SEASON FINALE
Dias após Davy ter
sido capturado por Oliver e Nadine e resgatado por Dianna e Louise, a
vampirinha loira levou seu sobrinho Joey à mansão de Micky Dolenz para conhecer
as crianças que lá viviam.
Joey
gostou de Christian, logo eles se tornaram amigos. Ele até tentou brincar com
Jason e Sally, porém, enquanto Joey tinha a aparência e o tamanho de uma
criança de cinco anos, como Christian e as gêmeas, o filho de Mike e Alana e a
filha de Peter e Erin ainda tinham aparência e tamanho de bebês de dois anos.
Já com Cecilia
e Rebecca, Joey se deu ainda melhor do que com Christian. As meninas estavam
encantadas com ele.
- Vem, Joey, vamos tomar chá com
as minhas bonecas! – Cecilia puxava um braço do garotinho vampiro.
- Não, ele vem comigo, Cece! –
Rebecca puxava o outro braço dele.
- Ele vai brincar com as duas! –
Davy tentou fazer suas filhas pararem de brigar.
- E não o puxem, ainda vão
machucá-lo! – Dianna as repreendeu.
As gêmeas acabaram concordando com isso. Joey
gostava muito de ambas, no entanto, dava mais atenção para Cece, o que deixava
Becky um pouco triste.
Pouco tempo depois disso, Davy e
Dianna haviam acabado de colocar suas filhas para dormir e o vampiro já ia se
deitar ao lado da mulher, quando ouviu uma batida na porta da mansão.
- Quem será a essa hora? – Dianna
ficou preocupada.
- Calma, meu amor. Eu já venho.
Davy saiu do
quarto, desceu as escadas e foi até a porta. Viu diante de si sua amiga Louise,
carregando uma mala e parecendo destruída.
- Louise, o que aconteceu?
- Davy! Você tinha razão sobre o
Gerd! Ele não presta! – Louise largou a mala e abraçou Davy, chorando.
Dianna
inquietou-se com a demora de Davy. Desde que o marido foi sequestrado, toda vez
em que ele se demorava muito ela ficava apreensiva. Vestiu um robe por cima da
camisola e desceu as escadas. Viu Louise chorando e sendo amparada por Davy.
Dianna lançou um olhar interrogativo ao marido, que a olhou de volta com um ar
um tanto perplexo. A vampira foi até eles.
- Lulu, o que... O que aconteceu?
– Dianna indagou. Detestava ver sua amada triste.
- Di... O Gerd... Ele... – Louise
tentou falar, mas os soluços a impediram.
- Calma, Lulu. Vem, explique isso
direito. – Davy disse, gentil, levando a amiga até a sala de visitas, enquanto
Dianna ia buscar as garrafas de sangue de animais.
Enquanto
Dianna servia o sangue em taças para a amiga, o marido e para ela mesma, Louise
contava tudo aos dois. Como conheceu Gerd, como se apaixonou por ele, como ela
se tornou vampira e em seguida transformou-o, como matou Uschi, a ex-noiva
dele, e como eles ficaram juntos. Quando Louise narrou as duas noites de
estupro que sofreu, Davy gritou:
- EU SABIA QUE ELE ERA UM BRUTO
SEM CORAÇÃO! EU TE AVISEI TANTO, LOUISE!
- Eu me arrependo tanto de não
ter te ouvido, Davy... Eu fui tão tola... E agora... Agora ele me trai com
Alice... Eu pensei que os dois fossem incapazes de uma coisa dessas.... – Louise
verteu ainda mais lágrimas.
- ALICE? – Dianna exclamou,
chocada.
- Sim! A sua amiga, que eu
pensava ser minha alma gêmea, teve a capacidade de fazer isso comigo, Dianna!
Meu coração está duplamente partido!
Os três
vampiros não sabiam disso, porém, Mike ouvia tudo, em pé no patamar da escada.
Ao saber que o marido de Louise a havia traído justamente com sua antiga amada,
o lobo se sentiu confuso. Queria ajudar Louise, porém, não conseguia sentir
raiva de Alice, e se ela quisesse ajuda também, ele não recusaria. O único
problema era Alana... Se Alana não fosse tão ciumenta, Mike abrigaria qualquer
uma das duas vampiras na mansão. Sabia que ninguém se oporia a isso... Com
exceção de sua loba.
Davy estava fervendo de raiva de
Gerd. Queria matá-lo. Porém, Louise pediu que ele não fizesse nada contra o
vampiro alemão. Então, ele inquiriu:
- E para onde vai? Vem viver
conosco! Tem espaço para todos.
Dianna gostou da sugestão de seu
marido, e insistiu, pegando a mão de Louise:
- É, Louise! Fica, por mim e
Davy.
