quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Sunny Girlfriend - Capítulo 10: "I Wanna Be Free"

   Reviravoltas na história!






             Na segunda semana de novembro, os Monkees mais uma vez foram se apresentar em Londres. Desta vez, Dianna foi com eles. Na verdade, seu sonho era voltar à sua terra natal com Davy. Porém, ela foi para lá como namorada de Peter.
               Os rapazes receberam o convite para a festa de aniversário de uma amiga que não viam havia muito tempo, uma estudante de geografia que iria completar dezenove anos, chamada Fanny Fitzwilliam. E lá foi Dianna, acompanhando os meninos.  Eles foram os primeiros a chegar à festa.  A aniversariante abraçou cada um dos Monkees e apresentou-os ao seu namorado, o Kink Ray Davies. Peter cochichou algo no ouvido de Fanny, e ela respondeu:
- Não, Pete. – ela riu. – Fique tranquilo, seu nariz está seguro.
- Ainda bem. – disse Peter, esfregando o nariz.

                     Felicity McGold, Nora Smith, Marie Greyhound e Anastacia Rosely, amigas de Fanny, chegaram. Nora arregalou seus olhos azuis quando viu Mike.

- M-M-Mike, tudo bem? – ela perguntou.

- Sim, Nora, e com você?

- Felicity McGold. Linda como sempre. – disse Micky.

- Micky Dolenz. Irritante como sempre. – Felicity respondeu.

                  Dianna soubera por Alice que Felicity detestava Micky, e que Mike havia sido namorado de Nora. Entretanto, nem ele nem ela pareciam magoados. Fanny pareceu dar um jeito de afastar seus dois grupos de convidados. Quando ela fez isso, Peter disse a ela:
- Desculpe-me, Fanny, mas me esqueci de apresentar a você a minha namorada, Dianna Mackenzie.
                  Naquele momento, Dianna segurava a mão de Peter. Porém, não pôde evitar olhar para Davy. Seu coração doía de saudades dele. Estar tão perto, e não poder abraçá-lo, acariciá-lo, beijá-lo...  Aquilo acabava com ela.

- Como vai, Dianna? – Fanny a cumprimentou.
- Vou bem. Feliz aniversário. – Dianna tentou evitar que sua tristeza transparecesse em seu sorriso.

                     Ela e os Monkees se afastaram, e logo começaram a conversar com o guitarrista do The Who, Pete Townshend.  Depois de um certo tempo, Dianna decidiu se afastar dos demais, e rumou para a sacada do apartamento.  Sua intenção não era aquela, contudo, Davy a seguiu.

- Di... – ouviu Davy chamá-la. – Por que... Por que está com Peter? Você... Você não me ama mais?

- Não, Cuddly Toy, não! – ela respondeu. – Eu amo você, Davy, pode ter certeza disso!
- Mas por que está com ele, Dianna, se me ama?

- Por dó dele, Davy, só por isso. – Dianna não pôde conter suas lágrimas por mais tempo.

- Meu amor, por que não volta para mim? Eu creio que não corremos mais risco...

- Você acha que não quero ser sua namorada outra vez? É o que mais quero em minha vida, David Jones! Mas assumi esse compromisso com Peter. Não quero machucá-lo.
- Dianna, pense menos em Peter e mais em você! Não é ele quem você quer! Sou eu!
     
          Ao ouvir aquilo, ela sabia que não podia mais reprimir seus desejos.  Dianna aproximou-se e começou a acariciar o rosto de Davy com certo receio. Temia ser flagrada por Peter. Davy beijou Dianna.

- Eu te amo tanto... – ele disse a ela.

- Eu também amo muito você.

             Sem que o casal notasse, Peter se aproximou.

- Jones! Eu vou matar você! –  ele gritou, e puxou Dianna para si.

- Tork, ela não ama você! Ela quer ficar comigo!


               Dianna saiu de perto dos dois, chorando. Ela trombou com Fanny.

- Fanny! – a professorinha de história se assustou. – Faça alguma coisa! Peter e Davy estão brigando por mim... Outra vez.

                  Fanny pareceu não entender.


- Outra vez?

- Depois explico. Ajude-me com eles!

- Melhor, vá chamar Mike e Micky. Eu tento convencer os dois a acordarem para a vida.


                 Dianna foi atrás de Mike e Micky, e ouviu Fanny repreender Davy e Peter.

- Onde vocês dois estão com a cabeça? Parem já de brigar!

