segunda-feira, 13 de julho de 2015

Oneshot: I'm Gonna Love You (What If - Modern Vampires Of The City)

  Boa noite, pessoal! Vou postar uma oneshot estrelando Davy Jones e Dianna Mackenzie! Nesta oneshot, mostro os dois no microuniverso Vampires, como se conheceram e se apaixonaram, além de algumas cenas não vistas em Enchanted! Boa leitura! 

















    Era mais um dia de trabalho na loja de tecidos de seu pai para o jovem Davy Jones. Ele limpava o balcão quando o pai o chamou.

- Sim, pai?

- Davy, meu filho, poderia atender a sra. Mackenzie e sua filha?

   A sra. Mackenzie e seu marido eram os cônsules ingleses em Munique e tinham um casal de filhos. Davy olhou para a filha da sra. Mackenzie. E quase perdeu o fôlego. “Meu Deus, ela é linda!”, pensou.

- Bem, senhora, senhorita, em que posso ajudar? – perguntou, solícito.

- Vamos oferecer um baile em casa na semana que vem, e gostaríamos de comprar tecidos para que mandemos fazer vestidos novos. – disse a cônsul.

- Pois não, sra. Mackenzie. – ele pegou alguns tecidos e mostrou à diplomata. – Aqui há alguns tecidos para a senhora... E para a senhorita... Bem, merece os mais belos tecidos da loja, srta. Mackenzie.

   A jovem corou e abaixou a cabeça. Não estava acostumada a ser cortejada por um rapaz tão belo. Por longos minutos, houve intensa troca de olhares entre os jovens.

- Dianna! – chamou a mãe da garota. – Escolheu um tecido para seu vestido?

   “Dianna? Que lindo nome! Nome de deusa...”, pensou Davy.

- Sim, mamãe. – disse ela. – Este. – ela mostrou um tecido vermelho, vermelho como a paixão.

- Seus cabelos loiros ficarão ainda mais belos quando usar o vestido feito com esse tecido, srta. Mackenzie. – Davy ousou dizer.

- O-obrigada, senhor...

- Jones. Se bem que sr. Jones é meu pai, chame-me de David... Ou Davy.

- Bem... Obrigada... Davy. – Dianna sorriu.

   A mãe da moça observava a cena, já notando a atração entre sua filha e o rapaz. Pagou os tecidos e as duas foram embora.

                                                                        ***



- Dianna... – começou sua mãe. – Je voudrais te parler de quelque chose. (Eu quero falar com você sobre algo.) – falou em francês para que as criadas alemãs não entendessem.

- Oui, maman? (Sim, mamãe?)

- Ce garçon... Je me suis aperçu que tu aimes lui. (Aquele rapaz... Percebi que gosta dele.)

- Bien... Il est très beau. (Bem… Ele é muito bonito.)

- Tu penses que je ne l’ai pas remarqué la façon dont vous avez regardé les uns les autres, ma fille? (Pensa que não notei como vocês olhavam um para o outro, minha filha?)

- Bien... Je pense qu’il est charmant, doux... (Bem... Eu acho que ele é encantador, doce...)

- Es tu amourese, chère fille? (Está apaixonada, querida filha?)

- Je ne sais pas, maman. Peut être. (Eu não sei, mamãe. Talvez.)

   A filha tentou desconversar, contudo, Susan sabia que Dianna estava se apaixonando pelo rapaz. Decidiu que tentaria alimentar aquele amor. O sr. Jones, pai de Davy, era um comerciante muito rico. O casamento de Dianna com o filho dele não traria nada de ruim para os Mackenzie.
   Algumas semanas depois, a mãe de Dianna mandou a filha à loja, sozinha, a fim de comprar tecido para uma nova camisa para o pai dela. Lawrence, o pai de Dianna, estranhou que sua esposa mandasse a filha à loja sozinha. Para que os criados não se metessem em assunto que não era de seu interesse, o sr. Mackenzie perguntou à mulher em italiano:

- Perché há mandato Dianna solo al negozio? (Por que mandou Dianna sozinha à loja?)

- L’ultima volta che sono andato lì stava flirtando con il figlio del proprietario. (Da última vez que fomos lá ela ficou flertando com o filho do dono.)

      Giles, o filho mais velho de Susan e Lawrence, intrometeu-se na conversa de seus pais:

- Lei a malapena conosce il ragazzo si sta già pianificando il matrimonio, mamma? Non è meglio che essere presentato a tutti noi prima? (Ela mal conhece o rapaz e você já está planejando o casamento, mamãe? Não é melhor que ele seja apresentado a nós todos antes?)

- Giles! Sempre rovinare la vita sentimentale di tua sorella! (Giles! Sempre atrapalhando a vida amorosa da sua irmã!) – repreendeu o pai.

- Io non sono in disordine, papà, ho solo preoccuparsi de mia sorellina! (Não estou atrapalhando, papai, eu só me preocupo com minha irmãzinha!)

- Questo non è problema, è la gelosia pura e semplice! (Isso não é preocupação, é ciúme puro e simples!) – falou a mãe.

    Enquanto seus pais e seu irmão discutiam, Dianna chegava à loja da família Jones. Ao vê-la entrar, Davy correu para atendê-la. Evitou que Heinz, o jovem empregado de seu pai, fizesse isso, dizendo:

- Heinz, mein Vater ruft dich dort im Hinterzimmer. (Heinz, meu pai está te chamando lá nos fundos da loja.)

- Und wer das Mädchen gerecht werden? (E quem vai atender a moça?)

- Ich werde es tun, keine Sorge. Schnell gehen! (Eu farei isso, não se preocupe. Vá logo!)

        Heinz foi para os fundos da loja, e Davy pôde atender Dianna.

- Olá, srta. Mackenzie!

- Oh, olá, Davy.

- Em que posso ser útil?

- Bem, gostaria de tecido para uma camisa de meu pai...

- Claro! Espere um momento.

     Ele pegou alguns tecidos, estendendo no balcão. Dianna tocava os tecidos, tentando escolher algum que fosse do gosto do sr. Mackenzie. Davy não resistiu. Tocou “sem querer” as mãos da garota.

- Eu... Desculpe-me, srta. Mackenzie.

- T-tudo bem. – o rápido toque dos dedos de Davy foi o bastante para que o coração de Dianna batesse como louco.

- Senhorita... Como queria ter podido estar no baile em sua casa na semana passada... Quem me dera vê-la tão bela com um vestido feito daquele tecido que vendi a você. Deveria parecer uma deusa... – ele sussurrou no ouvido dela.

         Sem saber o que fazer, Dianna disse:

- Davy, escolhi o tecido, poderia cobrar, por favor?

- Ah... Claro.

        Dianna pagou o tecido e foi embora. Mais tarde, foi encontrar-se com suas amigas na casa de Emma Carlisle, sua melhor amiga.

- Di, é verdade o que mamãe me contou sobre você estar... Flertando com o filho do sr. Jones da loja de tecidos? – Erin Hudson, prima de Dianna, quis saber.

- Quem disse isso à tia Lucy? Minha mãe? – inquiriu Dianna à prima.

- Sim. Tia Susan foi à minha casa hoje mais cedo, quando você estava na loja. Ouvi as duas conversando.

- Bem... O filho do sr. Jones sabe como... Galantear uma mulher.

- Jogue uns galanteios nele também, Dianna! – incentivou Alice Stone.

- Eu não sei fazer isso, Alice.

- É fazendo que se aprende, minha amiga! – disse Emma a Dianna, piscando o olho.

- Ah, bem, eu...

- Ele já gostou de você. – observou Alice. – Se você galanteá-lo também, ele vai entender o recado.

- Certamente. – disse Erin. – Como você acha que Alice conseguiu Mike Nesmith para si, Dianna?

       Alice ficou um pouco ruborizada, contudo, não podia negar que Erin falava a verdade.

- Ande logo, Di! Aquele rapaz é um partido e tanto! É bonito, rico e inteligente. Uma pena que seja tão baixinho... – Emma falou.

- O QUÊ? VOCÊ TAMBÉM ANDOU ARRASTANDO SUAS ASINHAS PARA CIMA DO DAVY, EMMA? – Dianna perguntou, indignada.

