sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Oneshot : Enchanted (What If - Modern Vampires Of The City) - Parte XII -> Fim de temporada

Boa noite! Hoje temos a última parte da primeira temporada de Enchanted! Começarei a segunda o mais breve possível. Sem mais delongas, boa leitura! 





                                                                    SEASON FINALE




                                  Dias após Davy ter sido capturado por Oliver e Nadine e resgatado por Dianna e Louise, a vampirinha loira levou seu sobrinho Joey à mansão de Micky Dolenz para conhecer as crianças que lá viviam.
                                 Joey gostou de Christian, logo eles se tornaram amigos. Ele até tentou brincar com Jason e Sally, porém, enquanto Joey tinha a aparência e o tamanho de uma criança de cinco anos, como Christian e as gêmeas, o filho de Mike e Alana e a filha de Peter e Erin ainda tinham aparência e tamanho de bebês de dois anos.
                                 Já com Cecilia e Rebecca, Joey se deu ainda melhor do que com Christian. As meninas estavam encantadas com ele.


- Vem, Joey, vamos tomar chá com as minhas bonecas! – Cecilia puxava um braço do garotinho vampiro.

- Não, ele vem comigo, Cece! – Rebecca puxava o outro braço dele.

- Ele vai brincar com as duas! – Davy tentou fazer suas filhas pararem de brigar.

- E não o puxem, ainda vão machucá-lo! – Dianna as repreendeu.


                                    As gêmeas acabaram concordando com isso. Joey gostava muito de ambas, no entanto, dava mais atenção para Cece, o que deixava Becky um pouco triste.
Pouco tempo depois disso, Davy e Dianna haviam acabado de colocar suas filhas para dormir e o vampiro já ia se deitar ao lado da mulher, quando ouviu uma batida na porta da mansão.


- Quem será a essa hora? – Dianna ficou preocupada.

- Calma, meu amor. Eu já venho.

                                   Davy saiu do quarto, desceu as escadas e foi até a porta. Viu diante de si sua amiga Louise, carregando uma mala e parecendo destruída.


- Louise, o que aconteceu?

- Davy! Você tinha razão sobre o Gerd! Ele não presta! – Louise largou a mala e abraçou Davy, chorando.
    
                        
                                Dianna inquietou-se com a demora de Davy. Desde que o marido foi sequestrado, toda vez em que ele se demorava muito ela ficava apreensiva. Vestiu um robe por cima da camisola e desceu as escadas. Viu Louise chorando e sendo amparada por Davy. Dianna lançou um olhar interrogativo ao marido, que a olhou de volta com um ar um tanto perplexo. A vampira foi até eles.


- Lulu, o que... O que aconteceu? – Dianna indagou. Detestava ver sua amada triste.

- Di... O Gerd... Ele... – Louise tentou falar, mas os soluços a impediram.

- Calma, Lulu. Vem, explique isso direito. – Davy disse, gentil, levando a amiga até a sala de visitas, enquanto Dianna ia buscar as garrafas de sangue de animais.

                                       
                             Enquanto Dianna servia o sangue em taças para a amiga, o marido e para ela mesma, Louise contava tudo aos dois. Como conheceu Gerd, como se apaixonou por ele, como ela se tornou vampira e em seguida transformou-o, como matou Uschi, a ex-noiva dele, e como eles ficaram juntos. Quando Louise narrou as duas noites de estupro que sofreu, Davy gritou:


- EU SABIA QUE ELE ERA UM BRUTO SEM CORAÇÃO! EU TE AVISEI TANTO, LOUISE!

- Eu me arrependo tanto de não ter te ouvido, Davy... Eu fui tão tola... E agora... Agora ele me trai com Alice... Eu pensei que os dois fossem incapazes de uma coisa dessas.... – Louise verteu ainda mais lágrimas.

- ALICE? – Dianna exclamou, chocada.

- Sim! A sua amiga, que eu pensava ser minha alma gêmea, teve a capacidade de fazer isso comigo, Dianna! Meu coração está duplamente partido!


                                    
                                   Os três vampiros não sabiam disso, porém, Mike ouvia tudo, em pé no patamar da escada. Ao saber que o marido de Louise a havia traído justamente com sua antiga amada, o lobo se sentiu confuso. Queria ajudar Louise, porém, não conseguia sentir raiva de Alice, e se ela quisesse ajuda também, ele não recusaria. O único problema era Alana... Se Alana não fosse tão ciumenta, Mike abrigaria qualquer uma das duas vampiras na mansão. Sabia que ninguém se oporia a isso... Com exceção de sua loba.
                                Davy estava fervendo de raiva de Gerd. Queria matá-lo. Porém, Louise pediu que ele não fizesse nada contra o vampiro alemão. Então, ele inquiriu:



- E para onde vai? Vem viver conosco! Tem espaço para todos.

