sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Monkee Trek (Minissérie) - Episódio 2

(Não tão) Boa tarde, pessoal. Temos um novo episódio de Monkee Trek. O episódio de hoje fica como um tributo a Leonard Nimoy, que infelizmente nos deixou esta manhã. 



                     Chekov ficou muito assustado ao notar que estava deitado numa cama, em vez de estar operando seu painel.  Teria ficado inconsciente e sido levado aos seus aposentos? Lançou um olhar pelo ambiente, e concluiu que decididamente aqueles não eram seus aposentos.
                      Na verdade, a decoração tinha um estilo antigo, possivelmente do fim do século XX, por volta dos anos 1990. Franziu as sobrancelhas e murmurou: “Fascinante”. Talvez o Dr. McCoy estivesse certo. Talvez o sr. Spock influenciasse muito Chekov.
                       O alferes saiu daquele quarto, e viu-se em um corredor. Aproximou-se dele um rapaz alto, de cabelos cacheados e com uma expressão um tanto amalucada. Ele disse:

- Bom dia, Davy! Você não parece ter dormido bem esta noite. Quer ouvir minha imitação do inimitável James Cagney?

- Hã... Eu gostaria muito. – respondeu Chekov.

                        O rapaz olhou para ele surpreso, e Chekov inferiu que ou havia sido capturado, ou havia ocorrido algo à Enterprise e ele havia sobrevivido. Um arrepio percorreu sua espinha ao se perguntar se Wendy estava bem.  Indagou:

- Em que planeta estamos?

                          O jovem de cabelos cacheados abriu a boca para responder, quando apareceu um outro homem jovem, mais alto do que o primeiro que Chekov encontrara e que usava um gorro verde. Ele disse:

- Na Terra, oras! A não ser que esteja na Lua pensando na Dianna.  Eu sei que a Lua não é um planeta, mas você entendeu o que eu quis dizer.

- Como assim, senhor? Eu já estive na Lua mais vezes que um americano!

                         Quando Chekov disse isso, os dois rapazes o encararam, parecendo estar confusos.

- O que houve com seu sotaque? – perguntou o de gorro.  – E como assim já esteve na Lua? O HOMEM NUNCA PISOU NA LUA!

- É claro que já, senhor! A primeira vez em 1969, e inumeráveis vezes depois disso! E bem, senhor, meu sotaque é este mesmo! Creio que esteja me confundindo com alguém.

- Em 1969? Daqui a três anos?  - o rapaz de cabelo cacheado riu. – Meu querido Davy, o piadista desta casa sou eu. Sua função é outra. Sua função é conseguir as amigas da sua namorada para nós.

- O homem já esteve na Lua tantas vezes que estabeleceu colônias lá! Meu primo Dmitri mora lá e eu o visitava todo mês antes de ingressar na Academia da Frota Estelar. – Chekov não entendia como aqueles dois homens não sabiam da existência das colônias terrestres na Lua.  O rapaz amalucado tinha dito que 1969 seria dali a três anos? Ele havia ido parar no passado ou os dois estavam apenas caçoando dele?

                            Um terceiro rapaz, loiro, apareceu no corredor e inquiriu:

- Dmitri? Mas você não é inglês? Como tem um primo russo? Me leva da próxima vez em que for visitá-lo?

                              Finalmente alguém estava levando Chekov a sério naquele lugar! Porém, sentiu-se um pouco ofendido quando foi chamado de inglês. Ele era russo, com muito orgulho!

- Pete, não dê corda. – disse o rapaz de gorro.

- Mas eu estava falando sério, Mike! – defendeu-se o loiro.

- Micky, agora temos dois doidos para gerenciar, não só um. – disse Mike ao rapaz de cabelo cacheado.

- É claro que você pode vir, loirinho, Dmitri adora fazer novos amigos! – respondeu Chekov.

- Estranho para alguém que mora num lugar tão isolado quanto a Lua... – debochou Micky.

- Está brincando? Que eu me lembre, há mais de 200 milhões de humanos habitando a Lua!

- Por que humanos? – perguntou Mike. – Vai me dizer que há alienígenas também?

- Claro! Também há uns 150 milhões de vulcanos, 30 milhões de andorianos... Mas por que essa conotação tão preconceituosa, senhor? Não vá me dizer que faz parte de algum desses movimentos purificadores humanos!

- Hã... Micky, Peter, venham aqui um minutinho. Espere um pouco, Davy.

                 Os três rapazes se reuniram no que parecia ser a sala de estar. Chekov conseguiu ouvir o que diziam.

- Ele acabou de me chamar de nazista? – perguntou um Mike indignado.

- O que deu no Davy? Ele parece sóbrio, será que enlouqueceu? – indagou o loiro, Peter.

- Nem Dmitri explica...

- Micky!

- E o sotaque dele? Aquilo não é sotaque britânico nem aqui nem na China! – exclamou Mike.  – Está mais para sotaque... Russo?

- Será que o Davy tem descendência russa pelo lado da mãe? Isso explicaria a história do primo... – supôs Peter.

- É claro que não! Esse primo é delírio dele! – retrucou Mike.

- Só tem um jeito de saber se o Davy ficou mesmo maluco ou não. – disse Micky.

- Qual? – quiseram saber os outros dois.

- Vamos levá-lo para ver a Dianna. Se ele não ficar todo meloso com ela, então ele realmente enlouqueceu.

- Parece uma boa ideia. – disse Mike.

