Dianna Mackenzie e Davy Jones estavam
em seu quarto, na casa que o casal mantinha em Londres. Havia algum tempo que
os Monkees haviam trocado a América pela Inglaterra. Ele dormia na cama, após
os apaixonados terem tomado banho juntos. Estava cansado pelo longo dia que
havia tido no estúdio, gravando novas músicas para seu álbum solo.
Já Dianna apenas
observava o sono de seu amado, agora marido. No espelho, ela contemplava seu
ventre em crescimento, onde se desenvolvia o fruto daquele amor, tão forte, tão
intenso, por um tempo tão cheio de percalços. Agora, finalmente haviam
conseguido se acertar definitivamente. Casaram-se em uma cerimônia simples, na
qual estavam presentes todos os amigos do casal, e na lua de mel em Paris,
cinco meses antes, geraram o bebê que Dianna esperava.
Além disso, para
deixar o casal mais feliz, Davy trabalhava em um novo álbum, que incluía
músicas escritas para a esposa, e Dianna estava concluindo dois livros: uma
coletânea de poemas, a maioria deles inspirados por Davy, e um livro teórico de
história, acerca da história das mulheres na Inglaterra, da Idade Média até o
fim da década de 1960. Dianna era uma historiadora especializada em História da
Família, e as mulheres e suas lutas por tratamento equânime, melhores condições
de trabalho e respeito em todos os ambientes eram o seu tema favorito. Davy
sempre incentivava sua esposa, e mostrava muito interesse pelos estudos e
pesquisas dela, contudo, naquele momento, tentava convencê-la a segurar um
pouco a onda. Mesmo grávida, Dianna não queria saber de descanso.
Dianna
passou a rememorar todos os acontecimentos que haviam conduzido até aquela
felicidade conjugal. Os acontecimentos não haviam sido todos tão felizes
assim...
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No fim de 1967, um ano após Dianna e
Davy terem conseguido retomar seu namoro, interrompido por Peter e sua comparsa
Amber Henderson, os Monkees viajaram ao Japão para uma turnê. Dianna,
normalmente, já ficaria receosa, pois, admitia, era muito ciumenta. Porém,
aquela situação apresentava um agravante: era lá que Nami Okawa, a ex-namorada
de Davy, vivia. E se eles se reencontrassem? E se Davy tivesse uma recaída? O
coração de Dianna parecia prestes a sair pela boca quando ela pensava nessas
possibilidades. “Que não aconteça nada
disso... Eu não vou suportar...”, ela pensava.
Infelizmente, os temores da jovem professora de história se
justificaram. Ao retornar da viagem, Davy ligou para ela.
- Alô? Dianna?
- Cuddly Toy! Até que enfim você chegou! Eu estava louca de
saudades de você...
- Dianna, me desculpe, mas... Acabou.
- Acabou? Acabou o quê?
- Nosso namoro.
Dianna
ficou quieta, sem conseguir acreditar no que havia acabado de ouvir. Será que
havia entendido bem?
- Nosso... Nosso namoro? VOCÊ ESTÁ TERMINANDO COMIGO, DAVID
JONES?
- Estou. Mil perdões,
no entanto... Eu não amo mais você. Não podemos continuar juntos.
- COMO ASSIM VOCÊ NÃO ME AMA MAIS? POIS SE DA ÚLTIMA VEZ QUE
ME LIGOU VOCÊ DISSE QUE EU ERA TUDO PARA VOCÊ, SEU CRETINO!
- Aconteceram... Coisas. Que me fizeram repensar meus
sentimentos.
- COISAS? O QUE HOUVE? VOCÊ ME TRAIU?
Davy
nada respondeu. “Quem cala consente”, Dianna pensou.
- ADEUS, DAVY! SAIBA QUE, SE MAIS TARDE RESOLVER ME
PROCURAR, QUEM NÃO VAI QUERER NADA COM VOCÊ SEREI EU!
Ela
bateu o telefone no gancho. Do outro lado da linha, Davy já estava se sentindo
mal. Não sabia se havia feito a escolha correta... O tempo diria.
Dianna, primeiramente, teve uma explosão de raiva.
- Que ódio, que ódio, que ódio!!! – ela gritou, atirando as
almofadas de sua cama contra a parede. – Eu odeio aquele anão mentiroso!!!
Aquela carinha de anjo esconde um safado, um maldito de um safado!!!
Seus
gritos de raiva e sofrimento chamaram a atenção de sua tia e sua prima.
- Erin, vá ver o que está acontecendo, sim? – disse Lucy à
filha.
- Está bem, mamãe. Eu estou até com medo de ir ver...
Erin subiu as escadas e bateu
cautelosamente à porta do quarto de Dianna.
- Di? Tá tudo bem?
- NÃO!
- Posso entrar?
- ME DEIXA, ERIN! EU PRECISO FICAR SOZINHA!
Assustada, a prima de Dianna desceu de volta à sala. “A situação exige
medidas imediatas”, pensou ela. Pegou o telefone e discou o número de Alice.
Depois ligaria para a casa de Emma.
- Alice? É você? Me ajuda, amiga!
- Meu Deus, Erin, respira, mulher! O que houve?
- É a Di! A criatura tá surtando trancada no quarto e não
quer me deixar entrar!
- Pra Di surtar só há
uma explicação plausível e se chama Davy Jones! Eu juro que se eu descobrir o
que ele fez, ele vai se arrepender de ter nascido, porque eu vou matar ele!!! –
Erin ouviu a voz de Emma ao fundo.
- Ah, a Emma está aí? Venham logo, meninas!
- Calma, Erin, estamos a caminho! – disse Alice, desligando
em seguida.
Alice e Emma entraram no carro da jornalista galesa e correram para a
casa da sra. Hudson. Erin já estava à
espera das amigas na porta.
- Você disse que Di estava surtando no quarto, Erin? – Alice
indagou.
- Sim! Ela não parava de gritar algo como “Que ódio!
Maldito!”, pelo que pude entender. –
Erin confirmou.
- “Maldito”? Isso só se aplica a uma pessoa... – Emma falou.
- Davy. – as amigas completaram.
As
três entraram correndo na casa e subiram as escadas. Desta vez, Emma bateu à
porta.
- Dianna, você não vai se recusar a abrir a porta para a sua
melhor amiga! – exclamou ela.
- Ai... Só um minuto, Emma. – disse Dianna, num tom que
denunciava que havia chorado.
Emma,
Alice e Erin viram a maçaneta da porta girar, e se depararam com uma Dianna
cujos olhos estavam vermelhos e inchados, as maçãs do rosto vermelhas e
molhadas.
- Di, pelo amor de Deus, o que aconteceu? – Alice quis
saber, os olhos arregalados.
- Alice... Ele...
- Ele? Davy? – Erin inquiriu.
- Sim... Ai, ai, meu Deus...
- O QUE TEM O DAVY? FALA! –
exclamou Emma, nervosa.
- Ele terminou comigo! Ele me traiu
lá no Japão e agora me deixou! – ao dizer isso, Dianna colocou o rosto nas
mãos, voltando a chorar copiosamente.
As amigas de Dianna estavam
estarrecidas com a notícia. Emma abraçou Dianna, enterrando o rosto de sua
amiga maternalmente em seu peito e acariciando seu cabelo longo e loiro. Alice
e Erin se juntaram às duas no abraço. Depois de passados longos minutos, se
separaram.
- Melhor? – quis saber Emma,
oferecendo um pequeno sorriso à sua amiga querida.
- Não... Eu só ficaria bem se
apagassem da minha memória a existência daquele idiota e tudo que tivemos... Eu
não queria amar tanto assim... Ah, meninas, já amaram como eu amei aquele
babaca? Já tiveram alguém que... Significasse tanto para vocês, por quem vocês
seriam capazes de tudo e mais um pouco? Um relacionamento que parecia perfeito,
em que vocês e eles fossem tão... Como posso dizer? Tão... Unidos, tão colados,
e ao mesmo tempo livres? Um relacionamento em que qualquer hora é boa para
fazer amor, e ao fazer amor vocês sentissem que eles foram enviados pelo céu
especialmente para vocês? Era assim
entre mim e Davy... E agora... Eu vejo tudo desmoronar. Foi tudo uma mentira, uma farsa, um sonho, um
delírio... Como pude ser tão leviana, e esperar que ele fosse um príncipe
encantado?
- Di... E se... Não foi realmente
uma mentira? E se ele te amou de verdade, mas, por uma série de circunstâncias,
achou que o que ele sentia antes não existe mais? – Erin tentou amenizar a
situação.
- Prima, se ele de fato me
amasse... Não teria sido infiel.