                                    
                                 Dianna gostou da sugestão de seu marido, e insistiu, pegando a mão de Louise:



- É, Louise! Fica, por mim e Davy.

- Eu adoraria muito, Dianna. Mas não posso. Gerd iria me levar arrastada.

- Que venha! Vai ser apenas suicídio! – Davy exclamou. A fúria e a indignação eram tão grandes que, se ele visse Gerd diante de si, não hesitaria antes de partir para cima dele.

- Eu vou embora! – Louise se levantou do sofá e se despediu do casal de vampiros. – Adeus, Davy, meu amigo! Adeus, Dianna!


                             A vampira de olhos castanhos seguiu a de olhos azuis até o lado de fora da mansão. Correu até ela e a abraçou forte.


- Eu queria poder ajudar a cuidar de você...

- Não precisa, amada. – Louise fez um afago no rosto de Dianna e beijou-a na boca. Foi um beijo envolvente e apaixonado. – Você tem o Davy, que vale por dois. E suas filhas. Se eu ficar, vou sofrer. Adeus, amadinha!

                                          
                           Louise se desprendeu de Dianna, assumiu a forma de morcego e voou para longe. Dianna caiu em prantos.



- Adeus, Louise! Eu... Te amo!

                                            
                          Davy viu que sua mulher foi atrás de Louise, e ao encontrá-la chorando, aproximou-se e abraçou-a.



- Di... Calma. Não fica assim. Ela vai voltar. – ele beijou a testa da esposa.

- Davy... Por favor, não me leva a mal, meu doce vampiro. Eu te amo muito, muito, muito... Mas a Lulu... Eu a amo tanto quanto amo você...

- Eu sei, eu sei, Di. Eu compreendo. – ele acariciou o rosto de sua amada. – Vem. Vamos dormir um pouco.

                                               
                      O casal de vampiros voltou para dentro da mansão. Entretanto, enquanto Davy e Dianna dormiam, Micky despertou, com um grande aperto comprimindo seu coração. Ele se ergueu rapidamente na cama, com a mão no peito. O movimento acordou Emma.



- Micky? Tudo bem?

- Não... – ele respondeu com dificuldade.

- O que você está sentindo? – ela ficou nervosa.

- Eu não sei bem... Um aperto no peito... Acho que é alguma coisa... Com a Fefe.

- Ah sim... – Emma disse, compreensiva.

- Querida, não fica magoada...

- Eu não estou magoada. Eu só... Fico preocupada com você. Você é meu marido, meu lobo. Sempre vou ficar do seu lado, cuidar de você.

- E você sabe que a recíproca é verdadeira, não é, minha loirinha? – Micky beijou a esposa.

- Eu sei.

- Não se preocupe, Emma. Vai fazer mal para o bebê.

- O bebê está bem, Micky. Ou melhor, a bebê. Eu sinto que é uma lobinha desta vez. – ela sorriu.

- Se você diz... Será uma linda lobinha loira.

- Não... Uma linda lobinha morena como você.

                          

                    Micky e Emma trocaram um beijo doce e voltaram a dormir. No dia seguinte, Mike saiu cedo. Queria encontrar Louise e Alice e oferecer sua ajuda a elas. A primeira que encontrou foi Louise. Conseguiu alcançá-la antes que ela pegasse o caminho para Frankfurt.




- Louise! Pare, por favor, quero falar com você!

- Nez? – ela se virou para o lobo, intrigada.

- Por favor, Louise, me deixe te ajudar! – ele pegou a mãozinha delicada da vampira. – Eu ainda gosto muito de você. Eu poderia abrigar você na mansão, Davy e Dianna ficariam muito felizes, ninguém iria se opor...

- Ninguém... Exceto a sua mulher, Mike.

- Minha loba sabe que eu a amo mais do que tudo, Louise...

- Por favor, Nez. Eu fico muito agradecida pela sua gentileza, mas não posso aceitar sua oferta. Alana acabou de ter o filhote de vocês, ela ainda está muito sensível. E sei que de qualquer maneira ela não gosta muito de mim. Eu vou embora.

- Promete que vai ficar bem?

- É claro. Até parece que você não me conhece, lobo.

                        

                 Louise beijou o rosto de Mike e foi embora. “Pelo menos eu tentei”, ele suspirou. “Agora... Alice. Espero que pelo menos ela me deixe ajudá-la”. Ele caminhou até a casa de Anastacia Rosely. Bateu à porta e foi atendido pela própria dona da casa.


- Mike Nesmith? Em que posso ajudá-lo? – quis saber a cientista.

