segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Shades Of Grey: Episódio 1 - What If (Minissérie)

Boa noite! Hoje vou postar uma nova minissérie, que ficará para substituir Hittin' quando acabar. Esta se chama Shades Of  Grey e é levemente inspirada na novela das seis da Rede Globo, Além do Tempo, que eu confesso que assisto assiduamente, hehehehe. Começa com D&D... mas veremos um destaque legal pra OT3 Becky x Joey x Cece. Boa leitura! 










    Dianna Mackenzie estava muito, muito mal. Suas duas filhas, Cecilia e Rebecca, zelavam pela saúde da mãe, e não saíam do lado da cama por nada. As gêmeas estavam preocupadas com o que seria delas se a mãe partisse.
     Para todos os efeitos, não tinham pai. Peter Noone, outrora marido de sua mãe, nunca as tratou bem. E as gêmeas nunca foram ensinadas a tratá-lo como pai. Elas mal se lembravam dele. Dianna deixou a casa de Noone com as meninas quando elas ainda tinham quatro anos de idade. Desde então, Dianna deu duro para criar suas filhas sem qualquer ajuda masculina. Oferecia seus serviços de preceptora em casas de família, porém, não era qualquer família que aceitava empregar uma mãe solteira. Assim, às vezes Dianna precisou realizar serviços mais modestos, como costurar roupas para fora, ofício esse que ensinou às garotas. E também deu seu melhor para educá-las da forma mais primorosa. Cece e Becky não ficavam atrás de nenhuma filha de nobre quando se tratava de cultura.
      A pobre mulher ardia em febre, e tudo o que conseguia dizer eram murmúrios.


- Minhas filhas, oh, minhas pobres filhas... O que vai ser de vocês?

- Mamãe, nós vamos ficar bem. Não se preocupe. – disse Rebecca, beijando a mão da mãe.

- Assim eu espero, minha filha. Cecilia...

- Sim, minha mãe?

- Vá chamar Emma. Por favor...

              
             Cecilia não hesitou. Correu para chamar a antiga vizinha, a melhor amiga de sua mãe. Logo Emma estava ao lado do leito da amiga.


- Cece, Becky, poderiam me deixar a sós com Emma?

             

             As gêmeas não gostaram disso, porém, não iriam contrariar a mãe. Saíram... Mas colaram os ouvidos na porta.


- Di, o que houve? – perguntou Emma, solícita.

- Emma... Eu estou nas últimas. Ai, coitadas das minhas filhas! Você, a Alice e a Erin vão cuidar delas?

- Claro, Di, claro! Mas você vai sair dessa, minha amiga! Vai ver!

- Minha amiga, minha melhor amiga... Está na hora de você saber a verdade sobre o nascimento das 
minhas meninas.

- Di, me desculpe, mas você acha mesmo que eu ignoro o fato de que Cece e Becky são filhas do falecido Conde Jones?

                   

                  Nesse momento Cecilia e Rebecca trocaram um olhar profundamente chocado. Eram filhas bastardas de um nobre?


- Ah... Davy, o meu conde, o meu amor. Foi Noone quem o matou. Aquele verme nojento, eu o odeio...

- Mas se você odeia Noone... Por que se casou com ele?

- Eu tinha que reparar minha honra. Ter um pai para as minhas filhas. Eu não podia simplesmente ir até Davy e pedir que ele assumisse Cece e Becky! Mas de que adiantou? Assim que pôs os olhos nas meninas Noone soube que não eram dele. E isso o levou a provocar aquele acidente na estrada... E Davy... Oh, meu pobre amor! Ao menos eu vou vê-lo...

- Um dia, Dianna. Mas ainda está longe.

- Emma, não tente me ludibriar! Eu sei que estou morrendo! Mas antes... Vou contar tudo a você. E você deverá contar tudo às minhas filhas. Deus reservou minhas últimas forças para contar a história do meu infortúnio.



Vinte anos antes...


                      Foi na primavera. O jovem conde Jones estava de volta à sua propriedade principal, depois de uma visita a Londres no inverno. Ele amava cavalgar pelos campos da região. Numa tarde especialmente bonita, ele ignorou totalmente a chegada da capital de sua noiva, a jovem Amber, filha do Visconde Henderson, e saiu para um passeio montado em seu cavalo preferido. Amber se sentiu muito despeitada, e ele sabia disso. Contudo, sua noiva estava cansada de saber que ele só estava noivo dela para agradar seus pais.
                    Ele cavalgava próximo a uma região íngreme, quando avistou uma jovem sentada no chão. Ela esfregava o tornozelo. Apeou-se do cavalo, amarrou-o a uma árvore e foi até a moça.