***
1969
- Ah, Davy, mesmo depois de dois anos eu ainda não consigo
acreditar que você me aceitou de volta! – Nami suspirava e afagava os cabelos
castanhos do vocalista dos Monkees.
- Nem eu, Nami. – Davy soltou um suspiro pesado... E
insatisfeito.
Nos
primeiros tempos após ter rompido com Dianna, Davy se convenceu, até certo
ponto, de que havia feito o certo ao escolher ficar com Nami. Entretanto,
depois de completo um ano com ela, em
novembro de 1968, o Monkee se deu conta do equívoco.
Começou a
sonhar com Dianna. Dava graças a Deus por não falar enquanto dormia. Enquanto
fazia sexo com a japonesa, imaginava sua ex no lugar dela. Sua ex, que o
completava em tudo... Que era tão ciumenta e amorosa... E tão linda, tão
inteligente, tão perfeita.
Nami tinha
suas qualidades, e faria qualquer homem feliz. Todavia, Davy não havia se
esquecido completamente do fato que havia provocado sua separação: a traição
dela com Eric Clapton.
Tudo era
uma grande bola de neve de traições, ou suspeitas delas: Clapton suspeitava que
Rosie Donovan o traía com John Lennon, traiu Rosie com Nami, Nami traiu Davy
com Eric e algum tempo depois dessa primeira parte Davy traiu Dianna com Nami.
Agora ele
pagava por seu erro. Nami parecia estar arrependida do que havia feito a Davy
no passado e gostar dele verdadeiramente, porém ele estava infeliz, pois sabia
que, por mais que gostasse dele, Nami nunca daria a Davy metade do amor que
Dianna deu.
Precisava de conselho. Então, decidiu escrever para a pessoa que mais
sabia em quem poderia confiar, e que também confiava nele inabalavelmente:
Louise McGold, sua amiga de infância.
Los Angeles, 15 de
dezembro de 1969.
Querida Lulu,
Eu estou completamente
perdido. Eu não sei o que fazer. O namoro com Nami está insustentável. Eu
julguei que seria feliz com ela novamente... Doce ilusão.
É em Dianna que eu
penso, Lulu, é ela quem eu amo com todo o meu ser. Eu a quero, mas sei que ela
não vai me aceitar de volta. Não posso culpá-la por isso.
Ajude-me, por favor,
me dê uma luz! Mas bem, como vai você? Ainda com o Beck? Ah, e eu vi você
atuando como Catherine na TV, estava ótima! Ver “O Morro dos Ventos Uivantes”
sempre me lembra Di... Você sabe, é o livro favorito dela... Ainda bem que
seguiu meu conselho!
Beijos,
seu eterno amigo,
Davy
.........................................................................................................................................................
Do outro lado de Los Angeles, Dianna acordou inspirada para escrever
mais um dos seus poemas. No entanto, tal poema não era para Peter, o seu atual
namorado. Ele nunca havia conseguido ser o “muso” de Dianna. Era para Davy.
De desejo doente,
Ávida por teu beijo.
Vês meu corpo todo fremente.
Intensamente te almejo...
Doce amor.
Dianna
não conseguia entender por que, após tanto tempo, havia sonhado com Davy...
Sonhado que estavam se amando, como se nada tivesse acontecido. Aquele sonho
louco havia produzido o poema.
- Eu não me entendo! Por quê? Depois de dois anos, eu ainda
penso nele? E ainda mais estando com Peter?
Tinha
que encarar a realidade. Não amava Peter. Nunca amou. Não o amou quando ficaram
juntos em 1966, não amava agora. Foi até a estante onde ficavam seus compactos,
pegou um das Supremes, seu girl group preferido, ligou a vitrola, colocou o
compacto e abaixou a agulha. Passou a acompanhar as Supremes na canção.
- Set me
free, why don’tcha babe, get out of my life, why don’tcha babe, ‘cause you
don’t really love me, you just keep me hangin’ on… You don’t really need me,
but you keep me hangin’ on…
“Você é uma idiota, Dianna. Qualquer
mulher com um mínimo de cérebro já teria se esquecido de um desgraçado como ele
há séculos”.
- Why do
you keep a coming around, playing with my heart? Why don’t you get out of my
life, and let me make a new start? Let me get over you, the way you’ve gotten
over me…
Seu canto foi interrompido
por uma batida na porta.
- Di, posso entrar? A mamãe acabou de passar uns vestidos
seus...
- Claro, Erin. Entra.
Erin entrou no quarto trazendo uma pilha de
vestidos limpos e passados.
- Coloque aí em cima da cama que depois os guardo
direitinho. – disse Dianna.
- Ok. – disse Erin, fazendo como indicado pela prima. – Você
estava ouvindo You Keep Me Hangin’ On...
Estava pensando no Davy?
- Como você sabe disso?
- Desde que terminaram, se você está ouvindo essa música ou Love Hurts dos Everly Brothers, é porque
está pensando nele.
Dianna suspirou.
- É verdade. Ah, Erin, eu já devia ter aprendido! Querer
aquele anão desgraçado significa quebrar a cara de novo, de novo e de novo!
- Bom... Quer ouvir a música que estou aprendendo a tocar no
piano?
- Claro! Me mostre!
As duas primas foram até a salinha onde ficava o piano de Erin. Ela se
sentou na banqueta diante do piano, enquanto Dianna se sentou no braço da
poltrona ao lado. Dianna reconheceu a música logo no primeiro acorde.
- I Can’t Stop Loving You do Ray Charles.
- Sim. – Erin confirmou.
- Vai tocá-la para o Joshua?
- Joshua? Não... Eu não sinto mais nada por ele. Na
verdade... Posso ser sincera com você, Di?
- Claro, Erin! Sou sua prima e sua amiga! Sabe que pode me
contar tudo!
- Eu queria tocá-la para... O Peter. Foi por ele que
terminei com o Joshua.
Dianna quase caiu do braço para o assento do
sofá ao ouvir isso.
- Erin, você está a fim do Peter?
- Eu... Estou sim. Não fique brava comigo...
- Não fico! Eu sei que você irá cuidar dele. Ele merece
alguém como você, prima.
- Você acha mesmo?
- Acho sim! Vou dar uma força para vocês ficarem juntos. –
Dianna sorriu para Erin. – Quer ver o poema que escrevi?
- Sim, por favor! Adoro seus poemas.
As
primas voltaram ao quarto de Dianna, que pegou seu caderno de poemas e mostrou
o último poema escrito a Erin.
- Puxa, Di... É lindo, é profundo. E adorei a ideia de
escrever como um acróstico...
- Não é um acróstico, Erin!
- É claro que é! Veja! É uma estrofe de cinco versos... Um
começa com D, o outro com A, o terceiro com V, o quarto com I e o último... Com
D.
- Eu... Não tinha percebido... – Dianna deu um pequeno
sorriso.
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Uma semana depois, chegou a resposta de Louise
à carta de Davy.
Londres, 22 de
dezembro de 1969.
Querido Davy,
Eu vou indo bem... Não
estou mais com o Beck, mas sim com Timothy Dalton... Você sabe, ele é o
intérprete de Heathcliff na série de “O Morro dos Ventos Uivantes”. Fico feliz
que você goste de minha atuação, e que isso te ajude a se lembrar da sua
amada...
Mas eu te disse que
você iria fazer besteira se voltasse para a Nami! Mas você me escuta, seu
teimoso? Não! Agora está pagando pelo erro...
Porém, te digo algo:
se está infeliz com ela, deve terminar o relacionamento. É melhor para ambos.
Ademais, se ama mesmo Dianna, deve lutar por ela com todas as suas forças, meu
amigo! Eu sei, não será fácil, depois do que você fez...
No entanto... Eu tenho
uma sensação de que ela ainda vai perdoar você. Pode ser que demore, mas ela
vai conceder a você seu perdão. Sinto que, assim como você não vive sem ela,
ela não vive sem você. Tenha fé e não desista, Davy!
Beijos da amiga que te ama,
Lulu
Ao terminar de ler a carta, Davy soltou um
suspiro. “Está certíssima, Lulu...”. Foi até a cozinha, onde estava Nami,
tomando um copo de suco.
- Nami...
- Sim, Davy? – ela perguntou, com um sorriso.
- Eu tenho que te dizer uma coisa... E você não vai gostar
do que eu tenho a dizer.
O sorriso desapareceu do
rosto de Nami.
- O quê...?
- Nami... Acabou. Outra vez. De uma vez por todas.
