Era mais um dia de trabalho na loja de tecidos de seu pai para o jovem
Davy Jones. Ele limpava o balcão quando o pai o chamou.
- Sim, pai?
- Davy, meu filho, poderia
atender a sra. Mackenzie e sua filha?
A sra. Mackenzie e seu marido eram os cônsules ingleses em Munique e
tinham um casal de filhos. Davy olhou para a filha da sra. Mackenzie. E quase
perdeu o fôlego. “Meu Deus, ela é linda!”, pensou.
- Bem, senhora, senhorita, em que
posso ajudar? – perguntou, solícito.
- Vamos oferecer um baile em casa
na semana que vem, e gostaríamos de comprar tecidos para que mandemos fazer
vestidos novos. – disse a cônsul.
- Pois não, sra. Mackenzie. – ele
pegou alguns tecidos e mostrou à diplomata. – Aqui há alguns tecidos para a
senhora... E para a senhorita... Bem, merece os mais belos tecidos da loja,
srta. Mackenzie.
A jovem corou e abaixou a cabeça. Não estava acostumada a ser cortejada
por um rapaz tão belo. Por longos minutos, houve intensa troca de olhares entre
os jovens.
- Dianna! – chamou a mãe da
garota. – Escolheu um tecido para seu vestido?
“Dianna? Que lindo nome! Nome de deusa...”, pensou Davy.
- Sim, mamãe. – disse ela. –
Este. – ela mostrou um tecido vermelho, vermelho como a paixão.
- Seus cabelos loiros ficarão
ainda mais belos quando usar o vestido feito com esse tecido, srta. Mackenzie.
– Davy ousou dizer.
- O-obrigada, senhor...
- Jones. Se bem que sr. Jones é
meu pai, chame-me de David... Ou Davy.
- Bem... Obrigada... Davy. –
Dianna sorriu.
A mãe da moça observava a cena, já notando a atração entre sua filha e o
rapaz. Pagou os tecidos e as duas foram embora.
***
- Dianna... – começou sua mãe. –
Je voudrais te parler de quelque chose. (Eu
quero falar com você sobre algo.) – falou em francês para que as criadas
alemãs não entendessem.
- Oui, maman? (Sim, mamãe?)
- Ce garçon... Je me suis aperçu
que tu aimes lui. (Aquele rapaz... Percebi
que gosta dele.)
- Bien... Il est très beau. (Bem… Ele é muito bonito.)
- Tu penses que je ne l’ai pas
remarqué la façon dont vous avez regardé les uns les autres, ma fille? (Pensa que não notei como vocês olhavam um
para o outro, minha filha?)
- Bien... Je pense qu’il est
charmant, doux... (Bem... Eu acho que ele
é encantador, doce...)
- Es tu amourese, chère fille? (Está apaixonada, querida filha?)
- Je ne sais pas, maman. Peut être. (Eu não sei, mamãe. Talvez.)
A filha tentou desconversar, contudo, Susan sabia que Dianna estava se
apaixonando pelo rapaz. Decidiu que tentaria alimentar aquele amor. O sr.
Jones, pai de Davy, era um comerciante muito rico. O casamento de Dianna com o
filho dele não traria nada de ruim para os Mackenzie.
Algumas semanas depois, a mãe de Dianna mandou a filha à loja, sozinha,
a fim de comprar tecido para uma nova camisa para o pai dela. Lawrence, o pai
de Dianna, estranhou que sua esposa mandasse a filha à loja sozinha. Para que
os criados não se metessem em assunto que não era de seu interesse, o sr.
Mackenzie perguntou à mulher em italiano:
- Perché há mandato Dianna solo
al negozio? (Por que mandou Dianna
sozinha à loja?)
- L’ultima volta che sono andato
lì stava flirtando con il figlio del proprietario. (Da última vez que fomos lá ela ficou flertando com o filho do dono.)
Giles, o filho mais velho de Susan e Lawrence, intrometeu-se na conversa
de seus pais:
- Lei a malapena conosce il
ragazzo si sta già pianificando il matrimonio, mamma? Non è meglio che essere
presentato a tutti noi prima? (Ela mal
conhece o rapaz e você já está planejando o casamento, mamãe? Não é melhor que
ele seja apresentado a nós todos antes?)
- Giles! Sempre rovinare la vita
sentimentale di tua sorella! (Giles!
Sempre atrapalhando a vida amorosa da sua irmã!) – repreendeu o pai.
- Io non sono in disordine, papà,
ho solo preoccuparsi de mia sorellina! (Não
estou atrapalhando, papai, eu só me preocupo com minha irmãzinha!)
- Questo non è problema, è la
gelosia pura e semplice! (Isso não é
preocupação, é ciúme puro e simples!) – falou a mãe.
Enquanto seus pais e seu irmão discutiam,
Dianna chegava à loja da família Jones. Ao vê-la entrar, Davy correu para
atendê-la. Evitou que Heinz, o jovem empregado de seu pai, fizesse isso,
dizendo:
- Heinz, mein Vater ruft dich dort im
Hinterzimmer. (Heinz, meu pai está
te chamando lá nos fundos da loja.)
- Und wer das Mädchen gerecht werden? (E quem vai atender a moça?)
- Ich werde es tun, keine Sorge. Schnell
gehen! (Eu farei isso, não se preocupe.
Vá logo!)
Heinz foi para os fundos da loja, e
Davy pôde atender Dianna.
- Olá, srta. Mackenzie!
- Oh, olá, Davy.
- Em que posso ser útil?
- Bem, gostaria de tecido para
uma camisa de meu pai...
- Claro! Espere um momento.
Ele pegou alguns tecidos, estendendo no
balcão. Dianna tocava os tecidos, tentando escolher algum que fosse do gosto do
sr. Mackenzie. Davy não resistiu. Tocou “sem querer” as mãos da garota.
- Eu... Desculpe-me, srta.
Mackenzie.
- T-tudo bem. – o rápido toque
dos dedos de Davy foi o bastante para que o coração de Dianna batesse como
louco.
- Senhorita... Como queria ter
podido estar no baile em sua casa na semana passada... Quem me dera vê-la tão
bela com um vestido feito daquele tecido que vendi a você. Deveria parecer uma
deusa... – ele sussurrou no ouvido dela.
Sem saber o que fazer, Dianna disse:
- Davy, escolhi o tecido, poderia
cobrar, por favor?
- Ah... Claro.
Dianna pagou o tecido e foi embora.
Mais tarde, foi encontrar-se com suas amigas na casa de Emma Carlisle, sua
melhor amiga.
- Di, é verdade o que mamãe me
contou sobre você estar... Flertando com o filho do sr. Jones da loja de
tecidos? – Erin Hudson, prima de Dianna, quis saber.
- Quem disse isso à tia Lucy?
Minha mãe? – inquiriu Dianna à prima.
- Sim. Tia Susan foi à minha casa
hoje mais cedo, quando você estava na loja. Ouvi as duas conversando.
- Bem... O filho do sr. Jones
sabe como... Galantear uma mulher.
- Jogue uns galanteios nele
também, Dianna! – incentivou Alice Stone.
- Eu não sei fazer isso, Alice.
- É fazendo que se aprende, minha
amiga! – disse Emma a Dianna, piscando o olho.
- Ah, bem, eu...
- Ele já gostou de você. –
observou Alice. – Se você galanteá-lo também, ele vai entender o recado.
- Certamente. – disse Erin. – Como
você acha que Alice conseguiu Mike Nesmith para si, Dianna?
Alice ficou um pouco ruborizada,
contudo, não podia negar que Erin falava a verdade.
- Ande logo, Di! Aquele rapaz é
um partido e tanto! É bonito, rico e inteligente. Uma pena que seja tão
baixinho... – Emma falou.
- O QUÊ? VOCÊ TAMBÉM ANDOU
ARRASTANDO SUAS ASINHAS PARA CIMA DO DAVY, EMMA? – Dianna perguntou, indignada.
- Nada disso. Prefiro homens tão
ou mais altos do que eu, e você sabe disso. Estou apenas dizendo que você não
pode perder tempo se quiser ficar com Davy Jones.
