Boa noite! Hoje vou postar mais uma oneshot da mega saga What If O Casamento. Desta vez, os protagonistas são Micky Dolenz e Emma Carlisle. E como de praxe, vai ter cena pós-créditos da Marvel. Boa leitura!
Foxy, Foxy
You know you are a
cute little heartbreaker
Foxy, yeah
And you know you are a
sweet little love maker
Foxy
Os
Monkees estavam ensaiando um cover do sucesso de Jimi Hendrix. Micky estava
somente no vocal daquela vez. Davy e Peter marcavam o ritmo, na bateria e no
baixo, respectivamente. Quando Micky parou de cantar, Mike tocou o poderoso
riff, fazendo jus ao original. Enquanto cantava, Micky pensava nela. Emma
Carlisle. A “Foxy Lady” por excelência.
Micky
sabia que havia magoado muito a loira no passado. Contudo, desde que sua
ex-esposa, Suzan Hardison, o havia deixado, a bela filósofa voltou aos seus
pensamentos.
I wanna take you home,
yeah
I won’t do you no harm
You’ve got to be mine,
all mine!
Ele estava ficando
louco por ela. “Como era mesmo que os antigos persas diziam? Davy me falou
esses dias... Ah sim! Majnun!”. Davy, que sempre leu demais, principalmente por
influência de Dianna, havia lido um livro da tradição persa antiga, chamado Layla e Majnun. O poema falava sobre um
casal que se amava, no entanto, ela, Layla, foi forçada pelo pai a se casar com
outro homem. O rapaz, então, enlouqueceu e passou a ser chamado de Majnun, que em farsi, a língua dos
persas, quer dizer “louco”. Majnun vivia como um eremita, vagueando e
escrevendo poemas de amor para Layla, até morrer. A história havia inspirado
Eric Clapton a escrever a canção chamada, justamente, Layla, em homenagem a Nami Okawa, a ex-namorada de Davy.
E
agora Micky via Layla surgir para ele na forma daquela linda mulher. Alta, com
sua pele delicada, seus cabelos dourados cortados curtos, seus grandes olhos
azuis como safiras, sempre vestida de forma elegante, raramente maquiada (pois
não precisava), porém, quando estava, sempre tinha muito rímel nos já longos
cílios e a boca pintada de vermelho. Vermelho como a paixão que um dia ela teve
por ele... E como a paixão que agora ele tinha por ela.
Sabia que conquistá-la seria uma tarefa
complicada. “Fiz tudo errado, tudo errado... Ter me casado com a Sue foi a
maior besteira que fiz... Pelo menos rendeu a minha linda princesinha Jane
Roselyn!”.
Mais
tarde naquele mesmo dia, Sue iria levar Jane Roselyn para passar o final de
semana com o pai. A filha era tudo para o Monkee doido. Pegava-se divagando
sobre um futuro em que ele poderia ser de fato feliz, com Emma ao seu lado.
Alguns filhos... E visitas constantes da sua filhinha querida.
Contudo, se Micky queria que esse futuro fosse possível, tinha antes que
tratar de conseguir o amor de Emma. E para isso... Tinha que falar com Mike.
- Mike... – Micky se aproximou do amigo.
Peter havia ido se encontrar com
sua namorada, Erin, e Davy havia saído em mais um dos seus passeios pensativos,
em que sofria por Dianna, a visão de Layla que ele tinha.
- O que foi, Micky?
- Quando dizem que o mundo dá voltas... Estão muito certos.
- Explique melhor o que quer dizer com isso, cara.
O baterista soltou um longo suspiro.
- Estou apaixonado pela Emma.
Mike, que
afinava a guitarra, a fez soltar um som desarmônico, com o susto que levou.
- Como é que é? Tá brincando?
- Claro que não! Sei que é estranho, mas eu não estou
fazendo piada desta vez.
- Você, apaixonado pela garota que te amou tanto, e cujo
coração você destroçou?
- Desse jeito você me magoa, Nez. Como se você não fosse um
destruidor de corações também...
- Eu sei dos meus podres. Estou arrependido de cada um
deles. Especialmente no que diz respeito a Alice. Mas, Micky... Você tem
certeza? Eu não acho que Emma vai acreditar em você...
- Eu também acho que não. Eu queria que você me ajudasse,
Nez... Eu tô ficando doido! Mais do que
eu já sou!
- E o que é que você quer que eu faça?
- Converse com ela. Sei que vocês acabaram ficando amigos
depois do término...
Isso era verdade. Emma e Mike haviam terminado em bons termos. No
entanto... A pobre moça havia fechado seu coração para o amor após o rompimento
com ele. Mike se culpava muito por isso. Não queria terminar de partir o
coração de Emma. Ela não merecia.
***
- Micky...
Após tantos anos, Emma se pegava pensando nele outra vez. Ele, o doido.
Ele, o grande amor por quem tanto sofreu após saber que ele estava noivo. “Não
posso falar da Dianna e sua mania de continuar apaixonada pelo tratante do
Davy, mesmo com toda aquela canalhice dele. Eu sofro do mesmo problema”.
A filósofa resolveu escrever para a amiga, que agora estava vivendo com
o irmão e a cunhada em Paris.
Londres, 15 de
fevereiro de 1973.
Olá, Di, como vai?
Eu não estou muito
bem. Sonhei com Micky esta noite. Eu acho que eu entendo seu problema. Acho que
o único dos Monkees que realmente presta é o Peter, mesmo o Nez sendo meu
amigo, mas... Eu ainda me sinto um pouco apaixonada pelo Micky. Esses picaretas
sempre acham um jeito de nos manter desejando-os, não é?
Me ajude... Eu não
quero cair no ciclo vicioso mais uma vez!
Beijos,
Emma
A resposta de
Dianna foi a seguinte:
Paris, 18 de fevereiro
de 1973.
Olá, minha querida
amiga Emma.
Eu vivo sonhando com o
Davy... Eu queria parar com isso. Eu tenho que virar a página, mas não consigo.
Penso tanto nele... Alain é maravilhoso, sexy, contudo, não apaga a lembrança
de Davy da minha mente.
Bom... Eu acho que
precisamos, nós duas, perdoar o que Davy e Micky fizeram conosco, e tentar
esquecer. Não era para ser assim. Nosso destino deve estar reservando outras
pessoas para nós, com quem seremos de fato felizes. Eu creio nisso.
Beijos,
Di
Emma começou a refletir após ler a carta de sua amiga. Dianna estava
certa sobre o perdão. Todavia, Emma não tinha muita certeza se encontraria
alguém. Parecia incapaz de amar novamente. Depois da experiência com Mike...
