Passaram-se
algumas semanas, e Peter e Dianna se encontraram várias vezes, intensamente
apaixonados. Ele veio a Valhala, um dia, para vê-la. Contudo, ela sabia que
Tony iria convocá-lo para lutar em Jotünnheim. Separaram-se com tristeza quando
ele foi chamado para a reunião.
Dianna
já morria de saudades de Peter. Ansiava precipitadamente pela volta dele, para
que ele a abraçasse, beijasse, dissesse aquelas coisas lindas que a deixavam
tão feliz.
Ajoelhou-se no chão de seus aposentos e pôs-se a rezar, fervorosa:
- Oh, Peter, meu amor, meu deus de braços calorosos, que tu fiques bem em Jotünnheim! Que lutes bravamente, derrotes os gigantes de gelo! E... Voltes para mim, são e salvo. Espero-te ansiosa. Sei que estás me ouvindo... Então, por favor, saiba que te amo muito, fica com meus votos de sucesso e sinta meus mais doces beijos!
Peter de fato ouvia, e guardou cada uma daquelas palavras carinhosas no coração. Não via a hora de retornar a Álfaheim e estar com sua valquíria.
Mais
tranquila, ela saiu para nadar num dos
rios que banhavam Valhala. O que ela não imaginava era que Davy viu-a sair dos
aposentos, e seguiu-a, silencioso.
Ela
caminhou até seu rio favorito, colocou o pé na água para sentir a temperatura e
julgou-a agradável. Davy a observava atentamente, sem produzir um som sequer.
Então, a jovem livrou-se de sua túnica branca bordada de runas e do cinto de
onde pendiam suas armas, contudo, deixou-as por perto para uma necessidade. E
mergulhou. Davy assistia ao espetáculo extasiado, inebriado pela beleza
estonteante da valquíria.
- Por Asgard... És ainda mais linda do que em meus sonhos...
Resistiu à vontade de se juntar a ela.
- Eu só gostaria de que Peter estivesse aqui se banhando comigo... – ela disse a si mesma baixinho.
- Ela ama o deus do verão! O irmão de Louise! Por isso ela não queria me ajudar... – o einherji murmurou, triste.
Seu suspiro foi alto demais, e despertou a atenção de Dianna.
- Quem está aí? – ela indagou, surpresa. – Quem ousa me ver nua? – ela cobria os seios com as mãos.
Ele percebeu que não adiantava fugir. Venceu a timidez e saiu do meio das árvores, ficando diante da amada.
- Eu. Eu ouso. – ele respondeu.
- D-Davy! – ela exclamou, assustada.
- Desculpa-me... Eu não queria te assustar. E peço-te que me perdoes por ter... Invadido tua intimidade.
- Sabes que eu poderia rachar teu crânio com meu machado!
- Sei sim, e mereço.
- Mas não farei isso.
- Não?
- Não. Mas ficaria grata se fosses embora.
- Eu irei. Sei que estás sentindo-te ultrajada porque o deus Peter é o único que pode ver-te... Assim. Mas não pude resistir ao impulso de seguir-te...
- Por quê?
- Porque... Eu te amo.
Dianna não conseguia acreditar.
- Tu não me amas! É Nami a tua amada.
- Sofrer por ela não me levaria a lugar algum, percebi isso. Custou-me, mas percebi. E passei a olhar-te de modo diferente. Percebi que és bela, doce, valente... E sempre gentil comigo. Mas és a amante de um deus... Sei que a ira dele abater-se-á sobre mim.
- Davy... Eu...
- Sim?
- Antes de Peter, eu, hã... Bem...
- O quê?
- Eu... Amava-te. Como uma louca. Mas tu nem percebias o meu sofrimento. Achava que só tinhas olhos para Nami. E conheci Peter. Agora... Nós nos amamos. E estou preocupada com ele. Já sinto saudade.
- Me amavas? Não me amas mais? Não me queres? Eu bem que imaginei...
- Na verdade... Creio que ainda te amo, Davy.
- É verdade? – os olhos dele brilharam.
- Amo Peter, mas meu coração dispara só de pensar em ti...
- Então sê minha, Dianna. – Davy aproximou-se e tocou o rosto dela.
