domingo, 26 de abril de 2015

Oneshot: Enchanted (Série What If - Modern Vampires Of The City) - Parte III

Boa tarde! Demorou um pouco mas finalmente vou postar a terceira parte dessa enorme oneshot! A quarta parte já está sendo escrita. Boa leitura! 


                  





                     Na noite seguinte,  Peter indagou a Davy:


- Você soube o que sua amiguinha moradora do Castelo Beckenbauer fez?

                      Davy franziu suas grossas sobrancelhas.

- Não...

- Ela massacrou um grupo de caça-vampiros para salvar a vida de Gerd Müller. Aparentemente,  eles se casaram.             

- Massacrou? Lulu não é cruel assim, ela é bondosa... Se estou vivo, foi graças a ela. – disse Davy.

- Só estou repetindo o que o grupo da mansão dos McCartney me contou. – falou Peter.

- Espere aí. – disse Mike. – Ela se casou com Müller? Eu sabia, aquele alemão execrável não amava Alice! – o lobo soltou um grunhido angustiado.

- Mike, Alice amou você antes de... Bem, de descobrir seu segredo.  – disse Dianna. – Mas ela ficou com medo.

- Ela nos contou que tinha se aproximado dos domínios do conde na tentativa de entrar aqui na ilha e encontrá-lo. – continuou Emma.

- E Beckenbauer a mordeu... E a deu como noiva para o chucrute desgraçado!

- Não fique assim, companheiro. – Mike deu um tapinha amistoso nas costas de Mike. – Sabe, hoje Moore vai convocar todos os membros da alcateia para decidirmos se abrigaremos uma moça que pediu refúgio aqui. Quem sabe ela não conquista seu coração?

- Ninguém tomará o lugar de Alice no meu coração, Micky.

                Dali a uma hora, quando o grande relógio de pêndulo da sala de visitas bateu três vezes, indicando as três horas da madrugada, o grupo saiu da mansão e dirigiu-se a uma clareira no ponto mais central da floresta, onde normalmente se reuniam os membros da alcateia.
                  Bobby Moore saudou-os quando ali chegaram. Sentaram-se no chão. O lobo alfa limpou a garganta e disse:

- Uma boa noite a todos. Primeiramente, gostaria de cumprimentar o novo membro honorário de nossa alcateia, srta. Dianna Mackenzie.

- Na verdade, sra. Dianna Jones. – Davy corrigiu Moore.

- Pois bem. – respondeu Moore. – Digo que a sra. Jones é membro honorário da alcateia por não ser uma loba, mas sim uma vampira. Mas vamos ao que interessa. Na noite de ontem, veio pedir-me refúgio a srta. Alana Watson. Ela é uma loba. Venha adiante, srta. Watson.

                     Das sombras, apareceu uma jovem de baixa estatura, cabelos castanhos e olhos dessa mesma cor. Ela tinha um ar calmo e doce. Não parecia uma loba... Pelo menos não para Mike. Ela o percebeu olhando-a, e fitou-o de volta com um sorriso tímido.  Mike engoliu em seco.


- Bem, senhoras e senhores, podemos abrigar a srta. Watson?

- Claro! – disseram todos os moradores da Ilha dos Lobisomens.

- Obrigada. – falou Alana com um sorriso um pouco menos tímido.

                                                                          * * *


- Você gostou da nova moradora da ilha, não é, Mike?  – perguntou Micky.

- É, hã... Ela é simpática. – respondeu Mike, embaraçado.

- Não dou alguns meses para ele trazê-la para viver na mansão.  – disse Davy.

- Eu também não.  – Peter falou.

- Eu já disse a vocês! Ninguém tomará o lugar do meu coração que pertence a Alice! – Mike bradou.

- Mike... Companheiro, me escute. Eu sei que você amou muito aquela vampira. Mas ela está morta. E mais: ainda em vida ela se esqueceu de você. Havia Palin. E Müller.

- Ah, Micky, eu sei! – Mike rugiu. – Parte meu coração lembrar-me disso! Mas não interessa se ela não me quis! Continuo a querê-la! – ainda tomado pela dor, ele entrou como um furacão em seu quarto. Naquele dia ninguém na mansão dormiria, devido aos uivos de dor no coração do lobisomem infeliz.


 Alguns dias depois...

                     Quando o Sol se pôs, os moradores da mansão despertaram. Dianna percebeu que algo não estava normal em seu corpo. Talvez fosse o fato de que não era mais humana... Não, não, aquilo não deveria ter causado o “atraso”. Procurou Emma. 

- Emma... Diga-me uma coisa.

- O quê? – a loba estava curiosa.

- Vampiras... Ficam naqueles dias? – inquiriu a vampirinha.