- Nada disso. Prefiro homens tão ou mais altos do que eu, e você sabe disso. Estou apenas dizendo que você não pode perder tempo se quiser ficar com Davy Jones.

                                                                                 ***


     Passaram-se mais algumas semanas. Alice havia desaparecido misteriosamente, apenas alguns dias depois de Mike, seu namorado, também ter sumido. Dianna, Emma e Erin acreditavam que ela havia sido morta pelos nosferatus das redondezas e prantearam muito a amiga. O aniversário de Erin se aproximava e o sr. e a sra. Mackenzie queriam presentear a sobrinha com um novo vestido. Foi esse o pretexto que Susan arrumou para enviar sua filha à loja de tecidos dos Jones novamente. E mais uma vez sozinha.
      Ao ver a garota entrar, o sr. Jones, que também vinha percebendo o envolvimento entre ela e seu filho, disse ao rapaz:


- Davy, por favor, atenda a srta. Mackenzie!

- Sim, meu pai! – respondeu ele. “O senhor nem precisa pedir”, pensou. – Olá, srta. Mackenzie, o que deseja?

- Primeiramente, chega de “srta. Mackenzie”. Para mim basta que me chame de Dianna.

- Está bem. O que deseja, Dianna?

- Meus pais querem presentear minha prima Erin com um novo vestido e me mandaram aqui para comprar um tecido. Conheço bem o gosto da minha prima.

- Bem, temos aqui alguns tecidos que poderão ser do agrado da sua prima. Fique à vontade para escolher. – disse Davy, estendendo no balcão tecidos para Dianna ver.

      Depois de algum tempo tentando decidir qual tecido levar, sendo atentamente observada por Davy, Dianna sussurrou:

- O que procura numa mulher, Davy?

        O rapaz ficou surpreso. Não esperava que ela tomasse aquela atitude. Todavia, serviu apenas para seduzi-lo.

- Depende do que eu perdi. – disse ele, tentando ser engraçado.

- Não interessa o que perdeu... Você encontrará. – ela falou, em tom sedutor. Davy teve que se controlar para não agarrá-la e beijá-la ali mesmo.

         Em seguida, Dianna pediu, como se nada houvesse acontecido:

- Pode cobrar o tecido, Davy?

- Claro, Dianna.

          Ela pagou o tecido e foi embora. Davy observou-a até ela sumir de seu campo de visão, suspirando pela moça. “Ela será minha, toda minha. Amanhã mesmo vou falar com Dianna sobre o que sinto, antes que os pais acertem o noivado dela com outro homem!”.
         Naquela noite, já tarde, Davy foi tomado por um profundo desejo de observar a sua amada às escondidas. Caminhou pela cidade, até chegar à casa dela. Subiu numa árvore, em que era possível ter uma ótima visão da janela do quarto de Dianna. Davy viu-a lendo um livro, sentada diante de uma escrivaninha. Depois de meia hora, ela fechou o livro, levantou-se e tornou a sentar-se, desta vez na frente da penteadeira. O rapaz assistiu enquanto ela penteava seus longos cabelos loiros. “Ah, se eu pudesse tocar esses cabelos! Devem ser suaves como a mais pura seda!”.  
           Então, Dianna terminou de escovar os cabelos, levantou-se e foi até uma pequena lamparina de parede. Fechou-a, e o quarto ficou escuro.

- Que pena! – Davy murmurou. – Boa noite, meu amor.

            O rapaz desceu da árvore. Ao aterrissar no chão, viu-se diante de um grupo de pessoas, três homens e duas mulheres, bloqueando seu caminho.

- Com licença. – pediu ele. – Preciso ir embora.

- O senhor não irá a lugar nenhum. – disse autoritariamente um dos homens.

- Conde! Deixe o rapaz! – pediu a moça loira, pegando o braço do homem.

- Agora está com pena dele, Louise? – esbravejou o conde, soltando seu braço das mãos da jovem. – Gerd, Sepp, Alice... Sabem o que fazer.

- Não! Não façam isso! – protestou Louise. – Ele não merece!

         O apelo foi infrutífero. Davy ficou profundamente assustado ao notar que conhecia a moça de cabelos negros: Alice Stone, a antiga namorada de seu amigo Mike Nesmith, a quem ela havia dispensado ao saber que ele era um lobisomem. Os três homens e Alice olhavam para ele com um brilho assassino e sedento no olhar.

- Alice! Por favor! – pediu Davy. – Você não vai permitir que matem um amigo de Mike, vai?

- Não tenho mais nada com ele! – respondeu a jovem.

         Os três homens e Alice começaram a perseguir Davy, e a garota de cabelos dourados, Louise, tentava impedi-los. Davy correu o máximo que suas pernas permitiram. Até que, cansado, cedeu. O homem que Louise havia chamado de “conde” agarrou-o. Os olhos dele estavam vermelhos e ele exibia caninos afiados. Era um vampiro. O rapaz fez o que pôde para proteger seu pescoço, enquanto sua protetora tentava afastar o conde. Um dos outros homens, certamente também vampiro, segurou a moça.

- Solte-me, Sepp! – ordenou a moça.

- Não.

     O conde inclinou a cabeça em direção ao pescoço de Davy... E cravou as presas na carne, sugando todo o sangue.
     No dia seguinte, Dianna acordou bastante feliz. Sua felicidade durou até juntar-se aos pais e o irmão no café da manhã. Os pais olhavam para ela com... Pena?

- Aconteceu alguma coisa? Por que estão me olhando assim? – indagou, intrigada.

- Minha filha... O filho do sr. Jones está morto. – disse seu pai.

- O quê? – Dianna não creu no que ouviu. – Não, papai, o senhor deve estar enganado...

- Seu pai não está enganado, Di. É verdade. – disse a mãe. – O próprio sr. Jones tentou salvar seu filho dos nosferatus.

- Não... Não... Podem comer sem mim. Perdi o apetite! – ao dizer isso, Dianna tinha seus olhos banhados em lágrimas. Voltou ao quarto como um furacão.

         
         Ela se jogou na cama, agarrando o travesseiro, molhando-o com suas lágrimas.

- Primeiro Alice, agora ele! Eu odeio esses vampiros malditos! Oh, Davy, se eu... Se eu pudesse saber que seria tirado de mim, teria dito a você com todas as letras o quanto te amo!

                                                                        ***


          Davy acordou se sentindo ao mesmo tempo muito fraco e também cheio de vigor, se é que era possível sentir duas coisas tão opostas simultaneamente. Viu um par de brilhantes olhos azuis o observando com preocupação. Era ela. A moça que havia tentado impedir que fosse atacado.

- Ah, até que enfim! Pensei que não iria conseguir trazer você de volta à vida! – exclamou ela.

- De volta... De volta à vida? Eu morri?

- Sim... Mas pinguei um pouco do meu sangue na sua boca. – ela mostrou a mão envolta em faixas. – O sangue de um vampiro pode trazer de volta à vida... Porém na forma vampiresca, e apenas poucas horas após a morte.

- Hã, bem, obrigado. Sou eternamente grato a você, mesmo que agora eu tenha que viver com esta maldição! Você é Louise...?

- McGold. Mas se quiser, pode me chamar de Lulu. E você?

- David Jones. Pode me chamar de Davy, se preferir.

- Vou levar você para o Castelo Beckenbauer, Davy. É lá que eu vivo. Vou cuidar de você e ensiná-lo a viver como vampiro.

- Obrigado. Creio que meus pais não me aceitariam... Assim. E nem mesmo... Nem mesmo ela. – Davy deu um suspiro triste ao pensar em Dianna.

      Louise ficou com pena de Davy. Ajudou-o a ficar de pé, e tirou dois frascos do bolso. Ambos eram cheios de um líquido vermelho.

- Isso é... – Davy começou.

- Sim, é sangue. Experimente. Sei que parece repulsivo, mas agora esta é sua única fonte de alimento.

           Davy torceu o nariz, no entanto, pegou um dos frascos da mão de Louise, tirou a rolha e bebeu um pouco. Tentava se acostumar com o gosto.

- É sangue de...?