Ela
ficou quieta, digerindo a informação. Davy tentava ler algo nos olhos
amendoados de Nami. Ela o encarou com firmeza, sem sinal de lágrimas, embora
estivesse sim triste:
- Eu já imaginava.
- Já... Imaginava?
- Você não se esqueceu da Dianna, eu sei, mesmo depois
desses dois anos separados. Você às vezes chama por ela no seu sono. Você está sempre cantando aquela música do
Paul Anka com o nome dela.
- Eu... Mal me toquei sobre a música...
- Eu sou a culpada de tudo isso. Estava brava porque Clapton
me trocou por aquela modelo, a Pattie Boyd... Quis você para amenizar a dor...
- Não, o culpado sou eu. Fiz uma grande burrada, e só causei
mágoa para nós três. Eu, você e Di.
Davy
abaixou a cabeça, sem saber mais o que dizer. Nami tocou o rosto dele.
- Quer um conselho de amiga? Vá atrás dela. Eu não sei
explicar, mas aqui dentro eu sinto que ela sente a mesma tristeza que
você. Ela precisa de você, assim como
você precisa dela.
- Obrigado, Nami. – Davy deu um pequeno sorriso.
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Dianna não queria admitir, entretanto, a cada
dia sentia mais saudade de Davy. Um dia, ao voltar do colégio onde lecionava,
ligou o rádio de seu carro. Tocava
My World Is Empty Without You, das
suas adoradas Supremes.
My world is empty without you, baby
My world is empty without you, baby
And as I go my way alone
I find it hard for me to carry on
I need your strength
I need your tender touch
I need the love, my dear
I miss so much…
My world is empty without you, baby
And as I go my way alone
I find it hard for me to carry on
I need your strength
I need your tender touch
I need the love, my dear
I miss so much…
Ela sabia que negar era inútil. Ainda amava
o Monkee com todo o seu coração. Porém, não podia perdoá-lo. Ele não
merecia. “Eu já disse isso mil vezes, e
digo mais uma vez... Eu não queria amar Davy assim... Aliás, queria não
amá-lo...”.
Ao chegar em
casa, viu Peter e Erin... Ele sentado na poltrona, ela no colo dele. Os dois se
beijavam ardorosamente.
- Ora, ora, ora! Quem diria! – disse ela, feliz por sua prima
ter conquistado o homem que amava, afinal.
- Di! – os dois exclamaram, tomados de surpresa pelo flagra.
- Bom... Acho que os dois sabem que não estou incomodada.
Pelo contrário, fico tão contente por vocês!
- Di,
eu queria que soubesse que... – Peter
tentava organizar como expressaria o que pensava sobre seu relacionamento com
ela. – Eu gosto muito de você... Como minha amiga.
- Eu
sei, Peter. Também guardo afeto por você como meu amigo.
- É
exatamente como há três anos... Mais uma tentativa frustrada. Em 67, logo que
Davy terminou com você... Eu ainda te amava. Mas, gradativamente, o amor foi...
Esfriando. Não sinto mais amor ou desejo por você. Só amizade. Quero que você
fique bem e feliz. Com Davy, de
preferência.
Dianna suspirou.
- Não
estou muito certa sobre a última parte... Mas eu também desejo mais do que tudo
que você seja feliz, Peter! Sou grata por ser tão legal e compreensivo comigo.
Você merece alguém como a Erin.
O baixista olhou para a
professora de literatura que era florista e pianista nas horas vagas. Não podia
negar o quanto Erin o encantava. Ela parecia uma linda ninfa, sempre meiga e
delicada.
-
Obrigado, Di. – os dois disseram em coro. Era visível o quanto estavam felizes.
***
1970 (janeiro)
Fazia alguns dias desde o Ano Novo. Davy havia decidido que sua
resolução de Ano Novo seria reconquistar Dianna e ser o melhor namorado do
mundo. Nunca mais a decepcionaria, nunca mais. Sabia que seria difícil, que
Dianna era teimosa, cabeça-dura. Não que ele a culpasse. Ele merecia que ela
tivesse raiva. Que o quisesse longe.
Já
ela havia tomado como resolução esquecê-lo de uma vez por todas. Conservar
aquele amor só trazia mais sofrimento. Ela não podia mais suportar. Não era mero orgulho. Ela sentia que todo o
amor que dedicava a Davy era em vão. Para que amar uma pessoa que jogaria tudo
fora na primeira oportunidade? Ela amava odiá-lo. E odiava amá-lo.
Certa tarde, Dianna e Erin estavam recebendo Alice e Emma em sua casa.
Passariam a tarde vendo reprises de Star
Trek e ouvindo discos. Já estava começando a terceira e última reprise do
dia, quando Erin derrubou o copo de refrigerante no chão. O copo estilhaçou.
Dianna ajudou a prima a limpar a sujeira, indo buscar a vassoura e a pá para
varrer os cacos enquanto Erin pegava um pano de chão. As duas primas tinham
terminado a limpeza e Dianna tinha acabado de virar os cacos da pá para a lata
de lixo quando a campainha tocou. Dianna foi atender, ainda de vassoura na mão.
- VOCÊ! – Dianna exclamou, ao ver no umbral ninguém mais,
ninguém menos do que ele.
- Olá, Di. – disse Davy, com um sorriso. – Será que podemos
conversar?
- Conversar? Conversar sobre o quê? Acho que tudo o que
tínhamos a dizer um para o outro foi dito naquele dia. – ela disse, mordaz.
- Não, nem tudo! Eu agora sei algo que naquele dia não sabia
de fato: que te amo tanto, tanto, tanto que não posso viver longe de você,
Dianna Mackenzie! Eu te quero, te quero para o resto da minha vida, para ser a
minha companheira, a minha amiga, e especialmente a minha mulher! Serei fiel,
amarei você, e somente você! Desdobrarei parte desse amor somente para nossos
filhos, mas tal amor seria uma extensão do meu amor por v...
- CALA ESSA BOCA, DAVID! – Dianna gritou, furiosa. – COM QUE
DIREITO VOCÊ VEM AQUI ME DIZER ESSAS PALAVRAS, ACHANDO QUE VOU ME ENTREGAR PARA
VOCÊ COMO UMA... COMO UMA MULHER TOLA, QUE VOCÊ SABE BEM DEMAIS QUE NÃO SOU?
- Mas, Di...
- EU NÃO QUERO OUVIR MAIS NADA!
- Faz muito bem em não dar ouvidos a ele, Di! – exclamou
Emma. – Ele é um canalha!
- Mas, Emma, você foi capaz de perdoar Nez pelo que ele fez
a mim e a você... – Alice disse.
- Demorou muito tempo para eu me esquecer daquele dia em que
Nez se meteu numa briga com o Donovan por sua causa, Alice! Bem na minha
frente!
Alice
calou-se. Erin permanecia assistindo a tudo calada.
- Emma, entendo que me odeie pelo que fiz com a Di, mas...
- Escute aqui, seu anão, eu só não vou te matar porque não
estou a fim de ir presa! – Emma rugiu.
Davy
estava assustado com aquele modo de agir de Emma, normalmente tão calma e
educada. Pelo menos isso significava o quanto Dianna era abençoada por ter uma
melhor amiga tão dedicada.
- VÁ EMBORA, DAVY! – disse Dianna, tremendo, a mão livre
abrindo e fechando.
Ao mesmo
tempo em que ficava um pouco feliz por vê-lo, Dianna estava mortificada. Não
suportava ficar perto dele, o homem que a havia enganado e a trocado por uma
ex-namorada infiel. Admirava o rosto amado, e simultaneamente queria
estapeá-lo, que ele bem que merecia.
- Dianna, por favor, eu te amo, de verdade, por que não
consegue acredit... AAAAI!
Dianna
havia acabado de descer-lhe a vassoura nas costas.
- VAI EMBORA! SAI DA MINHA FRENTE, SEU FILHO DA PUTA! EU TE
ODEIO, EU TE ODEIO! – ela gritava, começando a verter lágrimas, diante das
amigas chocadas.
- Di, calma, a vizinhança toda vai ver assim... – Erin
tentou parar com aquilo.
- Eu vou, eu vou! – Davy exclamou. – Pare de me dar
vassouradas, Di, por favor.
- Se você me chamar de Di outra vez...
- Tá bom, tá bom, já fui! – disse ele, correndo dali.
- Já vai tarde!
Ela
bateu a porta com força. Soltou o que lembrava um rosnado e suspirou,
recostando-se à porta. Deslizou levemente para o chão e logo estava sentada,
com o rosto nas mãos, chorando copiosamente. Suas amigas se aproximaram para
confortá-la.
- Calma, Di. Tudo bem. Não chora... – Erin passava as mãos
pelos cabelos da prima.