- Por favor, Dra. Anastacia, eu desejo muito falar com Alice. Ela está?

- Sim. Venha, vou levá-lo para vê-la.

                                 
                Ana conduziu Mike até uma sala. Enquanto ele passava, os caça-vampiros observavam, curiosos. Sabiam que Alice havia sido o grande amor do lobo, e pensavam se ela acabaria se deitando com ele também.
                                  
              Todavia, Mike não tinha nada disso em mente. Queria apenas conversar com Alice, entender por que ela havia feito aquilo, oferecer um ombro amigo. Não tinha nenhuma segunda intenção. Ele bateu à porta da sala e ouviu a voz de Alice dizer:



- Entre.

- Olá, Alice. – ele sorriu para ela ao entrar.

- Nez! Que surpresa...

                                       
                  Anastacia saiu para deixá-los conversar à vontade.




- Como você está?  - o lobo abraçou a vampira. – Sei que é uma pergunta estúpida, mas...

- Eu estou me sentindo péssima, Nez. Eu só sei magoar as pessoas que são importantes para mim. Palin, Louise... Você. – havia lágrimas nos grandes olhos azuis de Alice.

- Não vamos falar de nós dois. Eu perdoei você. Entendi os motivos que te levaram a ter medo de mim naquela época. Alice, me desculpe, mas... Eu ainda não entendi como pôde...

- Eu também não entendo, Mike, simplesmente não entendo! Traí o meu marido, e a minha alma gêmea... Mas eu também amo Gerd...

- É. Eu sei. – Nez resmungou. Não gostava nem um pouco de Gerd Müller. Se Davy quisesse ajuda para trucidá-lo, o lobo ajudaria o vampiro de bom grado.

- Eu me sinto a pior das criaturas... E para piorar tudo... Nez, eu estou grávida! E esse filho é do Gerd!

                          
                 Mike ficou chocado com a revelação.



- Meu... Meu Deus... Eu não sei o que dizer...

- Não diga nada, apenas me abrace. Por favor, é tudo que eu preciso agora...

                               
               Ele não se fez de rogado. Abraçou fortemente a antiga amada, sentindo o cheiro dos cabelos dela, que tanto amava.



- Alice... Não quer ficar na mansão? Há ainda muitos quartos vazios lá... E sei que Emma, Dianna e Erin ficariam muito felizes se você fosse para lá!

- Não duvido que minhas amigas ficariam contentes em me receber lá... Mas não posso aceitar, Nez.

- Mas... Mas por quê?

- Já estou com má fama, Nez, se eu aceitar sua oferta ainda podem dizer que ando me deitando com você... Que o filho que espero é seu... Toda sorte de calúnias. E também não quero criar tensões entre você e a sua loba.

- Allie tem que entender...

- Nez, não adianta. Eu vou ficar aqui. Eu agradeço de coração, mas infelizmente não tenho como ir para a mansão.

- Então... Por favor, aceite isso, pelo menos.

- O quê...?

                                   
                    Nez aproximou seus lábios dos de Alice, e trocaram um rápido beijo, um selinho.



- Alice... – ele acariciou o rosto da vampira. – Não me entenda mal. Eu amo a Alana com todo o meu ser, senti o imprinting assim que a vi. Mas eu sempre vou ter um lugar muito especial para você em meu coração. Sempre.


- O-Obrigada, Nez. – Alice sorriu. – Também sempre terei um carinho muito grande por você.

                             

                 Ele beijou a mão da vampira e foi embora, se sentindo um pouco mais leve. Ela não aceitou sua oferta de abrigo, contudo, a conversa foi o suficiente para Alice saber que Mike sempre estaria ali para ela.  Na mansão, enquanto isso, Veratti estava em seu quarto, e pegou a bola de cristal para falar com seu superior.



- Signore Hunt! Fechou-se três dias desde que a Frau Müller foi embora. Ela partiu para Frankfurt.

- Excelente, Veratti! – respondeu James Hunt. – Agora vou assumir daqui por diante. Muito em breve ela será “senhora Suzie Hunt”.

                        
                 Veratti guardou seu artefato mágico e voltou a dormir. Ele tinha em mente um plano maléfico para se apossar da Ilha dos Lobisomens, destronar Bobby Moore, acabar com os súditos dele e colocar no lugar deles o Conde Benítez e seus sequazes.
                      Mais tarde, durante a noite, Peter saiu da mansão para encontrar-se com Manuel Neuer, o vampiro casado com Felicity McGold. O mago e o vampiro viram a paixão surgir entre eles após o episódio do rapto das mulheres por Ronnie Peterson.
                    Erin sabia muito bem que seu marido também sentia atração por homens, e aceitava a relação dele com Manuel tranquilamente. Enquanto ela fosse a única mulher para Peter, tudo estava bem. Já Felicity havia previsto que Manuel conheceria Peter e o amaria tanto quanto amava a ela própria. Portanto, Fefe nunca se opôs.



