quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

All The King's Horses - Capítulo 1

Após o prólogo e os apêndices, temos o primeiro capítulo da minha fanfic medieval!
















(Mary Anne’s POV)


                 A criadagem do rei James das Terras do Norte corria num frenesi por todo o palácio. Naquela noite, haveria um baile, em que estariam presentes nobres das Terras do Norte, do Sul, do Oeste e do Leste. A princesa Mary Anne sabia que o principal motivo para o baile, ainda que seu pai não admitisse, era a escolha de um noivo para ela.
                Havia muitos jovens nobres que eram bons partidos. Porém, a princesa não considerava nenhum deles tão belo e amável quanto Sir George Harrison, amigo de seu irmão Paul e cavaleiro da guarda de seu pai.
                Ela tinha esperança de que ele a convidasse para dançar naquela noite. Lembrou-se, então, de Lady Emma Carlisle, que em todos os bailes desejava dançar com Lord Michael Dolenz, todavia, era obrigada pelo pai a dançar com Lord Michael Nesmith. Mary Anne preocupou-se. Talvez ela também fosse obrigada pelo pai a dançar com alguém.
                    Finalmente chegou a hora do baile. Quando a família real entrou no salão, o lacaio anunciou:

- O rei James McCartney das Terras do Norte! E seus três filhos: príncipe Paul, príncipe Michael e princesa Mary Anne!

                        O pai de Mary Anne encaminhou-se para um trono, de onde saudaria os convidados. Ao lado, havia três tronos menores, um para cada filho.  Ela e seus irmãos sentaram-se.

- Boa noite, ilustríssimos convidados! Nesta noite, celebro a paz entre os Quatro Reinos!
- “E escolho um noivo para minha filha Mary Anne”. – Paul cochichou para Michael, que tentou disfarçar a risadinha.

                           “Receio que esteja correto, meu irmão”, a princesa pensou.  Então ouviu o pai dizer:

- Que tenha início o baile!

                   Mary Anne e seus irmãos saíram dos tronos. Paul foi até sua noiva, Lady Jane Asher. Michael viu-se obrigado a dançar com Lady Jane Berkley, das Terras do Oeste. A jovem começou a andar pelo salão. Cumprimentou muitos convidados como as damas das Terras do Oeste Lady Roselyn Donovan, Lady Marianne Jones e Lady Suzan Hardison, além das princesas do Leste, Elinor e Frances, que estavam com sua prima, Lady Emily Fitzwilliam.
                    Ela viu Paul conversando com seus amigos: Sir John Lennon, Sir Richard Starkey e Sir George Harrison. Este último acenou para ela, e parecia vir em sua direção, quando a atenção de Mary Anne foi roubada.

- Saudações, Alteza. – disse um rapaz baixo, de cabelos louros e olhos azuis, que tomou a mão da princesa e a beijou.
- Saudações... Sir... Lord...
- Lord Daltrey, das Terras do Sul. Ao seu dispor, princesa.
- Muito prazer, milorde.

                         A princesa olhou disfarçadamente sobre o ombro de Lord Daltrey, e viu um Sir George muito zangado.

- Me daria a honra de me acompanhar nesta dança, cara princesa? – perguntou Lord Daltrey.
- Sim, sim, claro.  – disse ela.

                       Enquanto dançava com o estrangeiro, ele lhe disse que era senhor do maior feudo das Terras do Sul.

- Vim a este baile principalmente com o propósito de procurar uma dama que possa vir a se tornar Lady Daltrey.
- E teve sucesso nessa busca? – quis saber Mary Anne.
- Eu creio que sim. – o jovem lorde sorriu para a jovem.

                           “Meu Deus”, ela pensou.

- Quer me acompanhar até o pátio do palácio, Alteza?
- Hã... Perdão, milorde, mas devo voltar para junto de meu pai. Adeus e boa noite.

                      Ela procurou por Sir George, mas nem sinal dele. Estava indo em direção aos seus aposentos quando sentiu alguém agarrá-la. A princesa Mary Anne tentou gritar, no entanto, ninguém a ouviu. Nenhum nobre, nenhum criado.
                       Mary Anne foi levada, através de uma passagem secreta, até o pátio do palácio. À luz das estrelas, viu que quem a havia agarrado era um fiel criado de seu pai.

- O que significa isso? – ela indagou, furiosa.
- Estou ajudando o pobre lorde apaixonado. – respondeu o criado.
- Lorde apaixonado?
                           Sem nada responder, o criado fez a jovem entrar em uma carruagem, em que já estava alguém.

- Lord Daltrey?
- Prepare-se para conhecer seu novo lar, princesa Mary Anne: as Terras do Sul!
- O que quer dizer com isso? Está louco? Quer juntar-se aos jograis?
- Bela senhora, eu disse-lhe que acreditava ter encontrado a futura Lady Daltrey. E ela é você!
- Eu entendi, Lord Daltrey! Mas com que direito você me tira do palácio de meu pai dessa maneira?
- Com o direito que me é concedido pelo amor, Alteza.
- Direito concedido pelo amor... Tem mesmo vocação para jogral! Quer se casar comigo? Muito bem. Deve levar-me de volta ao palácio e pedir permissão ao meu pai para me fazer a corte!
- Minha bela, por que desviar o curso do amor? Não posso esperar para desposá-la!

