Mike acordou com a cabeça pesada. Não se lembrava de nada, apenas da
luta com o estranho no meio do bosque, enquanto perseguia um som misterioso.
Percebeu, então, que estava preso pelos pulsos, por algemas que pendiam de uma
parede de pedra. Estava em um calabouço, escuro e úmido. Contudo, graças à sua
visão noturna lupina, conseguiu distinguir um outro homem, agrilhoado da mesma
forma que ele, na parede oposta.
- Best? – Mike indagou.
- Olá, Nesmith. – respondeu o vampiro.
- O que... O que raios estamos fazendo aqui? Tudo de que me
lembro é de ter lutado contra um estranho na floresta, enquanto caçava com
Micky...
- Um dos irmãos Kroos. – disse Best.
- Quem são eles?
- São vampiros. Estão aqui a mando do Barão Lauda. Para
encontrar Odile Greyhound e levá-la a Viena, onde vive o barão.
- Como soube de tudo isso?
- Me disseram toda essa ladainha enquanto me torturavam.
Mike
olhou mais atentamente para Best, e notou que o vampiro estava coberto de
hematomas. Imaginou que em breve os dois irmãos vampiros provavelmente
tentariam torturá-lo também. “Vou arrancar-lhe os braços a mordidas”, o lobo
pensou.
- Mas... A troco de quê nos aprisionaram? – Mike ainda não
havia conseguido inferir nada a esse respeito.
- Nossas lobas. Eles as cobiçam.
- O QUÊ? – simplesmente imaginar que outro homem desejava
sua esposa fazia o sangue de Mike ferver. – NENHUM DESSES DOIS VAMPIROS TERÁ
ALANA, NEM POR CIMA DO MEU CADÁVER!
- Não sei o quanto de verdade me revelaram, no entanto...
Aparentemente, nos capturaram para atrair Rosie e Alana até aqui. E delas os
Kroos pretendem tirar a informação de como adentrar o Castelo Beckenbauer e
roubar Odile. Se elas não disserem... Seremos mortos.
- Por que Rosie ou Allie teria essa informação?
- Alana, eu creio, nada sabe a esse respeito. Mas Rosie é
aliada de Gerd Müller. Poderia ter essa informação... Ou arrancá-la de Gerd,
caso isso se fizesse necessário.
- Isso está me parecendo mais um pretexto para que os Kroos
possam se livrar de nós e ficar com nossas lobas, Best.
- Também acho, Nesmith.
- Tem alguma ideia para sairmos daqui?
- Nenhuma ainda. – disse o vampiro.
- Eu tampouco. Mas vou pensar em algo.
***
Alana havia saído à procura de Mike na floresta. Os outros habitantes da
mansão tentaram convencê-la a não partir sozinha em busca dele, todavia, ela
era teimosa, e não aceitou a ajuda de Micky ou Emma para farejar Mike.
Ela caminhava em sua forma
lupina, pois assim o faro ficaria ainda mais aguçado, e ela poderia encontrar
seu lobo com mais facilidade. A pequena loba de pelagem castanha ouviu o ruído
de um graveto seco sendo quebrado e uma respiração um pouco pesada atrás dela.
Virou-se e viu outra loba, um pouco maior e de pelagem castanho-avermelhada. O
que mais se destacava na loba eram os olhos verdes. Nenhum outro lobo na ilha
tinha olhos verdes.
- Rosie. – disse Alana, assumindo forma humana.
- Alana. – respondeu a outra loba, também retomando a forma
de mulher.
- O que está fazendo?
- Procurando por... Bem, por Best. Não diga ao Moore que
tenho algo com George, por favor. Eu seria expulsa, e ele também. Ou até mesmo
coisa pior.
- Não se preocupe, Rosie, não direi nada.
- E você? O que está fazendo?
- Também procurando por Mike. Como... Como Best sumiu?
- Eu não sei. Ele saiu sozinho mais cedo. Decerto em busca
de alguma vítima. E não voltou até agora. Estou morta de preocupação. E Mike?
- Ele saiu com Micky para caçar no começo da noite.
Separou-se de Micky porque se embrenhou no bosque para perseguir o som de um
cervo machucado, que Micky diz não ter ouvido. E depois disso não foi mais
visto.
