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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Oneshot: Come and Get Your Love (What If - O Casamento)

Boa tarde! Hoje é meu aniversário e por isso, hoje vou postar uma oneshot de aniversário de aniversário de uma das nossas personagens favoritas: Dianna Mackenzie-Jones. Boa leitura!

02 de setembro de 1974. Dianna Mackenzie completava 29 anos. Ela tinha grandes planos para aquela data, e, obviamente, eles incluíam Davy Jones, seu marido. Contudo... Ele ainda estava em turnê.
       Dianna despertou naquela manhã sentindo mais falta de Davy do que nunca. Mais do que nunca ela precisava sentir a respiração morna dele em seu pescoço, os braços dele ao redor dela.

- Saudade de você, Cuddly Toy... – ela murmurou, cheirando o travesseiro vazio dele.

            
        Saiu de seus pensamentos tristes ao ouvir um chorinho.  Vinha do quarto da frente, o quarto de suas bebês.  Ela se levantou, calçou os chinelos e foi até o outro cômodo. Cecilia chorava em seu berço.

- Ah, meu amorzinho... – Dianna pegou a pequenina nos braços e a trouxe para perto de si, confortando-a e beijando seu rostinho. – Shiu...  Tudo bem. Mamãe tá aqui.

           Cece se acalmou um pouco, porém, parecia ainda um tanto desconfortável. Dianna sabia o porquê. Tanto Cecilia quanto Rebecca estavam mais chorosas desde que Davy tinha saído em turnê. As gêmeas sentiam falta do pai.

- Também sinto saudade do papai, Cece. – Dianna acariciou o cabelinho macio da filha, castanho-escuro como o de seu pai. Sentou-se na poltrona e começou a brincar com ela.

                  Até que o telefone tocou.  Dianna foi até a sala atender, desejando que fosse seu marido.

- Alô?

- Di? – ela ficou um pouco desapontada ao ouvir a voz de Susan Mackenzie, sua mãe.
- Olá, mamãe. – ela respondeu.

- Feliz aniversário, querida! Não consigo acreditar que já tem 29 anos! Você e o seu irmão cresceram tão rápido! Muita saúde, paz e felicidade para você! E muito amor, claro.

- Obrigada, mamãe. – Dianna sorriu. – A senhora está bem? O papai? Giles, Catherine, Simon?

- Estamos todos bem, meu amor. Já vou passar o telefone para seu pai falar com você. Acredito que Giles vá te ligar mais tarde. Ele, a Catherine e o Simon já voltaram a Paris.

- Ah sim.

- Mas e minhas netinhas que amo tanto? E Davy? Como estão?

- Cece e Becky estão bem, mamãe. Cece está no meu colo. Becky ainda está dormindo. Davy... Ainda está em turnê. Mas não diga nada ao Giles caso ele pergunte algo à senhora... Você conhece o meu irmão.

- É claro que não, filha. Seu irmão é que não vai com a cara do seu marido, não sei por quê. Mas seu pai está pedindo para falar com você, vou passar para ele. Tchau e mais uma vez feliz aniversário, filha.

               Logo, Dianna ouviu uma voz grave:

- Feliz aniversário, princesa! – para Lawrence Mackenzie, Dianna seria sempre sua princesa, apesar dos quase trinta anos. – Sua mãe e eu estamos com saudades! Quando você virá para nos ver e trazer as minhas netas?

- Obrigada, papai. Também sinto saudade de vocês. Bom, Davy e eu ainda estamos trabalhando, contudo, assim que entrarmos em férias iremos a Colônia para ver vocês.

- Ficaremos no aguardo. – Lawrence disse. – Acho que quando finalmente vierem Cecilia e Rebecca estarão falando e andando.

- Provavelmente. – Dianna riu.

- Outra vez feliz aniversário, minha filha. Eu te amo.

- Também amo o senhor, papai.

- Até mais!

- Até mais!

              Dianna colocou o telefone no gancho. Havia algum tempo que não passava seu aniversário com os pais. Eles sempre estavam longe. Também não passava o aniversário com o irmão havia alguns anos. Giles raramente saía de Paris. Seu trabalho na embaixada o ocupava muito.
              Ela ouviu outro choro. Becky havia despertado. Dianna buscou a outra pequena no quarto. Levou suas duas filhas para a cozinha. Como elas ainda não andavam, era um pouco difícil transportá-las para algum lugar sem Davy. Tinha que pegar no colo uma de cada vez. Porém, quando podia, deixava-as engatinhar pela casa.
            Colocou-as nos seus cadeirões e preparou papinhas para elas. Revezava-se entre uma e outra, e isso não era exatamente fácil.

- O pai de vocês nem sabe a falta que ele faz, meninas. – Dianna gracejou.

               Após as duas meninas terem terminado de comer e Dianna ter limpado suas boquinhas, o telefone tocou novamente.  “Tomara que seja o Davy”, Dianna pensou. Correu para atender, as meninas engatinhando atrás dela.
                  Tirou o fone do gancho, e ouviu:

- MANINHA! FELIZ ANIVERSÁRIO!

- Obrigada, mano! – Dianna riu da empolgação de Giles.

- Eu juro que se pudesse iria a Londres para ver você! Mas você sabe como é trabalhar na embaixada...

- Eu sei, Giles, não tem problema. Eu entendo.

- Você sabe que eu te amo, Di, não sabe?

- Claro, Giles. Também te amo, apesar de você ser um chato de galocha.

                      Giles riu e indagou:

- Cece e Becky estão bem?

- Estão ótimas. Estão brincando no tapete da sala neste exato momento.

- Diga a elas que o tio Giles está mandando um beijo. E o seu excelentíssimo marido? Ele está aí?

                      Dianna sabia que Giles ficaria furioso se soubesse que Davy estava em turnê em pleno aniversário de sua esposa, então mentiu:

- Ele... Está sim. Está arrumando algumas coisas no estúdio dele.

- Ah sim. Vocês já... Fizeram aquela... Hã... Coisa especial de aniversário?

- Não! – Dianna riu. – Como você é tarado, Giles!

- Não sou tarado! Ainda mais depois que tive aquela experiência traumática... Quando peguei vocês com a boca na botija.

- Você é tarado sim, mano, não negue.

- Talvez eu seja. Mas bem, estou morto de saudades de você, irmãzinha, e mais ainda das minhas sobrinhas. Quero ver vocês.

- Também quero ver você e o Simon.

- Quem sabe em breve. Até logo, maninha, e feliz aniversário novamente!

- Até logo, mano, e obrigada de novo!

Dianna desligou e começou a ajeitar a casa. Já estava começando a acreditar que Davy havia se esquecido de seu aniversário. Ele nunca esquecia. Nem o aniversário de casamento. Ele ia contra o estereótipo de que homens sempre esquecem esse tipo de data.


- Já basta não estar aqui... Também não me liga? Puxa vida, leãozinho... Pensei que você se lembraria.


               Ela se sentou no sofá, desanimada. Apesar das ligações efusivas de seus pais e seu irmão, a aniversariante estava triste. Tentou se distrair brincando com as gêmeas. Esperava que ao menos as amigas ligassem... E Lulu.


                                                                       ***




- Tudo certo com o nosso plano, Louise? – indagou Emma à atriz, a melhor amiga de Davy.


          

   Emma até gostava de Louise, no entanto, ao seu ver, a “hobbit loirinha” tinha um grave defeito: era amante de Dianna. E isso enciumava demais a filósofa casada com Micky Dolenz.

- Tudo certo. – garantiu Louise. – Vou buscar o Davy no aeroporto. A Di vai ficar muito feliz.

- É o que espero. – Emma respondeu.

- Eu confio no meu Sol, e você também deveria, Emma. – Alice disse. – Não tem como dar errado.

- Não mesmo. – Erin concordou. – Davy será o melhor presente que Di vai ganhar na vida. Aliás, Emma, Alice, vamos ligar para ela? Depois você liga, Lulu. Pode ser que desperte suspeita se ligar conosco.

- Tem razão, Erin. – Louise concordou.


           

    Assim, as três melhores amigas de Dianna ligaram para ela. Erin colocou no viva-voz.


- PARABÉNS PARA A MELHOR PRIMA DO MUNDO! – Erin exclamou assim que Dianna murmurou um amuado “alô”.

- Erin! Obrigada! É você quem é a melhor prima do mundo!

- E não sou só eu que estou te ligando para dar parabéns!