- Está tudo bem, senhorita? – quis saber ele. Então ela ergueu seus olhos para ele. Eram os olhos mais lindos que o jovem conde já havia visto.

                     Dianna tentava organizar suas ideias para tentar comunicar àquele belo rapaz a dor que estava sentindo. No entanto, a beleza do rosto dele impedia que se concentrasse em outra coisa.

- Senhorita?

- Eu... Ah... Meu tornozelo. Dói demais.

- O que houve?

- Eu caminhava por aqui, até que escorreguei.

- Espere. Deixe-me ver esse tornozelo. Permite-me?

- S-sim.

                           Ela sentiu um tremor percorrer seu corpo todo quando ele ergueu um pouco da barra da saia dela, para verificar o estado do tornozelo dela. Davy colocou o tornozelo de Dianna com o máximo de delicadeza possível em seu colo.

- AI!

- Mil perdões, senhorita, mil perdões! – ele examinou o tornozelo da jovem. – Não está quebrado, por sorte a senhorita só o torceu. Se assim desejar, eu a levo para sua casa.

- Oh, senhor, é muita gentileza! Obrigada...

                            Com cuidado, Davy pegou a jovem nos braços e colocou-a no lombo do cavalo.  Em seguida, subiu e, com certo receio, colocou os braços ao redor da cintura dela para conseguir segurá-la e guiar o animal.
                          Dianna foi dando as coordenadas, e enquanto isso os dois conversavam muito. Davy não revelou sua nobreza. Temia que a linda jovem ficasse intimidada por isso, e tudo que ele não queria era intimidá-la. Descobriram que gostavam dos mesmos livros, das mesmas peças para piano e das mesmas montagens teatrais. Dianna costumava ter uma vida de certo luxo antes da morte dos seus pais, um casal de diplomatas. A mãe de Dianna, Susan, morreu primeiro, de um acidente de navio, a caminho de um evento internacional em que representaria a Inglaterra. Poucas semanas após a morte da esposa, Lawrence caiu de cama, e morreu depois de um mês de muita agonia para Dianna e seu irmão, Giles.
                        Desde então, Giles trabalhava duro para garantir o sustento dele e da irmã. Finalmente chegaram à casa onde os irmãos órfãos residiam. Como Giles ainda era muito jovem, não recebia o mesmo pagamento de um diplomata experiente. Por isso, ele teve que cortar alguns gastos... Incluindo, infelizmente, demitir uma parte dos criados. Ficaram na casa o velho e fiel mordomo, a cozinheira, o jardineiro e três faxineiras. Os irmãos passaram a dispensar criados de quarto e a cozinheira precisou abrir mão de ajudantes.
                       Dianna desceu do cavalo com a ajuda de Davy e tocou a sineta da porta. Esperava que Cowper, o mordomo, atendesse. Porém, quem apareceu para abrir a porta foi seu próprio irmão, com um robe azul elegante por cima da roupa de dormir.

- Meu irmão! O que está fazendo em pé? O médico te proibiu expressamente...

                           Naquela semana, Giles estava acometido por uma tosse muito forte. O médico havia confessado a Dianna que temia que o quadro evoluísse para algo muito mais grave. Dianna, então, fazia o máximo possível para manter o irmão na cama.

- Eu estou bem, Dianna, fique descansada. Mas e esse rapaz, quem é?

- Oh, este é o sr. David Jones. Um cavalheiro muito gentil. Encontrou-me logo após eu ter escorregado perto daquela região mais íngreme da campina... Segundo ele, eu torci o tornozelo. Portanto, ele colocou-me no dorso de seu cavalo e me trouxe até aqui...

                                Giles estudou minuciosamente o jovem cavalheiro, de alto a baixo. De fato, uma boa aparência, apesar da baixa estatura. Roupas muito elegantes, na última moda da corte. Decerto era detentor de muitas posses. Porém... Tal homem poderia ter a mulher que quiser. Portanto... Giles o queria o mais longe possível de sua amada irmãzinha Dianna.