- Ora... Eu creio que sim.  Vocês nada mais são que mulheres que não suportam a luz do Sol e cheiro de alho, fogem de água benta e crucifixos e se alimentam de sangue.  Por que a pergunta?

- Porque já deveria ter vindo.

- Você e o Davy andaram aprontando... – Emma deu uma risadinha.

                      
                          Dianna corou.


- Bem, sim. No riacho. Umas noites atrás.

- O que o Conde Beckenbauer dirá quando souber que o vampirinho traidor gerou um novo morceguinho?  Estou feliz por você, amiga. – A loba abraçou a amiga vampira.

- Obrigada. – Dianna sorriu. – Eu não vou deixar os vampiros do conde pegarem meu bebê.  – disse ela, alisando o ventre.

- Só resta contar ao papai morcego. – Emma falou.

- Sim. – Dianna estava ansiosa para saber qual seria a reação do marido. – Espere, papai morcego? Desde quando você faz piadinhas, Emma?

- Dianna, veja com quem me casei.

- Está explicado.  – Dianna riu.

                                                          * * *


              Todo o clima amoroso na mansão estava matando Mike. Micky e Emma sempre apaixonados e cuidando do filhote, Christian. Peter levara Erin para viver com ele na mansão e eram agora recém-casados. Mike não aguentava mais passar pelo quarto do casal e ouvir ruídos amorosos vindo de lá de dentro.
                 E os vampiros Davy e Dianna, desde que descobriram que ela estava grávida, estavam mais românticos do que nunca. Não se desgrudavam.


- Talvez... Talvez eu esteja ficando muito amargo desde que Alice morreu.  – ele murmurou para si mesmo enquanto caminhava errante pela floresta certa noite.
             
               Mike se lembrava do breve período, quando ela era humana e não sabia que ele era um lobisomem, em que ele foi feliz ao lado de sua amada. Pensava em torná-la sua loba, e tinha quase certeza de que ela aceitaria. Mas antes ele precisaria contar a Alice seu segredo.

(Flashback ON)

                
- Alice, você aceitaria se casar comigo?

- Oh, Mike, claro que sim! – os olhos e o sorriso da moça resplandeceram.

- Mesmo sabendo de uma certa... Coisa sobre mim?

- Qual coisa? – ela ficou intrigada.

- Alice... Eu...

- Você o quê?

- Alice... Eu sou um lobisomem.

- O quê? – num primeiro momento a jovem não acreditou.

                   
                    Então Mike assumiu a forma lupina diante dela. A moça deixou escapar um grito, e ele voltou à forma humana.


- Mike... Não... Não posso acreditar que você é um monstro!

- Alice, meu amor... – ele tentou tocá-la no rosto.

- Não! Não me toque! Fique longe de mim! E vá embora! Não quero vê-lo nunca mais!

- Alice, por favor! Vai deixar de me amar só por causa disso?

- Só por causa disso? Tenho medo de que você me ataque!

- Querida, eu jamais machucaria você! Eu juro! Por favor, não me deixe.  – ele se atirou aos pés da amada e abraçou-os.

- Eu amo você, Mike, mas não posso arriscar minha vida!

- Mas, minha amada, acredite quando digo que não ofereço perigo para você!

- Sinto muito. – Alice soltou suas pernas dos braços de Mike, chorando.

                   Mike foi embora, soltando ganidos vez ou outra. Alguns dias depois, ficou sabendo que Alice havia aceitado o pedido de casamento de um jovem lenhador chamado Michael Palin, que amava a moça há tanto tempo e tão intensamente quanto o jovem lobo.
                     Aquilo foi o bastante para ele, principalmente por saber que Alice ainda o amava e só aceitara o noivado com Palin para esquecê-lo. A tristeza que se abateu sobre ele era tanta que o rapaz sabia que não suportaria continuar vivendo no vilarejo.  Fugiu para a Ilha dos Lobisomens e pediu a Bobby Moore que o deixasse viver ali. O lobo alfa permitiu. Mike conquistou a amizade de um jovem lobo chamado Micky Dolenz, e passou a viver na mansão dele.
                      Depois de algum tempo, abrigaram um mago chamado Peter Tork e um vampiro, Davy Jones. Os quatro tornaram-se grandes amigos. Mike e seus amigos, então, souberam que o Conde Beckenbauer atacara e transformara em vampira uma moça do vilarejo que passava perto de seus domínios, chamada Alice Stone. Isso foi como uma facada no coração de Mike. E o coração dele ficou ainda mais dolorido quando soube que o conde dera a jovem como noiva ao seu amigo Gerd Müller, também um vampiro. Para deixar a situação ainda pior, as relações amorosas entre lobos e vampiros eram terminantemente proibidas.
                      A partir daí, a solidão começara a tornar o lobo mais feroz. Ficou pior quando viu os amigos se apaixonarem. Micky se casou com uma bela loba loira chamada Emma Carlisle, e logo ela estava à espera de um filho. As amigas humanas dela, as primas Dianna e Erin, vieram visitá-la, e acabaram conhecendo Davy e Peter. Amor à primeira vista.
                   Quando as três jovens souberam que sua amiga de longa data, Alice, ainda estava viva, a vampira passou a vir à ilha para vê-las. Sempre que a noiva de Gerd Müller vinha à mansão, Mike se enclausurava no quarto, o som da voz de Alice fazendo seu coração acelerar.
                      E então ela morreu. A vida não tinha mais sentido para o lobo. Porém, não tinha vontade de tirar sua própria vida.