- FELIZ ANIVERSÁRIO, AMIGA! TUDO DE BOM! – Alice desejou.

- Awn, obrigada, Alice! – Dianna agradeceu.

- MOZINHO DA MINHA VIDA! – Emma exclamou ainda mais entusiasmada do que as amigas. – FELIZ ANIVERSÁRIO PARA VOCÊ! QUE TUDO QUE VOCÊ SONHA E DESEJA SE REALIZE E VOCÊ CONTINUE SENDO ESSA PESSOA ESPECIAL! TE AMO!

- Obrigada, mozão! Também te amo!


                      As quatro conversaram mais um pouco, e depois de alguns minutos, desligaram. Louise disse:


- Preciso ir buscar o Davy logo. Mas dou um jeito de ligar antes.

- Boa sorte, meu Sol. – Alice desejou.

- Obrigada, minha Lua. – Louise respondeu, saindo da casa de Alice, onde as quatro amigas de Dianna estavam reunidas.

- Espero que realmente dê certo. Dianna não pode passar o aniversário sem o Cuddly Toy dela. – Emma disse.

- Emma, sabemos que você tem ciúme por causa da Louise, mas precisa fazer um esforço e confiar nela. – disse Erin.

- Louise já tem a Alice, por que tem que ser amante da Di também? – Emma fechou a cara.

- Emma, eu também tinha ciúmes da Lulu com a Di. Mas aprendi a controlar e aceitar.  – Alice revelou.  - Elas se amam, temos que aceitar. Mas você e eu sabemos que elas nos amam também, não sabemos, amiga?

- S-Sabemos. – Emma concordou.



                                                          ***



                 Dianna havia acabado de almoçar. Becky brincava com seu ursinho de pelúcia Berni, mascote do Bayern de Munique, presente de seu padrinho Gerd Müller, sentada no sofá, enquanto a mãe amamentava a irmã. Cece normalmente era mais grudada no pai, porém, para suprir a falta, naqueles dias a gêmea mais velha quase não se afastava da mãe.
                 Becky cansou-se de brincar com Berni e acabou se deitando no sofá, com sono, enquanto Cece largou o peito de Dianna, bocejando.  A gêmea mais agitada dormiu primeiro, e, para liberar seu colo, Dianna levou Cecilia para o berço, protegendo Becky com algumas almofadas para que não caísse.
               Mal a mãe retornou à sala, Becky caiu no sono, e Dianna levou a gêmea mais quieta para seu berço.  Dianna, então, resolveu ir para seu quarto deitar um pouco também.

- Não foi bem assim que planejei meu aniversário... – ela murmurou.

                
                   

O telefone tocou, e Dianna atendeu-o na extensão de seu quarto, desejando que fosse Davy.  Mas não era. Era Louise.


- Di, minha amadinha! Feliz aniversário!

- Obrigada, Lulu! Ao menos você se lembra de mim!

- Como assim?

- O tratante do seu melhor amigo não me ligou até agora.

- Di, Davy está em turnê, ele deve ter um bom motivo para ainda não ter te ligado.

- Assim eu espero! Ai, Louise, me dá até um aperto na garganta... Será que...

- Ah, não, Di, não comece com as suas paranoias! Eu sei que também sou ciumenta, mas estou tentando aprender a controlar. Você também precisa fazer isso. Davy ama você e você sabe disso. Como ele estava da última vez que te ligou?

- Ah, foi fofo como sempre. Disse que estava com saudades de mim e das meninas. Que não via a hora de voltar para casa, e de... Bem, de me amar.

- Viu? Não se preocupe, amada. Olha, hoje eu não poderei ir até aí, mas juro que amanhã passo aí na sua casa e dou um beijo nesses seus lábios tão carnudos e deliciosos. Te amo e parabéns mais uma vez!

- Até logo, Lulu. Também te amo. – Dianna suspirou.


            

    Dianna desligou e afundou a cabeça no travesseiro. Por mais que Louise lhe dissesse que estava tudo bem, queria mais do que tudo ouvir a voz de Davy naquele dia. Enquanto isso, Louise ia ao aeroporto para buscar o amigo. Pelos seus cálculos, ele deveria estar chegando dentro de uma hora. Ela chegou ao aeroporto às 17 horas. A chegada do avião estava prevista para as 18 horas.
                Dezoito horas. Nada. Passou-se meia hora. Nem sinal. Louise estava começando a ficar nervosa. Começou a rezar para que não houvesse acontecido nada de errado com Davy. Em casa, Dianna via que as horas passavam e nem um telefonema do marido.

- Davy, se você achou outra Nami... Eu nunca vou te perdoar...


           

         Vinte horas. Enfim, o avião de Davy pousou. Louise correu pela plataforma de desembarque para abraçar o amigo.

- DAVY! EU ESTAVA MORTA DE PREOCUPAÇÃO!

- Tá tudo bem, Lulu. O avião atrasou um pouco devido à neblina. Mas eu estou bem, relaxa.

- Eu estou calma agora. Mas certa pessoa está surtando.

- Di.

- Quem mais seria? Poderia ao menos ter ligado para ela antes de sair.

- Não tive tempo. Tive que fazer show, arrumar minhas coisas, comprar um presente para ela e as meninas...

- Entendi. Mas vamos para sua casa logo. Di está chegando a pensar que você arrumou uma amante.

- Eu faço tudo errado...  – Davy começou a se lamentar.


               O carro de Louise estacionou em frente à casa dos Jones às 21h30min. Davy saltou do carro com as bagagens, não sem antes beijar a amiga em agradecimento. Dianna e as meninas se sobressaltaram ao ouvir o barulho de carro, e em seguida o de uma chave girando na fechadura.

- Amores da minha vida, cheguei! – ele exclamou, ao abrir a porta.

- Davy! – Dianna exclamou. – Onde você estava? Pensei que tivesse esquecido meu aniversário! Por que não ligou? Não disse que estava voltando para casa?

- Eu teria ligado para você e feito com que você pensasse que eu ainda iria demorar a voltar, Di. Queria fazer uma surpresa. Mas não tive tempo suficiente. Então tive que voltar sem te ligar.

- Você sabe como fiquei morta de receio?
– a voz de Dianna tremia.

- Eu sei, eu sei, Di. Mas fica calma. Eu amo você, leoazinha, se não amasse não teria cancelado o resto da minha turnê só para vir ficar em casa com você. – ele a abraçou e beijou-a suavemente.

- Desculpa, leãozinho. Você sabe como eu sou.

- Sei. – ele afagou o rosto dela. – E te amo muito, embora muitos homens achem que mulheres assim são insuportáveis.

- Você é maravilhoso, Cuddly Toy. – Dianna abraçou-o mais fortemente.

- Feliz aniversário, Di. – ele sussurrou no ouvido dela.


                      Depois de alguns minutos, Davy soltou Dianna para mimar as gêmeas, que haviam engatinhado até o pai e pediam a atenção dele. Dianna sorria. Até que seu aniversário não havia sido tão ruim assim...

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Oneshot: She's My Kind Of Girl (What If - O Casamento)

Boa noite! Hoje vou postar mais uma oneshot da mega saga What If O Casamento. Desta vez, os protagonistas são Micky Dolenz e Emma Carlisle. E como de praxe, vai ter cena pós-créditos da Marvel. Boa leitura! 














Foxy, Foxy

You know you are a cute little heartbreaker

Foxy, yeah

And you know you are a sweet little love maker

Foxy

               


     Os Monkees estavam ensaiando um cover do sucesso de Jimi Hendrix. Micky estava somente no vocal daquela vez. Davy e Peter marcavam o ritmo, na bateria e no baixo, respectivamente. Quando Micky parou de cantar, Mike tocou o poderoso riff, fazendo jus ao original. Enquanto cantava, Micky pensava nela. Emma Carlisle. A “Foxy Lady” por excelência.
     Micky sabia que havia magoado muito a loira no passado. Contudo, desde que sua ex-esposa, Suzan Hardison, o havia deixado, a bela filósofa voltou aos seus pensamentos.





I wanna take you home, yeah

 I won’t do you no harm

You’ve got to be mine, all mine!

