terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

All The King's Horses - Capítulo 4

Boa tarde! Temos novo capítulo de All The King's Horses! Boa leitura!


(Evanna’s POV)


                     Os Davies estavam agitados. Naquela tarde, chegaria ao seu castelo a princesa Mary Anne das Terras do Norte, que havia sido capturada por Lord Daltrey. Como Lord Daltrey sabia que a jovem seria rapidamente recuperada caso os soldados de seu pai fossem procurá-la em seu castelo, decidiu colocá-la sob a custódia de Raymond e David Davies, os jovens senhores do Forte Davies.  Com eles, viviam suas primas, as Ladies Evanna e Jenna, filhas dos irmãos de seu pai.
                    Evanna era noiva de Lord Townshend, um dos amigos mais próximos do obstinado Lord Daltrey. Entretanto, sabia muito bem que sua prima Jenna a invejava por esse noivado, assim como invejava Felicity, a princesa das Terras do Sul. Evanna não entendia o porquê de sua prima nutrir tal sentimento. Decidiu refletir sobre aquilo em outro momento, pois ouviu o estrondo da pesada porta dupla de carvalho ser aberta, e viu entrar por ela a princesa Mary Anne. A moça parecia estar amedrontada. Evanna também estaria, caso tivesse sido capturada, levada para outro país e transportada de um castelo para outro em apenas uma semana.
                   O homem que a acompanhava apresentou-se como o lacaio de Lord Daltrey e disse a Raymond e David que o jovem lorde confiava a princesa a eles até que ele considerasse seguro trazê-la de volta para seu castelo, a fim de desposá-la. Os dois lordes irmãos sorriram para a princesa, e cada um deles beijou sua mão, após fazer uma reverência, que ela devolveu graciosamente. David virou-se para Evanna e disse:

- Evanna, minha cara prima, gostaria de mostrar nosso lar à princesa Mary Anne?

- É claro. – disse Evanna, sorrindo. – Venha, Alteza, mostrar-lhe-ei tudo.

- Fico muito grata, Lady Evanna. – respondeu a princesa, sorrindo também.

                   A filha do rei James parecia estar gostando do castelo. Ela e Evanna conversavam animadamente, e estavam se dando muito bem. A lady acreditava que a princesa poderia ser para ela a companheira que sua prima nunca foi.  Ela inquiriu:

- Princesa Mary Anne, você tem alguma vontade de se casar com Lord Daltrey?

- Para ser sincera, Lady Evanna? Pouca. Meu grande desejo é que as tropas de meu pai me salvem o mais imediatamente possível. Se eu pudesse escolher com quem me casar...

- É muito inconveniente se eu perguntar quem escolheria?

- Não, creio que não. Eu escolheria um dos cavaleiros da guarda de meu pai, Sir George. Ele é jovem, belo, alto, corajoso, perspicaz, amável. E amigo de meu irmão.

- Está apaixonada por ele? – Evanna sorriu para a princesa compreensivelmente.

- Sim, estou. – Mary Anne abriu seu sorriso. – E você, milady?

- Oh, me chame de Evanna. Estou, estou sim. Pelo meu noivo, Lord Townshend.

- Eu conheço Lord Townshend. Ele esteve no castelo de Lord Daltrey para repreendê-lo por ter me capturado. Tentou persuadi-lo a me libertar, mas não teve sucesso.

- Peter... Digo, Lord Townshend e Lord Daltrey têm certas divergências, mas são muito amigos. Foram criados juntos, e também com Lord John Entwistle e Lord Keith Moon. Bem, diga-me, Alteza, apesar de todas as atribulações, gosta das Terras do Sul?

- Oh, sim! É um lugar muito bonito! Mais bonito do que meu país, devo confessar.

                  
                   Estava nascendo ali uma amizade. Mais tarde, chegaram ao Forte Davies duas visitantes: Lady Eleonora Smith, noiva de Raymond, e a princesa Felicity, noiva de David.  As duas jovens foram recepcionadas e instaladas em luxuosos aposentos. Evanna costumava gostar da princesa Felicity, contudo, nos últimos bailes, havia percebido o excesso de atenção que seu noivo dedicava a ela. Aquilo a havia incomodado muito.
                  As jovens ficariam para o jantar e já na manhã do dia seguinte retornariam ao palácio do pai de Felicity, o rei Robert. Os rumores diziam que as tropas do Norte e do Leste já estavam chegando à região do feudo de Lord Daltrey, por onde começariam a busca pela princesa Mary Anne.
                 Jenna, como seus três primos sabiam muito bem, não gostava das duas damas ali presentes e desaprovava por completo os noivados de Raymond e David com elas, ainda que fossem as filhas dos dois homens mais importantes das Terras do Sul. Jenna também detestava a princesa Frances das Terras do Leste, antiga noiva de Raymond. Havia conseguido que o primo desfizesse o noivado com ela, fazendo-o quase enlouquecer de ciúmes com a possibilidade que levantara de que Sir Dylan, o melhor amigo e protetor da princesa, estivesse apaixonado pela jovem.
                 Evanna fizera de tudo para evitar que os primos dessem muito crédito às opiniões e afirmações de Jenna, e até então, no caso de Lady Eleonora e princesa Felicity, estava tendo sucesso. Até que...