Ela tirou as mãos dos seios, trazendo-o para perto de si e beijando-o com ardor. Ele colocou as mãos nas costas nuas dela. Ela não pôde resistir. Despiu-o, e deitou-se sobre ele na grama. Acariciavam-se e beijavam-se. Estavam quase chegando às vias de fato, quando ouviram:
- Asgardiano arrogante! Com que direito falais dos vanires assim? Lutai comigo, covarde!
- Isso foi... A deusa Louise? – Dianna indagou.
- Eu... Acho que sim. Uli deve ter insultado os vanires outra vez. – Davy respondeu.
- Acho tão injusto que os vanires sejam menosprezados... Sei que Peter e Louise, assim como seu pai adotivo Andrew, são tão poderosos e importantes quanto os aesires. Sei que Peter é um bom guerreiro. Afinal, ele tinha a arma mais poderosa dos nove mundos... Mas...
- Tens receio de perdê-lo? – Davy apiedou-se da amada.
- Eu... Sim. – Dianna admitiu.
- Escuta... Se preferires, eu te deixarei em paz. Poderás ficar livre para amar Peter. Eu vou entender.
Ele já se levantava para pegar suas vestes, contudo, Dianna segurou seu braço.
- Não. Por favor. Eu... Não sei o que Louise fez com meu coração... Amo-vos. Ambos. Com a mesma intensidade. Não duvido nada de que seja um castigo.
- Queres mesmo que fique contigo?
- Sim. – ela enxugou uma lágrima. – Sei que Peter partirá para Jotünnheim em breve, e ficarei triste e saudosa. Se perder-te... Eu não sei o que será de mim... Não duvides de meu amor por ti apesar disso, Davy...
- Não duvido, Dianna. – ele sentou-se ao lado dela, pegando as mãos dela e beijando. Dianna sorriu.
O casal sentiu a terra tremer. E ouviu gritos de desafio.
- Uli e Louise. – Dianna disse. – O Pai de Todos logo acabará com essa briga. Os deuses precisam se unir. É a única maneira de derrotar os jotünns.
- Sim. – Davy concordou. – Escuta, não vou cobrar-te que escolha um de nós. Mas a decisão é tua e deves tomá-la quando estiveres pronta.
- Está bem, Davy. Posso contar com tua fidelidade enquanto eu não tomar minha decisão?
- Certamente! - ele deu um beijo suave nos lábios da valquíria.
- Fico mais tranquila assim. Bem... Eu vou para meus aposentos agora.
- Vou ver-te novamente amanhã?
- É claro. – ela sorriu e afagou o rosto dele. – Boa noite e até amanhã, meu amado guerreiro.
- Boa noite e até amanhã, minha adorada valquíria. – ele beijou a mão dela, e Dianna voltou para seus aposentos.
Lá, Dianna preparou-se para dormir. Contudo, mal se deitou na cama, uma
aparição luminosa surgiu em seu quarto. Ela já sabia de quem se tratava.
- Peter. – ela sentou-se, abrindo os braços para o amado.
- Dianna. – ele também se sentou na cama e abraçou-a.
- Sentirei tua falta, meu amor. – ela disse, alisando os cabelos louros do deus. Ela era sincera no que dizia.
- Também sentirei tua falta, amada. – ele acariciou o rosto delicado da valquíria.
- Sei que lutarás bravamente contra os jotünns, mas... Se ao menos tivesses ainda a Espada do Verão...
- Não te preocupes, querida Dianna. Tenho isto. – ele mostrou um chifre de cervo.
- Um chifre?
- Este chifre pode tornar-se uma arma poderosa em minhas mãos. Enfrentarei Whitwam, o lorde de Muspellheim, no Ragnarök, armado apenas com ele.
- Confio em ti, meu amado. – Dianna deu um sorriso.
- Será que quando retornar de Jotünnheim encontrar-te-ei
como minha noiva? Sabes que mais do que tudo desejo torná-la a rainha de
Álfaheim, e fazer-te muitos filhos.
- Quem sabe? – Dianna não sabia se esse desejo de Peter se
realizaria. – Dormirás comigo esta noite? Não sei quando nos deitaremos juntos
novamente...
- É claro, minha doce valquíria.
Peter despiu-se e deitou-se ao lado de Dianna. Amaram-se fogosamente
naquela noite, e em seguida adormeceram. Ao nascer do Sol, Peter partiu para
Jotünnheim, e Dianna chorou, já tomada de saudades.

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