A criadagem do rei James das
Terras do Norte corria num frenesi por todo o palácio. Naquela noite, haveria
um baile, em que estariam presentes nobres das Terras do Norte, do Sul, do
Oeste e do Leste. A princesa Mary Anne sabia que o principal motivo para o
baile, ainda que seu pai não admitisse, era a escolha de um noivo para ela.
Havia muitos jovens nobres que
eram bons partidos. Porém, a princesa não considerava nenhum deles tão belo e
amável quanto Sir George Harrison, amigo de seu irmão Paul e cavaleiro da
guarda de seu pai.
Ela tinha esperança de que ele a
convidasse para dançar naquela noite. Lembrou-se, então, de Lady Emma Carlisle,
que em todos os bailes desejava dançar com Lord Michael Dolenz, todavia, era
obrigada pelo pai a dançar com Lord Michael Nesmith. Mary Anne preocupou-se.
Talvez ela também fosse obrigada pelo pai a dançar com alguém.
Finalmente chegou a hora do baile.
Quando a família real entrou no salão, o lacaio anunciou:
- O rei
James McCartney das Terras do Norte! E seus três filhos: príncipe Paul,
príncipe Michael e princesa Mary Anne!
O pai de Mary Anne
encaminhou-se para um trono, de onde saudaria os convidados. Ao lado, havia
três tronos menores, um para cada filho.
Ela e seus irmãos sentaram-se.
- Boa noite,
ilustríssimos convidados! Nesta noite, celebro a paz entre os Quatro Reinos!
- “E escolho
um noivo para minha filha Mary Anne”. – Paul cochichou para Michael, que tentou
disfarçar a risadinha.
“Receio que esteja
correto, meu irmão”, a princesa pensou.
Então ouviu o pai dizer:
- Que tenha
início o baile!
Mary Anne e seus irmãos saíram dos tronos.
Paul foi até sua noiva, Lady Jane Asher. Michael viu-se obrigado a dançar com
Lady Jane Berkley, das Terras do Oeste. A jovem começou a andar pelo salão.
Cumprimentou muitos convidados como as damas das Terras do Oeste Lady Roselyn
Donovan, Lady Marianne Jones e Lady Suzan Hardison, além das princesas do
Leste, Elinor e Frances, que estavam com sua prima, Lady Emily Fitzwilliam.
Ela viu Paul conversando
com seus amigos: Sir John Lennon, Sir Richard Starkey e Sir George Harrison.
Este último acenou para ela, e parecia vir em sua direção, quando a atenção de
Mary Anne foi roubada.
- Saudações,
Alteza. – disse um rapaz baixo, de cabelos louros e olhos azuis, que tomou a
mão da princesa e a beijou.
-
Saudações... Sir... Lord...
- Lord Daltrey,
das Terras do Sul. Ao seu dispor, princesa.
- Muito
prazer, milorde.
A princesa olhou
disfarçadamente sobre o ombro de Lord Daltrey, e viu um Sir George muito
zangado.
- Me daria a
honra de me acompanhar nesta dança, cara princesa? – perguntou Lord Daltrey.
- Sim, sim,
claro. – disse ela.
Enquanto dançava com o estrangeiro,
ele lhe disse que era senhor do maior feudo das Terras do Sul.
- Vim a este
baile principalmente com o propósito de procurar uma dama que possa vir a se
tornar Lady Daltrey.
- E teve
sucesso nessa busca? – quis saber Mary Anne.
- Eu creio
que sim. – o jovem lorde sorriu para a jovem.
“Meu Deus”, ela pensou.
- Quer me
acompanhar até o pátio do palácio, Alteza?
- Hã...
Perdão, milorde, mas devo voltar para junto de meu pai. Adeus e boa noite.
Ela procurou por Sir George, mas nem sinal
dele. Estava indo em direção aos seus aposentos quando sentiu alguém agarrá-la.
A princesa Mary Anne tentou gritar, no entanto, ninguém a ouviu. Nenhum nobre,
nenhum criado.
Mary Anne foi levada, através de uma
passagem secreta, até o pátio do palácio. À luz das estrelas, viu que quem a
havia agarrado era um fiel criado de seu pai.
- O que
significa isso? – ela indagou, furiosa.
- Estou
ajudando o pobre lorde apaixonado. – respondeu o criado.
- Lorde
apaixonado?
Sem nada responder,
o criado fez a jovem entrar em uma carruagem, em que já estava alguém.
- Lord
Daltrey?
- Prepare-se
para conhecer seu novo lar, princesa Mary Anne: as Terras do Sul!
- O que quer
dizer com isso? Está louco? Quer juntar-se aos jograis?
- Bela
senhora, eu disse-lhe que acreditava ter encontrado a futura Lady Daltrey. E
ela é você!
- Eu
entendi, Lord Daltrey! Mas com que direito você me tira do palácio de meu pai
dessa maneira?
- Com o
direito que me é concedido pelo amor, Alteza.
- Direito
concedido pelo amor... Tem mesmo vocação para jogral! Quer se casar comigo?
Muito bem. Deve levar-me de volta ao palácio e pedir permissão ao meu pai para
me fazer a corte!
- Minha
bela, por que desviar o curso do amor? Não posso esperar para desposá-la!