- Lady Eleonora, é verdade que esteve noiva de Lord Michael Nesmith das Terras do Norte? – inquiriu Jenna.

                  Lady Eleonora, um pouco corada, replicou:

- Não. Lord Michael Nesmith me cortejou, mas nunca selamos compromisso.

                    Jenna fez uma nova tentativa:

- Diz-se que um dos amigos mais próximos de Lord Michael Nesmith, Lord Michael Dolenz, tentou fazer-lhe a corte, princesa Felicity.

                 Notou-se um tom de irritação na voz da princesa quando ela respondeu:

- Ele tentou. Sempre recusei sua corte veementemente. Eu jamais aceitaria que um homem como aquele se tornasse meu pretendente.

                  Raymond e David pareciam não gostar do rumo que a conversa estava tomando, tampouco Evanna. Ela previa que nada de bom resultaria daquilo. A princesa Mary Anne interveio:

- Eu soube que um grupo de jograis conhecido como Monty Python viaja pelas Terras do Sul em apresentações. Adoraria assistir a uma delas.

                  Então os nobres do Sul se distraíram contando à princesa do Norte sobre aquele famigerado grupo de jograis, considerados por muitos os melhores dos Quatro Reinos.

(Alana’s POV)


                   Aquele dia havia sido produtivo. Tanto os jograis do Monty Python quanto ela e seu grupo de menestréis haviam ganhado muito dinheiro nas apresentações do dia. Alana amava aquela vida, sem lar certo, viajando pelas Terras do Sul. Ela se sentia livre. Por nada voltaria a viver como criada no Forte Townshend. Seu pai e sua mãe continuavam a viver e trabalhar lá. Porém, nem mesmo para vê-los ela poria os pés lá novamente.
                   Ela se lembrava bem de como havia sido ridicularizada por outras jovens criadas por ter amado o jovem Lord Peter Townshend, filho do senhor do forte. Quando o velho lorde morreu e o jovem passou a comandar o feudo, Alana fugiu. Mais do que nunca ela precisava se livrar daquele sentimento ilusório. Ele agora era o senhor de um dos feudos mais poderosos das Terras do Sul, jamais olharia para uma pobre criada.
                    Certa vez, quando passava por um vilarejo em busca de algum lugar para comer e descansar, viu dois jovens trovadores se apresentando. Parou para vê-los. Ao fim da apresentação, foi conversar com eles, que se apresentaram como Edward Simons e Harry Daniels. Disse a eles que adoraria levar aquela vida, sem lar certo, tocando e cantando.
                   Edward e Harry perguntaram-lhe se desejava viver com eles. Ela concordou. Alana já sabia cantar muito bem, e eles a ensinaram a tocar alaúde. Depois de alguns meses viajando pelas Terras do Sul, conheceram um grupo de jograis, chamado Monty Python. Fizeram amizade com eles, e os dois grupos de artistas passaram a viajar e se apresentar juntos.
                  Ela e os companheiros já estavam se preparando para se recolher para dormir, quando ouviram uma batida na porta de sua grande carroça. Eric Idle, um dos jograis, abriu-a. Lá fora, exposta ao mau tempo, estava uma moça. Tinha cabelos loiros, olhos azuis e vestia roupas cinza em farrapos. Ela disse:

- Mil perdões por incomodá-los. Eu... Eu sou Louise. Só gostaria de um lugar para ficar. Só por uma noite. Por favor.
- John? – perguntou Eric ao líder dos Pythons, John Cleese. – O que acha?
- Esta caravana é como coração de mãe, Louise. Sempre cabe mais um. Entre.

                    A jovem murmurou um agradecimento e dirigiu um sorriso amistoso a todos. Alana imediatamente providenciou comida e cobertores para ela. Apesar das roupas andrajosas, Louise parecia um pouco bem-cuidada demais para uma jovem pobre. Entretanto, algo em seus olhos mostrava que sofria. Alana disse a ela:

- Acredito que vai gostar de viver conosco, Louise. Nós somos livres. Passamos a vida cantando, tocando música, dançando, fazendo as pessoas rirem. Encontramos alegria na alegria dos  nossos espectadores.
- Sabe, é disso que eu preciso. Liberdade. – disse Louise.

                 Alana olhou atentamente para Louise. Pôde ver em seus olhos azuis que a moça dizia a verdade. Quem sabe em breve poderia explicar melhor quem era, de onde tinha vindo e por que precisava de liberdade.





                                 

Nenhum comentário:

Postar um comentário