                

   



    Ele estava ficando louco por ela. “Como era mesmo que os antigos persas diziam? Davy me falou esses dias... Ah sim! Majnun!”. Davy, que sempre leu demais, principalmente por influência de Dianna, havia lido um livro da tradição persa antiga, chamado Layla e Majnun. O poema falava sobre um casal que se amava, no entanto, ela, Layla, foi forçada pelo pai a se casar com outro homem. O rapaz, então, enlouqueceu e passou a ser chamado de Majnun, que em farsi, a língua dos persas, quer dizer “louco”. Majnun vivia como um eremita, vagueando e escrevendo poemas de amor para Layla, até morrer. A história havia inspirado Eric Clapton a escrever a canção chamada, justamente, Layla, em homenagem a Nami Okawa, a ex-namorada de Davy.
     E agora Micky via Layla surgir para ele na forma daquela linda mulher. Alta, com sua pele delicada, seus cabelos dourados cortados curtos, seus grandes olhos azuis como safiras, sempre vestida de forma elegante, raramente maquiada (pois não precisava), porém, quando estava, sempre tinha muito rímel nos já longos cílios e a boca pintada de vermelho. Vermelho como a paixão que um dia ela teve por ele... E como a paixão que agora ele tinha por ela.
    Sabia que conquistá-la seria uma tarefa complicada. “Fiz tudo errado, tudo errado... Ter me casado com a Sue foi a maior besteira que fiz... Pelo menos rendeu a minha linda princesinha Jane Roselyn!”.
     Mais tarde naquele mesmo dia, Sue iria levar Jane Roselyn para passar o final de semana com o pai. A filha era tudo para o Monkee doido. Pegava-se divagando sobre um futuro em que ele poderia ser de fato feliz, com Emma ao seu lado. Alguns filhos... E visitas constantes da sua filhinha querida.
     Contudo, se Micky queria que esse futuro fosse possível, tinha antes que tratar de conseguir o amor de Emma. E para isso... Tinha que falar com Mike.



- Mike... – Micky se aproximou do amigo.

                      


     Peter havia ido se encontrar com sua namorada, Erin, e Davy havia saído em mais um dos seus passeios pensativos, em que sofria por Dianna, a visão de Layla que ele tinha.




- O que foi, Micky?

- Quando dizem que o mundo dá voltas... Estão muito certos.

- Explique melhor o que quer dizer com isso, cara.

                             

        
    O baterista soltou um longo suspiro.




- Estou apaixonado pela Emma.

                               


      Mike, que afinava a guitarra, a fez soltar um som desarmônico, com o susto que levou.


- Como é que é? Tá brincando?

- Claro que não! Sei que é estranho, mas eu não estou fazendo piada desta vez.

- Você, apaixonado pela garota que te amou tanto, e cujo coração você destroçou?

- Desse jeito você me magoa, Nez. Como se você não fosse um destruidor de corações também...

- Eu sei dos meus podres. Estou arrependido de cada um deles. Especialmente no que diz respeito a Alice. Mas, Micky... Você tem certeza? Eu não acho que Emma vai acreditar em você...

- Eu também acho que não. Eu queria que você me ajudasse, Nez...  Eu tô ficando doido! Mais do que eu já sou!

- E o que é que você quer que eu faça?

- Converse com ela. Sei que vocês acabaram ficando amigos depois do término...


                         

    Isso era verdade. Emma e Mike haviam terminado em bons termos. No entanto... A pobre moça havia fechado seu coração para o amor após o rompimento com ele. Mike se culpava muito por isso. Não queria terminar de partir o coração de Emma. Ela não merecia.

                                                   



                                                                          ***




- Micky...


                           

     Após tantos anos, Emma se pegava pensando nele outra vez. Ele, o doido. Ele, o grande amor por quem tanto sofreu após saber que ele estava noivo. “Não posso falar da Dianna e sua mania de continuar apaixonada pelo tratante do Davy, mesmo com toda aquela canalhice dele. Eu sofro do mesmo problema”.
      A filósofa resolveu escrever para a amiga, que agora estava vivendo com o irmão e a cunhada em Paris.





Londres, 15 de fevereiro de 1973.

Olá, Di, como vai?

Eu não estou muito bem. Sonhei com Micky esta noite. Eu acho que eu entendo seu problema. Acho que o único dos Monkees que realmente presta é o Peter, mesmo o Nez sendo meu amigo, mas... Eu ainda me sinto um pouco apaixonada pelo Micky. Esses picaretas sempre acham um jeito de nos manter desejando-os, não é?
Me ajude... Eu não quero cair no ciclo vicioso mais uma vez!

Beijos,

                                                                                                                         


                                                                                                                                Emma



                                  


          A resposta de Dianna foi a seguinte:






Paris, 18 de fevereiro de 1973.

Olá, minha querida amiga Emma.

Eu vivo sonhando com o Davy... Eu queria parar com isso. Eu tenho que virar a página, mas não consigo. Penso tanto nele... Alain é maravilhoso, sexy, contudo, não apaga a lembrança de Davy da minha mente.
Bom... Eu acho que precisamos, nós duas, perdoar o que Davy e Micky fizeram conosco, e tentar esquecer. Não era para ser assim. Nosso destino deve estar reservando outras pessoas para nós, com quem seremos de fato felizes. Eu creio nisso.

Beijos,

                                                                                                                                    

                                                                                                                               Di


                           

     Emma começou a refletir após ler a carta de sua amiga. Dianna estava certa sobre o perdão. Todavia, Emma não tinha muita certeza se encontraria alguém. Parecia incapaz de amar novamente. Depois da experiência com Mike...

                                                                      


                                                                             ***

                              


     Micky havia acabado de chegar em casa após o dia no estúdio. Estava prestes a colocar o disco de Jimi Hendrix na vitrola para ouvir a música que lhe lembrava sua amada Emma, quando soou a campainha. Foi abrir a porta.



- Papai!

- Oi, princesa! – Micky abraçou a pequena Jane e a encheu de beijinhos no rosto. – Que saudades! Como você está?

- Tô bem, papai! A mamãe me deu uma boneca nova!

- Que bom, meu amor! E você, Sue, como está? – Micky sorriu para a ex.

- Estou bem, Micky, e você? – ela também sorriu. O ex-casal convivia em bons termos.

- Também.

- Bom, Jane, você já sabe, não dê trabalho ao seu pai!

- Imagina, Sue, é sempre um prazer ter a Jane em casa, ela não me dá nenhum trabalho! Não é mesmo, meu docinho?

- Sim, papai. – Jane sorria.

- Bom, eu volto para buscar a Jane na segunda depois do almoço, certo, Micky?

- Certo, Sue.

- Jane, não deixe seu pai tacar fogo na casa, hein?

                      

      A pequena riu. Até mesmo o baterista se viu obrigado a rir. Era realmente mais provável que sua filha impedisse que ele aprontasse algo do que o contrário.



- Não vou deixar, mamãe.

- Então está bem. Até segunda, lindinha. – Sue abaixou-se e beijou a filha. – Até mais, Micky. – Suzan deu um rápido beijo no rosto do ex-marido.

- Até mais, Sue. – Micky sorriu, tocando onde foi beijado.

                       

      A escritora saiu da casa do Monkee maluco. Micky perguntou à filha:




- Bom, filhinha, como vamos aproveitar o fim de semana?

- Eu queria ir ao parque...

- Então nós vamos passear no parque! Vou pegar sua bicicleta na garagem.

                     

  
  Micky, então, levou a filha para andar de bicicleta no parque mais próximo dali. O que ele não previa era que Emma havia resolvido passear naquele mesmo parque, tentando arejar a mente e deixar de pensar nele.
   Num certo momento, Jane estava pedalando rápido demais, e quase trombou com uma moça loira e alta que passava diante dela.



- Ei, cuidado, mocinha! – disse a jovem mulher, sorrindo para a menina.

- P-perdão, moça.

- Está tudo bem, querida.

- Jane! Cuidado, filha! – Micky repreendeu-a. – Você se machucou, moça? – quis saber ele.

                             

      A loira ergueu os olhos para o pai da garotinha.




- Sim, eu estou bem, sua filha não me machucou... Micky?!

- Emma?!

- É... Quanto tempo... – Emma não conseguia olhar direto nos olhos do seu antigo amado.

- P-pois é... – Micky também não conseguia encará-la. Tentava reprimir um suspiro. Apesar de estar chegando aos trinta anos, Emma ainda tinha um rosto bastante jovem.

- Sua filha é muito fofa, Micky. – Emma disse, gentil e sincera.

- Obrigado, Emma. – disse Micky, enquanto a filha pegava a mão dele.

- E como está a sua esposa?