- Tem certeza que sua esposa sabe... Sobre nós? – indagou Manuel, enquanto beijava o corpo de Peter.

- Sim, ela sabe. E nos aceita. Isso não vai mudar, vampiro. Eu te amo e sei que ama a Felicity. Assim como amo minha Erin.

- Sem você e sem Felicity não sei viver, Peter.

- E sem você e sem Erin não sei viver, Manuel.

                            

                       Eles continuaram se amando ardentemente, e, após terminarem o ato, despediram-se com um beijo e voltaram para suas respectivas casas. Ao entrar no quarto, Peter viu Erin ainda em pé.



- Ficou me esperando, meu amor? – ele a beijou suavemente. – Eu te avisei que iria demorar...

- Eu sei, afinal você estava com o Manuel. – ela deu um pequeno sorriso. – Mas na verdade estou acordada porque Sally estava com um pouco de febre. Coloquei alguns panos com água para abaixar a temperatura... Ela dormiu agora há pouco.

- E ela está melhor? Assim me sinto culpado por ter saído...

- Ela está sim. Mas não se preocupe, querido. – ela abraçou o marido por trás.

                           
                        Peter inclinou-se em direção ao bercinho de Sally e beijou a filha na testa. Perguntou à mulher, então:



- Erin... Está muito cansada para nos amarmos?

- Hum... Não sou tão hedonista quanto a minha prima... Mas não, não estou. – ela deu um sorriso malicioso.

- Então venha. – Peter também sorriu.


                      O mago e a esposa passaram a despir um ao outro, e foram para a cama. Naquela noite, Peter amou Erin com a mesma paixão com que amou Manuel algumas horas antes.
                 Na noite seguinte, um incrível duelo mágico por Sepp Maier entre Nora Smith e Holly Grey Charlton, a nova moradora da Ilha dos Lobisomens, ao qual todos os habitantes da ilha estavam assistindo, foi interrompido por um grito de lamento de Felicity.



- NÃOOOOOO! MANUEL!

- Felicity! – Nora exclamou, apreensiva. Ela voltou ao normal e Holly libertou-a. – Minha amiga!

- Você é amiga da profetisa?

- Há muito mais tempo do que você! – Nora respondeu, ríspida, e disparou com os outros para a direção de onde vinha o grito.

                    

                    Holly também seguiu até o local, e todos foram tomados de compaixão pela cena. Felicity chorava sem parar, agoniada, debruçada sobre o corpo inerte de seu marido, com uma estaca cravada no coração. Peter não queria acreditar no que via. Suas pernas chegaram a bambear. Erin segurou o marido com força.



- Não... NÃO!!!! – os olhos de Fefe brilhavam com as lágrimas.

            

                       Próximo ao cadáver de Manuel, havia outro corpo, de mulher. Ela era morena, tinha olhos azuis e traços hispânicos. Estava desfigurada e os braços haviam sido arrancados. Uma espada de prata atravessava seu coração.



- MALDITO BARÃO LAUDA!!! – Felicity bradava em desespero. – MATOU MEU MARIDO!!! MATOU O MANUEL!!! NÃO!!!

              

                       Os moradores do Castelo Beckenbauer estavam incrédulos diante daquilo. Johan sentiu uma grande piedade de sua amada.  Peter estava sofrendo demais, e não conseguiu mais conter isso. Passou a chorar a morte de seu amado tão convulsivamente quanto Felicity, e era fortemente abraçado por Erin. Sua filhinha Sally estava confusa, tentando entender por que seu pai chorava tanto.
                        Quando Ana se aproximou, Felicity pediu:


- Ana, pelo amor de Deus, traga o Manuel de volta! Eu imploro!

                                                         
               Sem hesitar, a cientista deu ordens a Paul e Chris que trouxessem um corpo recém-sepultado. Em seguida disse a Eric Idle e Graham Chapman que carregassem o corpo de Manuel para dentro da casa dela. Lá dentro, Ana pegou o Necromicon, o Livro da Morte, e invocou a entidade.

- O que deseja, Anastacia? – indagou a entidade, de forma masculina.

- Me ajude a ressuscitar um nosferatu. Ele acabou de morrer. O que devo fazer?



              Lamentando, a entidade olhou para Ana balançando a cabeça e respondeu:




- Eu sinto muito, Anastacia. Mas não há nada a ser feito.

- Mas como? Tem que haver.