- Sangue humano.

             Ao ouvir isso, Davy cuspiu fora o sangue.

- Não! Prefiro continuar morto a beber sangue humano!

- Tudo bem. Este aqui é sangue de coelho. – ela deu o outro frasco a Davy.

- Melhor do que sangue humano. – disse Davy, aceitando o frasco. Desarrolhou-o e sorveu o conteúdo. – Acho que vou me acostumar com isso. – disse ele, fazendo uma careta.

- Minha nossa, está com cara de uma criança que bebeu um xarope amargo! Não é tão ruim assim! – Louise riu. – Aliás, com o tempo vai aprender a gostar, e muito!

- Não sei não. – Davy deu uma pequena risada.

     Nascia ali uma grande amizade. Louise levou Davy com ela à sua morada. Ao vê-la entrar acompanhada do rapaz recém-transformado em vampiro, o conde gritou:

- Você ficou mesmo muito apiedada dele, Louise! Transformou o humano em um de nós! Não quero esse parasita em meu castelo! Vá embora já daqui, seu nanico!

      Davy notou que, além do conde, outro dos vampiros decididamente não queria a presença dele no castelo: um que era alto e forte, mais parecia um urso. Louise retrucou:

- E acha que na Ilha dos Lobisomens vão aceitá-lo? Não! Ele não tem para onde ir e vai ficar aqui. Eu mesma vou cuidar dele e de seu treinamento!

        O conde deu de ombros.

- Está bem! Mas que ele não me cause problemas!

- Não causarei, senhor. – Davy falou com veemência.

       Ele e Louise se afastaram.

- Você parece ter um certo... Poder sobre o conde Beckenbauer, Louise. – observou Davy.

- Sou a noiva dele. – Louise explicou.

- Ah sim... Mas não me parece que você gosta muito dele.

- Ele... É um bom homem quando quer. Porém, você tem razão, não gosto dele como meu marido.

- Entendo...

       Passaram-se alguns dias. Davy tentava se adaptar aos seus novos poderes. O conde Beckenbauer e o vampiro que parecia um urso, Gerd Müller, pareciam tolerá-lo... Devido à influência de Louise. O outro vampiro, Sepp Maier, mostrava-se amigável. E Alice, certo dia, veio falar com Davy.

- Davy, eu queria pedir desculpas por aquele dia. Não queria atacar você de fato. Por mim, você teria escapado ileso. Contudo, sabia que se eu tentasse defendê-lo, o conde me puniria. Peço perdão por três motivos: porque eu pessoalmente gosto de você, porque você é amigo de Mike... E porque sou amiga de Dianna. Sei que você a ama. E que ela ama você.

         Ao ouvir aquilo, Davy quase morreu de alegria. Dianna o amava!

- Eu aceito suas desculpas, Alice. Também gosto de você. Você me diz que Dianna me ama... Mas... Ela me aceitaria como um vampiro?

- Não vejo por que não. – Alice deu um sorriso.

***


        Enquanto Davy se acostumava à sua nova vida, treinando com a ajuda de Louise, e visitava seus velhos amigos Mike Nesmith, Micky Dolenz (estes, dois lobos) e Peter Tork, um mago, na Ilha dos Lobisomens, seus pais haviam deixado Munique e se mudado para Berlim, para não serem dominados pela lembrança do filho que perderam.
         Dianna estava muito triste. Ela já não era mais a mesma. Seus pais e suas amigas faziam o possível para ajudá-la a aceitar a perda. Até mesmo seu irmão, Giles, que não exatamente aprovava a ideia de que ela se casasse com Davy, queria que sua irmã voltasse a se alegrar.

- Maninha... Não fique assim. – Giles dizia, abraçando Dianna. – Tenho certeza de que Davy não iria querer ver você desse jeito.

- Ah, mano, mas lembrar que ele não está aqui me deixa tão triste! Agora cabe a você se casar e dar netos aos nossos pais. Eu vou ficar para titia.

- O que é isso, Di? Você é jovem, bonita, culta! Não vão te faltar pretendentes!

- Não quero outro homem na minha vida, Giles.

- Eu... Compreendo. – disse Giles, limpando o rosto da irmã com um lenço. – Je t’aime, petite soeur. (Eu te amo, irmãzinha.)

- Je t’aime aussi, mon cher frère. (Eu te amo também, meu querido irmão.)

     Davy aos poucos criava coragem para procurar Dianna. Ainda estava um pouco duvidoso de que ela o aceitaria. Pensava que já estava bastante próximo de Louise para abrir seu coração para ela.


- Lulu, eu preciso de ajuda.

- Diga, Davy, se estiver ao meu alcance farei qualquer coisa por você.

- Eu só gostaria de que você me ouvisse e me desse algum conselho.

- Pode falar. É sobre aquela moça chamada Dianna, não é?

- Como... Como você sabe?

- Nós, vampiros, podemos ler mentes. Tenho que ensinar você a fazer isso. Bem, li sua mente durante muitas semanas. Queria saber por que você sempre ficava, em algum momento do dia, todo amuado e suspirante. E descobri que está apaixonado.

- Sim... Ah, Lulu, eu morro por Dianna! Queria ter coragem de poder dizer isso a ela. Mas eu receio que ela me rejeite, pois sou... Um monstro.

- Davy, ela não vai recusar você, se ela te ama de verdade! E pelo que vi de suas memórias... Dianna sente o mesmo por você.

- Você acha?

- Sim. – disse a vampira com um sorriso. – Pense nisso.

     Davy aprendeu com Louise a ler mentes. E passou a praticar a nova habilidade lendo as mentes de todos no castelo. Leu a mente de Alice e soube que ela se arrependia da maneira como havia dispensado Mike e que ela desconfiava de que Louise estava interessada em seu marido, Gerd. Leu a mente do conde e soube que ele ainda não aceitava bem sua presença em seu castelo.
     Um dia, Alice resolveu indagar a Davy sobre sua profunda ligação com Louise. Temia que ele estivesse se apaixonando pela noiva do Conde Beckenbauer e se esquecendo de sua amiga Dianna. Se fosse isso, Alice ia ensinar uma lição a ele.

- Davy, talvez eu esteja sendo muito enxerida... Mas posso saber por que está sempre com Louise?

- Ela é uma boa pessoa, Alice. Muito bondosa mesmo, e gosto dela.

- Gosta dela como amigo ou está cobiçando a esposa do conde, anão? – Gerd, o marido de Alice, intrometeu-se na conversa.

- Gosto de Louise como amigo, herr Müller. Meus interesses amorosos estão bem longe deste castelo.

       Louise meteu-se na conversa para defender Davy.

- Em vez de encher meu amigo de perguntas, por que não vão caçar?

- Ora, sua petulante... – Alice vociferou.

- Quem é petulante é você! – Louise retrucou, e já se preparava para avançar em Alice, porém Davy a impediu. Alice e Gerd foram embora.

         Após esse incidente, Davy leu a mente de Gerd e ficou abismado em saber que o vampiro desejava sua amiga Louise. Para ele, um homem como aquele não servia para Lulu. Era bruto demais para ela. E por fim, resolveu ser invasivo e leu a mente de Louise, já que ela havia tomado a liberdade de ler a dele. E ficou muito surpreso.

- Louise! Você ama Gerd Müller! E o que é pior, pensa... Coisas sobre ele! Não entendo! Como pode amar aquele brutamontes?

- David! Você também pensa... Coisas sobre Dianna, acha que não sei? Aliás, você estava olhando pela janela dela na noite em que foi atacado!

            Davy ficou ruborizado. Louise continuou:

- Ele não é um brutamontes. Sei que ele tem um coração bom, Davy.

- Bom, não se escolhe quem se ama. E eu tomei uma decisão.

- É mesmo? Qual?

- Eu vou procurar Dianna! Vou dizer a ela o quanto a amo, que não posso viver sem ela! Vou trazê-la para o castelo e farei dela minha morceguinha!

- Pensei que você nunca mais faria isso! Boa sorte! – Lulu ficou contente pela decisão do amigo.

- Obrigado! Vou precisar.