- Bom, muito obrigado por ter ajudado a minha irmã, sr. Jones. – disse Giles, um pouco seco.

                             
                            Davy notou o desagrado do rapaz.


- Foi um prazer. – disse ele, polidamente. Fez uma mesura para Giles e beijou a mão de Dianna, e então foi embora.

                            
                          
                             Passaram-se dois meses. Dianna e Davy não conseguiam se esquecer um do outro. Giles percebia isso em sua irmã, e ficava irritado por isso. Não queria de modo algum que ela se apaixonasse por um homem daqueles.
                             E Amber percebia que seu noivo não lhe dava a mínima. Certa tarde, Davy pensava na bela garota, quando foi interrompido por um grito irritado da noiva.


- Davy!!! Estou falando com você!!!

- Mil desculpas, Amber. – disse ele, sem o mínimo esforço para disfarçar a impaciência. – O que você estava dizendo?

- Estou dizendo que você precisa mandar consertar sua carruagem mais bonita! Eu tenho que chegar triunfante à igreja!

- Amber... Para quem você vai se exibir nesta região?

- Ora! Para toda a nobreza londrina, que virá para prestigiar nosso casamento, meu querido!

                           
                            O jovem conde odiava ser chamado de “meu querido” por Amber, e ela estava perfeitamente consciente disso, porém, insistia no chamamento, apenas para irritar o noivo. “Por que concordei em pedir essa petulante em casamento só para agradar papai? Deveria ter dito que se não fosse de Nami, nunca mais ficaria noivo!”
                            Nami Okawa, a antiga noiva de Davy, era a filha mais nova do imperador do Japão, e era uma jovem bonita, bem-educada, culta e agradável. Contudo... Havia morrido em circunstâncias muito suspeitas, em sua viagem de volta para o Japão, após uma visita a Davy na Inglaterra.
                             Davy havia amado muito sua antiga noiva... E agora sentia aquela sensação de ser dominado pela paixão novamente. Porém, o que sentia pela jovem do tornozelo machucado, Dianna Mackenzie, era ainda mais pungente. Parecia... Errado ficarem separados. Se estivesse nas raias da loucura, desmancharia o compromisso com Amber e correria à casa da moça para pedi-la em casamento. No entanto, o bom-senso o impedia de fazer isso. Dianna jamais concordaria em casar-se com um homem que só havia visto uma única vez e do qual provavelmente já havia se esquecido.
                             Enquanto Davy lamentava aquele destino, Dianna também lamentava o seu, cuidando do irmão doente. O médico havia sido franco com ela: Giles sofria de tuberculose. Estava fazendo de tudo para impedir que o rapaz cedesse... Mas estava receoso.
                               Dianna temia muito a possibilidade de perder o irmão. A única família que lhe restaria seria sua tia Lucy, viúva do irmão de sua mãe, e sua querida prima Erin. Dianna não queria se tornar um fardo para elas, que já viviam numa situação complicada.

- Oh meu Deus, o que farei se o tempo do meu irmão aqui estiver chegando ao fim? Não posso abusar da bondade da tia Lucy e da Erin, elas mal conseguem viver com a herança do tio Howard... Coitado, perdeu praticamente todo o seu dinheiro naqueles investimentos... Abusaram da boa-fé dele. Só há uma coisa a fazer: usar toda a boa educação que recebi para me tornar preceptora. Exato! É isso que farei!

                                    Mais tarde, Dianna foi chamada ao leito do enfermo.


- Dianna, minha irmã querida, posso lhe pedir alguma coisa? – quis saber o pobre rapaz, segurando a mão da jovem.

- Claro, Giles. Qualquer coisa. – Dianna afagava o rosto do irmão.

- Aceite o pedido de casamento de Peter Noone.

                                    Dianna soltou a mão do irmão e parou de afagar seu rosto.


- NÃO! EU PREFIRO VIRAR UMA MULHER DA VIDA!

- NÃO DIGA ESSA TAMANHA BESTEIRA, DIANNA!

- Desculpe-me, Giles, mas eu não posso me casar com ele! Ele é um ser desprezível!

     
                                    Peter Noone era um jovem advogado, que estava ganhando muito dinheiro no exercício da profissão, era profundamente arrogante e... Estava louco para se casar com Dianna. Ela não podia suportar a ideia de se unir a um homem daqueles.