- Eu adoraria muito, Dianna. Mas
não posso. Gerd iria me levar arrastada.
- Que venha! Vai ser apenas
suicídio! – Davy exclamou. A fúria e a indignação eram tão grandes que, se ele
visse Gerd diante de si, não hesitaria antes de partir para cima dele.
- Eu vou embora! – Louise se
levantou do sofá e se despediu do casal de vampiros. – Adeus, Davy, meu amigo!
Adeus, Dianna!
A vampira de
olhos castanhos seguiu a de olhos azuis até o lado de fora da mansão. Correu
até ela e a abraçou forte.
- Eu queria poder ajudar a cuidar
de você...
- Não precisa, amada. – Louise
fez um afago no rosto de Dianna e beijou-a na boca. Foi um beijo envolvente e
apaixonado. – Você tem o Davy, que vale por dois. E suas filhas. Se eu ficar,
vou sofrer. Adeus, amadinha!
Louise se desprendeu de Dianna, assumiu a forma de morcego e voou para
longe. Dianna caiu em prantos.
- Adeus, Louise! Eu... Te amo!
Davy viu que sua mulher foi atrás de
Louise, e ao encontrá-la chorando, aproximou-se e abraçou-a.
- Di... Calma. Não fica assim.
Ela vai voltar. – ele beijou a testa da esposa.
- Davy... Por favor, não me leva
a mal, meu doce vampiro. Eu te amo muito, muito, muito... Mas a Lulu... Eu a
amo tanto quanto amo você...
- Eu sei, eu sei, Di. Eu
compreendo. – ele acariciou o rosto de sua amada. – Vem. Vamos dormir um pouco.
O casal de vampiros voltou para dentro da mansão. Entretanto, enquanto
Davy e Dianna dormiam, Micky despertou, com um grande aperto comprimindo seu
coração. Ele se ergueu rapidamente na cama, com a mão no peito. O movimento
acordou Emma.
- Micky? Tudo bem?
- Não... – ele respondeu com
dificuldade.
- O que você está sentindo? – ela
ficou nervosa.
- Eu não sei bem... Um aperto no
peito... Acho que é alguma coisa... Com a Fefe.
- Ah sim... – Emma disse,
compreensiva.
- Querida, não fica magoada...
- Eu não estou magoada. Eu só...
Fico preocupada com você. Você é meu marido, meu lobo. Sempre vou ficar do seu
lado, cuidar de você.
- E você sabe que a recíproca é
verdadeira, não é, minha loirinha? – Micky beijou a esposa.
- Eu sei.
- Não se preocupe, Emma. Vai
fazer mal para o bebê.
- O bebê está bem, Micky. Ou
melhor, a bebê. Eu sinto que é uma lobinha desta vez. – ela sorriu.
- Se você diz... Será uma linda
lobinha loira.
- Não... Uma linda lobinha morena
como você.
Micky e Emma trocaram
um beijo doce e voltaram a dormir. No dia seguinte, Mike saiu cedo. Queria
encontrar Louise e Alice e oferecer sua ajuda a elas. A primeira que encontrou foi
Louise. Conseguiu alcançá-la antes que ela pegasse o caminho para Frankfurt.
- Louise! Pare, por favor, quero
falar com você!
- Nez? – ela se virou para o
lobo, intrigada.
- Por favor, Louise, me deixe te
ajudar! – ele pegou a mãozinha delicada da vampira. – Eu ainda gosto muito de
você. Eu poderia abrigar você na mansão, Davy e Dianna ficariam muito felizes,
ninguém iria se opor...
- Ninguém... Exceto a sua mulher,
Mike.
- Minha loba sabe que eu a amo
mais do que tudo, Louise...
- Por favor, Nez. Eu fico muito
agradecida pela sua gentileza, mas não posso aceitar sua oferta. Alana acabou
de ter o filhote de vocês, ela ainda está muito sensível. E sei que de qualquer
maneira ela não gosta muito de mim. Eu vou embora.
- Promete que vai ficar bem?
- É claro. Até parece que você
não me conhece, lobo.
Louise beijou o rosto
de Mike e foi embora. “Pelo menos eu tentei”, ele suspirou. “Agora... Alice.
Espero que pelo menos ela me deixe ajudá-la”. Ele caminhou até a casa de
Anastacia Rosely. Bateu à porta e foi atendido pela própria dona da casa.
- Mike Nesmith? Em que posso
ajudá-lo? – quis saber a cientista.
- Por favor, Dra. Anastacia, eu
desejo muito falar com Alice. Ela está?
- Sim. Venha, vou levá-lo para
vê-la.