- Muito estranho. Os desaparecimentos dos dois só podem
estar ligados! Devemos procurar juntas por eles, Alana.
- Eu concordo, Rosie.
As
duas mulheres voltaram à forma de lobas e continuaram sua busca.
***
Um
pouco mais tarde, a porta da masmorra foi aberta. Os irmãos Kroos entraram por
ela e um deles, o que havia atacado Mike, abriu as algemas. O lobo mal teve
tempo de esfregar os pulsos recém-libertos para aliviar a dor e a ardência. Foi
arrastado por seu agressor e o irmão para fora da masmorra e jogado com
violência contra o chão. Tentou atacá-los, mas o segundo vampiro deteve-o
plantando o pé com força no peito do lobo.
- Calma, cachorrinho bravo. – o vampiro provocou. – Nós
queremos a sua ajuda.
- Por que eu lhes seria útil? – Mike rosnou.
- Sabemos que seu amiguinho vampiro, o que mora na mansão com você, é amigo da
esposa do braço-direito do Conde Beckenbauer.
- Não sei do que estão falando. – Mike não iria meter Davy e
Louise em problema também.
- Toni, por favor. – pediu o agressor de Mike.
- Com prazer, Felix. – disse Toni, aumentando a pressão
sobre o peito de Mike. A dor começava a incomodá-lo muito, tornando difícil
respirar.
- Mike Nesmith, sabemos que é casado com uma loba chamada
Alana Watson. Não vou negar, uma ótima escolha, ela é mesmo encantadora. –
disse Felix, os olhos fulgurando ao pensar no objeto de seu desejo. –
Entretanto... Sabemos também que houve outra antes dela.
- Alice. – Mike murmurou quase sem produzir nenhum som.
- Quer saber o que faremos com a sua querida vampira,
Nesmith, se não nos der o auxílio que pedimos? Ou ainda, com a sua esposa?
- VOCÊS NÃO VÃO ENCOSTAR UM DOS SEUS DEDOS SUJOS EM ALICE!
MUITO MENOS EM ALANA!
- Ah, estávamos certos, você ainda se preocupa com a
vampira! – Toni abriu um sorriso cruel.
Subitamente, Felix tocou a testa de Mike, e ele sentiu seu corpo e sua
mente serem sugados por uma estranha força. O lobo se viu em um quarto que lhe
era conhecido... O quarto de Alice na antiga casa dela no vilarejo. Parecia que
havia sido séculos antes que o vilarejo era populoso e agitado. Agora, era uma
cidade-fantasma.
Ele
ouviu alguém entrar no quarto. Mike
virou-se rapidamente. E a viu. Alice. Linda como sempre, com os cabelos negros
esvoaçando e os olhos azuis brilhando. E sorrindo para ele com paixão. Para
ele, aquele momento aparentava já ter acontecido. Então percebeu: estava em uma
lembrança. Alice, naquela época ainda uma humana, colocou os braços ao redor do
pescoço de Mike. Ele nada pôde fazer além de colocar os braços ao redor da
cintura dela e beijá-la. Ao mesmo tempo em que se sentia culpado por estar
traindo Alana, agia como se ela não existisse em sua vida... Como era na época
em que ele e Alice estavam juntos.
- Alice, Alice, meu amor... – ele sussurrou.
- Mike, eu... Eu te
quero tanto...
Ao ouvir isso, Mike pegou Alice nos braços e a carregou até a cama.
Sentia o desejo percorrer todo o seu corpo. Estava a ponto de tirar as roupas
dela e as suas próprias... Porém, lembrou-se de sua esposa, sua loba, sua
Alana. Forçou-se a sair daquela
lembrança.
Acabou por se ver novamente na sala onde os Kroos o
torturavam.
- Não, por favor, façam o que fizerem, não façam o que
acabaram de me infligir! – ele suplicou.
- Acabou por enquanto, Nesmith. – Felix sorria de forma fria
e cruel.
Toni e Felix levaram Mike de volta ao calabouço arrastado e o algemaram
na parede novamente. Ao longo do caminho, metamorfoseou-se em lobo várias vezes
e tentou arrancar os braços dos vampiros, contudo, não teve sucesso.
- Se eles acham que vão me vencer estão muito enganados! –
ele uivou de raiva.