***
Passaram-se mais algumas semanas. Alice
havia desaparecido misteriosamente, apenas alguns dias depois de Mike, seu
namorado, também ter sumido. Dianna, Emma e Erin acreditavam que ela havia sido
morta pelos nosferatus das redondezas e prantearam muito a amiga. O aniversário
de Erin se aproximava e o sr. e a sra. Mackenzie queriam presentear a sobrinha
com um novo vestido. Foi esse o pretexto que Susan arrumou para enviar sua
filha à loja de tecidos dos Jones novamente. E mais uma vez sozinha.
Ao ver a garota entrar, o sr. Jones, que
também vinha percebendo o envolvimento entre ela e seu filho, disse ao rapaz:
- Davy, por favor, atenda a srta.
Mackenzie!
- Sim, meu pai! – respondeu ele.
“O senhor nem precisa pedir”, pensou. – Olá, srta. Mackenzie, o que deseja?
- Primeiramente, chega de “srta.
Mackenzie”. Para mim basta que me chame de Dianna.
- Está bem. O que deseja, Dianna?
- Meus pais querem presentear
minha prima Erin com um novo vestido e me mandaram aqui para comprar um tecido.
Conheço bem o gosto da minha prima.
- Bem, temos aqui alguns tecidos
que poderão ser do agrado da sua prima. Fique à vontade para escolher. – disse
Davy, estendendo no balcão tecidos para Dianna ver.
Depois de algum tempo tentando decidir
qual tecido levar, sendo atentamente observada por Davy, Dianna sussurrou:
- O que procura numa mulher,
Davy?
O rapaz ficou surpreso. Não esperava
que ela tomasse aquela atitude. Todavia, serviu apenas para seduzi-lo.
- Depende do que eu perdi. –
disse ele, tentando ser engraçado.
- Não interessa o que perdeu...
Você encontrará. – ela falou, em tom sedutor. Davy teve que se controlar para não
agarrá-la e beijá-la ali mesmo.
Em seguida, Dianna pediu, como se nada
houvesse acontecido:
- Pode cobrar o tecido, Davy?
- Claro, Dianna.
Ela pagou o tecido e foi embora. Davy
observou-a até ela sumir de seu campo de visão, suspirando pela moça. “Ela será
minha, toda minha. Amanhã mesmo vou falar com Dianna sobre o que sinto, antes
que os pais acertem o noivado dela com outro homem!”.
Naquela noite, já tarde, Davy foi
tomado por um profundo desejo de observar a sua amada às escondidas. Caminhou
pela cidade, até chegar à casa dela. Subiu numa árvore, em que era possível ter
uma ótima visão da janela do quarto de Dianna. Davy viu-a lendo um livro,
sentada diante de uma escrivaninha. Depois de meia hora, ela fechou o livro, levantou-se
e tornou a sentar-se, desta vez na frente da penteadeira. O rapaz assistiu
enquanto ela penteava seus longos cabelos loiros. “Ah, se eu pudesse tocar
esses cabelos! Devem ser suaves como a mais pura seda!”.
Então, Dianna terminou de escovar os
cabelos, levantou-se e foi até uma pequena lamparina de parede. Fechou-a, e o
quarto ficou escuro.
- Que pena! – Davy murmurou. –
Boa noite, meu amor.
O rapaz desceu da árvore. Ao
aterrissar no chão, viu-se diante de um grupo de pessoas, três homens e duas
mulheres, bloqueando seu caminho.
- Com licença. – pediu ele. –
Preciso ir embora.
- O senhor não irá a lugar
nenhum. – disse autoritariamente um dos homens.
- Conde! Deixe o rapaz! – pediu a
moça loira, pegando o braço do homem.
- Agora está com pena dele,
Louise? – esbravejou o conde, soltando seu braço das mãos da jovem. – Gerd,
Sepp, Alice... Sabem o que fazer.
- Não! Não façam isso! –
protestou Louise. – Ele não merece!
O apelo foi infrutífero. Davy ficou
profundamente assustado ao notar que conhecia a moça de cabelos negros: Alice
Stone, a antiga namorada de seu amigo Mike Nesmith, a quem ela havia dispensado
ao saber que ele era um lobisomem. Os três homens e Alice olhavam para ele com
um brilho assassino e sedento no olhar.
- Alice! Por favor! – pediu Davy.
– Você não vai permitir que matem um amigo de Mike, vai?
- Não tenho mais nada com ele! –
respondeu a jovem.
Os três homens e Alice começaram a
perseguir Davy, e a garota de cabelos dourados, Louise, tentava impedi-los.
Davy correu o máximo que suas pernas permitiram. Até que, cansado, cedeu. O
homem que Louise havia chamado de “conde” agarrou-o. Os olhos dele estavam
vermelhos e ele exibia caninos afiados. Era um vampiro. O rapaz fez o que pôde
para proteger seu pescoço, enquanto sua protetora tentava afastar o conde. Um
dos outros homens, certamente também vampiro, segurou a moça.
- Solte-me, Sepp! – ordenou a
moça.
- Não.
O conde inclinou a cabeça em direção ao
pescoço de Davy... E cravou as presas na carne, sugando todo o sangue.
No dia seguinte, Dianna acordou bastante
feliz. Sua felicidade durou até juntar-se aos pais e o irmão no café da manhã.
Os pais olhavam para ela com... Pena?
- Aconteceu alguma coisa? Por que
estão me olhando assim? – indagou, intrigada.
- Minha filha... O filho do sr.
Jones está morto. – disse seu pai.
- O quê? – Dianna não creu no que
ouviu. – Não, papai, o senhor deve estar enganado...
- Seu pai não está enganado, Di.
É verdade. – disse a mãe. – O próprio sr. Jones tentou salvar seu filho dos
nosferatus.
- Não... Não... Podem comer sem
mim. Perdi o apetite! – ao dizer isso, Dianna tinha seus olhos banhados em
lágrimas. Voltou ao quarto como um furacão.
Ela se jogou na cama, agarrando o travesseiro,
molhando-o com suas lágrimas.
- Primeiro Alice, agora ele! Eu
odeio esses vampiros malditos! Oh, Davy, se eu... Se eu pudesse saber que seria
tirado de mim, teria dito a você com todas as letras o quanto te amo!
***
Davy acordou se sentindo ao mesmo
tempo muito fraco e também cheio de vigor, se é que era possível sentir duas
coisas tão opostas simultaneamente. Viu um par de brilhantes olhos azuis o
observando com preocupação. Era ela. A moça que havia tentado impedir que fosse
atacado.
- Ah, até que enfim! Pensei que
não iria conseguir trazer você de volta à vida! – exclamou ela.
- De volta... De volta à vida? Eu
morri?
- Sim... Mas pinguei um pouco do
meu sangue na sua boca. – ela mostrou a mão envolta em faixas. – O sangue de um
vampiro pode trazer de volta à vida... Porém na forma vampiresca, e apenas
poucas horas após a morte.
- Hã, bem, obrigado. Sou
eternamente grato a você, mesmo que agora eu tenha que viver com esta maldição!
Você é Louise...?
- McGold. Mas se quiser, pode me
chamar de Lulu. E você?
- David Jones. Pode me chamar de
Davy, se preferir.
- Vou levar você para o Castelo
Beckenbauer, Davy. É lá que eu vivo. Vou cuidar de você e ensiná-lo a viver como
vampiro.
- Obrigado. Creio que meus pais
não me aceitariam... Assim. E nem mesmo... Nem mesmo ela. – Davy deu um suspiro
triste ao pensar em Dianna.
Louise ficou com pena de Davy. Ajudou-o a
ficar de pé, e tirou dois frascos do bolso. Ambos eram cheios de um líquido
vermelho.
- Isso é... – Davy começou.
- Sim, é sangue. Experimente. Sei
que parece repulsivo, mas agora esta é sua única fonte de alimento.
Davy torceu o nariz, no entanto,
pegou um dos frascos da mão de Louise, tirou a rolha e bebeu um pouco. Tentava
se acostumar com o gosto.
- É sangue de...?
- Sangue humano.
Ao ouvir isso, Davy cuspiu fora o
sangue.
- Não! Prefiro continuar morto a
beber sangue humano!
- Tudo bem. Este aqui é sangue de
coelho. – ela deu o outro frasco a Davy.