Ana conduziu Mike até
uma sala. Enquanto ele passava, os caça-vampiros observavam, curiosos. Sabiam
que Alice havia sido o grande amor do lobo, e pensavam se ela acabaria se
deitando com ele também.
Todavia, Mike não tinha nada disso em mente.
Queria apenas conversar com Alice, entender por que ela havia feito aquilo,
oferecer um ombro amigo. Não tinha nenhuma segunda intenção. Ele bateu à porta
da sala e ouviu a voz de Alice dizer:
- Entre.
- Olá, Alice. – ele sorriu para
ela ao entrar.
- Nez! Que surpresa...
Anastacia saiu para deixá-los conversar à vontade.
- Como você está? - o lobo abraçou a vampira. – Sei que é uma
pergunta estúpida, mas...
- Eu estou me sentindo péssima,
Nez. Eu só sei magoar as pessoas que são importantes para mim. Palin, Louise...
Você. – havia lágrimas nos grandes olhos azuis de Alice.
- Não vamos falar de nós dois. Eu
perdoei você. Entendi os motivos que te levaram a ter medo de mim naquela
época. Alice, me desculpe, mas... Eu ainda não entendi como pôde...
- Eu também não entendo, Mike,
simplesmente não entendo! Traí o meu marido, e a minha alma gêmea... Mas eu
também amo Gerd...
- É. Eu sei. – Nez resmungou. Não
gostava nem um pouco de Gerd Müller. Se Davy quisesse ajuda para trucidá-lo, o
lobo ajudaria o vampiro de bom grado.
- Eu me sinto a pior das
criaturas... E para piorar tudo... Nez, eu estou grávida! E esse filho é do
Gerd!
Mike ficou chocado
com a revelação.
- Meu... Meu Deus... Eu não sei o
que dizer...
- Não diga nada, apenas me
abrace. Por favor, é tudo que eu preciso agora...
Ele não se fez
de rogado. Abraçou fortemente a antiga amada, sentindo o cheiro dos cabelos
dela, que tanto amava.
- Alice... Não quer ficar na
mansão? Há ainda muitos quartos vazios lá... E sei que Emma, Dianna e Erin
ficariam muito felizes se você fosse para lá!
- Não duvido que minhas amigas
ficariam contentes em me receber lá... Mas não posso aceitar, Nez.
- Mas... Mas por quê?
- Já estou com má fama, Nez, se
eu aceitar sua oferta ainda podem dizer que ando me deitando com você... Que o
filho que espero é seu... Toda sorte de calúnias. E também não quero criar
tensões entre você e a sua loba.
- Allie tem que entender...
- Nez, não adianta. Eu vou ficar
aqui. Eu agradeço de coração, mas infelizmente não tenho como ir para a mansão.
- Então... Por favor, aceite
isso, pelo menos.
- O quê...?
Nez
aproximou seus lábios dos de Alice, e trocaram um rápido beijo, um selinho.
- Alice... – ele acariciou o
rosto da vampira. – Não me entenda mal. Eu amo a Alana com todo o meu ser,
senti o imprinting assim que a vi. Mas eu sempre vou ter um lugar muito
especial para você em meu coração. Sempre.
- O-Obrigada, Nez. – Alice
sorriu. – Também sempre terei um carinho muito grande por você.
Ele beijou a mão da vampira e
foi embora, se sentindo um pouco mais leve. Ela não aceitou sua oferta de
abrigo, contudo, a conversa foi o suficiente para Alice saber que Mike sempre
estaria ali para ela. Na mansão,
enquanto isso, Veratti estava em seu quarto, e pegou a bola de cristal para
falar com seu superior.
- Signore Hunt! Fechou-se três
dias desde que a Frau Müller foi embora. Ela partiu para Frankfurt.
- Excelente, Veratti! – respondeu
James Hunt. – Agora vou assumir daqui por diante. Muito em breve ela será
“senhora Suzie Hunt”.
Veratti
guardou seu artefato mágico e voltou a dormir. Ele tinha em mente um plano
maléfico para se apossar da Ilha dos Lobisomens, destronar Bobby Moore, acabar
com os súditos dele e colocar no lugar deles o Conde Benítez e seus sequazes.
Mais tarde, durante a noite, Peter
saiu da mansão para encontrar-se com Manuel Neuer, o vampiro casado com
Felicity McGold. O mago e o vampiro viram a paixão surgir entre eles após o
episódio do rapto das mulheres por Ronnie Peterson.
Erin sabia muito bem que seu marido também
sentia atração por homens, e aceitava a relação dele com Manuel tranquilamente.
Enquanto ela fosse a única mulher para Peter, tudo estava bem. Já Felicity
havia previsto que Manuel conheceria Peter e o amaria tanto quanto amava a ela
própria. Portanto, Fefe nunca se opôs.
