sábado, 20 de dezembro de 2014

Oneshot: Storybook Of Us (Série What If)

       Bom dia! Hoje temos nova oneshot da série What If! Assim como Soulmate, What If que a Inara postou anteontem, esta aqui também se passa na Segunda Guerra Mundial e se interliga com a megafanfic Holiday Romance. Sugiro que ouçam Storybook Of You, dos Monkees, enquanto leem. Boa leitura! 





           Ela não acreditava naquilo.  Seu pai, sua mãe, seu irmão... Mortos! Todos mortos!  Como apenas ela podia ter sobrevivido? Sem sua família, Dianna não acreditava ter mais motivos para continuar vivendo.

- Papai, mamãe, Giles! – ela gritou, quando recobrou os sentidos após aquele horrendo bombardeio e viu os corpos inertes de seus familiares.  – É isso o que direi se um dia estiver diante dos responsáveis por isso: “Verdammt! Würmer! Barbar!” Malditos! Vermes! Bárbaros! – ela usaria todos os impropérios em alemão que conhecesse.

              A jovem sentou-se, abraçando os joelhos.  Enterrou o rosto nos joelhos e chorou. Aguardaria a morte assim, decidiu.  Ela acabou por adormecer ali, em meio aos escombros do que outrora fora a sua casa. Acordou quando sentiu seu ombro ser chacoalhado, muito assustada.

- Oh!

- Mil perdões, senhorita. – disse um rapaz, que vestia uma farda e tinha o inconfundível sotaque de Manchester.  – Eu não quis assustá-la mais do que já deve estar.
- Senhor... Meus pais! Meu irmão! Aqueles... Aqueles malditos alemães! Espere! Na verdade, aquele maldito Hitler! É culpa daquele demônio, com sua maldita lavagem cerebral sobre o povo alemão!
- Sim, sim. Eu sou o Tenente David Jones. E qual o seu nome?
- M-meu nome é Dianna Mackenzie, tenente.
- Srta. Mackenzie, eu odeio esta guerra tanto quanto você, odeio. Apenas me alistei por um motivo: proteger e salvar vidas inocentes, como a sua. Se eu puder proteger e salvar vidas inocentes do lado do Eixo, eu farei isso.
- Isso é louvável, tenente. – Dianna sorriu.
- Chame-me de David, senhorita. Ou até mesmo de Davy.
- Está bem... Desde que me chame de Dianna.
- Certo. Dianna, eu a levarei ao acampamento de meu batalhão.
- Assim o faça, Davy.
                    
                  A princípio, o Coronel Rafelson não queria abrigar a moça. Mas Davy, com ajuda de seus três amigos, Mike, Micky e Peter, que também eram tenentes, conseguiram convencê-lo. Dianna atuava como enfermeira do batalhão.  Ela era tão doce, bonita e inteligente, e se mostrava sempre tão grata, que diversos dos soldados caíram de amores por ela.
                   Porém, apenas um dos jovens oficiais do batalhão conseguia um tipo diferente de afeto dela: o tenente David Jones, ou simplesmente Davy. Dianna era muito grata a ele, por ter salvado sua vida. Ademais, ele era divertido, corajoso, bom, justo... E atraente.
                   Um dia, a jovem organizava algumas caixas de medicamentos, quando, sem ela entender por quê, a imagem de sua saudosa mãe veio a sua mente. E automaticamente vieram a de seu pai e seu irmão. As lágrimas rapidamente desceram pelo rosto dela, e quando ela menos esperou, viu Davy diante dela, limpando suas lágrimas.

- Um rosto tão lindo não deve nunca se entristecer.
- Eu... Eu acho que nunca irei superar a perda de minha família. Mas o que irei fazer, depois que essa guerra horrível acabar? Não tenho para onde ir... Apenas a casa de minha tia. Mas ela não é uma mulher fácil de lidar, não sei se quero viver com ela.

                      
                   Davy olhava para Dianna com carinho, e começou a acariciar o rosto dela.


- Eu acho que é uma grande ousadia minha sugerir isso... Mas você poderia viver comigo, Dianna.  – e ele a beijou.
- Davy... Meus sentimentos por você começaram como gratidão. Em seguida se tornaram admiração. E hoje... Eu não sei definir o que são, mas creio que sejam amor.
- Eu... Eu também amo você, Dianna.