***
Micky havia acabado de chegar em casa após o dia no estúdio. Estava
prestes a colocar o disco de Jimi Hendrix na vitrola para ouvir a música que
lhe lembrava sua amada Emma, quando soou a campainha. Foi abrir a porta.
- Papai!
- Oi, princesa! – Micky abraçou a pequena Jane e a encheu de
beijinhos no rosto. – Que saudades! Como você está?
- Tô bem, papai! A mamãe me deu uma boneca nova!
- Que bom, meu amor! E você, Sue, como está? – Micky sorriu
para a ex.
- Estou bem, Micky, e você? – ela também sorriu. O ex-casal
convivia em bons termos.
- Também.
- Bom, Jane, você já sabe, não dê trabalho ao seu pai!
- Imagina, Sue, é sempre um prazer ter a Jane em casa, ela
não me dá nenhum trabalho! Não é mesmo, meu docinho?
- Sim, papai. – Jane sorria.
- Bom, eu volto para buscar a Jane na segunda depois do almoço,
certo, Micky?
- Certo, Sue.
- Jane, não deixe seu pai tacar fogo na casa, hein?
A pequena riu. Até mesmo o baterista se viu obrigado a rir. Era
realmente mais provável que sua filha impedisse que ele aprontasse algo do que
o contrário.
- Não vou deixar, mamãe.
- Então está bem. Até segunda, lindinha. – Sue abaixou-se e
beijou a filha. – Até mais, Micky. – Suzan deu um rápido beijo no rosto do
ex-marido.
- Até mais, Sue. – Micky sorriu, tocando onde foi beijado.
A escritora saiu da casa do Monkee
maluco. Micky perguntou à filha:
- Bom, filhinha, como vamos aproveitar o fim de semana?
- Eu queria ir ao parque...
- Então nós vamos passear no parque! Vou pegar sua bicicleta
na garagem.
Micky, então, levou a filha para
andar de bicicleta no parque mais próximo dali. O que ele não previa era que
Emma havia resolvido passear naquele mesmo parque, tentando arejar a mente e
deixar de pensar nele.
Num certo momento, Jane estava pedalando rápido demais, e quase trombou
com uma moça loira e alta que passava diante dela.
- Ei, cuidado, mocinha! – disse a jovem mulher, sorrindo
para a menina.
- P-perdão, moça.
- Está tudo bem, querida.
- Jane! Cuidado, filha! – Micky repreendeu-a. – Você se
machucou, moça? – quis saber ele.
A loira ergueu os
olhos para o pai da garotinha.
- Sim, eu estou bem, sua filha não me machucou... Micky?!
- Emma?!
- É... Quanto tempo... – Emma não conseguia olhar direto nos
olhos do seu antigo amado.
- P-pois é... – Micky também não conseguia encará-la.
Tentava reprimir um suspiro. Apesar de estar chegando aos trinta anos, Emma
ainda tinha um rosto bastante jovem.
- Sua filha é muito fofa, Micky. – Emma disse, gentil e
sincera.
- Obrigado, Emma. – disse Micky, enquanto a filha pegava a
mão dele.
- E como está a sua esposa?
- Sue... Sue está bem... Mas...
- Papai está separado da mamãe. – Jane disse a Emma.
Por essa a filósofa não esperava. Ele, solteiro outra vez? Bem agora que
ela não conseguia parar de pensar nele? Parecia obra do destino...
- É... É mesmo? – Emma não conseguia disfarçar sua surpresa.
- Sim... Não deu muito certo. – Micky confirmou.
- Eu... Sinto muito...
- Sue e eu ficamos amigos, Emma. É o mínimo que podemos
fazer por nossa filha...
- Estão certos.
- E você, Emma? Namorando?
- Não, desde que terminei com o Nez.
- Ah sim... Bom, foi legal rever você. Acho que é hora de
irmos para casa, Jane...
- Mas já, papai? – Jane protestou.
- Sim, filha. Está entardecendo e esfriando. Sua mãe vai me
matar se você pegar um resfriado. – Micky disse.
- Seu pai está certo, Jane. – Emma sorriu para a pequena. –
Foi legal rever você também, Micky. Até mais.
- Até mais, Emma.
Emma ficou vendo Micky e Jane indo embora. “Ele é um bom pai”, pensou. E
não pôde evitar sorrir. “Não, Emma, não fique mole demais... Você não pode”.
***
Ela chegou em
casa. Tomou um bom banho. Preparou macarrão com molho à bolonhesa para si e
jantou. Em seguida, foi para o quarto e colocou o pijama. Após vestir o pijama,
Emma resolveu ver um pouco de televisão até a hora de dormir. Assistiu a uma
reprise do Top Of The Pops... E quem
se apresentou? Os Monkees. “Parece brincadeira...”.
Desligou a TV e
foi se deitar. Apenas para perder o sono relembrando o breve período em que
ficou com aquele doido...
Ah, ele realmente
era um pedaço de mau caminho. Naquele dia de agosto de 1966, Emma conheceu o
homem que mais mexeu com ela em toda a sua vida. George Michael Dolenz Jr.
Skillet Face. Micky Dolenz.
Naquela época,
Emma tinha só 21 anos. Ainda era uma menina romântica e cheia de expectativas.
Não sabia explicar o que tanto a atraía naquele baterista. O jeito
extrovertido, maluco e engraçado? Ele também era bonito. Seu rosto tinha uma
beleza diferente... E ele era alto. À primeira vista parecia um magricela,
porém, Emma teve a sorte de ver os Monkees gravarem uma cena na praia, sem
camisa. Micky era tudo, menos magricela.
- Fecha a boca para
não entrar mosca. – gracejou Dianna.
- Olha quem fala!
Podia ao menos disfarçar enquanto olha para o anãozinho, Di!
- Anãozinho? Está mais
para um deus grego... Um deus grego em tamanho miniatura. Um pequeno Apolo. – a
amiga de Emma suspirava, perdidamente apaixonada por Davy Jones.
- Pois eu digo que
esse Micky Dolenz é um deus grego também!
- Só se for o deus da
loucura!
- Sim! Um Dioniso...
- Depois sou eu quem
enlouquece quando se apaixona!
- Não negue, Di, você
enlouquece sim... Mas eu também estou perdendo a cabeça...
E como perdeu a
cabeça. Após algumas semanas de tímida observação, Emma tomou coragem de ligar
para ele, após conseguir o número do telefone por meio de Dianna, a qual havia
armado um esquema para conseguir o telefone de Davy e de quebra ajudado a
amiga.