(Flashback OFF)

                       Mike rememorava todos esses acontecimentos, quando o som de gritos atingiram seus ouvidos. A princípio, pensou que estava tendo alucinações e ouvia os gritos de Alice outra vez.
                         Entretanto, percebeu que eram reais. Assumiu a forma de lobo e correu. Chegou à região da floresta onde havia mandrágoras. Os gritos eram delas. Caída no chão, com as mãos nos ouvidos, quase enlouquecida e surda, estava Alana.  Mike não podia deixar que a moça morresse devido aos gritos daquelas plantas. Com patadas poderosas, tentando resistir aos berros estridentes, esmagou as mandrágoras. Aos poucos, Alana sossegava. Tirou as mãos dos ouvidos e levantou-se. Mike voltou à forma humana.


- Oh, Mike! Obrigada! – Alana sorriu para o jovem lobisomem.

- Eu não podia deixar aquelas plantas malditas te matarem, podia?

- Bem... Não, creio que não.

- Claro que não! Bem, eu recomendo que fique longe dessa região da floresta. Além das mandrágoras, há plantas carnívoras e insetos gigantes.

- Plantas carnívoras? Insetos gigantes? – Alana arregalou os olhos.

- Sim. Venha, vamos embora.

                             Alana deixou que Mike a conduzisse de volta à sua casa, do outro lado da floresta.


- Então, Alana... Como veio parar na ilha?

- Minha mãe era uma loba. Quando meu pai descobriu isso, ele nos abandonou. Eu era apenas um bebê. Nós duas passamos a vida nos mudando de vilarejo em vilarejo, tentando nos proteger. Mamãe sempre me dizia que, quando ela morresse, eu deveria procurar abrigo aqui na Ilha dos Lobisomens. No meu caminho para cá, fiz amizade com dois jovens lobos chamados Edward Simons e Harry Daniels. Entretanto, eles foram atacados por um grupo de vampiros, que mais tarde descobri serem do séquito do Conde Beckenbauer. E não resistiram. Segui viagem sozinha e cá estou eu.

- Entendo.

- Sabe... Odeio ser uma loba. Perdi o homem que eu amava por isso.

- Eu também perdi minha amada por ser lobo.

- Eu soube que você era apaixonado por aquela vampira, Alice Stone.

                Mike suspirou.


- Sim, eu era. Ainda sou.

- Desculpe, este assunto é delicado, eu não deveria ter tocado nele.

- Não, não, está tudo bem. Eu... Preciso me resignar. Ela está morta, e, mesmo que ela ainda vivesse... Não seria minha.

                    Chegaram à casa de Alana.


- É aqui que eu vivo. – disse ela.

- Bem, está entregue, sã e salva.

- Obrigada, Mike. Você é muito gentil.

                       O jovem lobo tomou e beijou a mão da moça.


- Disponha.

- Até logo. – disse ela, entrando.

- Até logo.

                                                                   

                                                                        * * *

                  Três meses depois...


                      Dianna, agachada, colhia flores perto da mansão quando ouviu o som de passos se aproximando dela. Ela ergueu os olhos.

- Olá, Dianna.

- Peter Noone. – Dianna disse com desprezo. Ele era um dos vampiros do séquito do Conde Beckenbauer. Um dos que desejavam vingar a “ofensa” que seu marido infligira ao vampiro-mestre. Contudo, Noone tinha um motivo a mais para querer se livrar de Davy: amava Dianna.

- Como vai, minha amada?

- Ia bem, até você aparecer. – disse ela, se levantando com certa dificuldade, devido ao ventre, que começava a ficar saliente.

- Ah, meu anjinho com presas, por que me trata assim? – ele enlaçou Dianna pela cintura.

- Largue-me, seu maldito! Eu sou casada! Estou esperando um filho!

- Eu posso ser um marido muito melhor, Dianna. E cuidarei do seu bebê como se fosse meu.