- Que raiva, que raiva... – Dianna resmungava.
- Acho que agora ele vai te deixar em paz. – disse Emma.
- Di, é visível que você ainda o quer. E eu creio que ele
não estava mentindo... – Alice falou,
gentilmente.
Dianna suspirou, ergueu a cabeça, limpou um pouco as lágrimas e
respondeu:
- Não é tão simples. Amo esse cretino com todo o amor de que
sou capaz... Justamente por isso não consigo aceitá-lo de volta. Ele jogou fora
todo o amor que dei.
As quatro ficaram quietas por alguns minutos. Erin quebrou o silêncio
fazendo uma sugestão:
- Prima, talvez você... Deva sair de Los Angeles. Para
espairecer.
- Eu vou mais do que espairecer... Eu vou me mudar.
- Mudar? – as três perguntaram em coro.
- Sim. Eu vou sair dos Estados Unidos.
- E vai para onde? – perguntou Emma.
- A casa do tio Lawrence e da tia Susan em Colônia? – quis
saber Erin.
- Não. Davy tentaria me procurar lá.
- Então... A casa do seu irmão em Paris? – Alice inquiriu.
- Sim. Meu irmão mantém um quarto para mim e um para nossos
pais em sua casa para quando vamos visitá-lo. Só que agora... O meu será
ocupado definitivamente.
Emma e
Alice se despediram das duas primas uma hora mais tarde. Dianna ligou para
Giles, avisando-o do que pretendia. Seu irmão disse que ela fazia muito bem em
tentar despistar o salafrário indo para a casa dele. Pois ele faria qualquer
coisa para defender a irmã. Em seguida, Dianna escreveu uma carta para os pais,
contando o que havia acontecido e que iria viver com Giles na capital francesa.
Feito isso,
subiu para o quarto. Pretendia começar a vasculhar seu guarda-roupa e
selecionar as roupas e os sapatos que ainda manteria e quais pretendia dar para
as amigas ou para a doação. Faria uma seleção parecida com seus pertences,
exceto seus livros.
Porém, ao
entrar no quarto, viu, jogados displicentemente sobre a cama uma caneta, seu
caderno de poemas e um livro de capa dura aberto. O livro era seu favorito, O Morro dos Ventos Uivantes. Estava
relendo-o, provavelmente pela décima vez. Naquele momento, pensou em como se
sentia um pouco como Catherine Earnshaw. Sabia que era tão impetuosa quanto
Catherine. Não que isso fosse bom. Contudo, era assim que Dianna Mackenzie era.
Sentiu
a inspiração para mais um poema vir. Pegou a caneta e o caderno e pôs-se a
escrever.
Oh, adeus, adeus!
Adeus à cidade do meu amor...
Adeus ao lugar onde outrora fui feliz.
Adeus aos olhos que enfeitiçam os meus...
Adeus a ele com quem meu coração não conheceu pudor.
Adeus, finalmente, à lembrança do tempo de belo matiz!
Vida nova! Liberdade!
Não serei mais escrava deste sofrimento!
Não é você meu dono,
E sim a poeticidade
Que você me confere a todo momento!
Oh, desgraçado, que me tira o sono!
No meu novo lar
Serei capaz de viver
Não mais em função do suplício!
Respirando outro ar
Voará independentemente o âmago do meu ser,
Sem nunca mais se entregar a um sacrifício!
.........................................................................................................................................................
Uma
semana depois, o avião em que Dianna estava pousava no aeroporto em Paris. Na
plataforma de desembarque, Dianna viu um homem de cerca de trinta anos nem
muito alto nem muito baixo, loiro, de olhos azuis, vestido com elegância. Ele
estava acompanhado de uma mulher bonita, vestida tão elegantemente quanto ele e
provavelmente da mesma idade que ele. Ela também era loira. “Meu irmão e mais
uma das suas namoradas”, Dianna pensou.
Ela
se aproximou de Giles e a namorada, empurrando a mala de rodinhas. Quando
estava diante deles, Giles disse:
- Olá, maninha. Fez boa viagem?
- Sim, mano. –
respondeu ela, com um pequeno sorriso. –
Não vai apresentar-me sua namorada?
- Claro. Di, minha maninha querida, esta é Catherine
Deneuve, atriz. Nunca ouviu falar dela, Di?
- Oh sim! Bem que achei que o rosto dela não me era
estranho! Je suis enchantée,
mademoiselle Deneuve! Je suis Dianna, la
soeur de Giles. (Estou encantada, srta. Deneuve! Sou Dianna, a irmã de Giles). – sorriu e apertou a mão da estrela de Os guarda-chuvas do amor, A sereia do Mississipi e A Bela da Tarde.
- Je suis enchantée aussi, Dianna. Mais tu peux m’appelle Catherine. (Estou encantada também, Dianna. Mas você
pode me chamar de Catherine.) – ela também apertou a mão de Dianna e
retribuiu afavelmente o sorriso.
- Você não perde tempo, hein, mano? Cantoras, atrizes... –
gracejou a moça.
- Pois é. – Giles deu seu típico sorriso malicioso.
- Giles m’a
dit beaucoup de toi. Ton frère t’adore.
(Giles me falou muito de você. Seu
irmão te adora.)
- Oui. Je sais. (Sim. Eu sei.) – respondeu. –
Pouvons-nous aller chez mon frère? Je suis fatiguée à cause du voyage. (Podemos
ir para a casa do meu irmão? Estou cansada por causa da viagem.)
Giles e Catherine aquiesceram. Entraram no carro de Giles, após Dianna
ter colocado sua bagagem no porta-malas.
O irmão de Dianna trabalhava na embaixada inglesa em Paris e morava num
apartamento elegante localizado no décimo oitavo enrondessiment, a parte da
Cidade Luz onde fica o célebre Museu do Louvre.
Dianna planejava fazer uma visita ao museu o mais imediatamente
possível.
Quando chegaram, Dianna logo se encaminhou
para o quarto onde costumava ficar quando vinha ver o irmão. O quarto não era
um mero quarto de hóspedes. Quem entrasse nele julgaria que o quarto fosse
ocupado sempre. Havia estantes com vários livros, uma escrivaninha com papel,
porta-canetas e lápis e máquina de escrever, uma penteadeira pronta para ser
equipada com os itens de beleza de Dianna, um guarda-roupa de mogno pronto para
receber as roupas dela e um banheiro, com uma toalha branca e felpuda já
pendurada no porta-toalhas e um armarinho apenas esperando para ser preenchido
pelos itens de higiene da moça. Em suma, Giles havia preparado tudo para a
permanência da irmã ali, não importava quanto tempo fosse demorar.
Dianna tirou seus chinelos, seu robe de banho e seus itens de higiene da
mala para tomar um merecido e revigorante banho. Somente após ter se banhado
arrumaria o quarto. Assim que terminou
de se secar, vestiu um conjunto de calça e uma blusa de moletom, calçou
chinelos de quarto e foi encontrar o irmão e a cunhada na sala de jantar. Giles
havia preparado lasanha de queijo ao molho branco. Ele sabia o quanto sua irmã
querida era uma apreciadora de massas.
- Você está me mimando muito hoje, Giles! Assim fico
mal-acostumada! – Dianna disse com uma risada.
- Imagina, maninha! Você merece mais do que um quarto
especialmente preparado para te receber e uma lasanha no jantar!
Os dois irmãos e Catherine continuaram a refeição, rindo e conversando
animadamente. Dianna ainda ficou conversando um pouco com Catherine e Giles,
porém, logo pediu licença e foi para o quarto. Trocou as roupas de moletom por
seu pijama, arrumou a cama e mergulhou nos lençóis.
No
dia seguinte, arrumaria seu quarto cuidadosamente e começaria a estudar para
ser admitida no programa de doutorado da Universidade de Paris-Sorbonne. Focar
na sua carreira acadêmica era um dos melhores meios de tirar Davy da cabeça. Em
janeiro de 1968, poucos meses após o término, entrou no programa de mestrado da
Universidade da Califórnia em Los Angeles, a UCLA, e conseguiu o diploma de
mestre um exato ano depois.
Mais tarde, Dianna despertou com uma conversa... Inusitada entre sua
cunhada e seu irmão.
- Ooooooh.... Giles,
tu es merveilleux! (Giles, você é maravilhoso!)
- Catherine, tu es vraiment la Belle du Jour! Ou
plutôt, la Belle de La Nuit! (Catherine, você é realmente a Bela da Tarde! Ou
melhor, a Bela da Noite!)