- Melhor do que sangue humano. –
disse Davy, aceitando o frasco. Desarrolhou-o e sorveu o conteúdo. – Acho que
vou me acostumar com isso. – disse ele, fazendo uma careta.
- Minha nossa, está com cara de
uma criança que bebeu um xarope amargo! Não é tão ruim assim! – Louise riu. –
Aliás, com o tempo vai aprender a gostar, e muito!
- Não sei não. – Davy deu uma
pequena risada.
Nascia ali uma grande amizade. Louise
levou Davy com ela à sua morada. Ao vê-la entrar acompanhada do rapaz
recém-transformado em vampiro, o conde gritou:
- Você ficou mesmo muito apiedada
dele, Louise! Transformou o humano em um de nós! Não quero esse parasita em meu
castelo! Vá embora já daqui, seu nanico!
Davy notou que, além do conde, outro dos
vampiros decididamente não queria a presença dele no castelo: um que era alto e
forte, mais parecia um urso. Louise retrucou:
- E acha que na Ilha dos
Lobisomens vão aceitá-lo? Não! Ele não tem para onde ir e vai ficar aqui. Eu
mesma vou cuidar dele e de seu treinamento!
O conde deu de ombros.
- Está bem! Mas que ele não me
cause problemas!
- Não causarei, senhor. – Davy
falou com veemência.
Ele e Louise se afastaram.
- Você parece ter um certo...
Poder sobre o conde Beckenbauer, Louise. – observou Davy.
- Sou a noiva dele. – Louise
explicou.
- Ah sim... Mas não me parece que
você gosta muito dele.
- Ele... É um bom homem quando
quer. Porém, você tem razão, não gosto dele como meu marido.
- Entendo...
Passaram-se alguns dias. Davy tentava se
adaptar aos seus novos poderes. O conde Beckenbauer e o vampiro que parecia um
urso, Gerd Müller, pareciam tolerá-lo... Devido à influência de Louise. O outro
vampiro, Sepp Maier, mostrava-se amigável. E Alice, certo dia, veio falar com
Davy.
- Davy, eu queria pedir desculpas
por aquele dia. Não queria atacar você de fato. Por mim, você teria escapado
ileso. Contudo, sabia que se eu tentasse defendê-lo, o conde me puniria. Peço
perdão por três motivos: porque eu pessoalmente gosto de você, porque você é
amigo de Mike... E porque sou amiga de Dianna. Sei que você a ama. E que ela
ama você.
Ao ouvir aquilo, Davy quase morreu de
alegria. Dianna o amava!
- Eu aceito suas desculpas,
Alice. Também gosto de você. Você me diz que Dianna me ama... Mas... Ela me
aceitaria como um vampiro?
- Não vejo por que não. – Alice
deu um sorriso.
***
Enquanto Davy se acostumava à sua nova
vida, treinando com a ajuda de Louise, e visitava seus velhos amigos Mike
Nesmith, Micky Dolenz (estes, dois lobos) e Peter Tork, um mago, na Ilha dos
Lobisomens, seus pais haviam deixado Munique e se mudado para Berlim, para não
serem dominados pela lembrança do filho que perderam.
Dianna estava muito triste. Ela já não
era mais a mesma. Seus pais e suas amigas faziam o possível para ajudá-la a
aceitar a perda. Até mesmo seu irmão, Giles, que não exatamente aprovava a
ideia de que ela se casasse com Davy, queria que sua irmã voltasse a se
alegrar.
- Maninha... Não fique assim. –
Giles dizia, abraçando Dianna. – Tenho certeza de que Davy não iria querer ver
você desse jeito.
- Ah, mano, mas lembrar que ele
não está aqui me deixa tão triste! Agora cabe a você se casar e dar netos aos
nossos pais. Eu vou ficar para titia.
- O que é isso, Di? Você é jovem,
bonita, culta! Não vão te faltar pretendentes!
- Não quero outro homem na minha
vida, Giles.
- Eu... Compreendo. – disse
Giles, limpando o rosto da irmã com um lenço. – Je t’aime, petite soeur. (Eu te amo, irmãzinha.)
- Je t’aime aussi, mon cher
frère. (Eu te amo também, meu querido irmão.)
Davy aos poucos criava coragem para
procurar Dianna. Ainda estava um pouco duvidoso de que ela o aceitaria. Pensava
que já estava bastante próximo de Louise para abrir seu coração para ela.
- Lulu, eu preciso de ajuda.
- Diga, Davy, se estiver ao meu
alcance farei qualquer coisa por você.
- Eu só gostaria de que você me
ouvisse e me desse algum conselho.
- Pode falar. É sobre aquela moça
chamada Dianna, não é?
- Como... Como você sabe?
- Nós, vampiros, podemos ler mentes.
Tenho que ensinar você a fazer isso. Bem, li sua mente durante muitas semanas.
Queria saber por que você sempre ficava, em algum momento do dia, todo amuado e
suspirante. E descobri que está apaixonado.
- Sim... Ah, Lulu, eu morro por
Dianna! Queria ter coragem de poder dizer isso a ela. Mas eu receio que ela me
rejeite, pois sou... Um monstro.
- Davy, ela não vai recusar você,
se ela te ama de verdade! E pelo que vi de suas memórias... Dianna sente o
mesmo por você.
- Você acha?
- Sim. – disse a vampira com um
sorriso. – Pense nisso.
Davy aprendeu com Louise a ler mentes. E
passou a praticar a nova habilidade lendo as mentes de todos no castelo. Leu a
mente de Alice e soube que ela se arrependia da maneira como havia dispensado
Mike e que ela desconfiava de que Louise estava interessada em seu marido,
Gerd. Leu a mente do conde e soube que ele ainda não aceitava bem sua presença
em seu castelo.
Um dia, Alice resolveu indagar a Davy sobre
sua profunda ligação com Louise. Temia que ele estivesse se apaixonando pela
noiva do Conde Beckenbauer e se esquecendo de sua amiga Dianna. Se fosse isso,
Alice ia ensinar uma lição a ele.
- Davy, talvez eu esteja sendo
muito enxerida... Mas posso saber por que está sempre com Louise?
- Ela é uma boa pessoa, Alice.
Muito bondosa mesmo, e gosto dela.
- Gosta dela como amigo ou está
cobiçando a esposa do conde, anão? – Gerd, o marido de Alice, intrometeu-se na
conversa.
- Gosto de Louise como amigo,
herr Müller. Meus interesses amorosos estão bem longe deste castelo.
Louise meteu-se na conversa para
defender Davy.
- Em vez de encher meu amigo de
perguntas, por que não vão caçar?
- Ora, sua petulante... – Alice
vociferou.
- Quem é petulante é você! –
Louise retrucou, e já se preparava para avançar em Alice, porém Davy a impediu.
Alice e Gerd foram embora.
Após esse incidente, Davy leu a mente
de Gerd e ficou abismado em saber que o vampiro desejava sua amiga Louise. Para
ele, um homem como aquele não servia para Lulu. Era bruto demais para ela. E
por fim, resolveu ser invasivo e leu a mente de Louise, já que ela havia tomado
a liberdade de ler a dele. E ficou muito surpreso.
- Louise! Você ama Gerd Müller! E
o que é pior, pensa... Coisas sobre ele! Não entendo! Como pode amar aquele
brutamontes?
- David! Você também pensa...
Coisas sobre Dianna, acha que não sei? Aliás, você estava olhando pela janela
dela na noite em que foi atacado!
Davy ficou ruborizado. Louise
continuou:
- Ele não é um brutamontes. Sei
que ele tem um coração bom, Davy.
- Bom, não se escolhe quem se
ama. E eu tomei uma decisão.
- É mesmo? Qual?
- Eu vou procurar Dianna! Vou
dizer a ela o quanto a amo, que não posso viver sem ela! Vou trazê-la para o
castelo e farei dela minha morceguinha!
- Pensei que você nunca mais
faria isso! Boa sorte! – Lulu ficou contente pela decisão do amigo.
- Obrigado! Vou precisar.
O vampiro, no começo da noite, assumiu a forma de morcego e foi até a
cidade. A sorte estava mesmo ao seu lado. Dianna estava sentada no jardim de
sua casa. Parecia triste. “É por mim que sofre dessa maneira, meu amor?”,
pensou ele. Pousou e assumiu forma humana. Chamou-a.