- Tem certeza que sua esposa
sabe... Sobre nós? – indagou Manuel, enquanto beijava o corpo de Peter.
- Sim, ela sabe. E nos aceita.
Isso não vai mudar, vampiro. Eu te amo e sei que ama a Felicity. Assim como amo
minha Erin.
- Sem você e sem Felicity não sei
viver, Peter.
- E sem você e sem Erin não sei
viver, Manuel.
Eles continuaram se amando ardentemente,
e, após terminarem o ato, despediram-se com um beijo e voltaram para suas
respectivas casas. Ao entrar no quarto, Peter viu Erin ainda em pé.
- Ficou me esperando, meu amor? –
ele a beijou suavemente. – Eu te avisei que iria demorar...
- Eu sei, afinal você estava com
o Manuel. – ela deu um pequeno sorriso. – Mas na verdade estou acordada porque
Sally estava com um pouco de febre. Coloquei alguns panos com água para abaixar
a temperatura... Ela dormiu agora há pouco.
- E ela está melhor? Assim me
sinto culpado por ter saído...
- Ela está sim. Mas não se preocupe,
querido. – ela abraçou o marido por trás.
Peter inclinou-se em direção ao bercinho de
Sally e beijou a filha na testa. Perguntou à mulher, então:
- Erin... Está muito cansada para
nos amarmos?
- Hum... Não sou tão hedonista
quanto a minha prima... Mas não, não estou. – ela deu um sorriso malicioso.
- Então venha. – Peter também
sorriu.
O mago e a esposa passaram a despir um ao
outro, e foram para a cama. Naquela noite, Peter amou Erin com a mesma paixão
com que amou Manuel algumas horas antes.
Na noite seguinte, um
incrível duelo mágico por Sepp Maier entre Nora Smith e Holly Grey Charlton, a
nova moradora da Ilha dos Lobisomens, ao qual todos os habitantes da ilha
estavam assistindo, foi interrompido por um grito de lamento de Felicity.
- NÃOOOOOO! MANUEL!
- Felicity! – Nora exclamou,
apreensiva. Ela voltou ao normal e Holly libertou-a. – Minha amiga!
- Você é amiga da profetisa?
- Há muito mais tempo do que você!
– Nora respondeu, ríspida, e disparou com os outros para a direção de onde
vinha o grito.
Holly também seguiu até o local, e todos foram
tomados de compaixão pela cena. Felicity chorava sem parar, agoniada, debruçada
sobre o corpo inerte de seu marido, com uma estaca cravada no coração. Peter não
queria acreditar no que via. Suas pernas chegaram a bambear. Erin segurou o
marido com força.
- Não... NÃO!!!! – os olhos de
Fefe brilhavam com as lágrimas.
Próximo ao cadáver de Manuel, havia outro
corpo, de mulher. Ela era morena, tinha olhos azuis e traços hispânicos. Estava
desfigurada e os braços haviam sido arrancados. Uma espada de prata atravessava
seu coração.
- MALDITO BARÃO LAUDA!!! –
Felicity bradava em desespero. – MATOU MEU MARIDO!!! MATOU O MANUEL!!! NÃO!!!
Os moradores do Castelo Beckenbauer estavam
incrédulos diante daquilo. Johan sentiu uma grande piedade de sua amada. Peter estava sofrendo demais, e não conseguiu
mais conter isso. Passou a chorar a morte de seu amado tão convulsivamente
quanto Felicity, e era fortemente abraçado por Erin. Sua filhinha Sally estava
confusa, tentando entender por que seu pai chorava tanto.
Quando Ana se aproximou, Felicity
pediu:
- Ana, pelo amor de Deus, traga o
Manuel de volta! Eu imploro!
Sem hesitar, a cientista deu ordens a Paul e Chris que trouxessem um corpo recém-sepultado. Em seguida disse a Eric Idle e Graham Chapman que carregassem o corpo de Manuel para dentro da casa dela. Lá dentro, Ana pegou o Necromicon, o Livro da Morte, e invocou a entidade.
- O que deseja, Anastacia? – indagou a entidade, de
forma masculina.
- Me ajude a ressuscitar um nosferatu. Ele acabou
de morrer. O que devo fazer?
Lamentando, a entidade olhou para Ana
balançando a cabeça e respondeu:
- Eu sinto muito, Anastacia. Mas não há nada a ser
feito.
- Mas como? Tem que haver.
- E há. Você foi amaldiçoada e com esse bloqueio,
não poderei te ajudar.
- Felicity? – Ana inquiriu. – Devo pedir a ela que
retire?
