Na segunda semana de novembro, os
Monkees mais uma vez foram se apresentar em Londres. Desta vez, Dianna foi com
eles. Na verdade, seu sonho era voltar à sua terra natal com Davy. Porém, ela
foi para lá como namorada de Peter.
Os
rapazes receberam o convite para a festa de aniversário de uma amiga que não
viam havia muito tempo, uma estudante de geografia que iria completar dezenove
anos, chamada Fanny Fitzwilliam. E lá foi Dianna, acompanhando os meninos. Eles foram os primeiros a chegar à
festa. A aniversariante abraçou cada um
dos Monkees e apresentou-os ao seu namorado, o Kink Ray Davies. Peter cochichou
algo no ouvido de Fanny, e ela respondeu:
- Não, Pete. – ela riu. – Fique tranquilo, seu nariz está
seguro.
- Ainda bem. – disse Peter, esfregando o nariz.
Felicity McGold, Nora Smith, Marie Greyhound e Anastacia Rosely, amigas
de Fanny, chegaram. Nora arregalou seus olhos azuis quando viu Mike.
- M-M-Mike, tudo bem? – ela perguntou.
- Sim, Nora, e com você?
- Felicity McGold. Linda como sempre. – disse Micky.
- Micky Dolenz. Irritante como sempre. – Felicity respondeu.
Dianna soubera por Alice que Felicity detestava Micky, e que Mike havia
sido namorado de Nora. Entretanto, nem ele nem ela pareciam magoados. Fanny
pareceu dar um jeito de afastar seus dois grupos de convidados. Quando ela fez
isso, Peter disse a ela:
- Desculpe-me, Fanny, mas me esqueci de apresentar a você a
minha namorada, Dianna Mackenzie.
Naquele momento, Dianna segurava a
mão de Peter. Porém, não pôde evitar olhar para Davy. Seu coração doía de
saudades dele. Estar tão perto, e não poder abraçá-lo, acariciá-lo,
beijá-lo... Aquilo acabava com ela.
- Como vai, Dianna? – Fanny a cumprimentou.
- Vou bem. Feliz aniversário. – Dianna tentou evitar que sua
tristeza transparecesse em seu sorriso.
Ela e os Monkees se afastaram, e logo começaram a conversar com o
guitarrista do The Who, Pete Townshend.
Depois de um certo tempo, Dianna decidiu se afastar dos demais, e rumou
para a sacada do apartamento. Sua
intenção não era aquela, contudo, Davy a seguiu.
- Di... – ouviu Davy chamá-la. – Por que... Por que está com
Peter? Você... Você não me ama mais?
- Não, Cuddly Toy, não! – ela respondeu. – Eu amo você,
Davy, pode ter certeza disso!
- Mas por que está com ele, Dianna, se me ama?
- Por dó dele, Davy, só por isso. – Dianna não pôde conter
suas lágrimas por mais tempo.
- Meu amor, por que não volta para mim? Eu creio que não
corremos mais risco...
- Você acha que não quero ser sua namorada outra vez? É o
que mais quero em minha vida, David Jones! Mas assumi esse compromisso com
Peter. Não quero machucá-lo.
- Dianna, pense menos em Peter e mais em você! Não é ele
quem você quer! Sou eu!
Ao ouvir
aquilo, ela sabia que não podia mais reprimir seus desejos. Dianna aproximou-se e começou a acariciar o
rosto de Davy com certo receio. Temia ser flagrada por Peter. Davy beijou
Dianna.
- Eu te amo tanto... – ele disse a ela.
- Eu também amo muito você.
Sem que o casal notasse, Peter se aproximou.
- Jones! Eu vou matar você! – ele gritou, e puxou Dianna para si.
- Tork, ela não ama você! Ela quer ficar comigo!
Dianna
saiu de perto dos dois, chorando. Ela trombou com Fanny.
- Fanny! – a professorinha de história se assustou. – Faça
alguma coisa! Peter e Davy estão brigando por mim... Outra vez.
Fanny pareceu não entender.
- Outra vez?
- Depois explico. Ajude-me com eles!
- Melhor, vá chamar Mike e Micky. Eu tento convencer os dois
a acordarem para a vida.
Dianna foi atrás de Mike e Micky, e ouviu Fanny repreender Davy e Peter.
- Onde vocês dois estão com a cabeça? Parem já de brigar!
- Ele quer roubar minha namorada! – Peter gritou.
- E você não tentou roubá-la de mim, Tork? Você não tem
moral! – Davy, obviamente, estava louco de vontade de estrangular Peter.