   O vampiro, no começo da noite, assumiu a forma de morcego e foi até a cidade. A sorte estava mesmo ao seu lado. Dianna estava sentada no jardim de sua casa. Parecia triste. “É por mim que sofre dessa maneira, meu amor?”, pensou ele. Pousou e assumiu forma humana. Chamou-a.

- Dianna.

      A garota ergueu a cabeça. Davy sabia que ela ia gritar, entretanto, no último momento faltou-lhe voz. Ela finalmente gaguejou, com a voz fraca:

- D-D-Davy! É você mesmo? V-v-você voltou dos mortos?

- Mais ou menos. Fui morto por um nosferatu, contudo, uma vampira boa me trouxe de volta... Em forma vampiresca, é verdade, mas me trouxe de volta.

- Eu não acredito! Não tenho palavras para dizer o quanto... O quanto estou feliz! – Dianna abraçou-o fortemente. Davy retribuiu o abraço.

- Dianna... – ele passava a mão nos cabelos dela. “São mesmo tal qual seda”, pensou. – Eu tenho que dizer algo a você. Algo que planejava dizer na manhã seguinte à noite em que fui atacado.

- O quê? – Dianna olhava para ele curiosa.

- Eu... Eu te amo! Eu te amo desde o primeiro momento! Não sei viver sem você!

          Dianna olhou no fundo dos olhos de Davy, surpresa e feliz.

- Eu amo você também! – ela disse, e beijou o vampiro ardentemente. Em meio ao beijo, Davy aplicou a fascinação, uma espécie de encanto sedutor que os vampiros podem lançar. Daquele modo, Dianna seria totalmente dele. – Meu doce vampiro...

- Você me aceita mesmo como um vampiro, Dianna?

- Sim, sim, sim. Meu amor, meu único e eterno amor.

- Mas... O que seu pai e sua mãe vão pensar?

- Eles queriam nos juntar quando você era humano, vão ter que aceitar que eu me una a você assim! Me beija de novo, doce vampiro... Me beija até me matar de amor!

- É claro que sim.

       Davy se preparava para beijar Dianna outra vez, quando se ouviu um chamado:

- Fraulein Mackenzie, das Abendessen auf den Tisch! (Srta. Mackenzie, o jantar está na mesa!)

        Frustrada, Dianna respondeu:

- Ich bin gleich da, Gretchen! (Eu já vou, Gretchen!) Desculpe-me, Davy...

 - Tudo bem, vá. A espera tornará o beijo ainda melhor. – disse ele com um sorriso.

- Adeus, meu amor, meu doce vampiro.

- Adeus, não, até logo!

- Está bem, até logo! – ela beijou o rosto dele e entrou correndo na casa.

        Davy não sabia lidar com tanta felicidade dentro de si. Metamorfoseou-se em morcego e voltou ao Castelo Beckenbauer. Logo que chegou procurou Louise.

- Lulu, Lulu, eu estou tão feliz! Há tanto tempo não me sentia assim! – ele abraçou a amiga, tamanha era sua alegria.

- Eu nunca te vi tão contente, Davy! Conte-me tudo!

- Ela me ama, Louise! Ela me ama tanto quanto eu a amo! Ela diz que fará de tudo para ficar comigo, e me aceita mesmo que eu seja um vampiro! Mereço tanta felicidade?

- Sim, é claro que sim, Davy! – Louise estava muito contente por ele. – Isso merece uma comemoração, meu amigo! Vamos dançar!

          Louise colocou um disco no gramofone, e ela e Davy começaram a dançar para comemorar a felicidade de Davy.  Gerd e Alice desciam as escadas. Davy ouviu Alice dizer ao marido:

- Gerd, vamos dançar com eles?

- Deixe-os! Logo o conde vai puni-los! – esbravejou o vampiro com jeito de urso.

     “Você pensa que amo Louise, seu bruto? É porque não sabe da existência de Dianna Mackenzie!”, Davy pensou. No dia seguinte, Davy decidiu que se apresentaria aos pais de Dianna e pediria a mão dela. E foi à casa dela. Contudo, teve o azar de não encontrar os pais da sua amada... Somente o irmão.

- O quê? Você, um vampiro sanguinário, casar-se com a minha irmãzinha? Não, não! É um absurdo!

- Giles! Davy não é uma criatura sanguinária! Ele é bom! E eu o amo!

- Não, não e não! Não vou deixar que papai e mamãe permitam que se case com um monstro, Di!

           Davy achava que tudo estava perdido outra vez. Foi embora. Dianna foi atrás dele.

- Não ligue para o Giles, Davy! Ele é tão ciumento que se torna cego!

- Mas, Di, e se seus pais concordarem com ele? Não, é melhor que nós fiquemos separados. Mas não se esqueça, eu te amo!

- Davy! Por favor, meu doce vampiro! Fica comigo!

- Adeus. – Davy deu o que pensou ser seu último beijo na amada, e regressou ao castelo.

              Louise ficou surpresa ao ver a diferença na fisionomia de seu amigo, tão feliz algumas horas antes.

- Davy, o que houve?

- O irmão de Di se opõe a que eu fique com ela... E decerto vai convencer os pais a não permitir nosso casamento! Ah, Lulu, como pude ser tão leviano? Como pude pensar que poderia ter a minha amada?
        
        
     O vampiro começou a chorar nos ombros da amiga. Ela o abraçou, tentando transmitir conforto e consolo... E acabou por beijar os lábios dele. Davy, levado por aquele estranho ímpeto, acariciou o rosto da amiga. Mal sabiam que estavam sendo observados por Gerd... Sem entender por que fizeram aquilo, decidiram esquecer o ocorrido.
       Na noite seguinte, Davy saía para caçar algum animal do qual sugaria o sangue, quando foi abordado pelo conde.

- Davy Jones!

- Sim, senhor?

- Como ousa quebrar as regras dos vampiros? Não basta se juntar àqueles lobos e aquele mago sem meu consentimento, também cobiça a minha esposa!

- O quê? Conde, eu de fato sou amigo daqueles lobisomens e daquele mago, mas não sinto nada por Louise senão uma profunda amizade e gratidão!

- Mentiroso! – rugiu o vampiro-mestre, golpeando o vampiro menor. Davy tentou revidar, mas não pôde. Tornou a ser socado. – Eu soube que você foi visto beijando Louise!

           O vampiro inglês tentou tudo o que pôde para se defender, entretanto, acabou cedendo aos socos de Franz. Os demais vampiros assistiam. Sepp não ousava ajudar Davy. Alice estava horrorizada, tão horrorizada que não conseguia sair do lugar para auxiliar o amado de sua amiga. E Gerd observava sem expressão. Por dentro, sorria.
          Louise voltava de seu banho no rio quando se deparou com a terrível cena.

- CONDE! PARE! – ela correu para amparar Davy.

- SAIA DE PERTO DELE, LOUISE! – o conde gritou, tomado pela fúria. – Este vampiro vai ser punido da pior maneira!

- Mas o que ele fez?

- E ainda pergunta, sua tola? Tentando fingir que não sabe de nada? Ele desobedeceu às nossas regras! Uma delas é cobiçar a esposa alheia e ainda se juntar aos lobos que vivem na ilha sem meu consentimento!
- Eles são meus amigos! – Davy disse, cuspindo sangue e começando a se recuperar.

              Franz iria esmurrar o pequeno vampiro outra vez, todavia, Louise colocou-se diante do amigo para protegê-lo.


- Eu imploro por clemência! – Louise exclamou, chorando, e até mesmo prostrou-se diante do conde. – Poupe Davy Jones. Eu faço o que você quiser, mas deixe meu amigo livre e vivo!

      

            O conde estendeu a mão para Louise, erguendo-a. Olhou para Davy e disse, em tom de voz calmo:


- Tens uma amiga e tanto... Mas seu azar foi cobiçar minha noiva! – deu um novo murro em Davy, que caiu no chão. – Como prova da minha clemência, neste momento ordeno que saia do meu castelo e de minhas terras, Davy Jones! Nunca mais colocará os pés aqui!

            Davy e Louise trocaram um olhar. Ela, amedrontada, correu até o amigo e o abraçou.