Acompanhando a conversa dos dois, uma sucessão de gemidos e gritos se
seguiu. Dianna corou, fingiu que não estava ouvindo e tentou voltar a dormir, o
que só aconteceu depois de cerca de uma hora...
No
dia seguinte, Dianna acordou cedo, Giles também. Catherine ainda não havia se
levantado. A jovem tentou abordar com o
irmão os sons que havia ouvido na noite anterior...
- Mano, não quero ser indiscreta... Mas ouvi você e a
Catherine... Meu Deus, vocês gemem e gritam demais! Credo!
- Está surpresa por quê? Você e aquele anão miserável eram
iguais, se não piores...
Dianna ruborizou ainda mais do que na noite anterior, ao ouvir os ruídos
amorosos do irmão e sua namorada.
- Sim... Aquele anão miserável e odioso... – murmurou
entredentes. Não queria admitir... Entretanto, sentia muita falta dele. Todos
os dias.
***
1971
Los Angeles, 15 de
junho de 1971.
Lulu,
Eu me sinto tão
infeliz... Sinto mais falta da Di a cada dia. Queria tanto saber se ela sente o
mesmo que eu... Mas nunca consigo me esquecer do modo como ela me expulsou da
casa dela no ano passado. Eu acho que ela realmente me odeia, Lulu. Eu não
queria que isso acontecesse... Mas fui um imbecil, um completo imbecil! Como
posso esperar que ela me receba de braços abertos?
Amo-a tanto, Lulu... Queria sufocar esse amor
dentro de mim, partir para outra, olhar para outras mulheres... Tudo em vão.
Sou incapaz de apagar a imagem dela da minha mente.
Ajude-me, minha amiga,
minha irmã! Dê-me algum conselho, por favor!
Seu amigo fiel,
Davy
.........................................................................................................................................................
Londres, 24 de junho de 1971.
Davy,
Eu não estou em
posição para dar conselho. Se eu mesma não sei como meu próprio coração deve
agir, imagine se tenho alguma moral para indicar como o coração de outra pessoa
deve agir!
Depois que terminei com o Jim, eu me senti
como um náufrago em alto-mar, com nada mais do que uma tábua podre de madeira à
qual se agarrar antes de ser tragado pelas águas do oceano. Você sabe disso.
Obriguei você a ler minhas lamentações. Tomei a decisão, então, de deixar isso
para lá e focar na minha carreira. Tenho conseguido com algum sucesso, você
sabe, inclusive trabalhamos juntos uma ou duas vezes (e adoraria atuar com você
ainda mais vezes!).
Mas... Fui convidada
para a festa de aniversário da Renée numa discoteca. E na tal festa, esbarrei
com um cara. Ele é incrível, Davy... Ele parece um pouco com um urso, mas ao
mesmo tempo é um perfeito Mr. Darcy alemão! O nome dele é Gerd Müller.
Contudo, fui obrigada
a descer das nuvens. O sujeito tem namorada. E quem é ela? Alice Stone, minha
ex-cunhada, eterna amada do seu amigo Mike Nesmith. Desde então, tenho feito de tudo para me esquecer dele, o que é completamente impossível. Jim ainda
se faz presente em meus pensamentos, porém, devo confessar que Gerd figura mais
frequentemente neles agora.
É minha vez de
implorar ajuda sua!
Beijos,
Lulu
PS: Se conseguir
esquecer a Dianna, por favor, me diga como conseguiu realizar tal façanha,
porque quero, e preciso, esquecer o Jim e o tal jogador com cara de urso mas
que parece o Mr. Darcy alemão.
***
1972
Giles e
Catherine estavam oferecendo uma grande festa no apartamento do diplomata para
comemorar o nascimento de Simon, o filho do casal. Giles convidou muitos dos
seus amigos, desde funcionários da embaixada e membros da elite cultural
parisiense, até seus quatro melhores amigos: Christopher Romanov, Michael
McGold, James Stone e George Smith. Da parte de Catherine, foram convidadas
muitas pessoas do cinema, vários diretores, atores e atrizes.
Dianna
estava muito feliz por dois motivos: havia conseguido obter seu diploma de
doutora com mérito e seu sobrinho havia nascido. Era um menino lindo, e a jovem
não parava de bancar a tia coruja. Foi obrigada a desviar a atenção do adorável
bebê quando sua cunhada veio apresentar-lhe alguém.
- Dianna, je te présente l’acteur Alain Delon. (Dianna, te apresento o ator Alain
Delon). – disse Catherine.
- Bonsoir, M. Delon. Je suis Dianna Mackenzie, la soeur de
Giles, la belle-soeur de Catherine. (Boa
noite, sr. Delon. Eu sou Dianna Mackenzie, a irmã de Giles, a cunhada de
Catherine.) – Dianna apertou a mão
do ator. Sentiu um calor invadir seu peito ao olhá-lo de alto a baixo, e por
fim se concentrar nos belos olhos azuis do ator. Sem a menor sombra de dúvida,
aquele homem era uma obra-prima da natureza.
- Bonsoir, mademoiselle Mackenzie. Je suis heureux de faire
votre connaisance. Vous êtes très belle.
(Boa noite, srta. Mackenzie. Estou feliz
em conhecê-la. Você é muito bonita.)
- Je suis remercie, M. Delon. Je... Je suis heureuse de
faire votre connaisance aussi. (Estou
muito agradecida, sr. Delon. Eu... Eu também estou feliz em conhecê-lo. )
Dianna
e o ator conversaram por um longo tempo, até que ela pediu licença e foi para o
quarto. Ela encarou a própria imagem no espelho. “Realmente, Dianna, ele é lindo. Mas você
sabe melhor do que ninguém que seu coração pertence a somente uma pessoa...
Ora, não é você que quer se esquecer do cafajeste? Pois... Se esqueça!”.
A jovem
saía do quarto, quando deparou-se com Delon, sorrindo sedutor. Ela prendeu a
respiração.
- Voulez-vous être le mien ce soir? (Você será minha esta noite?)
- Monsieur Delon... Je ne suis pas prêt. (Senhor Delon... Eu não estou pronta.)
Delon
e ela se encararam por alguns minutos, Dianna perdida no azul dos olhos
dele. De súbito, ele a beijou. Dianna
não recusou o beijo. Entregou-se, e sentia o desejo se tornar mais forte. Deu
um passo para trás, entrando no quarto. Poucos minutos depois estavam deitados
na cama dela...
***
1973
Naquela
noite, Dianna e Delon iniciaram um longo e ardente affair. Porém, não era mais
do que isso: um affair. Não consideravam um ao outro como namorados. Tinham
liberdade para se relacionar com outras pessoas. Delon tinha outras, Dianna
sabia. E não dava a mínima. Não sentia um pingo de ciúme. “Tão diferente...”.
O
ator era sensual e satisfazia às necessidades sexuais de Dianna... Em parte.
Apenas a parte física do ato era preenchida. Ela sabia que faltava ali a paixão
que movia seus momentos de intimidade com Davy. Com Delon, existia apenas a
carnalidade. Com Davy, havia sim uma carnalidade, entretanto, também havia um
sentimento bem mais elevado, um amor impossível de conter, puro, imenso. “Davy... Eu preciso admitir, eu sinto saudade
de você, eu quero você...”.
Certo
fim de semana, Giles, Catherine e o pequeno Simon foram passear num parque
próximo do apartamento. Dianna deu a desculpa de uma enxaqueca para não
participar do passeio. Contudo, Giles sabia que a irmã receberia o amante
naquela tarde.
Delon
chegou e o jogo de sedução teve início. Dianna queria acabar logo com aquilo,
no entanto, havia dias que tentava falar com Delon sobre o que se passava em
sua cabeça e não conseguia. Não que o
ator desrespeitasse a historiadora, longe disso. Nunca fazia nada que ela não
quisesse. Se fizesse, Dianna já o teria despachado há tempos, não suportava
machistas. Porém, em sua ânsia por deleitá-la, ele não deixava que ela falasse
muito sobre algo que não envolvesse o momento.
Dianna estava a ponto de
extravasar o prazer que estava sentindo. Lembrou-se do seu amado, e de como a
sensação de supremo prazer que tinha com ele era muito maior e mais
arrebatadora do que com Delon, que era tudo menos pequena.
Ficava mais difícil de segurar
o orgasmo a cada segundo, ainda mais quando o ex-namorado passou a dominar os
pensamentos da moça. E chegou ao ponto em que ela não podia mais aguentar.
- Oooooh, oh meu
Deus! DAVY, DAVY, DAVY!
O ator soltou Dianna no
mesmo momento, chocado por ela gritar o nome de outro homem.
- Qu’est-ce qui se passe? (O que está acontecendo?)