- Dianna.
A garota ergueu a cabeça. Davy sabia que
ela ia gritar, entretanto, no último momento faltou-lhe voz. Ela finalmente
gaguejou, com a voz fraca:
- D-D-Davy! É você mesmo?
V-v-você voltou dos mortos?
- Mais ou menos. Fui morto por um
nosferatu, contudo, uma vampira boa me trouxe de volta... Em forma vampiresca,
é verdade, mas me trouxe de volta.
- Eu não acredito! Não tenho
palavras para dizer o quanto... O quanto estou feliz! – Dianna abraçou-o
fortemente. Davy retribuiu o abraço.
- Dianna... – ele passava a mão
nos cabelos dela. “São mesmo tal qual seda”, pensou. – Eu tenho que dizer algo
a você. Algo que planejava dizer na manhã seguinte à noite em que fui atacado.
- O quê? – Dianna olhava para ele
curiosa.
- Eu... Eu te amo! Eu te amo
desde o primeiro momento! Não sei viver sem você!
Dianna olhou no fundo dos olhos de
Davy, surpresa e feliz.
- Eu amo você também! – ela
disse, e beijou o vampiro ardentemente. Em meio ao beijo, Davy aplicou a
fascinação, uma espécie de encanto sedutor que os vampiros podem lançar.
Daquele modo, Dianna seria totalmente dele. – Meu doce vampiro...
- Você me aceita mesmo como um vampiro,
Dianna?
- Sim, sim, sim. Meu amor, meu
único e eterno amor.
- Mas... O que seu pai e sua mãe
vão pensar?
- Eles queriam nos juntar quando
você era humano, vão ter que aceitar que eu me una a você assim! Me beija de
novo, doce vampiro... Me beija até me matar de amor!
- É claro que sim.
Davy se preparava para beijar Dianna
outra vez, quando se ouviu um chamado:
- Fraulein Mackenzie, das Abendessen auf den
Tisch! (Srta. Mackenzie, o jantar
está na mesa!)
Frustrada, Dianna respondeu:
- Ich bin gleich da, Gretchen! (Eu já vou, Gretchen!) Desculpe-me,
Davy...
- Tudo bem, vá. A espera tornará
o beijo ainda melhor. – disse ele com um sorriso.
- Adeus, meu amor, meu doce
vampiro.
- Adeus, não, até logo!
- Está bem, até logo! – ela
beijou o rosto dele e entrou correndo na casa.
Davy não sabia lidar com tanta
felicidade dentro de si. Metamorfoseou-se em morcego e voltou ao Castelo
Beckenbauer. Logo que chegou procurou Louise.
- Lulu, Lulu, eu estou tão feliz!
Há tanto tempo não me sentia assim! – ele abraçou a amiga, tamanha era sua
alegria.
- Eu nunca te vi tão contente,
Davy! Conte-me tudo!
- Ela me ama, Louise! Ela me ama
tanto quanto eu a amo! Ela diz que fará de tudo para ficar comigo, e me aceita
mesmo que eu seja um vampiro! Mereço tanta felicidade?
- Sim, é claro que sim, Davy! –
Louise estava muito contente por ele. – Isso merece uma comemoração, meu amigo!
Vamos dançar!
Louise colocou um disco no gramofone,
e ela e Davy começaram a dançar para comemorar a felicidade de Davy. Gerd e Alice desciam as escadas. Davy ouviu
Alice dizer ao marido:
- Gerd, vamos dançar com eles?
- Deixe-os! Logo o conde vai
puni-los! – esbravejou o vampiro com jeito de urso.
“Você pensa que amo Louise, seu bruto? É
porque não sabe da existência de Dianna Mackenzie!”, Davy pensou. No dia
seguinte, Davy decidiu que se apresentaria aos pais de Dianna e pediria a mão
dela. E foi à casa dela. Contudo, teve o azar de não encontrar os pais da sua
amada... Somente o irmão.
- O quê? Você, um vampiro
sanguinário, casar-se com a minha irmãzinha? Não, não! É um absurdo!
- Giles! Davy não é uma criatura
sanguinária! Ele é bom! E eu o amo!
- Não, não e não! Não vou deixar
que papai e mamãe permitam que se case com um monstro, Di!
Davy achava que tudo estava perdido
outra vez. Foi embora. Dianna foi atrás dele.
- Não ligue para o Giles, Davy!
Ele é tão ciumento que se torna cego!
- Mas, Di, e se seus pais
concordarem com ele? Não, é melhor que nós fiquemos separados. Mas não se
esqueça, eu te amo!
- Davy! Por favor, meu doce
vampiro! Fica comigo!
- Adeus. – Davy deu o que pensou
ser seu último beijo na amada, e regressou ao castelo.
Louise ficou surpresa ao ver a
diferença na fisionomia de seu amigo, tão feliz algumas horas antes.
- Davy, o que houve?
- O irmão de Di se opõe a que eu
fique com ela... E decerto vai convencer os pais a não permitir nosso
casamento! Ah, Lulu, como pude ser tão leviano? Como pude pensar que poderia
ter a minha amada?
O vampiro começou a chorar nos ombros da
amiga. Ela o abraçou, tentando transmitir conforto e consolo... E acabou por
beijar os lábios dele. Davy, levado por aquele estranho ímpeto, acariciou o
rosto da amiga. Mal sabiam que estavam sendo observados por Gerd... Sem entender
por que fizeram aquilo, decidiram esquecer o ocorrido.
Na noite seguinte, Davy saía para caçar
algum animal do qual sugaria o sangue, quando foi abordado pelo conde.
- Davy Jones!
- Sim, senhor?
- Como ousa quebrar as regras dos
vampiros? Não basta se juntar àqueles lobos e aquele mago sem meu
consentimento, também cobiça a minha esposa!
- O quê? Conde, eu de fato sou
amigo daqueles lobisomens e daquele mago, mas não sinto nada por Louise senão
uma profunda amizade e gratidão!
- Mentiroso! – rugiu o
vampiro-mestre, golpeando o vampiro menor. Davy tentou revidar, mas não pôde.
Tornou a ser socado. – Eu soube que você foi visto beijando Louise!
O vampiro inglês tentou tudo o que
pôde para se defender, entretanto, acabou cedendo aos socos de Franz. Os demais
vampiros assistiam. Sepp não ousava ajudar Davy. Alice estava horrorizada, tão
horrorizada que não conseguia sair do lugar para auxiliar o amado de sua amiga.
E Gerd observava sem expressão. Por dentro, sorria.
Louise voltava de seu banho no rio
quando se deparou com a terrível cena.
- CONDE! PARE! – ela correu para
amparar Davy.
- SAIA DE PERTO DELE, LOUISE! – o
conde gritou, tomado pela fúria. – Este vampiro vai ser punido da pior maneira!
- Mas o que ele fez?
- E ainda pergunta, sua tola?
Tentando fingir que não sabe de nada? Ele desobedeceu às nossas regras! Uma
delas é cobiçar a esposa alheia e ainda se juntar aos lobos que vivem na ilha
sem meu consentimento!
- Eles são meus amigos! – Davy
disse, cuspindo sangue e começando a se recuperar.
Franz iria esmurrar o pequeno
vampiro outra vez, todavia, Louise colocou-se diante do amigo para protegê-lo.
- Eu imploro por clemência! –
Louise exclamou, chorando, e até mesmo prostrou-se diante do conde. – Poupe
Davy Jones. Eu faço o que você quiser, mas deixe meu amigo livre e vivo!
O conde estendeu a mão para Louise,
erguendo-a. Olhou para Davy e disse, em tom de voz calmo:
- Tens uma amiga e tanto... Mas
seu azar foi cobiçar minha noiva! – deu um novo murro em Davy, que caiu no
chão. – Como prova da minha clemência, neste momento ordeno que saia do meu
castelo e de minhas terras, Davy Jones! Nunca mais colocará os pés aqui!
Davy e Louise trocaram um olhar. Ela,
amedrontada, correu até o amigo e o abraçou.
- Vá para a ilha, meu amigo! E se
o conde decidir se vingar, tentarei impedir!
- Obrigado, Louise! – Davy
assumiu a forma de morcego e voou em direção ao oeste.