- E há. Você foi amaldiçoada e com esse bloqueio, não poderei te ajudar.

- Felicity? – Ana inquiriu. – Devo pedir a ela que retire?

- Exatamente. Se ela concordar em retirar a maldição de você, aí sim poderei ajudar a reviver o vampiro.




         Então o espírito desapareceu. Ana foi até a varanda, onde encontrou Felicity sendo amparada por Nora e Micky.



- Felicity, preciso que me ajude. – pediu, olhando no fundo dos olhos castanhos calorosos da profetisa. – Deve retirar a maldição de mim. Caso contrário, não vou conseguir reviver seu marido.

- Amor, faça isso! – pedia Nora. – Perdoe a Ana. Ela protegeu Alice naquele dia. Retire a maldição.


       Felicity ia dizer algo, no entanto, de súbito seus olhos se cerraram.




- Nora, cuidado! – Holly alertou. – Sua amiga vai ser...



                
         Tão rapidamente quanto se fecharam, os olhos da profetisa se abriram novamente. Sua coloração havia mudado. Estavam azuis, e perscrutavam todos os presentes com maldade. Ela falou, num tom que não era o seu:




- Você acha que engana todos com sua complacência, cientista? – ela soava como uma cruel prostituta. – Eu não vou deixar que este corpo retire a maldição, pois você mereceu esse castigo, por trazer a vida para a vampira ali!



      Apontando para Alice, ela se aproximou da vampira de grandes olhos azuis. Mike sentiu um ímpeto para defendê-la. Entretanto, conteve-se. Não queria problemas com Alana.




- Ora, meus parabéns! Pena que este filho não é do lenhador trouxa que você enganou e tampouco do lobo que amou no passado. Mas sim daquele homem! – olhou para Gerd. – Marido adúltero, diz que ama sua esposa e acabou preferindo se refestelar com a antiga noiva. Mentiroso! Nunca resistiu aos prazeres carnais e sabes que sua antiga noiva quase se suicidou por amor?


             
                 Todos ficaram chocados com aquilo, sobretudo Gerd, Nez e Palin.



- E você, vagabunda... – ela cuspiu no rosto de Alice. – Se deitava com a garota, a amada do seu senhor. Dizia que era sua alma gêmea, mas destruiu o casamento dela.



                   A vampira chorava muito e então Fefe, na forma de Betty Blaze, uma meretriz, voltou o olhar para o conde.




- Sentias desejo pelo corpo que habito, pela noiva de seu melhor amigo e agora roubas a noiva do pobre rato austríaco que nada tinha haver contigo!


           Franz não podia negar que no passado sentiu desejo por Felicity, depois por Louise e por fim por Odile.  Em seguida a mulher possuída caminhou até Johan e o fez se sentar na cadeira. Ela sentou em seu colo, olhando para os olhos azuis de Cruyff.

- Sei que sentes desejos por este corpo... Queres possuir ela mais do que sua própria vida. – pegou a mão do doutor e a pousou no seio de Felicity. - Tentou várias vezes deitar-se com outras, mas nunca conseguiu.

-- Não... – Johan tentou negar. A verdade era que ele havia se deitado com muitas mulheres desde que chegou a Munique, inclusive com suas pacientes femininas e com as esposas de nobres, apenas para tentar esquecer Fefe.



               A profetisa possuída sorria maleficamente. Lambeu os lábios do holandês e sussurrou em seu ouvido.



- Sei que se deitou com a menina de olhos azuis, e agora estás dividido. – lançou um olhar para Alice e depois para o médico, rasgando a camisa dele. -- Mas acho que sabemos quem você prefere, doutor. Deite-se comigo e gere um filho!

- NÃO! – gritou Johan, jogando Felicity no chão.



              Nesse momento Micky  e Gerd tentaram segurá-la.



- Fefe, fale comigo! Sou eu, Micky! – o lobo falava com a profetisa, numa tentativa de libertá-la do espírito. 

- Você, lobo, é outro que sente ainda muito desejo por este corpo... Ama sua esposa, tem um filho com ela e no ventre ela carrega mais um... Mas nada faz você se esquecer da profetisa, não é?


                   
                    Micky pensava em algo para dizer, e principalmente para acalmar Emma, quando Holly outra vez sentiu que a mulher sofreria outra possessão.

- SAIAM DE PERTO DELA! OUTRA ALMA MALIGNA VAI SE APOSSAR!



                Contudo, Fefe abriu os olhos e eram de outra cor. Estavam verde-escuro e olhavam com fúria para os dois homens. Agarrou-os pelo pescoço, e os arremessou para longe.



- Micky! – Davy, Peter e Mike correram para ajudar o amigo.