- Sue... Sue está bem... Mas...

- Papai está separado da mamãe. – Jane disse a Emma.

                           


      Por essa a filósofa não esperava. Ele, solteiro outra vez? Bem agora que ela não conseguia parar de pensar nele? Parecia obra do destino...





- É... É mesmo? – Emma não conseguia disfarçar sua surpresa.

- Sim... Não deu muito certo. – Micky confirmou.

- Eu... Sinto muito...

- Sue e eu ficamos amigos, Emma. É o mínimo que podemos fazer por nossa filha...

- Estão certos.

- E você, Emma? Namorando?

- Não, desde que terminei com o Nez.

- Ah sim... Bom, foi legal rever você. Acho que é hora de irmos para casa, Jane...

- Mas já, papai? – Jane protestou.

- Sim, filha. Está entardecendo e esfriando. Sua mãe vai me matar se você pegar um resfriado. – Micky disse.

- Seu pai está certo, Jane. – Emma sorriu para a pequena. – Foi legal rever você também, Micky. Até mais.

- Até mais, Emma.

                           

        Emma ficou vendo Micky e Jane indo embora. “Ele é um bom pai”, pensou. E não pôde evitar sorrir. “Não, Emma, não fique mole demais... Você não pode”.

                                                                   


                                                                                 ***

                               

    Ela chegou em casa. Tomou um bom banho. Preparou macarrão com molho à bolonhesa para si e jantou. Em seguida, foi para o quarto e colocou o pijama. Após vestir o pijama, Emma resolveu ver um pouco de televisão até a hora de dormir. Assistiu a uma reprise do Top Of The Pops... E quem se apresentou? Os Monkees. “Parece brincadeira...”.
    Desligou a TV e foi se deitar. Apenas para perder o sono relembrando o breve período em que ficou com aquele doido...
                            
                                


    Ah, ele realmente era um pedaço de mau caminho. Naquele dia de agosto de 1966, Emma conheceu o homem que mais mexeu com ela em toda a sua vida. George Michael Dolenz Jr. Skillet Face. Micky Dolenz.
    Naquela época, Emma tinha só 21 anos. Ainda era uma menina romântica e cheia de expectativas. Não sabia explicar o que tanto a atraía naquele baterista. O jeito extrovertido, maluco e engraçado? Ele também era bonito. Seu rosto tinha uma beleza diferente... E ele era alto. À primeira vista parecia um magricela, porém, Emma teve a sorte de ver os Monkees gravarem uma cena na praia, sem camisa. Micky era tudo, menos magricela.



- Fecha a boca para não entrar mosca. – gracejou Dianna.

- Olha quem fala! Podia ao menos disfarçar enquanto olha para o anãozinho, Di!

- Anãozinho? Está mais para um deus grego... Um deus grego em tamanho miniatura. Um pequeno Apolo. – a amiga de Emma suspirava, perdidamente apaixonada por Davy Jones.

- Pois eu digo que esse Micky Dolenz é um deus grego também!

- Só se for o deus da loucura!

- Sim! Um Dioniso...

- Depois sou eu quem enlouquece quando se apaixona!

- Não negue, Di, você enlouquece sim... Mas eu também estou perdendo a cabeça...

                        


    E como perdeu a cabeça. Após algumas semanas de tímida observação, Emma tomou coragem de ligar para ele, após conseguir o número do telefone por meio de Dianna, a qual havia armado um esquema para conseguir o telefone de Davy e de quebra ajudado a amiga.
    A jovem ligou para o amado.



- Alô?

- Oi, com quem eu falo?

- Com Suzan Hardison. 

- Meu nome é Emma Carlisle... Eu gostaria de falar com o Micky Dolenz, ele está?

- Bem... Está, só um momentinho.


                      


    Emma tremeu nas bases quando ouviu a voz feminina do outro lado da linha. “Ele tem namorada... Eu não dou sorte mesmo!”. Então ele pegou o telefone.



- Alô? Emma?

- Oi, Micky! Tudo bem?

- Tudo, e com você?

- Também... Você está livre amanhã à tarde?

- Amanhã? Não, tenho ensaio com a banda, sabe...

- E no sábado?

- Também não....  Desculpa, Emma, mas preciso desligar, tchauzinho.

                

    Depois que colocou o telefone no gancho, Emma soltou um longo suspiro. Metade da sua esperança já havia se esvaído. Talvez a tal Suzan fosse só uma prima de Micky... No entanto, poucos dias depois, quando Emma estava no supermercado...



- Olá, Emma.

- O-oi, Micky. – o corpo inteiro da moça tremia.

- Esta aqui é minha noiva, Sue.  Bom, você já falou com ela ao telefone.

                 


    “Noiva? Como assim? Oh, meu Deus, Micky, não faça isso comigo!”




- Como vai, Emma? – Suzan estendeu sua mão para a jovem filósofa apertar.

- Eu vou bem. – respondeu Emma, apertando a mão da escritora de livros infanto-juvenis e poetisa. – Ah, me deem licença, preciso ir.

- Até logo. – disse o casal.
                 
                   


     Extremamente nervosa, Emma pagou as compras no caixa e foi para casa. Depois de guardar tudo, telefonou para Dianna.



- Alô?

- Dianna! Preciso que você me ouça, por favor, por favor!

- Emma, acalme-se, pelo amor de Deus! O que houve?

- Ela, ela... Ela é noiva do Micky, Dianna! Noiva!

- Eu... Eu não sei o que dizer, Emma.

- Se Micky soubesse o quanto me machuca...

- Diga isso a ele.

- Ficou maluca? Nunca! E, mesmo que eu dissesse isso a Micky, de que adiantaria? Ele não romperia um noivado por minha causa! Nenhum homem em sã consciência faria isso.

- Bem, tudo que posso te aconselhar neste momento é que volte sua atenção para outros rapazes, Emma.

              

     Emma fez o possível para seguir o conselho da amiga... Contudo, não conseguia. Era tão torturante. Por mais que lutasse, a loira não se esquecia do mais maluquinho dos Monkees. Até mesmo acabou roubando um beijo de Micky uma vez, sem saber que a noiva dele viu tudo. Até que um dia...



- Emma, Emma! – Dianna correu para a amiga na sala dos professores da escola onde lecionavam.

- O que foi, Di? – Emma indagou, surpresa com a afobação da amiga.

- Davy me contou algo que creio que você vai adorar saber!

- O quê?

- Micky rompeu o noivado com Suzan!

- O... O quê? – Emma caiu sentada na cadeira mais próxima.

- O que você vai fazer, amiga?

- Não sei... Realmente não sei, Di.

- Acho que neste momento você deveria deixar seu coração se sobrepor à sua razão. – Dianna sugeriu.


               

   O coração de Emma dizia que ela deveria tentar ter Micky para si, não deixar passar a oportunidade. Porém, ela ainda tinha seus receios. E se mesmo assim fosse rejeitada? Ela realmente não imaginava o que iria acontecer dali a alguns dias...
    Ela ouviu sua campainha tocar, numa certa tarde. Foi atender.






- Micky?


- Olá, Emma. Eu... Quero que aceite as flores. – Micky deu a Emma um ramalhete de margaridas.


- Oh, Micky, que gentileza...


- Não sei se você está sabendo... Sue e eu terminamos.


- É... Me contaram.


- Emma... Não me tome por um safado nem nada... Eu quero lhe dar uma chance.

                    
   

        Os olhos azuis de Emma se arregalaram de surpresa.



- Uma chance?

- Sim. Você é uma garota bonita e legal... Merece. – Micky sorriu.

                       


      Emma beijou o rosto de Micky. E a partir daquela aproximação um pouco encabulada, teve início uma relação que, pelo menos em seus primeiros dias, foi tórrida. Micky foi o primeiro homem na vida de Emma, e ela se apaixonou mais ainda após se entregar a ele.
   No entanto, ela percebia que Micky não a correspondia com a mesma intensidade. Seus beijos não tinham tanto ardor. Quando passavam a noite juntos, o ato não era tão preenchido por paixão. “Ele ainda ama Suzan”, Emma constatou tristemente.
   Ela não sabia como encarar o problema. Uma parte dela desejava reter Micky consigo a qualquer custo. Amava-o demais para abrir mão dele. E outra parte...




- Não posso fazer isso, não tenho esse direito! Não dizem que quando se ama, é preciso deixar a pessoa amada ser livre para fazer suas próprias escolhas... ? Ai, como dói!