- Ele quer roubar minha namorada! – Peter gritou.

- E você não tentou roubá-la de mim, Tork? Você não tem moral! – Davy, obviamente, estava louco de vontade de estrangular Peter.


              Ela chegou com Mike e Micky. Cada um segurou um dos contendores, e Dianna disse:


- Eu sei que é inútil pedir isso, mas... Por favor, não briguem por mim. Se me amam, controlem sua raiva.


                Ela deu um beijo extremamente leve no rosto de Peter.  Dianna  queria mais do que tudo beijar a boca de Davy, porém, para que Peter não se irritasse mais, teve que se resignar a beijar o rosto dele também. Ela disse à dona da festa:


- Fanny, desculpe por sair assim da sua festa.

- Não tem problema, Dianna. Vou abrir a porta para você.

- Dianna! – chamaram Peter e Davy.

- Boa noite, rapazes. – ela olhava para os dois com o coração apertado.



                     Na porta, Dianna indagou a Fanny:


- O que eu faço, Fanny? Eu amo tanto Davy... Mas eu não quero deixar Peter magoado.

- Eu enfrentei uma situação mais ou menos parecida recentemente... Fiquei com Ray, e tive que deixar o outro rapaz ir embora.

- E quem você ama, Fanny? Ray ou o outro?



                      Fanny deu um suspiro profundo e respondeu:  


- Amo Ray. Mas o outro rapaz é meu melhor amigo. Posso dizer que também o amo, de certo modo.

- Bem, eu... Eu não posso dizer que amo Peter. Gosto muito dele, mas...

- Dianna, se Peter de fato ama você, ele precisa deixar que você fique com Davy.

- Vou conversar com ele.

- Faça isso.

- Boa noite, Fanny.

- Boa noite, Dianna.


             Dianna entrou num táxi que passava e foi embora para o hotel. Passaram uns dias, os Monkees e Dianna voltaram aos Estados Unidos, e o mês de novembro chegava ao fim. As festas de fim de ano se aproximavam e deixavam todos alegres, exceto Davy, Dianna e Peter. Davy sentia falta de Dianna, que, por sua vez, sentia falta dele. E Peter estava enfrentando um grande dilema.
                      Ele sabia que, por mais que tentasse, Dianna não conseguia amá-lo. E se sentia culpado por mantê-la ao seu lado. Simultaneamente, Peter sentia um estranho e delicioso encantamento pela prima dela, Erin. A imagem da jovem tocando piano, sem ninguém por perto, numa sala de portas de vidro, tomara-o de assalto. E desde então se pegava recordando o momento em que vira tal imagem.
                    Dianna não ficara indiferente a isso. Sabia que seu “namorado” estava encantado por sua prima, e que ela também tinha muito interesse nele. Mas não se incomodou. Na verdade, ficava feliz pelos dois. Peter poderia encontrar alguém que também gostava dele, e Erin poderia encontrar alguém para apreciar o imenso talento dela para tocar piano. O antigo namorado de Erin, um colega de faculdade dela chamado Joshua, não tinha muita sensibilidade musical. A professorinha de história decidiu que ela seria o Cupido para Peter e Erin.
                 Certa vez, Erin estava entretida preparando um arranjo de flores (ela adorava flores, e durante o período em que era estudante na UCLA até mesmo trabalhara como florista), quando Dianna aproximou-se e foi direto ao ponto:
- Erin, você gosta do Peter, não gosta?
- Hã, bem, eu... Dianna, eu sei que ele é seu namorado, me desculpe...
- Se desculpar do quê?
- Mas...
- Prima, você sabe que comecei a namorar Peter por dó dele. Eu não aguentava vê-lo sofrer. Eu tentei me apaixonar por ele, juro que tentei. Mas não consegui. E tenho percebido que Peter é muito atencioso com você. Você quer ficar com ele, Erin?
- Eu....

                    Erin sabia que não podia mais esconder.

- Eu quero, Dianna! É o que mais quero!
- Vou fazer o possível e o impossível para que vocês fiquem juntos.
- Muito obrigada!
- Mas... Preciso que você faça um favor para mim também.
- Qualquer um, Dianna.
- Ajude-me a ter o Davy de volta.
- Apenas me diga o que fazer.
- Você será minha mensageira.

                 Dianna pegou um papel e caneta e escreveu:


   Los Angeles, 20 de novembro de 1966.