A jovem ligou para o
amado.
- Alô?
- Oi, com quem eu
falo?
- Com Suzan
Hardison.
- Meu nome é Emma
Carlisle... Eu gostaria de falar com o Micky Dolenz, ele está?
- Bem... Está, só um
momentinho.
Emma tremeu nas bases
quando ouviu a voz feminina do outro lado da linha. “Ele tem namorada... Eu não
dou sorte mesmo!”. Então ele pegou o telefone.
- Alô? Emma?
- Oi, Micky! Tudo bem?
- Tudo, e com você?
- Também... Você está
livre amanhã à tarde?
- Amanhã? Não, tenho
ensaio com a banda, sabe...
- E no sábado?
- Também não.... Desculpa, Emma, mas preciso desligar,
tchauzinho.
Depois que colocou o telefone
no gancho, Emma soltou um longo suspiro. Metade da sua esperança já havia se
esvaído. Talvez a tal Suzan fosse só uma prima de Micky... No entanto, poucos
dias depois, quando Emma estava no supermercado...
- Olá, Emma.
- O-oi, Micky. – o
corpo inteiro da moça tremia.
- Esta aqui é minha
noiva, Sue. Bom, você já falou com ela
ao telefone.
“Noiva? Como assim? Oh, meu
Deus, Micky, não faça isso comigo!”
- Como vai, Emma? –
Suzan estendeu sua mão para a jovem filósofa apertar.
- Eu vou bem. –
respondeu Emma, apertando a mão da escritora de livros infanto-juvenis e
poetisa. – Ah, me deem licença, preciso ir.
- Até logo. – disse o
casal.
Extremamente nervosa, Emma
pagou as compras no caixa e foi para casa. Depois de guardar tudo, telefonou para
Dianna.
- Alô?
- Dianna! Preciso que
você me ouça, por favor, por favor!
- Emma, acalme-se,
pelo amor de Deus! O que houve?
- Ela, ela... Ela é
noiva do Micky, Dianna! Noiva!
- Eu... Eu não sei o
que dizer, Emma.
- Se Micky soubesse o
quanto me machuca...
- Diga isso a ele.
- Ficou maluca? Nunca!
E, mesmo que eu dissesse isso a Micky, de que adiantaria? Ele não romperia um
noivado por minha causa! Nenhum homem em sã consciência faria isso.
- Bem, tudo que posso
te aconselhar neste momento é que volte sua atenção para outros rapazes, Emma.
Emma fez o possível para seguir o
conselho da amiga... Contudo, não conseguia. Era tão torturante. Por mais que
lutasse, a loira não se esquecia do mais maluquinho dos Monkees. Até mesmo
acabou roubando um beijo de Micky uma vez, sem saber que a noiva dele viu tudo.
Até que um dia...
- Emma, Emma! – Dianna
correu para a amiga na sala dos professores da escola onde lecionavam.
- O que foi, Di? –
Emma indagou, surpresa com a afobação da amiga.
- Davy me contou algo
que creio que você vai adorar saber!
- O quê?
- Micky rompeu o
noivado com Suzan!
- O... O quê? – Emma
caiu sentada na cadeira mais próxima.
- O que você vai
fazer, amiga?
- Não sei... Realmente
não sei, Di.
- Acho que neste
momento você deveria deixar seu coração se sobrepor à sua razão. – Dianna
sugeriu.
O coração de Emma dizia que ela
deveria tentar ter Micky para si, não deixar passar a oportunidade. Porém, ela
ainda tinha seus receios. E se mesmo assim fosse rejeitada? Ela realmente não
imaginava o que iria acontecer dali a alguns dias...
Ela ouviu sua campainha tocar,
numa certa tarde. Foi atender.
- Micky?
- Olá, Emma. Eu...
Quero que aceite as flores. – Micky deu a Emma um ramalhete de margaridas.
- Oh, Micky, que
gentileza...
- Não sei se você está
sabendo... Sue e eu terminamos.
- É... Me contaram.
- Emma... Não me tome
por um safado nem nada... Eu quero lhe dar uma chance.
Os olhos azuis de Emma se
arregalaram de surpresa.
- Uma chance?
- Sim. Você é uma
garota bonita e legal... Merece. – Micky sorriu.
Emma beijou o rosto de
Micky. E a partir daquela aproximação um pouco encabulada, teve início uma
relação que, pelo menos em seus primeiros dias, foi tórrida. Micky foi o
primeiro homem na vida de Emma, e ela se apaixonou mais ainda após se entregar
a ele.
No entanto, ela
percebia que Micky não a correspondia com a mesma intensidade. Seus beijos não
tinham tanto ardor. Quando passavam a noite juntos, o ato não era tão
preenchido por paixão. “Ele ainda ama Suzan”, Emma constatou tristemente.
Ela não sabia como
encarar o problema. Uma parte dela desejava reter Micky consigo a qualquer
custo. Amava-o demais para abrir mão dele. E outra parte...
- Não posso fazer
isso, não tenho esse direito! Não dizem que quando se ama, é preciso deixar a
pessoa amada ser livre para fazer suas próprias escolhas... ? Ai, como dói!
Decidiu acabar logo com
aquilo.
- Micky... Precisamos
conversar.
- O que houve, Emma?
Ela respirou
profundamente antes de começar a falar.
- Por favor, seja
sincero.
- Claro...
- Micky... Você ainda
ama a Suzan?
O Monkee não
considerava essa uma pergunta fácil de responder. De fato, Emma era muito
atraente, e Micky não gostava dela só pela beleza física. Ela era meiga,
carinhosa, inteligente, e ele gostava da companhia dela. Mas...
Somente com Suzan Micky se sentia
completo. Ela, com seu jeito doidinho e divertido de ser, como ele próprio. Não
podia negar que estar longe dela o corroía aos poucos. Entretanto, ele também
temia magoar Emma. Ele percebia o quanto ela o amava, em cada sorriso, cada
gesto, cada olhar, cada beijo. Como poderia deixá-la?
- Emma... – ele pegou
a mão dela. – Me perdoa!
- Isso quer dizer que
você ainda ama a Suzan?
- Sim... Por favor...
Eu odeio magoar você assim...
- Não há o que fazer,
Micky. Ninguém manda no coração...
“Se eu te amo, Micky, então
devo te deixar ir e ser feliz... Só espero que não se esqueça de mim... Diga
que nos veremos outra vez... Nem que seja nos seus sonhos mais loucos...”.