- Vá para a ilha, meu amigo! E se o conde decidir se vingar, tentarei impedir!

- Obrigado, Louise! – Davy assumiu a forma de morcego e voou em direção ao oeste.

         Foi pousar na mansão onde Mike, Micky e Peter viviam. Bateu na porta. Micky abriu.


- Davy! O que aconteceu com você? Por que está todo roxo?

- Fui socado pelo conde, e expulso de suas terras. Posso viver aqui?

- Que pergunta! Claro que sim! Depois nos resolvemos com o Moore. Entre, meu amigo, entre!

        Micky levou Davy até a sala de estar. Lá estavam Mike, Peter, Emma Carlisle, a esposa de Micky, uma jovem de cabelos castanhos chamada Erin Hudson, amada por Peter, e....

- Meu doce vampiro! – Dianna exclamou. Correu para o amado, envolveu-o em seus braços e cobriu-o de beijos. – O que aconteceu com você? – ela quis saber, acariciando o rosto dele.

- Não importa agora. O que está fazendo aqui, Di?

- Sou amiga de Emma e de Erin, que é também minha prima. Vim conhecer o filhinho de Emma.

- Ah sim... Di, por favor, quero que me ouça bem. – ele pegou as mãos dela. – Meu amor, meu tesouro, o conde está furioso comigo porque sou amigo de Mike, Micky e Peter, e me expulsou de seus domínios. – não ousou contar a ela sobre o beijo impensado em Louise. – Ele já não ia com a minha cara, agora me odeia profundamente. E decerto tentará se vingar da minha “ofensa” a ele. Temo o que ele pode fazer contra você.

- Eu não tenho medo dele, Davy!

- Di, eu sei que você é corajosa e cabeça-dura, mas pelo menos uma vez tenha cuidado, por favor, eu suplico! Sabe o que vai acontecer comigo se perder você?

          Dianna ficou quieta, embora soubesse muito bem o que Davy iria dizer.

- Vou ficar louco! Completamente louco! Eu já te perdi uma vez, não vou correr o risco novamente!

- Não vai me perder, meu doce vampiro. – Dianna abraçou-o e beijou-o.

           Mais tarde, Dianna e Erin foram embora para a cidade. Micky, Peter e Mike foram pedir a Bobby Moore, o lobo alfa, que refugiasse Davy. O líder da alcateia concordou em abrigar o vampiro. Naquela mesma noite, Davy decidiu matar sua fome. Foi ao bosque e pôs-se a espreitar um cervo. Mataria o animal, sugaria o sangue dele e deixaria a carne para os amigos. No entanto, sentiu que era observado.
           Espiou com o canto do olho e viu que um caçador o olhava atentamente e carregava sua espingarda... Com balas de prata. Temendo por sua vida, o vampiro transformou-se em morcego e saiu voando, deixando o caçador praguejando como louco. Davy voou até a cidade, mais exatamente até a casa de Dianna. Encontrou a janela do quarto dela ainda aberta, porém o cômodo já estava escuro. Pousou, assumiu forma humana e chamou:

- Di, acorde.

- Davy? – ela abriu os olhos. – O que veio fazer aqui?

- Estava fugindo de um caça-vampiros. Ah, meu amor... – ele deitou-se ao lado dela, e após envolvê-la nos braços deu-lhe um beijo.

- Doce vampiro... – Dianna sentia o desejo percorrer seu corpo, contudo, estava temerosa de que fossem pegos em flagrante.

- Vamos? Por favor, estou louco para torná-la minha...

- Enlouqueceu? Meus pais podem nos pegar! Ou algum dos criados! Não quero nem imaginar se for o meu irmão!

- Não vão nos pegar... Por favor, Di, por favor.

- Está bem.

      Davy abriu com cuidado os botões da camisola de Dianna. Ela estava nervosa, era a sua primeira vez, e tremia enquanto abria os botões da camisa de seu amado. Por fim se despiram completamente. Davy deitou-se por cima de Dianna. Ele a acariciava suavemente. Queria que a primeira noite de sua amada fosse perfeita. Sem saber muito bem como agir, Dianna enroscou as mãos nos cabelos de Davy.

- Venha me beijar, meu doce vampiro...

       Ele não se fez de rogado. Atendeu ao pedido dela. O beijo ficava mais e mais intenso. Davy estava preparado para avançar.

- Di, meu amor... Eu...

- Vá. – ela consentiu.

- Me avise se doer.

       O vampiro penetrou Dianna. Ela não pôde evitar gemer.

-Ah... Davy... Davy...

- Dói? Quer que eu pare?

- Um pouco... Mas... Oh, é ótimo... É maravilhoso! Não pare, por favor...

       As estocadas continuaram. Dianna e Davy sentiam mais prazer a cada beijo, cada carícia, cada movimento. Atingiram o clímax, contudo, sufocaram o grito de máximo prazer, pois não podiam ser descobertos.

        Separaram-se, arquejando.

- Meu doce vampiro, eu... Eu não sei como dizer... Foi... Tão bom!

- Você é linda... E é minha. – Davy acariciava os cabelos dela.

- Sim, sou toda sua, meu amado!

         Ela beijou a testa de Davy e se aconchegou em seus braços. Adormeceram juntos. Quando faltava pouco para o amanhecer, Davy acordou. Dianna despertou também, e ao vê-lo levantar-se, disse:

- Não vá embora... Fica aqui...

- Di, o Sol logo vai nascer! Não posso ficar sob sua luz!

- Tem razão... Então... Quando vou te ver outra vez?

- Vá para a Ilha dos Lobisomens hoje à noite!

- Está bem, meu doce vampiro. Até a noite, então!

- Até a noite! – Davy soprou um beijo para Dianna antes de se transformar em morcego e sair voando pela janela dela.

                                                       
         Naquela noite, Dianna e Davy iniciaram uma rotina de encontros diários nos bosques da Ilha dos Lobisomens. Ansiavam por aqueles encontros. Neles, conversavam, andavam de mãos dadas por entre as árvores, beijavam-se... E faziam amor sob a luz da Lua, deitados na relva macia. Uma vez, após terem terminado o ato, Dianna inquiriu ao seu amado, afagando os cabelos dele:

- Davy... Faria qualquer coisa que eu te pedisse?

- Certamente! Diga, minha querida. – disse ele, beijando a mão de sua amada humana.

- Eu... Quero que me morda.

         Davy percebeu que estava errado em afirmar que atenderia qualquer desejo de Dianna. Ele realizaria qualquer desejo dela... Exceto aquele!

- Não, Di. Isso eu não posso satisfazer.

- Por quê? Aproveite que meu pescoço está bem ao alcance de sua boca e acabe logo com isso!

- Dianna, eu não posso fazer isso! Vou condenar você a uma maldição! Não quero privá-la de uma vida normal, da companhia dos seus pais, do seu irmão...

- Davy... – Dianna afagava agora o rosto dele. – Neste momento somente você me importa.

- Eu não valho tudo isso.

- Vale... Vale sim, meu doce vampiro. – a garota beijou o pouco de pele exposta pelos primeiros botões da camisa do vampiro abertos.

- Eu te amo muito, Di... Mas não quero tornar você vampira. Não quero, não posso.

- Acontece que eu quero que você me torne vampira!

- Meu amor... Eu tenho que te dizer uma coisa.

- Diga, meu doce vampiro.

- Eu não posso morder você somente devido à maldição a que vou condená-la... Mas também porque não posso cair em tentação.

- Cair em tentação?

- Di, eu não me alimento de sangue humano, você sabe. Acho esse um comportamento repulsivo, mesmo sabendo que Louise é boa pessoa e se alimenta de sangue humano... Bem, eu decidi que só sugaria sangue de animais. Porém... Ultimamente, não desejo somente, bem, seu corpo. Desejo seu sangue também. Quero prová-lo.

- Oh... É por isso, então.

- Agora entende?

- Eu compreendo sim... Contudo, ainda quero me tornar vampira.

- Dianna, como você é teimosa!

- Pense nisso, por favor. Prometa que vai pensar!


         Davy deu um grande suspiro e por fim disse:


- Como posso recusar um pedido seu? Está bem, eu vou pensar.

- Promete?