                      

       Decidiu acabar logo com aquilo.




- Micky... Precisamos conversar.

- O que houve, Emma?

                       


     Ela respirou profundamente antes de começar a falar.





- Por favor, seja sincero.

- Claro...

- Micky... Você ainda ama a Suzan?

                       

    O Monkee não considerava essa uma pergunta fácil de responder. De fato, Emma era muito atraente, e Micky não gostava dela só pela beleza física. Ela era meiga, carinhosa, inteligente, e ele gostava da companhia dela. Mas...
    Somente com Suzan Micky se sentia completo. Ela, com seu jeito doidinho e divertido de ser, como ele próprio. Não podia negar que estar longe dela o corroía aos poucos. Entretanto, ele também temia magoar Emma. Ele percebia o quanto ela o amava, em cada sorriso, cada gesto, cada olhar, cada beijo. Como poderia deixá-la?




- Emma... – ele pegou a mão dela. – Me perdoa!

- Isso quer dizer que você ainda ama a Suzan?

- Sim... Por favor... Eu odeio magoar você assim...

- Não há o que fazer, Micky. Ninguém manda no coração...

                   


“Se eu te amo, Micky, então devo te deixar ir e ser feliz... Só espero que não se esqueça de mim... Diga que nos veremos outra vez... Nem que seja nos seus sonhos mais loucos...”.
   Emma julgou que seria correto procurar Suzan e explicar a situação. Não teve exatamente a recepção que imaginava...



- Olá, Suzan está? – perguntou ela a uma moça, negra, com uma tonalidade de pele muito bonita, que atendeu a porta da casa da ex-namorada de Micky.

- Está no banho. – mentiu Elena Valdez. Esse era o nome dela, a melhor amiga de Suzan. – Qual é o seu nome?

- Emma.

- Emma Carlisle?

- Eu mesma.

- Então você é a sirigaita que roubou o Micky da minha amiga Sue!

                        


           Emma sentiu seu rosto corar.




- Vai embora daqui! Não aporrinhe a Sue!

- Quem está aí, tenente Uhura? – Sue saía do banho. Ela sempre se referia à amiga por esse apelido, tirado da série Star Trek.

- Sue, eu... – Emma tentou falar.

- Emma! O que é que você quer?

- Suzan... Aceite o Micky de volta. Ele ainda ama você!

- Eu não quero saber dele! Dê um jeito para que ele possa te amar!

- Mas...

- Sem mas! Comigo Micky não tem mais nenhuma chance!


             


             Contudo, Micky acabou reconquistando Suzan, casou-se com ela e tiveram Jane Roselyn. Por uma estranha ironia do destino, o casal acabou se divorciando, mas mantendo a amizade.
              E nesse interim, Emma teve outros. David Crosby, o Byrd, que demorou para conquistá-la, e acabou deixando-a por uma intriga feita por Kathy Giordano, namorada de Chris Hillman e amante de Roger McGuinn. Para salvar sua pele, Kathy “incriminou” Emma, e Crosby desmanchou tudo. Em seguida... Veio Mike. O belo, talentoso, gentil e sensual Mike Nesmith, amigo de Micky. Emma acreditou que com Nez poderia ter felicidade. Todavia, isso não se concretizou. Mike não havia esquecido Alice Stone, seu grande amor e amiga de Emma. A filósofa entendeu que, apesar de ela e o guitarrista se adorarem, não poderiam continuar juntos numa relação amorosa. E assim, Emma e Mike ficaram sendo grandes amigos.
             “Eu deveria tentar mais uma vez? Ainda amo você, Micky... Porém... Não quero que a história se repita... Eu não iria suportar...”.

                                                                        

                                                                            ***
                                   






   Mike estava parado em frente à porta de Emma. Havia tomado a decisão de ajudar Micky a conquistá-la. Porém, naquele momento hesitava em tocar a campainha da ex-namorada, e agora amiga. Por que essa relutância?
   Poderia ainda sentir algo mais do que amizade por ela?  Não podia negar o quanto Emma era uma lembrança especial... “Não, cara. Você não vai trair o Micky dessa maneira. Isso não se faz com um amigo de longa data como ele”. Por fim, tocou a campainha.



- Olá, Nez! – Emma sorriu ao vê-lo, e abraçou-o.

- Oi. – ele sorriu também. O cabelo dela ainda tinha aquele cheiro delicioso de que ele se lembrava.

- Que bom que veio me ver! Entre. – Emma convidou.

                                 


   O Monkee concordou. Estava difícil resistir ao charme da loira alta. “Amo Alice mais do que tudo... Mas Emma é tão... Divina! Que Micky me perdoe...”.  Emma disse a Mike que se sentasse no sofá e foi até a cozinha preparar chá. Logo ela voltou, carregando uma bandeja com o bule, duas xícaras e um potinho de cubos de açúcar.



- Emma... Eu vim aqui para te falar de algo importante.

- O quê?

- É...

                                      

      Ficou em silêncio. Emma intrigou-se.




- Diga, Nez. – ela o instou a falar.

- Bem... Emma, eu gosto muito de estar na sua companhia, mas eu vim te visitar para falarmos sobre... O Micky.

- O Micky?! – Emma conseguiu repetir.

- Sim. Emma... Ele veio me confessar que, mesmo sabendo que não te tratou totalmente bem, se arrepende disso. E que... Está apaixonado por você.

- O quê? Você está me fazendo de boba, Nez?

- Claro que não, Emma! Por que eu faria você de boba?

- Nez... Ele nunca me quis. Por que de repente ele se apaixonaria por mim?

- As pessoas mudam...

- Fazia muito tempo que Micky e eu não nos víamos, até dois dias atrás, Nez! Não é possível que ele tenha se apaixonado estando longe de mim!

- Mas foi o que aconteceu, Emma...

- Nez... Pare de insistir, por favor.

                     


  Emma colocou a xícara na bandeja. Recolheu as pernas junto ao corpo e abaixou a cabeça, apoiando-a nos joelhos. Começou a chorar. Mike ficou profundamente sensibilizado diante da cena.



- Emma... Calma. Não chora. – Mike abraçou-a, timidamente.

- Ah, Mike... Eu amo tanto o Micky, mas também tenho tanto medo! Da última vez acabou tudo tão mal... Ao menos ele não tem ressentimentos... – a filósofa molhava a camisa do Monkee com suas lágrimas.

- Não precisa ter medo... Estou dizendo que ele está apaixonado por você, não estou? – ele acariciava os cabelos loiros de Emma, e ergueu o queixo dela com a outra mão para em seguida limpar suas lágrimas, que realçavam o azul de seus olhos.

                         

      Ficaram os dois olhando um nos olhos do outro durante vários minutos. Mike não pôde mais se conter, e beijou Emma.



- M-Mike... – Emma tocou os lábios do ex quando ele a soltou.

- Perdão, Emma, perdão. Eu não pude me conter.

- Está tudo bem... Ai, eu não sei como devo agir, o que devo sentir... Eu só... Quero você por mais uma noite, Nez.

- Mais uma noite? – os olhos de Mike brilharam ao repetir isso. Decididamente ele ainda sentia alguma coisa por Emma.

- Sim... – a moça acariciou os cabelos de Mike, em seguida descendo para a nuca.

                                

      O gesto de Emma deixou Mike desejoso. Ele a envolveu nos braços e a beijou longamente. Ela interrompeu o beijo para remover a camiseta da Triumph do Monkee.


- Micky tem uma igual... – ela murmurou.

- Posso presumir que você gosta de homens que gostam de camisetas da Triumph?

- Possivelmente. – Emma sorriu maliciosa, acariciando o peito de Mike.



     As mãos dele deslizaram para as coxas dela, já fazendo a parte íntima de Emma umedecer. Ela desfivelou o cinto dele. Preparava-se para abaixar a calça de Mike quando ele colocou as mãos dentro de sua blusa e deu leves apertões em seus seios.


- Nez...

- Senti falta de você, Emma. – ele disse, antes de beijar o pescoço dela.

- Eu também...




       Emma abaixou as calças de Mike, bem como as suas. Tocou lá embaixo, e ele gemeu. Em resposta, tirou a blusa dela e a fez deitar no sofá, não antes de ela tirar seu sutiã.
      Estando Emma apenas de calcinha e Mike apenas de cueca, ele tirou a peça íntima dela com os dentes e uma das mãos. A boca de Mike tão próxima de sua região íntima fez Emma gemer, gemer genuinamente. Ele beijou a parte interna das coxas dela, deixando marquinhas roxas.