- Dianna! Você ficará desvalida se não se casar com ele!

- Não me importo! Trabalharei para garantir meu próprio sustento, meu irmão, mas jamais, jamais, me tornarei mulher daquele prepotente!

- Dianna, me escute, eu sou homem e sou seu irmão...

- POR SER MEU IRMÃO TE ESCUTO, MAS NÃO POR SER HOMEM! Giles, eu te amo muito, mas não posso atender esse pedido! Isso significaria abrir mão dos meus princípios!

- Minha irmã... Está bem, se não quer se casar com Noone, não tenho alternativa senão me conformar com isso. Mas me prometa que nunca, nunca, por nada neste mundo, cederá às investidas de um homem como aquele David Jones!

                       
                      O coração de Dianna se apertou. Era com um homem como David Jones que desejava se casar, se um dia isso se mostrasse necessário. Ela suspirou e disse:

- Eu... Prometo, Giles.

- Assim posso morrer feliz, Dianna. Eu te amo.

                           
                        E ele expirou.


- NÃO! NÃO! GILES! MEU IRMÃO!

                          

                         Dianna debruçou-se sobre o corpo do irmão e pranteou-o longamente. Fez a tia e a prima receberem a triste notícia. Elas vieram para ajudar Dianna com o enterro e confortá-la, depois de dois dias.
                           E passaram os setes dias de luto. Dianna decidiu que era hora de seguir em frente. Pegou os últimos salários de Giles, pagou o que devia a cada um dos criados e deu, pesarosa, a notícia de que eles estariam demitidos assim que ela não recebesse mais a indenização que o governo inglês lhe devia pela morte do irmão, o que deveria acontecer dentro de dois meses.
                         Acabado o período de dois meses, Dianna não teve escolha a não ser despedir aqueles criados que serviram à sua família com tanta dedicação, por quem ela guardava um carinho enorme.

- Boa sorte, patroazinha. – disse Cowper à jovem com um sorriso.

- Obrigada. – ela retribuiu o sorriso do mordomo, e em seguida foi abraçada pelo restante dos criados.

                             
                   Dianna havia colocado a antiga casa da família à venda, e logo o novo comprador chegaria. Porém, uma certa manhã, o leiteiro chegou com uma notícia que logo colocou uma nova esperança na vida de Dianna:


- Srta. Mackenzie, está procurando emprego de preceptora, não está?

- Sim, Jenkins, por quê?

- Porque acabou de chegar de Londres o irmãozinho temporão do jovem conde. Ele está procurando uma preceptora para o garoto.

- Oh, obrigada, Jenkins!

                             
                           Naquela mesma tarde Dianna foi até o casarão para a entrevista de emprego.


- Bem, srta. Mackenzie, - disse o sr. Rafelson, administrador do jovem conde – a senhorita é, sem a menor sombra de dúvida, a melhor candidata a preceptora do pequeno sr. Henry que apareceu. Nenhuma tem o seu preparo e sua vasta cultura.

- Oh, eu fico lisonjeada, senhor.

- Portanto, como ninguém se compara à senhorita, o emprego é seu!

                             Dianna não pôde conter a alegria. A sorte começava a lhe sorrir!

- Obrigada, sr. Rafelson, obrigada, obrigada!

- Bem, o conde me deu ordens para ser apresentado à escolhida assim que ela fosse contratada. Assine estes papéis enquanto eu o chamo.

- Está bem. – disse Dianna, já pegando os papéis e molhando a pena.

                               Quando ela havia terminado de assinar o contrato, ouviu a porta da saleta abrir-se outra vez. Ergueu-se, ajeitou o cabelo e as roupas. Então... Viu seu novo patrão. Seu espanto não era nada pequeno. Era David Jones! “Ele... Um conde?”

- Então esta é a nova preceptora do meu irmão, Rafelson? – perguntou Davy.

- Sim, senhor conde. A srta. Mackenzie se mostrou ideal para a função. – respondeu o administrador.

- Acredito que fará um excelente trabalho com Henry, srta. Mackenzie. – disse o jovem conde, pegando a mão de Dianna e beijando.

                 O administrador achou aquela gentileza um pouco excessiva, mas sabia que o conde era um rapaz extremamente bem-educado.


- Eu farei o melhor que puder, senhor. – Dianna respondeu, corando.  

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