- Calma, Nesmith, vamos sair dessa! – disse Best.
- Eu espero que esteja certo, Best!
***
Rosie e Alana
foram conduzidas por seus faros até um castelo abandonado.
- Sinto o cheiro do Mike. Está muito forte. – disse Alana.
- E eu o do Best.
- O que eles estariam fazendo neste castelo? – perguntou-se
a loba menor.
- Não faço ideia. – respondeu a outra. – Acho que
precisaremos invadir para descobrir.
- Concordo plenamente.
As duas
escalaram o muro do castelo e atravessaram o jardim. Estranharam que não
houvesse ninguém vigiando a entrada. Uniram suas forças e abriram a pesada
porta. Entraram... Apenas para serem recepcionadas pelos Kroos.
- Rosie. – Toni olhava para ela com desejo.
- E Alana. – Felix devorava a loba com seu olhar.
- Quem são vocês? – rosnou Allie.
- Eu sou Felix Kroos. E este é meu irmão Toni.
- Onde estão Best e Nesmith? Libertem os dois já! – ordenou
Rosie.
- Apenas se vocês duas concordarem em nos dar algo. – disse
Toni.
- O quê? – indagou Alana de má vontade.
- Seu amor. – responderam os irmãos vampiros em coro,
agarrando as lobas.
Alana e
Rosie começaram a lutar para se soltar dos irmãos Kroos. Alana mordeu o braço
de Felix, Rosie arranhou Toni. Apesar disso, eles não as largaram. Felix
murmurou no ouvido de Alana.
- Seu marido não a ama tanto assim. Ele ainda ama a vampira,
Alice. Esqueça-o e me aceite como seu novo companheiro!
- Nunca! – ela gritou, e socou Felix. Alana sabia bem que
Mike a amava e que Alice era apenas uma boa lembrança do passado.
Felix levou Alana até onde estavam os prisioneiros. Ela viu Mike e Best
pendurados pelas algemas. O marido de Alana tinha uma expressão de profunda dor
no rosto, e chamava:
-Alice, Alice! Não me deixe, eu suplico! Sei que sou um
lobisomem, mas eu nunca farei nenhum mal a você! Por favor!
A loba se soltou do vampiro e correu para Mike, tocando-o no rosto.
- Mike! Mike! Olhe para mim, querido! É uma ilusão! Alice
não está aqui!
O lobo pareceu sair por alguns momentos do transe provocado pela ilusão,
e gaguejou:
-A-Allie? É você, minha lobinha?
- Sim! Sim, meu lobo! Eu vou tirar você daqui!
Rosie tinha um diálogo parecido
com Best. Logo, ela se afastou do amado e partiu para cima de Toni, seguida por
Alana, que avançou em Felix, sua fúria de loba guerreira se manifestando.
A loba ruiva também lutava
bravamente contra Toni. Surrava-o, mordia-o, arranhava-o. As duas lobas
conseguiram levar os irmãos vampiros para fora da fortificação, e lutaram
contra eles até a Ilha das Mandrágoras, próxima dali. Os dois ficaram
preocupados. Viam-se cercados pelas
adversárias, e não tinham mais por onde fugir. Até que pisaram em falso, e
caíram na boca de Caríbdis. Foi o fim dos irmãos Kroos.
Elas voltaram
para o castelo. Libertaram seus amados das algemas. Os Kroos haviam deixado
cair as chaves no chão em meio à luta. Uma vez Mike e Best libertos, as duas
lobas e eles foram embora do castelo. Rosie disse a Alana:
- Obrigada por me ajudar a encontrar meu querido vampiro,
Alana!
- Eu que a agradeço pelo auxílio que me deu para resgatar
meu lobo, Rosie!
Os dois
casais seguiram em direções distintas. Rosie e Best seguiram pelo caminho que
conduzia ao riacho próximo do Castelo Beckenbauer, que àquela altura passara a
ser conhecido como “riacho dos amores”, e Alana e Mike voltaram à mansão onde
viviam.
Encontraram os demais moradores da casa reunidos na sala de
estar.
- Mike! O que diabos aconteceu com você? – perguntou Micky.
- Era uma armadilha, Micky! Um vampiro servo do Barão Lauda
que estava interessado em tomar Alana para ele me atraiu e capturou, pois
queria me matar para ficar com minha lobinha!