Ela chegou com Mike e Micky. Cada um
segurou um dos contendores, e Dianna disse:
- Eu sei que é inútil pedir isso, mas... Por favor, não
briguem por mim. Se me amam, controlem sua raiva.
Ela
deu um beijo extremamente leve no rosto de Peter. Dianna queria mais do que tudo beijar a boca de Davy,
porém, para que Peter não se irritasse mais, teve que se resignar a beijar o rosto
dele também. Ela disse à dona da festa:
- Fanny, desculpe por sair assim da sua festa.
- Não tem problema, Dianna. Vou abrir a porta para você.
- Dianna! – chamaram Peter e Davy.
- Boa noite, rapazes. – ela olhava para os dois com o
coração apertado.
Na porta, Dianna indagou a Fanny:
- O que eu faço, Fanny? Eu amo tanto Davy... Mas eu não
quero deixar Peter magoado.
- Eu enfrentei uma situação mais ou menos parecida
recentemente... Fiquei com Ray, e tive que deixar o outro rapaz ir embora.
- E quem você ama, Fanny? Ray ou o outro?
Fanny deu um suspiro profundo e respondeu:
- Amo Ray. Mas o outro rapaz é meu melhor amigo. Posso dizer
que também o amo, de certo modo.
- Bem, eu... Eu não posso dizer que amo Peter. Gosto muito
dele, mas...
- Dianna, se Peter de fato ama você, ele precisa deixar que
você fique com Davy.
- Vou conversar com ele.
- Faça isso.
- Boa noite, Fanny.
- Boa noite, Dianna.
Dianna
entrou num táxi que passava e foi embora para o hotel. Passaram uns dias, os
Monkees e Dianna voltaram aos Estados Unidos, e o mês de novembro chegava ao
fim. As festas de fim de ano se aproximavam e deixavam todos alegres, exceto
Davy, Dianna e Peter. Davy sentia falta de Dianna, que, por sua vez, sentia
falta dele. E Peter estava enfrentando um grande dilema.
Ele sabia que, por mais que tentasse, Dianna não conseguia amá-lo. E se
sentia culpado por mantê-la ao seu lado. Simultaneamente, Peter sentia um
estranho e delicioso encantamento pela prima dela, Erin. A imagem da jovem
tocando piano, sem ninguém por perto, numa sala de portas de vidro, tomara-o de
assalto. E desde então se pegava recordando o momento em que vira tal imagem.
Dianna não ficara indiferente a isso. Sabia que seu “namorado” estava
encantado por sua prima, e que ela também tinha muito interesse nele. Mas não
se incomodou. Na verdade, ficava feliz pelos dois. Peter poderia encontrar
alguém que também gostava dele, e Erin poderia encontrar alguém para apreciar o
imenso talento dela para tocar piano. O antigo namorado de Erin, um colega de
faculdade dela chamado Joshua, não tinha muita sensibilidade musical. A
professorinha de história decidiu que ela seria o Cupido para Peter e Erin.
Certa
vez, Erin estava entretida preparando um arranjo de flores (ela adorava flores,
e durante o período em que era estudante na UCLA até mesmo trabalhara como
florista), quando Dianna aproximou-se e foi direto ao ponto:
- Erin, você gosta do Peter, não gosta?
- Hã, bem, eu... Dianna, eu sei que ele é seu namorado, me
desculpe...
- Se desculpar do quê?
- Mas...
- Prima, você sabe que comecei a namorar Peter por dó dele.
Eu não aguentava vê-lo sofrer. Eu tentei me apaixonar por ele, juro que tentei.
Mas não consegui. E tenho percebido que Peter é muito atencioso com você. Você
quer ficar com ele, Erin?
- Eu....
Erin sabia que não podia mais esconder.
- Eu quero, Dianna! É o que mais quero!
- Vou fazer o possível e o impossível para que vocês fiquem
juntos.
- Muito obrigada!
- Mas... Preciso que você faça um favor para mim também.
- Qualquer um, Dianna.
- Ajude-me a ter o Davy de volta.
- Apenas me diga o que fazer.
- Você será minha mensageira.
Dianna pegou um papel e caneta e escreveu:
Los Angeles, 20 de novembro de 1966.
Davy, meu amor,
Como você está? Eu não aguento mais de tanta
saudade. Eu me esforcei durante todo esse tempo, mas não consigo amar Peter. E
descobri há algumas semanas que um botão
de amor está desabrochando entre ele e minha prima Erin.