Emma julgou que seria
correto procurar Suzan e explicar a situação. Não teve exatamente a recepção
que imaginava...
- Olá, Suzan está? –
perguntou ela a uma moça, negra, com uma tonalidade de pele muito bonita, que
atendeu a porta da casa da ex-namorada de Micky.
- Está no banho. – mentiu
Elena Valdez. Esse era o nome dela, a melhor amiga de Suzan. – Qual é o seu
nome?
- Emma.
- Emma Carlisle?
- Eu mesma.
- Então você é a
sirigaita que roubou o Micky da minha amiga Sue!
Emma sentiu seu rosto
corar.
- Vai embora daqui!
Não aporrinhe a Sue!
- Quem está aí,
tenente Uhura? – Sue saía do banho. Ela sempre se referia à amiga por esse
apelido, tirado da série Star Trek.
- Sue, eu... – Emma
tentou falar.
- Emma! O que é que
você quer?
- Suzan... Aceite o
Micky de volta. Ele ainda ama você!
- Eu não quero saber
dele! Dê um jeito para que ele possa te amar!
- Mas...
- Sem mas! Comigo
Micky não tem mais nenhuma chance!
Contudo, Micky acabou reconquistando Suzan, casou-se com ela e tiveram
Jane Roselyn. Por uma estranha ironia do destino, o casal acabou se
divorciando, mas mantendo a amizade.
E nesse interim, Emma teve outros. David Crosby, o Byrd, que demorou
para conquistá-la, e acabou deixando-a por uma intriga feita por Kathy
Giordano, namorada de Chris Hillman e amante de Roger McGuinn. Para salvar sua
pele, Kathy “incriminou” Emma, e Crosby desmanchou tudo. Em seguida... Veio
Mike. O belo, talentoso, gentil e sensual Mike Nesmith, amigo de Micky. Emma
acreditou que com Nez poderia ter felicidade. Todavia, isso não se concretizou.
Mike não havia esquecido Alice Stone, seu grande amor e amiga de Emma. A
filósofa entendeu que, apesar de ela e o guitarrista se adorarem, não poderiam
continuar juntos numa relação amorosa. E assim, Emma e Mike ficaram sendo
grandes amigos.
“Eu deveria tentar mais uma vez?
Ainda amo você, Micky... Porém... Não quero que a história se repita... Eu não
iria suportar...”.
***
Mike
estava parado em frente à porta de Emma. Havia tomado a decisão de ajudar Micky
a conquistá-la. Porém, naquele momento hesitava em tocar a campainha da
ex-namorada, e agora amiga. Por que essa relutância?
Poderia ainda sentir algo mais do que amizade
por ela? Não podia negar o quanto Emma
era uma lembrança especial... “Não, cara. Você não vai trair o Micky dessa
maneira. Isso não se faz com um amigo de longa data como ele”. Por fim, tocou a
campainha.
- Olá, Nez! – Emma sorriu ao vê-lo, e abraçou-o.
- Oi. – ele sorriu também. O cabelo dela ainda tinha aquele
cheiro delicioso de que ele se lembrava.
- Que bom que veio me ver! Entre. – Emma convidou.
O Monkee
concordou. Estava difícil resistir ao charme da loira alta. “Amo Alice mais do
que tudo... Mas Emma é tão... Divina! Que Micky me perdoe...”. Emma disse a Mike que se sentasse no sofá e foi
até a cozinha preparar chá. Logo ela voltou, carregando uma bandeja com o bule,
duas xícaras e um potinho de cubos de açúcar.
- Emma... Eu vim aqui para te falar de algo importante.
- O quê?
- É...
Ficou em
silêncio. Emma intrigou-se.
- Diga, Nez. – ela o instou a falar.
- Bem... Emma, eu gosto muito de estar na sua companhia, mas
eu vim te visitar para falarmos sobre... O Micky.
- O Micky?! – Emma conseguiu repetir.
- Sim. Emma... Ele veio me confessar que, mesmo sabendo que
não te tratou totalmente bem, se arrepende disso. E que... Está apaixonado por
você.
- O quê? Você está me fazendo de boba, Nez?
- Claro que não, Emma! Por que eu faria você de boba?
- Nez... Ele nunca me quis. Por que de repente ele se
apaixonaria por mim?
- As pessoas mudam...
- Fazia muito tempo que Micky e eu não nos víamos, até dois
dias atrás, Nez! Não é possível que ele tenha se apaixonado estando longe de
mim!
- Mas foi o que aconteceu, Emma...
- Nez... Pare de insistir, por favor.
Emma colocou a xícara na bandeja. Recolheu as pernas junto ao corpo e
abaixou a cabeça, apoiando-a nos joelhos. Começou a chorar. Mike ficou
profundamente sensibilizado diante da cena.
- Emma... Calma. Não chora. – Mike abraçou-a, timidamente.
- Ah, Mike... Eu amo tanto o Micky, mas também tenho tanto
medo! Da última vez acabou tudo tão mal... Ao menos ele não tem
ressentimentos... – a filósofa molhava a camisa do Monkee com suas lágrimas.
- Não precisa ter medo... Estou dizendo que ele está
apaixonado por você, não estou? – ele acariciava os cabelos loiros de Emma, e
ergueu o queixo dela com a outra mão para em seguida limpar suas lágrimas, que
realçavam o azul de seus olhos.
Ficaram os dois olhando um nos olhos do outro durante vários minutos.
Mike não pôde mais se conter, e beijou Emma.
- M-Mike... – Emma tocou os lábios do ex quando ele a
soltou.
- Perdão, Emma, perdão. Eu não pude me conter.
- Está tudo bem... Ai, eu não sei como devo agir, o que devo
sentir... Eu só... Quero você por mais uma noite, Nez.
- Mais uma noite? – os olhos de Mike brilharam ao repetir
isso. Decididamente ele ainda sentia alguma coisa por Emma.
- Sim... – a moça acariciou os cabelos de Mike, em seguida
descendo para a nuca.
O gesto de Emma deixou Mike desejoso.
Ele a envolveu nos braços e a beijou longamente. Ela interrompeu o beijo para
remover a camiseta da Triumph do Monkee.
- Micky tem uma
igual... – ela murmurou.
- Posso presumir
que você gosta de homens que gostam de camisetas da Triumph?
- Possivelmente. –
Emma sorriu maliciosa, acariciando o peito de Mike.