- Mike, oh, Mike!  - ela exclamava, e o segurou mais fortemente.



      Mike tirou sua cueca e finalmente deu início às estocadas. Começaram lentas, contudo, foram ganhando velocidade conforme os minutos passavam. Emma e Mike trocavam beijos ardentes e gemiam entre um e outro. Chegaram ao clímax, trocaram um olhar intenso e se separaram.





- Foi... Muito bom. – disse Emma, alisando os cabelos de Mike.

- Concordo. – ele beijou a testa dela.

- Você já vai embora ou...

- Vou ficar aqui com você esta noite. Isto é, se você não se importar.

- É meu convidado de honra hoje à noite, Nez. – disse Emma, sorrindo.

                   


   Levantou-se do sofá e foi buscar no quarto dois travesseiros e uma coberta. Ajeitaram os travesseiros, aconchegaram-se nos braços um do outro e cobriram-se com a manta. Eram ainda 20h30min. Não haviam jantado, no entanto, não se importaram. Dormiram a sono solto, para acordar apenas às 6h00min do dia seguinte.


- A que horas tem que estar no estúdio hoje, Nez?

- Daqui a uma hora e meia, mais ou menos. Queremos gravar umas coisas próprias que escrevemos recentemente, além de uns covers. O Davy está querendo fazer um cover de Layla, eu estou preocupado.

- O Davy? Cantar Layla? Justo a música que o Clapton escreveu quando estava louco pela Nami?

- Pois é.  Segundo Davy, o faz lembrar-se da Dianna e o que sente por ela.

- Mas é um picareta mesmo... Largou a minha amiga por aquela japonesinha, que já o tinha largado pelo Clapton... Aí o Clapton gostou daquela modelete e começou tudo de novo!

- Emma, sei que não acredita que Davy se arrepende do término com a Di...

- Não acredito mesmo. Mas, por que está preocupado com o fato de o anão querer gravar uma versão de Layla, Nez?

- Ora essa,  Emma! Aquela música é um desafio e tanto para qualquer guitarrista que não seja o Deus Eric Clapton...

- Você vai conseguir. Confio em você e no seu talento.

- Obrigado, Emma. Adoro você.

- Também adoro você.

                            


    Emma deu um beijo no rosto de Mike e cada um começou a se preparar para o dia de trabalho.





***







- 1, 2, 3, 4! – Micky marcou o compasso com as baquetas.


                           


     Davy tomou fôlego e começou a cantar:





What will you do when you get lonely

And nobody’s waiting by your side?

You’ve been running and hiding much too long

You know it’s just your foolish pride


                               



       De fato, Emma vinha fugindo e se escondendo do amor havia muito tempo, como Mike havia lhe contado. Porém, Micky não podia dizer que Emma fazia isso por “orgulho tolo”. Não. Ela tinha todos os motivos do mundo para isso. Já havia sofrido demais por amor. E ele, Micky, era a principal causa desse sofrimento. Foi a primeira desilusão da pobre garota.





Layla

You’ve got me on my knees

Layla

I’m begging, darling, please

Layla

Darling, won’t you ease my worried mind?




                        


    Emma tinha Micky aos seus pés. E ele estava ficando louco por ela. Se era possível para ele se tornar ainda mais louco.





Tried to give you consolation

When your old man let you down

But like a fool

I fell in love with you

Darling, you turned my world upside down



                           

    Ele tentou consolá-la quando tomou a decisão de deixá-la para voltar para Sue. Contudo, ele foi tolo durante todo aquele tempo. Micky apaixonou-se por Emma, e ela virou seu mundo de cabeça para baixo.





Layla

You’ve got me on my knees

Layla

I’m begging, darling, please

Layla

Darling, please, won’t you ease my worried mind?


                              

     Micky não se via no direito de amar tanto Emma. Ele a fez sofrer demais. Ao mesmo tempo, desejava mais do que tudo poder ajeitar as coisas... Sabia que era assim que Davy se sentia enquanto cantava, pensando em Dianna.





Make the best of the situation

Before I finally go insane

Please, don’t say we’ll never find a way

Or tell me all my love is in vain


                           



    Era isso. Emma tinha que determinar qual era a melhor solução, antes que o Monkee ficasse realmente louco. Ou ela garantia que não havia meio possível... Ou dizia que todo o amor dele era em vão.




Layla

You’ve got me on my knees

Layla

I’m begging, darling, please

Layla

Darling, won’t you ease my worried mind?



                                     

  Só restava a Micky uma atitude: procurá-la, falar com ela e ver o que ela tinha a dizer sobre isso. Tudo ou nada.




***



                                               

  

    Lá foi ele. Com a cara e a coragem. “O máximo que pode acontecer é ela dizer ‘não’, Micky, relaxa”. Como se ele fosse ser capaz de relaxar diante da possibilidade de ser dispensado por Emma Carlisle!
   Tocou a campainha do apartamento de Emma. Ela abriu. Vestia uma camiseta surrada de Princeton, a universidade onde havia se formado, e uma calça larga de moletom. O cabelo preso num pequeno coque desajeitado. No entanto, linda como sempre.


- Micky? O que você quer aqui?

- Emma, eu suponho que Nez tenha falado com você sobre...

- Você estar apaixonado por mim?


                                                  


         O baterista ruborizou-se.




- Bem... Sim.

- Micky, sinceramente... Eu não acredito muito nisso.

- Se me permite perguntar... Por quê, Emma?

- Por quê? E ainda me pergunta? Vocês, homens, são todos iguais, sem tirar nem pôr! Chegam, dizem que estão apaixonados, nos fazem de otárias e vão embora! Davy foi assim com Di, Nez foi assim com Alice e comigo, VOCÊ FOI ASSIM COMIGO!  Estou só esperando o Peter magoar a Erin...

- Emma, não tiro sua razão. De fato, Davy, Nez e eu fizemos muitas burradas na vida. Mas Davy ama Di, e a quer de volta...

- ELE SÓ A QUER PELO SEXO!


                                              


      Micky fez um gesto de “não está mais aqui quem falou” com as mãos, e continuou.



- Mas você conhece o Nez tão bem quanto eu. Você sabe que ele é louco pela Alice, e o que mais deseja é o perdão dela. O seu ele já obteve, ou já se esqueceu de que o perdoou?

- Não, eu não esqueci. E muito menos esqueci aqueles dias em 1966.

- Sobre isso...

- O que vai dizer? Que realmente me amou naquela época? Eu não sou idiota!

- Emma, realmente eu não te amei naquela época. Mas... Aqueles momentos se conservaram na minha mente. Toda vez que os rememorava... Eu percebia o quanto você era maravilhosa e eu apreciava a sua companhia. Eu aprendi a amar você, Emma. Eu sei que é difícil de acreditar, entretanto...

- Não me venha com essa! Você sempre amou a Suzan! Eu tentei ajudar vocês... E o que ganhei como recompensa? Fui expulsa da casa por aquela amiga maluca dela quando fui tentar conversar!

- A Elena? Ela fez exatamente o que você fez com o Davy naquele dia...

- Por que fica me contrariando? Vai embora e me deixa em paz, Micky...

- Em algum lugar no fundo desse seu coração resistente você ainda me ama...

                                 


     Emma nada respondeu. Apenas encarou Micky irritada.




- Quem cala consente...

- VAI EMBORA DAQUI, MICKY DOLENZ! ESTOU CANSADA DE SOFRER POR SUA CAUSA!

                                   


    Micky percebeu que não adiantava insistir. Ela não o queria mais. Foi embora, desolado. Como podia ter sido tão otimista? Deveria ter imaginado...
    Voltou para casa. Mais tarde, era hora de buscar Jane Roselyn no colégio. Ele estava cuidando dela para Sue poder se dedicar à escrita de seu novo romance. A garotinha percebeu que o pai estava diferente. Ele não estava falando tanto, nem tão agitado quanto costumava ser.



- Papai, o senhor tá triste? – a pequena perguntou.

- Não, meu amor. Tá tudo bem. O papai tá só cansado.

- Mesmo quando o senhor tá cansado não fica assim!

- Não se preocupa, filhinha. É coisa de adulto. – Micky beijou a testa da filha.