Foi pousar na mansão onde Mike, Micky
e Peter viviam. Bateu na porta. Micky abriu.
- Davy! O que aconteceu com você?
Por que está todo roxo?
- Fui socado pelo conde, e
expulso de suas terras. Posso viver aqui?
- Que pergunta! Claro que sim!
Depois nos resolvemos com o Moore. Entre, meu amigo, entre!
Micky levou Davy até a sala de estar.
Lá estavam Mike, Peter, Emma Carlisle, a esposa de Micky, uma jovem de cabelos
castanhos chamada Erin Hudson, amada por Peter, e....
- Meu doce vampiro! – Dianna
exclamou. Correu para o amado, envolveu-o em seus braços e cobriu-o de beijos.
– O que aconteceu com você? – ela quis saber, acariciando o rosto dele.
- Não importa agora. O que está
fazendo aqui, Di?
- Sou amiga de Emma e de Erin,
que é também minha prima. Vim conhecer o filhinho de Emma.
- Ah sim... Di, por favor, quero
que me ouça bem. – ele pegou as mãos dela. – Meu amor, meu tesouro, o conde
está furioso comigo porque sou amigo de Mike, Micky e Peter, e me expulsou de
seus domínios. – não ousou contar a ela sobre o beijo impensado em Louise. –
Ele já não ia com a minha cara, agora me odeia profundamente. E decerto tentará
se vingar da minha “ofensa” a ele. Temo o que ele pode fazer contra você.
- Eu não tenho medo dele, Davy!
- Di, eu sei que você é corajosa
e cabeça-dura, mas pelo menos uma vez tenha cuidado, por favor, eu suplico! Sabe
o que vai acontecer comigo se perder você?
Dianna ficou quieta, embora soubesse
muito bem o que Davy iria dizer.
- Vou ficar louco! Completamente
louco! Eu já te perdi uma vez, não vou correr o risco novamente!
- Não vai me perder, meu doce
vampiro. – Dianna abraçou-o e beijou-o.
Mais tarde, Dianna e Erin foram
embora para a cidade. Micky, Peter e Mike foram pedir a Bobby Moore, o lobo
alfa, que refugiasse Davy. O líder da alcateia concordou em abrigar o vampiro.
Naquela mesma noite, Davy decidiu matar sua fome. Foi ao bosque e pôs-se a
espreitar um cervo. Mataria o animal, sugaria o sangue dele e deixaria a carne
para os amigos. No entanto, sentiu que era observado.
Espiou com o canto do olho e viu que
um caçador o olhava atentamente e carregava sua espingarda... Com balas de
prata. Temendo por sua vida, o vampiro transformou-se em morcego e saiu voando,
deixando o caçador praguejando como louco. Davy voou até a cidade, mais
exatamente até a casa de Dianna. Encontrou a janela do quarto dela ainda
aberta, porém o cômodo já estava escuro. Pousou, assumiu forma humana e chamou:
- Di, acorde.
- Davy? – ela abriu os olhos. – O
que veio fazer aqui?
- Estava fugindo de um
caça-vampiros. Ah, meu amor... – ele deitou-se ao lado dela, e após envolvê-la
nos braços deu-lhe um beijo.
- Doce vampiro... – Dianna sentia
o desejo percorrer seu corpo, contudo, estava temerosa de que fossem pegos em
flagrante.
- Vamos? Por favor, estou louco
para torná-la minha...
- Enlouqueceu? Meus pais podem
nos pegar! Ou algum dos criados! Não quero nem imaginar se for o meu irmão!
- Não vão nos pegar... Por favor,
Di, por favor.
- Está bem.
Davy abriu com cuidado
os botões da camisola de Dianna. Ela estava nervosa, era a sua primeira vez, e
tremia enquanto abria os botões da camisa de seu amado. Por fim se despiram
completamente. Davy deitou-se por cima de Dianna. Ele a acariciava suavemente.
Queria que a primeira noite de sua amada fosse perfeita. Sem saber muito bem
como agir, Dianna enroscou as mãos nos cabelos de Davy.
- Venha me beijar, meu doce vampiro...
Ele não se fez de
rogado. Atendeu ao pedido dela. O beijo ficava mais e mais intenso. Davy estava
preparado para avançar.
- Di, meu amor... Eu...
- Vá. – ela consentiu.
- Me avise se doer.
O vampiro penetrou
Dianna. Ela não pôde evitar gemer.
-Ah... Davy... Davy...
- Dói? Quer que eu pare?
- Um pouco... Mas... Oh, é ótimo... É maravilhoso! Não pare, por
favor...
As estocadas
continuaram. Dianna e Davy sentiam mais prazer a cada beijo, cada carícia, cada
movimento. Atingiram o clímax, contudo, sufocaram o grito de máximo prazer,
pois não podiam ser descobertos.
Separaram-se, arquejando.
- Meu doce vampiro, eu... Eu não
sei como dizer... Foi... Tão bom!
- Você é linda... E é minha. –
Davy acariciava os cabelos dela.
- Sim, sou toda sua, meu amado!
Ela beijou a testa de Davy e se
aconchegou em seus braços. Adormeceram juntos. Quando faltava pouco para o
amanhecer, Davy acordou. Dianna despertou também, e ao vê-lo levantar-se,
disse:
- Não vá embora... Fica aqui...
- Di, o Sol logo vai nascer! Não
posso ficar sob sua luz!
- Tem razão... Então... Quando
vou te ver outra vez?
- Vá para a Ilha dos Lobisomens
hoje à noite!
- Está bem, meu doce vampiro. Até
a noite, então!
- Até a noite! – Davy soprou um
beijo para Dianna antes de se transformar em morcego e sair voando pela janela
dela.
Naquela noite, Dianna e Davy iniciaram
uma rotina de encontros diários nos bosques da Ilha dos Lobisomens. Ansiavam
por aqueles encontros. Neles, conversavam, andavam de mãos dadas por entre as
árvores, beijavam-se... E faziam amor sob a luz da Lua, deitados na relva
macia. Uma vez, após terem terminado o ato, Dianna inquiriu ao seu amado,
afagando os cabelos dele:
- Davy... Faria qualquer coisa
que eu te pedisse?
- Certamente! Diga, minha
querida. – disse ele, beijando a mão de sua amada humana.
- Eu... Quero que me morda.
Davy percebeu que estava errado em
afirmar que atenderia qualquer desejo de Dianna. Ele realizaria qualquer desejo
dela... Exceto aquele!
- Não, Di. Isso eu não posso
satisfazer.
- Por quê? Aproveite que meu
pescoço está bem ao alcance de sua boca e acabe logo com isso!
- Dianna, eu não posso fazer
isso! Vou condenar você a uma maldição! Não quero privá-la de uma vida normal,
da companhia dos seus pais, do seu irmão...
- Davy... – Dianna afagava agora
o rosto dele. – Neste momento somente você me importa.
- Eu não valho tudo isso.
- Vale... Vale sim, meu doce
vampiro. – a garota beijou o pouco de pele exposta pelos primeiros botões da
camisa do vampiro abertos.
- Eu te amo muito, Di... Mas não
quero tornar você vampira. Não quero, não posso.
- Acontece que eu quero que você me torne vampira!
- Meu amor... Eu tenho que te
dizer uma coisa.
- Diga, meu doce vampiro.
- Eu não posso morder você
somente devido à maldição a que vou condená-la... Mas também porque não posso
cair em tentação.
- Cair em tentação?
- Di, eu não me alimento de
sangue humano, você sabe. Acho esse um comportamento repulsivo, mesmo sabendo
que Louise é boa pessoa e se alimenta de sangue humano... Bem, eu decidi que só
sugaria sangue de animais. Porém... Ultimamente, não desejo somente, bem, seu
corpo. Desejo seu sangue também. Quero prová-lo.
- Oh... É por isso, então.
- Agora entende?
- Eu compreendo sim... Contudo,
ainda quero me tornar vampira.
- Dianna, como você é teimosa!
- Pense nisso, por favor. Prometa
que vai pensar!
Davy deu um grande suspiro e por fim
disse:
- Como posso recusar um pedido
seu? Está bem, eu vou pensar.
- Promete?
- Prometo.