As mãos dele
deslizaram para as coxas dela, já fazendo a parte íntima de Emma umedecer. Ela
desfivelou o cinto dele. Preparava-se para abaixar a calça de Mike quando ele
colocou as mãos dentro de sua blusa e deu leves apertões em seus seios.
- Nez...
- Senti falta de
você, Emma. – ele disse, antes de beijar o pescoço dela.
- Eu também...
Emma
abaixou as calças de Mike, bem como as suas. Tocou lá embaixo, e ele gemeu. Em
resposta, tirou a blusa dela e a fez deitar no sofá, não antes de ela tirar seu
sutiã.
Estando
Emma apenas de calcinha e Mike apenas de cueca, ele tirou a peça íntima dela
com os dentes e uma das mãos. A boca de Mike tão próxima de sua região íntima
fez Emma gemer, gemer genuinamente. Ele beijou a parte interna das coxas dela,
deixando marquinhas roxas.
- Mike, oh,
Mike! - ela exclamava, e o segurou mais
fortemente.
Mike tirou sua
cueca e finalmente deu início às estocadas. Começaram lentas, contudo, foram
ganhando velocidade conforme os minutos passavam. Emma e Mike trocavam beijos
ardentes e gemiam entre um e outro. Chegaram ao clímax, trocaram um olhar
intenso e se separaram.
- Foi... Muito bom. – disse Emma, alisando os cabelos de
Mike.
- Concordo. – ele beijou a testa dela.
- Você já vai embora ou...
- Vou ficar aqui com você esta noite. Isto é, se você não se
importar.
- É meu convidado de honra hoje à noite, Nez. – disse Emma,
sorrindo.
Levantou-se do sofá e foi buscar no quarto dois travesseiros e uma
coberta. Ajeitaram os travesseiros, aconchegaram-se nos braços um do outro e
cobriram-se com a manta. Eram ainda 20h30min. Não haviam jantado, no entanto,
não se importaram. Dormiram a sono solto, para acordar apenas às 6h00min do dia
seguinte.
- A que horas tem que estar no estúdio hoje, Nez?
- Daqui a uma hora e meia, mais ou menos. Queremos gravar
umas coisas próprias que escrevemos recentemente, além de uns covers. O Davy
está querendo fazer um cover de Layla,
eu estou preocupado.
- O Davy? Cantar Layla?
Justo a música que o Clapton escreveu quando estava louco pela Nami?
- Pois é. Segundo
Davy, o faz lembrar-se da Dianna e o que sente por ela.
- Mas é um picareta mesmo... Largou a minha amiga por aquela
japonesinha, que já o tinha largado pelo Clapton... Aí o Clapton gostou daquela
modelete e começou tudo de novo!
- Emma, sei que não acredita que Davy se arrepende do
término com a Di...
- Não acredito mesmo. Mas, por que está preocupado com o
fato de o anão querer gravar uma versão de Layla,
Nez?
- Ora essa, Emma!
Aquela música é um desafio e tanto para qualquer guitarrista que não seja o
Deus Eric Clapton...
- Você vai conseguir. Confio em você e no seu talento.
- Obrigado, Emma. Adoro você.
- Também adoro você.
Emma deu um
beijo no rosto de Mike e cada um começou a se preparar para o dia de trabalho.
***
- 1, 2, 3, 4! – Micky marcou o compasso com as baquetas.
Davy tomou fôlego e começou a cantar:
What will you do when
you get lonely
And nobody’s waiting
by your side?
You’ve been running
and hiding much too long
You know it’s just
your foolish pride
De
fato, Emma vinha fugindo e se escondendo do amor havia muito tempo, como Mike
havia lhe contado. Porém, Micky não podia dizer que Emma fazia isso por
“orgulho tolo”. Não. Ela tinha todos os motivos do mundo para isso. Já havia
sofrido demais por amor. E ele, Micky, era a principal causa desse sofrimento.
Foi a primeira desilusão da pobre garota.
Layla
You’ve got me on my knees
Layla
I’m begging, darling,
please
Layla
Darling, won’t you
ease my worried mind?
Emma tinha Micky
aos seus pés. E ele estava ficando louco por ela. Se era possível para ele se
tornar ainda mais louco.
Tried to give you
consolation
When your old man let
you down
But like a fool
I fell in love with
you
Darling, you turned my
world upside down
Ele
tentou consolá-la quando tomou a decisão de deixá-la para voltar para Sue.
Contudo, ele foi tolo durante todo aquele tempo. Micky apaixonou-se por Emma, e
ela virou seu mundo de cabeça para baixo.
Layla
You’ve got me on my
knees
Layla
I’m begging, darling,
please
Layla
Darling, please, won’t
you ease my worried mind?
Micky não se via no
direito de amar tanto Emma. Ele a fez sofrer demais. Ao mesmo tempo, desejava
mais do que tudo poder ajeitar as coisas... Sabia que era assim que Davy se
sentia enquanto cantava, pensando em Dianna.
Make the best of the
situation
Before I finally go
insane
Please, don’t say
we’ll never find a way
Or tell me all my love
is in vain
Era isso. Emma tinha que determinar
qual era a melhor solução, antes que o Monkee ficasse realmente louco. Ou ela
garantia que não havia meio possível... Ou dizia que todo o amor dele era em
vão.
Layla
You’ve got me on my
knees
Layla
I’m begging, darling,
please
Layla
Darling, won’t you
ease my worried mind?
Só
restava a Micky uma atitude: procurá-la, falar com ela e ver o que ela tinha a
dizer sobre isso. Tudo ou nada.
***
Lá foi ele. Com a cara e a coragem. “O máximo que pode acontecer é ela
dizer ‘não’, Micky, relaxa”. Como se ele fosse ser capaz de relaxar diante da
possibilidade de ser dispensado por Emma Carlisle!
Tocou a campainha do apartamento de Emma. Ela
abriu. Vestia uma camiseta surrada de Princeton, a universidade onde havia se
formado, e uma calça larga de moletom. O cabelo preso num pequeno coque
desajeitado. No entanto, linda como sempre.
- Micky? O que você quer aqui?
- Emma, eu suponho que Nez tenha falado com você sobre...
- Você estar apaixonado por mim?
O baterista ruborizou-se.
- Bem... Sim.
- Micky, sinceramente... Eu não acredito muito nisso.
- Se me permite perguntar... Por quê, Emma?
- Por quê? E ainda me pergunta? Vocês, homens, são todos
iguais, sem tirar nem pôr! Chegam, dizem que estão apaixonados, nos fazem de
otárias e vão embora! Davy foi assim com Di, Nez foi assim com Alice e comigo,
VOCÊ FOI ASSIM COMIGO! Estou só
esperando o Peter magoar a Erin...