                          “Meu Deus, meu Deus, esse lorde é completamente louco!”, Mary Anne pensou, temerosa.

- E se eu não desejar desposá-lo, Lord Daltrey?
- Ah, você vai desejar.  – disse ele, beijando a mão da princesa. – Farei de tudo para que se apaixone por mim.

                            “Como? Vai pedir a um mago que lhe dê a forma de Sir George?”

- Eu não confiaria nisso, milorde.
- Por que, minha princesa? Porventura seu coração já tem um dono?
- É muito descortês fazer esse tipo de pergunta a uma dama, Lord Daltrey.
- Não importa. Se já estiver enamorada de alguém, irei substitui-lo!

                     A princesa percebeu que não iria levar a nada tentar discutir com aquele jovem lorde teimoso. Com alguma sorte, seu pai logo enviaria sua guarda numa expedição de resgate... E ela seria salva por Sir George.
                   Acabou adormecendo. Ao acordar, avistou ao longe uma impressionante fortaleza.

- Bem-vinda ao Forte Daltrey, princesa Mary Anne! – disse Lord Daltrey. – Sede de meu feudo, meu castelo... E sua nova residência!

                       As horas de sono haviam devolvido à princesa a disposição para discutir.

- A esta hora meu pai já deve estar mobilizando seus homens para me salvar!
- Eu não duvido. Todavia, quando a expedição chegar, você já terá se tornado minha esposa!

                           Mary Anne preferiu calar-se novamente.  Lord Daltrey parecia irritantemente apaixonado e, mais irritantemente ainda, disposto a casar-se com ela.  A carruagem parou. O jovem lorde ajudou-a a descer. Ele disse:

- Vou dar ordens às criadas para que preparem aposentos, um bom banho e providenciem-lhe as melhores roupas, princesa.
- É muita bondade sua, milorde, mas isso não mudará minha opinião.

                             Lord Daltrey apenas riu.  E assim, a princesa foi conduzida pelo castelo dele, até aposentos lindíssimos. As criadas seguiram à risca as ordens do amo. A jovem percebeu que, de fato, ele parecia muito interessado em mantê-la à vontade. Mesmo assim, ela não se casaria com ele mesmo que ele implorasse de joelhos e jurasse por tudo que fosse mais sagrado que a amava.
                                Mais tarde, após ela ter se juntado a ele para o almoço, apareceram três jovens lordes, exigindo falar com Lord Daltrey imediatamente. Ele os recebeu ali mesmo, no salão de jantar.

- Ora, ora! Lord Townshend, Lord John Entwistle e Lord Keith Moon, meus amigos! Que bons ventos os trazem?
- Bons ventos? – esbravejou Lord John.
- Não são ventos nada bons, especialmente para as Terras do Sul! – exclamou Lord Keith.
- O rei James das Terras do Norte já sabe do desaparecimento da filha e anunciou que declarará guerra ao local de origem do raptor! – exclamou Lord Townshend. – Você tem ideia da vergonha que trará para seu feudo e para seu país... Roger?

                                Lord Daltrey pareceu medir suas palavras antes de responder.

- Posso presumir que deseja que eu assuma a culpa pelo sequestro da linda princesa aqui presente... Meu caríssimo Peter?

                        “Não só Lord Townshend deseja isso, como eu também! Quero voltar às Terras do Norte agora!”

- Você deve fazer isso! Por um mínimo de honra que lhe resta! – os olhos azuis de Lord Townshend faiscavam.

- Está bem, eu o farei.

                            Lord Daltrey chamou seu lacaio.

- Joseph, envie imediatamente um emissário ao palácio do rei James das Terras do Norte, com a mensagem de que eu assumo a responsabilidade pelo desaparecimento da princesa Mary Anne!
- Sim, meu senhor. – disse o lacaio, saindo da sala com uma reverência.
- Que maravilha! – exclamou Lord John. – Em menos de uma semana estaremos em guerra novamente, após cem anos de paz entre os Quatro Reinos! E por quê? Por um capricho de um jovem lorde!
- Se eu fosse o rei Robert tomaria o feudo de você, Roger. – resmungou Lord Keith. – Que loucura você fez!
- Mais louco é quem me diz, Keith. – disse Lord Daltrey, zombeteiro.
- Eu não capturei uma princesa simplesmente porque me apaixonei súbita e perdidamente por ela!
- Mas bem que capturaria Lady Eleonora Smith, se pudesse. Admita. – disse Lord Townshend, com um sorrisinho malicioso.

                          Lord Keith olhou para seus pés.

- Por falar em Lady Eleonora Smith... Princesa Mary Anne, não é seguro que fique aqui. Eu a enviarei ao feudo governado por Lord Raymond Davies, futuro marido de Lady Eleonora. Creio que Sua Alteza apreciará o tempo que passará no Forte Davies.

                        Mary Anne estava muito receosa. Uma guerra estava prestes a começar. Tudo em decorrência da futilidade daquele jovem lorde, que estava irremediavelmente apaixonado por ela. Se... Se Sir George ficasse terrivelmente ferido ou fosse morto por tentar salvá-la, ela não saberia o que pensar.


                                 

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