***
O Conde Beckenbauer estava profundamente
desejoso de vingar-se da traição de Davy Jones. Decidiu que faria isso tirando
do vampiro inglês o que tivesse de mais precioso e querido.
Voava até a Ilha dos Lobisomens e lia a
mente dele. Descobriu que os pensamentos do pequeno vampiro eram povoados por
uma jovem humana, de traços delicados, belos cabelos cor de mel e luminosos
olhos castanhos. A morte da amada deveria ser punição suficiente para Davy.
Certa noite, sobrevoou a parte da
floresta onde sabia, pelas leituras de mente, que o vampiro e a humana se
encontravam. Lá estava Dianna, sentada numa pedra, esperando pelo amado. O
conde se preparava para cravar as presas naquele pescocinho branco e delicado e
sugar todo aquele sangue fresco.
Pousou e assumiu forma humana. O leve
ruído despertou a atenção da garota.
- Davy? – ela chamou.
Franz aproximou-se subitamente e
tapou a boca da moça para que ela não gritasse.
- Não. Mas não se preocupe, meu
bem, vai morrer no lugar dele. – o tom do vampiro era suave e cruel.
Ela começou a se debater, e por fim
se libertou do conde. Pôs-se a correr. Era muito rápida, e mesmo para Franz era
difícil alcançá-la. A jovem estava tão concentrada em fugir que não notou uma
pequena pedra lisa, e tropeçou nela, caindo no chão, para a sorte de Franz. Ele
avançou em direção a Dianna.
- Não! Por favor, senhor! – ela
pedia, tentando proteger seu pescoço. – Não sei exatamente o que Davy lhe fez,
mas deixe-nos em paz!
O vampiro ignorou a súplica da
moça. Conseguiu segurar com firmeza as mãos dela, que tentavam afastá-lo, e
inclinava a cabeça em direção ao pescoço de Dianna. Ela gritava, aterrorizada.
No céu, dois morcegos voavam, um
macho e uma fêmea. O macho entrou em pânico ao reconhecer os gritos, e
mergulhou no ar, em direção ao chão, seguido de perto por sua companheira.
Quase como mágica, o morcego macho
entrou pelo pequeno espaço entre o conde e sua presa, enquanto Franz sentia
alguém puxá-lo para trás com mãos de ferro. O morcego revelou-se Davy e quem
puxou o Conde Beckenbauer foi Louise.
- Vocês! – rosnou o conde.
- Não vou permitir que Dianna
pague pelo que fiz! – disse Davy, envolvendo a amada em seus braços. Ela
tremia, assustada, como um cervo.
- Conde, a falta de Davy não foi
tão grave para que deseje vingar-se matando essa pobre garota inocente! –
exclamou Louise.
- A falta dele foi sim muito
grave! Abusou da minha confiança e mostrou-se indigno dela! Mas me parece que
ele não gosta tanto assim de você, não é, Louise? – o conde provocou.
Dianna fez uma expressão de
desentendida ao ouvir a última parte. Contudo, afundou o rosto no peito de
Davy, ainda trêmula. Louise disse:
- Não vem ao caso! Esqueça isso,
conde! Deixe os dois em paz! Davy está arrependido e Dianna não tem nada a ver
com isso!
Franz olhou para Louise, em seguida para Davy
e por fim para Dianna, que havia parado de tremer e olhou para o vampiro com
uma expressão corajosa. Queria mostrar que não era uma criaturinha frágil.
- Deixarei você e sua namoradinha
em paz, Davy Jones... Por enquanto! – exclamou o conde, e levantou voo após
assumir forma de morcego.
Após ele ter partido, Davy disse
à amada:
- Di, quero apresentá-la a Louise
McGold, minha querida amiga. Ela foi responsável por me restituir a vida e me
ensinou a ser um vampiro.
- Olá, Louise. É um prazer
conhecê-la! – Dianna apertou a mão da vampira e deu um grande sorriso. –
Obrigada por ressuscitar meu doce vampiro! Sem ele eu jamais seria feliz
novamente!
- O prazer é todo meu em conhecer
a mulher que é tudo para meu amigo Davy! – Louise retribuiu o aperto de mão e o
sorriso de Dianna. – Bem, acho que devo... Deixar vocês a sós.
Louise piscou o olho, tornou-se
morcega e saiu voando, deixando o casal de namorados.
- Di. – Davy apertou-a em seus
braços. – Quase aconteceu o que eu temia. Graças a Deus eu a ouvi gritar...
- Está tudo bem agora. Não se
preocupe, eu sei me defender.
- Mesmo assim não consigo deixar
de me inquietar. Vou levar você de volta para sua casa.
Uma semana depois, Davy teve
uma ideia. Uma ideia louca. Todavia, queria colocá-la em prática a qualquer
custo.
- Trazer Dianna para uma noite de
amor em seu antigo quarto no castelo Beckenbauer? Você ficou louco? – Louise
sinceramente acreditava que o amigo havia perdido o juízo.
- Você vai nos acobertar! Basta
manter o conde e os outros bem longe do quarto!
- O que eu não faço por você?
Está bem, eu vou te ajudar.
- Obrigado, Lulu! Eu adoro você,
sabia?
- Eu também adoro você, Davy. Quando
você pretende trazê-la?
- Cabe a você verificar quando Di
e eu ficaremos mais seguros... Um dia em que o conde esteja de bom humor, de
preferência.
- Isso é bem difícil... Porém,
farei o que puder.
Três dias mais tarde, Louise
disse a Davy que ele poderia tentar trazer Dianna para o castelo Beckenbauer.
Foi buscar o casal na ilha assim que Gerd, Alice, Sepp e Franz saíram para
caçar.
O trio foi para o castelo.
Davy ainda se lembrava de como chegar ao seu antigo quarto, e levou a amada até
lá. Quando o casal já estava dentro do cômodo, Louise disse:
- Eu cuidarei para que não sejam
flagrados. Apenas sejam discretos e ficará tudo bem. Agora... Aproveitem a
noite. – piscou o olho e fechou a porta.
Davy ainda tinha
a chave, e trancou a porta. Guardou a chave no bolso e lançou um olhar desejoso
a Dianna.
- Você tinha um belo quarto aqui no castelo, Davy.
- Ficará ainda mais belo se você deitar na cama. – o vampiro
sussurrou no ouvido de Dianna.
- Você é muito safado, Davy Jones. – Dianna falou com um sorriso
malicioso.
Ela pousou uma
mão no peito do amado e colocou o outro braço ao redor dos ombros dele,
trazendo-o para perto de si. Beijou-o ardentemente. A mão pousada no peito de
Davy desabotoou a camisa dele.
- Você não fica atrás, Dianna Mackenzie.
A resposta
de Dianna foi descer dos lábios para o pescoço de Davy. Ele começou a gemer e a
abaixar o vestido da amada. Logo, o vestido dela, a camisa e a calça de Davy e
as roupas íntimas de ambos estavam no chão. O vampiro pegou a humana em seus
braços e a carregou até a cama, onde a deitou suavemente.
- Seu corpo é o de uma deusa, Di... Combina com seu nome.
- Ironicamente, tenho o nome de uma deusa virgem.
- Bem... É realmente uma ironia.
Davy
juntou-se a Dianna na cama e ficou por cima dela, trocando beijos mais e mais
intensos. Enquanto suas mãos apertavam levemente os seios dela, fazendo-a gemer
de prazer, ela tocava-o em regiões sensíveis, devolvendo o deleite ao amado, ao
mesmo tempo em que ela própria apreciava a sensação do corpo dele pressionado
ao dela. Cravava as unhas nos músculos dos braços fortes dele.
- Dianna, você está me deixando... Ah... – dos seios ele passou a
apalpar as coxas dela.
- Doce vampiro... Você realmente sabe me agradar...
Estavam
prontos para o “gran finale”. Davy deu início às estocadas lentamente, pois
sempre temia causar dor à sua querida Di. Porém, ela implorou que aumentasse a
velocidade, e ele obedeceu. Os dois faziam o possível para controlar a vontade
de expressar o prazer que sentiam com gritos. Atingiram o orgasmo juntos, e
tudo o que Dianna pôde fazer, já que não podia gritar, foi dizer:
- Ah, Davy, eu te amo tanto...
- Eu te amo muito também, Di... – ele respondeu.