- Emma, não tiro sua razão. De fato, Davy, Nez e eu fizemos
muitas burradas na vida. Mas Davy ama Di, e a quer de volta...
- ELE SÓ A QUER PELO SEXO!
Micky fez um gesto de “não está mais aqui quem falou” com as mãos, e
continuou.
- Mas você conhece o Nez tão bem quanto eu. Você sabe que
ele é louco pela Alice, e o que mais deseja é o perdão dela. O seu ele já
obteve, ou já se esqueceu de que o perdoou?
- Não, eu não esqueci. E muito menos esqueci aqueles dias em
1966.
- Sobre isso...
- O que vai dizer? Que realmente me amou naquela época? Eu
não sou idiota!
- Emma, realmente eu não te amei naquela época. Mas...
Aqueles momentos se conservaram na minha mente. Toda vez que os rememorava...
Eu percebia o quanto você era maravilhosa e eu apreciava a sua companhia. Eu
aprendi a amar você, Emma. Eu sei que é difícil de acreditar, entretanto...
- Não me venha com essa! Você sempre amou a Suzan! Eu tentei
ajudar vocês... E o que ganhei como recompensa? Fui expulsa da casa por aquela
amiga maluca dela quando fui tentar conversar!
- A Elena? Ela fez exatamente o que você fez com o Davy
naquele dia...
- Por que fica me contrariando? Vai embora e me deixa em
paz, Micky...
- Em algum lugar no fundo desse seu coração resistente você
ainda me ama...
Emma nada
respondeu. Apenas encarou Micky irritada.
- Quem cala consente...
- VAI EMBORA DAQUI, MICKY DOLENZ! ESTOU CANSADA DE SOFRER
POR SUA CAUSA!
Micky
percebeu que não adiantava insistir. Ela não o queria mais. Foi embora,
desolado. Como podia ter sido tão otimista? Deveria ter imaginado...
Voltou para
casa. Mais tarde, era hora de buscar Jane Roselyn no colégio. Ele estava
cuidando dela para Sue poder se dedicar à escrita de seu novo romance. A
garotinha percebeu que o pai estava diferente. Ele não estava falando tanto,
nem tão agitado quanto costumava ser.
- Papai, o senhor tá triste? – a pequena perguntou.
- Não, meu amor. Tá tudo bem. O papai tá só cansado.
- Mesmo quando o senhor tá cansado não fica assim!
- Não se preocupa, filhinha. É coisa de adulto. – Micky
beijou a testa da filha.
Tudo o
que lhe restava era tocar o barco. Voltar a sua atenção para outras mulheres.
Logo veio à sua mente uma imagem que ainda o deixava louco: a fotógrafa da Rolling Stone. Felicity McGold. “Agora
que ela se divorciou do Townshend... Ela vai ser minha! Espere por mim,
Fefe...”.
- Agora você pirou de vez! – Davy exclamou.
- Não, meu amigo, eu estou tão em uso das minhas faculdades
mentais quanto possível. – Micky respondeu. – Aquela Vênus de Gales será minha!
Já que Emma não me quis...
- Micky, a Felicity NUNCA foi com a sua cara! Não vai ser
diferente agora! – Peter alertou o amigo.
- Deixem ele quebrar a cara, rapazes, deixem... Assim ele
sossega o facho. – Mike disse.
- Nossa, é para isso mesmo que os amigos servem? Para botar
urucubaca nos planos?
- Não estamos botando urucubaca! – os outros três Monkees
protestaram.
- Micky, meu chapa, a gente está falando isso para o seu
bem! – Mike tentou explicar.
- Não queremos que você sofra mais ainda! – Peter agitava os
braços, exasperado.
- Em suma, nos preocupamos com você. – Davy concluiu.
Micky
percebeu que, de fato, Peter, Nez e Davy só queriam que ele fosse feliz. Mas
mesmo assim, o baterista ainda quis insistir na tentativa de conquistar a bela
fotógrafa. Parecia que o universo
conspirava ao favor dele. Quem encontrou durante um passeio pelo shopping em
Londres? Ela mesma.
- Ora, ora, Felicity McGold! Sete anos se passam e você
ainda continua a belíssima criatura de antes! Arriscaria dizer até mesmo que
melhorou com a idade...
A morena virou-se para
ele.
- Micky Dolenz. Você também não mudou nadinha. Continua o
chato de sempre.
- Cada insulto seu soa como um elogio aos meus ouvidos,
minha Vênus galesa. – Micky aproximou-se mais de Felicity.
Ela
recuou um passo.
- Micky, acho que você sabe muito bem o que sempre pensei de
você.
- Ah, eu sei, Fefe. E você também sabe muito bem o que
sempre pensei de você. Eu soube que você
está divorciada do Townshend... Eu sempre soube que ele não servia para você.
- Não servia mesmo... E você muito menos, Micky!
- Ora, Fefe, você está enganada... E eu vou te mostrar. Me
dá um beijinho?
- Vai sonhando, seu macaco abusado!
- Exatamente, vá sonhando! – uma voz masculina rugiu atrás
de Micky.
Ele e Felicity viraram-se
na direção da voz. Era um homem alto, de cabelos e olhos claros, um pouco
narigudo. Ele falava com um sotaque... Holandês?
- Esse sujeito está importunando você, minha deusa? – o
holandês indagou a Felicity.
- Chegou em boa hora, Johan! Sim, ele está! – Felicity
respondeu, aliviada.
- Escuta aqui, seu traste, ou você se afasta da Felicity
agora mesmo... Ou eu arrebento essa sua cara de frigideira!
- Er... Hã... Bem...
***
Emma
acabava de sair de uma livraria ali naquele mesmo shopping. Olhar os livros e,
quando possível comprá-los, era muito terapêutico para a filósofa. Ela ouviu um
burburinho de confusão uns metros adiante. Viu um aglomerado de pessoas
observando um pouco de longe dois homens e uma mulher. Um dos homens tentava
golpear o outro. Emma parecia conhecer o que estava sendo atacado... Olhou mais
atentamente e viu que realmente o conhecia. “O que você aprontou agora,
Micky?”, Emma se perguntava. Correu até o local do tumulto.
- Ei! Largue ele! – ela exclamou para o loiro que tentava
surrar Micky.
- Emma? – Micky viu-a correndo até ali, muito surpreso.
- Solte-o! Agora! – Emma ordenou a Johan.
