Elinor Fitzwilliam
estava saindo do banho. Estava distraída, pensando em seu ex-namorado, Robert
Plant, e na saudade que sentia dele. A
jovem escritora se perguntava se ele voltaria a fazer contato com ela. Então o
telefone tocou. Mesmo de roupão, ela
correu para atender.
- Elinor? – ela ouviu uma voz conhecida do outro lado da
linha.
- Robert? Me desculpe, meu amor, eu fui uma idiota...
- Elinor, estou ligando para dizer que terminamos
definitivamente.
A moça não
acreditou no que acabara de ouvir.
- Como assim, Robert?
- Acabou. Não tem mais volta.
- Mas, Rob...
- Eu estou com a Georgiana agora. Desculpe, Elinor. Adeus. –
e ele desligou o telefone.
Georgiana
Sparks finalmente havia conseguido o que queria! Elinor jurou a si mesma que um
dia, se tivesse a oportunidade, pegaria a prima por parte de mãe de Emily e
dar-lhe-ia um belo soco.
Ela foi
para seu quarto, vestiu-se e foi para a sala, onde estavam sua vitrola e seus
discos. Colocou o disco Evolution,
dos Hollies, para tocar. Aquele havia sido um presente de um dos vocalistas da
banda, Graham Nash, com quem Elinor havia tido um caso nos dois meses
anteriores. Eles terminaram por dois
fatores: Elinor ainda tinha esperanças de voltar para Robert e Graham iria aos
Estados Unidos para gravar um disco com David Crosby, ex-Byrd, e Stephen
Stills, ex-Buffalo Springfield.
A garota
se culpava por ter terminado com Graham de forma quase abrupta. E tinha de
admitir que sentia falta dele, e da sua voz doce cantando sucessos dos Hollies
para ela. Nos últimos dias do
relacionamento, a música que ele mais cantava era Carrie Anne, que acabou tornando-se a favorita de Elinor.
Elinor
não era o tipo de garota que chorava facilmente, assim como a irmã, Fanny, e a
prima, Emily. As garotas Fitzwilliam eram duras na queda. No entanto, justamente por terem dificuldade
para chorar, o sofrimento delas era ainda maior.
Era
por aquilo que Elinor estava passando naquele momento. Tinha perdido Robert, e
possivelmente Graham também. Ela duvidava de que poderia encontrar um novo
amor. Decidiu não se deixar abalar e seguir em frente. Ademais, ela poderia
usar aquele sofrimento em algo útil, como escrever poemas, ainda que sua
especialidade fosse crônicas.
Passou-se um mês, passou o período de festas, e teve início o ano de 1970.
Fanny iria aos Estados Unidos para ver o namorado, o cantor Bob Dylan, e
convidou a irmã e a prima para acompanhá-la. Emily, que estava passando por uma
fase de “prazeres caseiros” com o namorado, Dave Davies, recusou o convite.
Já
Elinor, que acreditava que uma mudança de ares faria bem, aceitou. Fez as malas
e partiu para a América com a irmã mais nova. Chegaram ao aeroporto JFK, em Nova York. Dylan estava ali à espera delas. Elas não
ficariam hospedadas na cidade, mas sim na fazenda de Dylan nos arredores. No
ano anterior, ele havia recebido ali George Harrison, sua esposa Mary Anne e os
filhos pequenos do casal, George Jr. e Amanda.
Bob disse:
- Além de vocês duas, estarão hospedados em minha fazenda os
membros do Crosby, Stills and Nash.
Elinor arregalou os olhos ao ouvir o nome “Nash”. Ela realmente não esperava encontrar Graham
na fazenda do cunhado. Rezou para que ele não passasse muito tempo lá. Seria
constrangedor para ambos.
Quando chegaram à fazenda, viram na
varanda da casa três homens de cabelos longos, sem camisa, que tocavam canções
folk em seus violões. Elinor não demorou a reconhecer Graham entre eles. Dylan apresentou Fanny e Elinor ao CSN.
Graham olhou para Elinor com seus belos e grandes olhos azuis e disse:
- Olá, Ellie. Como vai?
- O-olá, Graham. – ela ruborizou-se.
Dylan, Crosby e Stills não sabiam do antigo envolvimento de Elinor com
Graham, entretanto, Fanny sabia muito bem. Ela sorriu, imaginando que em breve
o ex-Hollies e sua irmã retomariam o relacionamento. Fanny torcia por eles.