Dianna estava envergonhada. Todavia, aquele era o momento de dar um
ponto final ao affair.
- Alain... Excuse-moi, mais je ne t’aime pas. (Alain... Desculpe-me, mas eu não te amo.)
- Je comprends... Mais je pensais que même avec ta liberté,
tu ne cherches pas d’autres hommes. (Eu
entendo... Mas pensei que, mesmo com sua liberdade, você não procurasse outros
homens.)
- Je ne cherche pas. Mais je l’aime ce garçon pendant des
années, je me sens immense lui manquer. (Não
procuro. Mas eu amo esse rapaz há muitos anos, sinto saudades imensas dele.)
– ela soltou um suspiro longo. – Je suis incapable de l’oublier. Il est l’homme
de ma vie. (Sou incapaz de esquecê-lo.
Ele é o homem da minha vida.)
- Il ne t’aime pas? (Ele
não te ama?)
- Je ne sais pas... Pendant um moment je pensais pas. Mais
maintenant... Je pense que oui. Je suis assez stupide pour ne pas réaliser
avant. (Eu não sei... Por um tempo eu
achei que não. Mas agora... Eu acho que sim. Fui tão tola ao não perceber
antes.)
- Vas le chercher. (Vá
procurá-lo.)
- Eh bien... Je pense que notre relation est terminée. Il
était bon que ça a duré. (Bom... Eu acho que nosso relacionamento
acabou. Foi bom enquanto durou.)
- Oui... (Sim...)
Delon foi embora. Dianna disse
para si mesma:
- Eu nunca poderia amar Delon, por mais belo que ele
seja. Falta a ele a fascinação que Davy
exerce sobre mim. Sou totalmente livre agora. Estou pronta para ele. Mas... E
se ele desistiu de mim?
Ao
pensar nisso, Dianna deixou de lado a ideia de procurar Davy. Mal sabia ela que
jamais havia passado pela cabeça de Davy desistir.
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Mais
ou menos dois dias depois, Davy estava
batendo à porta da casa de Erin. Ela atendeu.
- Davy! O que faz aqui?
- Erin, você é minha única esperança! Soube que Dianna não
está mais em L.A. Peter deixou escapar. Onde ela está? Emma não quer me dizer,
ela ainda não está disposta a me perdoar. Alice está se recuperando do parto,
não pretendo atrapalhá-la...
- Dianna está morando em Paris, com o Giles, faz três anos.
Logo depois da última vez em que vocês se viram ela tomou essa decisão. Pelo
que eu soube, ela ocupou a maior parte do seu tempo lá se preparando,
escrevendo, defendendo e por fim obtendo o doutorado.
- Fico imensamente feliz que ela tenha dado tamanho passo na
carreira. Mas agora eu quero estar com ela para compartilhar dessa alegria!
- Eu vou te ajudar.
Erin pegou uma caneta e um bloco de anotações e escreveu algo. Destacou
a folha e entregou a Davy.
- O que é isso? -
quis saber ele ao ler o que estava escrito no pequeno pedaço de
papel. – É um endereço?
- Sim. Do apartamento onde meus primos vivem em Paris. –
Erin piscou.
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Menos
de cinco dias após Dianna ter dispensado Delon, Davy chegou a Paris. Não se deu
ao trabalho de procurar um hotel para ficar. Seguiu diretamente para a casa de
sua amada assim que desceu na plataforma de desembarque. Por sorte, seu francês
era muito bom, e logo chegou ao edifício sofisticado onde ficava o apartamento
dos irmãos Mackenzie.
Dianna
estava sozinha em casa, lendo Orlando,
de Virginia Woolf. Giles estava na
embaixada, trabalhando, e Catherine estava no set, filmando. A babá de Simon
havia levado o menino ao médico para uma consulta de rotina. Quando a campainha
tocou, Dianna ficou assustada. “Estranho, nem Giles nem Catherine esperam
visitas...”. Ela fechou o livro, colocou-o no sofá e foi abrir a porta. Seu
coração parecia prestes a sair pela boca quando viu quem estava no umbral.
- Di, por favor, me escute, ao menos uma vez... Eu te amo
tanto, eu tô morrendo de sau...
Davy não
pôde terminar a frase. Dianna calou-o com um beijo. Por essa ele realmente não esperava! Após
longos minutos, separaram-se, os dois precisando de ar.
- Ai, Cuddly Toy, eu também tava morrendo de saudade de
você! – Dianna estreitou-o nos braços,
como se quisesse evitar que ele fugisse. – Desculpe por não ter te dado ouvidos
antes, fui tão tola...
- O único que deve pedir desculpas aqui sou eu. Fui eu quem
fez a merda toda. Perdoe-me, por favor, Di...
- Eu te perdoo, Davy. Se você não me amasse de fato, não
teria passado tanto tempo tentando me reconquistar. – Dianna sorria para ele. –
Agora vejo que você nunca foi insincero comigo.
- Sinto como se todo o peso do mundo fosse tirado das minhas
costas! Até que enfim!
- Até que enfim digo eu.
– ela falou, suspirando. – Entra,
por favor. Estou sozinha em casa. Meu irmão e minha cunhada estão trabalhando,
a babá levou meu sobrinho ao médico.
- Você já tem sobrinho? Não se preocupe, logo daremos primos
a ele...
- Você não mudou nada, seu safado. – Dianna deu um sorriso malicioso.
Voltaram a
se beijar, com paixão, com ardor. Dianna e Davy estavam totalmente entregues ao
beijo. Esperaram tempo demais para que suas bocas se unissem mais uma vez.
Estavam sôfregos, desesperados. Acabaram por chegar ao quarto de Dianna. Davy
disse:
- Mas, Di, e se seu irmão chegar e nos pegar?
- Dane-se o Giles! Nada mais me importa agora... Você será
meu agora e para sempre, Davy Jones! Única e totalmente meu!
Giraram seus corpos, de modo que Davy
estava pressionado contra a porta. Dianna por um momento tirou uma das mãos das
costas dele e abriu a porta. Davy deu um passo para trás, entrando no cômodo.
Quando estavam no centro do quarto, Dianna interrompeu o beijo. Abriu a camisa do seu amado, que apenas a
encarava com olhos ávidos. A camisa azul
foi ao chão. Então, Dianna esbarrou de
leve lá embaixo. Davy e ela trocaram um olhar luxurioso. Ela própria sentia sua parte íntima ficar
úmida. Desfivelou o cinto de Davy e abaixou a calça dele, em seguida a cueca. Ele
tirou os sapatos e as meias. Ela tocou mais uma vez lá embaixo, desta vez de
propósito. Sentia o membro de Davy enrijecer, e começou a praticar sexo oral nele, enquanto
ele soltava gemidos.
- Aaaah... Di...
- Espere um pouco,
Cuddly Toy. Deite na cama. – ela pediu, sussurrando sedutora.
Davy obedeceu. Dianna, em seguida,
passou a se despir, buscando o deleite do amado por meio da observação da cena.
Tirou a blusa, depois a saia, devagar. Descalçou os sapatos. Abriu o sutiã. E
por fim tirou a calcinha. Davy assistia a tudo deliciado, sem dizer uma
palavra. Contudo, o brilho de seus olhos escuros dizia mais do que mil
palavras.
Dianna subiu na cama, ficando por
cima de Davy. Beijou-o intensamente, arranhando suas costas. Em resposta, ele
enroscou as mãos nos cabelos dela.
- Di, você não
sabe como senti falta da sua boca, do seu cabelo... Das suas mãos... Enfim, de
você...
- Eu sei, Davy, eu
sei, porque também senti...
Ele passou a apalpar um dos seios de sua
amada com uma mão e introduziu a outra na parte íntima dela, enquanto ela
percorria cada centímetro do corpo dele com seus dedos, às vezes apertando onde
tocava, em decorrência do prazer que estava sentindo. Em seguida, Dianna não
pôde aguentar. Passou a fazer com os mamilos dele o que ele fazia com os seus.
Lambia, mordia, sugava, voraz. Era uma sucessão de gemidos, tomados de mais
prazer a cada segundo.
- Di... Podemos
inverter? Fica mais fácil...
- Ok, vamos,
Cuddly Toy.
Inverteram a posição, desta vez
Davy ficando por cima. Beijava o pescoço de Dianna, ela quase enlouquecendo de
tanto prazer, agarrando o lençol que forrava a cama. Por fim, ele satisfez sua
amada, penetrando-a, apaixonado, mas com calma.
- Ooooh... Davy...
Achei que nunca mais teria esse prazer!
- Por um tempo eu
também... Aaaaah, minha amada, minha Dianna...