                                       

      Tudo o que lhe restava era tocar o barco. Voltar a sua atenção para outras mulheres. Logo veio à sua mente uma imagem que ainda o deixava louco: a fotógrafa da Rolling Stone. Felicity McGold. “Agora que ela se divorciou do Townshend... Ela vai ser minha! Espere por mim, Fefe...”.






- Agora você pirou de vez! – Davy exclamou.

- Não, meu amigo, eu estou tão em uso das minhas faculdades mentais quanto possível. – Micky respondeu. – Aquela Vênus de Gales será minha! Já que Emma não me quis...

- Micky, a Felicity NUNCA foi com a sua cara! Não vai ser diferente agora! – Peter alertou o amigo.

- Deixem ele quebrar a cara, rapazes, deixem... Assim ele sossega o facho. – Mike disse.

- Nossa, é para isso mesmo que os amigos servem? Para botar urucubaca nos planos?

- Não estamos botando urucubaca! – os outros três Monkees protestaram.

- Micky, meu chapa, a gente está falando isso para o seu bem! – Mike tentou explicar.

- Não queremos que você sofra mais ainda! – Peter agitava os braços, exasperado.

- Em suma, nos preocupamos com você. – Davy concluiu.

                                            


         Micky percebeu que, de fato, Peter, Nez e Davy só queriam que ele fosse feliz. Mas mesmo assim, o baterista ainda quis insistir na tentativa de conquistar a bela fotógrafa.  Parecia que o universo conspirava ao favor dele. Quem encontrou durante um passeio pelo shopping em Londres? Ela mesma.


- Ora, ora, Felicity McGold! Sete anos se passam e você ainda continua a belíssima criatura de antes! Arriscaria dizer até mesmo que melhorou com a idade...

                                                           

               A morena virou-se para ele.




- Micky Dolenz. Você também não mudou nadinha. Continua o chato de sempre.

- Cada insulto seu soa como um elogio aos meus ouvidos, minha Vênus galesa. – Micky aproximou-se mais de Felicity.

                                                                 

                 Ela recuou um passo.



- Micky, acho que você sabe muito bem o que sempre pensei de você.

- Ah, eu sei, Fefe. E você também sabe muito bem o que sempre pensei de você.  Eu soube que você está divorciada do Townshend... Eu sempre soube que ele não servia para você.

- Não servia mesmo... E você muito menos, Micky!

- Ora, Fefe, você está enganada... E eu vou te mostrar. Me dá um beijinho?

- Vai sonhando, seu macaco abusado!

- Exatamente, vá sonhando! – uma voz masculina rugiu atrás de Micky.

                                                          


                Ele e Felicity viraram-se na direção da voz. Era um homem alto, de cabelos e olhos claros, um pouco narigudo. Ele falava com um sotaque... Holandês?



- Esse sujeito está importunando você, minha deusa? – o holandês indagou a Felicity.

- Chegou em boa hora, Johan! Sim, ele está! – Felicity respondeu, aliviada.


                                                          

                 “Merda!”





- Escuta aqui, seu traste, ou você se afasta da Felicity agora mesmo... Ou eu arrebento essa sua cara de frigideira!

- Er... Hã... Bem...






***



                                       

       Emma acabava de sair de uma livraria ali naquele mesmo shopping. Olhar os livros e, quando possível comprá-los, era muito terapêutico para a filósofa. Ela ouviu um burburinho de confusão uns metros adiante. Viu um aglomerado de pessoas observando um pouco de longe dois homens e uma mulher. Um dos homens tentava golpear o outro. Emma parecia conhecer o que estava sendo atacado... Olhou mais atentamente e viu que realmente o conhecia. “O que você aprontou agora, Micky?”, Emma se perguntava. Correu até o local do tumulto.




- Ei! Largue ele! – ela exclamou para o loiro que tentava surrar Micky.

- Emma? – Micky viu-a correndo até ali, muito surpreso.

- Solte-o! Agora! – Emma ordenou a Johan.

- Você deu sorte da sua defensora aparecer, seu canalha... – Johan rosnou, soltando Micky, que só não caiu de cara no chão porque Emma o segurou. Então ela viu quem era a mulher.

- Ora, olá, Felicity! – Emma a conhecia através de Alice. – Como vai?

- Vou bem, Emma, e você? Tire o Micky daqui antes que o Johan faça picadinho dele...

- Farei isso, Fefe.

                                
                                      


      Ela praticamente arrastou Micky dali. Foi para a praça de alimentação, entrou com ele num fast-food, colocou-o sentado numa cadeira e foi até o balcão pedir um saquinho com gelo. Assim que conseguiu a compressa improvisada,  os dois foram para o carro de Emma e ela deu a compressa a Micky, que pressionou-a sobre o olho roxo.



- Muito bem, seu macaco maluco, o que você fez para aquele holandês querer te socar? Como ele disse, a sua sorte foi que eu apareci... É a primeira e a última vez que eu te salvo!

- Ele não ficou muito feliz de me ver conversando com a Fefe...

- Conversando ou passando cantada? Porque me parece mais a segunda opção... – Emma resmungou.

- Ok, ok, foi a segunda opção. Mas...

                                          

                Micky não pôde concluir a frase. Emma socou seu outro olho.





- AI!

- E AINDA TEM A AUDÁCIA DE DIZER QUE ESTÁ APAIXONADO POR MIM! VOCÊ NÃO PRESTA, MICKY DOLENZ! A COITADA DA JANE NÃO MERECE O PAI QUE TEM! O QUE VOCÊ FEZ PARA A SUZAN TE DEIXAR? APOSTO QUE ELA TE VIU SE ENGRAÇANDO COM ALGUM RABO DE SAIA!

- Emma, Emma. Calma. Eu... Posso explicar...

- Ah é? Vai ser muito divertido ouvir a sua explicação. – Emma cruzou os braços e encostou-se na porta do motorista.

- Emma... Eu... Quis tentar com a Felicity porque... Você me dispensou.

- AH, AGORA A CULPA É MINHA?

- Eu não disse isso. A culpa é única e exclusivamente minha. Mas... Eu não sei o que deu em mim. Acho que eu queria afogar as mágoas de alguma maneira... E não sei por quê, mas julguei que me arriscar a tentar algo com a Fefe seria uma boa forma de te esquecer...


                                          

       A loira não parecia muito convencida com a justificativa de Micky.



- Nunca ouvi tanta babaquice...

- Emma, é sério! Eu... Eu te amo.

                                         


        Subitamente, Emma ficou paralisada. Aquelas três palavras, que ela sempre sonhou ouvir dele, não lhe soaram falsas. Não mesmo...



- Eu te amo, Foxy Lady. Eu juro. – Micky pegou as mãos de Emma, que haviam caído no colo dela quando ela descruzou os braços, em decorrência do choque.

- Por que eu estou tentada a acreditar nisso, mesmo sabendo que não deveria?

- Porque é inquestionável? – Micky falou em tom jocoso.

- Cala a boca. – Emma não pôde mais aguentar. Agarrou Micky e beijou-o.


                                         

  

      Ele levou a mão aos cabelos dourados de Emma, fazendo um carinho ali, enquanto aprofundava o beijo, e ela trazia o corpo para ainda mais perto dele.




- Esperei tanto por isso, Emma, minha Layla, minha Foxy Lady...

- Você é um idiota completo, Micky, mas eu te amo também... Desde 1966.





        O beijo ficava mais quente a cada instante. Emma acabou por se deitar por cima de Micky. Ela lambia os lábios dele, enquanto ele enfiava as mãos por baixo da blusa de Emma e apalpava os seios dela. Emma desceu uma das mãos até o meio das pernas de Micky e apertou ali.


- Ah... Emma... – ele suspirou.

- Me ama, Micky! É uma ordem! – ela exclamou.



             Micky não se fez de rogado. Emma e ele inverteram as posições nos bancos do carro. Ela abriu o cinto e a calça dele, em seguida abaixando a cueca dele e revelando o membro rijo. Micky abriu sua própria camisa antes de erguer a saia de Emma e abaixar a calcinha dela. Passou as mãos por toda a extensão das longas pernas de Emma, apenas para fazê-la sentir sua região íntima umedecer.


- Está pronta, Foxy Lady?

- Sim! Ande logo, seu macaco doido!




                   O Monkee deu início às penetrações,  proporcionando muito prazer para ele e sua amada. Ele beijava o pescoço de Emma, enquanto ela arranhava seu peito. Ficava mais e mais rápido. Até que chegaram ao máximo do êxtase,  exclamando juntos, e, antes de se separarem, ofegantes e suados, trocaram um ardente beijo.