Certa noite, Fanny e Elinor estavam vendo uma reprise de um episódio da
segunda temporada de Star Trek, e os
rapazes estavam tocando lá fora. A música que tocavam era Love Minus Zero/No Limit, de Dylan, cantada em um duo por Dylan...
E Graham. Elinor suspirou. Fanny amava aquela música, porque Bob frequentemente
cantava-a para ela. E Elinor não amava necessariamente a música, mas a voz de
Graham. Fanny disse:
- Elinor, vá falar com Graham mais tarde. É óbvio que ele sentiu muito sua falta, e
está triste por você ignorá-lo.
- Mas, Fanny...
- Você não achava que poderia voltar com o Plant? O caso é
mais ou menos esse, Elinor.
- É tão complicado...
- Você está com medo.
- E se eu estiver, Fanny? Qual é o problema?
- O problema é que você vai deixar passar uma oportunidade
de ser feliz, mana.
- Está bem, Fanny, eu vou falar com o Graham. Amanhã.
Fanny riu.
- Antes tarde do que nunca. – a irmã caçula de Elinor disse.
No dia seguinte, Dylan, Fanny, o CSN e Elinor tomavam café. Durante a
refeição, houve conversas e risadas entre os demais e uma intensa, ainda que
tímida, troca de olhares entre Graham e Elinor.
Quando
se levantaram da mesa, Elinor pegou Graham pelo pulso e perguntou-lhe:
- Graham, será que eu poderia falar com você?
- Claro, Ellie. – ele deu um belo sorriso.
Eles caminhavam pela fazenda, e Elinor dizia a ele:
- Graham, eu... Eu sei que a maneira como terminamos foi
muito abrupta, que mal tivemos tempo para discutir os nossos problemas
corretamente... Eu me sinto tão mal por isso...
- Não se sinta mal, Ellie.
- Graham, ele terminou comigo. Para sempre.
Graham olhou para Elinor com uma expressão preocupada. Entretanto, ele
estava internamente muito feliz. Aquilo significava que ele poderia tentar
recuperá-la.
- Puxa vida. – ele não encontrou mais nada para dizer.
- Na primeira semana isso me destruiu. Porém, acredito que
agora eu esteja lidando melhor com isso.
- Lidando melhor com isso a ponto de poder dar uma chance a
pessoas novas?
- Não necessariamente pessoas novas. – ela sorriu. Graham
entendeu perfeitamente o que ela quis dizer.
Durante o resto do dia, os apaixonados ficaram um pouco distantes. Após
o jantar, Graham levou Elinor para a varanda. Ele estava com seu violão. Eles
se sentaram nas cadeiras de vime da varanda, e Graham começou a tocar e cantar:
If I could make a wish
I think I'd pass
Can't think of
anything I need
No cigarettes, no
sleep, no light, no sound
Nothing to eat, no
books to read
Making love with you
Has left me peaceful,
warm, and tired
What more could I ask
There's nothing left
to be desired
Peace came upon me and
it leaves me weak
So sleep, silent
angel, go to sleep
Sometimes, all I need
is the air that I breathe
And to love you
All I need is the air
that I breathe
Yes to love you
All I need is the air
that I breathe
Peace came upon me and
it leaves me weak
So sleep, silent
angel, go to sleep
Sometimes, all I need
is the air that I breathe
And to love you
All I need is the air
that I breathe
Yes to love you
All I need is the air
that I breathe
Sometimes, all I need
is the air that I breathe
And to love you
All I need is the air
that I breathe
Yes to love you
All I need is the air
that I breathe
And to love you
All I need is the air
that I breathe
Yes to love you
- Sabe, - disse ele, ao terminar de cantar – eu ainda sou
amigo de Allan, mesmo não estando mais nos Hollies. Ele me mostrou essa música
há algumas semanas, e ao ouvi-la não pude deixar de notar que ela me lembra
você, Elinor.
Elinor ficou olhando para ele, tentando controlar as borboletas que
voavam em seu estômago.
- Graham, eu...
- Eu te amo, Ellie. – disse ele, pegando a mão dela e
apertando-a carinhosamente.
- Eu ia te dizer a mesma coisa, Graham. Cortou minha onda. –
ela riu, e o beijou. Graham largou seu violão e envolveu Elinor em seus braços.
De longe, Fanny e Dylan observavam o casal.
- Eu disse que eles iam se acertar, não disse, Bob?
- Sim. Você disse. –
o cantor folk concordou com a namorada.

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