- Exatamente. Se ela concordar em retirar a
maldição de você, aí sim poderei ajudar a reviver o vampiro.
Então o espírito desapareceu. Ana foi até a
varanda, onde encontrou Felicity sendo amparada por Nora e Micky.
- Felicity, preciso que me ajude. – pediu, olhando
no fundo dos olhos castanhos calorosos da profetisa. – Deve retirar a maldição
de mim. Caso contrário, não vou conseguir reviver seu marido.
- Amor, faça isso! – pedia Nora. – Perdoe a Ana.
Ela protegeu Alice naquele dia. Retire a maldição.
Felicity
ia dizer algo, no entanto, de súbito seus olhos se cerraram.
- Nora, cuidado! – Holly alertou. – Sua amiga vai
ser...
Tão rapidamente quanto se fecharam, os olhos
da profetisa se abriram novamente. Sua coloração havia mudado. Estavam azuis, e
perscrutavam todos os presentes com maldade. Ela falou, num tom que não era o
seu:
- Você acha que engana todos com sua complacência,
cientista? – ela soava como uma cruel prostituta. – Eu não vou deixar que este
corpo retire a maldição, pois você mereceu esse castigo, por trazer a vida para
a vampira ali!
Apontando para Alice, ela se aproximou da vampira de grandes olhos
azuis. Mike sentiu um ímpeto para defendê-la. Entretanto, conteve-se. Não
queria problemas com Alana.
- Ora, meus parabéns! Pena que este filho não é do
lenhador trouxa que você enganou e tampouco do lobo que amou no passado. Mas
sim daquele homem! – olhou para Gerd. – Marido adúltero, diz que ama sua esposa
e acabou preferindo se refestelar com a antiga noiva. Mentiroso! Nunca resistiu
aos prazeres carnais e sabes que sua antiga noiva quase se suicidou por amor?
Todos ficaram chocados com aquilo, sobretudo Gerd, Nez e Palin.
- E você, vagabunda... – ela cuspiu no rosto de
Alice. – Se deitava com a garota, a amada do seu senhor. Dizia que era sua alma
gêmea, mas destruiu o casamento dela.
A vampira chorava muito e então Fefe, na forma de Betty Blaze, uma
meretriz, voltou o olhar para o conde.
- Sentias desejo pelo corpo que habito, pela noiva
de seu melhor amigo e agora roubas a noiva do pobre rato austríaco que nada
tinha haver contigo!
Franz não podia negar que no passado
sentiu desejo por Felicity, depois por Louise e por fim por Odile. Em
seguida a mulher possuída caminhou até Johan e o fez se sentar na cadeira. Ela
sentou em seu colo, olhando para os olhos azuis de Cruyff.
- Sei que sentes desejos por este corpo... Queres
possuir ela mais do que sua própria vida. – pegou a mão do doutor e a pousou no
seio de Felicity. - Tentou várias vezes deitar-se com outras, mas nunca
conseguiu.
-- Não... – Johan tentou negar. A verdade era que
ele havia se deitado com muitas mulheres desde que chegou a Munique, inclusive
com suas pacientes femininas e com as esposas de nobres, apenas para tentar
esquecer Fefe.
A profetisa possuída sorria maleficamente. Lambeu os lábios do holandês
e sussurrou em seu ouvido.
- Sei que se deitou com a menina de olhos azuis, e
agora estás dividido. – lançou um olhar para Alice e depois para o médico,
rasgando a camisa dele. -- Mas acho que sabemos quem você prefere, doutor.
Deite-se comigo e gere um filho!
- NÃO! – gritou Johan, jogando Felicity no chão.
Nesse momento Micky e Gerd
tentaram segurá-la.
- Fefe, fale comigo! Sou eu, Micky! – o lobo falava
com a profetisa, numa tentativa de libertá-la do espírito.
- Você, lobo, é outro que sente ainda muito desejo
por este corpo... Ama sua esposa, tem um filho com ela e no ventre ela carrega
mais um... Mas nada faz você se esquecer da profetisa, não é?
Micky pensava em algo para dizer, e
principalmente para acalmar Emma, quando Holly outra vez sentiu que a
mulher sofreria outra possessão.
- SAIAM DE PERTO DELA! OUTRA ALMA MALIGNA VAI SE
APOSSAR!
Contudo, Fefe abriu os olhos e eram
de outra cor. Estavam verde-escuro e olhavam com fúria para os dois homens.
Agarrou-os pelo pescoço, e os arremessou para longe.
- Micky! – Davy, Peter e Mike correram para ajudar
o amigo.
Renée
protegia os filhos de sua prima, Joey e Karin. Karin era apenas uma bebezinha
de poucos dias de vida.