    Davy, meu amor,

   Como você está? Eu não aguento mais de tanta saudade. Eu me esforcei durante todo esse tempo, mas não consigo amar Peter. E descobri há algumas semanas que  um botão de amor está desabrochando entre ele e minha prima Erin.
  Quero fazer o que eu puder para que fiquem juntos. E assim que eu tiver unido os dois pombinhos, poderei voltar para seus braços. Enquanto isso, quero manter uma correspondência com você. Porém, essa correspondência terá que ser secreta. Peter vai nos matar se descobrir. Lembra-se do meu sonho ao estilo “O Morro dos Ventos Uivantes”? Usaremos um código inspirado nele.
    Eu serei Catherine ou Cathy. Você será Heathcliff. Peter será Edgar ou Linton. E tia Lucy será Nelly. No meu cabeçalho, colocarei que estou escrevendo da Granja dos Tordos. E você colocará que está escrevendo do Morro dos Ventos Uivantes. Erin levará minhas cartas a você, e pedirei a Emma que traga as suas respostas a mim. Está combinado assim?

Muitos beijos de sua Dianna, a partir de agora,

                                                                                               Catherine
             


             Dianna colocou a carta num envelope e pediu a Erin que a levasse a Davy. Logo depois que a prima saiu, ela ligou para Emma para colocar a amiga a par da situação. Emma concordou em ser a mensageira de Davy.
              Dois dias depois, veio a resposta dele.

    Morro dos Ventos Uivantes, 22 de novembro de 1966.

Amada Catherine,

    Acho que seu plano para juntar Linton à mulher que ele realmente ama é ótimo. Estou rezando para que dê certo. Mal posso esperar para tê-la em meus braços novamente.
     Quero que saiba que este tempo em que ficamos separados quase me matou pela tamanha saudade. Eu te amo e sempre amarei!
   Totalmente seu,

Heathcliff


          No mesmo dia em que Dianna recebeu a resposta de Davy, Peter foi jantar em sua casa. Ela decidiu que tentaria puxar a brasa para a sardinha da prima.

- Pete, já ouviu Erin tocando? Eu digo que ela poderia ter muito sucesso se tomasse o piano como mais do que um hobby.
- Não... – mentiu Peter. Ele já havia ouvido a prima de Dianna tocar. – Eu teria muito prazer em ouvir.
- Sim, toque, querida. – pediu a tia Lucy à filha.

               Erin, encabulada, levantou-se e foi ao quarto onde ficava o instrumento, seguida pela prima, Peter e a mãe. Sentou-se no banquinho, abriu o piano e começou a tocar. Vez ou outra, erguia a cabeça e olhava para seu público, sentado ao seu redor. Na maioria das vezes, era para Peter que dirigia seu olhar. Ela sorria docemente, e o Monkee devolvia o gesto.

    - Você toca muito bem, Erin. – disse ele.
    - Obrigada, Peter. – ela agradeceu.

                 A partir daquele dia, Peter passou a visitar a casa de Dianna com mais frequência. Continuava muito atraído a ela, porém, não conseguia disfarçar sua crescente paixão por Erin. Depois de muitas visitas à casa da sra. Hudson, Peter  teve que admitir a si mesmo que vivia uma mentira com Dianna. Ele a amava muito, e reconhecia que ela se esforçava para corresponder.  E não podia negar também que Erin vinha se tornando cada vez mais presente em seus pensamentos.  “Estou dividido entre as duas”, concluiu.
                 Enquanto Peter não conseguia lidar com seus sentimentos, Dianna sabia que, apesar de trocarem um beijinho ou outro, aquele relacionamento estava com os dias contados. E teve mais certeza disso quando, um dia, ligou sua TV para assistir ao seriado dos Monkees. No episódio do dia, One Man Shy, Peter se apaixonava por uma moça.  Em uma das cenas, os outros Monkees tentavam fazer com que ela o beijasse, por meio de um jogo de ”verdade ou desafio”. Porém, quando a garota girava a garrafa, ela sempre apontava para Davy, e ele tinha que beijá-la. Dianna ficou possessa ao ver a cena.
- O que é isso? Não me irritei com Peter apaixonado por ela, até achei fofinho... Mas isso já é demais!