- Prometo.

             
                                                                        ***


         O Conde Beckenbauer estava profundamente desejoso de vingar-se da traição de Davy Jones. Decidiu que faria isso tirando do vampiro inglês o que tivesse de mais precioso e querido.
        Voava até a Ilha dos Lobisomens e lia a mente dele. Descobriu que os pensamentos do pequeno vampiro eram povoados por uma jovem humana, de traços delicados, belos cabelos cor de mel e luminosos olhos castanhos. A morte da amada deveria ser punição suficiente para Davy.
         Certa noite, sobrevoou a parte da floresta onde sabia, pelas leituras de mente, que o vampiro e a humana se encontravam. Lá estava Dianna, sentada numa pedra, esperando pelo amado. O conde se preparava para cravar as presas naquele pescocinho branco e delicado e sugar todo aquele sangue fresco.
          Pousou e assumiu forma humana. O leve ruído despertou a atenção da garota.


- Davy? – ela chamou.

            Franz aproximou-se subitamente e tapou a boca da moça para que ela não gritasse.

- Não. Mas não se preocupe, meu bem, vai morrer no lugar dele. – o tom do vampiro era suave e cruel.

            Ela começou a se debater, e por fim se libertou do conde. Pôs-se a correr. Era muito rápida, e mesmo para Franz era difícil alcançá-la. A jovem estava tão concentrada em fugir que não notou uma pequena pedra lisa, e tropeçou nela, caindo no chão, para a sorte de Franz. Ele avançou em direção a Dianna.


- Não! Por favor, senhor! – ela pedia, tentando proteger seu pescoço. – Não sei exatamente o que Davy lhe fez, mas deixe-nos em paz!
              
             O vampiro ignorou a súplica da moça. Conseguiu segurar com firmeza as mãos dela, que tentavam afastá-lo, e inclinava a cabeça em direção ao pescoço de Dianna. Ela gritava, aterrorizada.
               No céu, dois morcegos voavam, um macho e uma fêmea. O macho entrou em pânico ao reconhecer os gritos, e mergulhou no ar, em direção ao chão, seguido de perto por sua companheira.
           Quase como mágica, o morcego macho entrou pelo pequeno espaço entre o conde e sua presa, enquanto Franz sentia alguém puxá-lo para trás com mãos de ferro. O morcego revelou-se Davy e quem puxou o Conde Beckenbauer foi Louise.

- Vocês! – rosnou o conde.

- Não vou permitir que Dianna pague pelo que fiz! – disse Davy, envolvendo a amada em seus braços. Ela tremia, assustada, como um cervo.

- Conde, a falta de Davy não foi tão grave para que deseje vingar-se matando essa pobre garota inocente! – exclamou Louise.

- A falta dele foi sim muito grave! Abusou da minha confiança e mostrou-se indigno dela! Mas me parece que ele não gosta tanto assim de você, não é, Louise? – o conde provocou.

             Dianna fez uma expressão de desentendida ao ouvir a última parte. Contudo, afundou o rosto no peito de Davy, ainda trêmula. Louise disse:

- Não vem ao caso! Esqueça isso, conde! Deixe os dois em paz! Davy está arrependido e Dianna não tem nada a ver com isso!

             Franz olhou para Louise, em seguida para Davy e por fim para Dianna, que havia parado de tremer e olhou para o vampiro com uma expressão corajosa. Queria mostrar que não era uma criaturinha frágil.

- Deixarei você e sua namoradinha em paz, Davy Jones... Por enquanto! – exclamou o conde, e levantou voo após assumir forma de morcego.

               Após ele ter partido, Davy disse à amada:

- Di, quero apresentá-la a Louise McGold, minha querida amiga. Ela foi responsável por me restituir a vida e me ensinou a ser um vampiro.

- Olá, Louise. É um prazer conhecê-la! – Dianna apertou a mão da vampira e deu um grande sorriso. – Obrigada por ressuscitar meu doce vampiro! Sem ele eu jamais seria feliz novamente!

- O prazer é todo meu em conhecer a mulher que é tudo para meu amigo Davy! – Louise retribuiu o aperto de mão e o sorriso de Dianna. – Bem, acho que devo... Deixar vocês a sós.

                Louise piscou o olho, tornou-se morcega e saiu voando, deixando o casal de namorados.


- Di. – Davy apertou-a em seus braços. – Quase aconteceu o que eu temia. Graças a Deus eu a ouvi gritar...

- Está tudo bem agora. Não se preocupe, eu sei me defender.

- Mesmo assim não consigo deixar de me inquietar. Vou levar você de volta para sua casa.

                   Uma semana depois, Davy teve uma ideia. Uma ideia louca. Todavia, queria colocá-la em prática a qualquer custo.

- Trazer Dianna para uma noite de amor em seu antigo quarto no castelo Beckenbauer? Você ficou louco? – Louise sinceramente acreditava que o amigo havia perdido o juízo.

- Você vai nos acobertar! Basta manter o conde e os outros bem longe do quarto!

- O que eu não faço por você? Está bem, eu vou te ajudar.

- Obrigado, Lulu! Eu adoro você, sabia?

- Eu também adoro você, Davy. Quando você pretende trazê-la?

- Cabe a você verificar quando Di e eu ficaremos mais seguros... Um dia em que o conde esteja de bom humor, de preferência.

- Isso é bem difícil... Porém, farei o que puder.

                  Três dias mais tarde, Louise disse a Davy que ele poderia tentar trazer Dianna para o castelo Beckenbauer. Foi buscar o casal na ilha assim que Gerd, Alice, Sepp e Franz saíram para caçar.
                 O trio foi para o castelo. Davy ainda se lembrava de como chegar ao seu antigo quarto, e levou a amada até lá. Quando o casal já estava dentro do cômodo, Louise disse:

- Eu cuidarei para que não sejam flagrados. Apenas sejam discretos e ficará tudo bem. Agora... Aproveitem a noite. – piscou o olho e fechou a porta.

              Davy ainda tinha a chave, e trancou a porta. Guardou a chave no bolso e lançou um olhar desejoso a Dianna.

- Você tinha um belo quarto aqui no castelo, Davy.

- Ficará ainda mais belo se você deitar na cama. – o vampiro sussurrou no ouvido de Dianna.

- Você é muito safado, Davy Jones. – Dianna falou com um sorriso malicioso. 

                Ela pousou uma mão no peito do amado e colocou o outro braço ao redor dos ombros dele, trazendo-o para perto de si. Beijou-o ardentemente. A mão pousada no peito de Davy desabotoou a camisa dele.

- Você não fica atrás, Dianna Mackenzie.

                   A resposta de Dianna foi descer dos lábios para o pescoço de Davy. Ele começou a gemer e a abaixar o vestido da amada. Logo, o vestido dela, a camisa e a calça de Davy e as roupas íntimas de ambos estavam no chão. O vampiro pegou a humana em seus braços e a carregou até a cama, onde a deitou suavemente.

- Seu corpo é o de uma deusa, Di... Combina com seu nome.

- Ironicamente, tenho o nome de uma deusa virgem.

- Bem... É realmente uma ironia.

                   Davy juntou-se a Dianna na cama e ficou por cima dela, trocando beijos mais e mais intensos. Enquanto suas mãos apertavam levemente os seios dela, fazendo-a gemer de prazer, ela tocava-o em regiões sensíveis, devolvendo o deleite ao amado, ao mesmo tempo em que ela própria apreciava a sensação do corpo dele pressionado ao dela. Cravava as unhas nos músculos dos braços fortes dele.

- Dianna, você está me deixando... Ah... – dos seios ele passou a apalpar as coxas dela.

- Doce vampiro... Você realmente sabe me agradar...

             Estavam prontos para o “gran finale”. Davy deu início às estocadas lentamente, pois sempre temia causar dor à sua querida Di. Porém, ela implorou que aumentasse a velocidade, e ele obedeceu. Os dois faziam o possível para controlar a vontade de expressar o prazer que sentiam com gritos. Atingiram o orgasmo juntos, e tudo o que Dianna pôde fazer, já que não podia gritar, foi dizer:

- Ah, Davy, eu te amo tanto...