Ofegantes, soltaram-se.
- Vamos... Descansar um pouco. E
logo vamos embora daqui. Quero evitar ao máximo ser pego pelo conde. – disse
ele.
- A ideia foi sua, seu vampiro
maluco!
- Eu sei. Gosto de fazer as
coisas... Perigosamente.
- Eu percebi. – ela falou, e
beijou o rosto de Davy.
Alguns minutos mais tarde, os
dois se levantaram da cama, vestiram-se e se preparavam para sair dali pela
janela. A queda seria pequena, pois o antigo quarto de Davy ficava no andar
térreo do castelo.
Ele pulou pela janela primeiro.
Em seguida, deu a mão a Dianna para que ela pulasse. Assim que ela atingiu o
chão, preparavam-se para ir embora quando ouviram alguém dizer:
- Di, como é bom ver você outra
vez!
Os corações de ambos quase
saltaram por suas bocas. Dianna disse:
- Alice! É ótimo revê-la também!
– e abraçou a amiga. – Emma, Erin e eu pensávamos que estivesse morta...
- Não. Apenas fui transformada em
vampira e dada como noiva a Gerd Müller, melhor amigo do Conde Beckenbauer.
Vocês ainda vivem na cidade?
- Erin e eu sim. Emma foi embora
da cidade quando o pai morreu. Foi buscar abrigo na Ilha dos Lobisomens, pois
temia que seu segredo fosse descoberto na cidade e ela passasse a ser
perseguida. Casou-se e teve um filho com um lobo chamado Micky Dolenz, amigo de
Davy... E de Mike.
- Na noite em que fui atacada e
transformada em vampira, eu estava indo à Ilha dos Lobisomens procurar Mike e
pedir perdão pela minha reação exagerada... Contudo, agora não posso fazer
isso. Seria muito arriscado. E mesmo porque duvido que ele vá me perdoar.
Porém, tentarei ir à ilha para visitar Emma... Você e Erin vão lá com
frequência?
- Sim, sempre estou lá para ver
Emma e Davy. Erin também sempre visita a ilha para ver Emma e também o
namorado, um mago chamado Peter Tork, amigo de Davy, Mike e Micky.
- Então está bem, logo irei lá
para ver vocês três! Agora me digam uma coisa... O que você estava fazendo aqui
no castelo, Davy?
Davy ficou com as faces
rubras.
- Bem, hã, eu... Quis proporcionar uma... Noite de
amor diferente a Dianna.
- E decidiu correr o risco de ser
pego pelo conde trazendo-a para cá?
- Bem... Sim. Por favor, Alice,
não nos denuncie ao conde! – implorou o vampiro.
- Não farei isso! Gosto de você,
Davy, e Di é minha amiga. Imagino que Louise tenha ajudado vocês...
Nenhum dos dois
respondeu a vampira.
- Bem... Até minha visita na
ilha, Di! E até logo, Davy!
- Até mais, Alice! – disse o
casal em coro, se afastando do castelo.
***
Passou um mês. Alice ia à ilha quase todos
os dias para ver suas três amigas. Todavia, certa noite, ela foi atacada e
morta pelo lobo Christopher Romanov, fato esse que deixou as amigas de Alice
profundamente tristes e mergulhou Mike ainda mais fundo na depressão.
- Que cara é essa, Mike? – quis saber Micky, ao ver o amigo
entrar parecendo terrivelmente abalado.
- Alice. Alice está morta! – o lobo respondeu, furioso e
triste.
- O quê? – Emma e Micky ficaram espantados. Emma começou a
chorar por sua amiga.
- Romanov matou-a. Vou vingá-la!
- Tem certeza disso, Mike? – perguntou Peter. – Você acha
mesmo que vale a pena vingar a vampira?
- É a única coisa que vai livrar-me da dor!
- Livrar-se da dor infligindo dor a Romanov? Isso não é do
seu feitio, Mike. – observou Davy.
- Por que não vai morder aquela donzelinha indefesa, Davy? –
Mike indagou, impaciente.
- Não vou morder Dianna. Não ainda. Ela não está pronta. –
respondeu o pequeno vampiro.
- Você quer tê-la? Então a morda! – Mike bradou, e foi para
seu quarto, batendo a porta com violência ao fechá-la.
Davy saiu para encontrar Dianna. Avistou-a
sentada numa pedra em meio às árvores, como de costume. Ele estava a cada dia
mais preocupado com sua amada. Pensava que talvez fosse mesmo melhor se afastar
dela, para protegê-la.
- Davy. – ela deu um sorriso doce
para seu amado.
- Dianna. – Davy retribuiu o
gesto, contudo, seu sorriso já não tinha o calor de sempre.
Dianna percebeu a diferença. Desceu da pedra,
tocou o rosto de Davy e inquiriu:
- O que há com
você?
- Não é nada.
- Não minta para mim! Sei que não
está tudo bem!
- Dianna... Eu te amo. Mas... Não
posso continuar encontrando-me com você.
- Por que sou humana?
- Sim. Mas não pela questão de
que não a aceitariam na mansão. Eles a receberiam de braços abertos, querida. O
que me preocupa é o perigo que corre estando comigo. Quero... Quero te morder.
- Pois me morda! Tornar-me-ei
vampira e serei sua!
- Não! Você não vai querer a vida
de vampira. E... Além do meu desejo de te morder, que está ficando a cada dia
mais irrefreável, há os vampiros do Conde Beckenbauer. Odeiam-me. Consideram-me
um traidor. Poderiam atacá-la para me atingir. Não quero que se fira por minha
causa, meu amor.
- Davy, não sou uma peça delicada
de porcelana para que me trate assim! Eu posso me defender! E qual o problema
de me morder? Assim poderemos ficar juntos... Para sempre!
- Dianna... Vampiros não são
imortais. Alice está morta.
A jovem sentiu como se fosse
apunhalada no peito.
- Morta?
- Foi assassinada por Christopher
Romanov.
- Oh, oh meu Deus... – Dianna não
queria acreditar que desta vez a amiga havia de fato morrido. – Mesmo que
vampiros não sejam imortais, quero ficar com você, Davy! – falou, depois de
prantear longamente Alice. – A esta altura não posso mais voltar atrás. Estou
irremediavelmente apaixonada por você, meu doce vampiro!
- Era o que eu temia. Que
chegássemos a um ponto em que não pudéssemos nos separar, Dianna.
- Por favor... Se não vai me
morder, ao menos se case comigo! – a moça falou em tom suplicante.
Agarrou Davy e o beijou intensamente, que
agora tinha certeza que, por mais que morresse de preocupação com Dianna, não
conseguiria deixá-la. Amavam-se demais para ficar separados.
Algumas noites após a morte de Alice,
Davy foi visitado por Louise.
- Davy, eu receio que não poderei
proteger Dianna da ira do conde por muito tempo. Mais cedo ou mais tarde, ele
vai atacá-la. E matá-la. – disse ela.
- Eu... Não poderia restituir-lhe a vida, como você fez
comigo?
Desde a noite em que Dianna quase havia sido
morta pelo Conde Beckenbauer, Louise havia assumido a responsabilidade de zelar
pela segurança dela quando Davy não estava por perto. Entretanto, Louise
pensava que já não era mais capaz de proteger a amada de seu amigo querido.
- Talvez, Davy. Mas ainda acho que a melhor solução é
mordê-la.
- Louise, não quero fazer isso! Tenho medo de não medir bem
a força e... E... – ao pensar em provocar a morte de Dianna, Davy ficou lívido.
- Não há outra solução! Só assim ela poderá ficar mais
segura!
- Oh, Deus...
Mais tarde, Davy foi encontrar-se com Dianna
no lugar de sempre.
- Davy. – o vampiro foi envolvido nos braços de sua amada
fortemente.
- Dianna. – ele
abraçou-a também. – Meu amor, tem certeza de que deseja que eu a morda?
- Oh, sim, sim, meu doce vampiro! Eu desejo isso! Creio que só assim poderei de fato ser sua!
- Está bem, se você quer... Está pronta? – ele sabia que
continuar negando o pedido de Dianna não seria mais de utilidade.
- Sim.
Dianna
pegou seu cabelo e jogou sobre um único ombro, deixando à mostra um lado de seu
pescoço. Ao ver aquele pescoço tão tentador, que inúmeras vezes ele beijou
resistindo bravamente à vontade proibida, Davy mordeu-o, seus caninos
penetrando na maciez do pescoço da amada apenas o suficiente para transformá-la
em vampira. O desejo de provar um pouco do sangue de Dianna foi satisfeito. Davy
deliciou-se com o gosto. A humana tocou os dois furos, e em seguida caiu
desfalecida nos braços do amado.
O vampiro, por
alguns instantes, foi tomado pelo receio de que houvesse mordido Dianna tão
profundamente que a havia matado. Contudo, não demorou a perceber que ela
estava respirando. Ele ficou com a amada nos braços, observando o lindo rosto
dela tornar-se pálido. Enfim ela abriu os olhos novamente. Agora eles eram
castanho-claro com reflexos vermelhos.
- Deu... Deu certo? – Dianna quis saber.
- Sim. Você se tornou uma vampira, minha amada.
- Oh, Davy, estou tão feliz! – a garota abraçou seu “doce
vampiro” e o beijou.
- Agora sim poderemos viver juntos. – Davy sorriu para ela.
- Esperei tanto por isso! – exclamou Dianna.
O casal
levantou-se do chão da floresta e Davy carregou Dianna nos braços até a mansão.
Fizeram amor no quarto dele e na noite seguinte saíram para se casar no meio do
bosque, à luz da Lua.
- Dianna Sophie Mackenzie, eu a escolhi para ser a
companheira do resto dos meus dias. Devotarei a você o maior amor possível
eternamente, e farei de tudo pela sua felicidade. Aceita se casar comigo?
- Sim, eu aceito casar-me com você, David Thomas Jones, pois
também o escolhi para ser o companheiro do resto dos meus dias. Também
devotarei a você o maior amor possível eternamente, e também farei de tudo pela
sua felicidade.
Davy
tirou do bolso um par de alianças douradas. Beijou uma delas e colocou-a no
dedo anular direito de Dianna. Em seguida, deu a outra aliança a ela, que
beijou o objeto antes de colocá-lo no dedo anular direito dele. Para selar o
matrimônio, o casal de vampiros trocou um beijo intensamente apaixonado.
- Meu marido. – Dianna olhou carinhosamente no fundo dos
olhos de Davy, sorrindo para ele.
- Minha esposa. – ele retribuiu o olhar e o sorriso.
Após alguns
dias, os dois estavam sentados em um sofá na sala de visitas da mansão. Queriam
namorar, contudo, não podiam fazer isso ali pela presença dos amigos. Mike e
Micky jogavam baralho, Emma lia, atenta para caso Christian chorasse, e Peter
tentava escrever um poema para Erin.
Notando
que os amigos estavam ocupados e não prestavam atenção neles, Davy sussurrou à
esposa:
- Conheço um lugar ótimo para nos divertirmos.
- É mesmo? – ela indagou. Dianna sabia bem o que seu marido
queria dizer com “diversão”.
- Sim. Venha comigo.
Ele
conduziu a vampira pela mão para fora da mansão. Caminharam floresta adentro,
até chegar a um riacho, já dentro dos limites das terras de Franz.
- Querido... Esse riacho não faz parte dos domínios do Conde
Beckenbauer? – Dianna quis saber, preocupada.
- Faz. Mas e daí? Estou cansado daquele petulante.
- Acho que é por isso que gosto de você, Davy. Sempre tão
rebelde. – ela riu.
- Por isso e outras coisas.
– ele sorriu com malícia.
O vampiro despiu a esposa, e ela fez o
mesmo com ele. Mergulharam no riacho. Enquanto nadavam e brincavam, Davy
beijava cada centímetro do corpo molhado de Dianna, especialmente a região do
pescoço dela onde estava localizada a marca que as presas dele deixaram. Ela
devolvia o prazer que o marido a proporcionava acariciando-o todo. Por fim as
estocadas começaram, levando a vampira à loucura.
- Davy, oh,
Davy... Mais, meu doce vampiro, mais!
- Claro, Dianna. –
Davy obedeceu, aumentando a velocidade, pois para ele nada era mais prazeroso
do que dar prazer à sua vampira amada.
Quando finalmente se sentiram cansados,
emergiram. Estiraram-se na grama, ainda gemendo.
- Eu... Eu te amo,
Davy. Louca, profundamente.
- Eu também te amo
de uma forma louca e profunda, Dianna. – disse ele, ficando por cima da esposa
para beijá-la. Ela gemeu em meio ao beijo.
- Aaah... Não,
Davy, chega por hoje.
- Eu quero você,
minha vampirinha deliciosa. – disse o vampiro, com os lábios ainda pressionados
aos dela. – Mas se você está cansada...
Ele saiu de cima dela.
- Está amanhecendo. –
disse Dianna. – Vamos voltar à mansão.
***
Algumas noites mais tarde, Dianna
constatou que estava “atrasada”. Seria possível que o fato de que não era mais
humana havia alterado algo nessa regularidade de seu corpo? Não, o motivo não
deveria ser esse. Procurou Emma, sua melhor amiga.
- Emma... Diga-me uma coisa.
- O quê? – Emma ficou intrigada.
- Vampiras... Ficam naqueles
dias?
- Ora... Eu creio que sim.
Vocês nada mais são que mulheres que não suportam a luz do Sol e cheiro
de alho, fogem de água benta e crucifixos e se alimentam de sangue. Por que a pergunta?
- Porque já deveria ter vindo.
- Você e o Davy andaram aprontando... – a loba loira deu uma
risadinha.
Um
rubor surgiu no rosto da vampira.
- Bem, sim. No riacho. Umas noites atrás.
- O que o Conde Beckenbauer dirá quando souber que o
vampirinho traidor gerou um novo morceguinho?
Estou feliz por você, amiga. – Emma abraçou sua melhor amiga.
- Obrigada. – Dianna deu um sorriso para a amiga querida. –
Eu não vou deixar os vampiros do conde pegarem meu bebê. – ao dizer isso, ela acariciou seu próprio
ventre.
- Só resta contar ao papai morcego.
- Sim. Espere, papai morcego? Desde quando você faz
piadinhas, Emma?
- Dianna, veja com quem me casei.
- Está explicado. –
Dianna riu.
A jovem
vampira estava ansiosa para saber como seu marido reagiria à notícia. Afinal,
fazia tão pouco tempo que estavam casados...
Ela estava no quarto, lendo sentada na cama, quando ele entrou. Dianna
ergueu os olhos do livro e olhou para Davy.
“Vamos,
Dianna, não seja boba, é claro que ele vai gostar de saber disso!”, ela
pensava. O vampiro notou que a esposa olhava para ele com ar de quem queria
dizer algo, mas não conseguia. Ele tentou ajudar:
- Di, querida, há algo que você queira me dizer? – ele se
sentou na cama diante da vampira e pegou a mão dela.
Ela
respirou fundo.
- Bem... Sim, há, Davy.
- O quê? – a cada minuto ele ficava mais curioso.
Dianna
abraçou o marido, que não esperava por isso. Ela disse:
- Parabéns... Papai Morcego. – ela não pôde reprimir um riso
ao dizer isso.
- Papai Morcego? – Davy olhou para os olhos de Dianna, em
seguida para o ventre dela e de volta para os olhos dela. – Di... Você está...
Está...
- Sim! Eu estou grávida, meu doce vampiro! – a vampira abriu
um grande sorriso.
O sorriso de Davy era ainda maior.
- Eu não acredito! Eu vou ser pai! É ótimo, é fantástico,
Di, meu amor!
- Fico tão feliz que você esteja feliz, querido! – Dianna beijou
o rosto do marido.
- Como eu poderia não estar?
O
vampiro abraçou a esposa e deu um beijo apaixonado nela, fazendo-a deitar na
cama.
- Como sempre, você quer comemorar com isso, seu vampirinho
danado. – ela riu.
- Não, Di, é melhor não. Pelo bebê. Vamos parar por
enquanto. – disse Davy, afagando o rosto e os cabelos da esposa, que concordou
com ele.
Em seguida, ele
acariciou e beijou o ventre da sua amada esposa. Os dois vampiros estavam
realmente muito felizes. A felicidade só seria maior dali a nove meses...

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