- Davy, mon amour, Meine Liebe, amore mio! Je
t’aime, ich liebe dich, ti voglio tanto bene! EU TE AMO, MEU AMOR!
- EU TE AMO MAIS
AINDA! QUERO QUE O MUNDO INTEIRO SAIBA DISSO!
Mal atingiram o orgasmo, gritando, quando ouviram uma batida na porta.
- Ei! Vocês dois!
A porta foi aberta de supetão. Era Giles.
- Giles!!! QUE DROGA! – Dianna gritou para o irmão.
- SAI JÁ DE CIMA DA MINHA IRMÃ, SEU ANÃO NINFOMANÍACO! –
Giles gritou para o cunhado. – E O QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? NÃO
ENTENDO COMO PODE ACEITAR ESSE CAFAJESTE DE VOLTA, DIANNA!
- Giles! Davy errou sim, mas ele está completamente
arrependido! Ele me ama, e eu o amo! Vamos ficar juntos sim, e nada, nem
ninguém, irá nos separar! E tenho dito!
Tais
palavras foram ditas por Dianna com tamanha convicção que Giles não teve
escolha senão aceitar o namoro reatado entre sua irmã e “o anão maldito”. Davy não precisou procurar por um hotel para
ficar. Ele ficaria hospedado no apartamento... Dividindo a cama com Dianna,
para profundo desgosto de Giles. No entanto, um único olhar ameaçador da irmã
foi suficiente para que ele parasse de reclamar.
Mais
tarde, Davy pegou papel e caneta e sentou-se para comunicar as novidades a
Louise.
Paris, 27 de maio de
1973.
Lulu,
Eu consegui! Consegui,
minha amiga amada, consegui! Dianna me aceitou de volta! Eu mal tenho palavras
para expressar a minha alegria! Não sou tão religioso assim, mas neste momento
tudo o que quero é agradecer a Deus por me permitir ter a mulher que eu amo
novamente.
Tenho fé de que você
também vai ter sucesso, e ter seu amado Mr. Darcy alemão com jeito de urso todo
para você! Sinto que você será tão abençoada quanto eu, Lulu! Já adianto que
você será a madrinha, do meu casamento e dos meus filhos!
Muitos
beijos,
Davy
Davy
mandou a carta como registrada, para que chegasse logo a Louise. E ela também enviou sua resposta em carta
registrada.
Munique, 31 de maio de
1973.
Davy,
Se eu contar que
também consegui, você acredita? O ursinho... Quero dizer, Gerd e eu nos
acertamos, finalmente, depois de dois anos. Estou
tão feliz! Você também será meu padrinho de casamento e dos meus filhos, quando
chegar a hora.
Faço os mais sinceros
votos para que você e a Dianna sejam muito felizes! Quando seremos
apresentadas? Estou tão ansiosa para conhecê-la! Ela com certeza é ótima, você
não merece menos do que a perfeição!
Beijos
e abraços,
Lulu
.........................................................................................................................................................
Era o meio
do mês de junho. Davy e Dianna voltaram juntos para Los Angeles, e a cada dia
ele estava mais ansioso por assegurar que ela não iria escapar. Em segredo, comprou... Um par de alianças.
Um dia,
estavam os dois no sofá, Dianna sentada e Davy deitado, a cabeça no colo dela.
Ela bagunçava os cabelos dele. Subitamente,
Davy levantou-se do sofá e ajoelhou-se diante da amada, que o olhava intrigada,
embora tivesse uma suspeita do que aquilo significava.
- Di, tenho um pedido a fazer. Se atendê-lo, serei o mais
feliz dos homens; se negá-lo, minha ruína é certa.
- Pois faça. – disse ela, séria, agora com certeza absoluta
do que ele pretendia.
Davy
respirou fundo e disfarçadamente tirou a caixinha de veludo do bolso. O
silêncio já durava longos minutos quando ele finalmente conseguiu falar:
- Casa comigo, meu amor?
Dianna
sorriu de orelha a orelha. Nunca havia se sentido tão feliz antes. Ela abraçou
o amado fortemente.
- Sim, Cuddly Toy, sim, um milhão de vezes sim! Eu poderia
repetir o monólogo da Molly Bloom que encerra o Ulisses de Joyce para confirmar que sim, eu quero me casar com
você, Davy! – disse ela, citando o famigerado monólogo que finaliza o livro de
James Joyce, um monólogo composto principalmente pela palavra “sim”, repetida
várias vezes.
- Fico tão imensamente feliz por você aceitar, Di! – disse
ele, colocando a aliança de noivado no dedo da amada e beijando a mão dela. – O
que acha de nos casarmos no seu aniversário?
- SIM! É o melhor presente que eu poderia ganhar! – Dianna
agarrou o namorado e beijou-o ardentemente.
Em 2
de setembro de 1973, Dianna completou 28 anos e casou-se com Davy. Foi
apresentada à grande amiga de Davy, Louise McGold. A amizade dos dois vinha da
infância, porém, quando Dianna viu as cartas de Louise pela primeira vez, sentiu
ciúme e desconfiança. Davy provou que ela estava errada em pensar assim, e
naquela noite Dianna e Louise começaram a desenvolver uma imensa amizade.
A
historiadora não poderia querer mais nada da vida... Na manhã seguinte, os dois
partiram em lua-de-mel para Paris.
- Foi lá que recomeçamos. – disse Dianna a Davy quando
estavam decidindo onde passariam a lua-de-mel.
– Nada mais justo do que passarmos nossa lua-de-mel lá, não acha, Cuddly
Toy?
- Concordo plenamente com você, Di. – respondeu ele.
A estada
de uma semana em Paris lembrou ao casal os primeiros dias de sua reconciliação.
Passearam por todos os pontos turísticos mais importantes da cidade... Contudo,
também aproveitaram os prazeres entre quatro paredes. O que apavorou Dianna
quando se lembrou de algo.
- Davy... Eu troquei de pílula. – disse ela, com um tom de
preocupação, após terminarem mais um ato.
- Ora, e tem algum problema nisso?
- Claro que tem! O anticoncepcional pode não fazer efeito no
meu organismo...
- Sinceramente? Eu quero mesmo que não faça. – Davy sorriu.
- Eu também quero filhos, Cuddly Toy, mas não sei se devemos
tê-los já, entende?
- Entendo. Entendo sim, Di.
O
casal regressou a Londres, onde agora os Monkees passavam a maior parte do seu
tempo. Dianna e Davy estavam decididos a morar na capital inglesa dali por
diante. Não demorou muito para Dianna sentir enjoos... E ficar “atrasada”.
Passaram-se quatro meses desde aquele dia em que Davy havia chegado
cansado do estúdio, tomado banho com Dianna e deitado na cama para dormir a
sono solto, enquanto a esposa o observava, silenciosa, e contemplava o ventre que
crescia.
Davy lançou seu álbum, Dianna lançou seus dois
livros. As vendas de todos os três itens iam muito bem. Davy havia conseguido
respeito da crítica musical, tanto pelo seu canto quanto pela sua composição.
Dianna era aclamada como “um novo talento muito promissor e surpreendente na
poesia inglesa contemporânea” e “uma jovem historiadora cujo trabalho e
pesquisa certamente são de grande relevância para os rumos que a historiografia
está tomando na Grã-Bretanha”.
E, para
completar, a época de Dianna dar à luz estava muito próxima. Davy perguntava
incessantemente à esposa se ela estava bem, se não sentia nenhuma contração. E
a resposta de Dianna foi negativa até o dia 3 de maio, quando começou a sentir
as dores do parto. O marido estava com a ansiedade à flor da pele, no entanto,
ela não permitiu que fosse levada ao hospital até o dia 7, quando a dor passou
a ser insuportável. O bebê iria nascer logo e não esperaria um dia a mais.
Dianna foi introduzida na sala de parto, e
Davy já se preparava para sair e deixá-la apenas com a médica e as enfermeiras,
quando sua mulher agarrou sua mão.
- Cuddly Toy... Fica aqui comigo, por favor!
Por ele,
ficaria ali e acompanharia a esposa naquele momento tão importante, entretanto,
não sabia se a médica aprovaria que ele permanecesse ali.
- Dra. Wentworth, eu posso ficar aqui na sala?
- Sim, sr. Jones, é claro, apenas vista a roupa apropriada!
– disse a obstetra, afavelmente.
Quando Davy
retornou à sala vestindo a roupa hospitalar, deparou-se com sua esposa gritando
de dor. Ele se aproximou, preocupado, e segurou a mão dela com força.
- Calma, Di. Vai ficar tudo bem.