            Renée protegia os filhos de sua prima, Joey e Karin. Karin era apenas uma bebezinha de poucos dias de vida.



- NENHUM HOMEM PODERÁ ME VENCER! – Fefe berrou, e sua voz agora soava trovejante.



         Breitner tentou segurá-la por trás, mas foi derrubado pela profetisa, que havia adquirido uma força prodigiosa. Gerd passou a recear, lembrando-se de Bjorn Borg. A prima de Louise estava tão forte quanto ele.



- Você! – a galesa morena apontava para o vampiro alemão. – Eu sei que desonrou tudo. Dizia que amava a moça alta de olhos azuis e cabelo negro, mas na verdade, era a outra. A loira. Por sua causa, ela foi embora, deixando um vazio nos corações de todas as pessoas!



             Magicamente, surgiram dois floretes nas mãos dela e Fefe deu um a Gerd.



- Vamos lutar, nosferatu! – ela desafiou Gerd. – Quero ver se a vampira loira te ensinou a lutar direito!

              Paul também se colocou em posição para lutar, no entanto, percebeu um tanto tarde que havia aparecido um tipo de bloqueio que impedia aqueles que estavam ao redor de se aproximar e interferir na contenda. Aos outros restava apenas assistir.
             A galesa preparou-se para o combate, em cada mão segurando um florete, partindo com tudo para cima dos dois adversários, de uma só vez. Os movimentos dela eram espetaculares, Fefe não parecia ser aquela profetisa delicada e incapaz de ferir uma mosca. O espírito de um assassino chamado Tony Winstone, um espadachim inglês, havia se apossado dela.
              Rapidamente o caçador acertou de raspão um golpe de espada na mulher, fazendo-a sangrar e em seguida ela deu um empurrão em Paul que o fez parar longe. Ficou então cara a cara com Gerd.
             Ele dava golpes com a espada, contudo, Felicity se desviava com facilidade e esta o atacava mais, perfurando o corpo do vampiro em vários pontos. Mesmo com o sangramento, o vampiro largou a arma e resolveu usar somente as mãos.


- Então, quer com as mãos nuas? Muito bem! – Fefe debochou com sua voz retumbante, soltou a espada e aplicou em Gerd uma série de socos, pontapés e chutes.


                 Gerd não conseguia revidar os movimentos tão ágeis de Felicity, sofrendo mais os ataques da mulher e ela até mesmo o ergueu do chão com sua monstruosa força.


- Meu Deus! – exclamou Nora, assustada, ao ver o vampiro ser jogado no chão com extrema violência. – Como a Fefe fez isso?

- Sua burra! É claro que não é a Fefe que faz isso! – retrucou Holly, impaciente. – É o espírito!

- Ei! Quem é você pra falar assim comigo?

- Meninas, parem! – Alice colocou-se entre elas, impedindo que se atracassem. – Parem de brigar e... Olhem!


                     A profetisa arrastava Gerd pelo calcanhar e depois passou a desferir chutes, então se afastando. Ele empurrou-a e retomou a vantagem. Socou e chutou a profetisa. Ela, no entanto, se erguia como se não estivesse machucada, apenas com um filete de sangue escorrendo do canto da boca, e sorria debochada.


- Já acabou, Gerhard?

                 Em pouco tempo, ela meteu um golpe nas costas do vampiro, deixando-o fraco e em seguida estrangulando-o com uma chave de pescoço, que o sufocou. Gerd ficou enfraquecido e desfaleceu.


- Vá para o inferno, nosferatu, e peça desculpas para sua amada Louise!


              Alice saiu da área magicamente bloqueada e imobilizou Fefe, jogando-a para uma distância considerável.


- Pare! – os olhos de Alice faiscaram, paralisando a profetisa.

- NÃO... ME DEIXE.... MALDITO GERHARD! SERÁS AMALDIÇOADO COM FEBRE E DOR POR TODA ETERNIDADE ASSIM QUE ENTRARES NO CASTELO... – berrou a mulher. Desviou o olhar, porém, caiu no chão.


              Fefe parecia não mais se mexer. Paul e Uli tentaram ajudá-la e Alice foi ao socorro de Gerd.


- Acho que ela não representará ameaça. – Uli disse a Paul, sem perceber que Fefe havia despertado e agora seus olhos tinham cor de mel e estavam esbugalhados. O espírito que havia tomado o corpo dela agora era um ladrão de nome Barry Shields.

- Hehehehehe... – ela ria dos dois e escapou de suas mãos. – Nunca vão me pegar...


                 Ela correu para dentro de casa, sendo seguida pelos outros. Paul e Uli não a encontraram. Quando saíram da mansão de Ana, acharam-na, carregando o amuleto divino do padre, o Necromicon de Ana e o anel de noivado de Nora, e por fim ela arrancou a correntinha com um anel pendurado que Gerd carregava como lembrança de Alice.