Quero fazer o que eu puder para que fiquem
juntos. E assim que eu tiver unido os dois pombinhos, poderei voltar para seus
braços. Enquanto isso, quero manter uma correspondência com você. Porém, essa
correspondência terá que ser secreta. Peter vai nos matar se descobrir.
Lembra-se do meu sonho ao estilo “O Morro dos Ventos Uivantes”? Usaremos um
código inspirado nele.
Eu serei Catherine ou Cathy. Você será
Heathcliff. Peter será Edgar ou Linton. E tia Lucy será Nelly. No meu
cabeçalho, colocarei que estou escrevendo da Granja dos Tordos. E você colocará
que está escrevendo do Morro dos Ventos Uivantes. Erin levará minhas cartas a
você, e pedirei a Emma que traga as suas respostas a mim. Está combinado assim?
Muitos beijos de sua
Dianna, a partir de agora,
Catherine
Dianna
colocou a carta num envelope e pediu a Erin que a levasse a Davy. Logo depois
que a prima saiu, ela ligou para Emma para colocar a amiga a par da situação.
Emma concordou em ser a mensageira de Davy.
Dois dias
depois, veio a resposta dele.
Morro dos Ventos Uivantes, 22 de novembro
de 1966.
Amada Catherine,
Acho que seu plano para juntar Linton à
mulher que ele realmente ama é ótimo. Estou rezando para que dê certo. Mal
posso esperar para tê-la em meus braços novamente.
Quero que saiba que este tempo em que
ficamos separados quase me matou pela tamanha saudade. Eu te amo e sempre
amarei!
Totalmente seu,
Heathcliff
No mesmo dia
em que Dianna recebeu a resposta de Davy, Peter foi jantar em sua casa. Ela
decidiu que tentaria puxar a brasa para a sardinha da prima.
- Pete, já ouviu Erin tocando? Eu digo que ela poderia ter
muito sucesso se tomasse o piano como mais do que um hobby.
- Não... – mentiu Peter. Ele já havia ouvido a prima de
Dianna tocar. – Eu teria muito prazer em ouvir.
- Sim, toque, querida. – pediu a tia Lucy à filha.
Erin,
encabulada, levantou-se e foi ao quarto onde ficava o instrumento, seguida pela
prima, Peter e a mãe. Sentou-se no banquinho, abriu o piano e começou a tocar.
Vez ou outra, erguia a cabeça e olhava para seu público, sentado ao seu redor.
Na maioria das vezes, era para Peter que dirigia seu olhar. Ela sorria
docemente, e o Monkee devolvia o gesto.
- Você toca muito
bem, Erin. – disse ele.
- Obrigada, Peter.
– ela agradeceu.
A
partir daquele dia, Peter passou a visitar a casa de Dianna com mais
frequência. Continuava muito atraído a ela, porém, não conseguia disfarçar sua
crescente paixão por Erin. Depois de muitas visitas à casa da sra. Hudson,
Peter teve que admitir a si mesmo que
vivia uma mentira com Dianna. Ele a amava muito, e reconhecia que ela se
esforçava para corresponder. E não podia
negar também que Erin vinha se tornando cada vez mais presente em seus
pensamentos. “Estou dividido entre as
duas”, concluiu.
Enquanto Peter não conseguia lidar com
seus sentimentos, Dianna sabia que, apesar de trocarem um beijinho ou outro,
aquele relacionamento estava com os dias contados. E teve mais certeza disso
quando, um dia, ligou sua TV para assistir ao seriado dos Monkees. No episódio
do dia, One Man Shy, Peter se
apaixonava por uma moça. Em uma das
cenas, os outros Monkees tentavam fazer com que ela o beijasse, por meio de um
jogo de ”verdade ou desafio”. Porém, quando a garota girava a garrafa, ela
sempre apontava para Davy, e ele tinha que beijá-la. Dianna ficou possessa ao
ver a cena.
- O que é isso? Não me irritei com Peter apaixonado por ela,
até achei fofinho... Mas isso já é demais!
Mesmo irritada, assistiu ao episódio até
o fim, e ficou muito tempo pensando em uma fala de Peter para a moça: “Valerie,
você decide”, em referência à disputa por ela que ele travava contra um
almofadinha. Agora Dianna tinha certeza de que seu relacionamento com Peter não
era exatamente como um namoro deveria ser. Ela não tinha ciúmes dele, mas de
Davy.