- E se nos dão licença... – começou Alana, puxando o marido
pela mão – Nós temos coisas a fazer.
- Temos, é? – Mike deu uma risada maliciosa.
- Temos.
Alana abriu a porta do
quarto do casal, sempre puxando Mike atrás dela.
- Você anda bem decidida hoje, Allie. – observou Mike.
- Você acha? – ela sorriu com malícia.
Ela jogou Mike na cama, deitando-se por cima dele. Rasgou a camisa
do marido de um único puxão. Alana começou a beijar o peito de Mike, dando
mordidinhas amorosas. O lobo soltava gemidos. Ele também deu um rápido puxão e
rasgou o vestido da esposa.
- Ah, seu lobo
danado... – ela sussurrou, enquanto puxava a calça dele.
Estavam apenas em suas roupas de baixo,
no entanto, não ficaram assim por muito tempo. Livraram-se logo delas também. A
loba arranhava as costas de Mike, que a provocava sugando os seios dela, dando
leves mordidas e lambidas em meio à sucção.
- Mike... Vamos
inverter. – ordenou Alana.
- Você é quem
manda. – disse ele.
Desta vez
Alana ficou por baixo de Mike, e ele a penetrou, o prazer de ambos aumentando a
cada movimento. Uivavam muito alto, muito mesmo.
Seus ruídos amorosos chamaram
a atenção dos demais moradores da casa. Peter, Micky, Davy e suas esposas se
amontoaram junto à porta do quarto para ouvir. Renée ficou um pouco distante,
rindo da situação.
- Não sabia que Mike... Gritava assim. – disse Micky.
- Ele grita mais que o Davy, e eu achava que isso era
impossível! – Peter exclamou.
- Ei! Eu não grito tanto assim! – Davy defendeu-se, corado.
- Eu... Não conhecia esse lado da Alana. – Dianna falou.
- Achou que era só você que era dada aos excessos amorosos?
– Emma provocou sua amiga, deixando-a ainda mais vermelha de constrangimento
que o marido.
- Pessoal... Não é delicado ficar ouvindo as pessoas
enquanto... Elas... Fazem... – disse Erin, tentando afastar suas amigas, os
maridos delas e seu próprio marido dali.
Enquanto isso,
os moradores da mansão de Bobby Moore pararam o que estavam fazendo, intrigados
com o que ouviam.
- O que é isso? – perguntou Paul.
- Parecem-me... Os Jones? – disse George. – Só eles gritam
tanto assim.
- Não são os Jones, meu amor. – retrucou Mary Anne. – Preste
atenção, estão uivando.
- Quem são, então? – indagaram o irmão e o namorado da loba.
- Acho que são os Nesmiths. – disse Ringo, um pouco aéreo.
Estava muito ocupado observando a beleza de Alberta Mann, que havia parado sua
leitura, devido ao barulho. Alberta
pegou Ringo olhando-a, e deu um sorriso para ele, que não soube o que fazer.
- Vamos parar de ficar xeretando a vida dos nossos vizinhos,
por favor? – pediu Moore.
- Não estamos xeretando, senhor. – disse Paul.
A outra mansão ficou
silenciosa, e logo a mansão do lobo alfa também.
***
Na semana
seguinte, Alana estava radiante. Sua noite de amor ruidosa com Mike havia dado
resultados. Certa noite, após o
desjejum, Alana esperou que os demais moradores se afastassem. A sós com o marido, começou:
- Mike, eu tenho que contar algo.
- O quê, Allie?
- Vamos ter um filhote. – anunciou ela, em volume muito
baixo.
- Desculpe, Alana, não entendi.
A loba deu um
suspiro longo e exclamou:
- Vamos ter um filhote! Estou grávida!
Ao ouvir
isso, Mike abriu um grande sorriso.
- É verdade, Allie?
- Sim. – ela deu um sorriso.
- Isso é fantástico! – ele levantou a esposa no ar e deu um
intenso beijo. – Pessoal, eu vou ser pai! Pai de um lindo lobinho! – Mike
anunciava sua felicidade para a casa toda ouvir.
O casal de
lobos recebeu os cumprimentos de todos. Estavam mais felizes do que nunca.
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