- NENHUM HOMEM PODERÁ ME VENCER! – Fefe berrou, e
sua voz agora soava trovejante.
Breitner tentou segurá-la por trás, mas foi
derrubado pela profetisa, que havia adquirido uma força prodigiosa. Gerd passou
a recear, lembrando-se de Bjorn Borg. A prima de Louise estava tão forte quanto
ele.
- Você! – a galesa morena apontava para o vampiro
alemão. – Eu sei que desonrou tudo. Dizia que amava a moça alta de olhos azuis
e cabelo negro, mas na verdade, era a outra. A loira. Por sua causa, ela foi
embora, deixando um vazio nos corações de todas as pessoas!
Magicamente, surgiram dois floretes nas mãos dela e Fefe deu um a Gerd.
- Vamos lutar, nosferatu! – ela desafiou Gerd. –
Quero ver se a vampira loira te ensinou a lutar direito!
Paul também se colocou em posição para lutar, no entanto, percebeu um
tanto tarde que havia aparecido um tipo de bloqueio que impedia aqueles que
estavam ao redor de se aproximar e interferir na contenda. Aos outros restava
apenas assistir.
A galesa preparou-se para o combate, em cada mão segurando um florete,
partindo com tudo para cima dos dois adversários, de uma só vez. Os movimentos
dela eram espetaculares, Fefe não parecia ser aquela profetisa delicada e
incapaz de ferir uma mosca. O espírito de um assassino chamado Tony Winstone,
um espadachim inglês, havia se apossado dela.
Rapidamente o caçador acertou de raspão um golpe de espada na mulher,
fazendo-a sangrar e em seguida ela deu um empurrão em Paul que o fez parar
longe. Ficou então cara a cara com Gerd.
Ele dava golpes com a espada, contudo, Felicity se desviava com facilidade
e esta o atacava mais, perfurando o corpo do vampiro em vários pontos. Mesmo
com o sangramento, o vampiro largou a arma e resolveu usar somente as mãos.
- Então, quer com as mãos nuas? Muito bem! – Fefe
debochou com sua voz retumbante, soltou a espada e aplicou em Gerd uma série de
socos, pontapés e chutes.
Gerd não conseguia revidar os movimentos tão ágeis de Felicity, sofrendo
mais os ataques da mulher e ela até mesmo o ergueu do chão com sua monstruosa
força.
- Meu Deus! – exclamou Nora, assustada, ao ver o
vampiro ser jogado no chão com extrema violência. – Como a Fefe fez isso?
- Sua burra! É claro que não é a Fefe que faz isso!
– retrucou Holly, impaciente. – É o espírito!
- Ei! Quem é você pra falar assim comigo?
- Meninas, parem! – Alice colocou-se entre elas,
impedindo que se atracassem. – Parem de brigar e... Olhem!
A profetisa arrastava Gerd pelo calcanhar e depois passou a desferir
chutes, então se afastando. Ele empurrou-a e retomou a vantagem. Socou e chutou
a profetisa. Ela, no entanto, se erguia como se não estivesse machucada, apenas
com um filete de sangue escorrendo do canto da boca, e sorria debochada.
- Já acabou, Gerhard?
Em pouco tempo, ela meteu um golpe nas
costas do vampiro, deixando-o fraco e em seguida estrangulando-o com uma chave
de pescoço, que o sufocou. Gerd ficou enfraquecido e desfaleceu.
- Vá para o inferno, nosferatu, e peça desculpas
para sua amada Louise!
Alice saiu da área magicamente bloqueada e imobilizou Fefe, jogando-a
para uma distância considerável.
- Pare! – os olhos de Alice faiscaram, paralisando
a profetisa.
- NÃO... ME DEIXE.... MALDITO GERHARD! SERÁS
AMALDIÇOADO COM FEBRE E DOR POR TODA ETERNIDADE ASSIM QUE ENTRARES NO
CASTELO... – berrou a mulher. Desviou o olhar, porém, caiu no chão.
Fefe parecia não mais se mexer. Paul e Uli tentaram ajudá-la e Alice foi
ao socorro de Gerd.
- Acho que ela não representará ameaça. – Uli disse
a Paul, sem perceber que Fefe havia despertado e agora seus olhos tinham cor de
mel e estavam esbugalhados. O espírito que havia tomado o corpo dela agora era
um ladrão de nome Barry Shields.
- Hehehehehe... – ela ria dos dois e escapou de
suas mãos. – Nunca vão me pegar...
Ela correu para dentro de casa, sendo seguida pelos outros. Paul e Uli
não a encontraram. Quando saíram da mansão de Ana, acharam-na, carregando o
amuleto divino do padre, o Necromicon de
Ana e o anel de noivado de Nora, e por fim ela arrancou a correntinha com um
anel pendurado que Gerd carregava como lembrança de Alice.