- Você deu sorte da sua defensora aparecer, seu canalha... –
Johan rosnou, soltando Micky, que só não caiu de cara no chão porque Emma o
segurou. Então ela viu quem era a mulher.
- Ora, olá, Felicity! – Emma a conhecia através de Alice. –
Como vai?
- Vou bem, Emma, e você? Tire o Micky daqui antes que o
Johan faça picadinho dele...
- Farei isso, Fefe.
Ela praticamente
arrastou Micky dali. Foi para a praça de alimentação, entrou com ele num
fast-food, colocou-o sentado numa cadeira e foi até o balcão pedir um saquinho
com gelo. Assim que conseguiu a compressa improvisada, os dois foram para o carro de Emma e ela deu
a compressa a Micky, que pressionou-a sobre o olho roxo.
- Muito bem, seu macaco maluco, o que você fez para aquele
holandês querer te socar? Como ele disse, a sua sorte foi que eu apareci... É a
primeira e a última vez que eu te salvo!
- Ele não ficou muito feliz de me ver conversando com a
Fefe...
- Conversando ou passando cantada? Porque me parece mais a
segunda opção... – Emma resmungou.
- Ok, ok, foi a segunda opção. Mas...
Micky não pôde concluir a frase.
Emma socou seu outro olho.
- AI!
- E AINDA TEM A AUDÁCIA DE DIZER QUE ESTÁ APAIXONADO POR
MIM! VOCÊ NÃO PRESTA, MICKY DOLENZ! A COITADA DA JANE NÃO MERECE O PAI QUE TEM!
O QUE VOCÊ FEZ PARA A SUZAN TE DEIXAR? APOSTO QUE ELA TE VIU SE ENGRAÇANDO COM
ALGUM RABO DE SAIA!
- Emma, Emma. Calma. Eu... Posso explicar...
- Ah é? Vai ser muito divertido ouvir a sua explicação. –
Emma cruzou os braços e encostou-se na porta do motorista.
- Emma... Eu... Quis tentar com a Felicity porque... Você me
dispensou.
- AH, AGORA A CULPA É MINHA?
- Eu não disse isso. A culpa é única e exclusivamente minha.
Mas... Eu não sei o que deu em mim. Acho que eu queria afogar as mágoas de
alguma maneira... E não sei por quê, mas julguei que me arriscar a tentar algo
com a Fefe seria uma boa forma de te esquecer...
A
loira não parecia muito convencida com a justificativa de Micky.
- Nunca ouvi tanta babaquice...
- Emma, é sério! Eu... Eu te amo.
Subitamente, Emma ficou paralisada. Aquelas três palavras, que ela
sempre sonhou ouvir dele, não lhe soaram falsas. Não mesmo...
- Eu te amo, Foxy Lady. Eu juro. – Micky pegou as mãos de
Emma, que haviam caído no colo dela quando ela descruzou os braços, em
decorrência do choque.
- Por que eu estou tentada a acreditar nisso, mesmo sabendo
que não deveria?
- Porque é inquestionável? – Micky falou em tom jocoso.
- Cala a boca. – Emma não pôde mais aguentar. Agarrou Micky
e beijou-o.
Ele levou a mão aos cabelos dourados de Emma, fazendo um carinho ali,
enquanto aprofundava o beijo, e ela trazia o corpo para ainda mais perto dele.
- Esperei tanto por isso, Emma, minha Layla, minha Foxy
Lady...
- Você é um idiota completo, Micky, mas eu te amo também...
Desde 1966.
O beijo ficava mais quente a cada instante. Emma acabou por se deitar
por cima de Micky. Ela lambia os lábios dele, enquanto ele enfiava as mãos por
baixo da blusa de Emma e apalpava os seios dela. Emma desceu uma das mãos até o
meio das pernas de Micky e apertou ali.
- Ah... Emma... –
ele suspirou.
- Me ama, Micky! É
uma ordem! – ela exclamou.
Micky
não se fez de rogado. Emma e ele inverteram as posições nos bancos do carro.
Ela abriu o cinto e a calça dele, em seguida abaixando a cueca dele e revelando
o membro rijo. Micky abriu sua própria camisa antes de erguer a saia de Emma e
abaixar a calcinha dela. Passou as mãos por toda a extensão das longas pernas
de Emma, apenas para fazê-la sentir sua região íntima umedecer.
- Está pronta,
Foxy Lady?
- Sim! Ande logo,
seu macaco doido!
O Monkee deu início às
penetrações, proporcionando muito prazer
para ele e sua amada. Ele beijava o pescoço de Emma, enquanto ela arranhava seu
peito. Ficava mais e mais rápido. Até que chegaram ao máximo do êxtase, exclamando juntos, e, antes de se separarem,
ofegantes e suados, trocaram um ardente beijo.
- Eu não pensei que fosse possível... Reconquistar você,
Emma...
- Eu nunca deixei de te amar, Micky. Mesmo tendo sofrido
tanto.
- Fica comigo... Prometo que nunca mais vou te magoar.
- Mesmo?
- Sim. Emma, eu te amo com todo o meu ser, a única pessoa
que amo mais na minha vida é a minha filha... Por favor, acredita em mim, Foxy
Lady... Sem você vou ficar realmente louco... Para mim você é a mulher mais
linda do mundo, do sistema solar, da galáxia, do universo! E também é tão
perfeita em todos os sentidos... Eu sei
que brinquei com seus sentimentos antes, te fiz sofrer... Eu me arrependo
tanto, Emma... Me perdoa.
- Oh, Micky... – Emma acariciava o rosto dele e beijou-o na
testa e em seguida na boca. – Eu perdoo.
Emma passou aquele
resto de tarde e aquela noite na casa de Micky. O Monkee disse à sua filha que
Emma agora era a sua nova namorada, e a pequena Jane Roselyn ficou muito feliz. Ela havia gostado muito
daquela moça desde aquele dia no parque.
No dia seguinte, Emma decidiu ligar
para Dianna e contar a novidade. A ligação demorou um pouco para se completar,
pois era internacional, afinal Dianna ainda estava vivendo em Paris. Finalmente
Emma ouviu:
- A-alô? – a voz de Dianna parecia um pouco... Gemida?
- Di? Sou eu, Emma! Eu tenho algo muito importante e muito
bom para te contar!
- Aaah, é mesmo? Fala logo, não gosto de suspense...
- Micky e eu estamos namorando! Finalmente conseguimos nos
acertar! Eu tô tão feliz, amiga!
- Eu imagino... E eu também estou feliz por você... Ah...
- Di? Tá tudo bem?