- Eu te amo muito também, Di... – ele respondeu.
            
                Ofegantes, soltaram-se.

- Vamos... Descansar um pouco. E logo vamos embora daqui. Quero evitar ao máximo ser pego pelo conde. – disse ele.

- A ideia foi sua, seu vampiro maluco!

- Eu sei. Gosto de fazer as coisas... Perigosamente.

- Eu percebi. – ela falou, e beijou o rosto de Davy.

                Alguns minutos mais tarde, os dois se levantaram da cama, vestiram-se e se preparavam para sair dali pela janela. A queda seria pequena, pois o antigo quarto de Davy ficava no andar térreo do castelo.
                Ele pulou pela janela primeiro. Em seguida, deu a mão a Dianna para que ela pulasse. Assim que ela atingiu o chão, preparavam-se para ir embora quando ouviram alguém dizer:

- Di, como é bom ver você outra vez!
          
                Os corações de ambos quase saltaram por suas bocas. Dianna disse:

- Alice! É ótimo revê-la também! – e abraçou a amiga. – Emma, Erin e eu pensávamos que estivesse morta...

- Não. Apenas fui transformada em vampira e dada como noiva a Gerd Müller, melhor amigo do Conde Beckenbauer. Vocês ainda vivem na cidade?

- Erin e eu sim. Emma foi embora da cidade quando o pai morreu. Foi buscar abrigo na Ilha dos Lobisomens, pois temia que seu segredo fosse descoberto na cidade e ela passasse a ser perseguida. Casou-se e teve um filho com um lobo chamado Micky Dolenz, amigo de Davy... E de Mike.

- Na noite em que fui atacada e transformada em vampira, eu estava indo à Ilha dos Lobisomens procurar Mike e pedir perdão pela minha reação exagerada... Contudo, agora não posso fazer isso. Seria muito arriscado. E mesmo porque duvido que ele vá me perdoar. Porém, tentarei ir à ilha para visitar Emma... Você e Erin vão lá com frequência?

- Sim, sempre estou lá para ver Emma e Davy. Erin também sempre visita a ilha para ver Emma e também o namorado, um mago chamado Peter Tork, amigo de Davy, Mike e Micky.

- Então está bem, logo irei lá para ver vocês três! Agora me digam uma coisa... O que você estava fazendo aqui no castelo, Davy?

                   Davy ficou com as faces rubras.

- Bem, hã, eu... Quis proporcionar uma... Noite de amor diferente a Dianna.

- E decidiu correr o risco de ser pego pelo conde trazendo-a para cá?

- Bem... Sim. Por favor, Alice, não nos denuncie ao conde! – implorou o vampiro.

- Não farei isso! Gosto de você, Davy, e Di é minha amiga. Imagino que Louise tenha ajudado vocês...

                    Nenhum dos dois respondeu a vampira.

- Bem... Até minha visita na ilha, Di! E até logo, Davy!

- Até mais, Alice! – disse o casal em coro, se afastando do castelo.

                                                              ***

                Passou um mês. Alice ia à ilha quase todos os dias para ver suas três amigas. Todavia, certa noite, ela foi atacada e morta pelo lobo Christopher Romanov, fato esse que deixou as amigas de Alice profundamente tristes e mergulhou Mike ainda mais fundo na depressão.

- Que cara é essa, Mike? – quis saber Micky, ao ver o amigo entrar parecendo terrivelmente abalado.

- Alice. Alice está morta! – o lobo respondeu, furioso e triste.

- O quê? – Emma e Micky ficaram espantados. Emma começou a chorar por sua amiga.

- Romanov matou-a. Vou vingá-la!

- Tem certeza disso, Mike? – perguntou Peter. – Você acha mesmo que vale a pena vingar a vampira?

- É a única coisa que vai livrar-me da dor!

- Livrar-se da dor infligindo dor a Romanov? Isso não é do seu feitio, Mike. – observou Davy.

- Por que não vai morder aquela donzelinha indefesa, Davy? – Mike indagou, impaciente.

- Não vou morder Dianna. Não ainda. Ela não está pronta. – respondeu o pequeno vampiro.

- Você quer tê-la? Então a morda! – Mike bradou, e foi para seu quarto, batendo a porta com violência ao fechá-la.

            Davy saiu para encontrar Dianna. Avistou-a sentada numa pedra em meio às árvores, como de costume. Ele estava a cada dia mais preocupado com sua amada. Pensava que talvez fosse mesmo melhor se afastar dela, para protegê-la.

- Davy. – ela deu um sorriso doce para seu amado.

- Dianna. – Davy retribuiu o gesto, contudo, seu sorriso já não tinha o calor de sempre.

           Dianna percebeu a diferença. Desceu da pedra, tocou o rosto de Davy e inquiriu:

- O que há com você?

- Não é nada.

- Não minta para mim! Sei que não está tudo bem!

- Dianna... Eu te amo. Mas... Não posso continuar encontrando-me com você.

- Por que sou humana?

- Sim. Mas não pela questão de que não a aceitariam na mansão. Eles a receberiam de braços abertos, querida. O que me preocupa é o perigo que corre estando comigo. Quero... Quero te morder.

- Pois me morda! Tornar-me-ei vampira e serei sua!

- Não! Você não vai querer a vida de vampira. E... Além do meu desejo de te morder, que está ficando a cada dia mais irrefreável, há os vampiros do Conde Beckenbauer. Odeiam-me. Consideram-me um traidor. Poderiam atacá-la para me atingir. Não quero que se fira por minha causa, meu amor.

- Davy, não sou uma peça delicada de porcelana para que me trate assim! Eu posso me defender! E qual o problema de me morder? Assim poderemos ficar juntos... Para sempre!

- Dianna... Vampiros não são imortais. Alice está morta.

            A jovem sentiu como se fosse apunhalada no peito.

- Morta?

- Foi assassinada por Christopher Romanov.

- Oh, oh meu Deus... – Dianna não queria acreditar que desta vez a amiga havia de fato morrido. – Mesmo que vampiros não sejam imortais, quero ficar com você, Davy! – falou, depois de prantear longamente Alice. – A esta altura não posso mais voltar atrás. Estou irremediavelmente apaixonada por você, meu doce vampiro!

- Era o que eu temia. Que chegássemos a um ponto em que não pudéssemos nos separar, Dianna.

- Por favor... Se não vai me morder, ao menos se case comigo! – a moça falou em tom suplicante.

      Agarrou Davy e o beijou intensamente, que agora tinha certeza que, por mais que morresse de preocupação com Dianna, não conseguiria deixá-la. Amavam-se demais para ficar separados.
         Algumas noites após a morte de Alice, Davy foi visitado por Louise.

- Davy, eu receio que não poderei proteger Dianna da ira do conde por muito tempo. Mais cedo ou mais tarde, ele vai atacá-la. E matá-la. – disse ela.

- Eu... Não poderia restituir-lhe a vida, como você fez comigo?

           Desde a noite em que Dianna quase havia sido morta pelo Conde Beckenbauer, Louise havia assumido a responsabilidade de zelar pela segurança dela quando Davy não estava por perto. Entretanto, Louise pensava que já não era mais capaz de proteger a amada de seu amigo querido.

- Talvez, Davy. Mas ainda acho que a melhor solução é mordê-la.

- Louise, não quero fazer isso! Tenho medo de não medir bem a força e... E... – ao pensar em provocar a morte de Dianna, Davy ficou lívido.

- Não há outra solução! Só assim ela poderá ficar mais segura!

- Oh, Deus...

               Mais tarde, Davy foi encontrar-se com Dianna no lugar de sempre.

- Davy. – o vampiro foi envolvido nos braços de sua amada fortemente.

- Dianna.  – ele abraçou-a também. – Meu amor, tem certeza de que deseja que eu a morda?

- Oh, sim, sim, meu doce vampiro! Eu desejo isso! Creio que só assim poderei de fato ser sua!

- Está bem, se você quer... Está pronta? – ele sabia que continuar negando o pedido de Dianna não seria mais de utilidade.

- Sim.