           Mesmo irritada, assistiu ao episódio até o fim, e ficou muito tempo pensando em uma fala de Peter para a moça: “Valerie, você decide”, em referência à disputa por ela que ele travava contra um almofadinha. Agora Dianna tinha certeza de que seu relacionamento com Peter não era exatamente como um namoro deveria ser. Ela não tinha ciúmes dele, mas de Davy.
          Tentou passar o resto do dia sem pensar naquilo. Entretanto, não podia evitar. A saudade parecia ser mais forte do que ela. Mais tarde, já deitada em sua cama, ela contemplava o teto, pensando que Peter e ela não podiam continuar daquela maneira. Eles deveriam estar com outras pessoas, e Dianna precisava dizer isso a ele.
             No dia seguinte, sábado, ele veio à casa de Dianna. Contudo, não pediu à sra. Hudson que chamasse sua namorada, e sim, Erin. Tia Lucy, que preferia mil vezes Peter a Davy, logo entendeu tudo. “Dianna gosta mesmo do baixinho. Uma pena, Peter é um ótimo rapaz”.  Ficou observando, pela janela da sala, Peter e Erin conversando no jardim.  A jovem havia se vestido às pressas e seu cabelo estava todo desarrumado.

- Erin, sabe, nesses últimos dias eu tomei consciência de algo que vem acontecendo comigo desde o mês passado.
- O quê, Peter?
- Eu nem sei como dizer... Não quero parecer infiel à Dianna, mas... Entenda, Erin, eu gosto da sua prima, quero muito bem a ela... Mas eu creio que não a amo mais.
- Por que não, Pete?
- Por dois fatores: percebi que, apesar de ela ter afeto por mim, esse afeto é fraternal. É Davy quem ela ama de fato. Eu deveria ter percebido antes.  E, além disso, surgiu outra moça em minha vida.
- E quem é ela? – Erin sentiu uma ponta de esperança em seu coração.
- Você, Erin.

                 A prima de Dianna ficou muito surpresa,  e também muito feliz.

- Peter, isto é verdade?
- É claro que sim, Erin. – ele sorriu.

                    Ela se aproximou dele. Fez menção de beijá-lo, mas se conteve.
- O que houve? – perguntou ele.
- Dianna. Você ainda está com ela.
- Eu vou falar com ela. Hoje. Imediatamente.
- Peter, não faça isso tão abruptamente! Afinal de contas, você estava tão apaixonado!
- Eu sei, Erin... Terei calma.

               Erin deu um beijo no rosto de Peter.  Ele entrou na casa, e viu Dianna, já vestida, tomando café.

 - Bom dia, Peter.  – ela cumprimentou.
- Bom dia, Dianna. Tenho que conversar com você.
- Já vou.
- Tome seu café com calma. Vou esperar na sala.

                Dianna não conseguiu controlar a ansiedade. “Preciso dizer a verdade ao Peter, pelo bem de nós dois”. Engoliu a última fatia de torrada e o último gole de café apressadamente, limpou a boca e foi até a sala.

- Sente aqui.  – disse Peter, dando um tapinha no sofá, ao lado dele.  Ela sentou-se onde ele indicou.
- O que quer me dizer, Peter?
- Dianna... Primeiramente, eu quero que me perdoe.
- Perdoar por quê?
- Eu sei que enchi a sua paciência e a do Davy por muito tempo...  Mas também fiz algo pior.
- O quê?
- Eu tramei para que vocês se separassem.
- Como assim? Peter, você tem algo a ver com aquela maluca da Amber Henderson?
- Eu pedi que ela fizesse aquilo, Dianna.

              Dianna ficou estática e muda. Depois, furiosa, não se controlou mais e deu um tapa em Peter.

- Peter Halsten Thorkelson! Eu não acredito que você foi capaz disso! – ela chorava de raiva.
- Dianna, por favor, eu me arrependo disso! Eu...  – ele tentou se aproximar dela; porém, ela não deixou.
- Não! Saia de perto de mim, Peter! Se me amasse de verdade, não teria feito isso! Teria aceitado que eu era feliz com Davy! Eu terminei com você! De fato, estarmos juntos é um erro. Só espero que não faça nada parecido para Erin!

                    Ao dizer isso, subiu as escadas, de volta ao seu quarto.

- Maldito, maldito Peter! – ela resmungava. Abriu a gaveta de seu criado-mudo e tirou de lá uma foto de Davy. Era seu segredo mais bem guardado desde que ela começara a “namorar” Peter. Era o meio que ela encontrara para manter seu amado ao lado dela.  Acariciou a foto e colocou-a num porta-retrato ao lado de sua cama.
- Ah, Davy, logo estaremos juntos outra vez! – apesar de estar muito triste pelo fato de Peter ter agido daquela maneira, ela também estava muito feliz, pois estava livre para Davy.


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