- Me devolve isso! – Gerd ordenou.

- Manter algo da meretriz de olhos azuis não fará seu amor por ela renascer. – Fefe ria com escárnio. – E também nunca mais irá ter sua mulher, a bela loira! Hehehehe!

- Paul! Ela está com o meu amuleto! – Uli exclamou.

- Ela tirou meu anel do dedo. – Nora falou.

- Um anel do amor, uma proteção de Deus e o livro da morte! – ela ria de maneira assustadora e corria para cá e para lá.

- DEVOLVA MEU LIVRO, FELICITY! – Ana exigiu, mas não surtiu efeito na profetisa.

- Ora, ora, doutora, não sabia que teves de deitar com a própria morte para conseguir tais dons... – então ela dirigiu seu olhar para Nora. - Já você, menina dos gatos, todos sabem que não tem a bondade em seu peito e sim a rancor, medo e a morte ao seu lado e quando perderes a profetisa, libertarás aquilo que guarda em seu peito.

              
          Nora tentava disfarçar e Sepp a consolava. Todos estavam em pânico em decorrência do perigo que Fefe representava devido à possessão diabólica.

- E você, padre de araque! – apontou para Uli, com um sorriso maléfico nos lábios. - O pecador, boêmio, só porque juras que Deus apareceu para você não significa que é um de seu rebanho. Aquela que se deitou com as trevas e com os lobos está para surgir em sua vida, mostrará os pecados da carne novamente e Deus não terá piedade de você! Sua alma queimará no inferno!

          
          Mais uma vez ela correu para fora da casa e, olhando para os objetos, para ela não tinham significado algum.

- São coisas tão fúteis que vocês guardam... Por que não guardam os poderes de governar os mares?  Por que vocês todos não guardam tesouros, não guardam mais preciosidades? A família de ingleses, os Townshends, desejam mais que tudo dominar o mar e guardar seu tesouro ali!

      

           Nesse momento Holly concentrava seu poder, o que surpreendeu Nora.



- Está na hora de fazer essa profetisa falastrona se aquietar! – ergueu a mão direita, direcionando seu poder. – Revolução Estelar!

            Feixes de luz, semelhantes a pequenos meteoros, atingiram Felicity  e a atacaram. Por fim ela caiu ao chão. Franz e Sepp carregaram-na para a floresta, acompanhados por Nora, Lyanna e Holly. O padre e o caçador também foram.



- Temos de exorcizar essa mulher! – falou Uli, pegando o terço de madeira.

- Exorcismo não vai adiantar. – advertiu Lyanna, olhando para Nora. – Faça sua parte. Salve sua amiga.


           Nora passou a entoar uma música escocesa muito conhecida, numa tentativa de acalmar Felicity, que estava um pouco agitada.


 Sing me a song of a lass that is gone

Say could that lass be I?

Merry of soul she sailed on a day

Over the sea to skye



           Enquanto ela cantava, um véu de energia envolveu Felicity e Nora expulsava os três espíritos do corpo de sua amiga, selando-os dentro de seu próprio corpo. Todavia, um deles, o da prostituta chamada Betty, não pôde conter em seu corpo. O espírito simplesmente escapou e foi-se para a montanha amaldiçoada.
          Holly observou tudo e reconheceu o poder imenso de Nora, que no entanto não era o suficente para selar o terceiro espírito maligno, que poderia voltar a atormentar.


- Mesmo com esse poder, ela mal consegue controlar... – comentou ela, inexpressiva para a avó de Nora.

- Você subestima demais a Nora, alquimista. – a velha feiticeira respondeu. – Se continuar assim, quem vai desaparecer será você.

- E você devia se calar, velha! Deve se preocupar com sua amada netinha. Será mesmo que ela vai aguentar com duas almas ali dentro do corpo? E quem garante dela se controlar e não acabar matando alguém? Ela é uma ameaça para Felicity e para o Sepp.

- Não! – Nora protestou. -- Não posso mais selar almas dentro de mim! A deusa já nasceu comigo, alquimista invejosa! A necromante foi aprisionada porque salvei minha amiga da morte na infância!

- Meça suas palavras, bruxa! Você mal consegue controlar, ao contrário de mim. Tenho isso em mim e, além disso, você se tornou uma ameaça para sua amiga e seu amado!


            Holly olhou então para Fefe, adormecida nos braços de Sepp, e continuou a falar.



- Da próxima vez que nos encontrarmos, farei você desaparecer... Melhor, vou mandá-la para outra dimensão!


            A alquimista desapareceu envolta em aura cósmica, deixando Nora e Lyanna indignadas.