Tentou
passar o resto do dia sem pensar naquilo. Entretanto, não podia evitar. A
saudade parecia ser mais forte do que ela. Mais tarde, já deitada em sua cama,
ela contemplava o teto, pensando que Peter e ela não podiam continuar daquela
maneira. Eles deveriam estar com outras pessoas, e Dianna precisava dizer isso
a ele.
No dia
seguinte, sábado, ele veio à casa de Dianna. Contudo, não pediu à sra. Hudson que
chamasse sua namorada, e sim, Erin. Tia Lucy, que preferia mil vezes Peter a Davy,
logo entendeu tudo. “Dianna gosta mesmo do baixinho. Uma pena, Peter é um ótimo
rapaz”. Ficou observando, pela janela da
sala, Peter e Erin conversando no jardim.
A jovem havia se vestido às pressas e seu cabelo estava todo
desarrumado.
- Erin, sabe, nesses últimos dias eu tomei consciência de
algo que vem acontecendo comigo desde o mês passado.
- O quê, Peter?
- Eu nem sei como dizer... Não quero parecer infiel à
Dianna, mas... Entenda, Erin, eu gosto da sua prima, quero muito bem a ela...
Mas eu creio que não a amo mais.
- Por que não, Pete?
- Por dois fatores: percebi que, apesar de ela ter afeto por
mim, esse afeto é fraternal. É Davy quem ela ama de fato. Eu deveria ter
percebido antes. E, além disso, surgiu
outra moça em minha vida.
- E quem é ela? – Erin sentiu uma ponta de esperança em seu
coração.
- Você, Erin.
A
prima de Dianna ficou muito surpresa, e
também muito feliz.
- Peter, isto é verdade?
- É claro que sim, Erin. – ele sorriu.
Ela se aproximou dele. Fez menção de beijá-lo, mas se conteve.
- O que houve? – perguntou ele.
- Dianna. Você ainda está com ela.
- Eu vou falar com ela. Hoje. Imediatamente.
- Peter, não faça isso tão abruptamente! Afinal de contas,
você estava tão apaixonado!
- Eu sei, Erin... Terei calma.
Erin
deu um beijo no rosto de Peter. Ele
entrou na casa, e viu Dianna, já vestida, tomando café.
- Bom dia,
Peter. – ela cumprimentou.
- Bom dia, Dianna. Tenho que conversar com você.
- Já vou.
- Tome seu café com calma. Vou esperar na sala.
Dianna
não conseguiu controlar a ansiedade. “Preciso dizer a verdade ao Peter, pelo
bem de nós dois”. Engoliu a última fatia de torrada e o último gole de café
apressadamente, limpou a boca e foi até a sala.
- Sente aqui. – disse
Peter, dando um tapinha no sofá, ao lado dele.
Ela sentou-se onde ele indicou.
- O que quer me dizer, Peter?
- Dianna... Primeiramente, eu quero que me perdoe.
- Perdoar por quê?
- Eu sei que enchi a sua paciência e a do Davy por muito
tempo... Mas também fiz algo pior.
- O quê?
- Eu tramei para que vocês se separassem.
- Como assim? Peter, você tem algo a ver com aquela maluca
da Amber Henderson?
- Eu pedi que ela fizesse aquilo, Dianna.
Dianna
ficou estática e muda. Depois, furiosa, não se controlou mais e deu um tapa em
Peter.
- Peter Halsten Thorkelson! Eu não acredito que você foi
capaz disso! – ela chorava de raiva.
- Dianna, por favor, eu me arrependo disso! Eu... – ele tentou se aproximar dela; porém, ela
não deixou.
- Não! Saia de perto de mim, Peter! Se me amasse de verdade,
não teria feito isso! Teria aceitado que eu era feliz com Davy! Eu terminei com
você! De fato, estarmos juntos é um erro. Só espero que não faça nada parecido
para Erin!
Ao
dizer isso, subiu as escadas, de volta ao seu quarto.
- Maldito, maldito Peter! – ela resmungava. Abriu a gaveta
de seu criado-mudo e tirou de lá uma foto de Davy. Era seu segredo mais bem
guardado desde que ela começara a “namorar” Peter. Era o meio que ela
encontrara para manter seu amado ao lado dela.
Acariciou a foto e colocou-a num porta-retrato ao lado de sua cama.
- Ah, Davy, logo estaremos juntos outra vez! – apesar de
estar muito triste pelo fato de Peter ter agido daquela maneira, ela também
estava muito feliz, pois estava livre para Davy.
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