- Davy... Eu não consigo...
AAAAI, DÓI DEMAIS! O QUE EU FAÇO, DOUTORA?
- Sra. Jones, infelizmente você não está conseguindo ter a
dilatação necessária do canal para permitir a passagem. Será necessária uma
cesárea, ou você e os bebês... Morrem. – disse a médica, tentando falar num tom
de voz calmo.
Davy e
Dianna ficaram assustados com o perigo que ela corria, porém, estavam mais
surpresos com outra coisa.
- “Os bebês”? – ambos
repetiram.
- Sim. A sra. Jones carrega gêmeos no ventre. Lembram-se de
que eu disse que havia a possibilidade, pequena, mas havia? Nos exames que
realizei agora há pouco para verificar a dilatação, minha suspeita se
confirmou. – a dra. Wentworth sorriu. – Aqui, sr. Jones, assine este termo de
autorização para a realização da cesárea e mãos à obra, não temos tempo a
perder!
Ele assinou o tal termo, trêmulo, e
assistiu às enfermeiras anestesiarem Dianna e preparem os instrumentos
cirúrgicos. Ele continuava a apertar a mão de Dianna carinhosamente. Após alguns minutos, a médica perguntou:
- Sr. Jones, quer cortar o cordão umbilical?
Davy
recusou. Estava nervoso demais e ainda acabaria fazendo alguma besteira se
tentasse cortar. Ouviu-se enfim um
primeiro choro.
- É uma menina, sr. e sra. Jones!
O casal
trocou um sorriso. As enfermeiras limparam a pequenina e esperavam o nascimento
do outro bebê para levar ambos ao berçário. Finalmente um segundo choro se fez
ouvir.
- Outra menina! -
exclamou a médica. Davy não aguentou
mais. Abaixou as máscaras que protegiam seu rosto e o da esposa e trocaram um
beijo.
Após a
segunda bebê ter sido limpa, as enfermeiras deixaram que os pais orgulhosos
olhassem, segurassem e beijassem as lindas gêmeas.
- Elas se parecem com você, Di. – Davy falou.
- Mas olhe os cabelos delas! E os olhos! Castanhos escuros
como os seus, Cuddly Toy.
- Quero que uma se chame Cecilia.
- Pode ser a que nasceu primeiro. Cecilia Emma?
- Lindo nome. E a segunda... Louise?
- Eu queria Rebecca... Rebecca Louise?
- Sim!
Cecilia e Rebecca foram levadas para o berçário. Davy deu mais um beijo
em Dianna e a deixou descansar no quarto, enquanto ele foi ligar para Mike,
Micky e Peter para comunicar a grande novidade.
Os
três amigos de Davy, ao chegarem, encontraram-no diante do berçário.
- Parabéns, cara! – disseram os três, dando tapinhas
afetuosos nas costas de Davy e o abraçando.
- Obrigado, pessoal. – ele sorriu. – Aqui estão minhas
princesas. Lindas, não? – ele apontou para duas bebês, enroladas em mantas cor
de lilás, que haviam sido costuradas por Emma. Dianna havia colocada uma manta
reserva na bolsa de bebê, o que foi uma sorte.
- Elas parecem bonequinhas, Davy. – disse Peter.
- Isso me faz lembrar da minha filhinha Jane Roselyn... – Micky sorriu. – Estou com saudades do meu
docinho.
Mike nada dizia. Estava feliz por Davy, mas se indagava se um dia
poderia experimentar a alegria de ser pai. Já considerava impossível achar uma
mulher com quem poderia formar uma família. Pelo que ele sabia, Alice tinha se
casado com o humorista Michael Palin e tinha um filhinho com ele...
Mais tarde, à noite, Davy estava no quarto de Dianna, que dormia a sono
solto. Os esforços infrutíferos em dar à luz naturalmente a haviam esgotado,
ela precisava descansar muito. As enfermeiras haviam banhado as gêmeas e elas
foram amamentadas pela mãe, que tinha, por sorte, leite o bastante para ambas.
Ele pediu uma folha de papel e caneta à enfermeira, que logo atendeu ao
seu pedido. Davy escreveria uma carta para Louise, contando a boa notícia.
Londres, 7 de maio de
1974.
Lulu,
Eu sou papai! Di deu à
luz gêmeas no fim da tarde, eu não caibo em mim de felicidade! Suas afilhadas
são lindas, lindas... Uma delas se chama Cecilia Emma, e a outra... Rebecca
Louise! Elas são a cara da mãe, mas têm meus cabelos e meus olhos.
Di teve um parto
difícil, foi preciso uma cesárea. Fiquei com tanto medo de perder minha mulher
e minhas bebês! Mas graças a Deus deu tudo certo no final. Minhas princesas são
lindas e nasceram bem gordinhas... Só são pequenas comparadas com outras
crianças, mas de mim e Dianna não poderiam nascer bebês muito grandes, não
é? E minha rainha está bem, só muito
cansada. Enquanto escrevo, ela está aqui dormindo.
E você? Como está
indo? Tudo bem com você e seu bebê? Conseguiu contar ao Gerd sobre sua
gravidez?
Um abraço,
Davy
Alguns dias depois, quando Dianna e as gêmeas já estavam em casa, Davy
recebeu a resposta de sua amiga.
Munique, 12 de maio de
1974.
Davy,
Estou tão feliz por
você e pela Di, meu amigo! Vocês dois devem estar tão orgulhosos delas! Ah, e
fico muito contente por você ter me homenageado no nome da Rebecca, é uma
grande honra, Davy!
Pelo que você me
disse, elas devem ser mesmo lindinhas! Não vejo a hora de conhecer minhas
afilhadas! Logo que possível Gerd e eu iremos a Londres para conhecê-las! Fico
aliviada por Di estar bem, apesar da dificuldade do parto. Espero que ela não
passe por isso na segunda gravidez dela, e nem eu quando tiver o meu bebê daqui
a uns meses...
Falando no meu bebê...
Não, eu ainda não consegui contar ao Gerd. É impossível! Toda vez que estou
prestes a contar acontece alguma coisa que tira a atenção do ursinho de mim! É
a Lei de Murphy... Mas não se preocupe, ele vai saber, mais cedo ou mais tarde.
Muitos
abraços,
Lulu
***
Passaram-se mais alguns meses. Cecilia e Rebecca estavam crescendo
rápido, e seus pais estavam muito felizes com isso. Ele havia começado a
escrever músicas sobre a nova família que se formava, e ela, poemas.
Os
Monkees haviam sido chamados pela English Band para visitá-los na Track
Records. As duas bandas haviam se
conhecido em 1966, no aniversário de Fanny Fitzwilliam, uma geógrafa que era
grande amiga dos Monkees e hoje casada com Bob Dylan, através de quem havia
conhecido a English Band, na época em que ela e seu futuro marido ainda eram
apenas amigos.
Chegaram à gravadora e cumprimentaram os membros da EB. Davy, Peter e
Micky notaram a “hipnose” que havia entre Mike e a baixista, Alana
Watson... Sam Benson, o produtor, disse
a Davy que, se ele assim desejasse, estava disposto a produzir seu novo álbum
solo. Davy aceitou na hora. Estava mais do que na hora de gravar suas músicas
novas, em que falava do amor que sentia pela esposa e as filhas.
E
Dianna logo lançaria um novo livro de poemas. Aquela felicidade conjugal e
familiar estava destinada a ser perpétua.
Cena pós-créditos Marvel!
Para
Mike, aquela visita à English Band na Track Records seria mais um dia como
todos os outros. Havia muito tempo que ele não se empolgava realmente por
alguma coisa. Não tinha mais esperanças de reconquistar Alice. Ela estava
casada com o Python, tinha um filho com ele, Mike viu a esquete em que Alice
revelou sua gravidez em rede nacional.
A
única coisa que Mike desejava era o perdão dela. Havia conseguido o de Nora e o
de Emma. Faltava o dela, seu grande amor. Ele via a felicidade amorosa dos seus
amigos. Peter e Erin sempre namorando, sempre unidos. Davy e Dianna, sempre
apaixonados, eram um casal de pais corujas. E Micky estava com Emma. Mike sabia
que sua ex-namorada sempre foi apaixonada por seu amigo doido.
Chegaram à sala de gravação onde estava a English Band. Cada Monkee
cumprimentou cada integrante da EB... Até que Mike apertou a mão de Alana
Watson. Não podia acreditar na maciez da mão daquela jovem... Não parecia
pertencer a uma baixista. Nem sinal de calos. Além disso, Alana era gentil,
meiga... E totalmente linda.
Brotava ali um grande amor...

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