- Alquimista convencida... Ao menos senti que ela temeu mesmo seu poder. Agora descanse com seu gato ruivo.

- Eu tenho medo, vovó! – Nora tinha receio perder Fefe e Sepp mais tarde. – Quando Fefe acordar e ver que Manuel.... Está morto... Ela vai se deprimir demais.


           E assim foi. No outro dia, Felicity despertou. Nora, Ana e todos relataram a ela os acontecimentos da noite anterior e a morte do marido. A cientista não conseguiu ressuscitar o nosferatu, e à noite Manuel foi cremado. 
                Felicity regressou à fazenda, cuidando de Karin e Joey, chorando pela morte do pai. Ela então se entregou à depressão. Peter foi outro que se entregou de corpo e alma ao sofrimento.


- Manuel... Meu vampiro... O que será de mim sem você?


                 Chorando copiosamente, ele entrou no quarto e se trancou ali. Do lado de fora, Erin ouvia o pranto dele, sem saber o que fazer.


- Papai! – Sally chamava, segurando a mão da mãe e com sua livre batendo na porta.

- Deixe o seu pai, meu amorzinho. – Erin pegou a bebê no colo e beijou-a. – Ele precisa ficar sozinho.


                      
                    Passou-se cerca de um mês e meio. Certa manhã Emma foi à fazenda fazer uma visita a Felicity. A loba loira sabia o quanto a galesa ainda era amada por Micky, mesmo ele sentindo o imprinting pela esposa. Por consequência dos eventos das últimas semanas, Emma ofereceu a ela mesma e ao marido para cuidar de Karin. Felicity não recusou a proposta e colocou sua bebê nos braços da loba.

- Eu vou voltar, meu docinho. – disse Fefe, beijando a testa da menininha. – Se é que vou voltar.

- Vai voltar, Felicity! – disse Emma, com esperança. – Por favor, não sofra mais.



                Emma regressou à mansão e Felicity entrou novamente na casa da fazenda, sentando em sua cadeira de balanço e chorando. Enquanto isso, Emma colocava a filhinha de Felicity no antigo bercinho de Christian. Seu filho agora tinha tamanho e aparência de cinco anos, então dormia em sua própria caminha.

- Ela se parece com a mãe. – disse Micky, olhando com ternura para a pequena Karin. – É uma pena tudo o que aconteceu com a Fefe.

- Sim. – Emma suspirou. – Mas vamos cuidar da Karin até a Fefe estar melhor. Como cuidamos do Christian e como cuidaremos da nossa lobinha, que logo vai chegar. Acho que ela e a Karin vão se dar muito bem.


                                                                    VEM POR AÍ...


(Toca Out Of The Woods da Taylor Swift)

Renée (carregando um bebê): É menina, Emma!

                                                                      

                                                                  ***


Emma (vendo Karin rodeada por Jason, Christian e Ami): Essa menina é mesmo encantadora.

Micky: Quero só ver quando as crianças crescerem...


                                                                        ***


Louise (olhando amorosamente para Dianna e Davy): Eu não posso mais esconder! Eu quero vocês dois esta noite!

(Cenas de Louise beijando e fazendo amor com ambos os vampiros)

Dianna: Davy... (colocando a mão do marido em sua barriga) Eu sei que decidimos não ter mais filhos depois das gêmeas... Mas eu estou grávida mais uma vez!

Davy: Ah, Di... (beijando-a) Você sabe que eu sempre quis mais um!


                                                                        ***

Gram Parsons: Volte conosco, Alana! Você pode levar seu filhote!

Chris Hillman: Eu ainda te amo, pequena loba! Seu marido prefere a vampira!

Mike: SÓ VÃO LEVAR MINHA LOBA E MEU FILHOTE POR CIMA DO MEU CADÁVER!


                                                                              ***

Peter: EU SABIA! NÃO FUI COM A SUA CARA DESDE O PRIMEIRO DIA, SEU LOBO CARCAMANO! EU AVISEI A RENÉE PARA FICAR LONGE DE VOCÊ E ELA NÃO ME OUVIU!

Davy: VOCÊ NOS TRAIU!

Veratti: Sim, mas com um propósito, e, muito em breve... Vocês serão massacrados!


                                                                              ***

Gerd: Eu tentei ser educado, seu cotoco de vampiro... Mas você me obriga a ser violento! (colocando a mão no pescoço de Davy e erguendo-o no ar) FALA ONDE ESTÁ A URSINHA! EU SEI QUE VOCÊ SABE!

Dianna (em desespero por ver o marido assim): LARGA ELE, GERD!  Eu sei onde ela está! Se eu te falar, vai soltar meu marido?


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