                        Ao que parecia, aqueles três rapazes estavam confundindo Chekov com seu amigo Davy, que era inglês e tinha uma namorada chamada Dianna.  Possivelmente Chekov era muito parecido com ele.
                       Porém, ele era russo, e para ele só existia uma mulher: tenente Wendy Sutherland, a bióloga de 19 anos da Enterprise. A jovem era uma garota-prodígio que havia entrado para a Academia da Frota quando tinha apenas 12 anos e saíra aos 16, com a patente de alferes.  Chekov e ela eram muito amigos, mas ele tinha de admitir: os dois viviam com ciúmes um do outro. Ele às vezes sentia ciúmes da relação de Wendy com seu superior, o sr. Spock, comandante da Enterprise e oficial de ciências da nave.  E Wendy não gostava nada da ordenança Martha Landon, com quem Chekov havia se envolvido por um certo tempo.  Cabia ao melhor amigo de Chekov e Wendy, o tenente Hikaru Sulu, piloto da nave, tentar evitar que o ciúme causasse estrago.
                Os três levaram Chekov até uma casa à beira-mar. Tocaram a campainha. Quem atendeu foi uma linda moça. Seus cabelos cor de mel, seus olhos de um castanho claro e a pouca altura fizeram o coração de Chekov acelerar. Ela lembrava demais sua querida Wendy!

- Olá, meninos. – ela sorriu. – Oi, Cuddly Toy, tudo bem?

                     Ela olhou para Chekov, como se esperasse uma resposta.

- Cuddly Toy, estou falando com você!

- Davy está meio esquisito hoje, Dianna.  – explicou o rapaz chamado Peter.

- Você está bem, amor?  - perguntou Dianna, puxando Chekov para si e pondo a mão em sua testa.

- Senhorita, eu me sinto ótimo. Mas me desculpe, eu não sou o seu namorado.

                       Dianna riu.

- É claro que é! Você é Davy Jones, meu namorado!

- Não... Dianna.  Meu nome é Pavel Chekov, eu sou um alferes da Frota Estelar a bordo da nave U. S. S. Enterprise.

- Davy, chega de brincadeirinhas. Você está mesmo se sentindo bem?

- Eu juro que me sinto bem! Mas por que todos vocês acham que sou esse Davy Jones? Senhorita Dianna, você se parece muito com Wendy, uma amiga muito querida, mas sei perfeitamente bem que você não é ela.

- Wendy? Quem é essa Wendy, Davy?  – a moça olhou para Chekov com uma expressão muito enciumada. Até nisso ela se parecia com Wendy!

- Eu já disse, senhorita. Ela é minha amiga, minha melhor amiga. E não vejo motivo para me olhar assim. Repito, sou Pavel Chekov, não Davy Jones.

- Davy, pare com isso, está me assustando!

- Desculpe. Não era a minha intenção.

- Hã.... – começou o rapaz mais alto, Mike. – Peter, Micky, acho melhor irmos embora.  – ele puxou seus amigos atrás dele, enquanto Dianna conduzia Chekov para dentro da casa.

                    Ela o fez sentar num sofá. Ela se sentou ao lado dele e pegou sua mão, acariciando-a com o polegar. Chekov sentiu um calor preenchê-lo. Fosse quem fosse, aquele tal de Davy Jones era sortudo por ter uma namorada tão linda e amorosa.

- Davy, está mesmo tudo bem?

- Está. Está sim. Eu não sou seu namorado, Dianna. Devo parecer muito com ele... Mas não sei como vim parar na casa dele, não sei mesmo.

- Você... Você não é mesmo o meu Cuddly Toy, não é? – ela olhou para ele um pouco triste. – Mas... Eu olho para você e o vejo. – ela se aproximou e beijou Chekov.

                     O coração do alferes batia como louco em seu peito. Para Chekov, era quase como se Wendy o estivesse beijando.  Porém, ele sabia que aquilo não era certo. Antes que ele se separasse da moça, ela fez isso.

- Desculpe! Desculpe! Eu sei que você não é Davy, mas...

- Não se preocupe. – disse Chekov.

- Seu nome é... Chekov, certo?

- Sim. Mas pode me chamar de Pavel Andreievitch, se quiser.

- Por quê?

- É assim que Wendy me chama. Ela... Ela é maravilhosa. E se parece demais com você.

- Eu me pareço com sua melhor amiga. Você se parece com meu namorado. Não é muita coincidência?

- É sim. Só deixe-me perguntar algo... Em que ano estamos?

- 1966.

- Como... Como cheguei ao passado?

- Ao passado?

- Sim. Eu vim de 2267.

- Está brincando?

- Não. Já viu algo assim? – Chekov deu a ela seu tricorder para que ela examinasse.

                    Dianna olhava para o tricorder, muito curiosa. Depois de estudá-lo de todos os ângulos e quase desconfigurá-lo, ela entregou o aparelho a Chekov.

- Não. Confesso que jamais vi um aparelho assim. Você veio de daqui a 300 anos... Puxa vida...

- Acredito que o sr. Spock consideraria essa minha estranha viagem no tempo algo extremamente fascinante.

- Sr. Spock?

- O oficial de ciências da Enterprise e superior de Wendy. Um homem brilhante.  Sabe, Dianna, tenho uma teoria.

- Qual? A de que você e Davy trocaram de lugar?

- Exatamente.

- Bom... Eu tenho uma teoria levemente diferente.

- Qual?

- Vocês trocaram de corpo. Não de lugar.

- De corpo?

- Sim. Veja.

                   Dianna levou Chekov a um espelho. Ele viu que, apesar do rosto que via ser muito parecido com o seu, não era para seu próprio reflexo que olhava.

- Ele... Ele é muito parecido comigo.

- É por isso que não pude evitar beijá-lo. Você está no corpo do meu namorado, Chekov. E ele está no seu.
                                 



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