                       
                     Os dias no acampamento, à espera de um ataque inimigo, acabaram por serem menos assustadores para os dois. O relacionamento que estavam construindo permitia que vissem as coisas de maneira um pouco mais positiva apenas por estarem juntos.
                    Certa vez, Davy disse a Dianna:

- Eu acho... Acho que deveríamos pedir ao Coronel Rafelson que nos case.
- Por quê, Davy? Por que a pressa?
- Tenho medo de morrer em batalha, Dianna, ou que eu perca você num ataque.
- Não pense assim, Davy, pelo amor de Deus!
- Mesmo assim... Se o coronel concordar, você aceita se casar comigo?
- Sim, sim, sim! Você é tudo o que me resta, Davy. – ela beijou-o, com um aperto no coração. Já ele abraçou-a fortemente.

              
                    O coronel concordou.  Davy e Dianna tornaram-se marido e mulher. Passaram-se alguns meses, e a jovem se deu conta de algo que a deixou imensamente feliz, mas também preocupada.

- Davy? – ela chamou seu amado marido.
- Sim, Dianna?
- Eu, eu... – ela tinha lágrimas nos olhos, que eram de alegria e tristeza ao mesmo tempo.
- O que houve, meu amor? – ele se preocupou ao vê-la chorosa.

                  
                    Ela se aproximou dele e sussurrou em seu ouvido:

- Eu...  Eu estou grávida, Davy.

                   Ele não podia acreditar, tamanha era a sua felicidade.

- Grávida? – perguntou ele com um sorriso no rosto.

                  Dianna assentiu com a cabeça.

- Isso é maravilhoso, querida! – ele a cobriu de beijos.
- Sim, é, mas estou muito preocupada.
- Com o quê?
- Ora, Davy, essa criança vai nascer em meio a uma guerra! Eu não quero isso para nosso filho! – ao dizer isso, ela tinha suas mãos pousadas carinhosamente sobre seu ventre.
- Vai ficar tudo bem, Dianna. Temos que ter fé. – disse ele, acariciando o ventre de sua amada esposa.

                     E assim meses se passaram, com relativa tranquilidade no acampamento, e o nascimento do bebê de Dianna e Davy se aproximava. Certa noite, ouviu-se o barulho das tropas inimigas se aproximando, em marcha.

- Oh, Deus! – Dianna se desesperou.
- Meu amor, acalme-se, pelo seu bem e do bebê! – pediu Davy, calçando as botas de combate.
- Tome muito cuidado, Davy, por favor! – ela implorou, sua voz embargada pelo medo e também pelas dores das contrações, que já começava a sentir.
- Eu tomarei, Dianna. – ele beijou sua boca e acariciou seu ventre.


                 Ela passou a noite em claro, ouvindo o ruído ensurdecedor das balas sendo disparadas. E os gritos. Ela rezava: “Por favor, meu Senhor Deus, proteja meu Davy, por favor, por favor!”.
                As baixas haviam sido muitas. Muitos mortos, e um número ainda maior de feridos. Entre estes últimos, o marido da moça. Ela foi vê-lo na tenda da enfermaria.

- Querido, você está bem?
- Eu acho... Eu acho que estou, meu amor.
- Como assim acha?
- Dianna! Querida, calma. Eu vou ver esse bebê nascer, crescer e se casar, fique sossegada!
- Tomara!

                 Contudo, o quadro de Davy se agravava. Dianna estava temerosa. Ele era tudo que ela tinha. A guerra havia tomado sua família, não tomaria seu marido também!
                 Três dias depois, Davy apresentava uma pequena melhora. Naquela noite, ele dormia na enfermaria, e Dianna, na tenda do casal. Ela começou a sentir as dores do parto. Seus gemidos de dor acordaram Mike, que dormia numa tenda próxima. Ele foi à tenda da enfermaria, acordar o médico do batalhão.

- Doutor, eu creio que o senhor é necessário na tenda do tenente Jones!
- O que houve, tenente Nesmith?
- Pelos gemidos, Dianna entrou em trabalho de parto.
- Eu estou indo para lá. Eu creio que deve avisar o pai, tenente.

                 Mike foi até o leito de Davy.

