Véspera de Natal de 1968. Aquele havia
sido um lindo ano para Mike Nesmith e Emma Carlisle. Ela esperava que ele
pudesse passar o Natal, uma data tão significativa, com ela, seu pai e sua
madrasta. Contudo, Mike parecia estar fazendo de tudo para escapar disso.
- Nez, você ainda não respondeu.
Vai passar o Natal comigo, papai e Lauren?
- Hã, sabe o que é, amor... – ele
puxava suas costeletas.
- Qual é o problema? – perguntou
ela, com os braços cruzados. – Você vai ter que ir ao Texas?
- É, bem... Não.
- Então qual é o problema, Mike? –
Emma estava exasperada.
- Emma, eu...
- Você vai ver sua amante, não é?
- O quê? De onde você tirou isso,
Emma???
- Seu passado condena você, Robert
Michael Nesmith.
- Falou certo. Passado. Eu já perdi
garotas que eu amava por consequência das minhas burradas. Eu não vou fazer
isso outra vez.
- Você já traiu duas vezes, por que
não faria isso novamente?
- Porque eu amo você, Emma! E, como
eu te disse uma vez, você parece ser, ou de fato é, “a” garota.
- Eu não acredito em você. – ela
pegou seu casaco e as chaves.
- Aonde você vai?
- Casa da Dianna. Se você ligar
para lá pedindo ao Davy que ele intervenha, eu mato os dois!
- Emma, por favor...
- Feliz véspera de Natal, Mike. –
disse Emma, batendo a porta ao sair.
Emma chegou à casa de Davy e
Dianna. Desde que eles passaram a morar juntos, era fácil flagrá-los em cenas
constrangedoras, tanto para eles quanto para o visitante. Então, Emma quase afundou o botão da
campainha, para dar tempo ao casal de ficar apresentável antes de atender.
Ela viu que alguém olhava pelo
olho mágico. Logo, a maçaneta girou. Emma viu sua melhor amiga de blusa... E
calcinha.
- Cheguei na hora errada? – Emma
indagou.
- Foi um pouquinho inconveniente. –
respondeu Dianna. – Mas você não está com uma cara boa. O que houve?
- Mike e eu brigamos.
- Bem na véspera de Natal, Emma! O
que vocês querem, arruinar seu próprio Natal e o dos seus amigos?
- Di, se Davy ficasse fazendo de
tudo para evitar passar o Natal com a sua família, o que você pensaria?
- Como assim o que eu pensaria? A
única coisa possível de se pensar nesse caso: que ele fica sem jeito diante dos
meus pais, do meu irmão, da tia Lucy... Bom, no caso da tia Lucy eu daria toda
a razão ao Davy. Nós sabemos como ela o odeia.
- Sem... Jeito? Ai, não... – Emma
começou a se sentir culpada.
- Emma... O que, exatamente, você
disse ao Nez?
- Eu sou uma idiota completa!
- Emma Dorothy Carlisle, o que
raios você disse ao Nez?
- Eu o acusei injustamente de estar
me traindo! Foi isso!
Dianna olhou para a amiga,
chocada. Então, Davy apareceu, usando apenas calça, e inquiriu:
- Di, Mike está no telefone
perguntando pela Emma, o que eu respondo?
- Davy, não diga a ele que venha
aqui! Se fizer isso, eu te mato, e eu detestaria deixar minha melhor amiga
viúva antes mesmo de ela se casar! – Emma exclamou antes que sua amiga abrisse
a boca.
- Tá bem... – disse Davy, voltando
ao quarto.
- Ok, srta. Conclusão Precipitada,
qual seu plano de reconciliação? – quis saber Dianna.
- Ligar para ele na manhã de Natal
pedindo desculpas.
- Hum... É uma boa ideia, mas...
- Mas eu fiz uma grande bobagem, eu
sei!
Mais tarde, Emma
foi para a casa do pai e da madrasta, onde iria passar o Natal. Dianna e Davy estavam arrumando seu
apartamento para receber os pais e o irmão dela, que estavam hospedados na casa
da tia Lucy. Já a própria tia Lucy e
Erin iriam passar o Natal com Peter e sua família, na casa dele. O telefone tocou novamente. Dianna atendeu.
- Alô?
- Dianna, sou eu, Mike.
- Quer que eu chame o Davy?
- Não precisa. É com você que eu
quero falar.
- Hum, por quê?
- Qual o endereço do pai e da
madrasta da Emma?
Dianna deu a Mike
a informação pedida. Sabia o que o líder dos Monkees tinha em mente. À noite, os Carlisle ceavam, quando ouviram a
campainha tocar.
- Emma querida, pode atender? –
pediu sua madrasta.
- Claro, Lauren. – disse Emma, já
imaginando quem era. Ela abriu a porta, e encontrou Mike, usando um casaco
pesado, um cachecol grosso enrolado no pescoço e o eterno gorrinho verde. –
Nez!
- Boa noite, Emma. Escute-me, sim?
Eu não queria vir porque fico encabulado
diante do sr. e da sra. Carlisle! Eles são as pessoas que te criaram, que mais
a amam nesse mundo... Depois de mim, é claro.
Eu tenho que receber a aprovação deles!
- Oh, Mike, você é tão adorável! –
Emma o abraçou.
- Tenho um presente para você.
- O que é?
Mike pegou uma caixinha
de seu bolso e entregou a Emma. Ela abriu e sorriu.
- Que correntinha linda!
Era uma corrente de ouro fina e
delicada, com um pingente do mesmo material em forma de coração.
- Gostou? – quis saber Mike.
- Adorei! Venha, o seu presente
está lá dentro!
Emma pegou Mike pela
mão, e ele tremeu nas bases ao cumprimentar o sr. e a sra. Carlisle, que
gostaram muito dele. A jovem pegou um
pacote debaixo da árvore de Natal e o colocou nas mãos do namorado.
- Não é muito, mas... – ela disse,
enquanto Mike abria o embrulho. Ele sorria de orelha a orelha. Era um cachecol
verde muito bonito.
- Foi você... Foi você quem fez,
Emma?
- Fui eu sim... Para combinar com o
seu gorro. – ela deu um sorrisinho
tímido.
- Vou usar o inverno todo! – disse
ele, muito contente.
- Fico feliz que tenha gostado,
Nez. – o sorriso de Emma se abriu um
pouco mais.
Ele a abraçou e
beijou.
- Feliz Natal, Emma. – sussurrou
ele.
- Feliz Natal, Mike. – ela
sussurrou em resposta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário