- Vocês souberam? -
Davy Jones perguntou aos amigos por trás do jornal daquele dia de verão de 1968.
Ele olhava a parte de celebridades para “procurar mentiras sobre ele e os
amigos”. – Fanny terminou com o vocalista dos Hollies.
- Como era mesmo o nome dele? – inquiriu Micky Dolenz,
fazendo um esforço para se lembrar.
- Allan Clarke. – respondeu o pequeno Monkee.
- Ah sim.
- Eles terminaram? É sua chance, Pete! - disse Mike Nesmith. – Não perca tempo e
conquiste Fanny Fitzwilliam!
Peter Tork ficou ruborizado. Ele de fato achava
que Fanny, uma estudante inglesa de geografia e amiga dos Monkees, era muito
bonita. Contudo, não tinha coragem de contar a ela sobre, nas palavras dele,
sua paixonite.
Os últimos amores de Peter haviam sido
mal-sucedidos. Dianna Mackenzie, a namorada de Davy, havia ficado com Peter
durante o período em que estava dando um tempo com o vocalista dos Monkees, mas
acabou voltando para ele.
Em seguida,
Peter se apaixonou pela prima de Dianna, Erin Hudson. Ela o recusou
veementemente. O baixista estava muito apaixonado, e escreveu uma poesia na
tentativa de conquistar a sua amada. No dia em que ele recitou o poema, a moça
mostrou-se lisonjeada com o gesto, mas desiludiu Peter: Erin já tinha um
namorado, um rapaz que era seu colega de faculdade e se chamava Joshua
Jennings.
Desde então, a
figura de Fanny se fazia quase constante nos pensamentos de Peter. Poderia
estar se apaixonando verdadeiramente por aquela linda menina? Provavelmente
sim. Porém, ele não queria se arriscar.
Qualquer homem
que se apaixonasse por Fanny Fitzwilliam deveria tomar consciência do perigo
representado por Bob Dylan. O cantor folk era o melhor amigo da jovem, e, como
era bastante visível, seu principal admirador. Também era fácil notar que Fanny
tinha uma certa tendência a corresponder o amigo.
Peter resolveu
falar com Davy sobre o assunto.
- Cara, eu sou o conquistador só na série. – Davy riu. – Não sei nada sobre flertes.
- Falou o cara que quase beijou a Dianna na cara dura quando
resolveu chamá-la para sair. – Peter riu.
- Você já gostou dela, Pete, não pode me culpar. – Davy deu
um sorrisinho, lembrando-se de quando declarou seu amor à namorada pela
primeira vez. – Sabe, só sei me
aproximar da garota com a cara e a coragem e jogar umas cantadas. Nada de
especial. Mas você é um poeta! Escreveu coisas para a Di, para a Erin. Escreva
um poema para a Fanny! Tenho certeza de que ela não vai resistir.
- Você acha?
- Eu já disse, Peter. Não acho, tenho certeza.
- Mas, Davy, não sou... Não sou como vocês três. Micky é
engraçado, conquista as meninas fazendo-as rir. Mike é alto e charmoso, as
garotas se derretem. E você... Eu preciso mesmo mencionar suas incontáveis fãs?
- Peter, você também tem seus encantos, pensa que não sei
das suas fãs? Além da boa aparência e da gentileza, você tem seu talento
poético, que já mencionei.
- Ok, ok, eu escrevo algo particularmente bom para a Fanny.
Mas e se ela me rejeitar? Não esqueça que temos o Dylan na jogada.
- O Dylan está com a Alice, esqueceu? Ele é carta fora do
baralho, meu chapa.
- Teoricamente.
- Teoricamente, que seja! Mesmo que Fanny ainda sinta algo
por ele, você pode acabar com os resquícios de amor que ela ainda tem por Dylan
facilmente!
- Não sei não, Davy.
- Você é mesmo teimoso feito uma mula, Tork! Escute, você
nunca vai saber se Fanny pode vir a gostar de você se não tentar! Você não se
arriscou pela Dianna e pela Erin?
- Essa é a questão! Quando me apaixonei por Dianna, lá
estava você atrapalhando meu caminho!
O amor que Peter tivera por Dianna era um
assunto muito delicado entre os Monkees, pois quase havia conduzido ao fim da
banda e da amizade entre Peter e Davy.
Porém, quando Peter aceitou que era Davy quem Dianna realmente amava e
se apaixonou por Erin, a rivalidade passada entre os dois Monkees se tornou uma
espécie de piada.
- Você sabe que eu sou o único que Di poderia amar nesse
mundo, Peter. – Davy deu uma risada.
- É, eu sei. Aprendi isso a duras penas. – Peter deu uma
risada um pouco nervosa. – E bem... Então veio Erin. – Peter suspirou. A prima
de Dianna havia lhe trazido ainda mais dor. – Mesmo com sua meiguice e
delicadeza, Erin destroçou meu coração. Perdi a fé no amor, cara.
- Eu também quase perdi a fé no amor quando Nami foi embora
para o Japão e me deixou aqui. Mas conheci Di. E o resto da história você já
sabe. Então eu te digo que sim, vale a
pena segurar a onda e esperar.
- Está bem, me convenceu, eu vou tentar conquistar Fanny.
Os Monkees
foram a Londres com um único intuito: visitar aquela que havia sido a musa de
Paul Simon, Ray Davies e Allan Clarke, e ainda era de Bob Dylan secretamente. Sabiam
onde ficava o hotel em que ela morava e qual era seu quarto. Bateram à porta do
quarto. Fanny atendeu.
- Mike, Micky, Davy... E Peter! – ela deu um grande sorriso e
abraçou fortemente cada um dos seus amigos, demorando um pouco mais no abraço
de Peter, para a alegria dele. – Que
saudades senti de vocês, meninos!
Fanny recepcionou-os muito bem, e se divertiu
com a visita. Entretanto, ela parecia ainda estar um pouco triste devido ao
término com Allan. Peter queria devolver o brilho alegre aos grandes olhos
azuis da jovem.
Os rapazes sabiam que Bob Rafelson e Bert
Schneider iriam colocar suas cabeças a prêmio, no entanto, haviam decidido por
conta própria que ficariam na capital inglesa até que Peter conseguisse ao
menos falar a Fanny sobre seus sentimentos.
Durante as
visitas dos garotos a Fanny em seu hotel e as dela a eles, ficava muito claro
para os amigos de Peter que Fanny tinha uma preferência óbvia por ele. Ela era
amigável e simpática com todos eles, mas Peter era a quem mais dirigia sua
fala, seu sorriso e suas gentilezas.
- Peter, você tem que admitir, ainda não escreveu nada para
Fanny e ela já está se rendendo ao seu charme. – Mike disse.
- Vocês acham mesmo? – Peter questionou.
- É claro! Ela praticamente te paparica! – Micky exclamou.
- Agora só falta escrever um poema e ela será sua. – Davy
disse em tom animador.
- Não tão fácil assim. – disse Peter. – Esse poema terá que
ser o melhor que já escrevi! Não posso deixar minha musa escapar!
- É assim que se fala! – disseram seus amigos em apoio.
Peter sentou-se no
chão do quarto de hotel com um caderno, lápis e borracha. Queria escrever algo
muito bom para Fanny. Ela merecia. O Monkee amava tudo nela: os cabelos, os
olhos, o sorriso, a voz, a risada, o jeitinho doce e alegre. Às vezes sentia
que Fanny também gostava dele daquele modo. E outras vezes pensava estar
alimentando ilusões.
***
Do outro lado de
Londres, Fanny conversava com Felicity McGold, uma de suas grandes amigas.
- Fefe... Eu acho que estou apaixonada. Outra vez.
- Eu bem que imaginei, volta e meia você solta um suspiro! E
mal presta atenção no que eu falo! Quem é desta vez?
- Peter.
- Peter Tork?
- Quem mais seria? – Fanny deu um pequeno sorriso.
- Devo dizer que não estou surpresa. Você o adora há tanto
tempo!
- Antes era só amor de fã. Agora virou outra coisa.
- Estou vendo. E acho que você tem muita chance, sabia?
- Ah, eu acho que não, Felicity! Não sou bonita e culta como
a Dianna, ela fala quatro línguas, tem aqueles longos cabelos loiros... E
também não sou uma perfeita dama como a prima dela, Erin, que parece uma
senhorita saída de algum livro da Jane Austen! Ela toca piano! Cuida de flores!
Trata todo mundo com aquela delicadeza de princesa...
- Fanny, sem complexo de inferioridade, por favor. – pediu
Felicity. – Você também tem os seus encantos, tanto na aparência quanto na
personalidade! Não se esqueça de que Peter e Simon saíram no tapa porque Peter
mencionou a sua grande beleza. – ao lembrar isso, a galesa piscou para a amiga.
O gato de Fanny, Voltaire, pulou no colo da
dona naquele momento. Olhou para a garota com seus grandes olhos amarelos,
soltou um miado e foi dormir na poltrona, seu lugar favorito para tirar um
cochilo.
- Não falo a língua dos gatos, mas acho que ele quis dizer
que eu tenho razão. – disse Fefe.
- Eu... Ainda não sei. Eu acho que ainda não esqueci o
Allan. E, bem... O Bob.
- Esqueça Allan Clarke! Ele que fique escrevendo músicas
para a Marianne Faithfull! E quanto a Bob... Você mesma disse que são apenas
grandes amigos!
- Eu sei que disse isso... Mas não sei se não vou acabar
magoando-o se ficar com Peter...
- Bob tem Alice! Ele está feliz com ela. Não se preocupe.
- Você não vai sossegar enquanto eu não abrir o jogo com o
Peter, não é?
- Não. – Felicity deu um sorriso para a amiga.
Mais tarde, a fotógrafa foi embora, e Fanny
ficou em casa pensando em como revelaria a verdade a Peter. Ela não só temia a
rejeição, como também perder a amizade do Monkee.
Abriu a porta de seu guarda-roupa, encarando o
pôster de Peter que havia ali.
- Peter... Eu... Eu acho que você é maravilhoso. E sei que
não tenho nada que possa te atrair. E... Meu Deus, que cena ridícula! Não acha,
Voltaire?
O gato roçou as
pernas de Fanny, ronronando. A garota pegou-o e acariciou-o. Então ela se lembrou de algo: a ração havia
acabado e ela havia se esquecido de comprar mais.
- Voltaire, eu já volto, vou comprar sua comida!
Soltou o gato, pegou um casaco e as chaves e
rumou para a loja de animais mais próxima. Qual não foi sua surpresa ao
encontrar Peter no caminho!
- Oi, Fanny.
- Oi, Peter. – ela
ficou um pouco ruborizada. Não o olhava diretamente nos olhos.
- Aonde vai?
- Comprar comida para o Voltaire.
- Bem, posso te acompanhar? Não vou a nenhum lugar em
especial, apenas saí para dar uma volta...
- Claro, pode vir. – ela sorriu.
O baixista não
apenas acompanhou Fanny na loja, como também na volta dela para casa.
- Eu já disse que você é muito gentil, Peter? – indagou a
garota.
- Acho que já. – Peter estava tímido. Achava que talvez
tivesse sido muito ousado.
- Bem, se já disse, repito.
O Monkee sorriu
encabulado. Estava encantado por ela. Não entendia como Allan Clarke havia sido
capaz de deixá-la, mesmo por uma mulher como Marianne Faithfull. “Eu vou tratar
você bem, Fanny, minha musa, pode acreditar”, ele pensou.
Ao voltar ao
hotel onde estava hospedado com os amigos, retomou a sua escrita. Compôs o
seguinte poema:
Etérea menina,
De que é feito teu
Suave e lindo cabelo?
Castanha musselina?
E esse olhar cor de céu?
Azuis pedras com zelo
Todas dilapidadas?
Já teu belo sorriso
Certamente é de marfim!
Tuas meigas risadas
Provocam o meu riso
E olhas para mim!
A mais bela das musas,
És tu, minha senhora!
Fiel servir-te-ei.
Se porventura recusas
O servo que te adora,
Ainda para ele
Tua palavra é lei.
Terminado o poema, Peter guardou-o, esperando
que surgisse o momento certo de mostrá-lo à sua querida musa. Mas antes,
mostrou-o aos seus amigos. Queria a opinião deles.
- Peter, isso está ótimo! – disse Mike.
- Realmente... E olha que eu não entendo nada de poesia para
julgar um poema como bom ou ruim. – Micky falou.
- Peter poderia ter qualquer mulher com seus poemas! –
exclamou Davy.
- Qualquer mulher... Exceto uma. – corrigiu Peter.
- Sim. Dianna. – Davy completou.
Passaram-se alguns dias. Bob Rafelson e Bert
Schneider estavam furiosos com os rapazes. Ligavam todos os dias
pressionando-os a voltar aos Estados Unidos, e os quatro faziam o possível para
contornar a situação. Um dia, Peter, cansado daquilo, pegou o telefone e
gritou:
- Escutem aqui! Estamos em missão de vida ou morte!
- Missão de vida ou morte, é, Peter? – Bob Rafelson zombou.
- SIM! MINHA VIDA DEPENDE DE CONQUISTAR ESSA GAROTA! ADEUS!
– e bateu o telefone no gancho.
- Peter... Sabe que desligar o telefone na cara do chefe não
foi uma boa ideia. – observou Mike.
- Sim, eu sei. Porém, só Frances Elizabeth Fitzwilliam me
importa neste momento.
- Deixe-a saber disso, então. – Micky disse.
- Cadê a coragem quando preciso dela? – Peter suspirou.
- Você vai conseguir. – os amigos de Peter afirmaram em
coro.
Chegou a um ponto
em que Peter sabia que não podia mais esconder. Ele tinha que falar... Ou ao
menos mandar o poema para Fanny. Comprou um envelope, pôs a folha com o poema
dobrada ali dentro e colocou no correio.
Em casa, Fanny
ficou muito surpresa ao receber aquele envelope. Leu o nome do remetente: Peter
Halsten Thorkelson.
- Oh Deus, o que é isso? – ela se perguntou em voz alta.
Com mãos
trêmulas, abriu o envelope. Tirou a
folha contida lá dentro e abriu. Leu atentamente o poema, e a cada verso ela se
sentia mais feliz e lisonjeada. Quem diria que ela, Fanny Fitzwilliam, tão sem
atrativos, poderia ser agraciada com um poema que faria o leitor imaginar um
verdadeiro anjo caído? Sentia-se encantada, e ainda mais apaixonada por Peter.
Subitamente,
ela se livrou de toda a timidez que sentia antes. Rumou para o hotel dos
Monkees e logo estava batendo na porta do quarto deles. Mike atendeu.
- Olá, Fanny!
- Olá, Nez. Cadê o Peter? Preciso falar com ele já! Eu... Eu
estou apaixonada por ele! Tenho que dizer isso a ele!
Mike
tinha um sorriso malicioso ao responder:
- Bem atrás de você.
Fanny
ficou mais vermelha do que um camarão, e virou-se para encarar Peter.
- É, hã... Oi, Peter.
- Oi. – ele sorria sedutoramente para ela.
- Vou... Deixar vocês dois conversarem.
Mike
saiu de fininho, deixando uma Fanny muito constrangida e um Peter atipicamente
decidido.
- Então... Você disse ao Mike que precisava dizer algo a
mim?
- Por favor, Peter, não finja que não ouviu tudo o que eu
disse ao Nez!
- Está bem, eu ouvi tudo sim. Você está...
- Apaixonada por você? Sim, estou, para que negar? Eu...
Tenho me sentido atraída e encantada por você desde que nos reencontramos aqui
em Londres há algumas semanas. Então você me mandou aquele poema...
- E o que você achou? – Peter estava ansioso para saber o
que ela pensava a respeito daquele tributo a ela.
- Quer saber o que eu achei? – ela sorria para ele com o
máximo de sedução que era capaz.
- Sim, por favor! – o artista estava superando o apaixonado
naquela ansiedade por saber o que Fanny achava do poema.
Fanny respondeu, colocando os braços ao redor do pescoço de Peter:
- Eu adorei! Adorei não, amei! Nunca imaginei que um dia
teria um poema dedicado a mim! É lindo, Peter, é lindo... Mais bonito que
qualquer coisa que meus ex-namorados escreveram para mim!
- Não exagere!
- É sério!
Os dois se encararam por um longo tempo... Até
que Fanny ficou na ponta dos pés e beijou o Monkee intensamente.
- Eu amo você, musa... – Peter disse quando os dois
começaram a sentir falta de ar. Ele colocou as mãos na cintura de sua amada.
- Não me chame de musa... Fico me sentindo tão superior ao
que realmente sou...
- Fanny, minha querida, por que tanta modéstia? Quando olho
para você só penso que você é a mais perfeita criatura... Por dentro e por
fora...
- Peter... – a garota puxou-o para mais um beijo.
Eles não sabiam, mas Mike, Micky e
Davy os observavam atentamente. Fanny pareceu sentir que ela e seu amado
estavam sendo observados, e esbravejou:
- Ei! Vocês três! Nem se beijar em paz um casal pode mais?
- Um casal? – Peter riu maliciosamente.
- Sim. Peter Tork, você quer ser meu namorado?
Peter nunca havia sido pedido em namoro por
uma garota antes, era estranho e maravilhoso ao mesmo tempo.
- Sim, quero, Fanny Fitzwilliam. – ele deu um beijo na
garota.
- Vocês já trocaram três beijos em dez minutos, já deu! –
Micky gracejou.
- Você está com inveja, Micky. – Peter retribuiu o gracejo.
Passaram-se alguns dias e Fanny resolveu acompanhar os rapazes na volta
aos Estados Unidos. Ela ficaria lá por alguns dias e depois voltaria à
Inglaterra. Peter e ela acreditavam estar preparados para manter um namoro a
distância.
Fanny
ficou na casa de Peter. Certa vez, ele quis preparar um jantar especial para
ela, que havia saído para conhecer mais Los Angeles. Foi para a cozinha e pegou
na despensa tudo o que era necessário.
O
resultado foi um Peter e um piso completamente sujos.
- Ai meu Deus, a Fanny vai me matar! Olha o que eu fiz com o
chão!
O
Monkee correu até a lavanderia, pegou um pano, molhou no tanque e correu de
volta à cozinha para limpar a sujeira. Pretendia tomar um banho assim que
terminasse de limpar o chão.
Tomou
um banho rápido, pois logo Fanny chegaria. Ouviu a porta da sala abrindo assim
que abriu a porta do banheiro, já de banho tomado.
- Peter? Você estava cozinhando algo, amorzinho? – Fanny
perguntou em voz alta para que ele ouvisse.
- Eu estava, por quê?
- Porque a cozinha está com cheiro de queimado...
- AH MEU PAI! A CARNE
ASSADA!
Ainda enrolado na toalha, Peter correu para a cozinha e abriu o forno.
- Droga... – ele resmungou.
- Não dá para aproveitar? – quis saber Fanny.
- Não! A não ser que você goste de comer carvão, Fanny.
Merda, merda, merda!
- Calma, meu poeta. – a garota pousou as mãos nos ombros de
Peter.
- Eu só queria te fazer um agrado, musa... Mas eu sou um
desastre!
- Não é não... Cozinhar só não é seu forte. Porém, o que
mais vale é a intenção. Obrigada, amorzinho. – Fanny deu um beijo no rosto de
Peter. – Agora vá se vestir enquanto eu limpo o fogão. Depois vamos jantar em
um restaurante francês na frente do qual passei durante minha volta na cidade e
achei interessante. O que você acha?
- Eu? Num restaurante francês? Você está a fim de passar
vergonha?
- Por favor, amorzinho! – Fanny fez uma expressão de
cachorrinho pidão à qual Peter não pôde resistir.
- Tá bom...
- Sabia que você ia topar! – Fanny beijou o namorado. –
Vamos, vá se vestir!
***
Fanny e
Peter foram ao famigerado restaurante francês, ela no seu melhor vestido e ele
num terno elegante. Sentaram-se numa mesa um pouco afastada das demais. Abriram
o menu.
- Tudo em francês... – Fanny murmurou. – Como está o seu
francês, Peter?
- Uma das vantagens de ter namorado a Dianna foi ter
melhorado meu francês. Se quiser te dou uma ajudinha. Deixe-me ver os pratos...
- O que é isso? “Poulet rôti au citron”?
- Se não estou muito enganado... Frango assado com limão.
- Parece bom! E isso aqui... Ratatouille?
- Eu acho que comi isso uma vez na casa da tia da Dianna...
Creio que seja um tipo de ensopado de legumes.
- Podemos pedir isso? Isto é, se der para nosso bolso...
- Vamos ver... Podemos pagar sim.
- Vamos pedir, então.
- Certo. Garçon, s’il vous plaît! Je voudrais poulet rôti au citron et
ratatouille... Pour deux, s’il vous plaît. (Garçom, por favor! Eu gostaria de frango assado com limão e
ratatouille... Para dois, por favor.)
- Oui, oui, monsieur. Ce que vous voulez boire? (Sim, sim, senhor. O que vão beber?)