- Me devolve isso! – Gerd ordenou.
- Manter algo da meretriz de olhos azuis não fará
seu amor por ela renascer. – Fefe ria com escárnio. – E também nunca mais irá
ter sua mulher, a bela loira! Hehehehe!
- Paul! Ela está com o meu
amuleto! – Uli exclamou.
- Ela tirou meu anel do dedo. – Nora falou.
- Um anel do amor, uma proteção de Deus e o livro
da morte! – ela ria de maneira assustadora e corria para cá e para lá.
- DEVOLVA MEU LIVRO, FELICITY! – Ana exigiu, mas
não surtiu efeito na profetisa.
- Ora, ora, doutora, não sabia que teves de deitar
com a própria morte para conseguir tais dons... – então ela dirigiu seu olhar
para Nora. - Já você, menina dos gatos, todos sabem que não tem a bondade em
seu peito e sim a rancor, medo e a morte ao seu lado e quando perderes a
profetisa, libertarás aquilo que guarda em seu peito.
Nora
tentava disfarçar e Sepp a consolava. Todos estavam em pânico em decorrência do
perigo que Fefe representava devido à possessão diabólica.
- E você, padre de araque! – apontou para Uli, com
um sorriso maléfico nos lábios. - O pecador, boêmio, só porque juras que Deus
apareceu para você não significa que é um de seu rebanho. Aquela que se deitou
com as trevas e com os lobos está para surgir em sua vida, mostrará os pecados
da carne novamente e Deus não terá piedade de você! Sua alma queimará no
inferno!
Mais uma vez ela correu para fora da casa e, olhando para os objetos,
para ela não tinham significado algum.
- São coisas tão fúteis que vocês guardam... Por
que não guardam os poderes de governar os mares? Por que vocês todos não
guardam tesouros, não guardam mais preciosidades? A família de ingleses, os
Townshends, desejam mais que tudo dominar o mar e guardar seu tesouro ali!
Nesse momento Holly concentrava seu poder, o que surpreendeu Nora.
- Está na hora de fazer essa profetisa falastrona
se aquietar! – ergueu a mão direita, direcionando seu poder. – Revolução Estelar!
Feixes de luz, semelhantes a pequenos meteoros, atingiram Felicity
e a atacaram. Por fim ela caiu ao chão. Franz e Sepp carregaram-na para a
floresta, acompanhados por Nora, Lyanna e Holly. O padre e o caçador também
foram.
- Temos de exorcizar essa mulher! – falou Uli,
pegando o terço de madeira.
- Exorcismo não vai adiantar. – advertiu Lyanna,
olhando para Nora. – Faça sua parte. Salve sua amiga.
Nora passou a entoar uma música escocesa muito conhecida, numa tentativa
de acalmar Felicity, que estava um pouco agitada.
Sing me a
song of a lass that is gone
Say could that lass be I?
Merry of soul she sailed on a day
Over the sea to skye
Enquanto
ela cantava, um véu de energia envolveu Felicity e Nora expulsava os três
espíritos do corpo de sua amiga, selando-os dentro de seu próprio corpo.
Todavia, um deles, o da prostituta chamada Betty, não pôde conter em seu corpo.
O espírito simplesmente escapou e foi-se para a montanha amaldiçoada.
Holly observou tudo e reconheceu o poder imenso de Nora, que no entanto
não era o suficente para selar o terceiro espírito maligno, que poderia voltar
a atormentar.
- Mesmo com esse poder, ela mal consegue
controlar... – comentou ela, inexpressiva para a avó de Nora.
- Você subestima demais a Nora, alquimista. – a
velha feiticeira respondeu. – Se continuar assim, quem vai desaparecer será
você.
- E você devia se calar, velha! Deve se preocupar
com sua amada netinha. Será mesmo que ela vai aguentar com duas almas ali
dentro do corpo? E quem garante dela se controlar e não acabar matando alguém?
Ela é uma ameaça para Felicity e para o Sepp.
- Não! – Nora protestou. -- Não posso mais selar
almas dentro de mim! A deusa já nasceu comigo, alquimista invejosa! A necromante
foi aprisionada porque salvei minha amiga da morte na infância!
- Meça suas palavras, bruxa! Você mal consegue
controlar, ao contrário de mim. Tenho isso em mim e, além disso, você se tornou
uma ameaça para sua amiga e seu amado!
Holly
olhou então para Fefe, adormecida nos braços de Sepp, e continuou a falar.
- Da próxima vez que nos encontrarmos, farei você
desaparecer... Melhor, vou mandá-la para outra dimensão!
