quinta-feira, 24 de março de 2016

Shades Of Grey - Episódio 7 (What If - Minissérie)

Boa noite! Depois de muito tempo, finalmente temos um novo episódio de Shades! Iniciando a segunda fase, com as gêmeas Cecilia e Rebecca. O episódio não está tão longo quanto alguns anteriores, mas acho que dá pro gasto, kkkk. Agora, boa leitura! PS: Obrigada à Inara pela nova capa ;)















Episódio 7


     

        Dali a poucos dias, Cecilia e Rebecca foram ao casarão onde um dia seu pai viveu, sua mãe trabalhou e elas foram concebidas.
         Estavam nervosas. Pararam diante dos portões, hesitantes.




- Bem... Acho que poderemos ser contratadas. Fiquei sabendo na vila que a condessa procura por novas criadas. - disse Becky.

- Mas e se ela nos reconhecer? - Cece argumentou. - Sempre disseram que nos  parecemos com a mamãe.

- Há anos que ela não vê a mamãe.

- Mas você não ouviu mamãe contando tudo a tia Emma? A condessa Amber a odiava! Decerto se lembra bem do rosto dela...

- Pode ser. Mas vamos rezar para que, pelo menos a princípio, ela não desconfie de nós.

    

        As gêmeas aproximaram-se do portão. Um homem indagou-lhes o que queriam.


- Viemos para uma entrevista de emprego. - disse Cecilia.

- Oh, sim. Vou abrir o portão para as senhoritas.

      


         O portão foi aberto e elas atravessaram. Bateram à porta. Uma criada abriu e perguntou se as garotas haviam vindo à procura de emprego.




- Sim. - Rebecca respondeu.

- Eu vou avisar ao administrador Rafelson que estão aqui. - disse a criada.

    

          

            Cece e Becky aguardaram de pé, perto da porta, até que um homem idoso aproximou-se e disse:




- Vou levá-las até minha sala. Lá faremos a entrevista.

            



            As duas irmãs não sabiam, porém, sua mãe havia sido entrevistada naquela mesma sala vinte anos antes.
           Na sala, estava um homem jovem, loiro, alto, de olhos azuis. Cecilia e Rebecca se encantaram por ele no mesmo instante.



- Senhoritas, este é o conde Joseph Jones. - disse o administrador. - Ele mesmo vai entrevistá-las.

         


      As jovens reprimiram um suspiro de tristeza. Não podiam gostar dele daquela maneira, se era seu irmão.



- Boa tarde para as duas. - disse o rapaz. - Quais são seus nomes?

- Cecilia... Johnson. E minha irmã Rebecca. - Cece respondeu.

- É um prazer. - ele foi muito educado, beijando as mãos das duas. Elas coraram, principalmente Cece. - Senhoritas, queiram sentar-se.

     


        Elas obedeceram, e Joey fez o mesmo. Indagou a elas o que sabiam fazer. Responderam:



- Sabemos limpar e arrumar a casa. - começou Cece.

- Lavar, passar e engomar roupas. - Becky continuou.

- Costurá-las também. - lembrou Cecilia.

- E também sabemos cozinhar. - Rebecca terminou.

- Parecem criadas perfeitas! - disse o jovem conde. - Por mim, estão contratadas. O problema... É minha mãe.

     


       As gêmeas engoliram em seco, pensando na cruel viúva do pai e se ela as reconheceria, caso fossem contratadas. Joey disse que iria falar com ela e logo voltaria com a resposta definitiva. As garotas assentiram.
        Dali a alguns minutos, o rapaz retornou. Disse às gêmeas:




- O emprego é de vocês! Mas minha mãe já lhes deu incumbências. Aqui estão suas librés. Assinem os contratos, vistam as librés e já poderão começar. - ele falou com gentileza.

- Quais serão nossas incumbências? - indagou Rebecca.

- Você vai ser a criada de quarto da minha mãe. Vá até os aposentos dela para receber ordens mais detalhadas. E você... - ele olhou para Cecilia como que encantado com a jovem. Apesar de ser idêntica à irmã, para o jovem conde ela era ainda mais bonita. - Você vai ficar encarregada de limpar as salas do térreo.

- Muito bem. - as duas disseram. Becky incomodou-se com a clara preferência do conde por sua irmã. Estaria com ciúme? Lembrou-se então de que ele era seu irmão. Não podia se sentir assim por ele.

     


  As gêmeas foram levadas ao seu quarto na ala dos criados. Trocaram seus vestidos pelas librés e se separaram, Becky indo ao quarto da madrasta, Cece indo até a sala de estar, por onde começaria a limpeza. Ela limpou tudo com muito cuidado e capricho, sendo observada com atenção por Joey. Ele começava a se sentir apaixonado pela moça.
   Era assim que sua mãe queria que ele se sentisse por Anna Wright, filha do conde Richard Wright e sua esposa Meg, a melhor amiga da condessa Amber. Entretanto, apesar de a menina ter puxado o temperamento doce do pai, Joey não conseguia vê-la como sua futura esposa. Sua mãe o mataria se ele dissesse como imaginava sua esposa perfeita...
    Joey viu a jovem olhando com muito interesse para um dos quadros pendurados na sala. No momento, ela olhava fixamente para o maior, que retratava um homem jovem, de no máximo 25 anos, vestido com muita elegância. Era um rapaz muito bonito, de olhos castanhos escuros grandes e calorosos. A boca estava séria, mas parecia exibir uma predisposição para o sorriso. Joey não se conteve. Aproximou-se. Ele mesmo já havia olhado fascinado para a pintura muitas vezes.