- Eu não pensei que fosse possível... Reconquistar você, Emma...

- Eu nunca deixei de te amar, Micky. Mesmo tendo sofrido tanto.

- Fica comigo... Prometo que nunca mais vou te magoar.

- Mesmo?

- Sim. Emma, eu te amo com todo o meu ser, a única pessoa que amo mais na minha vida é a minha filha... Por favor, acredita em mim, Foxy Lady... Sem você vou ficar realmente louco... Para mim você é a mulher mais linda do mundo, do sistema solar, da galáxia, do universo! E também é tão perfeita em todos os sentidos...  Eu sei que brinquei com seus sentimentos antes, te fiz sofrer... Eu me arrependo tanto, Emma... Me perdoa.

- Oh, Micky... – Emma acariciava o rosto dele e beijou-o na testa e em seguida na boca. – Eu perdoo.


                            


                           Emma passou aquele resto de tarde e aquela noite na casa de Micky. O Monkee disse à sua filha que Emma agora era a sua nova namorada, e a pequena Jane Roselyn  ficou muito feliz. Ela havia gostado muito daquela moça desde aquele dia no parque.
                            No dia seguinte, Emma decidiu ligar para Dianna e contar a novidade. A ligação demorou um pouco para se completar, pois era internacional, afinal Dianna ainda estava vivendo em Paris. Finalmente Emma ouviu:





- A-alô? – a voz de Dianna parecia um pouco... Gemida?

- Di? Sou eu, Emma! Eu tenho algo muito importante e muito bom para te contar!

- Aaah, é mesmo? Fala logo, não gosto de suspense...

- Micky e eu estamos namorando! Finalmente conseguimos nos acertar! Eu tô tão feliz, amiga!

- Eu imagino... E eu também estou feliz por você... Ah...

- Di? Tá tudo bem?

- Tudo ótimo... Maravilhoso...

- Di, você tá trepando com o Alain enquanto fala comigo? Você não para de gemer...

- Não com o Alain... AAAAH, DAVY!

- COM O DAVY? O QUE É QUE ESSE ANÃO PILANTRA TÁ FAZENDO COM VOCÊ?             

- Nós também... Oh, meu Deus... Nós também nos acertamos...

- Percebi...

- Di, desliga esse telefone...

- Emma, eu... Vou desligar...

- Certo, desligue e se concentre no seu amado.

                      
                            


                           Dianna sequer respondeu, apenas desligou.





- Eu já disse para a Di que ela deve tirar o telefone do quarto... Ninfo do jeito que ela é... – Emma resmungou.

- O que foi, Foxy Lady? – Micky indagou, percebendo que a namorada resmungava.

- Nada. Eu só liguei para a Di para contar que a gente se acertou... E a peguei num momento íntimo. Adivinha com quem.

- Davy?

- Sim, o anão de jardim que não vale um centavo. Ela o perdoou.

- Eu também não valho um centavo e você me perdoou.

- É diferente...

- Desculpe, Emma, mas eu acho que não. Tanto eu quanto Davy fomos dois babacas com vocês duas. Mas nós dois nos arrependemos. Amamos vocês. Se acredita que eu te amo, acredite que Davy ama Dianna.

- É... Você tem razão, Micky. Quando eu encontrar Davy novamente direi a ele que o perdoo por tudo que ele fez com a Di.

- É o certo a fazer. Agora... Que tal nós dois nos amarmos um pouco? – ele a abraçou pela cintura, com um sorriso malicioso no rosto.

- Claro. Vamos só tirar o telefone da tomada. – Emma riu.

                                                                            


                                                                             ***






1974



                    Desde uma visita dos Monkees à English Band na Track Records, a mente de Mike estava ocupada com pensamentos sobre Alana Watson, a baixista. Todos os seus três amigos estavam perfeitamente cientes disso.
                    No entanto, Mike estava um pouco temeroso. Sabia da sua fama de garanhão e infiel, o que poderia afastar Alana dele. E estava sofrendo com isso. Micky notou a tristeza que se abatia sobre seu amigo, e um dia chamou-o para conversar:



- Nez... Você está apaixonado pela Alana Watson, não está?

- Eu... Hã... Bem...

- Está sim. Eu te conheço. Não desista dela, cara. Eu confio em você. Se eu consegui conquistar a Emma, você conseguirá conquistar a Alana.

- Er... Valeu, Micky.


                      

                   Alguns dias depois, Micky e Emma passeavam pelas ruas de Londres, perto da Track Records, quando encontraram Mike no caminho.


- Hey, Mike! –  Micky cumprimentou o amigo. – Pra onde vai?

- Visitar o Edward na Track. – respondeu o texano.

- Mesmo? Não é a Alana? – inquiriu o outro Monkee com um sorriso malicioso.

- Ok, estou indo pra lá pra ver Allie. – Nez se deu por vencido.

- Certo. Mike, eu já volto. Vou ali à confeitaria e comprar um doce pra Emma. – Micky atravessou a rua, deixando sua namorada e seu amigo sozinhos.

- Que legal. – Emma sorria para o ex. Os dois ainda eram muito amigos, apesar de tudo. – Espero que ela seja uma boa pessoa.

- E ela é... E muito maravilhosa. – Mike suspirou.


   
                            Emma deu uma olhada pela rua... E viu alguém indo embora, parecendo desolada, após olhar naquela direção.

- Nez, aquela não é...?  - apontou para atrás do Monkee.

- ALLIE! VOLTA AQUI! – Nez correu atrás da amada.



                           Foi difícil, porém, depois de alguns dias, Mike e Alana conseguiram se acertar. Nesse meio tempo, Emma descobriu algo que a deixou muito feliz.




- Micky? – ela chamou o namorado numa certa tarde em que todos os Monkees estavam na enorme suíte do hotel.

- Sim, Foxy Lady?

- Eu tenho uma coisa muito importante para contar para você.

- O quê?  - ele ficou curioso.


                              Emma tentou encontrar as palavras.


- Hã... Bem... Jane Roselyn...

- O que tem a minha filha? – Micky intrigou-se ainda mais.

- Ela... Vai ter um irmãozinho. Estou esperando um bebê.


                                      
                                       Os olhos de Micky se arregalaram de surpresa.


- Um... Um bebê?

- Sim. – Emma sorriu, pegando as mãos do namorado.

- É ótimo, Emma... Fico tão feliz em saber que vou ser pai pela segunda vez! – ele abraçou a namorada e beijou-a suavemente.

- E eu fico muito feliz por você estar feliz. – ela o beijou novamente, trazendo a mão do namorado para sua barriga, onde ele fez uma carícia.




                                                           Cena pós-créditos da Marvel!





                   Passaram-se cinco meses desde que Emma e Micky descobriram sobre a gravidez dela. Eles se casaram numa cerimônia bem simples, com uma lista de convidados bem seleta. Os amigos de Micky, as amigas de Emma e as famílias dos noivos. O casal fez questão de convidar também Suzan, que ficou muito contente por ter sido chamada para o casamento. Peter e Erin trocavam olhares, os dela magoados, os dele conciliadores.
                 Peter conversava com Suzan, como havia feito no dia do casamento de Mike e Alana. Erin parecia estar evitando olhar para os dois, ocupando-se em conversar com Emma, Dianna e Alice. 
    Dois meses depois do casamento, Micky e Emma já estavam de volta da lua-de-mel  e Jane Roselyn havia passado aquele final de semana com eles. O casal estava levando a pequena de volta para a casa da mãe. Sue confiava em Micky, e ele tinha uma cópia da chave da casa. Ele destrancou a porta, e deparou-se com uma cena que decididamente não esperava. Peter e Suzan trocavam um beijo apaixonado.  Emma também estava chocada.


- O QUE É QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI? – Micky exclamou.

- Eu não acredito! – Emma gritou.

- Com tanta mulher no mundo, Peter, você quer justamente a minha ex-esposa? A mãe da minha filha? – Micky estava indignado.

- Nada me impede, Micky! – Peter protestou. – Seu único vínculo com a Sue é a J. Ro!

- Tio Peter! – a menina correu para os braços do Monkee atrapalhado. – Você e a mamãe estão namorando! Você vai ser meu novo papai!


- Sim, fofinha. – Peter abraçou a pequena, sorrindo, o que não deixou o pai dela muito contente.