         Dianna pegou seu cabelo e jogou sobre um único ombro, deixando à mostra um lado de seu pescoço. Ao ver aquele pescoço tão tentador, que inúmeras vezes ele beijou resistindo bravamente à vontade proibida, Davy mordeu-o, seus caninos penetrando na maciez do pescoço da amada apenas o suficiente para transformá-la em vampira. O desejo de provar um pouco do sangue de Dianna foi satisfeito. Davy deliciou-se com o gosto. A humana tocou os dois furos, e em seguida caiu desfalecida nos braços do amado.                    
          O vampiro, por alguns instantes, foi tomado pelo receio de que houvesse mordido Dianna tão profundamente que a havia matado. Contudo, não demorou a perceber que ela estava respirando. Ele ficou com a amada nos braços, observando o lindo rosto dela tornar-se pálido. Enfim ela abriu os olhos novamente. Agora eles eram castanho-claro com reflexos vermelhos.

- Deu... Deu certo? – Dianna quis saber.

- Sim. Você se tornou uma vampira, minha amada.

- Oh, Davy, estou tão feliz! – a garota abraçou seu “doce vampiro” e o beijou.

- Agora sim poderemos viver juntos. – Davy sorriu para ela.

- Esperei tanto por isso! – exclamou Dianna.

      O casal levantou-se do chão da floresta e Davy carregou Dianna nos braços até a mansão. Fizeram amor no quarto dele e na noite seguinte saíram para se casar no meio do bosque, à luz da Lua.  

- Dianna Sophie Mackenzie, eu a escolhi para ser a companheira do resto dos meus dias. Devotarei a você o maior amor possível eternamente, e farei de tudo pela sua felicidade. Aceita se casar comigo?

- Sim, eu aceito casar-me com você, David Thomas Jones, pois também o escolhi para ser o companheiro do resto dos meus dias. Também devotarei a você o maior amor possível eternamente, e também farei de tudo pela sua felicidade.

        Davy tirou do bolso um par de alianças douradas. Beijou uma delas e colocou-a no dedo anular direito de Dianna. Em seguida, deu a outra aliança a ela, que beijou o objeto antes de colocá-lo no dedo anular direito dele. Para selar o matrimônio, o casal de vampiros trocou um beijo intensamente apaixonado.

- Meu marido. – Dianna olhou carinhosamente no fundo dos olhos de Davy, sorrindo para ele.

- Minha esposa. – ele retribuiu o olhar e o sorriso.
                                                               
           Após alguns dias, os dois estavam sentados em um sofá na sala de visitas da mansão. Queriam namorar, contudo, não podiam fazer isso ali pela presença dos amigos. Mike e Micky jogavam baralho, Emma lia, atenta para caso Christian chorasse, e Peter tentava escrever um poema para Erin.
             Notando que os amigos estavam ocupados e não prestavam atenção neles, Davy sussurrou à esposa:

- Conheço um lugar ótimo para nos divertirmos.

- É mesmo? – ela indagou. Dianna sabia bem o que seu marido queria dizer com “diversão”.

- Sim. Venha comigo.

               Ele conduziu a vampira pela mão para fora da mansão. Caminharam floresta adentro, até chegar a um riacho, já dentro dos limites das terras de Franz.

- Querido... Esse riacho não faz parte dos domínios do Conde Beckenbauer? – Dianna quis saber, preocupada.

- Faz. Mas e daí? Estou cansado daquele petulante.

- Acho que é por isso que gosto de você, Davy. Sempre tão rebelde.  – ela riu.

- Por isso e outras coisas.  – ele sorriu com malícia.

               O vampiro despiu a esposa, e ela fez o mesmo com ele. Mergulharam no riacho. Enquanto nadavam e brincavam, Davy beijava cada centímetro do corpo molhado de Dianna, especialmente a região do pescoço dela onde estava localizada a marca que as presas dele deixaram. Ela devolvia o prazer que o marido a proporcionava acariciando-o todo. Por fim as estocadas começaram, levando a vampira à loucura.

- Davy, oh, Davy... Mais, meu doce vampiro, mais!
- Claro, Dianna. – Davy obedeceu, aumentando a velocidade, pois para ele nada era mais prazeroso do que dar prazer à sua vampira amada.

           Quando finalmente se sentiram cansados, emergiram. Estiraram-se na grama, ainda gemendo.

- Eu... Eu te amo, Davy. Louca, profundamente.

- Eu também te amo de uma forma louca e profunda, Dianna. – disse ele, ficando por cima da esposa para beijá-la. Ela gemeu em meio ao beijo.

- Aaah... Não, Davy, chega por hoje.

- Eu quero você, minha vampirinha deliciosa. – disse o vampiro, com os lábios ainda pressionados aos dela. – Mas se você está cansada...

              Ele saiu de cima dela.


- Está amanhecendo.  – disse Dianna. – Vamos voltar à mansão.

                                                          ***


            Algumas noites mais tarde, Dianna constatou que estava “atrasada”. Seria possível que o fato de que não era mais humana havia alterado algo nessa regularidade de seu corpo? Não, o motivo não deveria ser esse. Procurou Emma, sua melhor amiga.  

- Emma... Diga-me uma coisa.

- O quê? – Emma ficou intrigada.

- Vampiras... Ficam naqueles dias?  

- Ora... Eu creio que sim.  Vocês nada mais são que mulheres que não suportam a luz do Sol e cheiro de alho, fogem de água benta e crucifixos e se alimentam de sangue.  Por que a pergunta?

- Porque já deveria ter vindo.

- Você e o Davy andaram aprontando... – a loba loira deu uma risadinha.

           Um rubor surgiu no rosto da vampira.

- Bem, sim. No riacho. Umas noites atrás.

- O que o Conde Beckenbauer dirá quando souber que o vampirinho traidor gerou um novo morceguinho?  Estou feliz por você, amiga. – Emma abraçou sua melhor amiga.

- Obrigada. – Dianna deu um sorriso para a amiga querida. – Eu não vou deixar os vampiros do conde pegarem meu bebê.  – ao dizer isso, ela acariciou seu próprio ventre.

- Só resta contar ao papai morcego.

- Sim. Espere, papai morcego? Desde quando você faz piadinhas, Emma?

- Dianna, veja com quem me casei.

- Está explicado.  – Dianna riu.

             A jovem vampira estava ansiosa para saber como seu marido reagiria à notícia. Afinal, fazia tão pouco tempo que estavam casados...  Ela estava no quarto, lendo sentada na cama, quando ele entrou. Dianna ergueu os olhos do livro e olhou para Davy.
        “Vamos, Dianna, não seja boba, é claro que ele vai gostar de saber disso!”, ela pensava. O vampiro notou que a esposa olhava para ele com ar de quem queria dizer algo, mas não conseguia. Ele tentou ajudar:

- Di, querida, há algo que você queira me dizer? – ele se sentou na cama diante da vampira e pegou a mão dela.

              Ela respirou fundo.


- Bem... Sim, há, Davy.

- O quê? – a cada minuto ele ficava mais curioso.

              Dianna abraçou o marido, que não esperava por isso. Ela disse:


- Parabéns... Papai Morcego. – ela não pôde reprimir um riso ao dizer isso.

- Papai Morcego? – Davy olhou para os olhos de Dianna, em seguida para o ventre dela e de volta para os olhos dela. – Di... Você está... Está...

- Sim! Eu estou grávida, meu doce vampiro! – a vampira abriu um grande sorriso.

           O sorriso de Davy era ainda maior.


- Eu não acredito! Eu vou ser pai! É ótimo, é fantástico, Di, meu amor!

- Fico tão feliz que você esteja feliz, querido! – Dianna beijou o rosto do marido.

- Como eu poderia não estar?

         O vampiro abraçou a esposa e deu um beijo apaixonado nela, fazendo-a deitar na cama.


- Como sempre, você quer comemorar com isso, seu vampirinho danado. – ela riu.

- Não, Di, é melhor não. Pelo bebê. Vamos parar por enquanto. – disse Davy, afagando o rosto e os cabelos da esposa, que concordou com ele.

      Em seguida, ele acariciou e beijou o ventre da sua amada esposa. Os dois vampiros estavam realmente muito felizes. A felicidade só seria maior dali a nove meses...


 

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