- Eu nunca me casaria com você, seu parvo! Davy! Davy! Ah! – Noone agarrou-a e tapou sua boca com a mão, antes que o marido a ouvisse. Dianna bem que tentou resistir, e poderia acabar com ele, mas a condição de grávida a impedia. Ficava impossibilitada de aplicar golpes no vampiro.

                         Com seus poderes, Noone conseguiu transportar Dianna para longe, para o outro lado da floresta. Contudo, não antes de Davy aparecer na soleira das portas da mansão, atraído pela esposa chamando-o.

- Noone! Solte a minha esposa! – ele bradou, e correu para tentar libertá-la. Foi tarde. Noone desapareceu, levando Dianna com ele.

                           Logo Davy viu o que Noone fizera. Transformara a si próprio e Dianna em morcegos. Ele voava, e carregava Dianna presa nas patas traseiras.

- Ai de você se machucar minha mulher e meu bebê, seu energúmeno! – Davy esbravejou. Assumiu a forma de morcego e voou no encalço de Noone.

                            Após uma longa perseguição nos céus, Noone finalmente pousou, num ponto da floresta do qual Davy preferia ficar longe: o local onde havia as plantas carnívoras e os insetos gigantes. Ele viu que lá embaixo estavam os asseclas de Noone: Derek Leckenby, Karl Green, Keith Hopwood e Barry Whitwam. Todos vampiros. Todos servos do conde. Todos loucos para matar Davy.
                              Ao assumir forma humana, Noone depositou Dianna cuidadosamente no chão. Ela não parecia machucada, entretanto, Davy estava receoso. Ele pousou e assumiu forma humana. Ao vê-lo, Dianna correu para ele.


- Meu doce vampiro! Que bom que está aqui! – ela o beijou.

- Você está bem, Dianna? – ele segurou a mão dela e colocou a mão livre sobre o ventre dela.

- Estou bem. O bebê também. – respondeu a vampira.

- Vejo que ele está bem. – Davy sorriu. – Senti-o se mexer.

- Porque ele sentiu sua mão. – Dianna estava tão feliz quanto o marido.

- Odeio atrapalhar o momento em família, mas devo pedir que se despeça do seu maridinho querido, Dianna. Ele vai morrer. – Noone exibiu seus caninos em um sorriso cruel.

- Não, ele não vai! – Dianna soltou-se de Davy, furiosa, os olhos se avermelhando e as presas despontando.  – Eu farei o que puder para protegê-lo!

- Querida. – Davy segurou seu pulso. – Não faça isso. É perigoso para você e nosso filho.

- Mas, Davy...

- Eu vou ficar bem. Vou acabar com esses imbecis.

- Você, Jones? Tão baixinho assim? – Noone debochou.

- Por que não cala essa sua boca grande, Noone?  - Davy odiava comentários sobre sua pouca altura. No entanto, uma das vantagens de ser um vampiro era a força descomunal. Trocou socos com cada um dos companheiros de Noone, que, mesmo sendo também vampiros, mais altos e estando em maior número, eram menos ágeis.
            
                    Jogou cada um deles dentro das “mandíbulas” das plantas carnívoras monstruosas. Todavia, faltava o líder. Noone já estava se acovardando, porém, iria manter-se firme na decisão de matar Davy e tomar Dianna para si.


- Keith, Derek, Karl e Barry eram uns palermas. A mim você não vence, Jones!

- É o que vamos ver. – Davy mostrou os caninos. Ele e Noone se atracaram. Chutou as canelas de Noone, derrubando-o. Ele disse, olhando irado para o rival: - A sua sorte é que não gosto de sangue humano, e muito menos sou canibal, Noone. De outra maneira, já teria sugado o seu sangue. Por isso... – ele agarrou Noone e olhou na direção das plantas carnívoras.

- Não, Jones! Eu faço qualquer coisa para que não me dê como alimento para aquela coisa!

- Cale essa boca maldita! – Davy socou Noone.
                  

                     Após fazer isso, Davy arremessou Noone na “boca” da maior das plantas carnívoras. E esse foi o fim do vampiro loiro.


- Davy! – chamou Dianna. Ele foi até ela. – Agradeço por me salvar, meu amor, mas... Creio que a punição que aplicou a Noone e seus amigos foi um pouco... Radical.

- Esses mentecaptos mereceram.

- Bem...  – Dianna beijou o rosto dele.  – Obrigada mais uma vez, meu doce vampiro. Estou exausta... E o bebê... O bebê chuta e se mexe tanto que parece que há dois dentro de mim!

- Sinal de que ele está mesmo bem. – Davy sorriu.

- Sim. – Dianna devolveu o sorriso. – Vamos embora daqui, por favor.








                          

                

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