, mas depois achei que estivesse ficando louca e desisti...

- Pelo que a Erin contou, acho que Davy gostou mesmo de você. – Emma disse. – Vocês deveriam conversar, pelo menos.

- C-conversar? Não sei se vou conseguir...


                      


                    O celular de Erin tocou, e ela atendeu.





- Alô? Oi, amor. Não sei não, a Di está meio abalada... Ele tem mesmo certeza? Tá bom... Um minuto.

- Peter? – indagamos Emma e eu.

- Aham. – Erin confirmou. – Ele está dizendo que Davy quer vir até aqui e falar com você, Di. Eu passo o endereço ou não?

- Pode passar. – eu disse, sem jeito. – Se ele começar com muita gracinha o boto para correr.

- Ok... Mas não reclame depois. – Erin disse, pegando o celular e ditando o endereço para Peter. 

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