- Esse é o falecido conde David Jones. Meu pai. - disse ele.

- Oh! Conde! O senhor assustou-me. - disse Cece, apertando o espanador contra o peito com o susto.

- Queira perdoar-me.

- Está tudo bem... Senhor, me perdoe, mas... O senhor não se parece com o falecido conde.

- Eu sei. Isso... Me angustia. - Joey nunca havia confessado isso a ninguém, no entanto, se sentia seguro com aquela garota. - Minha mãe diz que herdei as características da família dela... Contudo... Eu não me sinto encaixado. Nem na família de meu pai, nem na de minha mãe.

- Eu... Sinto muito. - Cece estava surpresa por ele se abrir com ela daquela maneira.

      

    Ela voltou a limpar uma mesinha próxima dos quadros, porém, Joey falou, chamando a atenção dela para ele novamente:



- E neste quadro aqui... - ele colocou a mão na moldura do retrato de um rapazinho de prováveis doze anos, este muito mais parecido com o falecido conde. - Está retratado meu tio Henry. Irmãozinho temporão do meu pai. Morreu quando eu era muito pequeno. Ele era pouco mais do que uma criança quando se foi. Creio que esta pintura foi feita pouco antes de seu falecimento. Eu me lembro muito pouco dele.

- E de seu pai? - Cece sabia que Joey também era um bebê quando Davy morreu, mas julgou natural perguntar.

- Eu não tinha nem um ano quando meu pai foi assassinado. - Joey suspirou. - Mas, de certa forma... Eu me lembro dele. Lembro de uma voz afável, e de me sentir protegido. E sei que essa lembrança não diz respeito a minha mãe.

- Eu... Entendo. Quantas tragédias em sua família...

- Nem me diga. Bem... Eu tenho algumas coisas a fazer. Já a atrapalhei demais em seu trabalho, srta. Johnson. Vou deixá-la.

- Está bem, conde. - Cece sorriu discretamente, e ele retribuiu.

    

       A moça não podia evitar sentir aquilo. Mesmo estando perfeitamente ciente de que eram filhos do mesmo homem. Embora... Ela tivesse agora algumas suspeitas... Encontrou sua irmã à noite, no quarto que lhes foi dado.




- Estou tão encantada pelo conde... - Cece sorria. - Ele é tão bonito, tão gentil!

- Cece, sabe que... Ele é nosso irmão. - Becky tentava disfarçar o ciúme que estava sentindo.

- Estou começando a duvidar disso. Vi um quadro do nosso pai na sala de estar. O conde Joseph não se parece em nada com ele. Papai era moreno, de olhos castanhos e baixo. Totalmente o contrário do filho.

- Acha que... Ele pode ser um bastardo da condessa Amber?

- Provavelmente. Ele não deve ser nosso irmão de fato... E é isso que vamos descobrir!

- Mas e se ele for realmente nosso irmão?

- Eu ficarei muito triste. Oh, Becky, ele... Quando olho para ele sinto mil borboletas voando em meu estômago! Deve ter sido assim que mamãe se sentiu quando conheceu papai...

   


       "E certamente o conde sente por você o mesmo que papai sentiu pela mamãe", Becky pensou, magoada.
       Era sempre assim. Todos preferiam Cecilia, por ser mais falante e desinibida. Ela, Rebecca, quieta e tímida, raramente recebia mais atenção. Somente a mãe tentava dar a mesma atenção às duas. Seria possível que houvesse algum homem que preferisse garotas introvertidas como ela?
      No dia seguinte, Rebecca estava ajudando Amber em sua toalete, quando o mordomo pediu licença para entrar. Amber permitiu.


- O que quer, Jennings? - inquiriu ela.

- O jovem visconde Müller chegou, acompanhado de sua prima Karin Neuer. Pede licença para ver a senhora.

- Mande Thomas subir.

        

       Alguns minutos depois, ouviu-se uma batida na porta. A condessa ordenou:




- Entre.

         


           A porta foi aberta. Entrou por ela um jovem, muito bem-vestido, baixo, com cabelos escuros um tanto longos. Ele era muito bonito. O encantamento que ele exerceu sobre Becky foi maior do que o que o conde Joseph havia exercido no dia anterior.
            O rapaz olhou para a jovem com os olhos brilhantes. Parecia estar tão encantado quanto ela.




- Bem-vindo, Thomas. - disse a condessa, seca. Pareceu notar a fascinação que surgia entre os jovens.

- Meus cumprimentos, condessa. - Thomas respondeu, um pouco titubeante. Ele olhava para Becky disfarçadamente, e ela corou. Nenhum homem nunca a havia olhado assim...




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