- Davy, Davy! Acorde!
- O que houve, Mike? – ele acordou sobressaltado.
- Seu filho vai nascer.
- Meu filho! – ele exclamou, e começou a se vestir.
- Tem certeza de que está em condições de se levantar, Davy?
- Tenho! Ademais, quero estar ao lado de minha esposa num momento como este!

                  Apesar da dificuldade, Davy foi o mais rápido possível à sua tenda, e chegou lá a tempo de ouvir um choro de bebê.

- Nasceu! – exclamou ele, tomado de felicidade.

                 O médico chamou-o, dizendo:

- Tenente Jones, tenho o prazer de informar-lhe que é pai de uma linda e saudável menininha!

                  Davy viu Dianna segurando um bebê em seus braços. Com dificuldade, ela colocou a filha nos braços do pai, pois ainda sentia dores imensas.

- Doutor, eu temo que sejam gêmeos! – ela exclamou.

                  O jovem tenente não cabia em si de contentamento. Gêmeos! Enquanto ele segurava a filhinha amorosamente em seus braços, viu o sofrimento de Dianna para trazer o outro bebê ao mundo. E ficou receoso por ambos.
                 Por fim, ouviu-se um segundo choro.

- Outra linda e saudável menina! – exclamou o médico.
- Doutor, eu fico muito grato por ter ajudado minha esposa e minhas filhas! – agradeceu Davy.
- Não há de quê, tenente Jones!

                  Dianna segurava a outra garotinha. Davy aproximou-se dela, e perguntou:

- Como chamaremos a mais velha, Dianna?
- Cecilia. – respondeu ela, com a voz fraca. – E a mais nova será Rebecca.  – então, ela deu seu último suspiro. Ter dado à luz as duas filhas consumiu suas forças.
- Não! Dianna! – Davy gritou.

                 Mike, Micky e Peter ouviram o grito desesperado do amigo e correram para lá. Mike tirou Cecilia dos braços do pai, e Micky tirou Rebecca dos da mãe, que já estavam gelados. Davy atirou-se sobre o corpo da esposa e chorou como um condenado. Peter tentou confortá-lo.

- Não tenho mais motivos para viver, sem minha Dianna! – exclamou Davy.
- É claro que tem! Você tem duas filhas para criar! – Mike respondeu.

                 Davy levantou-se, beijou cada uma de suas bebês, e novamente se ajoelhou. Ele pegou sua arma e apontou para o próprio peito.

- FICOU MALUCO? ABAIXE ISSO! – advertiu Micky.
- Não! – Davy respondeu. – Cuidem das minhas meninas. Cecilia, Rebecca, papai ama vocês. E mamãe também. Vou encontrá-la.
- Davy, por favor, não faça isso! – pediu Peter. Mas foi tarde demais.
- Não! – exclamaram Mike, Micky e Peter.


Setenta anos depois, em 2014...


- Não! – Dianna acordou, terrivelmente assustada. Ela se virou, e ouviu o ruído da respiração de seu namorado. Graças a Deus, ele estava ali, vivo.
- Di? – ela o ouviu chamá-la, e em seguida sentar-se na cama. – Está tudo bem?
- Não, não está, Cuddly Toy. – ela enterrou o rosto no peito nu de Davy, em prantos. – Tive um pesadelo. Um rapaz e uma moça. Na Segunda Guerra Mundial. Os pais e o irmão dela morreram depois de um bombardeio.  Ele a salvou dos escombros. Eles se apaixonaram, se casaram e tiveram filhas gêmeas. Ela morreu depois da segunda bebê ter nascido, e ele, como não queria viver sem ela, se suicidou. Eles eram idênticos a nós, Davy! As filhas deles... As filhas deles tinham seus olhos!
- Calma, srta. Spock. Foi só um pesadelo, nada além disso. – ele passou a mão nos cabelos dela, para acalmá-la. – Venha, deite. – disse ele, novamente deitado.


                Ainda com medo, ela aninhou-se no peito do namorado, que a abraçou carinhosamente e beijou sua testa. Logo eles voltaram a dormir, embalados por aquele amor que atravessava as eras. A alma de Davy não existia sem a de Dianna, nem a dela sem a dele.  Suas almas eram eternamente unidas, e nada poderia mudar isso. 






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