“Meu Deus, meu Deus,
esse lorde é completamente louco!”, Mary Anne pensou, temerosa.
- E se eu
não desejar desposá-lo, Lord Daltrey?
- Ah, você
vai desejar. – disse ele, beijando a mão
da princesa. – Farei de tudo para que se apaixone por mim.
“Como? Vai pedir a
um mago que lhe dê a forma de Sir George?”
- Eu não
confiaria nisso, milorde.
- Por que,
minha princesa? Porventura seu coração já tem um dono?
- É muito
descortês fazer esse tipo de pergunta a uma dama, Lord Daltrey.
- Não
importa. Se já estiver enamorada de alguém, irei substitui-lo!
A princesa percebeu que não iria levar a nada
tentar discutir com aquele jovem lorde teimoso. Com alguma sorte, seu pai logo
enviaria sua guarda numa expedição de resgate... E ela seria salva por Sir
George.
Acabou adormecendo. Ao
acordar, avistou ao longe uma impressionante fortaleza.
- Bem-vinda
ao Forte Daltrey, princesa Mary Anne! – disse Lord Daltrey. – Sede de meu
feudo, meu castelo... E sua nova residência!
As horas de sono haviam
devolvido à princesa a disposição para discutir.
- A esta
hora meu pai já deve estar mobilizando seus homens para me salvar!
- Eu não duvido.
Todavia, quando a expedição chegar, você já terá se tornado minha esposa!
Mary Anne preferiu calar-se
novamente. Lord Daltrey parecia irritantemente
apaixonado e, mais irritantemente ainda, disposto a casar-se com ela. A carruagem parou. O jovem lorde ajudou-a a
descer. Ele disse:
- Vou dar
ordens às criadas para que preparem aposentos, um bom banho e providenciem-lhe
as melhores roupas, princesa.
- É muita
bondade sua, milorde, mas isso não mudará minha opinião.
Lord Daltrey
apenas riu. E assim, a princesa foi
conduzida pelo castelo dele, até aposentos lindíssimos. As criadas seguiram à
risca as ordens do amo. A jovem percebeu que, de fato, ele parecia muito
interessado em mantê-la à vontade. Mesmo assim, ela não se casaria com ele
mesmo que ele implorasse de joelhos e jurasse por tudo que fosse mais sagrado
que a amava.
Mais tarde,
após ela ter se juntado a ele para o almoço, apareceram três jovens lordes,
exigindo falar com Lord Daltrey imediatamente. Ele os recebeu ali mesmo, no
salão de jantar.
- Ora, ora! Lord Townshend, Lord John Entwistle e Lord
Keith Moon, meus amigos! Que bons ventos os trazem?
- Bons
ventos? – esbravejou Lord John.
- Não são
ventos nada bons, especialmente para as Terras do Sul! – exclamou Lord Keith.
- O rei
James das Terras do Norte já sabe do desaparecimento da filha e anunciou que
declarará guerra ao local de origem do raptor! – exclamou Lord Townshend. –
Você tem ideia da vergonha que trará para seu feudo e para seu país... Roger?
Lord Daltrey
pareceu medir suas palavras antes de responder.
- Posso
presumir que deseja que eu assuma a culpa pelo sequestro da linda princesa aqui
presente... Meu caríssimo Peter?
“Não
só Lord Townshend deseja isso, como eu também! Quero voltar às Terras do Norte
agora!”
- Você deve
fazer isso! Por um mínimo de honra que lhe resta! – os olhos azuis de Lord
Townshend faiscavam.
- Está bem,
eu o farei.
Lord Daltrey chamou
seu lacaio.
- Joseph,
envie imediatamente um emissário ao palácio do rei James das Terras do Norte,
com a mensagem de que eu assumo a responsabilidade pelo desaparecimento da
princesa Mary Anne!
- Sim, meu
senhor. – disse o lacaio, saindo da sala com uma reverência.
- Que
maravilha! – exclamou Lord John. – Em menos de uma semana estaremos em guerra novamente,
após cem anos de paz entre os Quatro Reinos! E por quê? Por um capricho de um
jovem lorde!
- Se eu
fosse o rei Robert tomaria o feudo de você, Roger. – resmungou Lord Keith. –
Que loucura você fez!
- Mais louco
é quem me diz, Keith. – disse Lord Daltrey, zombeteiro.
- Eu não
capturei uma princesa simplesmente porque me apaixonei súbita e perdidamente
por ela!
- Mas bem
que capturaria Lady Eleonora Smith, se pudesse. Admita. – disse Lord Townshend,
com um sorrisinho malicioso.
Lord Keith olhou para
seus pés.
- Por falar
em Lady Eleonora Smith... Princesa Mary Anne, não é seguro que fique aqui. Eu a
enviarei ao feudo governado por Lord Raymond Davies, futuro marido de Lady
Eleonora. Creio que Sua Alteza apreciará o tempo que passará no Forte Davies.
Mary Anne estava
muito receosa. Uma guerra estava prestes a começar. Tudo em decorrência da
futilidade daquele jovem lorde, que estava irremediavelmente apaixonado por
ela. Se... Se Sir George ficasse terrivelmente ferido ou fosse morto por tentar
salvá-la, ela não saberia o que pensar.

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