- O que ele
perguntou, Peter?
- O que queremos beber.
- Suco de laranja?
- Un jus
d’orange pour ma copine et une bière pour moi, s’il vous plaît. (Um suco de laranja para minha namorada e
uma cerveja para mim, por favor.)
- Très bien, monsieur. Bientôt, je vais faire la demande. (Está
bem, senhor. Logo trarei o pedido.)
O
garçom se afastou. Fanny disse a Peter:
- Dianna te ensinou bastante francês, hein?
- Era o mínimo que eu podia fazer para agradar a família
dela... E ela própria. Os Mackenzie são
gente fina em ambos os sentidos. Alemão eu já sei desde criança, morei na
Alemanha quando pequeno. E pela Dianna quis aprender francês e italiano. Não
sei falar tão bem quanto ela e o Davy, mas...
- O Davy fala francês e italiano?
- Fala. Alemão também. Ele precisa... Vou contar só para
você. – Peter abaixou o tom de voz: - Quando Dianna chega à melhor parte quando
Davy e ela estão fazendo amor, ela começa a falar em outra língua.
- Sério?
- Na primeira vez, Mike, Micky e eu achamos bizarro, mas já
nos acostumamos.
- Peter Tork, está me dizendo que você, o Nez e o Micky
ficam ouvindo o que o Davy e a Dianna fazem?
- A gente não vai até a porta deles e fica escutando, se é o
que você está pensando! Dá para ouvir aqueles dois direitinho de longe...
- Peter! Sem mais detalhes da vida íntima da Dianna e do
Davy! Mesmo porque lá vem o garçom com nosso jantar!
O garçom colocou os pratos e as bebidas na
mesa para o casal. Fanny e Peter jantaram, cada um pagou sua parte e foram para
casa, Fanny dirigindo, já que Peter havia bebido cerveja.
***
Chegaram. Fanny deu um beijo quente no namorado. Havia dias que ela
queria experimentar algo novo e julgou aquele o momento perfeito. Conduziu-o
para o quarto dele.
- O que você quer,
musa? – ele provocou.
- Nada de
perguntas! Mesmo porque você sabe o que eu quero. Agora seja um menino bonzinho
e faça tudo que eu mandar! Sem discutir.
- Você manda.
Entraram no quarto, ainda se
beijando intensamente.
- Deite na cama,
amorzinho. – Fanny ordenou.
Peter obedeceu. Fanny abriu sua
mala e tirou de lá algo que Peter realmente não esperava.
- Fanny... Isso
são... Algemas?
- Exatamente. – a
garota sorriu maliciosa.
Debruçou-se sobre ele, tirou a
camisa dele e pegou os pulsos dele, algemando-o à guarda da cama. Peter olhava
para ela lambendo os lábios. Ela
terminou de despi-lo. Peter já estava quase lá. Fanny tirou o vestido e o
sutiã. Ficando por cima do Monkee, disse:
- Tire a minha
calcinha.
- Sem... Sem as
mãos?
- Sim. – ela deu
um pequeno sorriso e beijou o namorado.
Peter atendeu ao pedido de Fanny com os
dentes, deleitando-a.
- Fanny, estou
pronto. – ele sussurrou sedutoramente.
- Manda ver. – ela
sussurrou de volta.
As penetrações tiveram início.
Fanny gemia sem parar, lambendo, mordendo e sugando os mamilos de Peter,
fazendo-o gemer também.
- Musa, te amo, te
amo... – ele dizia.
- Te amo também, meu poeta, te amo também...
Após terem atingido o clímax,
Fanny desceu da cama e soltou os pulsos de Peter.
- Desculpe-me, amorzinho, deve ter te machucado. – ela beijou os pulsos dele.
- Está ardendo um pouco, mas quem se importa? Foi muito bom!
- Que bom que gostou disso.
- Vamos tentar coisas novas mais vezes...
- Vamos. – Fanny disse, enquanto se deitava novamente, desta vez ao lado de Peter. Abraçou-o fortemente.
- Temos uma vida toda pela frente para experimentar coisas novas... – Peter disse.
- Sim. – Fanny afagou os cabelos loiros de seu amado e beijou-o. – Mal posso esperar, amorzinho.
- Nem eu, querida musa.
Dormiram, embalados pelo amor e a paz que os manteria unidos dali por
diante.

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