A
alquimista desapareceu envolta em aura cósmica, deixando Nora e Lyanna
indignadas.
- Alquimista convencida... Ao menos senti que ela
temeu mesmo seu poder. Agora descanse com seu gato ruivo.
- Eu tenho medo, vovó! – Nora tinha receio perder
Fefe e Sepp mais tarde. – Quando Fefe acordar e ver que Manuel.... Está morto...
Ela vai se deprimir demais.
E
assim foi. No outro dia, Felicity despertou. Nora, Ana e todos relataram a ela
os acontecimentos da noite anterior e a morte do marido. A cientista não
conseguiu ressuscitar o nosferatu, e à noite Manuel foi cremado.
Felicity
regressou à fazenda, cuidando de Karin e Joey, chorando pela morte do pai. Ela
então se entregou à depressão. Peter foi outro que se entregou de corpo e alma
ao sofrimento.
- Manuel... Meu vampiro... O que será de mim sem
você?
Chorando
copiosamente, ele entrou no quarto e se trancou ali. Do lado de fora, Erin
ouvia o pranto dele, sem saber o que fazer.
- Papai! – Sally chamava, segurando a mão da mãe e
com sua livre batendo na porta.
- Deixe o seu pai, meu amorzinho. – Erin pegou a
bebê no colo e beijou-a. – Ele precisa ficar sozinho.
Passou-se
cerca de um mês e meio. Certa manhã Emma foi à fazenda fazer uma visita a
Felicity. A loba loira sabia o quanto a galesa ainda era amada por Micky, mesmo
ele sentindo o imprinting pela esposa. Por consequência dos eventos das últimas
semanas, Emma ofereceu a ela mesma e ao marido para cuidar de Karin. Felicity não
recusou a proposta e colocou sua bebê nos braços da loba.
- Eu vou voltar, meu docinho. – disse Fefe,
beijando a testa da menininha. – Se é que vou voltar.
- Vai voltar, Felicity! – disse Emma, com
esperança. – Por favor, não sofra mais.
Emma regressou à mansão e Felicity entrou novamente na casa da fazenda,
sentando em sua cadeira de balanço e chorando. Enquanto isso, Emma colocava a
filhinha de Felicity no antigo bercinho de Christian. Seu filho agora tinha
tamanho e aparência de cinco anos, então dormia em sua própria caminha.
- Ela se parece com a mãe. – disse Micky, olhando
com ternura para a pequena Karin. – É uma pena tudo o que aconteceu com a Fefe.
- Sim. – Emma suspirou. – Mas vamos cuidar da Karin
até a Fefe estar melhor. Como cuidamos do Christian e como cuidaremos da nossa
lobinha, que logo vai chegar. Acho que ela e a Karin vão se dar muito bem.
VEM POR AÍ...
(Toca Out
Of The Woods da Taylor Swift)
Renée
(carregando um bebê): É menina, Emma!
***
Emma (vendo
Karin rodeada por Jason, Christian e Ami): Essa
menina é mesmo encantadora.
Micky: Quero só ver quando as crianças crescerem...
***
Louise (olhando
amorosamente para Dianna e Davy): Eu não
posso mais esconder! Eu quero vocês dois esta noite!
(Cenas de
Louise beijando e fazendo amor com ambos os vampiros)
Dianna: Davy... (colocando a mão do marido em
sua barriga) Eu sei que decidimos não ter
mais filhos depois das gêmeas... Mas eu estou grávida mais uma vez!
Davy: Ah, Di... (beijando-a) Você sabe que eu sempre quis mais um!
***
Gram Parsons: Volte conosco, Alana! Você pode levar seu
filhote!
Chris Hillman:
Eu ainda te amo, pequena loba! Seu marido
prefere a vampira!
Mike: SÓ VÃO LEVAR MINHA LOBA E MEU FILHOTE POR
CIMA DO MEU CADÁVER!
***
Peter: EU SABIA! NÃO FUI COM A SUA CARA DESDE O
PRIMEIRO DIA, SEU LOBO CARCAMANO! EU AVISEI A RENÉE PARA FICAR LONGE DE VOCÊ E
ELA NÃO ME OUVIU!
Davy: VOCÊ NOS TRAIU!
Veratti: Sim, mas com um propósito, e, muito em
breve... Vocês serão massacrados!
***
Gerd: Eu tentei ser educado, seu cotoco de
vampiro... Mas você me obriga a ser violento! (colocando a mão no pescoço
de Davy e erguendo-o no ar) FALA ONDE
ESTÁ A URSINHA! EU SEI QUE VOCÊ SABE!
Dianna (em
desespero por ver o marido assim): LARGA
ELE, GERD! Eu sei onde ela está! Se eu
te falar, vai soltar meu marido?
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