- Tudo ótimo... Maravilhoso...
- Di, você tá trepando com o Alain enquanto fala comigo?
Você não para de gemer...
- Não com o Alain... AAAAH, DAVY!
- COM O DAVY? O QUE É QUE ESSE ANÃO PILANTRA TÁ FAZENDO COM
VOCÊ?
- Nós também... Oh, meu Deus... Nós também nos acertamos...
- Percebi...
- Di, desliga esse
telefone...
- Emma, eu... Vou desligar...
- Certo, desligue e se concentre no seu amado.
Dianna sequer
respondeu, apenas desligou.
- Eu já disse para a Di que ela deve tirar o telefone do
quarto... Ninfo do jeito que ela é... – Emma resmungou.
- O que foi, Foxy Lady? – Micky indagou, percebendo que a
namorada resmungava.
- Nada. Eu só liguei para a Di para contar que a gente se
acertou... E a peguei num momento íntimo. Adivinha com quem.
- Davy?
- Sim, o anão de jardim que não vale um centavo. Ela o
perdoou.
- Eu também não valho um centavo e você me perdoou.
- É diferente...
- Desculpe, Emma, mas eu acho que não. Tanto eu quanto Davy
fomos dois babacas com vocês duas. Mas nós dois nos arrependemos. Amamos vocês.
Se acredita que eu te amo, acredite que Davy ama Dianna.
- É... Você tem razão, Micky. Quando eu encontrar Davy
novamente direi a ele que o perdoo por tudo que ele fez com a Di.
- É o certo a fazer. Agora... Que tal nós dois nos amarmos
um pouco? – ele a abraçou pela cintura, com um sorriso malicioso no rosto.
- Claro. Vamos só tirar o telefone da tomada. – Emma riu.
***
1974
Desde uma visita dos Monkees à English Band na
Track Records, a mente de Mike estava ocupada com pensamentos sobre Alana
Watson, a baixista. Todos os seus três amigos estavam perfeitamente cientes
disso.
No entanto, Mike estava um
pouco temeroso. Sabia da sua fama de garanhão e infiel, o que poderia afastar
Alana dele. E estava sofrendo com isso. Micky notou a tristeza que se abatia
sobre seu amigo, e um dia chamou-o para conversar:
- Nez... Você está apaixonado pela Alana Watson, não está?
- Eu... Hã... Bem...
- Está sim. Eu te conheço. Não desista dela, cara. Eu confio
em você. Se eu consegui conquistar a Emma, você conseguirá conquistar a Alana.
- Er... Valeu, Micky.
Alguns dias depois, Micky e Emma passeavam pelas ruas de Londres, perto
da Track Records, quando encontraram Mike no caminho.
- Hey, Mike! – Micky cumprimentou
o amigo. – Pra onde vai?
- Visitar o Edward na Track. – respondeu o texano.
- Mesmo? Não é a Alana? – inquiriu o outro Monkee com um sorriso
malicioso.
- Ok, estou indo pra lá pra ver Allie. – Nez se deu por vencido.
- Certo. Mike, eu já volto. Vou ali à confeitaria e comprar um doce pra
Emma. – Micky atravessou a rua, deixando sua namorada e seu amigo sozinhos.
- Que legal. – Emma sorria para o ex. Os dois ainda eram muito amigos,
apesar de tudo. – Espero que ela seja uma boa pessoa.
- E ela é... E muito maravilhosa. – Mike suspirou.
Emma
deu uma olhada pela rua... E viu alguém indo embora, parecendo desolada, após
olhar naquela direção.
- Nez, aquela não é...? - apontou
para atrás do Monkee.
- ALLIE! VOLTA AQUI! – Nez correu atrás da amada.
Foi difícil, porém, depois de
alguns dias, Mike e Alana conseguiram se acertar. Nesse meio tempo, Emma
descobriu algo que a deixou muito feliz.
- Micky? – ela chamou o namorado numa certa tarde em que todos os
Monkees estavam na enorme suíte do hotel.
- Sim, Foxy Lady?
- Eu tenho uma coisa muito importante para contar para você.
- O quê? - ele ficou curioso.
Emma
tentou encontrar as palavras.
- Hã... Bem... Jane Roselyn...
- O que tem a minha filha? – Micky intrigou-se ainda mais.
- Ela... Vai ter um irmãozinho. Estou esperando um bebê.
Os olhos de Micky se arregalaram de surpresa.
- Um... Um bebê?
- Sim. – Emma sorriu, pegando as mãos do namorado.
- É ótimo, Emma... Fico tão feliz em saber que vou ser pai pela segunda
vez! – ele abraçou a namorada e beijou-a suavemente.
- E eu fico muito feliz por você estar feliz. – ela o beijou novamente,
trazendo a mão do namorado para sua barriga, onde ele fez uma carícia.
Cena pós-créditos da Marvel!
Passaram-se cinco meses desde que
Emma e Micky descobriram sobre a gravidez dela. Eles se casaram numa cerimônia
bem simples, com uma lista de convidados bem seleta. Os amigos de Micky, as
amigas de Emma e as famílias dos noivos. O casal fez questão de convidar também
Suzan, que ficou muito contente por ter sido chamada para o casamento. Peter e
Erin trocavam olhares, os dela magoados, os dele conciliadores.
Peter conversava
com Suzan, como havia feito no dia do casamento de Mike e Alana. Erin parecia
estar evitando olhar para os dois, ocupando-se em conversar com Emma, Dianna e
Alice.
Dois meses depois do casamento, Micky e Emma
já estavam de volta da lua-de-mel e Jane
Roselyn havia passado aquele final de semana com eles. O casal estava levando a
pequena de volta para a casa da mãe. Sue confiava em Micky, e ele tinha uma
cópia da chave da casa. Ele destrancou a porta, e deparou-se com uma cena que
decididamente não esperava. Peter e Suzan trocavam um beijo apaixonado. Emma também estava chocada.
- O QUE É QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI? – Micky exclamou.
- Eu não acredito! – Emma gritou.
- Com tanta mulher no mundo, Peter, você quer justamente a minha
ex-esposa? A mãe da minha filha? – Micky estava indignado.
- Nada me impede, Micky! – Peter protestou. – Seu único vínculo com a
Sue é a J. Ro!
- Tio Peter! – a menina correu para os braços do Monkee atrapalhado. –
Você e a mamãe estão namorando! Você vai ser meu novo papai!
- Sim, fofinha. – Peter abraçou a pequena, sorrindo, o que não deixou o
pai dela muito contente.