Mary Anne
McCartney sabia que havia feito o certo.
George Harrison não era de fato o certo para ela. Ela o havia amado
muito durante sua adolescência, porém, aquele sentimento já havia se
transformado em mera amizade fazia tempos.
Ela deveria
ficar com seu namorado, Roger Daltrey, do The Who. Muita gente não tinha
paciência com ele devido a seu temperamento difícil. Com a garota, ele se tornava bem mais afável.
Talvez porque Mary Anne sabia ser tão cabeça-dura quanto ele. Além disso, com
ele Mary se sentia linda. Ela sempre tivera problemas para lidar com sua
aparência, principalmente com suas sobrancelhas. Roger dizia que as
sobrancelhas de Mary Anne davam-lhe muito charme e personalidade.
Para agradecer
Roger por ser um namorado tão bom, Mary Anne queria escrever um poema para
ele. Ela não sabia se poderia escrever
algo em verso realmente bom. Era ótima em textos jornalísticos e narrativas em
prosa... Mas e em poesia?
A irmã de
Paul McCartney sentou-se diante de sua máquina de escrever com uma xícara de
chá ao seu lado, esperando a inspiração vir. Subitamente, de maneira tão
natural, os versos vieram a sua mente. E, da mesma maneira como eles surgiram
em seu pensamento, Mary Anne transferiu-os ao papel.
Por meio de seus dedos
róseos, tão formosos,
A aurora traz um
pensamento
Que faz tremer todos
os meus ossos:
Perder de vista estes
olhos tão maravilhosos!
Olhos tão azuis quanto
o firmamento,
Por mim tão zelosos.
Oh, Aurora, poupa-me
de tua inveja nefasta!
Sei muito bem o quanto
teu amor é inconstante!
Quanto mais o quer,
mais meu amado de ti se afasta!
Sou de seu coração o
único desejo.
Nada pode alterar
isto,
E para mim o amor dele
é apenas benfazejo.
Por
fim, Mary Anne terminou o poema. Queria fazer uma surpresa para seu amado.
Ligou para ele pedindo que viesse a sua casa. Deu um jeito de fazer seu irmão
ir jantar fora. Começou a preparar o prato favorito de Roger, e, logo que pôs o
assado no forno, correu para o chuveiro.
Já estava trocada e ainda com
o cabelo molhado quando ele chegou. Ela
atendeu a porta.
- Olá, querido.
- Olá, Mary Anne. Eu já disse que você fica irresistível com
o cabelo molhado?
- Nunca disse, porque nunca me viu com o cabelo molhado.
- Bem, agora eu já disse.
O casal sentou-se para jantar à luz de velas. Depois de terminada a
refeição, Mary Anne disse:
- Fique aqui, Rog. Já volto.
- Está bem.
Ela foi ao quarto e pegou o poema, que estava dobrado sobre seu
criado-mudo. Voltou para a sala.
- Aqui está. Uma coisinha que escrevi para você.
Roger pegou o
poema e o leu atentamente.
- Eu adorei, Mary Anne! – ele a beijou docemente. – Muito obrigado!
- Não há de quê. –
ela sorriu e devolveu o beijo.

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